16 setembro 2017 FULEIRAGEM

NANI – CHARGE ONLINE

16 setembro 2017 CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

CARLOS DOMIGUES – CURITIBA-PR

Prezadíssimo editor da Gazeta Escrota

Ainda num sou repentista deste computador fela da puta, logo não sei editar porra nenhuma, ou porra alguma, no português castiço.

Mas se o nobre colega editor acessar o site do G1, verá algo que não tem preço: nosso ilustríssimo ex-presidente da câmara de deputados, Cunhão, sendo devidamente enjaulado, engaiolado, ao vivo e à cores, pela PF, em Brasília, onde foi depor.

Editando e colocando no JBF, fará um bem enorme a todos aqueles que queriam finalmente uma certeza de que ainda há justiça nesta merda deste país do caralho.

Bom final de semana e um forte amplexo (sabe lá que porra é essa…achei bonita a palavra).

Carlos Domingues.
República de Curitiba.

Ah: e peça por favor para devolverem logo este fela da puta, corno, prá cá. Dizem que ele deixou saudades aqui, num carcereiro chamado Metelão.

R. Vocês são uns sádicos, uns tarados, uns psicopatas.

Cunhão é um homem tão honesto quanto Lula.

Os dois, o ex-deputado e o ex-presidente, ambos já condenados, um preso e outro ainda solto, estão sendo vítimas de perseguição da justiça, da grande mídia e dos juízes federais concursados.

Mas, como nesta gazeta tem de tudo, inclusive cenas de tortura de prisioneiros políticos,  que consistem no fato da Polícia Federal carregar os pobres coitados num camburão, clique na imagem abaixo e veja a matéria que você pediu, seu malvado.

16 setembro 2017 FULEIRAGEM

AMORIM – CHARGE ONLINE

16 setembro 2017 PERCIVAL PUGGINA

LULA, TAL QUAL AS AVES DO CÉU

Não tive a pachorra de ouvir todo o interrogatório de Lula ante o juiz Sérgio Moro. O pouco que vi, convenceu-me que de três uma: ou o ex-presidente é absolutamente responsável por tudo de que é acusado e deve ser mantido longe do convívio social, ou é absolutamente irresponsável e deve ser mantido longe do convívio social, ou é como as aves do céu.

Nunca em meus 72 anos vi um indivíduo adulto, cercado de advogados, ser e se dizer tão alheio a tudo que pessoal e financeiramente lhe diga respeito. À sua volta se acumulam mecenas, vida afora, desdobrando-se em prodigalidades. Todos se preocupam com sua sobrevivência material, seu conforto, sua adega, proporcionando-lhe sítio, apartamentos, torre de telefonia celular, viagens em jatinhos luxuosos e custoso armazenamento para bens que não passavam de “tralhas, doutor”. E ele, materialmente desapegado, que há décadas não gera um real de valor, incapaz de responder quanto ganha por mês, a nada renuncia, de tudo aproveita, e de benefício algum conhece preço ou fonte de pagamento.

Na terceira possibilidade, Lula é uma ave do céu, como aquelas mencionadas por Jesus: “Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?”.

Agora só falta o Sérgio Moro e o TRF-4 acreditarem.

* * *

A ORCRIM E A DEMOCRACIA NO BRASIL

O funcionamento da Orcrim está descrito nesta parte da nova denúncia encaminhada no último dia 14 pelo Procurador Geral da República contra o presidente Temer:

“A organização criminosa objeto da investigação no âmbito da Operação Lava Jato foi constituída em 2002 para a eleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula Da Silva — Lula à presidência da República, quando integrantes do PT uniram-se a grupos econômicos com o objetivo de financiar a campanha de Lula em troca do compromisso assumido pelo então candidato e outros integrantes da organização criminosa do PT de atender interesses privados lícitos e ilícitos daqueles conglomerados.

