A VIDA PRIVADA NO BRASIL HOLANDÊS

Durante o Brasil Holandês (1630-1654) transferiram-se para Pernambuco indivíduos originários das mais diferentes partes do mundo de então. Eram judeus, mercenários, predicantes, comerciantes e funcionários da Companhia Privilegiada das Índias Ocidentais, ou simplesmente aventureiros e até prostitutas, todos em busca de dias melhores na Terra do Açúcar.

O Recife de então se transformara numa verdadeira Torre de Babel. As suas ruas, praças, templos e tavernas encontravam-se tomadas por holandeses, noruegueses, belgas, flamengos, ingleses, alemães, escoceses, dinamarqueses, além de um imenso número de judeus; estes últimos divididos em sefardins, oriundos da Península Ibérica, e askenazins, procedentes do norte da Europa.

Por força da Guerra Brasílica esses recém-chegados tiveram de conviver com mazombos, como eram chamados os naturais do Brasil, portugueses, espanhóis, italianos, ameríndios (a quem chamavam de brasilianner) e negros escravos originários das mais diferentes regiões da África.

Ao contrário dos portugueses que encontraram uma cultura ameríndia e dela tiraram proveito, os holandeses, em sua maioria formada por gente acostumada a viver nas cidades, vieram a sofrer por uma total falta de meios de subsistência o que tornou impossível à preservação da vida na colônia.

No Brasil, os holandeses continuaram a viver com os mesmo hábitos, como se ainda estivessem na Holanda. De lá eram transportados para o Brasil os produtos mais diversos. Até o necessário e o indispensável à subsistência, como a carne de boi e de carneiro salgadas, provinham de portos holandeses. Além destas, também de lá vinham o toucinho, presunto, língua, salmão, bacalhau, peixe seco, biscoitos, arenque, farinha de trigo, vinhos da Espanha, aguardente de uva, vinhos franceses do Reno, cerveja (birra), queijos diversos, manteiga, azeite, passas de Corinto, azeitonas, alcaparras, amêndoas e, sobretudo, farinha de trigo.

Mesmo a alimentação do corpo de tropas era dependente dos produtos importados. Para os soldados era solicitado que viessem da Holanda produtos como aveia, feijão, ervilhas, carne salgada, bacalhau, peixe seco, cerveja, vinho da Espanha, “vinho forte francês”, arroz, favas turcas [milho], cevada, passas e farinha de trigo. – Tal dieta, na qual predomina o álcool, as conservas e o sal, veio contribuir para a derrota das tropas da Companhia nas duas batalhas dos Montes Guararapes nos anos de 1648 e 1649.

Nenhuma simpatia para com os produtos da terra. Nada de frutas, verduras, batatas, legumes, raízes, caules e produtos à base da mandioca, como a farinha-de-pau, e outras culturas da terra, utilizadas à larga na alimentação dos portugueses, ameríndios e negros escravos.

Também da Holanda para cá foram trazidos gatos (para combater a incontrolável população de ratos), gansos, patos, porcos, além de cães ingleses empregados na captura de índios, negros fugidos e insurretos pernambucanos.

De portos europeus provinham os tecidos do vestuário dos holandeses – linhos, brocados, veludos, damascos, sedas, etc. -, que aqui chegavam juntamente com sapatos ingleses, selas de montaria, o marfim e o ouro da Guiné, pau-de-rede de Angola, especiarias da Índia, madeiras do Báltico, couros da Rússia, chapéus, plumas e tudo o que se podia comprar com os florins resultantes da venda do açúcar dos engenhos pernambucanos.

Até para a satisfação do apetite sexual dos flamengos, não muito dado a exotismos, vieram da Holanda um considerável número de prostitutas, como as que habitavam os sobrados da Rua do Vinho, paralela a Rua dos Judeus, onde se localizavam “os mais vis bordeis do mundo”.

Muitas dessas “mulheres fáceis”, como a elas se referiam os documentos, aparecem com os seus nomes mais conhecidos: Cristinazinha Harmens, Anna Loenen, Janneken Jans, Maria Roothaer (Maria Cabelo de Fogo), Agniet, Elizabeth (apelidada de a Admirael), Maria Krack, Jannetgien Hendricx, Wyburch van den Cruze, Sara Douwaerts (apelidada de Senhorita Leiden), havendo outras duas conhecidas por Chalupa Negra e Sijtgen, segundo demonstra José Antônio Gonsalves de Mello em Tempo dos Flamengos (1987).

