1 novembro 2017 FULEIRAGEM

SINFRÔNIO – DIÁRIO DO NORDESTE (CE)

A PRESSA PODE SER INIMIGA DA SOLUÇÃO

Já se vão 168 dias e até agora o presidente da República não deu uma explicação razoável para os motivos pelos quais recebeu no porão do palácio um hóspede inoportuno, acusado de vários delitos, que, nestes cinco meses foram lembrados pelo anfitrião, seus advogados e adeptos da permanência dele no poder. Nada há mais a fazer quanto a isso, a não ser esperar com resignação e a fé possível que ele conclua os 14 meses restantes do mandato que lhe cabe cumprir pelo fato de ter sido o número dois da chapa eleita em 2014, como manda a Constituição da República.

Diante do fato inexorável decretado pela maioria absoluta dos deputados federais eleitos na mesma ocasião, só nos resta desmentir as lendas que correm de boca em boca a respeito desse pedaço infeliz de nossa História. Talvez não seja demais lembrar que, ao contrário do que apregoa a esquerda minoritária, o mandato que autoriza seu exercício da chefia do Poder Executivo é tão legítimo quanto o era o da líder da chapa, Dilma Rousseff. Em nossa ordem constitucional vigente ninguém se elege sozinho. O candidato a presidente arrasta consigo seu sucessor. E todos os que agora empunham o lema “Fora Temer” podem muito bem partir para o sacrifício bíblico de rasgar as vestes, espargir cinzas sobre os cabelos, ajoelhar-se e rezar com fervor o ato de contrição. Afinal, Temer está no poder por obra e desgraça dos votos deles.

Essa, aliás, não é, como muitos podem pensar, uma circunstância isolada. Nem gratuita. Dilma é mesmo fruto da vontade de outros, mas não de um só, e sim, no mínimo, de dois patronos. Luiz Inácio Lula da Silva, dono do PT e deus ex machina da esquerda, impôs a adventícia aos petistas por ser senhor e suserano de seus votos de cabresto, mas estes não eram suficientes para elegê-la. Para que o poste das trevas fosse posto de pé seu padrinho teve de apelar para os universitários fisiológicos de plantão do PMDB, sob a inconteste liderança do constitucionalista Michel Temer. Sem tal apoio ela não chegaria ao segundo turno em 2010 e 2014.

Como aprecio repetir e os leitores bem sabem disso, a deusa Clio, que rege a História, é de uma ironia incomparável. O que acontece no Brasil hoje deve merecer boas gargalhadas dela no Olimpo. Os que elegeram o intruso querem que ele desocupe a cadeira. E o PSDB, derrotado nas duas eleições vencidas por Dilma e Temer, faz parte do governo que não queria, na esperança de que este cumpra o programa que seus sabichões da economia imaginam. O objetivo é justo. Afinal, depois da própria reeleição, Lula jogou no lixo da História as práticas de sensatez que mantiveram a herança bendita de Fernando Henrique, adotadas por ele no primeiro mandato. E aí arruinou o País assaltando a pobre República.

“Ruim com Temer, pior sem ele” é o refrão dos tucanos apanhados no furto generalizado que produziu a mais avassaladora crise ética, financeira, econômica e política da História desde as priscas eras em que os Andradas sabiam fazer a hora e não se avassalavam aos poderosos de plantão, como agora.

Quem tem consciência dos escassos dotes morais de Lula e das óbvias deficiências de inteligência e caráter de sua sucessora sabe muito bem que não há solução para a completa ablação dos caraminguás das contas públicas sem as reformas. A reforma trabalhista foi uma grande conquista e algo precisa ser feito de forma radical e urgente para evitar que o déficit da Previdência – negado por um bando de ilusionistas de boteco pé-sujo – cause o apodrecimento total do orçamento público.

É nobre a causa de quem aposta numa gestão federal capaz de deter a degeneração das contas, que provoca a crise em que agonizam o emprego de 12 milhões de trabalhadores, empresas que garantiriam o sustento de todos e a moral pública, trocada por milhões de reais de propinas guardadas até em apartamentos de laranjas. É imenso o alívio causado pelas recentes boas novas.