“Com isso, Lula foi eleito e a organização criminosa passou a ganhar corpo após a sua posse, quando então se estruturou um modus operandi que consistia em cobrar propina em diversos órgãos, empresas públicas, sociedades de economia mista controladas pela União e Casas do Congresso Nacional, a partir de negociações espúrias com as empresas que tinham interesse em firmar negócios no âmbito do governo federal e na aprovação de determinadas medidas legislativas (…)

Todo este estratagema não foi desenvolvido para beneficiar indevidamente apenas os integrantes do PT que constituíram a organização criminosa, serviu também para atender interesses escusos de integrantes de outras agremiações partidárias que, ao longo do governo Lula, aderiram ao núcleo político desta organização criminosa com o objetivo de comandar, por meio da nomeação de cargos ou empregos públicos chaves, órgãos e entes da Administração, um verdadeiro sistema de arrecadação de vantagens indevidas em proveito, especialmente, dos integrantes da organização criminosa. Em contrapartida aos cargos públicos obtidos junto aos integrantes do PT envolvidos no esquema ilícito, os integrantes do PMDB e do PP que ingressaram na organização criminosa ofereceram apoio aos interesses daqueles no âmbito do Congresso Nacional.”

Como se vê, nada que até o semanário de Burundi já não tenha noticiado. No entanto, a organização descrita passou ao largo e o TSE fez que não viu algo muito relevante sob o ponto de vista político e institucional. Refiro-me à propagação sobre o baixo clero dos efeitos políticos e éticos da atividade criminosa desenvolvida pelas cúpulas das organizações partidárias.

Os caciques que comandavam os negócios da tribo supriam suas tropas de recursos para custeio das respectivas campanhas eleitorais. O motivo é evidente: quanto maior o número de fieis seguidores, mais valiosa se tornava sua posição política e mais bem remunerada a participação nos negócios. Sabe-se, hoje, que o topo da cadeia alimentar, o ápice da carreira consistia em ter apelido e arquivo próprio no departamento de Operações Estruturadas da Odebrecht.

O tipo de ganância que essa organização permitiu prosperar gerou e ainda preserva um efeito político devastador. Não fossem as coisas assim, a representação da sociedade brasileira, a proporcionalidade entre as diferentes bancadas e muitos daqueles a quem hoje chamamos deputado e senador estariam em outras atividades, longe dos centros de poder. Devem seus mandatos aos caciques em cuja cisterna beberam água e, hoje, se empenham, juntos, em encontrar uma regra de jogo eleitoral que os agasalhe da rejeição do eleitorado.

A distorção causada pelo crime virou o país pelo avesso, influenciou o Direito e a Justiça, a economia, a moral nacional e a doutrinação nas salas de aula. A próxima legislatura, porém, não pode ser uma cópia carbonada da atual; a ORCRIM não pode continuar reproduzindo seus efeitos na representação política. A democracia é muito mais do que um conjunto de normas e formalidades; o que lhe dá vida é a adesão da sociedade política a elevados princípios e valores.

16 setembro 2017 FULEIRAGEM

PATER – A TRIBUNA (ES)

16 setembro 2017 A PALAVRA DO EDITOR

SÓ PODE SER

O PIB subiu.

A inflação despencou.

Milhares de vagas de emprego foram abertas.

Eu desconfio que isto tudo é obra de Lula…

Eu acho que Temer, secretamente, tomou o ex-presidente como consultor.

Só poder ser isto.

“Tá vendo, cumpanhero Teme? Tu fez do jeito qui eu dice e deu tudo certo”

16 setembro 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

16 setembro 2017 REPORTAGEM

QUEM “MATARÁ” OS FACÍNORAS?

Ministros de STF entram em sessão: eles, com a Constituição, “matarão” os facínoras

Ainda nos machuca os ouvidos a frase “nós não vai ser preso”. Não é pelo maltrato ao idioma não, nem pela aberração da conjugação do verbo, porque isso até que passa e vira formalidade num País de treze milhões de analfabetos, quando o mais grave (muito mais grave) é o conteúdo da frase mesmo. E também ainda nos machuca as retinas o cariz de pretensão de impunidade com os quais o “nós não vai ser preso” nos foi lançado na cara. O dono da pérola, isso todo brasileiro com um fio de barba de vergonha sabe quem é, porque em gente boa dói mais, muito mais, coisas desse tipo: o senhor Joesley Batista, ex-todo-poderoso dono da J&F. As voltas que o mundo dá, e ele agora está trancafiado, por irônica cilada do destino, juntamente com o seu interlocutor no tosco diálogo que gerou a frase. O nome do parceiro de corrupção é Ricardo Saud, ex-alto diretor da empresa. O irmão de Joesley, Wesley, seguiu o mesmo caminho, aquele que tem levado muita gente a sair de suas mansões, por ordem judicial, e ir morar contrariado em cubículos de nove metros quadrados, sem vaso sanitário e sem água quente. Wesley está preso sob acusação de manipular o mercado financeiro.

