14 outubro 2017 FULEIRAGEM

AMORIM – CHARGE ONLINE

14 outubro 2017 JOSIAS DE SOUZA

PT AGORA AMEAÇA VOTAR CONTRA RETORNO DE AÉCIO

A bancada do Partido dos Trabalhadores no Senado ensaia uma meia-volta. Duas semanas depois de aderir ao mutirão suprapartidário que se formou para restituir o mandato a Aécio Neves, os senadores petistas ameaçam votar contra o retorno do grão-tucano. Num universo de 81 senadores, o PT tem nove votos. Aécio precisa de pelo menos 41 aliados para prevalecer no plenário do Senado.

Em entrevista ao Jornal Nacional, o senador petista Humberto Costa (PT-PE) declarou: “Eu vou defender na nossa bancada que nós votemos pela execução dessas sanções contra Aécio Neves – o afastamento do mandato principalmente. E eu acredito que será a tendência do voto do PT.”

A nova posição do PT, esboçada nas palavras de Humberto Costa, contrasta com o conteúdo de uma nota divulgada pela legenda há 15 dias. Nela, a Executiva Nacional do PT tachou de “esdrúxula” a decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal que impôs sanções cautelares a Aécio, entre elas suspensão do mandato.

“Não existe a figura do afastamento do mandato por determinação judicial”, escrevera o PT em sua nota. “O Senado Federal precisa repelir essa violação de sua autonomia.” Estava decidido até então que os nove senadores petistas ajudariam a trazer Aécio de volta ao convívio dos seus pares. Mas o que parecia certo evapora rapidamente.

O petismo se reposiciona em cena a quatro dias da votação do caso Aécio, marcada para esta terça-feira (17). Se não faltar quórum, a sessão ocorrerá nas pegadas do julgamento em que o plenário do Supremo decidiu, por 6 votos a 5, que cabe às duas Casas do Legislativo dar a palavra final sobre eventuais punições cautelares impostas a parlamentares.

O PT cogitava socorrer Aécio porque há petistas com a corda no pescoço, a começar pela presidente nacional da legenda, Gleisi Hoffmann. O partido recua porque a ideia de estender a mão para o adversário tucano rendeu críticas internas e uma avalanche de ataques nas redes sociais.

14 outubro 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

ONDE ANDA VOCÊ

A quantas e por onde anda o som nacional além de nossas fronteiras? Antes de nos posicionarmos na resposta a essa pergunta, engatemos uma segunda. Qual o sentimento que nos desperta ouvir música brasileira, tocada ao acaso, no exterior? Certamente, o leitor dirá tratar-se de uma sensação agradável de orgulho e vaidade, temperada por boa pitada de saudade decorrente da distância do rincão natal.

Retornando a questão inicial, a primeira música brasileira a alcançar sucesso internacional foi Aquarela do Brasil. Em visita ao Brasil, o norte-americano Walt Disney se encantou com o samba e escolheu a composição de Ari Barroso como trilha sonora do filme de animação Alô Amigos (1942), com o recém-criado personagem Zé Carioca. Daí para se tornar a marca musical brasileira no exterior foi um pulo.

Entre os anos de 1942 e 1953, foi a vez de Carmen Miranda divulgar o nosso som para o mundo, mediante participação em 14 películas produzidas por grandes estúdios dos Estados Unidos, divulgando canções brasileiras ornamentadas por requebros e balangandãs extraídos da cultura verde-amarelo.

No meu entendimento, a música brasileira firmou-se no exterior depois de Garota de Ipanema. Isso mesmo, a canção de Tom Jobim e Vinicius de Moraes foi o divisor de águas do cancioneiro popular nacional em plagas de além-mar.

Tudo aconteceu em 1967 com um telefonema de Frank Sinatra para Tom Jobim, convidando-o para gravarem juntos um disco. O resultado foi Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim (1967), veículo esse que alavancou The Girl of Ipanema para o sucesso mundial.

Passados 50 anos, Garota de Ipanema, segundo apregoam revistas especializadas no ramo, atingiu a marca de a segunda música mais executada no planeta, atrás apenas de Yesterday (1965), dos Beatles.

Com a trilha aberta pela obra-prima de Tom e Vinicius e, devido o encurtamento de distancias decorrente da modernidade, a boa música brasileira como também a de má qualidade, chegaram a ouvidos exigentes ou àqueles nada seletivos do exterior.

