10 setembro 2017 FULEIRAGEM

LUCIO – CHARGE ONLINE

O DILÚVIO DE CINCOENTA E QUATRO

Eram umas quatro horas da tarde, quando eu, com seis anos de idade, saí da nossa casa na Fazenda Mugiqui, no Cariri paraibano, com o meu irmão Boanerges, para um lugar chamado Lagoa, dentro da nossa propriedade, em busca de uma cabra parida que estava escondendo o cabrito.

Eu tinha seis anos e ele treze.

Depois de procurar sem sucesso pela cabra, meu irmão resolveu voltar pra casa, quando, de um momento pra outro, o céu começou a escurecer e um barulho feito o de um avião se fez presente entre o céu e a terra.

Lembro que, ainda confuso, fui jogado no pescoço do meu irmão que, a essa altura, já partia rumo à nossa moradia em velocidade fenomenal.

Recordo que, morrendo de medo, olhava pra baixo e não via os seus pés tocarem o chão.

Àquela altura do ano, já tínhamos boas chuvas e o marmeleiro fazia uma cortina nas margens das veredas daquele lugar, o que o tornava mais sombrio e pavoroso pra mim.

Depois de longa corrida sem nada me dizer, já olhando o alpendre da nossa casa, com os primeiros pingos descendo violentamente sobre as nossas costas e cabeças, é que vim me dar conta da tempestade que apenas começava a cair.

Entramos em casa, eu ainda tremendo – já havia todo um ambiente preparado para aquele evento: os tonéis e latas nas biqueiras e as imagens de santos e espelhos cobertos com panos nas paredes. Eram os cuidados da minha mãe e das minhas irmãs contra possíveis raios.

Era o que rezava a lenda dali.

A luz dos relâmpagos penetrava pelas frestas do telhado, portas e janelas clareando todos os cômodos da casa quase ininterruptamente e trovões monumentais sacodiam o chão com uma fúria jamais vista por nós pequenos.

Era como se estivéssemos num pequeno barco, enfrentando ondas gigantes dentro da noite escura.

Voltei a ver essa cena, lá na frente, quando vi os meus primeiros filmes no cinema.

Vez por outra, meu pai abria uma brecha da janela que dava pra o nascente e nós, os pequenos, dividíamos o espaço com o seu corpo imenso, na tentativa de ver alguma coisa lá fora, dentro da escuridão da noite.

O clarear dos relâmpagos nos vinha mostrar um imenso tapete branco de espuma que tomava a grande várzea em toda a sua extensão de comprimento e largura, a partir daquela imagem dava para avaliar o quanto era grande aquela chuva.

Sei que, lá pra nove e pouco, os pingos foram se tornando escassos até virarem uma sinfonia descompassada a bater nas latas e tonéis que, cheios, já nos vinham garantir água doce para o nosso consumo.

Recolhidos nas nossas camas, quem disse que o sono vinha?

Era a expectativa dos primeiros raios de sol – com o dia claro, poderíamos melhor contemplar aquele magnífico espetáculo da natureza que era a chuva, o inverno.

Dia clareando, sol ainda entre nuvens, já estávamos em pé na cozinha, em torno do fogão à lenha, em busca das primeiras notícias daquela chuva gigantesca.

Pedro Grande, um negro magro, comprido, de pescoço curto, cabeça pequena e olhos brancos e enormes parecendo ser maiores que o seu rosto, foi o nosso primeiro repórter, passando pra Carminha, minha irmã mais velha, tudo o que tinha visto desde a sua morada, num sítio chamado Pereiros, até a nossa, o Mugiqui, cerca de quase uma légua de distância.

“Foi um diluve, cumade, foi um diluve”, era o que repetia Pedro Grande, soprando um pires de café quente, que apoiava na ponta dos cinco dedos dobrados da mão.

Era um costume dos mais velhos daquela época.

Essa imagem de Pedro Grande ficou na nossa lembrança por muito tempo e vez por outra brincávamos, colocando dois pires brancos sobre os olhos, pra imitar os olhos enormes dele.

“Foi um diluve, foi um diluve.”

E foi mesmo. Logo depois, papai e alguns moradores que chegavam foram traçando um mapa do acontecido.

Foi de meu irmão Pedrinho, imediatamente mais velho, que veio o primeiro sobressalto:

– Cadê os cabritos?

Eram uns três cabritinhos “enjeitados” que criávamos em casa e que, coincidentemente, tinham dormido no baixio por onde teria passado toda aquela água.

Não houve tempo para algum de nós recolhê-los para a segurança do nosso quintal, onde costumavam dormir todas as noites quando voltavam do pasto.

Como já estavam incorporados ao nosso cotidiano, cada era chamado por um nome.

O meu, de estimação, era “Pichete”, de pelagem castanha e ondulada; batizei-o assim por causa do seu pelo crespo, igual ao cabelo dos sararás que andavam ali naquela ribeira.

Partimos eu e Pedrinho na carreira, pra detrás do baldo do nosso açude, onde eles costumavam pastar.

Logo que cruzamos a cerca divisória, já começamos a contemplar o que não queríamos: os dois mais velhos, ainda vivos, estirados na margem da cachoeira provocada pela sangria do açude, sem nenhuma possibilidade de salvação.

Com o coração em pedaços, temendo pelo pior, corri sem rumo, olhando em todas as direções, atrás do meu Pichete.

Não corri muito e lá estava o que restara de sua pequena carcaça: quarto com parte das costelas presa no arame farpado que atravessava a grota da sangria do açude; mais adiante, pude ver a sua cabeça presa ao que restou do seu pescoço, também pendurada no arame farpado da cerca.

Seus olhos ainda brilhavam em contraste com o sol, fitando aquele céu azul que o cobria.

Chorei, chorei muito até ser carinhosamente consolado pela minha mãe, que era um oceano de ternura.

As outras notícias foram chegando ao longo da manhã, o açude de tio Luiz, que era nosso vizinho, havia arrombado e levado com ele todo um enorme plantio de bananeiras que ele levara anos para cultivar.

Entre outras notícias mais ou menos ruins que chegavam, duas foram muito alvissareiras: havia nascido em meio àquela torrente, no Mugiqui, uma linda poltrinha alazã, filha de uma égua do meu irmão Boanerges; na Fazenda Matarina, também nossa vizinha, nascera Tânia, a segunda filha de uma prole de oito que viriam depois, da minha irmã Priscila e do meu cunhado Eugênio. Mas logo viriam os banhos de açude, pescaria de balaio, ramada e landuá.

