10 setembro 2017 FULEIRAGEM

LUCIO – CHARGE ONLINE

O DILÚVIO DE CINCOENTA E QUATRO

Eram umas quatro horas da tarde, quando eu, com seis anos de idade, saí da nossa casa na Fazenda Mugiqui, no Cariri paraibano, com o meu irmão Boanerges, para um lugar chamado Lagoa, dentro da nossa propriedade, em busca de uma cabra parida que estava escondendo o cabrito.

Eu tinha seis anos e ele treze.

Depois de procurar sem sucesso pela cabra, meu irmão resolveu voltar pra casa, quando, de um momento pra outro, o céu começou a escurecer e um barulho feito o de um avião se fez presente entre o céu e a terra.

Lembro que, ainda confuso, fui jogado no pescoço do meu irmão que, a essa altura, já partia rumo à nossa moradia em velocidade fenomenal.

Recordo que, morrendo de medo, olhava pra baixo e não via os seus pés tocarem o chão.

Àquela altura do ano, já tínhamos boas chuvas e o marmeleiro fazia uma cortina nas margens das veredas daquele lugar, o que o tornava mais sombrio e pavoroso pra mim.

Depois de longa corrida sem nada me dizer, já olhando o alpendre da nossa casa, com os primeiros pingos descendo violentamente sobre as nossas costas e cabeças, é que vim me dar conta da tempestade que apenas começava a cair.

Entramos em casa, eu ainda tremendo – já havia todo um ambiente preparado para aquele evento: os tonéis e latas nas biqueiras e as imagens de santos e espelhos cobertos com panos nas paredes. Eram os cuidados da minha mãe e das minhas irmãs contra possíveis raios.

Era o que rezava a lenda dali.

A luz dos relâmpagos penetrava pelas frestas do telhado, portas e janelas clareando todos os cômodos da casa quase ininterruptamente e trovões monumentais sacodiam o chão com uma fúria jamais vista por nós pequenos.

Era como se estivéssemos num pequeno barco, enfrentando ondas gigantes dentro da noite escura.

Voltei a ver essa cena, lá na frente, quando vi os meus primeiros filmes no cinema.

Vez por outra, meu pai abria uma brecha da janela que dava pra o nascente e nós, os pequenos, dividíamos o espaço com o seu corpo imenso, na tentativa de ver alguma coisa lá fora, dentro da escuridão da noite.

O clarear dos relâmpagos nos vinha mostrar um imenso tapete branco de espuma que tomava a grande várzea em toda a sua extensão de comprimento e largura, a partir daquela imagem dava para avaliar o quanto era grande aquela chuva.

Sei que, lá pra nove e pouco, os pingos foram se tornando escassos até virarem uma sinfonia descompassada a bater nas latas e tonéis que, cheios, já nos vinham garantir água doce para o nosso consumo.

Recolhidos nas nossas camas, quem disse que o sono vinha?

Era a expectativa dos primeiros raios de sol – com o dia claro, poderíamos melhor contemplar aquele magnífico espetáculo da natureza que era a chuva, o inverno.

Dia clareando, sol ainda entre nuvens, já estávamos em pé na cozinha, em torno do fogão à lenha, em busca das primeiras notícias daquela chuva gigantesca.

Pedro Grande, um negro magro, comprido, de pescoço curto, cabeça pequena e olhos brancos e enormes parecendo ser maiores que o seu rosto, foi o nosso primeiro repórter, passando pra Carminha, minha irmã mais velha, tudo o que tinha visto desde a sua morada, num sítio chamado Pereiros, até a nossa, o Mugiqui, cerca de quase uma légua de distância.

“Foi um diluve, cumade, foi um diluve”, era o que repetia Pedro Grande, soprando um pires de café quente, que apoiava na ponta dos cinco dedos dobrados da mão.

Era um costume dos mais velhos daquela época.

Essa imagem de Pedro Grande ficou na nossa lembrança por muito tempo e vez por outra brincávamos, colocando dois pires brancos sobre os olhos, pra imitar os olhos enormes dele.

“Foi um diluve, foi um diluve.”

E foi mesmo. Logo depois, papai e alguns moradores que chegavam foram traçando um mapa do acontecido.

Foi de meu irmão Pedrinho, imediatamente mais velho, que veio o primeiro sobressalto:

– Cadê os cabritos?

