9 julho 2017 FULEIRAGEM

GIANCARLO – CHARGE ONLINE

LITERATURA E MÚSICA

Muita gente ouviu João Cabral dizer em suas entrevistas que não gosta de música. Abriu uma exceção apenas para o flamenco, que conheceu em Sevilla, enquanto diplomata; e para o frevo, devido a sua origem pernambucana. Fiquei matutando: como é possível o autor de um poema como Morte e vida severina, musicado pelo Chico Buarque, não gostar de música? Vale dizer que se trata de uma canção que contribuiu significativamente para projetar estes dois expoentes da literatura e da música.

Só mais tarde, é que o espanto foi dissipado através de uma entrevista de Ferreira Gullar, dizendo isso não era verdade e que João Cabral, nessa questão, mentia com muito talento. Assim, passei a reparar nas entrevistas com escritores que as perguntas sobre os relacionamentos Literatura x Música são mais frequentes do que eu supunha. Fui, então, verificar a bibliografia referente a este relacionamento e deparei com uma quantidade razoável de livros, artigos, teses e textos publicados.

Desse modo, foi concebido o 6º volume da obra “Mistérios da criação literária”. Mas foi no decorrer de sua feitura que verifiquei que tais relações são mais antigas do que imaginamos; que a música pode ser entendida como uma “literatura cantada”; que o ritmo também é uma característica literária; que, enfim, são expressões de um mesmo sentimento humano e que têm finalidades semelhantes.

Porém, as diferenças são também marcantes: basta ver que a música, por ser imaterial, é “absorvida” imediatamente pelo sentido; enquanto a literatura para ser “inoculada” exige, além da leitura, o raciocínio. Não deixa de ser interessante ver a contrariedade dos poetas quando o público fica enaltecendo Caetano Veloso ou Chico Buarque como grandes poetas. Affonso Romano de Sant’Anna diz: “Os músicos aprenderam muito com a literatura, Chico, Caetano, Gil aprenderam muito. E praticaram isso. Mas há um mal-entendido em tudo isso, porque fica parecendo de repente que são os maiores poetas brasileiros. Então uma coisa que tem que se esclarecida é o seguinte: eles são muito bons poetas, com a música atrás. Se tirar a música e deixar só o texto, poucos textos deles vão resistir”.

Ferreira Gullar, de modo diverso, diz o mesmo: “Letra de música não é poema. Pode conter poesia. Como o poema a contém ou não. Mas são gêneros específicos. Uma letra de música precisa de música. Você pode encontrar exceções, mas na grande maioria dos casos uma letra de música necessita da música para alcançar sua expressão cabal. Existe uma música conhecidíssima, verdadeira obra-prima da MPB, que diz assim: “Podemos ser amigos, simplesmente / Amigos simplesmente, e nada mais”. Chama-se “Chuvas de verão; é da autoria de Fernando Lobo. Mas se suprimirmos a música, alguém poderia dizer que isso é poesia? Não é”

Esta é apenas uma das polêmicas que a coletânea de depoimentos enseja. São quase 100 respostas acrescido de farto material bibliográfico enfocando as tais relações. O livro foi lançado em 2015 e encontra-se esgotado no mercado livreiro. Mas ainda disponho de alguns exemplares, que poso fornecer aos interessados ao custo de R$ 30 reais (frete incluso) através do e-mail: literacria@gmail.com

Os seis volumes podem ser vistos e consultados, em parte, no site Tiro de Letra.

9 julho 2017 FULEIRAGEM

DUKE – O TEMPO (MG)

9 julho 2017 FERNANDO GABEIRA

O INTERESSANTE ESTADO DE DIREITO

Há coisas que não entendo no Brasil. Ou melhor, coisas que me esforço para entender. O STF, por exemplo, negou a liberdade a uma prisioneira que roubou xampu e chicletes. Mas decidiu soltar Rodrigo Rocha Loures, que recebeu a mala preta com R$ 500 mil numa pizzaria. Sou leigo e fiquei sabendo que a mulher foi mantida na prisão porque era reincidente. Provavelmente roubou um tubo de creme dental no passado e, como essas pessoas são insaciáveis, deve ter levado também a escova de dentes.

Leio no belo livro “Triste visionário”, de Lilia Moritz Schwarcz, sobre o escritor Lima Barreto, que o médico Nina Rodrigues, expoente da Escola Tropicalista Baiana, defendia no fim do século XIX que negros e brancos eram diferentes biologicamente e o Brasil precisava ter dois códigos penais. Felizmente, as ideias racistas de Nina, que conheci pelo seu trabalho pioneiro sobre a maconha, foram sepultadas. Existe apenas um código penal.

Suspeito, no entanto, que existam diferentes estados de direito. A mais generosa versão desse conceito surgiu no país quando começou a ser desmontado o gigantesco esquema de corrupção.

A Lava-Jato é responsável apenas por um terço das conduções coercitivas no país. Nunca houve problemas até que, depois da centésima experiência, a operação trouxe Lula para depor. Resultado: um grande debate nacional sobre condução coercitiva. Em 2013, o Congresso aprovou o instrumento da delação premiada. Era destinado a desarticular o crime organizado. Ninguém protestou. Ao ressurgir na Lava-Jato, a delação premiada precisou se revalidar no contexto do novo e delicado estado de direito.

Marcelo Odebrecht disse que ensinava aos seus filhos que era feio delatar. No Congresso, a delação premiada foi definida como a tortura do século XXI. E Dilma Rousseff comparou os delatores a Joaquim Silvério dos Reis, nivelando a Inconfidência Mineira ao assalto à Petrobras.

Mostrei num curto documentário como as famílias dos presos sofrem para visitar os parentes no Complexo de Bangu, às vezes, passando a noite ao relento, à espera de uma senha.

A televisão revela agora como Sérgio Cabral recebe visitas à vontade, inclusive como chegam encomendas da rua no setor onde está preso agora. Sua mulher, Adriana Ancelmo, está solta para cuidar dos filhos, e a polícia encontrou nas casas da irmã e da governanta joias escondidas por ela. Leio nos jornais que numa excursão da Escola Britânica ao exterior, o filho de Cabral foi o único a viajar na classe executiva.

Se a mulher de Cabral ajudá-lo, de novo, a roubar R$ 1 bilhão do povo do Rio, inclusive com prêmios por conceder aumento da passagem de ônibus, creio que, pela leitura da lógica do STF, irá para a cadeia. Dura lex sed lex, no cabelo só Gumex, dizia o velho anúncio. A mulher que roubou o xampu deve ser jovem, desconhece slogans publicitários do passado.

Há algum tempo, desisti de esperar uma reação previsível do Supremo. Carmem Lúcia, de vez em quando, me consola prometendo que o clamor das ruas será ouvido.