Era o inverno que chegava e nos fazia esquecer todas as tristezas e desventuras.

10 setembro 2017 FULEIRAGEM

PATER – A TRIBUNA (ES)

10 setembro 2017 JOSIAS DE SOUZA

O QUE INQUIETA O PT É O QUE PALOCCI AINDA DIRÁ

10 setembro 2017 FULEIRAGEM

MARIANO – CHARGE ONLINE

10 setembro 2017 NEWTON SILVA - AÍ DENTO!


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ATRAVÉS DA JANELA

Como fazia todos os sábados, lá pelas onze horas, onze e meia, o velho advogado chegava ao bar e sentava numa mesa – quase cativa – bem em frente à janela, de onde se podia ver, com folga, a praça da Matriz. O dono do bar, seu Alfredo, gostava dele. Servia-o sempre o mesmo: uma garrafa de zinebra do Conde, “Gato Preto” e uma porção de queijo com azeitonas. Como aquele horário tinha pouco movimento, ele e seu Alfredo conversavam sobre quase tudo: mulheres, futebol e política, principalmente.

À medida que o bar ia enchendo, a mesa do velho advogado ficava repleta de gente, amigos e conhecidos que lhe vinham cumprimentar e ali, muitas vezes, entabulavam conversas e debates político-filosóficos que varavam toda a tarde.

Ele saía lá pelas quatro horas da tarde, curvado para um lado, como se portasse o peso de uma imensurável dor.

Naquele sábado, porém, ele chegou bem mais cedo do que o costume, às nove horas. O seu Alfredo estranhou o horário, mas não fez caso. Foi ao balcão buscar a zinebra e o tira-gosto e quando chegou à mesa, não o viu mais ali. Pensou que ele provavelmente saíra e voltaria na hora costumeira. Também não fez caso disso.

No entanto, o velho advogado, continuou sentado na mesma mesa e estranhou o seu Alfredo voltando para o balcão com a bandeja. Chamou-o, mas o homem não lhe deu ouvidos. Ele consultou o relógio e viu que ainda era bem cedo e achou melhor mesmo pedir na hora costumeira, lá pelas onze. Pôs-se então, sossegadamente, a olhar pela janela que dava para a praça da Matriz.

O céu estava de um azul fúlgido, sem nuvens, tão belo como jamais havia visto. Admirou-se também tanto das pessoas sentadas nos bancos da praça, da revoada dos pombos e da correria das crianças que brincavam ali, como nunca antes havia se admirado.

Começou a perceber coisas – com lágrimas nos olhos – que nunca antes havia percebido, como o humilde pipoqueiro nos seus afazeres, de uma tamanha simplicidade. O varredor da praça, com seu macacão laranja, na incansável batalha contra as folhas secas que se recusavam a serem ajuntadas e rodopiavam num redemoinho, como se brincassem com o paciente varredor, que não lhes dava atenção. O mendigo, maltrapilho, sentado em um banco, a mão estendida, invisível, impassível, de um invejável ascetismo, o comoveu profundamente.

Nunca tinha visto as cores da tarde, nem o verde vívido das árvores que balançavam com o vento, sequer o gritante e belo amarelo dos ipês-amarelos!

Abriu a janela para ver mais, para sentir o vento e o perfume das flores. Estava extasiado com tanta beleza e estupefato por não ter notado antes. Achou que estava ficando já meio bêbado, mas lembrou-se de que ainda não havia bebido nada.

Voltou sua atenção para dentro do bar, que já estava cheio. Chamou o seu Alfredo, acenou, mas não obteve resposta. Foi até o balcão e ao chegar próximo, simplesmente empalideceu ao ouvir o que diziam:

– O advogado matou-se hoje, de madrugada, no escritório dele, seu Alfredo! Acabei de vir de lá. O homem tá lá, morto, com uma bala na cabeça.

– Mas não é possível! – Disse o dono bar, incrédulo – Vi ele hoje de manhã aqui no bar! Ele tava sentado ali, na mesma mesa de sempre!

Todos olharam para a mesa. A janela que estava aberta, deixou entrar um vento morno que arrancando as tolhas das mesas, arrebentou os copos no chão – em tão súbito alvoroço – saindo da mesma forma como entrou, deixando para trás um zumbido, semelhante a um lamento de dor.

10 setembro 2017 FULEIRAGEM

CLAYTON – O POVO (CE)

10 setembro 2017 DEU NO JORNAL

UMA FRASE PRA FAZER A GENTE SE RIR-SE NO DOMINGO

“Palocci maculou a imagem do fundador do PT e o partido deveria promover o quanto antes a sua expulsão sumária.”

Frei Betto, um parasita que é adepto incondicional da “democracia” cubana e incansável cagador de tolôtes escritos e orais pro-Lula e pró-PT

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Dedico a Frei Betto, um zisquerdista cuja veia humorística, disfarçada de seriedade, eu muito admiro, um forró nordestino da autoria de Sandro Becker, que fala em rum, a bebida cubana.

Um forró cujo refrão é um trocadilho que traduz o que tenho vontade de dizer a este pio religioso, que fez os votos de pobreza, obediência, castidade e falação de merda.

O refrão da música é  “Vai tomando rum“.

Frei Betto e Fidel: uma múmia viva e outra múmia já enterrada

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10 setembro 2017 FULEIRAGEM

NANI – CHARGE ONLINE

GARANHUNS – CIDADE DAS COLINAS PERDIDAS

Dizem que são sete colinas, mas falemos apenas das três mais conhecidas. As outras devem estar mais perdidas ainda.

Monte Sinai

A construção do Colégio 15 de Novembro, em 1925, fez com que os moradores da rua do Alecrim fossem transferidos para a planície localizada pouco adiante. O então prefeito Euclides Dourado percorreu, junto com seu assistente Leonilo Ferreira do Nascimento, a antiga estrada que ligava a cidade ao povoado de Frexeiras. Ao passarem ao lado de um vistoso monte, o prefeito logo batizou o local com o nome “Monte Sinai”. Subiram o monte e passaram a apreciar a planície que se estendia até a cidade. Verificaram, também, que o monte ficava em perfeito alinhamento com a Rua do Recife, atual Rua Dr. José Mariano. O prefeito comentou:

– Nesta planície é que deveria ter sido iniciado o povoamento da cidade.

Seu assistente sugeriu perguntando:

– E porque o senhor não funda outra cidade nela?