No que diz respeito à convivência com as diversas etnias, os holandeses encontraram em Pernambuco uma sociedade de mestiços e foram obrigados a com ela conviver tolerando seus usos, costumes e até uniões as quais não estavam habituados.

Em 1646, segundo recenseamento realizado em fins de 1645 estaria confinado no centro do Recife um total de 4.660 pessoas, “entre particulares, empregados da Companhia e escravos”; população esta acrescida em 1.169 soldados que compunham o efetivo das guarnições dos fortes ali situados.

Segundo estimativa do cronista do Journael, publicado em Arnhem (capital da província de Géldria, no Baixo Reno), em sua edição de junho de 1646, por essa época, viviam no Recife cerca de 8.000 habitantes,

A fim de abrigar tanta gente, em tão diminuto espaço de terra, foram utilizadas todas as habitações disponíveis, acrescidas dos armazéns do porto e até dos sótãos [parte da casa entre o forro e o telhado] dos sobrados, alguns deles com quatro pavimentos. Neles eram acomodados “caixeiros, auxiliares de escrita e serventes”, em número de três a oito deles em cada cômodo, sob um calor asfixiante, com suas camas coladas às outras, na maior das promiscuidades.

Em cartas do Conselho do Recife, datadas de 31 de março e 20 de dezembro de 1641, nos deparamos com esses comentários: Se nós não abrigarmos essa gente em habitações coletivas, ela vai procurar alojamentos nas bodegas do porto, que são os bordeis mais vis do mundo. Ai! Do mancebo que ali cair – fica votada a irremissível perdição.

Diante de tamanha promiscuidade, não é de admirar que a vida na colônia tornou-se um verdadeiro inferno. A falta de água potável e alimentação adequada, sobretudo a ausência de vitaminas no cardápio diário, trouxeram consigo o crescimento dos casos de escorbuto e outras doenças, como a hemeralopia (deficiência de visão à luz do sol; cegueira diurna), disenterias sangüíneas (ventris fluxus, Piso), moléstias do fígado, surtos de gripes, dentre outras que dizimaram um grande número de pessoas.

Com a chegada sempre crescente das levas de aventureiros, dentre eles um elevado número de prostitutas, a sífilis transformou-se numa verdadeira epidemia no Brasil Holandês. Os médicos de então, como o cientista Willem Piso, foram procurar cura para tais doenças junto à flora medicinal indígena e experientes médicos portugueses, que recomendavam para a infecção por gonorréia o sumo da cana, através do qual, “fica-se curado dentro de oito dias”.

Sobre o estado de promiscuidade atingido pela capital do Brasil Holandês, comenta Hermann Wätjen (2004) “que pelas ruas do Recife andava muita gente pouco ajuizada e que aí todas as portas se achavam abertas ao vício. Os soldados arrebanhados de todos os campos de batalha da Europa, para arriscarem diariamente a vida e a saúde numa campanha de guerrilhas, contra um inimigo ardiloso e prático, queriam gozar à rédea solta os dias de folga”.

Todos eles, soldados, marinheiros, capitães, agricultores, lotavam os botequins e albergues, ingerindo grandes quantidades de vinho e outras bebidas destiladas. Eram portugueses, holandeses, negros, indígenas, turcos, judeus, mazombos, mulatos, mamelucos, crioulos, ingleses, franceses, alemães, italianos, cujo “panorama de excessos não pode ser descritos por simples palavras”.

Dentro dos lares, ao contrário dos portugueses que escondiam suas mulheres e filhas da vista dos estranhos, os holandeses eram por demais liberais em suas relações com a sociedade.

Suas mulheres, em maior número do que as originárias de Portugal revelavam uma jovialidade pouco comum às nativas. Testemunha frei Manuel Calado, quando das festas em regozijo à Aclamação do Duque de Bragança, D. João IV, ao trono de Portugal, realizadas no Recife em abril de 1641.

E se o banquete era jantar durava a beberronia (ato de beber sem comedimento) até a noite, e se era ceia até a madrugada; e nestes convites se achavam as mais lindas damas e as mais graves mulheres, holandesas, francesas e inglesas, que em Pernambuco havia, e bebiam alegremente melhor que os homens, e arrimavam-se ao bordão de que aquele era o costume de suas terras.

