4 agosto 2017 FULEIRAGEM

VERONEZI – GAZETA DE PIRACICABA (SP)

4 agosto 2017 A PALAVRA DO EDITOR

DIA DOS BESTAS

Dia desses eu tava no xopis centis, passeando pra riba e pra baixo, olhando as vitrines e prestando atenção nos pés-de-rabo que abundam (êpa!) neste tipo de templo do consumo moderno.

Coisa mesmo de pai abestado, que atende a todos os desejos do filho.

João adora o Rio Mar, que é o maior desmantelo comercial desta cidade maurícea e desta beirada de Atlântico.

Um castelo gigantesco, uma pirâmide de fazer inveja a qualquer faraó, uma construção mais comprida do que um dia de fome.

Os arquitetos capricharam nas amplidões dos espaços internos. Só mesmo entrando lá pra ver como é.

Tenho um amigo zisquerdista, comunista radical e anti-capitalista ferrenho, que me disse certa vez que o que ele mais gostava de fazer com a esposa, também revolucionária, era passear no Rio Mar… De preferência com um celular última geração e conectado na internet, esta diabólica invenção dos imperialistas do norte.

Pois eu estava vagabundando sem destino pelo xopis e me deparei com uma vitrine que tinha uma placa estranha.

Vejam na foto:

Liquidação para o Dia dos Bestas, o Dia dos Pais, na língua dos zamericanos.

Dad’s Day Sale.

Num é mesmo uma viadagem da porra???!!!

Era com este tipo de babaquice que o Mestre Ariano Suassuna, meu saudoso guru, se emputecia. Nós temos um idioma tão belo e ficamos apelando pra este tipo de palhaçada.

Saí ligeiro de frente da tal vitrine pra aliviar meu espanto. Saí mais ligeiro do que mulher xingando a amante do marido.

Ou, como diz meu amigo palmarense Rubão, mais ligeiro do que dedo de idiota viciado no zap zap.

Pra completar meu abestalhamento, João me fez andar ao lado dele numa tal de “montanha russa virtual”.

E eu quase se mijei-me nas calças de tanto medo…

Mas é assim mesmo. Sou um abestado pelo meu filho com muito gosto e satisfação.

Um cabra de 70 anos pai de um criança de 10, tem mais é que ser babão mesmo. Sobretudo se for pai de um tipinho assim feito João.

Vejam esta:

Semana passada mantive com ele um diálogo pelo celular.

Ele foi passar o dia na casa de um amigo e eu mandei-lhe um mensagem, parabenizando-o por uma nota 10 que havia tirado numa prova.

Pois vejam só a nossa troca de mensagens:

É ou num é pra esse véio abestado ficar babando???!!!

Um excelente final de semana para todos os pais fubânicos!

4 agosto 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

4 agosto 2017 DEU NO JORNAL

SESSENTINHA

Carlos Alberto Sardenberg

Por R$ 60 você compra uma espécie de licença para distribuir panfletos de propaganda nos sinais de São Paulo. Você paga ao fiscal e a outras autoridades para se livrar do cumprimento da Lei Cidade Limpa, em vigor há dez anos. Com a prática desses anos todos – a prática de descumprir, claro – consolidou-se uma tabela.

Deu na CBN, em reportagem exclusiva: para distribuir panfleto, por um dia, preço de R$ 60 a R$ 100, variando conforme o bairro e, pois, o valor do prédio a ser oferecido, por exemplo. Colocar um cavalete: de R$ 110 a R$ 160. Uma faixa grande é mais cara. Pode sair por R$ 200 por dia. Como se vê, o mercado funciona.

A propina tabelada existe desde que a lei foi aprovada, atravessou esses anos todos e seguiu firme mesmo durante esse amplo e profundo processo de combate à corrupção.

Todo mundo sabia da tabela e do funcionamento: funcionários da prefeitura, pessoal de agências de publicidade, empresas. Atenção: não quer dizer que todas as ações publicitárias desse tipo (em geral, oferecer apartamentos, escritórios e veículos) sejam ilegais. Mas, falando francamente, o repórter Pedro Duran, da CBN, conseguiu “negociar” ações em diversos locais. Em algumas gravações, é impressionante a franqueza dos agentes em definir preço e condições.

Ou seja, o pessoal não tinha medo de ser apanhado.

E não deveria ter?

Olhando assim de fora, a gente imagina que sim. “Caramba”, se estão pegando os grandes lá na Lava-Jato, vão pegar os pequenos aqui” – é razoável supor que um “vendedor” de panfletos pensasse assim e resolvesse se recolher.

Mas não, a “máfia da cidade limpa”, como está sendo chamada, continuou na ativa.

Logo, devem ter pensado o contrário. Algo assim: “Estão atrás dos grandes, dos milhões, não vão se incomodar com os nossos trocados”.

Em qualquer caso, ficamos sabendo, de novo, que a corrupção organizada, tabelada e praticada diariamente no setor público, do federal ao municipal, vai do bilhão ao sessentinha.

Cobra-se a propina conforme o tamanho do negócio. O sistema é o mesmo.

A psicologia também. Políticos e empresários dos grandes continuaram operando mesmo quando colegas seus já estavam processados e presos. Assim como a máfia paulistana.

A conclusão é clara: esse sistema político e econômico não funciona sem a propina, sem o acerto com o governo, com algum governo.

E daí a conclusão que muita gente tira: não tem como eliminar toda essa corrupção, o melhor é tentar limitá-la e tolerar alguma coisa para que a vida, a economia, a política e os negócios continuem funcionando.

Errado, claro.

Só funciona para a turma que está dentro do sistema, na ponta corruptora ou corrupta. E gera uma economia ineficiente, cara, que afasta aqueles que querem ganhar a vida honestamente.

Daí a importância de intensificar o combate à corrupção. Muitos dizem: já está na hora de a Lava-Jato encerrar seus trabalhos, pois não é possível que a sociedade e o sistema político vivam sob permanente sobressalto.

Falso de novo. É o contrário.

Começa que não é a sociedade que treme diante da possibilidade de amanhecer diante de uma Lava-Jato. Não é também todo o sistema político.

É só a turma envolvida. “Só” não é bem o caso. Quando se lembra da sequencia de casos que a gente vai conhecendo todos os dias, fica claro que se teceu uma teia enorme.

Essa turma não demonstra ou não demonstrava medo até aqui porque imaginava que estávamos diante de apenas mais um surto de anticorrupção, desses que surgem quando se apanha alguma roubalheira grande. Formam-se CPIs, anunciam-se investigações rigorosas, saem algumas punições – até que o assunto vai morrendo e não se fala mais nisso. Foi assim durante esses anos todos.

A Lava-Jato começou a mudar a história ao aprofundar investigações de uma maneira persistente, tecnicamente sustentada, com zelo extremo. Muitos dizem: maneiras exageradas.

Mas, caramba, gente, se cobram até para estender uma faixa, é sinal de que exagerada se tornou a corrupção.

Nesse quadro, livrar um presidente da República, do jeito que Temer está se livrando, é dar novo fôlego a um regime baseado na corrupção. Como diria o funcionário corrupto da prefeitura: se os caras lá podem pegar malas de R$ 500 mil, vão encrencar logo com o meu sessentinha?