De vez em quando, sim, o clamor das ruas será ouvido. Mas o sistema politico partidário brasileiro envolve com seus tentáculos os próprios ministros do Supremo. O ubíquo Gilmar Mendes articula leis no Congresso, encontra-se com investigados, discute o preço do boi com Joesley Batista e foi padrinho da casamento de Dona Baratinha, herdeira do clã que enriqueceu cobrando caro para que o povo do Rio viaje nos seus ônibus vagabundos.

A Lava-Jato lançou a ideia de que a lei vale igualmente para todos. É uma ideia tão antiga que pronunciá-la parece apenas repetir um lugar comum. Vencemos a etapa em que o racismo teorizava um código penal para brancos e outro para negros.

Mas a realidade mostra como existe ainda um grande caminho a trilhar. A lei não é igual para todos. Ela afirma que os portadores de diploma universitário têm direito à prisão especial.

E cria uma dessas situações que talvez só possa se resolver numa peça de ficção. Nas cadeias do Rio, em condições tão distintas, os cariocas que Sérgio Cabral arruinou e o novo rico que a corrupção alimentou.

Na realidade concreta do cotidiano, é um conflito insolúvel. A lei vale para todos, contudo, entretanto,você sabe como é, estamos no Brasil, um país que, definitivamente, não tolera roubo de chicletes. Como dizem os defensores do estado de direito, vivemos o perigo de um estado policial. Hoje o chiclete, amanhã um quilo de açúcar, daqui a pouco os homens podem nos levar pelo simples desvio de um milhão de dólares.

No tempo da corrupção, éramos felizes e não sabíamos. Ninguém tinha feito delação premiada. Era possível comprar eleições em nove países do continente e, sobretudo, comprar uma Olimpíada. O complexo de vira-lata foi jogado no lixo; do pingue-pongue ao polo aquático, gritávamos: Brasil, com muito orgulho e muito amor.

Aí, chegou a polícia.

9 julho 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

TIPOS DE GOVERNO

“Governos, qualquer que seja seu tipo, são maneiras que gente esperta encontrou para se locupletar às custas de uma multidão de otários”. – Bakunin

O assunto em epígrafe é fato bastante conhecido por todas as pessoas que ainda ousam pensar por conta própria, especialmente desde que Bakunin abriu o jogo e afirmou com todas as letras esta cruel realidade. Esta foi, inclusive, uma das razões pela qual o mesmo foi devidamente defenestrado da 1ª Internacional Socialista promovida e dirigida pelo próprio Karl Marx. Deve ter sido porque o velho Marx estava mesmo era pensando em se tornar o líder supremo da patuleia adepta da nova seita exotérica que havia criado e viu seus planos escancarados.

Outro que deu algumas dicas maravilhosas a respeito do que se pode esperar de qualquer governo foi um tal de Lao Tse, que viveu na China entre 350 e 250 antes do Cristo.

Segundo o mesmo, os governos poderiam ser classificados da seguinte maneira:

1. Dos melhores governantes o povo não toma nem conhecimento! Assim, quanto melhor fosse o governo, menos encheria o saco da população com exigências estapafúrdias e com a malbaratação dos recursos a si confiados pela população. Quer ver um exemplo? Quem é que governa a Suiça? Vocês todos certamente vão dizer: SEI LÁ! É presidente? É primeiro ministro? Tem rei? Na realidade, ninguem nem sabe e nem quer saber. Até porque o governo deles não torra a paciência e não esfola a população com os impostos. Por isso que não interessa quem seja o cara que está no comando. O que interessa é que cada cidadão pode tocar sua vidinha em paz e procurar a felicidade da maneira que lhe for mais atrativa. Deve ser por isso que são riquíssimos.

2. O melhor governante seguinte o povo ama! Este seria o caso clássico dos governos populistas, sempre em busca da aprovação das massas, encantado-as com o charme e o carisma do eventual ocupante da posição de poder. Não são necessariamente ruins mas, como regra geral, descambam para condições de menor maturidade política através da infantilização das pessoas a si subordinadas.

3. O melhor seguinte o povo teme! Quem definiu bem esta situação foi Thomas Jeferson, ao afirmar que “Quando o governo teme o povo, isto é democracia. Quando o povo teme o governo, isto é tirania”. No caso do Brasil, a população vive apavorada e com medo do governo desde a sua fundação como colônia. A título de exemplo, bastaria citar as ações da Inquisição, ou mesmo as reações desproporcionais e altamente crueis contra qualquer movimento nativista e de busca da afirmação da identidade própria, tal como nas revoluções pernambucanas. Este medo do governo permanece profundamente entranhado em todas as fibras dos brasileiros. Não poderia haver sintoma mais claro do que este para identificar a tirania sob a qual sempre vivemos.

4. O pior governante o povo odeia! Este seria, segundo o filósofo, o estágio final da degradação a que chegaria qualquer governante e antessala de mudanças na estrutura governamental. Ocorre porém que nós brasileiros, com toda a criatividade que nos é peculiar, conseguimos avançar um pouco mais nesta estratificação da degradação das camadas de liderança e criamos uma nova situação nunca antes presenciada em país nenhum do mundo, pelo menos não na escala em que estamos convivendo atualmente no Brasil.

5. Dos governantes brasileiros, o povo tem nojo! Chegamos a um estágio de degradação moral nas camadas dominantes de nosso país que provocou uma transição única e nunca vista na história. Nós, hoje, não só temos ódio dessa corja que nos infelicita, como estamos profundamente enojados por todo um festival de atitudes abjetas e explícitas do mais alto grau possível de canalhice.

A grande questão que se nos apresenta agora é: como jogar de volta, para a latrina de onde saíram, toda essa multidão imensa de ratazanas ladravazes que se aboletaram no aparato estatal?

Só para dar uma pequena ideia do poder de fogo destas hordas ululantes (adorei este pleonasmo), basta citar alguns números apresentados pela revista veja, em sua última edição. Citando dados de um estudo efetuado pelos economistas Adriano Pitoli e Camila Sato, da Tendências Consultoria, a mesma revista informa que dos 3,8% da população com renda acima de R$ 17.286,00 mensais, e que abocanham 38% da Renda Nacional, quase um terço (31%) é FUNCIONÁRIO PÚBLICO. A proporção de funcionarios públicos com padrão de vida de Classe A é bem maior que a de empregadores, que é de apenas 26% das famílias.

Qual será o futuro de um país em que, para se ter uma renda de Classe A, é muito mais interessante ser funcionário público que empresário?