Falou-se de retinas. E as nossas retinas absorvendo malas e caixas de dinheiro escondidas num apartamento em Salvador, como olhos nus olhando eclipse? Igualmente isso nos fere, igualmente isso nos dói: são os R$ 51 milhões do senhor Geddel Viera Lima, ele mesmo, o bebê chorão, que chora para o juiz, que chora para o carcereiro quando vão lhe raspar a cabeça na cadeia, mas não chora quando gatuna dinheiro do povo, quando conta dinheiro do povo, quando deixa suas lombrosianas digitais no dinheiro do povo. Ah, a dor de treze milhos de desempregados olhando a dinheirama roubada nos tempos em que ele foi vice-presidente do departamento de pessoa jurídica da Caixa Econômica Federal. Bom, muito bom, Geddel também está trancafiado.

Cena de “O homem que matou o facínora”: a lei e a democracia vencem o tiro

Falou-se de povo. Eta povo, o quanto que essa palavra passa de boca em boca na turma do PT, como dela se apropriou a boca de Lula, do chefão da organização criminosa Lula et caterva – Lula, hoje réu em seis processos e com uma linha de montagem de denúncias e inquéritos contra si. A boca da coxa fala em povo, e não enlouquecemos não, não estamos falando que coxa tem boca, estamos dizendo é que essa coxa, apelido da presidente nacional do PT e senadora Gleisi Hoffmann no submundo da corrupção, também ela anda e desanda a falar de povo. E parece padecer de episódios persecutórios, acha agora que o língua-nos-dentes Antonio Palocci entregou tudo o que sabia de podridão de Lula porque está a serviço da CIA (chora não, leitor; ou, pelo menos, chore de rir). Pois é, Lula e Palocci eram amigos até debaixo d’água ou debaixo de milhões de dólares, e hoje é o salve-se quem puder – depondo a Sergio Moro, Lula declarou que Palocci é “frio e calculista”. Como diz a população carcerária feminina, “quando o bicho abraça playboy, a língua de playboy não tem osso” – ou seja, um deda o outro, só falta fazê-lo por ordem alfabética. Palocci, o super agente secreto americano (tem mais jeito de KGB), não honrou o ensinamento do santo que inspirou sua mãe na hora de seu batismo: Santo Antonio de Pádua. Pregava Antonio, o santo, não o Palocci: “se não puder falar bem de alguém, não fale nada”. Claro que é impossível falar bem de Lula. Então Palocci, mesmo sendo católico, resolveu falar para tentar aliviar a sua prisão. Eis, aqui, outro trancafiado.

Falou-se de organização criminosa. Inacreditável, as quadrilhas se entrelaçam, nunca se viu tanta corrupção, nunca se viu tantos milhões e bilhões desviados de cofres públicos. A impressão que dá, tamanha é a lama, é que se todas as cédulas de dinheiro pego da Viúva fossem colocadas lado a lado, com paciência de Jó se conseguiria organizá-las por sequência numérica. Como se disse, tudo se entrelaça, é um novelo. Olhe! É lama mesmo! Olhe! De onde saíram tantos facínoras? Na semana passada, Michel Temer disse que “facínoras roubam a verdade” no País. Ele se referiu apenas aos que o denunciam. ISTOÉ elege a expressão facínora em outro contexto bem mais amplo: refere-se a todos, todos mesmo, os predadores que assaltam politicamente o Brasil. É como se Temer falasse de alguns músicos; ISTOÉ fala da orquestra interina. E toda essa corrupção enoja. Tudo isso é obsceno. Tudo isso, machadianamente, “exaure” e “cansa”. Bom Machado de Assis, bom “bruxo do Cosme Velho”, o teu Simão Bacamarte, de Itaguaí, faria um belo trabalho de internação de muitos e muitos políticos dessa “Pindorama, hoje Brasil!”, de muitos e muitos empresários, de muitos e muitos empreiteiros, não fosse ele médico mas, sim, delegado da Polícia Federal. E a Casa Verde seria a Papuda. Reais e dólares, aos milhões, aos bilhões, viraram troco para corruptos e corruptores das mais diversas cores ideológicas e partidárias. Ok, bom e sábio “bruxo”, você avisou: no dia em que fosse proclamada a República, do jeito que tal proclamação estava sendo alinhavada, se veria no País uma quantidade de corruptos que o “sol jamais alumiou”.