O prefeito passou o dia e a noite pensando naquela planície e no monte de onde se descortinava bela vista panorâmica. Em sua mente vinha a imagem do local cortado por ruas e avenidas e, dentre elas, a principal fazendo a ligação com a rua do Recife. No dia seguinte, convidou seu amigo, o engenheiro Ruben van der Linden, para um passeio pelo local e expôs seu plano de ocupação daquela enorme àrea. Dias depois o novo bairro estava demarcado com algumas ruas e uma avenida principal fazendo a ligação com a cidade. Com esta avenida, que viria a se chamar Rui Barbosa, já aberta, foi possível chegar de carro até o topo do Monte Sinai.

Numa das visitas que fazia ao Monte para verificar o andamento das obras, o prefeito levou seu fllho José Maria Dourado. Enquanto apreciavam o panorama, perguntou-lhe:

– Que nome poderíamos dar a este local?

O filho, pego de surpresa, não vacilou: Heliópolis. O velho ficou resmungando o nome e o filho passou a explicar:

– Sim, Heliópolis, não vê o senhor como o sol ilumina toda a planície?

E assim ficou oficialmente batizado o bairro, chamado de “Arraial” durante muito tempo, e que se tornou o mais importante da cidade.

Na década de 1960 foi instalado no topo do Monte Sinai um Hotel de luxo, tendo em vista o aproveitamento turístico que o local propiciava. Mas o empreendimento não progrediu e o prédio hoje é ocupado por um destacamento da Polícia Militar. Toda a área em torno do Monte Sinai encontra-se ocupada por novos bairros e, assim, aquela colina ficou perdida como ponto turístico.

Mirante da Independência

No ano do centenário da Independência do Brasil, em 1922, Dom João Tavares de Moura, o primeiro bispo da Diocese de Garanhuns, criou a freguesia de São Sebastião da Boa Vista, com a inauguração da respectiva igreja. Como era setembro, o então prefeito Coronel José de Almeida Filho decidiu aproveitar a data para lançar no topo do monte, um pouco acima da igreja, a pedra fundamental de um majestoso monumento ao centenário da Independência da Pátria. Novamente, o engenheiro Ruben van der Linden foi chamado para desempenhar o papel de arquiteto e projetar o monumento e o traçado dos arredores. No ano seguinte, nas festividades do dia da Independência, o monumento foi inaugurado com toda a pompa e circunstância que a data requer.

O bairro da Boa Vista, devido a proximidade do centro da cidade, logo prosperou e em pouco tempo o local já estava habitado inclusive pelo comércio. Na década de 1960, o local se constituía em ponto de visitação para apreciar boa parte da cidade. Mas, pouquíssimas pessoas conhecem o local como uma referência ao centenário da Independência. Hoje, se alguém perguntar pelo Mirante da Independência, ninguém vai saber onde fica. Eu dei esse nome na época em que costumava subir até ali para apreciar a vista panorâmica da cidade. O local é mais conhecido como “pirulito da Boa Vista” e, se existe um nome oficial, está completamente esquecido pela população. Do ponto de vista turístico, também é completamente ignorado pelos visitantes, pois não há referência alguma sobre o local, não obstante se constituir numa área bem planejada e agradável ao lazer. O monumento encontra-se hoje no centro de uma grande zona residencial e comercial, e tem sido visitado por algumas poucas pessoas curiosas em saber o que significa aquele monumento. É a segunda colina perdida.

Dentro em breve, em setembro de 2022, o monumento completa seu primeiro centenário. Garanhuns talvez seja a única cidade do País a comemorar o centenário da Independência nestes moldes. Desse modo, daqui a pouco, teremos o centenário do Monumento e o bicentenário da Independência. Uma oportunidade excepcional para a revitalização e reinauguração do local aproveitando as festividades que a data enseja. Garanhuns destaca-se hoje como uma cidade turística, mas não vem fazendo uso de suas colinas, mesmo aquelas já demarcadas e que hoje encontram-se praticamente perdidas como locais de atração turística.

Alto do Magano

Este foi o único local construído como ponto de atração turística, devido ao local onde se encontra. A 260 metros de altura sobre o centro da cidade e 1030 sobre o nível do mar, o prefeito Celso Galvão construiu um monumento encimado com a imagem do Cristo Crucificado, esculpida pelo artista Renato Pantaleão, inaugurado em dezembro de 1954. Na década de 1960 era a colina mais conhecida de Garanhuns e também a menos visitada, devido a distância. De lá é possível uma visão de longo alcance e 360 graus sobre a cidade. Há pouco tempo, estive por lá e encontrei o local renovado e aprazível, com alguns visitantes, mas sem infra-estrutura alguma disponível aos turistas. Não existe sequer uma condução que leve o turista até o local. Em 2022, na comemoração do bicentenário da independência, caso a prefeitura encampe a ideia de restaurar o Mirante da Boa Vista, seria oportuno dar alguma visibilidade, também, ao Alto do Magano ou “Cristo Redentor”, como é mais conhecido na cidade.

10 setembro 2017 FULEIRAGEM

AMARILDO – A GAZETA (ES)

10 setembro 2017 CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

PEDRO MALTA – RIO DE JANEIRO (RJ)

Berto

Divulgue no JBF.

Os incontáveis leitores fubânicos vão se deliciar com tão excepcional beleza.

10 setembro 2017 FULEIRAGEM

DUKE – O TEMPO (MG)

10 setembro 2017 COMENTÁRIOS SELECIONADOS

UM FILME NOS AUTOS

Comentário sobre a postagem MIGUEL ALBERTI – PIRACICABA-SP

Karla:

“Após 4 anos engavetando provas, somente depois de assistir a estréia do filme “A lei é para todos” Janot se convence que Lulla realmente recebia propina da Odebrecht e denuncia todo mundo em 4 dias!

Inclusive vai citar o filme nos autos.”

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10 setembro 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

10 setembro 2017 SONIA REGINA - MEMÓRIA

FRASE DE HOJE

“Não fortalecerás os fracos, por enfraqueceres os fortes. Não ajudarás os assalariados, se arruinares aquele que os paga. Não estimularás a fraternidade, se alimentares o ódio.”

Abraham Lincoln

10 setembro 2017 FULEIRAGEM

J. BOSCO – O LIBERAL (PA)

A VERDADE VOS CONDENARÁ

Há gente, sem a qual uma ladroeira desse porte seria inviável, festejando a liberdade. Estão enganados: o tesouro em dinheiro vivo encontrado no apartamento do amigo de Geddel traz o “Abre-te Sésamo” de investigações que poderão chegar a resultados espetaculares. Esqueçamos os dólares e euros: nossa moeda (e nosso tema) é o Real. Os quase 43 milhões de reais.