4 agosto 2017 FULEIRAGEM

FRED – CHARGE ONLINE

DESMANTELOS DE ZÉ LIMEIRA

Orlando Tejo e seu livro sobre a vida e a obra de Zé Limeira

* * *

Quem vem lá é Zé Limeira,
Cantô de força vulcânica,
Prodologicadamente
Cantô sem nenhuma pânica,
Só não pode apreciá-lo
Pessoa semvergonhânica.

*

Meu nome é José Limeira,
Cantô que não é pilhérico,
Mais já sofreu d’alguns males,
Foi atacado de histérico,
Chame logo a junta médica,
Faça o exame cadavérico.

*

Esse é Lourisvá Batista,
Que é Batista Lourisvá,
É filho da cobra preta,
Neto da cobra corá,
Tanto faz daqui pra ali ,
Como dali pra acolá

*

Às tantas da madrugada,
O vaqueiro do Prefeito
Corre alegre e satisfeito
Atrás da vaca deitada,
Deitada e bem apojada
Com a rabada pelo chão…
A desgraça de Sansão
Foi trair Pedro Primeiro…
O aboio do vaqueiro
Nas quebradas do Sertão

*

Frei Henrique de Coimbra,
Sacerdote sem preguiça,
Rezou a Primeira Missa
Na beira duma cacimba.
Um índio passou-lhe a pimba,
Ele não quis aceitá
E agora veve a berrá
Detrás dum pau de jureme…
O bom pescador não teme
As profundezas do mar

Frei Henrique descansou
Nas encosta da Bahia,
Depois fez a travissia
Pra chegá onde chegou,
Pegou a índia, champrou,
Ela não pôde falá,
Assou carne de jabá,
Misturou com queroseme…
O bom pescador não teme
As profundezas do má

A noite vinha saindo
Pru dentro da ventania,
Vi o rastro da cutia
Na minha rede dormindo,
A tremela foi caindo,
Gritei pelo meu ganzá,
Anum preto, anumará,
Só gosto de nega feme…
O bom pescador não teme
As profundezas do má

*

Minha mãe era católica
E meu pai era católico,
Ele romano apostólico,
Ela romana apostólica,
Tivero um dia uma cólica
Que chamam dor de barriga,
Vomitaro uma lumbriga
Do tamanho dum farol,
Tomaro Capivarol,
Diz a tradição antiga

*

Minha avó, mãe de meu pai,
Veia feme sertaneja,
Cantou no coro da Igreja,
O Major Dutra não cai,
Na beira do Paraguai
Vovó pegou uma briga,
Trouve mamãe na barriga,
Eu vim dentro da laringe,
Quage me dava uma impinge,
Diz a tradição antiga

*

Não sei onde fica esse tá de oceano,
Nem sei que pagode vem sê esse má…
Eu sei onde fica Teixeira e Tauá,
Que tem meus moleques vestido de pano…
A minha patroa é quem traça meus prano,
Cem culha de milho inda quero prantá,
Farinha, lugume, feijão e jabá,
Com mói de pimenta daquela bem braba,
Valei-me São Pedro, Limeira se acaba,
Cantando galope na beira do má.

*

O navi navega só
Como a muié nos espeio
Pru dentro do mar vermeio
Que sai lá no Moxotó
O poeta vive só.
A lua tem mais calô,
O jardim logo murchô,
Quage morri da patada…
Nos olhos da minha amada
Brilham estrelas de amor

*

Peço licença aos prugilos
Dos Quelés da juvenia
Dos tofus dos audiacos
Da Baixa da silencia
Do Genuino da Bribria
Do grau da grodofobia

*

Eu sou corisco pastando
No vergel da vantania
Oceano disdobrado
No véu da pilogamia
No dia trinta de maio
Pelei trinta papagaio
Santo Deus, Ave-Maria.

*

Heleno, que bicho é esse
Que tem fala de homem macho?
Parece um tatu quadrado
Cum cinturão no espinacho
É uma coisa tão pouca
Mas ninguém sabe se a boca
Fala pro riba ou pro baixo

*

Lá na Serra do Teixeira
Nasci, sendo bem criado
Na Alemanha os japonês
Já sabe lê um bucado
Conheço esse mundo inteiro
Fica tudo no estrangeiro
Do Teixeira do outro lado

*

Eu me chamo Zé Limeira
Cantadô que tem ciúme
Brisa que sopra da serra
Fera que chega do cume
Brigada só de peixeira
Mijo de moça sorteira
Faca de primeiro gume

*

Os Hemisférios do prado
As palaganas do mundo
Os prugis da Galiléla
Quelés do meditabundo
Filosomia Regente
Deus primeiro sem segundo

*

Canto repente no Norte
Arranco feijão no Sul
Toco fogo no paul
Não tenho medo da morte
Uma mulata bem forte
Uma novilha parida
Uma sala bem comprida
Um cangote, duas perna
Poço, cacimba e cisterna
Tenho saudade da vida

*

Viajou Nossa Senhora
Naquele passado dia,
Perto duma travissia
Descansou sem ter demora.
Cortou de pau uma tora
Debruçada sobre o vento.
Ali, naquele momento,
São José sartou do jegue,
Jesus passou-lhe um esbregue.
Diz o Novo Testamento.

*

Gritou Dom Pedro Primeiro
No tempo da monarquia:
Jesus, filho de Maria.
Trovão do mês de janeiro,
São Pedro sendo o porteiro
Da capela de Belém.
Thomé comendo xerém
Com sarapaté de figo.
Se eu não me casar contigo.
Não caso com mais ninguém.

4 agosto 2017 FULEIRAGEM

FRANK – A NOTÍCIA (SC)

SAMUEL ROBALINHO – SÃO BERNARDO DO CAMPO-SP

Nobre editor Luiz Berto,

mando este vídeo no anexo com um pedido.

Publique em homenagem ao Ceguinho Teimoso.

Obrigado.

Um grande abraço daqui do antigo feudo de Lula.

4 agosto 2017 FULEIRAGEM

GILSON – CHARGE ONLINE


http://pinheirochumbogrosso.blogspot.com.br
A JUVENTUDE TRANSVIADA DE JAMES DEAN

Às 17h45min de um dia como outro qualquer, apesar do crepúsculo e o brilho do sol poente que deslumbrava no horizonte, em 1955, o ator JAMES DEAN, de apenas 24 anos, MORRIA EM UM ACIDENTE DE CARRO, na Califórnia, quando o seu Porsche que tinha o apelido de “Little Bastard” (“Pequeno Bastardo”), atingiu um Ford Sedan em um cruzamento. O motorista do outro carro, o estudante de 23 anos, Donald Turnupseed, estava atordoado após o acidente, mas, praticamente, sem ferimentos. No trágico dia, o filme VIDAS AMARGAS (1955), estrelado por Dean, era um sucesso nos cinemas. Depois de sua morte, ainda seriam lançando dois filmes póstumos: JUVENTUDE TRANSVIADA (1955) e ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE (1956). Apesar de ser jovem e iniciando a carreira, DEAN estava no caminho para o estrelato, e o acidente o transformou em uma lenda. Ele é considerado um ícone cultural, como personificação da rebeldia e angústias da juventude da década de 1950.