ACERTOU! Transformaram aceleradamente o Brasil em um país de parasitas do estado. Este, por sua vez, drena toda a riqueza da nação para compartilhar com sua gangue, defendendo-a selvagemente com unhas e dentes contra toda e qualquer iniciativa da população para encerrar com esta cachorrada tamanho família.

Quer exemplos concretos dessa sacanagem?

Basta ver as nomeações de juízes para compor o Supremo Tribunal Federal.

Cada ladrão que passou pela Presidência da República tratou, prioritariamente, de nomear alguns juizes pra chamar de seu, e cuja missão prioritária seria a proteção do fiofó de seu “dono” quando as maracutaias por si praticadas fossem descobertas e conduzidas nesta instância.

Esta sacanagem, juntamente com a excrescência do FORO PRIVILEGIADO amplo, geral e irrestrito, cria um “Campo de Forças” de blindagem para esta súscia de parasitas maior que as de Guerra nas Estrelas.

Quer um exemplo bem claro de como funciona esta putaria? Basta ver a votação que está sendo conduzida no STF a respeito da limitação do foro privilegiado. O relator do processo, Ministro Luís Roberto Barroso votou a favor de que sejam investigados e julgados no supremo apenas os crimes cometidos por congressistas e autoridades NO EXERCÍCIO DO CARGO. Isto significa dizer que uma boa fatia dos colegas de Temer no governo seriam enviados para julgamento em 1ª Instância IMEDIATAMENTE, com chances concretas de fazerem companhia a Gedel Vieira Lima muito em breve.

Pois bem! O ilustre Ministro Alexandre Morais, como bom “Cachorrinho de Madame” de Temer, pediu vistas do processo e SENTOU EM CIMA. Assim, a decisão do tribunal fica adiada ad infinitum, até que o fascínora decida que deve liberar o processo. Quer dizer: NUNCA! A manobra foi tão nojenta que seus próprios colegas Ministros se sentiram envergonhados e, mesmo com o processo empombado pelo comparsa de Temer, votaram a favor da sua aprovação. Os heróis foram Rosa Weber, Marco Aurélio Melo e a Presidente do STF, Cármen Lúcia. Só faltam mais dois para aprovar a matéria. Vamos botar pressão.

Quer dizer ao “ilustre” Ministro o que Você acha dessa patifaria? O endereço é gabmoraes@stf.jus.br

9 julho 2017 FULEIRAGEM

BRUNO – VALEPARAIBANO (SP)

CONVERSA DE BOTEQUIM

Para enriquecer o nosso domingo, vamos curtir uma criação arretada.

Esta composição é um clássico da música brasileira e uma das mais inspiradas letras de Noel Rosa, um gênio que se encantou muito jovem, com apenas 27 anos, deixando uma obra incabada.

Antes do vídeo – uma gravação original na voz do próprio Noel -, este Editor gostaria de transcrever para os leitores do JBF um trecho do livro “Noel Rosa – Uma Biografia“, de João Máximo e Carlos Didier:

“Muita gente diz ter presenciado Noel compor à mesa deste ou daquele café um de seus sambas imortais: Conversa de Botequim. Papagaio inclusive. (Nota do Editor: Papagaiao era um amigo de Noel) Noel, com essa história de dizer “vou cantar um samba que acabo de fazer”, vive dando às pessoas a falsa impressão de que “acabo de fazer” significa, literalmente, que o samba foi feito há instantes. Mas é de fato possível que o amigo motorista o tenha visto ao menos trabalhar a letra de Conversa de Botequim, uma prodigiosa crônica dos cafés cariocas e seus folgados frequentadores. Um irretocável retrato da cidade e de alguns de seus tipos, o garçom que passa o pano na mesa como se a dizer ao freguês que este já lhe roubou tempo demais, o sujeito que gasta seu último níquel apostando no jogo do bicho, o interessante um tanto vago pelo futebol (como o de Noel). Quem se lembrar bem dos tempos do Carvalho, em Vila Isabel, e do papel comunitário que o botequim então – como ainda hoje – prestava, poderá concluir que tudo aquilo, o espírito de se tirar do botequim tudo que ele tem para dar (o cigarro filado, o cartão, a revista, o cinzeiro, o tinteiro, o dinheiro emprestado, o telefone, o recado, a despesa pendurada) ficou guardado no coração do poeta.

Mas não é apenas por isso que Conversa de Botequim pode se incluir entre as mais notáveis peças de toda a história da música popular brasileira. Em nenhuma outra é tão harmonioso o casamento da melodia com a letra, pontuação perfeita, acentuação irrepreensível (nem todos têm muito cuidado para com a acentuação musical, isto é, a sílaba mais forte correspondendo à nota sobre a qual recai o acento melódico, do que Conversa de Botequim é exemplo definitivo). Um samba que acaba se convertendo num desafio aos estudiosos. Sendo feito de parceria com Vadico, a questão se põe em dois pontos: ou Vadico fez toda a melodia e Noel criou para ela os mais exatos versos de toda a canção brasileira, ou o próprio Noel teve alguma participação na construção da música – escorregadia como a de um choro. O que é mais provável.

Seu garçom, faça o favor
De me trazer depressa
Uma boa média que não seja requentada,
Um pão bem quente com manteiga à beça,
Um guardanapo
E um copo d’agua bem gelada.
Fecha a porta da direita
Com muito cuidado
Que não estou disposto
A ficar exposto ao sol.
Vá perguntar ao seu freguês do lado
Qual foi o resultado do futebol.

Se você ficar limpando a mesa,
Não me levanto nem pago a despesa.
Vá pedir ao seu patrão
Uma caneta, um tinteiro,
Um envelope e um cartão.
Não se esqueça de me dar palitos
E um cigarro pra espantar mosquitos.
Vá dizer ao charuteiro
Que me empreste umas revistas
Um isqueiro e um cinzeiro.

Telefone ao menos uma vez
Para 34-4333
E ordene ao seu Osório
Que me mande um guarda-chuva
Aqui pro nosso escritório.
Seu garçom me empreste algum dinheiro
Que eu deixei o meu com o bicheiro,
Vá dizer ao seu gerente
Que pendure essa despesa
No cabide ali em frente.

Papagaio bem pode ter acompanhado a lenta elaboração deste primor de samba. Lenta, sim, porque são francamente inconcebíveis as versões que correm por aí nos dando conta de um Noel que chega ao botequim, sente baixar-lhe uma súbita inspiração, pede lápis e papel ao garçom e, em questão de minutos, escreve de ponta a ponta os versos para a música de Vadico.”