No ambiente familiar, onde reinava tal liberdade, passou a ser comum a prática do adultério como se depreende das inúmeras denúncias chegadas ao Conselho Eclesiástico; assim assevera Hermann Wätjen (2004): Muita mulher infiel de soldado, metida em varas, teve de passar horas inteiras no pelourinho, exposta ao calor ardente do sol, na praça pública; muita dama elegante foi vergastada coram publico pelo carcereiro mor.

Militares e civis, em quantidade considerável, foram expulsos da colônia por crimes de bigamia; o que fez com que as autoridades exigissem de todo homem casado, logo que chegasse ao Recife, a apresentação da respectiva certidão de casamento.

A ata do Conselho da Zelândia, de 7 de agosto de 1649, narra o fato de certo capitão holandês, dado à prática da pederastia, ter sido transferido para a ilha de Fernando de Noronha e de lá para uma prisão em Amsterdã “em cujos cárceres pudesse acabar a sua arruinada existência”.

Neste ambiente restaram poucas casas de portugueses que viessem a merecer descrições mais apuradas de cronistas holandeses. Segundo documentos da época, os portugueses viviam em “distritos agrícolas, em miseráveis casas de taipa”, denunciando, inclusive, “falta de asseio do corpo e da casa”.

A casa rural dos portugueses é descrita como desprovida de conforto e ostentação de riqueza. Dispunha de poucos móveis, sendo grande parte dela construídas em taipa e cobertas de telha, observando-se a existência de pelo menos dois pavimentos, dominados por grande varanda.

No interior da casa, a mulher, sempre cercada por um razoável número de escravas, recebia os visitantes, sentada sobre um estrado, “conservando os pés escondidos, pois é considerado indecente mostrá-los aos visitantes, seja amigo ou pessoa estranha”.

A mesa era farta de alimentos proporcionados pelas culturas da terra, notadamente a mandioca da qual retiravam a farinha e a massa, usada largamente em sua culinária. Dela também fazia parte os tubérculos, verduras, legumes, frutas, que davam acompanhamento aos peixes e às carnes. As refeições eram seguidas de uma enorme variedade de doces e frutas cristalizadas, “que gozam da melhor aceitação entre velhos e jovens”.

Com respeito à dieta da família portuguesa, observa o reverendo Vicente Soler, em uma de suas cartas ao teólogo André Rivet, de Leiden, que “em lugar de pão o povo em geral come certa farinha, branca como neve, feita da raiz de certo vegetal. Alguns fazem bolos com ela, os quais alguns dos nossos consideram muito mais saboroso do que o melhor pão de cereais de que em geral não temos falta”. Nas suas observações, assegura o calvinista espanhol ser o português abstêmio ao vinho e outras bebidas alcoólicas, dando preferência à água natural, embora seja um apreciador dos sumos das frutas, adocicado com açúcar.

Segundo carta-geral do Governador e Conselho, datada de 14 de janeiro de 1638 e citada por Hermann Wätjen (2004), “as mulheres dos portugueses andavam por demais ataviadas de jóias (algumas falsas), vestindo-se pomposamente, enquanto alguns homens apresentavam-se mal vestidos. Nas casas portuguesas mais distintas, quando as mulheres saem às ruas são sempre carregadas por dois escravos, deitadas em redes ou sentadas em cadeirinhas, devidamente cobertas por um véu”.

Por conta de sua vida sedentária, recolhida ao interior da casa senhorial, sem quase receber os raios do sol, com a sua dieta plena de doces e outros produtos manufaturados com o açúcar, a fisionomia da mulher portuguesa é pouco atraente, pois logo perde os dentes, tornando-se gordas e pesadas.

O homem português era um eterno ciumento de sua mulher e filhas, tomando as precauções inimagináveis para tornar impossível que elas recebam galanteios de outros homens ou em absoluto figure em negócios do amor. Daí a razão de terem as portuguesas tão pouca liberdade de movimento e serem obrigadas pelos seus maridos à vida caseira.

Não obstante registrava-se um razoável número de uniões de mulheres da terra com holandeses. Frei Manuel Calado, em seu relato (1648), observa que “vinte mulheres portuguesas se casaram com os holandeses, ou para melhor dizer, amancebaram, pois se casaram com hereges e por predicantes hereges (…) porque, como eles eram senhores da terra, fazia as coisas como lhes parecia, e era mais honroso e proveitoso”.