Dean viajava para uma corrida de carros em Salinas junto com o seu mecânico, o alemão Rolf Wütherich, que ficou gravemente ferido e, após se recuperar, jamais falou sobre a tragédia. DUAS HORAS ANTES, O ATOR TINHA SIDO MULTADO POR EXCESSO DE VELOCIDADE. Batizado de “O REBELDE DA AMÉRICA” por Ronald Reagan também ator e mais tarde presidente dos Estados Unidos, Dean morreu na hora, em decorrência de várias lesões graves, incluindo uma fratura de pescoço. A beleza e a atitude rebelde, desafiadora e ao mesmo tempo vulnerável e angustiada ajudaram a definir a juventude do pós-guerra.

Dean era um apaixonado por velocidade. Porém, testemunhas alegam que DEAN não estava correndo no exato momento do acidente, e que o outro carro poderia estar rápido. Contudo, o brilho do sol ardente pode ter impedido Turnupseed de ver o Porsche chegando… Talvez não haja no mundo alguém tão simbólico quando se fala em “REBELDIA JUVENIL”. Sua imagem e sua aura de garoto revoltado, flertando com o perigoso mundo marginal, com um cigarro aceso entre os dedos, tornou-se um modelo para gerações mundo afora. E até Michael Jackson se inspirou no ator: a jaqueta vermelha do clipe de BEAT IT é uma referência óbvia ao famoso figurino de DEAN no filme JUVENTUDE TRANSVIADA, seu maior clássico entre os três longas-metragens épicos que estrelou entre 1954 e 1955.

No início dos anos 50, atuou em vários filmes, mas seu estrelato só veio após o estrondoso sucesso alcançado por suas atuações em “Juventude Transviada”, de 1955(o título original do filme denomina-se REBEL WITHOUT A CAUSE, traduzido para o português, REBELDE SEM CAUSA. Só que no Brasil, ele ficou com a denominação de JUVENTUDE TRANSVIADA. Logo em seguida vieram “Vidas Amargas”, de 1955, e “Assim Caminha a Humanidade”, de 1956, tendo os dois últimos lhe valido indicações ao Oscar de Melhor Ator. Sua morte repentina, aos 24 anos, quando seu carro Porsche se chocou com outro veículo, associada ao prestígio obtido por suas ótimas performances em seus últimos filmes, o transformou num dos maiores mitos de Hollywood.

Por muito pouco JAMES DEAN não atuou em um filme de faroeste que já tinha sido o escolhido pelo escritor e diretor Gore Vidal para protagonizar o filme de cawboy UM DE NÓS MORRERÁ no papel de Billy the Kid. Conforme nos conta o cinéfilo Darci Fonseca, Vidal sonhava com James Dean como protagonista. Dean, porém, estava preso às filmagens de “ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE” que se prolongaram acima do esperado e PAUL NEWMAN foi então convidado para substituir James Dean. O teleteatro “The Death of Billy the Kid” foi ao ar na noite de 24 de julho de 1955, obtendo êxito de público. Por ser exibida na televisão o ator William Bonney não foi mostrado como homossexual conforme Vidal deixara evidente em seu texto. Em 1957 a Warner Bros adquiriu os direitos de “The Death of Billc the Kid” escalando o roteirista Leslie Stevens para reescrever a peça de Gore Vidal. O WESTERN baseado no teleplay foi intitulado “The Left Handed Gun” (O Pistoleiro Canhoto), recebendo o título brasileiro de “UM DE NÓS MORRERÁ”.

Em janeiro de 1951, Dean tinha decidido abandonar as aulas e entrar totalmente em Hollywood, onde daria seus primeiros passos em representações teatrais exibidas pela televisão, onde dividiu palco com Natalie Wood, sua futura companheira de elenco em “Rebelde sem causa”. Muitos se perguntam o que teria sido de Dean se tivesse vivido mais. Há quem acredite que teria tido uma carreira como a de Marlon Brando ou Cary Grant. Ou que talvez teria optado por se envolver profissionalmente no mundo das corridas de carros que tanto amava. Ou que teria aberto o caminho para muitos ao tornar pública sua suposta homossexualidade. Mas James Dean viveu e morreu de acordo com sua própria filosofia, com frases que entraram para o imaginário de Hollywood como “a gratificação vem ao fazer, não com os resultados”. Além da célebre “sonhe como se fosse viver para sempre e viva como se fosse morrer hoje”. Na época, enquanto o outro rebelde lançou a camiseta também no cinema, quem? MARLON BRANDO!!! Viva os REBELDES!!! Ele, James Dean , também inventou moda: as pessoas usam Jeans porque ele “EXISTE”!!! Não, ele não inventou o Jeans… Mas basicamente lançou no cinema…

Aproveitando a deixa, eis um sucesso Inesquecível, uma música belíssima na linda voz do brasileiro LUIZ MELODIA, intitulada JUVENTUDE TRANSVIADA que tem o mesmo nome do filme do norte-americano JAMES DEAN.

Luiz Melodia faleceu hoje, dia 4 de agosto de 2017.

Curta aqui, este clipe!!!

4 agosto 2017 FULEIRAGEM

DUKE – O TEMPO (MG)

JUVENTUDE TRANSVIADA

Encantou-se hoje aos 66 anos o compositor e cantor, Luiz Melodia.

Foi juntar-se aos que lá estão e continuar o show para Deus.

4 agosto 2017 FULEIRAGEM

AMORIM – CHARGE ONLINE


www.cantinhodadalinha.blogspot.com
O PICÃO ROXO

Andei com dores nos quartos
Vejam que situação.
Aí me recomendaram
Tomar um chá de picão,
Eu saí me maldizendo
E já fui logo dizendo:
Esse diabo tomo não!

Mas o doutor raizeiro
Correu logo atrás de mim
Me chamou lá num cantinho
E já foi dizendo assim:
Experimente o tal picão
Que a sua situação
De dor vai chegar ao fim.

Olhei bem desconfiada
Pro vendedor de raiz
Foi quando senti de novo
Aquela dor infeliz
Era uma dor bem profunda
Subindo o rego da bunda
E atormentando os quadris.

Eu tinha que me render
A tal fitoterapia
Mas uma dúvida atroz
Realmente me afligia
Será que o tal picão
É cipó ou solução?
A gente toma, ou enfia?

Era a dor me consumindo
Era bem grande a aflição
E tinha que ser do roxo
Pra ter efeito o picão
Entrei firme no cipó
Se a dor de mim não tem dó
Não vejo outra solução.

4 agosto 2017 FULEIRAGEM

DUKE – O TEMPO (MG)

4 agosto 2017 DEU NO JORNAL

MORDIDAS E UNHADAS VERMÊIO-ISTRELADAS

Passa bem o Pixuleco atacado a unhadas pela deputada Maria do Rosário (PT-RS) e a dentadas por seu colega Paulo Teixeira (PT-SP).

Mas captou a mensagem: na próxima, levará seguranças com ele.

* * *

As iniciais do deputado vermêio Paulo Teixeira, o idiota mordedor de bonecos, são bem apropriadas: PT.

Partido dos Trambiqueiros.

Quanto à furiosa Maria da Novena, a psicopata petralha, aconselha-se que, ao invés das unhas, no próximo ataque de insanidade use um dedo.