9 julho 2017 FULEIRAGEM

MARIANO – CHARGE ONLINE

COMO SERÁ O AMANHÃ

No Brasil, ensinava um lúcido ministro da Fazenda, Pedro Malan, até o passado é imprevisível. O que Malan não disse é que o futuro, esse sim, é previsível: seja qual for o resultado da campanha contra Michel Temer, o Brasil continuará sendo governado pelo PMDB. E continuará discutindo Renan, Geddel, Romero Jucá, Eunício e outros luminares da política.

O PMDB esteve no governo de Fernando Henrique, teve presença maior com Lula, cresceu com Dilma, é dominante com Temer: tem o presidente, os ministros mais importantes, e comanda até a oposição, com Jarbas Vasconcelos, em nome da ética, e Requião, muito próximo do PT. Tem os articuladores do Fica, Temer, como Moreira Franco e Eliseu Padilha, e os articuladores do Fora, Temer, como Renan e Sérgio Zveiter, relator da aceitação ou não da denúncia. Tem intimidade com o poder. Renan vem da época de Collor, e só não participou do governo Itamar. Geddel foi ministro de Lula, vice-presidente da Caixa com Dilma, ministro com Temer. Jucá, como o patriarca do partido, Sarney, é cria do regime militar.

E o presidente? Temer já mostrou o que é: a Economia ficou com os especialistas e a Política com fregueses de investigações. Rodrigo Maia é citado em inquérito da Lava Jato. Pouco se sabe o que pensa: é DEM, mas poderia ser PMDB. E é um homem de família: começou na política por ser filho de César Maia, DEM, e subiu como genro de Moreira Franco, PMDB.

As diferenças

Há diferenças importantes entre Temer e Maia. Temer foi três vezes presidente da Câmara Federal e sempre fez parte da elite da Casa. Fez carreira no Direito e tem ótima fama como constitucionalista. Maia estudou Economia mas não concluiu o curso e, desde os 26 anos, sua vida é a política. Faz parte do baixo clero da Câmara – os deputados com menor destaque, raramente ouvidos. O baixo clero é maioria na Câmara, mas só elegeu três presidentes: Severino Cavalcanti (perdeu o mandato, acusado de cobrar mesada do dono do restaurante da Casa e de outros concessionários de serviços); Eduardo Cunha, que, acusado de corrupção, perdeu o mandato e está hoje preso, condenado a 15 anos; e Rodrigo Maia.

A semelhança

Ambos, Temer e Rodrigo Maia, jamais foram campeões de votos. Michel Temer sempre se elegeu, mas com dificuldades; numa das eleições, foi o último colocado entre os eleitos por São Paulo. Maia tentou ser prefeito do Rio e teve 3% dos votos, apesar do apoio do pai.

Como está, fica

Traduzindo: fique Temer ou caia Temer, não há o menor risco de que a algo se modifique. Do jeito que a coisa vai, não mudam nem as moscas.

Quem sabe, sabe

Um fato deve ser destacado nessa guerra política de Brasília; a defesa de Temer, elaborada pelo advogado Antônio Cláudio Mariz de Oliveira. É de primeira linha, competentíssima. Como a questão é política, não jurídica, boa parte dos parlamentares não se preocupa com a acusação nem com a defesa: já tem o voto na cabeça, ou segue a posição de seus líderes. Mas a defesa é um trabalho exemplar, não só nos argumentos como no texto claro e compreensível. Independentemente de posição política, vale a pena ler.

Meio cheio…

Estranhíssima a decisão da Polícia Federal de incorporar a equipe da Lava Jato à Delecor, Delegacia de Combate à Corrupção e Desvio de Verbas Públicas. A PF informa que a medida fortalece a Lava Jato, pois facilita a participação de mais delegados nas investigações. Por que, então, não fazer o anúncio ao contrário, incorporando a Delecor à Lava Jato? No clima atual, em que tanta gente tenta melar as investigações, é óbvio que qualquer mexida na Lava Jato, exceto seu reforço, provoca a suspeita de que uma operação tão popular esteja sendo neutralizada pelos investigados.

…meio vazio

Há quem pense que a divulgação foi deliberadamente alarmista, como protesto pela restrição de verbas à Polícia Federal. É que o caso Lava Jato é uma das três medidas impopulares anunciadas pela PF: a suspensão do fornecimento de passaportes e a redução dos serviços nas rodovias são as outras duas. Os federais suspeitam da restrição de verbas. Acreditam que, a um tempo, serve para vingar-se das investigações e forçar a Polícia Federal a, sem dinheiro, reduzir as atividades que lançam luz sobre a corrupção.

Delata e paga

Surpresa no caso Joesley. O Tribunal de Contas da União decidiu incluí-lo num processo que apura desvios em financiamentos do BNDES à JBS. Acusam o grupo de ter cobrado do BNDES um ágio de R$ 2,50 por ação na compra da Swift – total, cerca de R$ 70 milhões. Em sua delação, Joesley não tocou no assunto. E pode por isso perder os privilégios que teve.

9 julho 2017 FULEIRAGEM

VERONEZI – GAZETA DE PIRACICABA (SP)

9 julho 2017 DEU NO JORNAL

POLODORO HOMENAGEIA SEUS IRMÃOS

* * *

Segundo apurou o Departamento de Fuxicos do JBF, o diretório nacional do PT enviou ofício ao governo do Ceará pedindo autorização para preencher a ficha de filiação de todos os jegues apreendidos nas estradas daquela linda terra.

Fontes do governo do estado já confirmaram que a autorização será concedida.

O PT vai engrossar suas fileiras com 4 mil novos filiados.

O único jegue nordestino que não se filiará ao bando é o fubânico Polodoro.

Polodoro vai rinchar em homenagem aos seus irmãos que irão formar fileiras no partido de Lula.

Rincha, Polodoro!

9 julho 2017 FULEIRAGEM

SINFRÔNIO – DIÁRIO DO NORDESTE (CE)

9 julho 2017 JOSIAS DE SOUZA

DILMA TIRA SARRO DE TEMER: “A HISTÓRIA SE REPETE”

Dilma Rousseff enxerga em Rodrigo Maia uma reedição de Michel Temer. Nesta sexta-feira, desperdiçou parte do seu tempo ocioso de ex-presidente para ironizar o sucessor. Ela regurgitou uma carta que Temer lhe atravessara na traqueia em dezembro de 2015, quando trocou a condição de “vice decorativo” pela posição de pretendente ao trono.

A carta de rompimento de Temer tinha três páginas. O troco de Dilma ocupou duas notinhas no Twitter. Numa, madame evocou o velho Karl: “Desde Marx sabemos: a história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa. Golpe 2016: Tragédia. 2017: farsa das elites.”

Noutra nota, Dilma tomou emprestado o latim do seu desafeto: “Em vez de carta, Twitter; ‘verba volant scripta manent’!”, anotou, repetindo a expressão usada por Temer para justificar o rompimento por escrito. Significa “as palavras voam, os escritos permanecem.”