Lógico, que em países de língua portuguesa a divulgação da música brasileira é mais intensa. O programa The Voice é o veículo ideal, no momento, para tal prática. Nas versões The Voice de Cabo Verde, Moçambique e Angola já concorreram interpretes defendendo Quando a Chuva Passar (Ivete Sangalo), Esse Cara Sou Eu (Roberto Carlos) e Depois do Prazer (Alexandre Pires).

Mas não fica apenas nisso. No The Voice Polônia defenderam Mais Que Nada (Jorge Ben Jor); no da Ucrânia e no mundo Árabe, candidatos concorreram cantando Ai Se Eu Te Pego (Michel Teló) …E por aí vai.

Todavia, imperdível foi a interpretação de Onde Anda Você (Tom e Vinicius) na voz do cantor português Tiago Nacarato, no The Voice Portugal. Dedilhando o próprio violão, o candidato nada deixou a dever a qualquer interprete brasileiro, tamanha a qualidade vocal imposta à canção.

Vale a pena conferir!

14 outubro 2017 FULEIRAGEM

BRUM – TRIBUNA DO NORTE (RN)

14 outubro 2017 DEU NO JORNAL

UMA PARELHA DE CABRAS SAFADOS

* * *

Os vídeos publicados no noticiário, contendo o depoimento de Lúcio Funaro, estão pra arrombar a tabaca de Xolinha.

A furiosa nota de Temer em resposta a esta avassaladora deduragem, tá igualzinha às notas de Lula: é mentira, é perseguição, safadeza da justiça, sou inocente, isto é invenção da grande mídia.

Aliás, o vice de Dilma, nesta fétida nota, afirmou furiosamente que a imprensa não tinha nada que divulgar os vídeos da delação.

Que este vazamento “foi criminoso”. Tá lá escrito.

Que a imprensa errou ao dar publicidade aos vídeos. Era pra ter ficado caladinha.

Igualzinho ao que Lula diz.

A culpa não são dos fatos. A culpa é da imprensa que divulga os fatos.

PMDB e PT só tem mesmo de diferente o tamanho das siglas, uma com quatro letras e a outra com apenas duas letras.

Além, evidentemente, do fato de que o PT tem um proprietário e o PMDB tem vários gerentes.

Lula e Temer: vão se lascar vocês dois, parelha de cabras safados!

14 outubro 2017 FULEIRAGEM

FERNANDO – JORNAL DA CIDADE DE BAURU (SP)

14 outubro 2017 HORA DA POESIA

O SER QUE É SER – Cruz e Sousa

O ser que é ser e que jamais vacila
Nas guerras imortais entra sem susto,
Leva consigo este brasão augusto
Do grande amor, da grande fé tranqüila.

Os abismos carnais da triste argila,
Ele os vence sem ânsias e sem custo…
Fica sereno, num sorriso justo,
Enquanto tudo em derredor vacila.

Ondas interiores de grandeza
Dão-lhe esta glória em frente à Natureza,
Esse esplendor, todo esse largo eflúvio.

O ser que é ser transforma tudo em flores…
E para ironizar as próprias dores
Canta por entre as águas do Dilúvio!

14 outubro 2017 FULEIRAGEM

NICOLIELO – JORNAL DE BAURU (SP)

“SEMENTE DO SAMBA” POR FLÁVIA OLIVEIRA

14 outubro 2017 FULEIRAGEM

J. BOSCO – O LIBERAL (PA)

NÃO FAÇA O QUE EU FAÇO

Cesare Battisti não quer façam com ele o que fez com quatro vítimas inocentes

“Vão me entregar à morte”.

Cesare Battisti, terrorista italiano condenado à prisão perpétua pela Justiça do seu país, fingindo que se for extraditado terá o mesmo destino das pessoas que assassinou.

14 outubro 2017 FULEIRAGEM

PATER – A TRIBUNA (ES)

14 outubro 2017 A PALAVRA DO EDITOR

UM APELO À COMUNIDADE FUBÂNICA

Esta postagem foi publicada hoje pela manhã. Está sendo repetida agora, às 18:34, aproveitando que o sistema voltou ao ar. Até quando, não se sabe…

Neste sábado, dia 14, o JBF amanheceu o dia fora do ar.

Novamente. Mais uma vez. De novo.

Culpa da LocaWeb, hospedeira desta gazeta escrota.