Um dedo pra enfiar no furico e sair rasgando até chegar no umbigo,

Um canalha mordendo o boneco que representa outro canalha

4 agosto 2017 FULEIRAGEM

J. BOSCO – O LIBERAL (PA)


ALUMBRAMENTO: UMA CIDADE

 Sou homem do interior, anterior aos encantos luminosos do mundo externo.

Lá do longe – 128 quilômetros -, no canavial, à sombra do bueiro da usina, via o Recife como o objeto mais longínquo que cabia à mão alcançar, ali estava o fim do mundo e o início do meu paraíso particular. O olhar do menino enxergava a cidade na régua das impossibilidades, um espaço que se vestia com as cores do apenas desejo que fui alimentando aos poucos.

Tenho a lembrança antiga de um carnaval. É o que de mais distante chega a memória. Sei que havia cores e bailados nas ruas, mas minha visão é de um mundo em preto e branco, foliões com alegria renovada tomando o chão da praça Maciel Pinheiro. Os leões de pedra olhando-me e eu com medo – a euforia contrastava com o sentimento mesquinho. Acho que meu avô estava doente, num leito do Hospital Português. Uma lembrança difusa, como devem ser as reminiscências da infância.

O certo é que entravámos com solenidade no hospital de ambiente branco e asséptico, mas meu tio, Jones Melo, o galã Roberto da novela A Moça do Sobrado Grande, veiculada pela TV Jornal do Commercio, chegava sob o deslumbramento de enfermeiras e pacientes. E a direção do Português, para evitar transtornos, o proibiu de visitar o pai em horas regulares. Somente conseguia chegar ali se esgueirando nos mais tardios instantes da noite.

Tudo era lúdico naquela cidade, e mesmo a morte e suas dores estavam suavizadas pelos encantamentos tantos.

À beira do Capibaribe, na rua da Aurora, tinha um tobogã, para mim imenso, interminável. Com o heroísmo à flor da pele, subia aquelas escadas sem fim para escorregar sentado em sacos de estopa pelo quase infinito ondulante feito em chapas de metal. Naquela tarde brincante, subindo a escadaria, uma freira caminhava à minha frente. Súbito o vento libidinoso do Atlântico levantou a saia da religiosa. Vi sua calcinha imensa e imaculadamente branca. Aquele foi o pecado maior de minha infância.

Minha intimidade com o Recife foi crescendo assim.

Na adolescência saía de Palmares num ônibus da Viação Rio Una para comprar livros e discos. Partia no cedo da manhã e voltava no fim da tarde, cheio de deleites para meus próximos dias. Comprei Tieta do Agreste na Livro 7 e comecei a ler no ônibus da volta. De Jorge Amado tinha me deliciado apenas com a primeira fase, a socialista, que chegava até Os Subterrâneos da Liberdade. Depois de Gabriela, Cravo e Canela, aquele ar picaresco do baiano, que eu desconhecia, não me interessava. Foi voltando do Recife que descobri a obra única de Jorge, um escritor que se apoderou do picaresco para melhor solidificar sua linhagem de protesto e denúncia.

Quando enfim sai do interior atraído pelas luzes da capital, deixei para trás alguns sonhos e segui me desfazendo de ilusões e despojos de amores adolescentes. Uma ex-namorada, bela e morena, me deixara solitário ao pé do muro de chapisco do Colégio Nossa Senhora de Lourdes e carreguei em minha bagagem a vontade de reviver os desejos testemunhados pelo deserto beco do Confiança.

Desembarquei na cidade, no Recife, para mitigar os bancos do Colégio Alpha, na rua Corredor do Bispo. Fui morar na rua do Cotovelo, na Boa Vista. Desculpem. Sei que há muitos anos, muito antes de meu nascimento, a via já se chamava rua Visconde de Goiana, uma homenagem justa. O homem teve cabedal. Foi político, fazendeiro e magistrado. Nascido no Recife, se formou na Universidade de Coimbra e voltou ao Brasil nas águas da família Real que fugia de Napoleão nos idos de 1807. A partir daí governou o Rio de Janeiro e o Pará e descambou em mandos até dirigir a Faculdade de Direito de Olinda. Homem de escol, é certo, mas que nunca deveria ter roubado o lúdico cotovelo da rua onde morei, da rua onde sempre volto para tomar sorvete na Frisabor.

Uma fase de estudos, mas também de boemia. Íamos ao Mustang tomar chope e comer largos sanduíches. Ao Bar Atenas, na Rio Branco, para reviver o ambiente grego que assistíamos nos filmes do São Luiz. Ao Bar do Tenente, no Pátio de São José, para beber cerveja, dançar ciranda e paquerar os livros da Livraria Cordel. Ao Ele e Ela, num dos becos que desaguam na rua da Imperatriz, para bebericar cachaça com caldinho de feijão. E íamos…

Véio Faceta, certa noite, se apresentou no bar da Livro 7. Fui ver o espetáculo levado por um tio, Paulo Rogério, que optou por sentar na fila do gargarejo. O artista estava visivelmente desencontrado naquele ambiente pouco popular, mas não deixou de fazer a festa. E como precisava de um gancho para segurar a descontração, resolveu fazer meu casamento com uma de suas pastoras, e logo uma a quem chamava de Póica. Vermelho de vergonha, aguentei firme as provocações sem fim de Faceta.

Saindo dali fui afogar meu constrangimento em outros bares, em outros copos. Madrugada alta, na volta para casa, meu tio, como era de costume, passou no Cemitério de Santo Amaro para comprar rosas para a esposa que, desprovida de humor, o esperava em casa.

Já por este tempo morava em Afogados, na rua Vinte e Um de Abril, e dali saía no ônibus-elétrico da Mustadinha para chegar ao Centro, pois minha cidade, onde aprendi a ser mais que brasileiro, aprendi a ser pernambucano, só chegava à ponte do Pina, estava muito aquém de Boa Viagem, vinha pelos bairros de Santo Antônio, de São José, pela Boa Vista e desaguava em Apipucos. Um Recife interior que me fez introspectivo e feliz.

E um dia tive que deixar o Recife… fui correr trecho, ganhar o mundo, mas meu horizonte ficou para sempre aberto pela Mata Atlântica de Dois Irmãos, para sempre expandido para Atlântico.

Esta cidade hoje é tão minha, tão intimamente minha, que as vezes me pego chamando-a por um nome antigo: Mauriciópolis, a Cidade Maurícia.

4 agosto 2017 FULEIRAGEM

AMARILDO – A GAZETA (ES)

HUMOR FUBÂNICO

Comentário sobre a postagem PRÓXIMO CAPÍTULO: O SÍTIO DE ATIBAIA

Siará Grande:

“O Goiano é o melhor humorista da mídia deste país.

Na frente do Goiano, o Joselito Müller não passa de um aprendiz de jardim de infância

Olhaí, Editor Abestado, dá logo um aumento pra o Goiano ou a Reda Globa leva ele pra ser redator da escola do Professor Raimundo.”