É uma pena que Dilma tenha reduzido sua vingança a poucos caracteres. Com mais espaço, poderia dizer meia dúvida de palavras sobre a gênese da encrenca que carcome a gestão de Temer. Seria divertido saber o que madame tem a dizer, por exemplo, sobre a violação praticada na Caixa Econômica Federal.

Foi no governo Dilma que Geddel Vieira Lima, preso há cinco dias, ganhou o cargo de vice-presidente da área que lidava com empresas na Caixa. Foi nessa época também que Eduardo Cunha nomeou um afilhado, Fábio Cleto, para a vice-presidência de loterias, FGTS e outras mumunhas. É lamentável que a “ex-presidenta” não tenha nada a dizer a respeito da pilhagem praticada sob o seu nariz

9 julho 2017 FULEIRAGEM

AMARILDO – A GAZETA (ES)


TIME DOS SONHOS – ONZE GÊNIOS

Hoje vamos de futebol. Futebol mundial, esclarecendo melhor.

Vemos futebol desde 1958, quando tínhamos exatos 15 anos. Já se vão 59 anos de olhares e conceitos – compreendendo que não somos os donos da verdade. Respeitamos as opiniões e os olhares diferentes.

Resolvemos juntar essa experiência e formar um time de onze jogadores que jamais jogaram (os onze) entre si. A maioria já está noutra galáxia, tomara, mostrando o futebol-arte que nos mostraram nos campos de futebol do mundo.

Somos adeptos do esquema tático numericamente denominado de 4-3-3 e sempre preferimos aquele jogador que sabe jogar bola. Nunca apreciamos aqueles que entram em campo para fazer número ou apenas para colocar a bola para dentro das redes adversários – em que pese, o gol ser o orgasmo desse esporte. O futebol é um desenho – e assim precisa ser bem feito.

Nascido na região Nordeste, por anos tivemos o privilégio de ver jogar, alguns verdadeiros gênios, que muitos sequer conheceram ou ouviram falar. Exemplos como Mangaba, excelente médio cearense que por anos defendeu Paysandu e Remo; Marcos do Boi, mignon atacante paraibano que jogou no Ceará; Damasceno, incomparável zagueiro que vestiu as camisas do Ceará e do Náutico/PE; Carneiro, maranhense que vestiu as camisas do Ceará, Fortaleza e Bahia, por quem sagrou-se campeão brasileiro; Roberto Rebouças, zagueiro baiano que honrou a camisa do Bahia e mais centenas de geniais jogadores que a mídia não alcançou como alcança nos dias atuais.

Hoje o futebol brasileiro é diferente. Ditava manias e servia de exemplo. Dos anos 80 para cá, passou a copiar a forma europeia de jogar, e perdeu espaço e o domínio que lhe colocava no pódio de melhor do mundo. Jogadores jovens são “negociados” para times europeus ainda imaturos e passam a praticar outro futebol que foge as nossas características.

Lev Yashin – o melhor goleiro do futebol mundial em todos os tempos

Lev Ivanovich Yashin OL – em russo: Лев Иванович Яшин nasceu em Moscou, a 22 de outubro de 1929 e faleceu em Moscou, a 20 de março de 1990. Era conhecido pela alcunha de Aranha Negra na América do Sul, ou Pantera Negra na Europa, devido ao seu uniforme todo preto. Único goleiro até hoje a ganhar a Bola de Ouro da France Football, prêmio para o melhor jogador da Europa, em 1963. Quando se aposentou, em jogo-despedida de 1971, a FIFA resolveu homenageá-lo com uma medalha de ouro especial, por sua extraordinária contribuição ao esporte. Foi um entre tantos reconhecimentos que recebeu durante e após a vida, sendo popularmente considerado o melhor goleiro do século XX.

Mesmo que Yashin, por ironia, jamais tenha sido eleito o melhor goleiro em uma Copa do Mundo, a FIFA voltou a homenageá-lo, em 1994, quatro anos após sua morte, batizando com seu nome o prêmio dado oficialmente ao melhor goleiro de uma Copa. O troféu Lev Yashin seria posteriormente renomeado para Luva de Ouro.

Carlos Alberto Torres – o “Capita”

Carlos Alberto Torres nasceu Rio de Janeiro, a 17 de julho de 1944 e faleceu no Rio de Janeiro, a 25 de outubro de 2016. Em sua longa carreira, atuou como lateral-direito, tendo sido um dos símbolos do clássico futebol brasileiro, eternizado pela conquista do tricampeonato mundial no Copa do mundo de 1970 no México.

Considerado um dos maiores jogadores da história em sua posição, ele foi o capitão da Seleção Brasileira que ganhou a Copa do Mundo FIFA de 1970, no México, ficando conhecido como o Capitão do Tri. No que diz respeito aos clubes, Carlos Alberto jogou por Fluminense, Botafogo, Flamengo, California Surf, Santos e New York Cosmos. Ele foi o companheiro de Pelé nos últimos dois clubes.

Carioca de Vila da Penha, Carlos Alberto foi revelado pelo Fluminense, sendo medalhista de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1963, disputados em São Paulo, e foi campeão do Campeonato Carioca de 1964. Logo depois, se transferiria para o Santos.

Quando Carlos Alberto chegou na Vila Belmiro em 1965, o Santos atravessava o seu apogeu, com conquistas como o bicampeonato da Copa Libertadores da América e do Mundial de Clubes.

Muitos cronistas dizem que foi um dos maiores laterais-direitos de todos os tempos. Tinha habilidade, respeito dos companheiros e, como uma de suas características principais, uma forte personalidade.

Don Elias Figueroa

Elías Ricardo Figueroa Brander nasceu em Valparaíso, a 25 de outubro de 1946, é um ex-jogador de futebol chileno.

Considerado o maior jogador chileno de todos os tempos, também foi eleito o melhor zagueiro da Copa de 1974. Jogou na década de 1970, e para muitos é o maior zagueiro de futebol da história. Seu lema era: “A grande área é minha casa. Aqui só entra quem eu quero.”

Figueroa chegou ao Internacional em novembro de 1971. Antes, havia jogado pelo Wanderers, do Chile, Unión La Calera e Peñarol, do Uruguai. Foi também jogador da Seleção Chilena de Futebol.

Vestindo a camisa colorada, Figueroa fez 26 gols em 336 jogos, sendo ao lado de Índio o zagueiro que mais fez gols pelo clube. Foi hexacampeão gaúcho (71/72/73/74/75/76) e bicampeão brasileiro (1975/76). Disputou 17 clássicos Grenal, tendo perdido apenas um e nunca foi expulso ao longo de sua carreira.