A LocaWeb fica igual couro de pica: pra frente e pra trás.

Sai do ar, entra no ar.

Um entra e sai irritante, que atrasa e dificulta o meu trabalho e tira do sério a paciência dos nossos leitores.

Faço um apelo a todos vocês:

Mandem mensagens para a ouvidoria desta “empresa”, reclamando das panes constantes que bagunçam a nossa atualização.

Citem o endereço do jornal (www.bestafubana.com) e peçam que eles nos respeitem.

Respeitem o jornal e os seus milhares de leitores, espalhados pelo Brasil e em várias partes do mundo.

O endereço eletrônico é este:

ouvidoria@locaweb.com.br

Para um blog que é atualizado todos os dias e o dia todo, o prejuízo em termos de audiência é enorme.

Se nos tivéssemos anunciantes, aí é que o prejuízo seria mesmo pra lascar.

Já pedi à Plano 4, a empresa aqui do Recife que cuida desta gazeta escrota, que fosse estudando um meio para mudarmos de hospedagem.

Enquanto isto não ocorre, ficamos nesta dependência miserável da LocaWeb.

Conto com vocês nesta campanha.

Agradeço antecipadamente a todos que participarem da corrente.

Uma furiosa dedada para esta irresponsável desta LocaWeb

14 outubro 2017 FULEIRAGEM

CHICO CARUSO – O GLOBO

14 outubro 2017 ALAMIR LONGO - VENTO SUL

DOIS PESOS E 19 MEDIDAS

Amigos fubânicos,

A conversa hoje é bem curtinha, contudo não menos relevante. Eu diria até incomodativa, pois corro sério risco de ser excomungado, imaginem só, por um argentino!

Não estou aqui para “puxar brasa” para a sardinha de ninguém. Mas convenhamos, vejam se esse fato é ou não é uma discrepância oceânica, um típico caso em que se usa “dois pesos e 19 medidas”, como certa vez profetizou a Mulher Mandioca inconformada com a condenação da “cumpanherada” no caso do Mensalão petista.

Li na imprensa que o Papa Francisco – o mais comunista da história – se negou a receber Michel Temer que pretendia viajar à Roma e participar da solenidade de canonização dos mártires de Cunhaú e Uruaçu, no Vaticano.

Não morro de amor por Michel Temer por várias razões, mas acontece que dentro das regras do Estado democrático de direito em vigor é ele o presidente do Brasil.

Portanto, salvo melhor juízo, para mim a atitude desse Papa, mais que um disparate, foi um tapa na cara da população brasileira, em sua maioria católica.

Aí eu fico cismado: será que o Papa Francisco encampou a ideia da carcomida esquerdalha brasileira de que esse seria um governo golpista? Que o nosso país não é uma democracia? É o mais provável, já que ele tinha declinado de um convite de vir ao Brasil dando como desculpa a “crise nacional”.

Ué, mas não seria exatamente o contrário? Um Papa não deveria, como reza a própria oração de São Francisco, “Levar luz onde houver trevas? amor onde houver ódio? fé onde houver dúvida? união onde houver discórdia?”

Não é o Papa um instrumento de Deus para levar paz onde houver guerra?

E mais, na minha santíssima ignorância de sempre, pergunto :

– Quem foi à Cuba, em 2015, visitar o genocida Fidel e, no mesmo ano, também recebeu o sanguinário ditador Raúl Castro nas ricas e santificadas dependências do Vaticano, por acaso, tem lastro moral para recusar a visita de algum mortal em seu suntuoso palácio?

Papa Francisco, em 2015, recebendo no Vaticano a visita do sanguinário assassino Raúl Castro

É por essa e outras incoerências que a Igreja Católica vem batendo record de perda de fiéis no Brasil. São quase 500 por dia.

É, pelo andar da carruagem, parece que nem o Papa autointitulado Francisco leu a Oração da Paz, também denominada de “Oração de São Francisco”, mas que na verdade é anônima. Ela foi escrita no século XX , tendo aparecido inicialmente em 1912 num boletim espiritual em Paris, França.

Mesmo escrita há tanto tempo parece que o atual pontífice da Igreja Católica, dela ainda não tomou conhecimento.