Eram uns três cabritinhos “enjeitados” que criávamos em casa e que, coincidentemente, tinham dormido no baixio por onde teria passado toda aquela água.

Não houve tempo para algum de nós recolhê-los para a segurança do nosso quintal, onde costumavam dormir todas as noites quando voltavam do pasto.

Como já estavam incorporados ao nosso cotidiano, cada era chamado por um nome.

O meu, de estimação, era “Pichete”, de pelagem castanha e ondulada; batizei-o assim por causa do seu pelo crespo, igual ao cabelo dos sararás que andavam ali naquela ribeira.

Partimos eu e Pedrinho na carreira, pra detrás do baldo do nosso açude, onde eles costumavam pastar.

Logo que cruzamos a cerca divisória, já começamos a contemplar o que não queríamos: os dois mais velhos, ainda vivos, estirados na margem da cachoeira provocada pela sangria do açude, sem nenhuma possibilidade de salvação.

Com o coração em pedaços, temendo pelo pior, corri sem rumo, olhando em todas as direções, atrás do meu Pichete.

Não corri muito e lá estava o que restara de sua pequena carcaça: quarto com parte das costelas presa no arame farpado que atravessava a grota da sangria do açude; mais adiante, pude ver a sua cabeça presa ao que restou do seu pescoço, também pendurada no arame farpado da cerca.

Seus olhos ainda brilhavam em contraste com o sol, fitando aquele céu azul que o cobria.

Chorei, chorei muito até ser carinhosamente consolado pela minha mãe, que era um oceano de ternura.

As outras notícias foram chegando ao longo da manhã, o açude de tio Luiz, que era nosso vizinho, havia arrombado e levado com ele todo um enorme plantio de bananeiras que ele levara anos para cultivar.

Entre outras notícias mais ou menos ruins que chegavam, duas foram muito alvissareiras: havia nascido em meio àquela torrente, no Mugiqui, uma linda poltrinha alazã, filha de uma égua do meu irmão Boanerges; na Fazenda Matarina, também nossa vizinha, nascera Tânia, a segunda filha de uma prole de oito que viriam depois, da minha irmã Priscila e do meu cunhado Eugênio. Mas logo viriam os banhos de açude, pescaria de balaio, ramada e landuá.

Era o inverno que chegava e nos fazia esquecer todas as tristezas e desventuras.

10 setembro 2017 FULEIRAGEM

PATER – A TRIBUNA (ES)

10 setembro 2017 JOSIAS DE SOUZA

O QUE INQUIETA O PT É O QUE PALOCCI AINDA DIRÁ

10 setembro 2017 FULEIRAGEM

MARIANO – CHARGE ONLINE

10 setembro 2017 NEWTON SILVA - AÍ DENTO!


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ATRAVÉS DA JANELA

Como fazia todos os sábados, lá pelas onze horas, onze e meia, o velho advogado chegava ao bar e sentava numa mesa – quase cativa – bem em frente à janela, de onde se podia ver, com folga, a praça da Matriz. O dono do bar, seu Alfredo, gostava dele. Servia-o sempre o mesmo: uma garrafa de zinebra do Conde, “Gato Preto” e uma porção de queijo com azeitonas. Como aquele horário tinha pouco movimento, ele e seu Alfredo conversavam sobre quase tudo: mulheres, futebol e política, principalmente.

À medida que o bar ia enchendo, a mesa do velho advogado ficava repleta de gente, amigos e conhecidos que lhe vinham cumprimentar e ali, muitas vezes, entabulavam conversas e debates político-filosóficos que varavam toda a tarde.

Ele saía lá pelas quatro horas da tarde, curvado para um lado, como se portasse o peso de uma imensurável dor.

Naquele sábado, porém, ele chegou bem mais cedo do que o costume, às nove horas. O seu Alfredo estranhou o horário, mas não fez caso. Foi ao balcão buscar a zinebra e o tira-gosto e quando chegou à mesa, não o viu mais ali. Pensou que ele provavelmente saíra e voltaria na hora costumeira. Também não fez caso disso.

No entanto, o velho advogado, continuou sentado na mesma mesa e estranhou o seu Alfredo voltando para o balcão com a bandeja. Chamou-o, mas o homem não lhe deu ouvidos. Ele consultou o relógio e viu que ainda era bem cedo e achou melhor mesmo pedir na hora costumeira, lá pelas onze. Pôs-se então, sossegadamente, a olhar pela janela que dava para a praça da Matriz.