Figueroa, quando ainda atuava no Peñarol foi considerado duas vezes melhor jogador da América, no Internacional duas vezes melhor central da América. Isto significa dizer: 6 vezes melhor central da América, 4 vezes melhor central do mundo e 2 vezes melhor jogador do mundo.

Daniel Passarella

Daniel Alberto Passarella nasceu em Chacabuco, a 25 de maio de 1953. É um ex-futebolista argentino que também exerceu a função de técnico. Considerado o melhor zagueiro produzido pelo futebol argentino.

Celebrizou-se como jogador, onde atuava na posição de zagueiro. Apesar da estatura considerada baixa para a posição (1,76 m), sabia cobrir a defesa de suas equipes devido à sua grande impulsão. Seu forte jogo aéreo também lhe possibilitou marcar muitos gols de cabeça, além de precisas cobranças de falta. É o segundo zagueiro que mais fez gols na história (está atrás apenas de Ronald Koeman), tendo marcado vinte e dois pela Argentina, noventa e nove pelo River Plate e trinta e cinco no duro futebol italiano. Passarella também era veloz, cobrava faltas muito bem, era ótimo no desarme e realizava lançamentos longos precisos para contra-ataques. Além de ser o único jogador bicampeão mundial da Seleção Argentina (estava nos elencos das Copas do Mundo de 1978, erguida por ele como capitão, e 1986), é também bastante identificado com o River Plate, onde atuou nove anos como jogador, seis como treinador e é o atual presidente.

A maestria na defesa, onde também atuaria como líbero, o fato de ter sido capitão campeão de uma Copa em casa e de treinar seu país lhe renderia comparações com Franz Beckenbauer. Posteriormente, como o alemão, tornou-se também presidente do clube onde se notabilizou.

Nilton Santos

Nílton dos Santos, mais conhecido como Nílton Santos nasceu no Rio de Janeiro, a 16 de maio de 1925, e faleceu no Rio de Janeiro, a 27 de novembro de 2013. Em 2000, foi eleito pela FIFA como o melhor lateral-esquerdo de todos os tempos.

Integrou o plantel da seleção brasileira nos campeonatos mundiais de 1950, 1954, 1958 e 1962, tendo sido bicampeão nas duas últimas.

Foi chamado de “A Enciclopédia” por causa dos conhecimentos sobre o futebol e por ser completo como jogador, foi o precursor em arriscar subidas ao ataque através da lateral do campo. Revolucionou a posição de lateral-esquerdo, utilizando-se de sua versatilidade ao defender e atacar, inclusive marcando gols, numa época do futebol que apenas tinha a função defensiva.

Nascido e criado na Ilha do Governador, foi descoberto por um oficial da Aeronáutica enquanto cumpria serviço militar. Levado para jogar no Botafogo em 1948, somente deixou General Severiano em 1964 quando abandonou os gramados. Vestiu apenas duas camisas ao longo de sua carreira: a do Botafogo e da seleção brasileira. Sua estreia com a camisa do clube da estrela solitária aconteceu contra o América Mineiro. No campeonato carioca de 1948, disputou seu primeiro jogo contra o Canto do Rio em Caio Martins. O Botafogo venceu de 4 a 2. O Alvinegro de General Severiano foi o campeão carioca de 1948. Obs: no primeiro jogo do carioca contra o São Cristóvão quem atuou pela equipe principal foi Nílton Barbosa.

Nílton Santos atuou sua carreira toda no Botafogo. Onde conquistou por quatro vezes o campeonato estadual (1948, 1957, 1961 e 1962), além do Torneio Internacional de Paris em 1963 – além de vários outros títulos internacionais. Nílton Santos participou de 718 partidas pelo clube sendo o recordista e marcou onze gols entre 1948 e 1964.

Franz Beckenbauer

Franz Anton Beckenbauer, mais conhecido como Beckenbauer, nasceu em Munique, a 11 de setembro de 1945. Foi presidente do Bayern Munique e presidente da Bayern Munique FC AG, clube com o qual tem sua história entrelaçada. Sua alcunha é der Kaiser (“O Imperador”, em alemão). Com a seleção alemã (da então Alemanha Ocidental), foi campeão mundial como jogador (em 1974) e técnico (1990), sendo um dos dois únicos a ter a marca, ao lado do brasileiro Mário Jorge Lobo Zagallo. É considerado pela maioria dos especialistas como o maior líbero da história do futebol, tendo ganho todos os títulos possíveis que um atleta futebolístico pode vencer na carreira, dentre eles: Champions League, Copa do Mundo, Eurocopa e a Bola de Ouro.

Nascido na Baviera, ingressou aos 14 anos nos juvenis do Bayern Munique, então um clube pequeno da Alemanha. Na infância, também jogava tênis, tornando-se amigo de Sepp Maier, com quem praticava o esporte. Maier foi convencido relutantemente por Beckenbauer a também jogar futebol, “mais fácil”, segundo o futuro Kaiser, que inclusive indicou a melhor posição para o amigo, que não tanta habilidade com os pés: goleiro.[1] Convencer Maier, que também foi para o Bayern, não foi tão difícil para quem já havia peitado o próprio pai, que, aposentado devido a ferimentos que sofrera na Segunda Guerra, não gostava que Beckenbauer utilizasse o único par de sapatos que possuía para jogar futebol.

Didi – o Mestre

Valdir Pereira, mais conhecido como Didi, nasceu em Campos dos Goytacazes, a 8 de outubro de 1928, e faleceu no Rio de Janeiro, a 12 de maio de 2001. Foi um futebolista brasileiro, bicampeão mundial pela Seleção Brasileira nas Copas de 1958 e 1962, que atuava como meia.

Eleito o melhor jogador da Copa de 1958, quando a imprensa europeia o chamou de “Mr. Football” (“Senhor Futebol”), Didi foi um dos maiores e mais elegantes meio-campistas da história e é um dos maiores ídolos da história dos rivais cariocas Botafogo e Fluminense.

“O Principe Etíope” era seu apelido, dado por Nelson Rodrigues (ilustre dramaturgo e torcedor fanático do Fluminense Football Club). Com classe e categoria, foi um dos maiores médios volantes de todos os tempos, um dos líderes do Fluminense entre o final da década de 1940 a meados da década de 1950 e também do Botafogo, após isso, além de possuir o mérito de ter criado a “folha seca”. Esta técnica consistia em bater na bola, com o lado externo do pé, de modo faze-la girar sobre si mesma e modificar sua trajetória. Ela tem esse nome pois esse estilo de cobrar falta que dava à bola um efeito inesperado, semelhante ao de uma folha caindo, fugia do esperado. O lance ficou famoso quando Didi marcou um gol de falta nesse estilo contra a Seleção do Peru, nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 1958.