* * *

Goiano e Joselito Muller: os grandes humoristas do JBF

4 agosto 2017 FULEIRAGEM

CLAYTON – O POVO (CE)

4 agosto 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

QUEM NÃO GOSTA DE SAMBA…

Zeca Pagodinho

* * *

01 – Besta é tu – (Galvão/Pepeu/Moraes) – Os Novos Baianos – 1972

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02 – Desacato – (Jocafi/A.Carlos) – Antonio Carlos e Jocafi – 1971

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03 – Esperanças perdidas – (A. Alves/D. Carvalho) – Os Originais do Samba – 1972

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04 – Alguém me avisou – (Yvonne Lara) – Bethânia, Caetano e Gil – 1980

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05 – Pode guardar as panelas – (P.da Viola) – Paulinho da Viola – 1979

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06 – Assobiar ou chupar cana – (B.de Paula) – Benito Di Paula – 1977

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07 – Meu drama – (J.Ilarindo/Silas de Oliveira) – Roberto Ribeiro – 1978

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08 – Não bota no meu – (Beto Scala/S.Beto/H.Silva) – Jair Rodrigues – 1985

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09 – Na aba – (Ney Silva/Trambique/P.Correia) – Bezerra da Silva – 1982

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10 – O neguinho e a senhorita – (A.Silva/Noel Rosa de Oliveira) – Noite Ilustrada – 1965

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11 – O pequeno burguês – (M.da Vila) – Martinho da Vila – 1969

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12 – Sá Marina – (Antonio Adolfo/Tibério Gaspar) – Wilson Simonal – 1968

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13 – Coração em desalinho – (Ratinho/Diniz) – Zeca Pagodinho – 1986

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14 – Você passa eu acho graça – (Carlos Imperial/Ataulfo Alves) – Clara Nunes – 1968

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15 – Naquela mesa – (S.Bittencourt) – Elisete Cardoso e Sérgio Bittencourt – 1972

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16 – Testamento – (Toquinho/V.de Moraes) – Toquinho e Vinícius – 1971

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4 agosto 2017 FULEIRAGEM

NANI – CHARGE ONLINE

OS BACHARÉIS DE LULA SÃO DOUTORES EM INSOLÊNCIA E INVENCIONICE

A discurseira da tropa de bacharéis comprova a falta de álibis capazes de livrar da cadeia um criminoso juramentado

Cada palavrório recitado por algum advogado de Lula consolida a certeza de que a tropa de bacharéis não dispõe de um único e escasso álibi capaz de afastar o cliente famoso da trilha que termina na cadeia. Tal constatação foi reafirmada nesta terça-feira pela reação dos doutores ao enquadramento do ex-presidente no sexto processo resultante das descobertas da Operação Lava Jato. Ao aceitar a denúncia do Ministério Público Federal segundo a qual a reforma do sítio em Atibaia foi uma retribuição de empresários amigos aos bons serviços prestados pelo camelô de empreiteira, Sergio Moro deu a senha para o recomeço da lengalenga interminável.

Se Lula fosse inocente, os responsáveis pela defesa estariam festejando neste momento a chance de desmoralizar invencionices tramadas por perseguidores movidos por motivos políticos. Como tentam absolver um culpado de carteirinha, os advogados recomeçaram a encenação da Ópera dos Farsantes. Heráclito Fontoura Sobral Pinto ensinou que o primeiro juiz da causa é o advogado. Se o cliente for culpado, exemplificou o grande jurista, seu defensor não tem o direito de assassinar a verdade: deve limitar-se à procura de argumentos e atenuantes que reduzam a gravidade do delito e abrandem a pena. Ainda bem que o grande jurista não viveu para ver em ação um Cristiano Zanin Martins, o sargentão da tropa de bacharéis do Instituto Lula.

Nos processos que envolvem o ex-presidente, Zanin desempenha simultaneamente três papéis. Além do advogado que tortura os fatos, ele também interpreta o promotor decidido a encarcerar Sergio Moro e o magistrado decidido a condenar um juiz de verdade por sucessivos “atentados ao Estado de Direito”. Inimigo do Estado de Direito é quem tenta travestir de inocente um criminoso juramentado. “Foi a decisão de um magistrado manifestamente suspeito”, delirou Zanin. Suspeito de quê? De acreditar que todos são iguais perante a lei? De ler corretamente os artigos do Código Penal?

Numa nação civilizada, essa espécie de chicana seria execrada pelos colegas de profissão. Num Brasil envilecido por 13 anos de lulopetismo, Zanin pode virar um exemplo a ser seguido por caçadores de fregueses que pagam com dinheiro de origem suspeitíssima os gordos honorários calculados em dólares por minuto.

4 agosto 2017 FULEIRAGEM

AMARILDO – A GAZETA (ES)

4 agosto 2017 A PALAVRA DO EDITOR

UM APELO DESESPERADO

As colunas do nosso estimado colaborador Goiano Braga Horta – único colunista que é petista, luleiro e de esquerda -, não estão sendo suficientes para preencher os espaços de humorismo, hilaridade e surrealismo que são marcas salientes nesta gazeta escrota.

Outros dois colunistas que eram petistas, luleiros e de esquerda não aguentaram o rojão, pediram demissão e passaram a me xingar de longe, através do feissibuqui. Estes dois que pediram pinico, tinham inteira liberdade pra escrever o que quisessem nos espaços a eles destinados, tanto quanto tem Goiano hoje em dia.

Goiano não escreve com periodicidade regular e, às vezes, nos priva de sua presença por um bom tempo.

Apenas os textos de Goiano, exaltando Lula e execrando as sentenças do Dr. Moro, não preenchem a nossa fome de humor. Até hoje ele ainda não criou coragem para elogiar Maduro. Desconfio que seja por andar muito ocupado, esmiuçando as sentenças do juiz curitibano.

Já fiz de tudo pra conseguir colaboradores lulo-petêlho-zisquerdais e não tenho tido sucesso nesta missão. Um esforço insano e inglório.

Depois de inúmeras tentativas, desisti de escrever para a página oficial do PT fazendo apelo para conseguir um escriba petralha pra este jornal imundo.

Meu sonho dourado era ter Emir Sader ou Marilena Chaui assinando colunas neste antro. Eu chega suspiro quando penso nisto.

A deputada Jandira Feghali autorizou a publicação dos seus textos no JBF. Todavia, a sua última crônica foi ao ar no dia 12 de dezembro de 2016.

Já lá se vão 8 meses…

Jandirão nada mais produziu desde aquela data, a não ser os habituais tolôtes verbais que enchem de humor os ares banânicos.

No dia 18 do mês passado, julho, enviei uma carta ao deputado Carlos Zaratini (dep.carloszarattini@camara.leg.br), líder do PT na Câmara, que costuma publicar artigos em páginas da grande mídia reacionária, direitista e golpista.

Carta que está transcrita abaixo na íntegra: 

Sr. Deputado,

Solicito autorização para reproduzir os vossos artigos no Jornal da Besta Fubana (www.bestafubana.com).

Trata-se de um espaço aberto, democrático e que publica textos de todas as tendências político-ideológicas.

Caso seja concedida a autorização, peço que dê um nome para a sua coluna.

Os textos podem ser enviados diretamente para o endereço eletrônico bertofilho@terra.com.br

Aguardo retorno e agradeço antecipadamente a atenção que, tenho certeza, irei merecer de Vossa Excelência.