O problema é que, por enquanto, esses dados animadores ainda podem ser abalados pelas barganhas da Realpolitik. Quem não votou em Temer e se arrependeu de ter sufragado Aécio Neves e outros tucanos comprometidos na mesma roubalheira do PT e do PMDB nos governos de Lula e Dilma/Temer talvez não deva dar demasiada atenção a essas contas de redução do apoio do Congresso às reformas que o governo promete. Não tanto pelos efeitos da impopularidade do presidente, que em nada influi na rotina da administração da União. A preocupação deve se voltar para barganhas feitas pelo chefe do governo para impedir na Câmara as investigações por crimes de corrupção passiva, organização criminosa e obstrução de Justiça.

Os custos dessas barganhas vão muito além dos R$ 32 bilhões de dinheiro público empenhado, segundo Felipe Frazão em reportagem publicada no Estado, na compra de apoio dos votos “salvadores”. A bancada ruralista, responsável pelo agronegócio, que salva o Brasil do miserê, cobrou caro por seus 200 votos: a portaria, não importa se bem-intencionada ou não, que pôs o mundo de sobreaviso em relação a facilidades para o trabalho similar à escravidão. A reforma trabalhista, boicotada pelo açodamento dos agentes da Justiça especializada, é ameaçada pela troca de votos para Temer por facilidades para a cobrança obrigatória da indefensável contribuição sindical. E a impermeabilização da face do presidente abrindo mão da privatização do segundo aeroporto de maior movimento do País para atender a pleito do condenado no mensalão Valdemar Costa Neto e seu suspeitíssimo PR torna útil lembrar que a diferença notória entre este e Joesley Batista é que o marchante não foi condenado.

É preferível eleger presidente e congressistas que, legitimados, garantam, de forma permanente e mais segura, as conquistas necessárias para animar a economia, cuidar da saúde das empresas e recobrar os empregos perdidos. Quem tem pressa pode é passar fome.

1 novembro 2017 FULEIRAGEM

ZOP – CHARGE ONLINE

1 novembro 2017 HORA DA POESIA

A FLOR DO MARACUJÁ – Otacílio de Azevedo

Sintetiza essa flor, de uma estranha estrutura,
de um simbolismo em outras flores nunca visto,
todo o poema de amor que encerra, em miniatura,
vida, paixão, tortura e trespasse de Cristo !

Sobre o cálix, ao centro, a hóstia de etérea alvura
é de luz e pureza impressionante misto.
Cinco chagas em flor desabrocham… Fulgura
a estrela, o emblema ideal pelos Magos previsto.

Postos à forma de um triângulo perfeito
os três cravos. A esponja, a coluna, o martelo
e a aguda lança cruel que lhe rasgara o peito.

E a contornar a flor, alva como os arminhos,
fulge, evocando o horror do supremo flagelo,
como um círculo rubro, a Coroa de Espinhos !

1 novembro 2017 FULEIRAGEM

LUCIO – CHARGE ONLINE

MARUN ATRIBUI A DANÇA DA VASSALAGEM AO EXCESSO DE FELICIDADE

1 novembro 2017 FULEIRAGEM

AMORIM – CHARGE ONLINE


www.cantinhodadalinha.blogspot.com
UM CANTO PARA MACIÇO DE BATURITÉ

Maciço de Baturité – Foto de Tranquilino

A sombra d’uma mangueira
Ao calor do pensamento
Com o olhar fixo no nada
Reflete sobre o momento
Conjectura sobre vida
Abre e magoa a ferida
Em minutos de lamento.

Deixa a maleta de lado
Aberta largada ao chão
Enquanto bate no peito
As cordas do coração
Que pulsam pelo país
Sem conseguir ser feliz
Sem entender a nação.

A paz está no seu corpo
Entintando a vestimenta
Pois a guerra em cada esquina
É algo que lhe atormenta
Sentindo essa imprecisão
Sonha com a solução
E a realidade lamenta.

1 novembro 2017 FULEIRAGEM

YKENGA – CHARGE ONLINE


http://pinheirochumbogrosso.blogspot.com.br
CARLITO LIMA, MESTRE GRAÇA E OS INTELECTUAIS FUBÂNICOS…

No último dia 26 de outubro, quinta-feira passada, tive uma satisfação estupefaciente, e porque não dizer comovente e orgulhosa quando de repente, não mais que de repente deparei-me têti à têti com um discípulo de Luiz Berto (que não o conhecia pessoalmente, como também não conheço o Berto), comandando uma mesa redonda farta de poetas, jornalistas, prosadores e intelectuais: trata-se do excelente colunista Carlito Lima que nos honra com uma coluna no JBF, intitulada Histórias do Velho Capita.