O céu estava de um azul fúlgido, sem nuvens, tão belo como jamais havia visto. Admirou-se também tanto das pessoas sentadas nos bancos da praça, da revoada dos pombos e da correria das crianças que brincavam ali, como nunca antes havia se admirado.

Começou a perceber coisas – com lágrimas nos olhos – que nunca antes havia percebido, como o humilde pipoqueiro nos seus afazeres, de uma tamanha simplicidade. O varredor da praça, com seu macacão laranja, na incansável batalha contra as folhas secas que se recusavam a serem ajuntadas e rodopiavam num redemoinho, como se brincassem com o paciente varredor, que não lhes dava atenção. O mendigo, maltrapilho, sentado em um banco, a mão estendida, invisível, impassível, de um invejável ascetismo, o comoveu profundamente.

Nunca tinha visto as cores da tarde, nem o verde vívido das árvores que balançavam com o vento, sequer o gritante e belo amarelo dos ipês-amarelos!

Abriu a janela para ver mais, para sentir o vento e o perfume das flores. Estava extasiado com tanta beleza e estupefato por não ter notado antes. Achou que estava ficando já meio bêbado, mas lembrou-se de que ainda não havia bebido nada.

Voltou sua atenção para dentro do bar, que já estava cheio. Chamou o seu Alfredo, acenou, mas não obteve resposta. Foi até o balcão e ao chegar próximo, simplesmente empalideceu ao ouvir o que diziam:

– O advogado matou-se hoje, de madrugada, no escritório dele, seu Alfredo! Acabei de vir de lá. O homem tá lá, morto, com uma bala na cabeça.

– Mas não é possível! – Disse o dono bar, incrédulo – Vi ele hoje de manhã aqui no bar! Ele tava sentado ali, na mesma mesa de sempre!

Todos olharam para a mesa. A janela que estava aberta, deixou entrar um vento morno que arrancando as tolhas das mesas, arrebentou os copos no chão – em tão súbito alvoroço – saindo da mesma forma como entrou, deixando para trás um zumbido, semelhante a um lamento de dor.

10 setembro 2017 FULEIRAGEM

CLAYTON – O POVO (CE)

10 setembro 2017 DEU NO JORNAL

UMA FRASE PRA FAZER A GENTE SE RIR-SE NO DOMINGO

“Palocci maculou a imagem do fundador do PT e o partido deveria promover o quanto antes a sua expulsão sumária.”

Frei Betto, um parasita que é adepto incondicional da “democracia” cubana e incansável cagador de tolôtes escritos e orais pro-Lula e pró-PT

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Dedico a Frei Betto, um zisquerdista cuja veia humorística, disfarçada de seriedade, eu muito admiro, um forró nordestino da autoria de Sandro Becker, que fala em rum, a bebida cubana.

Um forró cujo refrão é um trocadilho que traduz o que tenho vontade de dizer a este pio religioso, que fez os votos de pobreza, obediência, castidade e falação de merda.

O refrão da música é  “Vai tomando rum“.

Frei Betto e Fidel: uma múmia viva e outra múmia já enterrada

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10 setembro 2017 FULEIRAGEM

NANI – CHARGE ONLINE

GARANHUNS – CIDADE DAS COLINAS PERDIDAS

Dizem que são sete colinas, mas falemos apenas das três mais conhecidas. As outras devem estar mais perdidas ainda.

Monte Sinai

A construção do Colégio 15 de Novembro, em 1925, fez com que os moradores da rua do Alecrim fossem transferidos para a planície localizada pouco adiante. O então prefeito Euclides Dourado percorreu, junto com seu assistente Leonilo Ferreira do Nascimento, a antiga estrada que ligava a cidade ao povoado de Frexeiras. Ao passarem ao lado de um vistoso monte, o prefeito logo batizou o local com o nome “Monte Sinai”. Subiram o monte e passaram a apreciar a planície que se estendia até a cidade. Verificaram, também, que o monte ficava em perfeito alinhamento com a Rua do Recife, atual Rua Dr. José Mariano. O prefeito comentou:

– Nesta planície é que deveria ter sido iniciado o povoamento da cidade.