Saudações

Luiz Berto
Editor do JBF

Até a presente data, 4 de agosto, depois de 16 dias, ainda não tive a honra de merecer uma resposta de Sua Insolência.

Ele deve estar muito ocupado desmentindo as calúnias e mentiras que são jogadas todos os dias contra Lula, proprietário do seu partido, o impoluto PT.

Como esta merda de jornal não tem qualquer apoio financeiro, seja público, seja privado, desconfio que a tropa das zisquerdas, habituada a comer desde mortadela até gordos pixulecos dos Corruptores Ativos, não tenha interesse de escrever aqui pela impossibilidade de pagarmos um bom cachê.

Um cachê assim tão vultoso quanto os que a Odebrecht pagava pelas palestras de Lula.

Enfim, estou fazendo esta postagem para berrar pro mundo:

O JBF precisa de colunistas zisquerdistas!!!

Colunistas castristas, bolivarianos, luleiros, norte-coreanófilos, dilmaicos, madurianos, petêlhos, ou seja lá que diabo for.

Reafirmo e repito: este espaço é aberto, democrático, escancarado e publicará tudo que os candidatos a colunista quiserem postar.

Espero ter sucesso desta vez.

4 agosto 2017 FULEIRAGEM

LUCIO – CHARGE ONLINE

4 agosto 2017 JORGE OLIVEIRA

MORALIZAÇÃO DO RIO PASSA PELO JUIZ MARCELO BRETAS

Como o Rio não tem alternativa política para sair da crise, provocada por governantes incompetentes, corruptos e desonestos, eis que surge uma luz no fim do túnel. E quem está com uma lanterna clareando os corredores escuros para combater os negócios escusos da tropa do Sérgio Cabral é o juiz Marcelo Bretas, que tenta trazer de volta o dinheiro roubado pela quadrilha. Ele começa agora a botar também na cadeia os auxiliares do ex-prefeito Eduardo Paes, depois que puniu os secretários do ex-governador e seus comparsas. Espera-se, assim, recompor as finanças do Rio depois de encarcerar esses maus elementos que se assemelham às organizações criminosas que atuam em assaltos e no tráfico de drogas da cidade.

Marcelo Bretas é um juiz casca grossa. Mostrou isso quando prendeu o ex-bilionário Eike Batista, que mudou o visual depois que deixou o presídio de Bangu sem a peruca. Eike é aquele cara que divulgava doações milionárias ao governo do Rio, enaltecido pelos jornais cariocas como filantrópico de programas sociais. Sabe-se agora, com a sua prisão, que tudo não passava de uma farsa: Eike era abastecido pelo esquema de corrupção de Sérgio Cabral. Para mascarar a manobra, ele distribuía uns trocadinhos do dinheiro surrupiado.

O juiz Marcelo Bretas, que está à frente das operações, é um homem simples que nasceu em 1970 em Nilópolis, na Baixada Fluminense. Evangélico, avesso a badalações, é casado com uma juíza. Estudioso do direito, esteve na lista para assumir a vaga de Teori Zavascki. Trabalha com uma equipe de eficientes procuradores que formaram um esquadrão para catar corruptos na esfera federal, estadual e municipal. A tropa quer saber, sobretudo, para onde foi o dinheiro público desviado das obras dos grandes eventos do Rio.

O Rio recebeu investimentos de 40 bilhões para infraestrutura dos eventos que ocorreram na cidade. Esse dinheiro movimentou a economia e, claro, o bolso dos auxiliares do prefeito Eduardo Paes, antigo algoz dos petistas quando participou, como deputado, da CPI dos Correios na Câmara Federal. Serviu também para permitir uma vida pomposa de luxo e ostentação ao casal Cabral, que vivia no exterior torrando o dinheiro que deveria beneficiar o povo que o elegeu. Foi usado também para corromper servidores públicos municipais, donos de mansões onde estão instalados os cofres que guardam o dinheiro da propina.

O juiz Marcelo Bretas, com rigor, está aplicando a lei. Depois dos auxiliares de Cabral, agora atrás das grades, ele determinou a prisão dos homens de Eduardo Paes. E começou pelo secretário de Obras, Alexandre Pinto, que cobrava 1% de propina das construtoras e alguns fiscais municipais. O Ministério Público acusa Pinto de embolsar 37 milhões de reais pelas obras do BRT Transcarioca e do Programa de Recuperação Ambiental da Bacia de Jacarepaguá.

O suborno, que saia das empreiteiras, provocava uma lesão irreparável na qualidade das obras. O desembolso de dinheiro para esses meliantes representava menos qualidade do serviço, pois essas obras não eram vigiadas adequadamente já que os fiscais faziam vista grossa para a má qualidade do material usado. O complexo do Parque Olímpico, na Zona Oeste do Rio, por exemplo, parece feito de papelão, não resiste a um pingo d’água.

O mal que esses senhores causaram ao Rio de Janeiro não tem precedente na história do estado. Eles eram chefiados por Sérgio Cabral e Eduardo Paes e tinham carta branca para negociar com as empreiteiras responsáveis pelo pagamento das campanhas eleitorais de ambos. Cabral está preso e já foi condenado. Ainda resiste a fazer delação na esperança de ser absolvido em outros processos. Eduardo Paes vive nos EUA. Deixou a prefeitura tão logo terminou o mandato para fugir do noticiário, uma estratégia que até a prisão do seu secretário de Obras estava dando certo. Agora, atrás das grades, Pinto vai pensar se quer mesmo permanecer lá dentro sozinho ou quer dividir a cela com seus chefes que ainda gozam de uma vida luxuosa como ele tinha até ser preso.

Nos EUA, o prefeito Eduardo Paes distribuiu uma nota para a imprensa que parece mais uma de suas brincadeiras: “Se isso (a corrupção do Pinto) realmente ocorreu, para mim, é uma decepção”. O carioca já se acostumou com essas gozações do Paes. Lembra-se do que ele disse sobre Macaé?

4 agosto 2017 FULEIRAGEM

ALECRIM – CHARGE ONLINE

4 agosto 2017 A PALAVRA DO EDITOR

FINAIS DE SEMANA NO PARAÍSO PIXULECAL-PROPINÁICO

A sentença-pajaraca que o Dr. Moro enfiou no furico de Lapa de Mentiroso, aquela sobre o sítio de Atibaia que não é dele, é uma peça que deve ser guardada num monumento especial para ser lida pelas gerações brasileiras que virão aí pela frente.

A sentença especifica que, entre os anos de 2011 e 2016, Lapa de Corrupto fez exatamente 270 visitas ao seu paraíso pixulecal-propináico, doado por empreiteiros amigos.

Amigos generosos, bondosos e desinteressados, claro.

Tudo isto foi apurado, documentado, carimbado, sacramentado e juramentado pelos investigadores e pela Polícia Federal. O Dr. Moro só fez repetir estes minuciosos detalhes na sua sentença.

Como apreciador dos números, alguns dados me chamaram a atenção.

Vejam bem: de 2011 até 2016, se passaram exatamente 5 anos.

Se você divide a 270 visitas por 5 anos, vai encontrar 54 visitas por ano.

Como o ano tem 12 meses, se você dividir 54 por 12 vai encontrar 4.

Ou seja, foram 4 visitas a cada mês.