Na verdade um grande número de holandeses, senhores-de-engenho em particular, veio a casar com mulheres da terra ou portuguesas. Além de Gaspar van der Ley, aqui também casaram Abraham Tapper, Joris Garstman, Johan Heck, Jan Wijnants; o mesmo acontecendo no Rio Grande do Norte e no Maranhão, como conta o padre Antônio Vieira.

Com outras etnias, a exemplo dos negros e dos índios, a união com holandeses era vista sobre um prisma diverso. Enquanto os portugueses foram por todo o tempo tolerante para com as uniões mestiças, entre brancos, índios e até negros, o mesmo não se pode dizer das autoridades holandesas. Estas, a todo custo, procuravam impedir o contato sexual de brancos, “considerada como tal a descendência holandesa e a norte-européia em geral”, com toda população de cor.

12 julho 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

A CONDENAÇÃO DE LULA APRESSA O ENTERRO DO BRASIL ANTIGO

Todos são iguais perante a lei, mesmo quem já foi presidente da República

A sentença divulgada nesta quarta-feira configura o triunfo da Justiça sobre o Brasil antigo e agonizante. Com o amparo da lei e da montanha de provas que recomendavam aos gritos a punição do réu, o juiz Sérgio Moro derrotou o cinismo obsceno de Lula, as ameaças do PT, as bravatas dos pelegos sindicalistas, as provocações dos movimentos sociais de araque, as chicanas e afrontas de advogados sem álibis nem pudores, as invencionices de blogueiros alugados e as manobras repulsivas de espertalhões alojados na cúpula dos três Poderes, fora o resto.

A condenação do chefe supremo do maior esquema corrupto de todos os tempos é também a vitória da esperança sobre a descrença dos pessimistas profissionais. E é um aviso aos que insistem em duvidar das mudanças ocorridas no Brasil da Lava Jato. O merecidíssimo castigo aplicado a Lula informa que o país do “sabe com quem está falando?” enfim começou a respeitar o primeiro mandamento do Estado Democrático de Direito: todos são iguais perante a lei.

Ninguém é mais igual que os outros. Nem um ex-presidente da República. Não existem bandidos inimputáveis. A tribo dos que se julgam condenados à perpétua impunidade está perto da extinção.

12 julho 2017 FULEIRAGEM

HERINGER – CHARGE ONLINE

12 julho 2017 A PALAVRA DO EDITOR

É HOJE O DIA DA ALEGRIA !

A petralhada está dizendo que Lula foi condenado “sem provas”.

Expliquemos:

A sentença do Dr. Moro é muito extensa.

Petista é um quadrúpede analfabeto de pai, mãe e parteira.

Petista não consegue nem ler uma placa.

Quanto mais uma sentença com 238 páginas, repleta de provas.

12 julho 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

12 julho 2017 JOSIAS DE SOUZA

LULA CONDENADO

12 julho 2017 FULEIRAGEM

JOÃO BERTO – JORNAL DA BESTA FUBANA

12 julho 2017 DEU NO JORNAL

UFA!!! ATÉ QUE ENFIM!!!

* * * 

Eu não entendi qual a razão de um meliante deste porte ter pego uma pena tão pequena.

Nove anos e meio???

Isto é muito pouco.

Devia ter arrochado mais, Dr. Moro!

Mas, pelo que sei, acho que esta cacetada se refere a um único processo. Outras devem estar a caminho.

Leia a íntegra da sentença clicando aqui.

Sobre esta condenação, o grande Hélio Bicudo acaba de declarar o seguinte:

“Notícia para soltar foguetes! Saber que Lula foi condenado por corrupção mostra que é possível confiar na Justiça. Primeira condenação de outras que certamente estão a caminho.”

Pois vamos atender ao apelo do Dr. Bicudo e encher os ares de alegria.

Uma salva de fogos pela prisão do maior delinquente que Banânia já teve!!!

12 julho 2017 FULEIRAGEM

ALECRIM – CHARGE ONLINE

INSTITUIÇÕES INSULTADAS

A série de insultos às instituições republicanas culminou ontem com o sequestro da Mesa do Senado por uma horda de bandalheiras – as senadoras Fátima Bezerra (PT-RN) e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM,) à frente – para impedir a votação da reforma trabalhista. Ao mandar apagar as luzes do plenário, o presidente da Casa, Eunício Oliveira (PMDB-CE), fez a metáfora típica de membro do baixo clero num cargo do qual não está à altura.