Imaginemos que o caro leitor tenha fundos para sacar R$ 30 mil de sua conta no banco. Não basta dirigir-se ao caixa: é preciso ligar antes, marcar hora, porque o banco não armazena grandes quantias. Sua transação será comunicada às autoridades e pode entrar nos cruzamentos de informações do seu Imposto de Renda. Aliás, essa comunicação às autoridades é feita a partir de retiradas, cheques ou remessas de R$ 5 mil em diante.

Como ensinou Deep Throat, o delator que ajudou os repórteres Carl Bernstein e Bob Woodward a decifrar o escândalo de Watergate, que derrubou o presidente americano Richard Nixon, siga o caminho do dinheiro. Como é que Geddel pôde juntar R$ 43 milhões sem explicações?

Ou os bancos não informaram as autoridades ou as autoridades fecharam os olhos. Nos dois casos, a falha é suspeita. Não se diga que os corruptores já mandaram as propinas em dinheiro vivo: grandes empresas fazem transferência bancária, pagam em cheque, emitem boletos. Esta é a hora de seguir o caminho do dinheiro. Chegarão aos bancos, ao Governo, a ambos?

Os puros

No quadro de investigações e denúncias da Lava Jato e conexos, brilham os bancos pela ausência. Devemos imaginar que nenhum banco nacional ou estrangeiro concordou em dar apoio a campanhas eleitorais, em nome, claro, da democracia? Nenhum terá oferecido um pixuleco a quem poderia ajeitar alguma situação desconfortável? Nem o BNDES, fonte inesgotável de empréstimos a juros baixíssimos, subsidiados por nós, a empresas como a J&F, de Joesley, controladora de JBS, Friboi e outras? É difícil acreditar que justo quem trabalha com dinheiro nunca tenha sido procurado.

Os impolutos

Há casos que mostram bom relacionamento entre bancos e governantes. Um ocorreu quando uma analista de investimentos fez previsões sombrias, e o próprio Lula exigiu sua demissão (lembra? “Essa moça que falou não entende porra nenhuma de Brasil e não entende nada de governo Dilma. Manter uma mulher dessas num cargo de chefia… Pode mandar embora e dar o bônus dela para mim que eu sei como é que falo”). O banco demitiu a analista imediatamente. Ninguém terá recebido o tal bônus, como agrado?

O demolidor

Não nos esqueçamos de que o ex-ministro Antônio Palocci fez um depoimento devastador por conta própria, sem delação premiada. Ele, antes de qualquer outro petista, estabeleceu contato com os bancos. Sabe o que o sistema financeiro fez no verão passado. Sua delação premiada promete.

O autogolpe

“Quando a esperteza é muita”, ensinava o sábio político mineiro Tancredo Neves, “vira bicho e come o dono”. Joesley Batista pensava ser esperto, depois que gravou uma conversa comprometedora com Michel Temer, para entregá-la à Procuradoria, em troca de pagar uma multinha, ficar livre e se mudar com a família, o dinheiro e as empresas para os EUA.

O mundo real

Não era tão esperto assim. Numa gravação que entregou à Procuradoria, havia uma conversa com assessores diretos em que diz grosserias sobre a presidente do Supremo, usa frases que lançam suspeitas sobre as relações com um procurador que o investigava (e logo se demitiu, mudando de lado, para trabalhar com seus advogados), insinua ter sob controle vários ministros do STF. Há duas versões sobre o áudio que gravou e entregou:

a) Não conhecia direito o gravador, que se liga sozinho quando há som. Ao apagar a gravação, não sabia que ela fica fora do alcance, mas um perito a recupera. Só é mesmo apagada quando algo for gravado em cima.

b) Queria vincular seus assessores à delação, para evitar traições. Em qualquer caso, agiu como amador. E a Polícia Federal é profissional.

Sonho impossível

Joesley tinha um sonho: fazer a delação premiada antes de ser preso, ficar livre, levar suas empresas para os Estados Unidos (talvez a holding J&F para a Irlanda, onde a tributação é mais civilizada), viver no Primeiro Mundo. Acontece que o acordo da delação prevê a perda dos benefícios em caso de omissões ou falsidades. Seus bens podem ficar indisponíveis. Ele e as empresas podem ser acusados de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. As ações podem ser leiloadas para cobrir multas e prejuízos. O segundo maior acionista do grupo, o BNDES, passaria a controlador). Temer não perderia a chance de se vingar. Quem tudo quis nada vai ter.

10 setembro 2017 FULEIRAGEM

BRUNO AZIZ – A TARDE (BA)

10 setembro 2017 EVENTOS

É HOJE! – PARA OS FUBÂNICOS DE JOÃO PESSOA: GRUPO MINEIRO GALPÃO NO TEATRO DE ARENA

Nos dias 10, 12 e 13 de setembro, o Grupo Galpão (MG) apresentará dois espetáculos inéditos em João Pessoa. Além de trazer as renomadas peças ‘NÓS’ e ‘DE TEMPO SOMOS’, o Galpão vem numa época bastante especial: neste ano, o grupo completa 35 anos de atividades, que levaram mais de 1.700.000 espectadores aos 23 espetáculos apresentados em 18 países.

PROGRAMAÇÃO JOÃO PESSOA

DE TEMPO SOMOS – UM SARAU DO GRUPO GALPÃO

Data: 10 de setembro (domingo)
Horário: 18h
Local: Teatro de Arena – Espaço Cultural (R. Abdias Gomes de Almeida, 800 – Tambauzinho)
Info.: (83) 3244-1360
Entrada gratuita

NÓS

Data: 12 e 13 de setembro (terça e quarta-feira)
Horário: 20h
Local: Theatro Santa Roza (Endereço: Praça Pedro Américo, S/N – Centro)
Info.: (83) 3218 4383
Ingressos: R$ 20,00 (inteira) | R$ 10,00 (meia-entrada)
Vendas na bilheteria do Espaço Cultural, de segunda a domingo, das 14 às 18h

10 setembro 2017 FULEIRAGEM

TACHO – JORNAL NH (RS)

10 setembro 2017 REPORTAGEM

FUNARO ENTREGOU R$ 11,4 MILHÕES EM DINHEIRO VIVO A GEDDEL

O ex-ministro da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima – 22/11/2016 

Operador financeiro dos esquemas de corrupção do ex-deputado Eduardo Cunha e do chamado “PMDB da Câmara”, o doleiro Lúcio Funaro revela em detalhes, no acordo de delação, como funcionava a entrega de malas de propina para o ex-ministro da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima. Na edição que começou a circular nesta sexta-feira, a revista Veja revela com exclusividade os principais trechos do roteiro apresentado pelo doleiro no acordo. Segundo Funaro, em apenas dois anos, 2014 e 2015, Geddel recebeu 11,4 milhões de reais em dinheiro vivo divididos em 11 entregas operadas pelo doleiro. Os pacotes de dinheiro eram levados em um jato particular e entregue ao próprio ex-ministro em um hangar privado do Aeroporto Internacional de Salvador. Funaro também cita entregas em hotéis de São Paulo e da capital baiana. Ele diz ter entregue propina até na festa de 15 anos da filha de Geddel.