Na Copa do Mundo de 1970 seria o técnico da Seleção do Peru (classificando o país para a sua primeira Copa desde a de 1930) na derrota para a Seleção Brasileira por 4 a 2.

No Fluminense, Didi jogou entre 1949 e 1956, clube pelo qual jogou mais tempo sem interrupções, tendo realizado 298 partidas e feito 91 gols, sendo um dos grandes responsáveis pela conquista do Campeonato Carioca de 1951, além de ter feito o primeiro gol da história do Maracanã pela Seleção Carioca em 1950, defendendo o seu clube do coração, e de ter liderado a Seleção Brasileira na conquista do Campeonato Pan-Americano de Futebol, disputado no Chile, na primeira conquista relevante da Seleção Brasileira no exterior, tendo jogado ao lado de Castilho, Waldo, Telê Santana, Orlando Pingo de Ouro, Altair e Pinheiro, entre outros.

Puskas – o húngaro mágico da bola

Ferenc Puskás Biró nasceu em Budapeste, a 1 de abril de 1927, e faleceu em Budapeste, a 17 de novembro de 2006. É considerado o maior futebolista da história do futebol húngaro e um dos maiores futebolistas de todos os tempos. Defendeu também a Seleção Espanhola.

O seu nome de batismo era Ferenc Purczeld Biró (Purczeld Biró Ferenc, no padrão húngaro).

Puskás celebrizou-se como o líder da Seleção Húngara que fez história na primeira metade da década de 1950, quando seu elenco ficou conhecido como “os mágicos magiares”. O país ficou quatro anos invicto, ganhando a medalha de ouro do futebol nos Jogos Olímpicos de Verão de 1952 e terminando a Copa do Mundo de 1954 vice-campeão, embora seja considerado indubitavelmente a melhor equipa deste torneio. Paralelamente, era o líder natural do clube que servia de base para aquele selecionado, o Honvéd. Seus 84 gols em 85 jogos pela Hungria fazem-no o maior artilheiro da seleção magiar; foi por muito tempo o maior goleador de uma seleção, recorde batido pelo iraniano Ali Daei.

Puskás, que tinha a patente de major (daí seu apelido Major Galopante), tem uma marca de gols excepcional por seu país, 84 em 85 jogos. Dono de habilidade precisa para passes e dribles curtos e secos, além de um primoroso chute de esquerda, era um jogador cerebral. Em comparação com outros jogadores da época, era considerado gordo e baixo. Colocava brilhantina nos cabelos negros e penteava-os para trás.

Maior futebolista húngaro de sempre, entrou para a história do esporte também por seus feitos pelo Real Madrid no final daquela década e início da seguinte. É também um dos poucos a terem jogado Copas do Mundo por dois países: participou da de 1962 competindo pela Espanha. De acordo com a FIFA, Puskás é um dos cinco a terem jogado Copas do Mundo por dois países considerados diferentes pela entidade, ao lado de Luis Monti (que jogou a de 1930 pela Argentina e a de 1934 pela Itália), José Santamaría (que jogou a de 1954 pelo Uruguai e a de 1962 pela Espanha), José João “Mazzola” Altafini (que jogou a de 1958 pelo Brasil e a de 1962 pela Itália) e Robert Prosinečki (que jogou a de 1990 pela Iugoslávia e as de 1998 e 2002 pela Croácia

Garrincha – Alegria do Povo

Manuel Francisco dos Santos, o Mané Garrincha ou simplesmente Garrincha nasceu em Magé, a 28 de outubro de 1933, e faleceu no Rio de Janeiro, a 20 de janeiro de 1983, foi um futebolista brasileiro que se notabilizou por seus dribles desconcertantes apesar do fato de ter suas pernas tortas. É considerado por muitos o maior jogador de futebol de todos os tempos e o mais célebre ponta-direita da história do futebol. No auge de sua carreira, passou a assinar Manuel dos Santos, em homenagem a um tio homônimo, que muito o ajudou. Garrincha também é amplamente considerado como o maior driblador da história do futebol.

Garrincha, “O Anjo de Pernas Tortas”, foi um dos principais jogadores das conquistas da Copa do Mundo de 1958 e, principalmente, da Copa do Mundo de 1962 quando, após a contusão de Pelé, se tornou o principal jogador do time brasileiro. Morreu em 1983, aos 49 anos, em decorrência do alcoolismo.

Di Stéfano

Alfredo Stéfano Di Stéfano Laulhé, nasceu em Buenos Aires, 4 de julho de 1926 e faleceu em Madrid, a 7 de julho de 2014, foi um futebolista e treinador argentino, que, além de ter jogado pela Seleção Argentina, jogou também pela Seleção Espanhola. É considerado um dos maiores futebolistas de todos os tempos.

Era considerado um jogador brilhante, um dos melhores de todos os tempos para a imprensa mundial. Sua velocidade e a cor dos cabelos lhe renderiam a alcunha de “La Saeta Rubia” (“A Flecha Loira”). Foi de 2000 a 2014 o presidente honorário do Real Madrid, clube cuja história de sucesso confunde-se com a dele: foi com ele em campo que o Real tornou-se o maior vencedor da cidade de Madrid, da Espanha e da Europa. Foi responsável também por alimentar a rivalidade com o Barcelona, que não tinha a mesma expressão. Ele era presidente honorário também da UEFA, desde 2008.

Várias opiniões têm aqueles que foram seus adversários contumazes: Joaquín Peiró, que jogava pelo Atlético de Madrid, afirmou: “Para mim, o número 1 é Di Stéfano. Aqueles que o viram, viram. Aqueles que não o viram, perderam”. Helenio Herrera, técnico do Barcelona, declarou que “se Pelé foi o violinista principal, Di Stéfano foi a orquestra inteira”. Gianni Rivera e Bobby Charlton, que no início de suas carreiras enfrentaram (e perderam) por seus respectivos clubes (Milan e Manchester United) para La Saeta Rubia e o Real Madrid na Taça dos Campeões Europeus, nos anos 1950, disseram respectivamente que “ele nos enlouqueceu” e “foi o jogador mais inteligente que vi jogar e transpirava esforço e coragem. Foi um líder inspirador e um exemplo perfeito para os outros jogadores”.

Pelé – o Rei

Edson Arantes do Nascimento KBE, conhecido como Pelé nasceu em Três Corações, 23 de outubro de 1940, é um ex-futebolista brasileiro que atuava como Meia-Atacante, considerado o maior futebolista da história.