Essa submissão da coisa pública às mesquinhas ambições pessoais da baixa política teve início após o impeachment de Dilma Rousseff (PT-RS), quando seus sequazes percorrerem o Brasil e o mundo a denunciar o “gópi” (da lavra da acima citada Fátima Bezerra), garantindo que a democracia havia sido interrompida por uma intervenção ilegítima. Agora que o governo Temer se assemelha cada vez mais a um zumbi assombrando um Brasil espoliado e intranquilo, os mesmos pregoeiros da desgraça garantem que o eventual substituto provisório e, quem sabe, provável sucessor até 2018, Rodrigo Maia (DEM-RJ), estaria protagonizando o golpe do golpe. Mas as instituições parecem funcionar e Deus queira que as aparências não nos enganem.

O que não falta desde então, entretanto, são tentativas insidiosas de desmoralizá-las em proveito próprio. O Partido dos Trabalhadores (PT) foi o primeiro a entrar nesse cordão dos “arrasa-instituições”. Defenestrada em processo constitucional normalíssimo, a mineira dos Pampas não perde uma oportunidade de maldizer os Poderes Legislativo e Judiciário, que a depuseram para punir crimes de responsabilidade que ela cometeu, como as famigeradas “pedaladas fiscais”. Sua narrativa da deposição ilícita de uma “presidenta” honesta, sem contas no exterior, pelo vingativo e corrupto inimigo, o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que presidia a Casa que a destituiu, com o voto de mais de dois terços do total dos seus membros, correu o mundo para macular o seu afastamento definitivo, satanizando o sistema que a deserdou.

Responsável por sua insensata e inesperada ascensão ao posto máximo da República, o antecessor e padrinho dela, Luiz Inácio Lula da Silva, recorreu a idêntico expediente ao tentar transferir para investigadores, acusadores e julgadores de seus crimes as penas que lhe cabem. Após constatar, em telefonema a um comparsa, que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, seria “ingrato”, incapaz de ser minimamente leal a benfeitores que o promoveram, abusa de ataques insanos ao Ministério Público (MP), à Polícia Federal (PF) e ao juiz federal Sergio Moro, responsáveis pelos cinco processos a que responde. E, dizendo-se vítima de ditadura inexistente, avisou que, se condenado, apelará a Cortes no exterior.

Na guerra de vaidades e por poder nem todos os chefes dessas instituições têm agido de forma incontestável no uso de suas atribuições. Rodrigo Janot, que se jacta de enfrentar, de forma imparcial e sobranceira, os mais poderosos varões nada impolutos da República, escorregou na baba da própria ambição. Em busca de um lugar no pódio da corrida do combate à corrupção, autorizou uma negociação nefasta para o interesse público com os marchantes da família Batista de Anápolis, propiciando-lhes impunidade absurda por sua participação numa ação programada de que a principal vítima foi o presidente da República. A obra-prima dele, a delação premiada de Joesley Batista, seu irmão e seus empregadinhos, resultou num desastre de relações públicas. A troca de 2 mil anos de pena por uma gravação do chefe do governo em flagrante delito empata em desconfiança e impopularidade com a desastrada atuação no comando do Executivo do mais poderoso de seus acusados. Comparar a troca com a “escolha de Sofia”, referência à opção entre dois filhos, salvando um em troca da morte do outro, da protagonista de William Styron, é a metáfora que sai pior do que a tentativa de correção.

A desastrada estratégia do tudo ou nada de Janot terminou por prejudicar muito mais a ação dos procuradores, incluindo os da força-tarefa da Operação Lava Jato, do que todas as tentativas de barrar suas iniciativas feitas pelos suspeitos de corrupção que ocupam cargos de mando na República. Sua sucessora, Raquel Dodge, terá uma missão árdua para corrigir isso, ao mesmo tempo que terá de esgarçar a teia de cumplicidade em que Temer e aliados pretendem enredá-la.

Impossível ainda será deixar o presidente de fora dessa tentativa malfazeja de desmoralizar as instituições da República para tentar safar-se dos próprios erros. Por mais inepta e frágil que seja a peça da acusação da lavra de Janot, que deu entrada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, ela tem como núcleo um fato incontestável: o encontro injustificável de Temer com Joesley na calada da noite, no porão do Jaburu, para tratar de assuntos pra lá de suspeitos e da forma mais inconveniente.