Papa Francisco na ilha-prisão de Cuba, em 2015, sendo recebido pelo genocida Fidel Castro

14 outubro 2017 FULEIRAGEM

J. BOSCO – O LIBERAL (PA)

AMORES INCERTOS

Eu apenas queria que você soubesse da minha vontade de dizer tanta coisa, escrever outras tantas. Algo que tivesse cores, nomes. Algo que me curasse de noites insones que jamais quis dormir. Coisas que nem sei dizer, aquelas certas coisas que devem ficar no silêncio. Como as velhas canções que terminam, mas nunca param de tocar.

Coisas do tempo de lua e estrela, da ternura que não se envergonhava de se envergonhar por timidez juvenil. Da flor do cáctus sob o sol de janeiro, fevereiro… qualquer sol. Das maçãs que amanheciam alvas como se meninas em flor fossem. Dos bandolins que ninguém mais ouvia, porque não havia mais ninguém além de nós.

Ah!… Eu queria poder lhe dizer tantas coisas, doces como você, que eu não disse porque não disse, porque não ouvi. Porque não deu tempo. Porque não soube do que teria havido se desdito fosse, se dito houvesse sido. Onde está você agora? Onde fomos parar?

Teu zói é a flor da paisagem
Sereno fim da viagem
Teu zói é a cor da beleza
Sorriso da natureza
Azul de prata, meu litoral
Dois brincos de pedra rara
Riacho de água clara
Roupa com cheiro de mala
Zoim assim são mais belos
Que renda branca na sala
Quem vê não enxerga a praia
Teus zói no fim da vereda
Amor de papel de seda
Teus zói clareia o roçado
Reluz teu cordão colado
Que renda branca na sala…
Nóis no lençol de cambraia!

Ah!… O tempo do vento nordeste soprando pleno, sem temores, sem madrugadas interrompidas. A música na vitrola. A toada dos afagos sorrateiros, certeiros sob a luz das estrelas bruxuleantes na direção do dia. Arrebatadores, sem dó nem piedade, como o mar se atirando nas pedras, carinho selvagem da natureza. Amor de papel de seda.

Açoite que nunca termina até a maré baixar e revelar a quietude da areia molhada, que vai secando para se espalhar por todos os ventos da rosa dos ventos. Desmantelando os pontos cardeais e colaterais, desviando as direções planejadas, desarrumando a razão. Escrevendo outra história em mal traçadas linhas. Em passos firmes e tropeços.

Onde estão as crianças que fomos, querendo ser adultas? Que bobagem tentar apressar aquele tempo para ver o que se passaria no amanhã! Para que tentar conhecer antes este agora que ainda era futuro, para, neste futuro que é presente sem futuro, sentir tanta vontade de voltar para aquele passado, que era o presente que a gente encurtou por impaciência?

Crianças nos claros da tarde
Cachorros na boca da noite
Os galos nos dentes do dia
Cada desejo é um açoite
Eu nunca volto nem vou
Apenas sou
Aberta aquela janela
Este peito estrangulado
O que não digo me queima
Não satisfaz o falado
Não te odeio nem te amo
Apenas chamo
Viaja o vento nordeste
Cavalo de meu segredo
Se estás comigo distraio
Se vais, eu morro de medo
Eu não me lembro nem esqueço
Adormeço

Não sei em que ponto sua mão escorregou entre os meus dedos, onde deixamos de sentir nossos cheiros, nos perdemos de vista e do futuro que poderia ter sido. Por mais que insista em lembrar, não sei. Não vi, não vejo, não verei o elo que se quebrou. Há uma bruma em meu olhar, que chegou no frio que a chuva trouxe batendo na janela.

Quis, quero, quererei vencer o medo de dobrar a esquina que sempre me paralisou. Ali estava o futuro que eu não quis encarar por timidez juvenil. Ali está o passado que perdi por sensatez pueril.

Por mais que se tente escapar, a vida é precisa. Nas dores, nos risos, no cortejo pelas veredas, nos sussurros que incendeiam o coração. Era assim que tinha de ser. E foi! E vai até o próximo será. Como terá sido quando eu estava no seu lábio tocando o botão vermelho, quase flor. Nosso mistério. E seguirei pela vida sendo. Ouvindo seu pensamento. Mudo. De lugar. Não falo. Dou de ombros ao grito sufocado. Contradigo e acato. Desacato conformado. Amenizo.

Neste exato momento em que você me chega escrita, estou ouvindo o seu movimento suave. Aquela canção, enquanto escrevo tudo que você reconheceria imediatamente como louvor ou réquiem que tanto podem ser. Um ou outro.