Falou-se de corrupção. Como o poder no Brasil parou nas mãos desses delinquentes? De onde vem esse Irma de malversação do dinheiro público? Genética, a causa não é, porque a esmagadora maioria dos brasileiros é honesta, basta olharmos para os olhos da honestidade que se sabe roubada naqueles que bocejam à espera dos sobrelotados metrôs e trens e ônibus às seis da matina. Só em São paulo, oito milhões de sonolentos todos os dias. E é mão de mãe com calo puxando filho para creche, é mão de mãe com calo indo para o batente de arrumar casa dos outros, é mão de mãe com calo seguindo para a fábrica. Não, o povo brasileiro é íntegro sim. Mas há um ponto de partida para todo o nó. A República!

Falou-se de República. Não pelo fato de a República ser República, mas, isso sim, por ter sido decretada e não proclamada. Aristides Lobo, arguto observador, escreveu com maestria que o povo, atônito, pensou que se tratava de uma parada militar. Ao saber que um desafeto seu (dera em cima de sua mulher) poderia ser o chefe do novo gabinete do império (boato nascido da boca de Benjamin Constant), Deodoro da Fonseca decidiu assinar a mudança de regime, sequer em praça pública, mas nas dependências do que seria hoje uma câmara de vereadores. Aí, deu ruim para o Brasil. A chamada classe política nasceu e cresceu e espichou e engordou sem o menor compromisso popular – conceito desenvolvido pelo signatário, tristemente no Brasil “o povo é nota de rodapé, o povo é nota de pé de página”. Daí nasce o patrimonialismo. A maioria dos políticos misturando o público com o privado, o que significa, em bom português, avançar no dinheiro dos outros e receber propina para utilizar a máquina pública a favor de interesses privados.

Falou-se de tudo que anda por aí. E a saída, onde fica a saída? (antiga indagação do genial dramaturgo Oduvaldo Vianna Filha). Um dos maiores clássicos do cinema, em todos os tempos, chama-se “O homem que matou o facínora” (1962). Nele, o personagem Tom Doniphon (John Wayne) não acredita no ordenamento jurídico que começa a nascer nos EUA, a lei para ele é um revólver e um rifle. Ronson Stoddard (James Stewart), ao contrário, é um recém-formado advogado disposto a provar que a lei vence o tiro. Há um famoso bandido na história chamado Liberty Valance (Lee Marvin). Todos pensam que foi James Stewart quem conseguiu duelar e matar o facínora, mas na verdade quem o mata é John Wayne – e, importantíssimo, seu personagem evolui cultural e politicamente, abandona o cinturão e passa a pregar a soberania das leis e a democracia. Pois bem, a saída para o Brasil, a única saída, são os princípios constitucionais pelos quais o STF zela e saberá sempre zelar, até porque é essa a sua função precípua. Os onze ministros do STF serão, enfim, os homens que “matarão” os facínoras.

Transcrita da Revista Isto É

16 setembro 2017 FULEIRAGEM

VERONEZI – GAZETA DE PIRACICABA (SP)

16 setembro 2017 JOSIAS DE SOUZA

SOB DODGE, JOESLEY DEVE TER SAUDADES DE JANOT

Ouvido em audiência judicial nesta sexta-feira, Joesley Batista queixou-se de Rodrigo Janot. O detento da JBS não tem noção do que está por vir. Se o problema fosse o arqueiro, tudo se resolveria na segunda-feira, com a troca de guarda que ocorrerá na Procuradoria-Geral da República. As flechas passarão às mãos de Raquel Dodge. Quando a doutora começar a usá-las, Joesley talvez sinta saudades de Janot.