Enfim, uma visita a cada um dos quatro finais de semana que tem um mês.

O homem mais honesto do que Jesus Cristo ia todas as semanas ao seu recanto encantado, pra descansar da enorme trabalheira que era cagar pela boca um discurso pra cada plateia de antas amestradas que se montava pra ele.

O sítio que não era dele tinha até um lago com pedalinhos onde estavam os nomes de Pedro e Arthur, os netos de Lapa de Demagogo, pintados nos assentos e emoldurados pelos pescoços do cisnes.

Pedro é filho de Fábio, sócio dos dois “proprietários” formais do sítio, Jonas Suassuna e Fernando Bittar. E Arthur é filho Sandro, o outro rebento de Lapa de Corrupto.

Nas fotos que constam do processo, os cisnes aparecem se rindo-se de nós outros, os patos pagadores de impostos.

Uma coisa linda e chic!

4 agosto 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

CASTANHINHA

Anos atrás, numa cidade do interior nordestino, Margarida, empregada doméstica na casa de Dona Zélia, apareceu grávida. A patroa, solteirona juramentada e muito católica, ao ver a moça enjoada e com o ventre ligeiramente crescido, perguntou e obteve a confissão da gravidez. O autor da faceta era o namorado Josimar, conhecido por Castanhinha.

Dona Zélia se sentia responsável pela empregada, que tinha apenas 17 anos. Sempre que a moça dizia que ia passear com uma amiga, ela fazia a mesma recomendação:

– Cuidado com a vida e volte cedo.

A mulher tinha o hábito de dar conselhos às suas empregadas, principalmente quando eram menores de idade e, supostamente, virgens.

Surpresa com a gravidez da moça, a primeira providência de Dona Zélia foi pedir ao seu irmão Damião, dono da gráfica onde o conquistador trabalhava, que falasse com ele e o “intimasse” a se casar com Margarida. Seu Damião, muito espirituoso, respondeu:

– Eu não sou Delegado de Polícia, pra fazer essa intimação ao rapaz. Eu não vou me meter nessa história. Se a moça deixou o namorado fazer “feiura” com ela e ficou calada, é porque gostou. Agora que está gravida, foi que abriu o bico pra dedurar o rapaz. Como não existe nenhum inocente nesse caso, eles que se entendam. Eu prometo ser padrinho do menino ou menina, quando nascer.

Dona Zélia se voltou contra o irmão e o tachou de desalmado. Disse-lhe que a empregada era muito nova e não tinha sabido se defender. Além do mais, sempre se ouviu dizer que “a carne é fraca…”

Não adiantou. Seu Damião continuou dizendo que não iria se meter nessa história. E a confusão virou por cima dele.

Os pais de Margarida moravam na zona rural. Por coincidência, no dia seguinte a essa descoberta, o pai, Seu Pedro, que tinha o apelido de “Pisa na Fulô”, foi à cidade comprar novos instrumentos agrícolas, para usar no roçado. Antes, foi ver a filha Margarida, ignorando o que estava se passando com ela. É claro que a moça não teve coragem de dizer que o namorado a tinha seduzido e que estava grávida.

Depois de tomar o café da manhã com a filha, na casa de sua patroa, Pisa na Fulô a abençoou e se dirigiu à Rua Grande, para comprar uma foice e uma enxada no armazém de Seu João Bento. Antes de voltar para casa, resolveu ir cumprimentar Seu Damião, na gráfica, levando consigo esses instrumentos agrícolas, também considerados armas brancas. Como consta nos anais da história da criminologia brasileira, entre outros objetos de trabalho, esses dois já foram usados em muitos crimes de morte.

Seu Damião, quando viu o pai de Margarida chegar, “armado” de enxada e foice, resolveu fazer um susto a Castanhinha. Chamou o rapaz e lhe cochichou que Pisa na Fulô era o pai de Margarida e era muito violento. Estava ali para tomar satisfação, pois soubera que ele havia mexido com sua filha e ela estava grávida. Se ele não casasse logo com ela, podia se considerar um homem morto.

Castanhinha, pálido e tremendo dos pés à cabeça, apresentou-se diante de Pisa na Fulô e lhe pediu a mão de Margarida em casamento. O agricultor, inocente na história, vendo que o rapaz trabalhava com Seu Damião, concordou na hora. Só podia ser um rapaz direito…

4 agosto 2017 FULEIRAGEM

JARBAS – DIÁRIO DE PERNAMBUCO

4 agosto 2017 DEU NO JORNAL

VERGONHA NACIONAL É JOESLEY BATISTA NÃO PASSAR UM DIA SEQUER NA PRISÃO!

Rodrigo Constantino

Autor da gravação no Palácio do Jaburu do presidente Michel Temer usada na denúncia engavetada pela Câmara dos Deputados nesta quarta-feira, o empresário Joesley Batista assistiu à sessão na companhia de executivos na sede do grupo J&F, em São Paulo. Projeções davam conta de que Temer obteria resultado favorável, ainda assim o empresário tratou o episódio como “trágico” para o país.

– O dia 2 de agosto ficará marcado como o dia da vergonha – disse Joesley a um interlocutor durante a tarde, quando o voto contra a continuidade das investigações já era maioria no placar da Câmara dos Deputados. Por meio de nota, o grupo J&F informou que não se manifestaria.

Então o GLOBO resolve dar espaço para que os leitores saibam o que Joesley Batista pensou da votação ontem?

Por que não convidar logo o Alexandre Nardoni para comentar sobre educação infantil, ou o goleiro Bruno para falar de namoro?

Por que não chamar José Dirceu para falar de corrupção? Ops! A Folha de SP fez exatamente isso…

É uma piada de mau gosto, um escárnio. Eis o que é uma vergonha nacional: Joesley Batista não ter passado um dia sequer na prisão! Joesley manter seus bilhões e poder ir para Nova York, inclusive levando seu iate novo. Joesley ter fechado um acordo de delação de pai pra filho (Janot sendo o pai), enquanto até agora não forneceu nada para efetivamente punir Lula, o maior bandido do país.

Vergonha é o viés do trabalho do próprio procurador-geral Rodrigo Janot, que despertou para o patriotismo somente após o impeachment de Dilma. Vergonha é a CVM não ter feito nada ainda após a escancarada operação criminosa no mercado de câmbio um dia antes de sair a delação de Joesley, que jogou o dólar nas alturas e rendeu milhões à JBS. Isso é uma vergonha!

No Brasil, dizem, o traficante cheira, a prostituta se apaixona, banqueiros são socialistas, cafetão tem ciúmes e os maiores corruptos recebem destaque na imprensa para condenar votação sobre corrupção. O Brasil não é um país sério…

* * *

Matéria publicada no jornal O Globo:

4 agosto 2017 FULEIRAGEM

ELVIS – AMAZONAS EM TEMPO

HOUSE OF THE RISING SUN

Canção tradicional dos Estados Unidos da América num arranjo de Alan Price e interpretação do conjunto “The Animals” em 1964.