Seu assistente sugeriu perguntando:

– E porque o senhor não funda outra cidade nela?

O prefeito passou o dia e a noite pensando naquela planície e no monte de onde se descortinava bela vista panorâmica. Em sua mente vinha a imagem do local cortado por ruas e avenidas e, dentre elas, a principal fazendo a ligação com a rua do Recife. No dia seguinte, convidou seu amigo, o engenheiro Ruben van der Linden, para um passeio pelo local e expôs seu plano de ocupação daquela enorme àrea. Dias depois o novo bairro estava demarcado com algumas ruas e uma avenida principal fazendo a ligação com a cidade. Com esta avenida, que viria a se chamar Rui Barbosa, já aberta, foi possível chegar de carro até o topo do Monte Sinai.

Numa das visitas que fazia ao Monte para verificar o andamento das obras, o prefeito levou seu fllho José Maria Dourado. Enquanto apreciavam o panorama, perguntou-lhe:

– Que nome poderíamos dar a este local?

O filho, pego de surpresa, não vacilou: Heliópolis. O velho ficou resmungando o nome e o filho passou a explicar:

– Sim, Heliópolis, não vê o senhor como o sol ilumina toda a planície?

E assim ficou oficialmente batizado o bairro, chamado de “Arraial” durante muito tempo, e que se tornou o mais importante da cidade.

Na década de 1960 foi instalado no topo do Monte Sinai um Hotel de luxo, tendo em vista o aproveitamento turístico que o local propiciava. Mas o empreendimento não progrediu e o prédio hoje é ocupado por um destacamento da Polícia Militar. Toda a área em torno do Monte Sinai encontra-se ocupada por novos bairros e, assim, aquela colina ficou perdida como ponto turístico.

Mirante da Independência

No ano do centenário da Independência do Brasil, em 1922, Dom João Tavares de Moura, o primeiro bispo da Diocese de Garanhuns, criou a freguesia de São Sebastião da Boa Vista, com a inauguração da respectiva igreja. Como era setembro, o então prefeito Coronel José de Almeida Filho decidiu aproveitar a data para lançar no topo do monte, um pouco acima da igreja, a pedra fundamental de um majestoso monumento ao centenário da Independência da Pátria. Novamente, o engenheiro Ruben van der Linden foi chamado para desempenhar o papel de arquiteto e projetar o monumento e o traçado dos arredores. No ano seguinte, nas festividades do dia da Independência, o monumento foi inaugurado com toda a pompa e circunstância que a data requer.

O bairro da Boa Vista, devido a proximidade do centro da cidade, logo prosperou e em pouco tempo o local já estava habitado inclusive pelo comércio. Na década de 1960, o local se constituía em ponto de visitação para apreciar boa parte da cidade. Mas, pouquíssimas pessoas conhecem o local como uma referência ao centenário da Independência. Hoje, se alguém perguntar pelo Mirante da Independência, ninguém vai saber onde fica. Eu dei esse nome na época em que costumava subir até ali para apreciar a vista panorâmica da cidade. O local é mais conhecido como “pirulito da Boa Vista” e, se existe um nome oficial, está completamente esquecido pela população. Do ponto de vista turístico, também é completamente ignorado pelos visitantes, pois não há referência alguma sobre o local, não obstante se constituir numa área bem planejada e agradável ao lazer. O monumento encontra-se hoje no centro de uma grande zona residencial e comercial, e tem sido visitado por algumas poucas pessoas curiosas em saber o que significa aquele monumento. É a segunda colina perdida.

Dentro em breve, em setembro de 2022, o monumento completa seu primeiro centenário. Garanhuns talvez seja a única cidade do País a comemorar o centenário da Independência nestes moldes. Desse modo, daqui a pouco, teremos o centenário do Monumento e o bicentenário da Independência. Uma oportunidade excepcional para a revitalização e reinauguração do local aproveitando as festividades que a data enseja. Garanhuns destaca-se hoje como uma cidade turística, mas não vem fazendo uso de suas colinas, mesmo aquelas já demarcadas e que hoje encontram-se praticamente perdidas como locais de atração turística.