O ex-mecenas da política nacional reclamou da revogação do acordo de colaboração judicial da JBS. Considerou “um ato de covardia” o cancelamento da imunidade penal. “Depois de tudo que fizemos, das provas que entregamos…!” Sob Dodge, a premiação inédita nem teria existido. Entregando a mercadoria, os delatores teriam uma redução do castigo, jamais a extinção.

”Fui mexer com os donos do poder e estou aqui agora”, resmungou Joesley. “Estou pagando por isso.” A pose de empresário bonzinho achacado por políticos malvados não orna com o prontuário do personagem. Joesley e Cia. abriram o bico porque estavam cercados por seis investigações criminais. Sabiam que a Polícia Federal estava a caminho. Tinham o que entregar. Mas o áudio-pastelão que registrou a “conversa de bêbado” revelou que os delatores foram seletivos, não contaram tudo.

Para azar dos irmãos Batista, a revogação do acordo converteu-os em matéria-prima para Raquel Dodge e sua equipe. Os encrencados serão apresentados a uma expressão cara à substituta de Janot: “Reparação do dano.” Nada a ver com o conhecido acordo de leniência. Sob nova direção, a Procuradoria deve buscar no patrimônio dos mecenas as verbas desviadas do erário. Se funcionar, logo, logo haverá uma nova categoria na praça: os sem-jatinho. Ou sem-iate.

16 setembro 2017 FULEIRAGEM

ATORRES – DIÁRIO DO PARÁ

16 setembro 2017 SONIA REGINA - MEMÓRIA

FRASE DE HOJE

“Os homens mais respeitados nem sempre são os mais respeitáveis”

Marquês de Maricá

16 setembro 2017 FULEIRAGEM

NEWTON SILVA – CHARGE ONLINE

16 setembro 2017 HORA DA POESIA

SONETO DA FIDELIDADE – Vinicius de Moraes

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa (me) dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

16 setembro 2017 FULEIRAGEM

SÉRGIO PAULO – CHARGE ONLINE

16 setembro 2017 JOSELITO MÜLLER

NA CADEIA, JOESLEY SE RECUSA COMER QUENTINHA DA FRIBOI

PAPUDA – Suportando os primeiros dias de prisão preventiva, o empresário Joesley Safadão Batista amargou seu próprio veneno no início da tarde de hoje.

Enquanto aguardava ansioso a hora do almoço, quando pretendia degustar uma das sofisticadas iguarias servidas na cadeia, Joesley foi surpreendido com uma quentinha na qual, junto a arroz e feijão, havia um pedaço de carne Friboi.

“SÓ TEM GOSTO DE PAPELÃO, ESSA MERDA”, EXCLAMOU JOESLEY AO COLOCAR O PRIMEIRO PEDAÇO NA BOCA.

Um carcereiro que não quis se identificar afirmou que a conduta de Joesley acabou influenciando os outros presos a reclamarem da comida.

“Eles ficaram encostados nas grades gritando: ‘nós não vai comer’”, disse o carcereiro.

“AQUI TEMOS VÁRIOS ASSASSINOS CUMPRINDO PENA, MAS MATAR A LÍNGUA PORTUGUESA DESSE JEITO, COM CERTEZA SE DEU POR INFLUENCIA DESSE JOESLEY”, LAMENTOU O AGENTE.

16 setembro 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

PARA LULA, SÓ É CRIMINOSO QUEM REVELA OS CRIMES DE LULA

Quanto Sergio Moro aceitou a denúncia do MPF que tornou Palocci réu da Lava Jato, Lula declarou que o companheiro era uma flor de integridade

Prefeito de Ribeirão Preto de 1993 a 1996, descobriu-se que Antonio Palocci andava fraudando licitações para a compra de cestas básicas e cobrando mesadas de empresas fornecedoras da administração municipal. Imediatamente, Lula garantiu que Palocci jamais faria uma coisa daquelas. A demonstração de confiança foi reiterada em 2002, quando o chefe ordenou ao prefeito que renunciasse ao segundo mandato para comandar a coordenação financeira da campanha presidencial que levaria ao poder o candidato do PT.