“Ao descer do avião (com a mala de dinheiro), era indagado por Geddel a respeito da quantia que estava sendo entregue. Geddel demonstrava naturalidade ao receber os valores”, diz Funaro. “Recorda-se de ter entregue dinheiro para Geddel em São Paulo, no Hotel Renaissense, na Alameda Santos, e uma vez em Salvador, no Hotel Pestana, no dia em que a filha de Geddel estava fazendo uma festa para comemorar seus 15 anos”, complementa o doleiro.

Geddel voltou a ser preso em regime fechado, pela Polícia Federal, na manhã desta sexta-feira. Ele foi detido no último dia 3 de julho, por decisão do juiz federal Vallisney de Souza Oliveira, tendo sido transferido para a prisão domiciliar nove dias depois, por decisão do desembargador Ney Belo. Agora, o ex-ministro será levado de volta para Brasília, onde cumprirá a nova detenção preventiva, também assinada por Vallisney. O juiz ainda determinou a prisão do advogado Gustavo Ferraz e mandados de busca e apreensão nas casas de Geddel, da mãe dele, e de Ferraz.

A ação acontece três dias depois da Operação Tesouro Perdido, a descoberta de um apartamento que serviria de “bunker” para o ex-ministro. Após uma denúncia anônima, a PF fez no imóvel maior apreensão de dinheiro em espécie da história do país: 51 milhões de reais. Segundo os policiais, as digitais do ex-ministro foram encontradas nas cédulas e nas caixas que guardavam o valor dentro do apartamento.

No acordo de delação, o doleiro Lúcio Funaro apresentou aos investigadores da Procuradoria-Geral da República (PGR) registros de trocas de mensagens de celular com Geddel, históricos de voos do jatinho que fazia o “delivery” das malas para o ex-ministro, planilhas de pagamentos e, em alguns casos, até extratos bancários das operações. Amigo pessoal de Temer, Geddel foi ministro da Secretaria de Governo e tinha aval do presidente para comandar as relações do Planalto com o Congresso. Na delação, o doleiro narra em detalhes como funcionou o propinoduto na Vice-Presidência de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal, entre 2011 e 2015, período em que Geddel comandou a repartição. Funaro descreve o ex-ministro, “amigo e interlocutor de Temer”, como um “forte arrecadador de doações e propinas”.

Em 2014, por exemplo, Funaro diz ter feito nove entregas de dinheiro vivo a Geddel. Uma de 600.000 reais e outra de 500.000 reais em fevereiro, uma de 800.000 reais em março, 1 milhão em maio, mais 1 milhão em julho, 1,5 milhão em agosto, 3,2 milhões em setembro, 1,2 milhão em outubro e 500.000 em dezembro. Em 2015, foram duas entregas de 500.000 reais cada.

Durante os governos do ex-presidente Lula e da ex-presidente Dilma Rousseff, o grupo do PMDB da Câmara apoderou-se de cargos estratégicos no banco. Funaro conta que os peemedebistas usavam a influência política para favorecer empresários dispostos a pagar milionárias propinas para acessar as linhas de financiamento da Caixa.

Funcionava assim. Ora Lúcio Funaro ora Eduardo Cunha faziam os contatos com empresários interessados em obter empréstimos junto ao banco. Depois de negociar os valores da propina, Cunha negociava a liberação dos recursos com Geddel, que ocupava a vice-presidência de Pessoa Jurídica do banco. Quando o dinheiro saia, a propina era paga às empresas do doleiro Lúcio Funaro, que providenciava a partilha da propina.

No período em que o PMDB comandou o esquema na Caixa, cerca de 5 bilhões de reais, a sua maioria extraídos do FI-FGTS, um fundo de investimentos em infraestrutura administrado pela Caixa, foram liberados para empresas que pagaram aos peemedebistas mais de 170 milhões de reais em propinas.

Lúcio conta que conheceu Geddel por intermédio de Eduardo Cunha. O doleiro pagou propina pela primeira vez a Geddel depois de o peemedebista ter favorecido o empresário Joesley Batista, da J&F, em um negócio de 300 milhões de reais. O primeiro encontro ocorreu no hangar da Ibero Star, no aeroporto de Salvador. Funaro desceu com a mala recheada de dinheiro, conversou com Geddel por menos de dez minutos e voltou para o avião. Um encontro frio e rápido.

Com o tempo, porém, as entregas tornaram-se cada vez mais frequentes e Geddel, perdeu a cerimônia. Lúcio passou a entregar malas de dinheiro para o peemedebista em hotéis de São Paulo e Salvador e até no aniversário de 15 anos da filha de Geddel. O doleiro lembra que era comum, nas entregas de propina, ser recebido por um Geddel ansioso no aeroporto. Segundo o doleiro, durante os minutos que estava com o ex-ministro no hangar para repassar as malas, os dois “conversavam brevemente sobre política e sobre as próximas operações vislumbradas”. Lúcio diz no acordo que

A rotina de entregas seguiu firme e forte mesmo depois da deflagração da Operação Lava-Jato. Lúcio conta que não interrompeu o esquema porque ele e Geddel acharam que as investigações da Lava-Jato na Petrobras não iriam se expandir para outros setores do governo. O esquema mudou quando Lúcio passou a figurar como potencial alvo da polícia. O delator conta que, um pouco antes de ser preso, recebeu um recado de Geddel para que interrompesse os pagamentos. “Não… Para. Dá uma segurada e depois nós acertamos isso aí”, disse Geddel.