Alto do Magano

Este foi o único local construído como ponto de atração turística, devido ao local onde se encontra. A 260 metros de altura sobre o centro da cidade e 1030 sobre o nível do mar, o prefeito Celso Galvão construiu um monumento encimado com a imagem do Cristo Crucificado, esculpida pelo artista Renato Pantaleão, inaugurado em dezembro de 1954. Na década de 1960 era a colina mais conhecida de Garanhuns e também a menos visitada, devido a distância. De lá é possível uma visão de longo alcance e 360 graus sobre a cidade. Há pouco tempo, estive por lá e encontrei o local renovado e aprazível, com alguns visitantes, mas sem infra-estrutura alguma disponível aos turistas. Não existe sequer uma condução que leve o turista até o local. Em 2022, na comemoração do bicentenário da independência, caso a prefeitura encampe a ideia de restaurar o Mirante da Boa Vista, seria oportuno dar alguma visibilidade, também, ao Alto do Magano ou “Cristo Redentor”, como é mais conhecido na cidade.

10 setembro 2017 FULEIRAGEM

AMARILDO – A GAZETA (ES)

10 setembro 2017 CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

PEDRO MALTA – RIO DE JANEIRO (RJ)

Berto

Divulgue no JBF.

Os incontáveis leitores fubânicos vão se deliciar com tão excepcional beleza.

10 setembro 2017 FULEIRAGEM

DUKE – O TEMPO (MG)

10 setembro 2017 COMENTÁRIOS SELECIONADOS

UM FILME NOS AUTOS

Comentário sobre a postagem MIGUEL ALBERTI – PIRACICABA-SP

Karla:

“Após 4 anos engavetando provas, somente depois de assistir a estréia do filme “A lei é para todos” Janot se convence que Lulla realmente recebia propina da Odebrecht e denuncia todo mundo em 4 dias!

Inclusive vai citar o filme nos autos.”

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10 setembro 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

10 setembro 2017 SONIA REGINA - MEMÓRIA

FRASE DE HOJE

“Não fortalecerás os fracos, por enfraqueceres os fortes. Não ajudarás os assalariados, se arruinares aquele que os paga. Não estimularás a fraternidade, se alimentares o ódio.”

Abraham Lincoln

10 setembro 2017 FULEIRAGEM

J. BOSCO – O LIBERAL (PA)

A VERDADE VOS CONDENARÁ

Há gente, sem a qual uma ladroeira desse porte seria inviável, festejando a liberdade. Estão enganados: o tesouro em dinheiro vivo encontrado no apartamento do amigo de Geddel traz o “Abre-te Sésamo” de investigações que poderão chegar a resultados espetaculares. Esqueçamos os dólares e euros: nossa moeda (e nosso tema) é o Real. Os quase 43 milhões de reais.

Imaginemos que o caro leitor tenha fundos para sacar R$ 30 mil de sua conta no banco. Não basta dirigir-se ao caixa: é preciso ligar antes, marcar hora, porque o banco não armazena grandes quantias. Sua transação será comunicada às autoridades e pode entrar nos cruzamentos de informações do seu Imposto de Renda. Aliás, essa comunicação às autoridades é feita a partir de retiradas, cheques ou remessas de R$ 5 mil em diante.

Como ensinou Deep Throat, o delator que ajudou os repórteres Carl Bernstein e Bob Woodward a decifrar o escândalo de Watergate, que derrubou o presidente americano Richard Nixon, siga o caminho do dinheiro. Como é que Geddel pôde juntar R$ 43 milhões sem explicações?

Ou os bancos não informaram as autoridades ou as autoridades fecharam os olhos. Nos dois casos, a falha é suspeita. Não se diga que os corruptores já mandaram as propinas em dinheiro vivo: grandes empresas fazem transferência bancária, pagam em cheque, emitem boletos. Esta é a hora de seguir o caminho do dinheiro. Chegarão aos bancos, ao Governo, a ambos?

Os puros

No quadro de investigações e denúncias da Lava Jato e conexos, brilham os bancos pela ausência. Devemos imaginar que nenhum banco nacional ou estrangeiro concordou em dar apoio a campanhas eleitorais, em nome, claro, da democracia? Nenhum terá oferecido um pixuleco a quem poderia ajeitar alguma situação desconfortável? Nem o BNDES, fonte inesgotável de empréstimos a juros baixíssimos, subsidiados por nós, a empresas como a J&F, de Joesley, controladora de JBS, Friboi e outras? É difícil acreditar que justo quem trabalha com dinheiro nunca tenha sido procurado.