Descoberto por Waldemar de Brito, começou sua carreira no Santos aos 16 anos, entrou na Seleção Brasileira de Futebol aos 16, e venceu sua primeira Copa do Mundo de futebol aos 17. Apesar das numerosas ofertas de clubes europeus, as condições econômicas e as regulações do futebol brasileiro da época beneficiaram o Santos, permitindo-lhes manter Pelé por quase duas décadas no clube até 1974. Com o atleta no elenco, o Santos atingiu seu auge nos anos de 1962 e 1963, em que conquistou os torneios intercontinentais. Em 1975 foi transferido para o New York Cosmos, onde encerrou sua carreira após dois anos nos Estados Unidos. Sua técnica e capacidade atlética natural foram universalmente elogiadas e durante sua carreira, ficou famoso por sua excelente habilidade de drible e passe, ritmo, chute preciso, habilidade de cabecear, e artilharia prolífica. É o maior artilheiro da história da seleção brasileira e o único futebolista a ter feito parte de três equipes campeãs de Copa do Mundo. Em novembro de 2007, a FIFA anunciou sua premiação com a medalha da Copa de 1962 (a qual, devido a uma contusão na segunda partida, teve apenas o primeiro jogo disputado por ele), no qual o jogador Mané Garrincha o substituiu, retroativamente, fazendo dele o único futebolista do mundo a ter três medalhas de Copa do Mundo.

Desde sua aposentadoria em 1977, Pelé tornou-se embaixador mundial do futebol, também tendo passagens pelas artes cênicas e empreendimentos comerciais. É atualmente o Presidente Honorário do New York Cosmos. Pelé é também o único brasileiro (e um dos raros estrangeiros) a receber uma honraria do Reino Unido pelas mãos da Rainha Isabel II no Palácio de Buckingham. Foi condecorado como Cavaleiro Comandante da Mais Excelente Ordem do Império Britânico por promover o futebol e popularizá-lo no mundo. Em 1999, foi eleito o Futebolista do Século pela Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS, na sua sigla em inglês). No mesmo ano, a revista francesa France Football consultou os ex-vencedores do Ballon D’Or para elegê-lo o Futebolista do Século em primeiro. Em sua carreira, no total, marcou 1281 gols em 1363 partidas, número que fez dele o maior artilheiro da história do futebol.

No Brasil, Pelé é saudado como um herói nacional por suas realizações e contribuições ao futebol. Também é conhecido pelo seu apoio a políticas para melhorar as condições sociais dos pobres, tendo inclusive dedicado seu milésimo gol às crianças pobres brasileiras. Durante sua carreira, foi chamado de Rei do Futebol, Rei Pelé, ou simplesmente Rei. Recebeu o título de Atleta do Século de todos os esportes em 15 de maio de 1981, eleito pelo jornal francês L’Equipe. No fim de 1999, o Comitê Olímpico Internacional, após uma votação internacional entre todos os Comitês Olímpicos Nacionais associados, elegeu Pelé o “Atleta do Século” e em 2016, pelas mãos do então presidente Thomas Bach, o condecorou com a Ordem Olímpica, a mais alta condecoração oferecida pelo COI. A FIFA também o elegeu, em 2000, numa votação feita por renomados ex-atletas e ex-treinadores como O Jogador de Futebol do Século XX.

9 julho 2017 FULEIRAGEM

GILMAR – CHARGE ONLINE

9 julho 2017 DEU NO JORNAL

OS DOIS ESTÃO FALANDO A MAIS PURA VERDADE

* * *

Dois ex-ministros da fazenda de governos petistas.

Uma ocupação que dignifica o prontuário ou a folha corrida de qualquer meliante.

Palocci administrou a fazenda banânica por ordem de Lula e Mantega cuidou da mesma fazenda no esculhambado reinado de Dilma. Também por ordem de Lula, claro.

Ambos são petralhas históricos e de primeira hora, com ficha de filiação ao bando numerada com apenas 1 dígito (abaixo de 13…)

Nos tempos atuais, depois do ruidoso desastre que disseminou a quadrilha vermêio-istrelada, um chama o outro de corrupto e de ladrão.

Eu acredito nos dois.

Acho que ambos estão falando a mais pura verdade.

O petista fubânico Ceguinho Teimoso sempre garantiu que autoridade petista só abre a boca pra expelir a verdade mais cristalina.

Os dois ratos fazendários petralhas, que hoje em dia estão se dedurando mutuamente, ladeando o Rato-Mor, proprietário da quadrilha que usa a sigla partidária PT

9 julho 2017 FULEIRAGEM

J. BOSCO – O LIBERAL (PA)


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O CAJUEIRO DO FAGUNDES

Por volta do ano de 1797, no tempo do Brasil-Colônia, o Ceará era governado pelo oficial da marinha portuguesa Luiz da Mota Féo e Torres. Fortaleza era ainda uma pequena aldeia, muito embora tivesse o status de capital do Estado.

À época existia um frondoso cajueiro no cruzamento das Ruas Pedro Borges, Major Facundo e Liberato Barroso. No local onde hoje se encontra a Praça do Ferreira, havia uma vila de casas conhecida por Beco do Cotovelo, de cuja extremidade partiam três ruelas.

Na saída de uma delas estava o cajueiro, à sombra do qual ficava o açougue do Fagundes, que morava numa casinha em frente. Certa feita, ao passar o governador em seu cavalo, um galho baixo da árvore arrancou-lhe o chapéu, lançando-o ao solo.

Como o açougueiro descansava por ali, o governador ordenou-lhe que apanhasse o chapéu.

O Fagundes nem se alterou. Não gostava de ser mandado, muito menos quando o pedido não era feito com educação.

O governador insistiu colérico, mesmo assim, foi ignorado pelo açougueiro.

Irritado o governador foi embora, ameaçando mandar cortar a árvore.

Do palácio, na Rua Conde d’Eu, partiu a ordem de deitar abaixo o cajueiro. O açougueiro, com a ajuda dos seus magarefes, não deixou que os soldados executassem a ordem. É que o Fagundes já lançara por toda cidade o seu grito de revolta: vieram em seu auxílio outros açougueiros, flandeiros, merceeiros, ferreiros, até os pescadores da Prainha, todos armados com cacetes e facões, que fizeram a tropa recuar.

Levantaram-se então trincheiras na encruzilhada das três ruas perpetuando o episódio: Rua do Cajueiro (Pedro Borges), Rua das Trincheiras (Liberato Barroso) e Rua do Fogo (Major Facundo). Depois do episódio, o governador desistiu de derrubar o cajueiro.

Venceu a coragem de um povo que tinha dignidade e brio.

Extraído do livro “História Abreviada de Fortaleza e Crônicas sobre a Cidade Amada” de Mozart Soriano Aderaldo


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