Este abalroamento aconteceu em razão da minha pessoa se fazer presente na cidade de Palmeira dos Índios-AL, participando de um encontro literário. Do ato cultural constava de uma programação bastante requintada, homenageando dois escritores palmeirenses da melhor estirpe, Graciliano Ramos e Ivan Barros que hoje está com 74 anos de idade. A agradável cidade histórica de Palmeira dos Índios se transformou na Capital da Cultura das Alagoas quando promoveu a I Festa Literária de Palmeira dos Índios – FLIPALMEIRA, realizada durante a Semana Graciliano Ramos, no período de 25 a 28 de outubro passado, tendo como local de encontro as amplas instalações do casarão denominado de Corredor do Mestre Graça.

Como relatou, recentemente, o próprio escritor Carlikto Lima ao afirmar que enquanto na Argentina cada habitante lê em media 4 livros por ano, no Brasil isso fica na base da metade. É uma contradição curiosa: num país onde a média de leitura é de apenas dois livros inteiros por ano, enquanto isso, o número de feiras, festas, salões de leitura, bienais, jornadas e festivais aumenta ano a ano.

Muitos hão de convir que, atribui-se, e com razão, o sucesso desse tipo de evento ao exemplo bem-sucedido da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que caminha para sua 16ª edição. A Flip já levou à cidade autores do porte do Egípcio Eric Hobsbawm, o norte-americano Robert Crumb, do britânico Christopher Hitchens e a sul-africana Nadine Gordimer, mudando completamente a percepção turística de Paraty. Muitas cidades imitam até o nome do evento: depois da Flip, já surgiram a Fliporto, em Porto de Galinhas (desde 2014, ela se mudou para Olinda-PE e, infelizmente, fora cancelada em 2016); e outras tantas, como a Fliro, em Ariquemes, Rondônia; a Flimar, em Marechal Deodoro, Alagoas; a Flivima, em Visconde de Mauá, Rio de Janeiro; a Flimt, em Cuiabá, Mato Grosso; a Flap, em Calçoene, Amapá; a Flipipa, em Pipa, Rio Grande do Norte; a Flaq, em Aquiraz no Ceará e a nossa caçula FLIPALMEIRA, lá pras bandas das Alagoas de Graciliano Ramos no trajeto entre Quebrangulo/Palmeira dos Índios.

É óbvio e ululante (não quis me referir ao nível cultural do Lula) que, se sonhamos com um Brasil grande temos que educar a pivetada. Para isso, nada melhor do que incutir nesses seres em formação o apreço pela leitura e pelo conhecimento. Precisamos reconhecer a Literatura como um patrimônio cultural da sociedade e um instrumento de preservação da sua memória. Do contrário, temos que nos recorrer mais uma vez ao fubânico Carlito quando ele afirma com uma precisão milimétrica o seguinte: ’’A verdade é que o livro foi praticamente expulso da vida pública brasileira. Você não vê as pessoas lendo nas praças, nas ruas, nos ônibus. As publicações perderam muita força. A imagem do livro se desgastou a tal ponto que precisamos de campanhas e mais campanhas de incentivo à leitura no país.’’.

Como se sabe é importante criar nas pessoas o desejo de ler. Afinal, ler um livro, debatê-lo, trocar opiniões, discuti-lo é uma terapia prazerosa. Na verdade, a criançada deveria ser amamentada pelo hábito da leitura. Só assim, os autores seriam energizados pela satisfação desse público juvenil entusiástico da leitura. Até porque, o jornalista e escritor Zuenir Ventura (autor do livro que se tornou um sucesso de vendas intitulado 1968: O Ano que Nunca Terminou), costuma afirmar o devido e adequado comentário: “A leitura no Brasil sempre foi uma obrigação chata, um dever, não um prazer’’. Finalmente, nos escritos do colunista do JBF, Carlito Lima, li uma frase de profunda meditação observada pelo poeta Affonso Romano de Santanna, quando ele afirma que: ‘’O Brasil tem muitos escritores, precisamos é de fazer leitores.’’…