Os impolutos

Há casos que mostram bom relacionamento entre bancos e governantes. Um ocorreu quando uma analista de investimentos fez previsões sombrias, e o próprio Lula exigiu sua demissão (lembra? “Essa moça que falou não entende porra nenhuma de Brasil e não entende nada de governo Dilma. Manter uma mulher dessas num cargo de chefia… Pode mandar embora e dar o bônus dela para mim que eu sei como é que falo”). O banco demitiu a analista imediatamente. Ninguém terá recebido o tal bônus, como agrado?

O demolidor

Não nos esqueçamos de que o ex-ministro Antônio Palocci fez um depoimento devastador por conta própria, sem delação premiada. Ele, antes de qualquer outro petista, estabeleceu contato com os bancos. Sabe o que o sistema financeiro fez no verão passado. Sua delação premiada promete.

O autogolpe

“Quando a esperteza é muita”, ensinava o sábio político mineiro Tancredo Neves, “vira bicho e come o dono”. Joesley Batista pensava ser esperto, depois que gravou uma conversa comprometedora com Michel Temer, para entregá-la à Procuradoria, em troca de pagar uma multinha, ficar livre e se mudar com a família, o dinheiro e as empresas para os EUA.

O mundo real

Não era tão esperto assim. Numa gravação que entregou à Procuradoria, havia uma conversa com assessores diretos em que diz grosserias sobre a presidente do Supremo, usa frases que lançam suspeitas sobre as relações com um procurador que o investigava (e logo se demitiu, mudando de lado, para trabalhar com seus advogados), insinua ter sob controle vários ministros do STF. Há duas versões sobre o áudio que gravou e entregou:

a) Não conhecia direito o gravador, que se liga sozinho quando há som. Ao apagar a gravação, não sabia que ela fica fora do alcance, mas um perito a recupera. Só é mesmo apagada quando algo for gravado em cima.

b) Queria vincular seus assessores à delação, para evitar traições. Em qualquer caso, agiu como amador. E a Polícia Federal é profissional.

Sonho impossível

Joesley tinha um sonho: fazer a delação premiada antes de ser preso, ficar livre, levar suas empresas para os Estados Unidos (talvez a holding J&F para a Irlanda, onde a tributação é mais civilizada), viver no Primeiro Mundo. Acontece que o acordo da delação prevê a perda dos benefícios em caso de omissões ou falsidades. Seus bens podem ficar indisponíveis. Ele e as empresas podem ser acusados de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. As ações podem ser leiloadas para cobrir multas e prejuízos. O segundo maior acionista do grupo, o BNDES, passaria a controlador). Temer não perderia a chance de se vingar. Quem tudo quis nada vai ter.

10 setembro 2017 FULEIRAGEM

BRUNO AZIZ – A TARDE (BA)

10 setembro 2017 EVENTOS

É HOJE! – PARA OS FUBÂNICOS DE JOÃO PESSOA: GRUPO MINEIRO GALPÃO NO TEATRO DE ARENA

Nos dias 10, 12 e 13 de setembro, o Grupo Galpão (MG) apresentará dois espetáculos inéditos em João Pessoa. Além de trazer as renomadas peças ‘NÓS’ e ‘DE TEMPO SOMOS’, o Galpão vem numa época bastante especial: neste ano, o grupo completa 35 anos de atividades, que levaram mais de 1.700.000 espectadores aos 23 espetáculos apresentados em 18 países.

PROGRAMAÇÃO JOÃO PESSOA

DE TEMPO SOMOS – UM SARAU DO GRUPO GALPÃO

Data: 10 de setembro (domingo)
Horário: 18h
Local: Teatro de Arena – Espaço Cultural (R. Abdias Gomes de Almeida, 800 – Tambauzinho)
Info.: (83) 3244-1360
Entrada gratuita

NÓS

Data: 12 e 13 de setembro (terça e quarta-feira)
Horário: 20h
Local: Theatro Santa Roza (Endereço: Praça Pedro Américo, S/N – Centro)
Info.: (83) 3218 4383
Ingressos: R$ 20,00 (inteira) | R$ 10,00 (meia-entrada)
Vendas na bilheteria do Espaço Cultural, de segunda a domingo, das 14 às 18h


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