Desde que a reunião foi divulgada, a expectativa de delação de ex-parceiros, como o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e o contador Lúcio Funaro, desafia a reputação impecável alegada pelo morador do Jaburu. Nada disso, contudo, viria à baila se ele não tivesse permitido a constatação lógica de que pode ter cometido delitos de corrupção passiva, obstrução à investigação e formação de organização criminosa no único prazo em que não poderia tê-lo feito: os dois anos e meio em que completaria o mandato reduzido de Dilma Rousseff.

Sem fatos que possam socorrê-lo, o presidente contratou seu amigo fiel e conviva semanal Antônio Cláudio Mariz de Oliveira para enxovalhar a reputação da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e de um órgão técnico em cuja boa-fé repousam inquéritos criminais da maior relevância, o Instituto Nacional de Criminalística. Mas o Estado de Direito depende do funcionamento de instituições que a defesa de Temer tem enxovalhado para garantir o bom emprego dele.

12 julho 2017 FULEIRAGEM

NANI – CHARGE ONLINE

12 julho 2017 A PALAVRA DO EDITOR

AS TABACUDAS VERMÊIAS NAS TREVAS DA IDIOTICE

As bovinas descerebradas que aparecem no flagrante acima estão nas trevas de uma ridícula idiotice e no negrume da mais absoluta ausência de postura, de ética e de respeito.

Uma ausência de ridículo tão grande quanto a ausência de cérebro no interior do crânio destas porras.

Não vivemos num país.

Viemos num imenso puteiro.

O Senado é apenas uma suite deste puteiro.

E estas tabacudas estão lá porque foram eleitas.

Ou seja, tem eleitor canalha neste país capaz de dar um voto a estas antas.

É phoda!!!

As raparigas profissionais, aquelas que ganham a vida honestamente, dando duro e levando duro, estão indignadas com o comportamento destas tabacudas zisquerdóides.

12 julho 2017 FULEIRAGEM

JOTA A – JORNAL O DIA (PI)


MÚSICA PARA OUVIR SÓ

Hoje acordei intempestivamente – um barulho estranho dentro do quarto. Era uma rolinha, que entrou provavelmente quando a mulher abriu a janela para observar alguma coisa lá fora. Voltou, fechou a janela e não viu a ave dentro do quarto. Batendo na vidraça para tentar sair, a rolinha me acordou. Me fez lembrar João Berto (tenha umas boas férias Joãozim, você merece).

Acordei com uma preguiça danada. Uma preguiça baiana misturada com maranhense. Resolvi basear a coluna de hoje com três músicas – as três interpretações que considero fantásticas. Vamos a elas:

Can’t Stop Loving You – Compositor: Don Gibson

Ray Charles

* * *

Atrás da Porta – Elis Regina

Elis Regina

* * *

Balada Para Mi Muerte – Compositor: Horacio Ferrer/Astor Piazzolla


Astor Piazzolla

12 julho 2017 FULEIRAGEM

SINFRÔNIO – DIÁRIO DO NORDESTE (CE)

EM NOME DO FILHO

Para a Rede Globo e muitos políticos, Michel Temer já caiu: só falta avisá-lo de que seu mandato acabou. Para grande parte da imprensa, mesmo que Temer sobreviva a esta primeira denúncia, não resistirá à seguinte (e, se sobreviver, ainda haverá uma terceira). Para o deputado Rodrigo Maia, presidente da Câmara, primeiro na lista de sucessão, nem é preciso esforçar-se para chegar ao Planalto: o poder cairá no seu colo.

Para este colunista, a previsão (nome chique que o pessoal citado acima dá ao palpite), é de que Temer tem boas probabilidades de resistir. A fonte principal da coluna lembra que uma conceituada consultoria internacional de análise de risco político, Eurasia Group, dá a Temer maiores chances de terminar o mandato do que de cair: no dia 11, de 60% a 40%. Deve ser uma análise séria, já que os clientes da Eurasia a utilizam em suas decisões de investimento. Mas a fonte do colunista acha que a probabilidade de Temer sobreviver é maior do que a calculada pela Eurasia. E lembra que, se o grupo contrário a Temer tivesse a certeza de derrotá-lo, iria acelerar a votação, em vez de retardá-la com depoimentos e recursos ao STJ.