4 agosto 2017 FULEIRAGEM

MÁRIO – TRIBUNA DE MINAS

PRÓXIMO CAPÍTULO: O SÍTIO DE ATIBAIA

 Já comentei que o crime pelo qual o ex-presidente Lula foi condenado no caso do triplex do Guarujá é um crime suposto, isto é, a condenação pelos crimes de corrupção passiva e o seu conexo de lavagem de dinheiro não se baseia em um concreto ato de corrupção demonstrado pelas provas do processo: acredita-se que houve algum ato de corrupção praticado pelo presidente uma vez que Lula teria recebido um apartamento e reformas nele que só podem ter sido dados como paga de propina por ato de corrupção que o ex-presidente tenha praticado.

Trata-se de sobrepor às provas reais, ou concretas, ou cabais, o chamado livre convencimento do juiz, com o fim de atingir, por algo que poderia ser chamado de tolerância zero, o fim de não admitir que a mínima possibilidade de crime de corrupção deixe de ser penalizada.

O juiz pode, por essa perspectiva, usar a sensibilidade, a capacidade de ler nas entrelinhas, de ver longe, desconfiar e crer, para capacitar-se de encontrar suas certezas íntimas, estabelecendo o seu convencimento pelas chamadas ilações, suposições e suspeitas – já que é preciso combater drasticamente a corrupção, mesmo que para isso seja preciso arcar com a possibilidade de alguns erros de julgamento – e assim encontrar a sua verdade.

Essa filosofia, de que os fins justificam os meios, e de que o direito precisa servir sem limitações à depuração da sociedade, não constitui prática isolada de um juiz, no caso de um réu, na vida nacional recente; tivemos outros casos parecidos e, até mesmo, a aplicação de outras filosofias, como a mal-ajambrada teoria do domínio do fato.

A esse conjunto pode-se rotular de “lawfare”, que é o uso indevido dos recursos jurídicos.

Retiramos da definição de “lawfare”o complemento “para fins políticos”, a fim de que não se detenham os críticos no senso estrito do termo “política”.

Se alguns inocentes pagarão pelos pecadores, pouco estará importando ao sistema de caça-às-bruxas: às favas com o conceito de estado democrático e com o princípio de estado de direito. Sob o manto do mantra “ninguém está acima da lei” nem mesmo um ex-presidente de passado limpo, submetido a evidentes perseguições de caráter político, partidário, midiático e fanático, está a salvo do grupo de vigilantes impregnados desse clima e da vontade de “passar o Brasil a limpo”.

Focando apenas nos processos do ex-presidente Lula, podemos observar que o juízo, para justificar o seu convencimento, se apoia em critérios implícitos. Essa “implicitude” se revelará no fato de que certos elementos, assim não declarados, deverão estar presentes para o “livre convencimento condenatório”, para a condenação, de modo que se não estiverem presentes determinarão a absolvição.

Esse fenômeno se revela no momento em que se faz a comparação das circunstâncias da condenação no processo do triplex do Guarujá com as circunstâncias da absolvição no processo de armazenamento de bens do acervo presidencial.

Em ambos, os envolvidos são a OAS e Lula, mas:

1) No processo triplex o delator afirma que a diferença de preço entre dois imóveis e as benfeitorias constituíam propina; enquanto no processo do armazenamento o delator diz que o custo não constituía propina.

2) No triplex os gastos vinham de uma “conta propina”; mas suponho que no armazenamento a OAS não fazia os pagamentos pela “conta propina”, já que o delator disse que uma coisa era uma coisa e outra coisa era outra coisa.

3) No triplex o centro da questão é a propriedade oculta do imóvel, pois o crime só existiria se o apartamento que está em nome da OAS pertencesse de fato ao ex-presidente; enquanto no armazenamento essa questão de propriedade oculta não ocorre, inexistindo, então, um dos critérios implícitos de suporte para o livre convencimento.

4) O que prova que o apartamento é ocultamente de Lula são os “fatos” de que: a) houve um ato de corrupção praticado por Lula em um contrato com a Petrobras; b) para pagar a propina pela corrupçao praticada por Lula a OAS lhe deu o valor da diferença de preços entre dois apartamentos e as benfeitorias; c) isso prova que Lula é o dono do apartamento e, assim, praticou algum ato de corrupção, que deve ter havido. Mas essa não foi a ordem dos fatos que seguiu o fio da meada – fizeram-se os caminhos inverso e reverso para concluir que o que previamente se supõe se confirma.

5) O que prova que não houve corrupção no armazenamento é que a) os bens são mesmo de Lula, isso não está oculto; b) a OAS diz que pagou o armazenamento como doação e não propina; isso prova que, sendo Lula o dono dos bens armazenados, tendo o delator dito que pagou o armazenamento como doação, não como propina, não há como o juízo justificar o convencimento de que esse pagamento foi feito pelo mesmo ato de corrupção que Lula praticou em contratos da Petrobras, pois entende o juízo que não se tratou de vantagem pessoal a Lula, ainda que a doação tenha sido feita de modo impróprio, sem o respaldo em documentos e contratos legais…

Enfim, constata-se que situações intrinsecamente semelhantes são tidas como radicalmente diferentes, pois, se não o fossem, não poderiam justificar a condenação, uma, e a absolvição, outra.

O juiz pôde condenar em uma porque nela há a oculta mas inequívoca propriedade de um imóvel, propriedade que forçosamente determina que teria de ter havido um ato de corrupção a justificar os benefícios concedidos pela OAS. E o juiz pôde absolver em outra porque lhe faltaram dois elementos essenciais ao livre convencimento da culpa: a delação de que houve propina e a propriedade oculta de alguma coisa – muito embora o favorecimento a Lula estivesse presente em ambas as situações.

O próximo capítulo: Vem aí o julgamento do ex-presidente no caso do sítio de Atibaia. Todos sabem que Lula morou no sítio e uma das tentativas de provar que o sítio é dele, embora a escritura esteja em nome de outros, é mostrando, através de imagens de objetos pessoais encontrados no sítio e de outras provas, que Lula tinha, mais que a posse, o domínio do imóvel.

O ponto central da questão, para o livre convencimento do juízo, deverá ser, mais uma vez, o da propriedade oculta: Lula tem de ser o dono do sítio. Se não for, poderá faltar o critério apto a condenar por corrupção passiva. É que se Lula não é o dono, o favorecimento, ainda que aproveitando ao ocupante do imóvel, integrará o patrimônio de outrem. E aí fica difícil transformar “presente”, como a Odebrecht teria dito que era a sua parte na reforma, em corrupção. Como sabemos, o juiz tem de ater-se à denúncia, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, e ninguém há de querer frustrar o protocolo de assepsia.

Embora haverá muito ainda a dizer, perguntaremos: – Tudo é propina e corrupção, mesmo, ou essa é a tese a ser alcançada para favorecer à caçada e aos delatores? Está todo o mundo envolvido com contratos da Petrobras? Além da Odebrecht, que carimbou as obras como um “presente”, e além da OAS, também o Grupo Bertin (Rema Participaçoes Lda.), a Schain e o próprio Bumlai, este que teria entrado com cento e cinqüenta mil reais (ele, que já favoreceu a Lula em outras oportunidades, desde quando Lila era apenas um candidato), estão relacionados com contratos com a Petrobras?

E a OI, também colocou uma antena próximo ao sítio como pagamento de propina ao Lula por atos de corrupção?! Mais uma propina relacionada a contratos da Petrobras?!

Oras! Haja critérios!


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