Vem morena ouvir comigo essa cantiga
Sair por essa vida aventureira
Tanta toada eu trago na viola
Pra ver você mais feliz
Tanta saudade eu já senti, morena
Mas foi coisa tão bonita
Da vida, nunca vou me arrepender

Eu precisava escrever. E escrevi pelos amores que não dão certo porque são fortes demais, líquidos e certos. Por mim. Pela distância e pelo tempo que passou. Por tudo que houve, por tudo que não houve e por tudo que haverá até terminar tudo. Ou não.

Daqui a alguns dias serão dias que passarão, que podem ser para sempre ou nunca mais. Nada demais, haverá o amanhã como houve o ontem. É certo que o hoje mata de dúvida entre o ir e o não ir. Adormeço. Quem sabe eu sonho? Assim, amanheço.

Dedicado a Fulano – que não tem nome porque cabem todos os nomes –,
velho amigo, que chorou comigo seu amor incerto, com dor e esperança.
Ao redor de uma mesa de bar,
cercados de cervejas, embriagados de lembranças.
E de futuros. Incertos como os amores.
“Haverá!”, eu disse. E calei.
Não sei se por sofrimento ou sossego.
Não fosse o amor assim tão incerto…

Trechos de:
Flor da paisagem (Robertinho de Recife-Fausto Nilo)
Vento Nordeste (Sueli Costa-Abel Silva)
Toada-Na direção do dia (Zé Renato-Cláudio Nucci-Juca Filho)

14 outubro 2017 FULEIRAGEM

MIGUEL – JORNAL DO COMMERCIO (PE)

“SE A MORTE TIRASSE FÉRIAS” – UM EXCELENTE CORDEL

Eu gosto muito de escrever cordéis, mas também gosto muito de ler, principalmente quando um cordel é bom. Recentemente, recebi o cordel “Se a morte tirasse férias ou A importância da morte”, de autoria do poeta e amigo Cícero Lins. Foi um dos melhores cordéis que li ultimamente.

A qualidade dos cordéis de Cícero Lins eu já conheço há muito tempo. Seu capricho na métrica, rima e oração é louvável. Foi por isso que gravei seu poema “Você me lascou, Tereza!”, no CD Causos e Cordéis I, em 2009. Além disso, Cícero é bastante criativo quanto aos temas que desenvolve, mas dessa vez ele foi longe numa observação que poucos atentam, “a importância da existência da morte”.

À medida que eu lia esse interessante cordel, só me vinha à mente a música “O dia em que a terra parou”, do saudoso Raul Seixas, onde as pessoas não precisavam mais trabalhar, porque elas não eram mais úteis a ninguém. No cordel de Cícero Lins, a morte tirou férias de um mês e com isso foram se acumulando moribundos, acidentados, etc. Os lucros aumentavam para os laboratórios que vendiam mais remédios, enquanto havia prejuízo para as turmas dos funerais e crematórios. Foi prejuízo para floristas, enfermeiros, socorristas, vendedores de velas e muito mais.

Não morreu aposentado,
como em todo dia morre.
Deu-se aquele corre-corre
No Instituto do Estado;
Haja beneficiado
E mais só se aposentando.
Era o mundo reclamando.
O caso era muito sério.
Na Morada Cemitério
Tinha buraco sobrando.

Por conta disso, a população mundial aumentava até demais, pois ninguém morria, mas todo dia nascia gente. Com o descanso da morte, todo mundo se achava eterno. Porém, no mês seguinte, a morte voltou a trabalhar querendo tirar o atraso e aí as mortes de multiplicaram. Os hospitais se esvaziaram, os cemitérios ficaram superlotados e até o céu ficou congestionado.

Eu só quis mesmo mostrar
a importância da morte
em toda instância e sorte
em que se possa pensar.
No “Poder de equilibrar”,
Entra e sai o vendaval,
mas tudo volta ao normal.
Que Seja Feita a Vontade
do Bom Deus da Eternidade,
Bom Senhor do Original.

Além do bom humor, que lhe é peculiar, nesse cordel o poeta Cícero Lins deixa para reflexão que não podemos ter medo da morte, pois ela é fundamental para o equilíbrio do mundo.


© 2007 Besta Fubana | Uma gazeta da bixiga lixa