A última operação realizada por Geddel na Caixa ocorreu em 2015 e rendeu 20 milhões de reais em propina. O empresário Joesley Bastista pediu a Funaro a liberação de um crédito de 2,7 bilhões de reais, para a compra da Alpargatas, combinando o pagamento de uma comissão de 3% pela operação. Lúcio pediu a Geddel a liberação do crédito no banco. Antes de receber a propina, no entanto, Funaro foi alvo de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal, o que assustou Geddel, que avisou: “Deixa esse dinheiro aí com você, não quero saber desse dinheiro, não sei o que pode lhe acontecer, se precisar você já tem dinheiro contigo”

Transcrito da Revista Veja

10 setembro 2017 FULEIRAGEM

MARIANO – CHARGE ONLINE

10 setembro 2017 A PALAVRA DO EDITOR

CONDENADO PRATICA CONCORRÊNCIA ILEGAL COM OS HUMORISTAS

Zé Dirceu é aquele ilustre petralha que entrou para a História do Brasil com o título de Arquiteto do Mensalão. E foi por conta desta magnífica premiação que Lula não pode indicá-lo pra sua sucessão, como era seu sonho.

Em 2012 ele foi condenado pelo STF pelo crime de corrupção ativa, sendo preso em novembro de 2013 e, quase um ano depois, liberado para cumprir o restante de sua pena em casa.

Em agosto de 2015, voltou a ser preso por participação no Petrolão.

Em abril de 2016 teve seu registro de advogado cancelado pela OAB

Na sequência, em maio de 2016, foi condenado a 23 anos e três meses de prisão por crimes de corrupção passiva, recebimento de vantagem indevida e lavagem de dinheiro

E teve mais: em março deste ano de 2017, Zé Persistente voltou a ser condenado na Operação Lava Jato a onze anos e três meses pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Cuida-se aqui de um guabiru de alto calibre, um corrupto de peso, um rato que se esconde atrás do manto ideológico, um malfeitor cujas penas somadas, no âmbito da Lava Jato, chegam a 31 anos de cadeia.

Pois bem. Zé Dirceu fez uma declaração arretada a respeito da maravilhosa deduragem de Palocci contra Lapa de Corrupto, o santo canonizado pela pentelhada.

Dirceu disse o seguinte sobre o ex-ministro de Lula e de Dilma, o agora celebridade Língua Presa:

“Só luta por uma causa quem tem valor. Os que brigam por interesse têm preço. Não que não me custe dor, sofrimento, medo e às vezes pânico. Mas prefiro morrer a rastejar e perder a dignidade”.

Ele fez esta declaração com a cara lambuzada em óleo de peroba, de modo que as bochechas não ficaram rosadas em momento algum.

Um vermêio-istrelado, Zé, condenado por ladroagem, jura fidelidade a outro vermêio-istrelado, Lula, também condenado por ladroagem. Pra ofender um terceiro condenado, Palocci, trancafiado por ladrogagem.

Num tá arretada esta cacetada de um corrupto contra outro corrupto???!!!

Dirceu x Palocci.

Um petralha histórico esculhambando outro petralha fundador do bando.

No meio, impoluto, está o proprietário do estabelecimento.

Uma arenga arretada entre dois canalhas.

Uma troca de tapas cuja hilaridade levanta o astral da banda decente deste país.

Zé Dirceu exerceu uma concorrência desleal com os humoristas brasileiros.

10 setembro 2017 FULEIRAGEM

JARBAS – DIÁRIO DE PERNAMBUCO


OS SEGREDOS DAS SELVAS

King Kong apaixonou-se por Dwan

I

Faz algum tempo algumas pessoas estão tentando levantar uma discussão sobre um valioso minério, cujas reservas naturais tem 98% no solo brasileiro e os 2% restantes, no Canadá. Tudo seria normal, se o “gerenciamento” dessa riqueza não fosse na Inglaterra, que não possui sequer 0,00001% – mas administra o que se faz ou deixa de fazer com a preciosidade. O nome? Nióbio!

Não é estranho, muito estranho isso?

Pois, desses 98% existentes em solo brasileiro, quase a totalidade está em Minas Gerais e um bom percentual em dois ou três estados do extremo Norte. Você haveria de perguntar: e daí?

Ora, aprendi na escola antiga – quando os professores queriam e gostavam de ensinar e os alunos queriam e gostavam de aprender, que: 2% de 10, são 2. Mas, 2% de 600 bilhões, significa alguma coisa, né não?

Nessa semana que acabou de dobrar a esquina, falou-se muito em alguma coisa relacionada com a reserva florestal de milhões de hectares da “Selva Amazônica”.

Lembram?

Xeque mate?!

Pois, como ninguém sabe de tudo e muitos sabem muito pouco de quase nada, John Guillermin dirigiu em 1976, o belo e bom filme KING KONG. No enredo, um navio enfrentou problemas em alto mar, quando “procurava petróleo” e acabou ancorando em Surabaya, na Indonésia.

Obra do acaso, uma mistura de fotógrafo com cineasta avista em alto mar, um bote onde estavam alguns náufragos do navio que enfrentara problemas. No bote, Dwan (Jessica Lange), uma bela mulher loura. Feito o resgate.

Provavelmente pela beleza, Dwan foi sequestrada por nativos e oferecida em sacrifício para um ritual. Mas, algo aconteceu errado, e Dwan acabou nas mãos de King Kong.
Será que, em mais um desses segredos da selva, King Kong comeu Dwan – ou quem teria comido quem? Por que, então, o gorila teria se apaixonado pela loura? Amor à primeira vista?

Esse, tanto quanto o interesse do governo brasileiro “liberar” determinada área da reserva amazônica, é apenas mais um segredo das selvas?

II

As gerações passadas gostavam muito de ler. Ler quase tudo. Livros, livretos, revistas em quadrinhos. Essa boa a prazerosa mania podia ser vista nos trens suburbanos que fazem as linhas para a Central do Brasil. Nos trens, muitos liam seus livros, jornais, revistas e tinham grande preferência pelos livrinhos de bangue-bangue.

Fora dali, a meninada também gostava de ler. A preferência era pelas revistas em quadrinhos, alvos até para colecionadores. Mandrake, Fantasma, Cavaleiro Negro, Flecha Ligeira, Durango Kid, Super Homem, Capitão Marvel e Tarzan.

Tarzan era uma criação de Edgar Rice Burroughs editada por anos pela editora Ebal. A base e a figura do Tarzan, foi imaginada a partir do ator Lex Barker.

Tarzan tinha uma namorada, Jane; e uma “companheira”, Cheeta (Chita).

Pois, vivendo nas selvas, sem as aporrinhações ou perseguições de ninguém e tendo ao seu lado apenas a namorada Jane, Tarzan não teve filhos. Será que Tarzan “comia” Jane, ou na verdade se relacionava era com a macaca Chita?

Esse pode ser mais um dos grandes segredos guardados ou escondidos em alguns lugares das selvas. Tanto quanto o que pode ter motivado, de uma hora para outra, a liberação da reserva da selva amazônica.