Qual é a fonte em quem tanto confia este colunista? A fonte é um bom analista, César Maia. Mais do que bom analista, é pai do deputado Rodrigo Maia. Se o pai prevê, publica e assina  que o filho não chega agora à Presidência, quem pode dizer o contrário?

A arma do presidente

Ao menos neste momento, Temer tem o apoio do baixo clero, nome do grupo de parlamentares que têm pouca importância política e que em geral são ignorados pelos líderes políticos – mas cujo voto vale tanto quanto o dos caciques. Temer foi três vezes presidente da Câmara e sabe conversar com esses deputados, dando-lhes a importância que não têm; e, presidente da República, tem condições de oferecer-lhes mais importância e algo mais. Admitir o pedido de autorização para a abertura de inquérito sobre Temer exige 342 votos. Se 172 deputados faltarem à votação, ou votarem contra, o número mínimo não será atingido e a autorização estará rejeitada.

Olha o nível!

Dia de votar a reforma das leis trabalhistas no Senado. O PT é contra (bem como sindicatos e centrais sindicais, que perdem a grande boquinha do Imposto Sindical). Início da sessão: 11 horas. O presidente da Casa, senador Eunício Oliveira, chega no horário e descobre que quatro senadoras, três do PT e uma do PSB, estão ocupando a Mesa. Recusam-se a sair de lá. Eunício encerra a sessão e manda apagar a luz. As senadoras continuam no mesmo lugar. Na hora do almoço, chegam as marmitas para as quatro. Mais tarde, vêm à Mesa mais duas senadoras. Perto da Mesa, circulam outras parlamentares, como Benedita da Silva, PT, esquerdista histórica, e Kátia Abreu, PMDB, que passou de líder ruralista a militante de esquerda. E Lindbergh Farias fica ali, como camarada orientador. Discutir o projeto para que? Fazer arruaça infanto-juvenil rende mais tempo na TV.

A Mesa foi desocupada às 18h45. Quem negociou com as senadoras? Um peemedebista que tem bom diálogo com elas, Jader Barbalho, PMDB.

Os nomes, os nomes

As primeiras ocupantes da Mesa foram Lídice da Mata (PSB), Gleisi Hoffmann (presidente nacional do PT), Fátima Bezerra e Regina Souza, ambas do PT. Juntou-se a elas, mais tarde, Vanessa Grazziotin (PCdoB).

Todos juntos

O Imposto Sindical, um dia do ordenado de cada um dos assalariados do país, estimula a criação de mais sindicatos, por ser uma bela fonte de renda, e faz com que os sindicatos não precisem trabalhar, pois tenham ou não associados sua receita está garantida. Resultado, temos mais de 17 mil sindicatos no país, que funcionam do jeito que se sabe. E é importante lembrar que sindicatos patronais, que representam quase 1/3 deste número, também se beneficiam do Imposto Sindical e querem mantê-lo. O setor empresarial tem ainda outro benefício: o Sistema S (Sesc, Senac, Sesi, Senai) recebe dinheiro do Governo, via federações patronais.

Dia quente

Hoje, ao meio-dia, outra sessão movimentada: a sabatina de Raquel Dodge, indicada pelo presidente Temer para procuradora-geral da República. No foco, o que pretende Raquel Dodge fazer com a Lava Jato. Entende-se: em público, todos querem que a Lava Jato seja prioritária. Mas querem mesmo que a Lava Jato morra de inanição e que o juiz Sérgio Moro seja promovido a desembargador. Aí será mais um, não mais o único.

Rompendo o sigilo

Nesta semana, notícias não faltarão: o BNDES deve apresentar o Livro Verde, com as principais operações realizadas de 2001 a 2016. Por exemplo, o caso JBS, de Joesley Batista.

12 julho 2017 FULEIRAGEM

J. BOSCO – O LIBERAL (PA)


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GLOSA

Só sete palmos de chão
É tudo que vamos ter.

Mote de Antônio Cassiano – Glosa desta colunista

Amor é coisa divina
E não tem como negar
Quando decide chegar
O coração contamina
Não adianta vacina
Isso devemos saber
Quem tem amor pra viver
Aproveite a ocasião
Só sete palmos de chão
É tudo que vamos ter.

12 julho 2017 FULEIRAGEM

ADNAEL – CHARGE ONLINE


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