1 novembro 2017 FULEIRAGEM

NICOLIELO – JORNAL DE BAURU (SP)

AS DELAÇÕES DOS CORRUPTOS DE MATO GROSSO RONDAM O SUPREMO

A releitura do tiroteio verbal entre Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes revela uma diferença essencial. Gilmar improvisou. Barroso tinha na cabeça uma fala memorizada, cuidadosamente construída para que os golpes retóricos atingissem o adversário no limite da linha da cintura. Em vez de acusá-lo explicitamente de mentiroso e parcial, por exemplo, Barroso disse que Gilmar “normalmente não trabalha com a verdade” e “vai mudando a jurisprudência de acordo com o réu”.

Barroso também qualificou o misericordioso tratamento dispensado aos corruptos de estimação pelo ministro da defesa de culpados com um linguajar enganosamente polido: Gilmar teria estabelecido “uma parceria com a leniência em relação à criminalidade do colarinho branco”. O golpe mais rude, contudo, foi o menos notado pela plateia nacional. Ao ouvir que o Rio de Janeiro hoje não serve de exemplo para nada, Barroso replicou com uma alusão ao estado natal do oponente: “Vossa excelência deve achar que é Mato Grosso, onde está todo mundo preso”.

Gilmar foi à tréplica: “E no Rio, não estão?” Existem semelhanças entre os dois Estados, mas as diferenças são mais relevantes e, sobretudo, mais perigosas. O ex-governador fluminense Sérgio Cabral e outros figurões do seu reinado estão na cadeia. Da mesma forma, o ex-governador mato-grossense Silval Barbosa ficou um ano preso e só deixou a gaiola graças a um acordo de delação premiada. Foi esse o caminho que devolveu o direito de ir e vir ao ex-deputado José Riva, eterno chefão da Assembleia Legislativa.

A mais robusta diferença é que Barroso não tem nada a ver com Sérgio Cabral. Além de contemplar Silval com sucessivas demonstrações de amizade, Gilmar libertou José Riva com um habeas corpus. Os dois corruptos mato-grossenses só começaram a contar o que sabem. Logo estarão tratando de bandalheiras que envolvem o Poder Judiciário. É certo que as incontáveis patifarias não se limitam à primeira instância.

1 novembro 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA


http://www.apoesc.blogspot.com.br
MEU CINQUENTENÁRIO

Foram tantas veredas pedregosas
Na roleta do tempo não há fugas
Minha face marcada pelas rugas
Minhas mãos resistentes já calosas
Palmilhando por trilhas perigosas
Nem pensava que aqui eu chegaria
Mas com força, coragem e teimosia.
Vou chegando no meio da escada
Meio século de vida é muita estrada
Obrigado meu Deus por mais um dia

Entre flores, tropeços e espinhos
Adentrei-me na casa dos cinquenta
Nessa estrada longínqua e poeirenta
Vou cantando que nem os passarinhos
Se derrapo nas curvas dos caminhos
Não recuo jamais na travessia
Toco o barco buscando a calmaria
Com esperança e alma renovada
Meio século de vida é muita estrada
Obrigado meu Deus por mais um dia

No percurso da minha trajetória
Precisei de um irmão e dei abrigo
Recebi o calor de um ombro amigo
Que embalou-me no rumo da vitória
Na calada compus a minha história
Enfrentando sol quente e ventania
Mato a fome com o pão da poesia
Trago o verso na mão como uma espada
Meio século de vida é muita estrada
Obrigado meu Deus por mais um dia

Obrigado meu Deus, muito obrigado
Pela dádiva sagrada da família
Pelas horas constantes de vigília
Que estivestes comigo lado a lado
Pelos sonhos que eu tenho conquistado
Por mostrar-me na dor sabedoria
Pelos grandes momentos de alegria
Pela força da fé inabalada
Meio século de vida é muita estrada
Obrigado meu Deus por mais um dia

1 novembro 2017 FULEIRAGEM

MICHELÂNGELO – CHARGE ONLINE

1 novembro 2017 JOSIAS DE SOUZA

FUNARO CHORA E LISTA DELATADOS: TEMER E ETC…

Apontado como operador do PMDB, o corretor de valores Lúcio Funaro afirmou em depoimento à Justiça Federal que o presidente Michel Temer (PMDB) tinha conhecimento do suposto esquema de propina na Caixa Econômica e disse já ter se encontrado com o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) mais de 700 vezes. Ao falar sobre a decisão de firmar um acordo de delação, Funaro chorou ao lembrar da relação com sua família. Temer e Cunha têm negado a participação em qualquer ato irregular.