Será que King Kong ou Dwan sabe riam responder, ou seria melhor perguntar aos macacos que espreitavam Tarzan, Jane e Chita ou só o Posto Ipiranga pode dar a resposta?

O trio inseparável – Tarzan, Chita e Jane

10 setembro 2017 FULEIRAGEM

FERNANDO – JORNAL DA CIDADE DE BAURU (SP)

10 setembro 2017 COMENTÁRIOS SELECIONADOS

MALAS LIMPAS, DINHEIRO SUJO

Comentário sobre a postagem MIGUEL ALBERTI – PIRACICABA-SP

Jesus de Ritinha de Miúdo:

“Dona Ritinha, minha mãe, é de umas tiradas sem iguais. Quando todos nós pensamos logicamente por um caminho – não sei se para fazer graça, visto que de boba nada tem – minha mãe vem com uma visão aleatória daquilo que conversamos.

Pois bem, o jornal mostrando as malas de dinheiro confiscada no apartamento tido como de Geddel e alguém na sala comenta “ah, eu com as mãos nessa dinheirama todinha”, ao que mamãe responde sem mudar sequer de posição:

– Já eu queria era uma dessas malas. Parecem ser de tão boa qualidade.

E antes que alguém protestasse, ela se adiantou:

– Aqui em casa estamos precisando de umas malas.

Creio que na lógica de minha mãe, o dinheiro é sujo. Já as malas, de repente, foram adquiridas de forma honesta.

Será?”

* * *

As malas sujas de Geddel e a mala limpa de Chupicleide, secretária de redação do JBF

10 setembro 2017 FULEIRAGEM

OLIVEIRA – CHARGE ONLINE

10 setembro 2017 JOSIAS DE SOUZA

JANOT CORRIGE NA MARRA ERRO DA LAVA JATO

Todos cometem erros. Mas mesmo no erro pode-se errar pouco ou errar muito. No caso da JBS, o procurador-geral da República Rodrigo Janot escolheu o erro mais rendoso… Para os criminosos. A reavaliação dos termos do acordo de colaboração e o pedido de prisão do empresário Joesley Batista, do executivo Ricardo Saud e do ex-procurador Marcelo Miller representam a correção do maior erro já cometido na Lava Jato. Empurrado pelas circunstâncias, Janot faz agora por pressão o que se absteve de fazer antes por precaução.

Janot dizia que o prêmio da imunidade penal, embora parecesse excessivo, era a alternativa menos lesiva aos interesses do país. Alegava que, sem ele, o Brasil jamais saberia dos crimes praticados pelo conglomerado de Joesley. Conversa mole. A força-tarefa de Curitiba já havia demonstrado o contrário.

No caso da Odebrecht, por exemplo, também se dizia que a investigação jamais avançaria. Avançou. Alardeava-se que Marcelo Odebrecht não iria em cana. Está há mais de dois anos na tranca. Apostava-se que o personagem não abriria o bico. Delatou. Jurava-se que seu pai, Emílio Odebrecht, não falaria. Falou. E arrasta uma tornozeleira em casa.

Janot alegava ter sido procurado pelos irmãos Batista. Apresentaram-lhe, segundo suas palavras, “indícios consistentes de crimes em andamento”. Delitos praticados por um senador, Aécio Neves, e por um então deputado federal, Rodrigo Rocha Loures. Havia também notícia de corrupção praticada por um procurador da República. Tudo isso sem mencionar o áudio tóxico com os diálogos vadios de Michel Temer.

A mercadoria oferecida era, de fato, atraente. Impossível não abrir negociação. Mas daí a entregar de bandeja aos criminosos a premiação máxima, vai uma distância abissal. A força-tarefa de Curitiba observa uma “regra de ouro”, da qual os procuradores não abrem mão: a imunidade penal, embora prevista em lei, jamais será oferecida como prêmio a nenhum delator.

Guiando-se por esse princípio dogmático, os investigadores iluminaram os porões do maior escândalo de corrupção já detectado na história, dobraram a oligarquia empresarial, moeram os salteadores políticos sem mandato – do petista José Dirceu ao peemedebista Eduardo Cunha. E ainda trincaram os calcanhares de vidro do mito (Lula) e estilhaçaram a imagem da empulhação (Dilma Rousseff). Perto de tudo isso, Michel Temer e sua infantaria são asteriscos separados da condenação apenas pelo escudo do foro privilegiado.

De repente, veio à luz o autogrampo-pastelão, que forçou Janot a abrir uma investigação sobre sua própria investigação. Os colaboradores desastrados enfiaram no meio de um papelório entregue à Procuradoria quatro horas de uma “conversa de bêbados”. Nela, expressando-se num idioma muito parecido com o português, Joesley e Saud deixam claro que fizeram uma delação seletiva, sob orientação do ex-procurador Marcelo Miller – um amigo de Janot, que se desligaria da força-tarefa da Lava Jato para se tornar sócio de uma banca de advogados a serviço da JBS. Um acinte!

A suspeita de que Miller fizera jogo duplo tornara-se munição para os adversários de Janot. Mas o procurador-geral dera de ombros. Cometeu um erro dentro do outro. Algo que lhe custa caro. De equívoco em equívoco, o doutor chega à reta final do seu mandato às voltas com um déficit estético. Corre contra o relógio para limpar a cena. Se for bem sucedido, conseguirá apenas reduzir os danos.

As prisões tardias não apagam os rastros pegajosos do acordo benevolente. Ao contrário, servem para realçar o escárnio embutido na autorização para que os delatores desfrutassem de sua imunidade penal na 5ª Avenida de Nova York. Ou o descalabro estampado na descoberta de que a JBS, valendo-se dos segredos de sua própria delação, foi ao mercado para lucrar com câmbio e ações.

Até os colegas de Janot o criticam. O mínimo que dizem dele é que o procurador-geral fez pouco caso da instituição sob seu comando. Joesley não foi bater à porta do gabinete do chefe do Ministério Público por acaso. Estava cercado por cinco operações anti-corrupção. Sentia o hálito quente dos investigadores na nuca. Receava ser acordado pela Polícia Federal.

Contra esse pano de fundo, a blindagem oferecida por Janot à JBS deixou no ar uma incômoda impressão. Conforme já comentado aqui, não é que o crime não compensa. A questão é que, quando compensa, ele muda de nome. Passa a se chamar delação premiada. A cadeia, ainda que breve, torna o prêmio mais palatável. E restaura a credibilidade do instituto da colaboração judicial premiada.