A recusa dos primeiros da fila dos cotados para o cargo antecipou a chegada de Palocci ao Ministério da Fazenda, onde brilhou até meados de 2006. Começou a perder o emprego quando se descobriu que o manda-chuva da economia frequentava assiduamente a mansão em Brasília conhecida como República de Ribeirão. O ministro negou o status de freguês mais graduado do local reservado a festas ornamentadas por belas mulheres e lobistas com prontuários assustadores. Testemunha das constantes aparições do chefe, o caseiro Francenildo Costa implodiu a versão anêmica. E entrou na mira da bandidagem.

À caça de irregularidades que comprometessem a credibilidade de Francenildo, Palocci encomendou o estupro do sigilo da conta que mantinha na Caixa Econômica Federal. Imediatamente, Lula declarou que o grande companheiro jamais faria uma coisa daquelas. Fracassadas as tentativas de mantê-lo no cargo, o presidente caprichou na pose de viúva inconsolável ao despedir-se do parceiro a quem conferiu o título de “melhor ministro da Fazenda que o Brasil já teve”.

Em 2009, quando o ministro Gilmar Mendes inventou o estupro sem estuprador para absolver Palocci no julgamento do caso do caseiro pelo Supremo Tribunal Federal, Lula lançou a candidatura do então deputado federal a governador de São Paulo. Em 2010, o chefão decidiu que o ex-ministro seria muito mais útil no papel de coordenador da campanha presidencial de Dilma Rousseff. Consumada a vitória do poste, o fabricante ordenou-lhe que instalasse o craque em coleta de doações eleitorais na chefia da Casa Civil.

Palocci durou pouco no emprego. Soterrado por bandalheiras que transformaram em multimilionário um despachante de negociatas fantasiado de consultor de negócios, foi despejado do 4° andar do Planalto em 7 de junho de 2011. Lula repetiu que o companheiro era inocente. Em novembro de 2016, quando Sergio Moro aceitou a denúncia do Ministério Público Federal que incluiu o ex-ministro entre os réus da Lava Jato. Lula solidarizou-se com o “exemplo de integridade”.

O ex-presidente repetiu a afirmação em junho passado, depois da condenação de Palocci a 12 anos de cadeia, e derreteu-se em elogios em sucessivas entrevistas. Numa delas, protestou contra a injustiça perpetrada contra “um dos homens mais inteligentes, leais e respeitáveis” que já conheceu. Também por isso, jurou que não lhe tirava o sono uma possível delação premiada do parceiro acusado por executivos da Odebrecht de administrar pessoalmente a conta de Lula no Departamento de Propinas da empreiteira. Ninguém mais qualificado do que o Italiano para lidar com a fortuna à disposição do Amigo.

Nesta quarta-feira, no segundo encontro com Sergio Moro em Curitiba, Lula mudou de ideia. Ainda grogue com as revelações de grosso calibre feitas por Palocci na semana anterior, enxergou no velho companheiro um “mentiroso, simulador, calculista e frio”. O setentão corrupto condenado a 9 anos e meio de gaiola anda enxergando as coisas pelo avesso. O Palocci que mentia para protegê-lo é que se encaixa nos adjetivos que agora usa. Tornou-se um perigo ambulante ao começar a contar a verdade.

A discurseira do ex-presidente a caminho da morte política também confirmou que os devotos da seita se curvam sem miados a uma regra que contém apenas uma exceção. A regra: “Todo petista é inocente, seja qual for o crime que tenha cometido”. A exceção: “Não haverá perdão para quem cometer o crime de revelar os crimes do mestre”.

16 setembro 2017 FULEIRAGEM

SID – CHARGE ONLINE

16 setembro 2017 DEU NO JORNAL

O RECORDISTA DE PROCESSOS

Carlos José Marques

Ele agora mudou de patamar.