1 novembro 2017 FULEIRAGEM

SINOVALDO – JORNAL NH (RS)

ARRUANDO PELO CEMITÉRIO DE SANTO AMARO

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A cidade do Recife sofreu grandes transformações na sua paisagem quando da administração de Francisco do Rego Barros (1802-1870), que veio a ser barão, visconde e finalmente Conde da Boa Vista.

Formado em matemática pela Universidade de Paris, com apenas 35 anos de idade, foi designado presidente da província de Pernambuco, ficando no cargo de 1837 a 1844, época em que o trouxe para o Recife o engenheiro francês Louis Léger Vauthier (1815 – 1901), responsável pela construção do Teatro de Santa Isabel (1850) e de importantes obras públicas.

É desta época a presença na equipe de obras públicas do Governo da Província do engenheiro José Mamede Alves Ferreira (1820-1865), Bacharel em Matemática pela Universidade de Coimbra, que além dos prédios da Casa de Detenção e do Ginásio Pernambucano foi responsável pelo projeto do Cemitério Público do Senhor Bom Jesus da Redenção, criado em 1841, pela Lei Provincial nº 91, tendo sido inaugurado em 1º de março de 1851.

Trata-se de uma área plana, originalmente ocupando um terreno de 351,35 m. de fundos por 320 m. de largo, tendo ao centro uma elegante capela em estilo gótico, em forma de cruz grega, para onde convergem todas às alamedas de túmulos dando, assim, um formato estelar ao conjunto.

Seria um ponto turístico do Recife, como acontece nas diversas cidades da Europa e mesmo das Américas, mas, infelizmente, não é de visitação habitual nem indicado por nenhum dos guias por nós consultados.

Bem conservado pela atual administração municipal, o Cemitério de Santo Amaro, chama a atenção do visitante para o seu portão de entrada, trazendo na sua base a data de MDCCCLI (1851), confeccionado em ferro fundido pela firma A.C. Staar & Cia. (Fundição Aurora), a mesma responsável pelos portões do Cemitério dos Ingleses e da Ordem Terceira do Carmo do Recife.

Aleias de palmeiras imperiais marca a avenida principal, ladeada pelos primeiros túmulos do início da segunda metade do século XIX, que conduz o visitante até a capela em estilo gótico, octogonal, situada ao centro do campo santo.

Nas diversas alamedas do Cemitério de Santo Amaro, vamos encontrar singulares obras de arte de escultores diversos que estão a exibir o seu talento nos diversos túmulos alguns deles centenários.

No ponto de confluência de suas ruas, encontramos uma singular capela gótica, a primeira do seu gênero em terras pernambucanas, projetada por José Mamede Alves Ferreira (1820-1865), mandada construir pela Câmara Municipal do Recife em 1853.

“Trata-se de um monumento de puro estilo gótico de cruz grega, fechada por uma só abóbada, de uma belíssima e arrojada construção, e de grandeza proporcional ao fim a que é destinada, sem campanário e sem dependências”.

Tem no seu centro uma imagem do Cristo Crucificado, em ferro, produto de fundição francesa, tendo na sua abóbada placas de mármore alusivas às diversas fases de sua construção, como as restaurações sofridas nos anos de 1899 e 1930:

A Câmara Municipal do Recife a mandou fazer em 1853,…1855, segundo o plano do engenheiro civil José Mamede Alves Ferreira.

– Reaberta e melhorada na administração do Exmo. Dr. Esmeraldino Olympio de Torres Bandeira, prefeito do Município do Recife. Em 16 de junho de 1899.

– Restaurada na administração do Exmo. Sr. Dr. Francisco da Costa Maia, prefeito do Município, 1930.