10 setembro 2017 FULEIRAGEM

SERGIO PAULO – CHARGE ONLINE

TUDO PELO SOCIAL

Pessoas muito mais sábias do que eu me ensinaram há alguns anos atrás que “Todo problema no mundo tem uma solução, óbvia, imediata, simples, barata, rápida e… TOTALMENTE ERRADA!”.

O danado é que a opção preferencial dos imbecis é sempre por este tipo de solução.

Como nossa população é composta majoritariamente por analfabetos funcionais, cujo desenvolvimento mental está situado entre uma ameba e um protozoário, esta tem sido a tônica por aqui, desde que se abriu a possibilidade para que estas criaturas acéfalas opinassem sobre tudo e sobre todos.

O desastre começa com a eleição de políticos messiânicos e populistas. Imaginam-se pairando acima da massa ignara da humanidade. São os “paladinos da justiça”, detentores de uma genialidade que deverá exterminar qualquer problema que se lhes apresente: Viram “especialista” em qualquer assunto em 5 minutos. De alfinete a bomba atômica. São de uma arrogância e prepotência incomensuráveis. Assumem o comando de setores mais diversos da administração pública sem nenhum remorso. Vão da saúde para a energia, depois o turismo, ou quem sabe mesmo a reforma agrária, e por aí vai a lambança.

A continuação da catástrofe se dá através das cobranças imediatista, míopes e egocêntricas de eleitores cujas mentes obliteradas são dotadas de uma imensa preguiça de pensar com seus próprios neurônios. O desastre começa e termina através das suas demandas. São aquelas soluções simplórias e totalmente erradas que mencionei acima. Aproveitando a ingenuidade das demandas da turba, políticos expertos tratam de atendê-las, mas sempre com uma agenda própria no bolso da cueca e que são, na maioria dos casos, de uma desonestidade que faria corar o bandido da luz vermelha.

Este tem sido o roteiro da gestão pública do Brasil há décadas.

De tempos em tempos, algum desses finórios se destaca na competência em montar uma gangue de ladravazes para roubar a população.

Convoquei o Sarney aí acima para render-lhe a merecida homenagem por ser o patrono e fundador da atual catástrofe que se abate sobre esta malsinada nação. Nossa hecatombe começou quando este senhor inventou de declarar que o lema do seu governo seria a famigerada frase: TUDO PELO SOCIAL!

Foi a partir daí que deu-se a merda!

A desgraceira que a população brasileira vem sofrendo foi tanta, por conta do raciocínio farsesco e desonesto, deste senhor, assim como de todos os que lhe seguiram, que eu começo a concordar com Martim Bormam quando este dizia que “Todas as vezes que se fala alguma coisa com a palavra social no meio, a vontade é de sacar a .45 e sair dando tiro em gente”.

Sábias palavras!

A grande justificativa para todas as roubalheiras e sacanagens praticadas por esta multidão interminável de picaretas sempre foi a de que estariam promovendo a famigerada “justiça Social”. Para a malta infinita de imbecis da nossa população, isto significa que o governo vai arrancar dinheiro de quem trabalha e produz para distribuir com a multidão de retardados mentais. A realidade sempre se mostra muito mais cruel do que nossos piores pesadelos. Na maioria das vezes, a grana mal dá para distribuir entre si e com seus apaniguados. Só as migalhas caem da mesa deste banquete satânico, sempre de modo a mais uma vez ludibriar a galera que os elege e mantém no comando deste bordel chamado Brasil. É sempre e toda vez o mesmo estupro contra nosso país.

A roubalheira já foi tanta que o país está devendo uns 3 TRILHÕES E MEIO aos agiotas.

Isso equivale a DOIS ANOS DE ARRECADAÇÃO.

Lembrem que já estão esfolando a população em uns 40% de tudo o que se produz nesta bodega. Quase a metade de toda a riqueza gerada vai para manter a gangue que está no poder e, o que é muito pior, NÃO DÁ NEM PARA ELES PAGAREM AS CONTAS. Todo ano, acrescentam uma montanha de uns 180 BILHÕES no total que estão devendo e não dá pra fazer obra nenhuma de infraestrutura. Só se for em Cuba ou Angola e através de contrato superfaturado (E SECRETO) da Odebrecht.

O rombo é tão grande que quase metade DOS IMPOSTOS que arrecadam é só pra pagar os juros.

Se vocês estivessem devendo dois anos de sua renda ao agiota e metade de tudo o que você ganha fosse só pra pagar os juros, e mesmo assim a dívida só aumentasse, qual seria a sua situação financeira?

EXATAMENTE! Fudido!

10 setembro 2017 FULEIRAGEM

ZOP – CHARGE ONLINE

10 setembro 2017 DEU NO JORNAL

CONVERSA APRUMADA

O empresário Joesley Batista, um dos donos da holding J&F, disse nesta quinta-feira (7), em depoimento à Procuradoria-Geral da República (PGR), que acreditar no conteúdo da conversa gravada entre ele e o diretor de Relações Institucionais do grupo, Ricardo Saud, é como acreditar em uma “conversa de bêbados.”

* * *

Como cachacista militante, mesmo em abstinência compulsória, quero registrar aqui meu mais veemente protesto contra a expressão “conversa de bêbado” lançada assim de forma pejorativa e irresponsavelmente.

Conversa de bêbado é a coisa mais aprumada do mundo, fiquem sabendo vossas senhorias.

É assim feito um zig-zag de quem está costurando bainha.

Um papo de grande beleza estética que abrange filosofanças do mais alto grau.

Eu e o cumpanhero Lulinha 51 nos irmanamos contra este tipo de detratação de uma das mais importantes, lúdicas e fraternas atividade do ser humano.

Conversa de bêbado” um caralho, seu Joesley!

Ainda bem que Rodrigo Mauricinho Janot acabou de dar ordem pra tu ser enjaulado, seu corno safado.

Tu vai ver o que é bom obrar de coca no boi da Papuda.

Uma notícia arretada pra alegrar o nosso domingo.

Parelha bebífera: um em abstinência e o outro em bebência; um na coca-cola e o outro na cachaça

10 setembro 2017 FULEIRAGEM

CAZO – COMÉRCIO DO JAHU (SP)

ORQUESTRA PAULISTANA DE VIOLA CAIPIRA

Sob a regência do Maestro Rui Torneze, a Orquestra Paulistana de Viola Caipira executa de D.A.Robles “El Condor Pasa“, em show no Teatro Pedro II, Ribeirão Preto-SP, em julho de 2009.

10 setembro 2017 FULEIRAGEM

AMORIM – CHARGE ONLINE


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