Coleciona novas peças acusatórias em ritmo quase semanal. É denúncia para todo lado. Neste início de mês já foram três consecutivas contra ele. Mesmo quem acompanha perdeu a conta. Como réu o líder petista figura em seis processos. Sentença de condenação também não falta: quase dez anos de cadeia o aguardam por um único dos malfeitos que cometeu. A ficha corrida do ex-presidente não é para qualquer um e sim digna de criminosos de alta estirpe. Mesmo assim ele insiste em posar de injustiçado, perseguido da lei.

A lorota caiu por terra quando o parceiro de todas as horas, Antônio Palocci, deu com a língua nos dentes e relatou os esquemas nos quais Lula teria recebido a bolada de R$ 300 milhões como reserva técnica. Isso de apenas uma das empresas que lhe fazem gentilezas. Dinheirama sem fim além – é claro – de benesses imobiliárias e reformas na qualidade de mimos extras. Palocci figurava como homem da mais estreita relação e confiança de Lula.

E nessa condição relatou com requintes de detalhes o caudaloso fluxo de corrupção em torno do antigo chefe e aliado. Haja lambança. Lula, por sua vez, para não fugir ao figurino habitual, comportou-se como um dissimulado de marca maior. Em escala ascendente, as suas reações contra quem o acusa – e já somam mais de 30 delatores entre empreiteiros, correligionários, operadores e amigos do calibre de Bumlai, Delcídio e quetais – soam inverossímeis, espetaculosas. Estariam todos mentindo, menos ele. Quem não se condói de tamanha crueldade? Há poucos dias disse ao juiz Moro, em mais um dos enésimos depoimentos, que prefere “a morte” a passar por mentiroso. Por essa ótica, o enterro já deveria ter ocorrido faz tempo.

Lula mente com a cara de pau de um Pinóquio incorrigível. Na semana passada, quando confrontado com as evidências de propina dada a seu instituto, chegou ao limite de dizer que não participava da direção executiva da organização. Figurava somente como “presidente de honra”. Em outras palavras, deixou entender que o Instituto Lula não é propriedade dele, Lula. Saibam todos de antemão. O cacique do pau oco debocha de qualquer circunstância. Mesmo as mais constrangedoras a ele. Cria ao seu redor espetáculos deprimentes.

As passeatas recentes, organizadas durante as suas andanças pelos currais do Nordeste, reuniram meia dúzia de áulicos seguidores. Nada além. Situações anedóticas foram registradas. Tome-se, por exemplo, o comentário da presidente da agremiação petista e senadora, Gleisi Hoffman, ao tratar da devastadora paulada do antes festejado quadro partidário, Palocci. Ela alegou que o ex-ministro estava a serviço da CIA, agência de investigações americana. Patético, para dizer o mínimo. Os petistas perderam o senso de ridículo. Apegam-se a qualquer lorota em busca da única tábua de salvação que enxergam: a candidatura presidencial de Lula como saída para livrá-lo do xilindró.

Lula quer travestir-se de candidato e dessa maneira fugir da condição de investigado. Seria deveras inacreditável a situação de uma chapa a presidente encabeçada por um dos mais encalacrados malfeitores políticos de que se tem notícia, o “chefe da quadrilha”, como denominam procuradores federais. Imagine, caro leitor, o bizarro contexto desse personagem concorrendo, repleto de processos, condenações em vias de segunda instância, provas de corrupção em profusão (quatro discos rígidos referentes a pagamentos clandestinos na Suécia em seu nome também acabam de ser entregues à PF) e novas falácias em campanha?

Mais grave: na eventualidade de sair vencedor das urnas, Lula teria de apresentar-se ao Planalto com a sua ficha corrida que, entre outras razões a impedi-lo de tomar posse, esbarra diretamente na Constituição. Em um dos artigos está prevista a proibição a qualquer brasileiro de assumir a presidência da República tendo pendências com a Justiça. Surrealismo além da conta. É aconselhável acreditar no bom senso dos senhores magistrados para evitar tamanha patacoada. Lula, pela ordem natural das coisas, já está fora da corrida a Brasília – a não ser que escolha a Papuda.

O próprio partido estuda alternativas. Quanto ao faroleiro-mor dos contos da carochinha, nada mais restará que o cumprimento de penas por tantos desvios que colecionou.


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