Relembrando a observação do escritor Rubem Franca (in, Monumentos do Recife – Recife, 1977): O Cemitério encerra muito da cultura de um povo. Santo Amaro, aliás, ainda aguarda quem lhe faça um estudo completo, um levantamento dos sepulcros de pernambucanos famosos e populares. Um estudo dos seus monumentos funerários, que são, alguns verdadeiras obras de arte.

Joaquim Nabuco e outros túmulos

O mais suntuoso dos túmulos é dedicado ao Patrono da Raça Negra, o abolicionista Joaquim Aurélio Nabuco de Araújo (1849-1910), obra do escultor italiano Giovanni Nicolini; sendo encarregado de montar em Pernambuco outro escultor, também italiano, Renato Baretta, em novembro de 1914.

O conjunto escultórico retrata a Emancipação do Elemento Escravo, em 13 de maio de 1888, dsc_7089formado por um grupo de ex-cativos levando sobre suas cabeças o sarcófago simbólico do grande abolicionista. À frente do monumento, o busto de Joaquim Nabuco, em mármore, tendo ao seu lado uma figura de mulher (a história), que ornamenta de rosas o pedestal do busto, onde se lê: A Joaquim Aurélio Nabuco de Araújo. Nasceu a 19 de agosto de 1849. Faleceu a 17 de janeiro de 1910.

Logo em frente ao mausoléu de Joaquim Nabuco, encontra-se o túmulo de José Mariano Carneiro da Cunha (1850-1912), também destacado líder do movimento abolicionista e de sua mulher Olegária (Olegarinha) Gama Carneiro da Cunha (1860 – 1898).

Um busto em bronze do abolicionista e estátua de uma mulher chorando, conservando as inscrições: À José Mariano / o Povo / Pernambucano. / Olegária Gama Carneiro da Cunha, 16-9-1860, 24-4-1898.

Outro belo túmulo do Cemitério de Santo Amaro, porém, pertence ao Barão e da Baronesa de Mecejana: Antônio Cândido Antunes de Oliveira e Colomba Ponce de Leão.

“O túmulo é todo feito em mármore de Carrara com grande influência dos romanos, por causa do sentimento católico. O formato de tocha invertida é símbolo da morte e da expectativa de que essa luz se reacenda”, explica o escultor e responsável pela última restauração do túmulo, Jobson Figueiredo, realizada em 1999.

Sobre seu mausoléu, escreve o próprio Barão de Mecejana, em seu testamento, conservado no Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico Pernambucano, ter sido o túmulo destinado, inicialmente, a sua filha e seu genro que faleceram de uma das epidemias que assolaram o Recife na segunda metade do século XIX. A posição do barão e baronesa, em genuflexo, demonstra a atitude do casal durante a doença que vitimou o casal.

Como bem observou o escritor Clarival do Prado Valadares, in Arte e Sociedade nos Cemitérios Brasileiros (1972), vale reparar também o detalhe das esculturas em mármore do barão e da baronesa, que reproduzem até a textura de uma veste rendada.

Segundo estudo da pesquisadora Semira Adler Vainsencher, da Fundação Joaquim Nabuco:

“Vários mausoléus imponentes podem ser encontrados, também, no cemitério de Santo Amaro. O do governador Manuel Antônio Pereira Borba, mais conhecido como Manuel Borba, possui uma mulher com torre na cabeça, e em seus pés um grande leão de Pernambuco. No mausoléu, uma frase que ficou famosa: Pernambuco não se deixará humilhar. E a sua efígie, com a seguinte inscrição:

Cidadãos: quando quiserdes advertir aos vossos governantes, incitar os vossos compatriotas e educar os vossos filhos, apontai-lhes o exemplo que foi Manuel Borba – probidade e caráter – lealdade – bravura cívica. MCMCCCII. [sic]”

Um passeio pelas ruas e alamedas do Cemitério de Santo Amaro se transforma num verdadeiro desfilar de nomes que se destacaram na nossa história, particularmente nos movimentos revolucionários e movimentos literários, bem como nas artes, na poesia, na música popular e na própria história pernambucana.

Uma visita ao Cemitério de Santo Amaro se torna uma verdadeira aula de sapiência das mais diversas áreas do conhecimento humano, daí o nosso convite para tão agradável arruar.

1 novembro 2017 FULEIRAGEM

DUKE – O TEMPO (MG)

AMARELO


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