3 novembro 2017 FULEIRAGEM

MAYRINK – CHARGE ONLINE

DEZ REPENTES DE PRIMEIRA

Otacílio Batista Patriota, nascido em set/1923, atualmente com 94 anos

* * *

Otacílio Batista

Existe quem diga que as lindas sereias
São fatos, são lendas que nunca existiram
Mas esses só dizem porque nunca viram
Morenas bonitas nas alvas areias
Maiôs sungadinhos, perninhas bem cheias
Que um frade de pedra não vê sem corar
As pontas agudas roliças de um par
De seios pulando num colo maciço
São pomos formados de puro feitiço
Quem é que resiste na beira do mar.

* * *

Ivanildo Vilanova

É o céu uma abóboda aureolada
Rodeada de gases venenosos
Radiantes planetas luminosos
Gravidade na cósmica camada
Galáxia também hidrogenada
Como é lindo o espaço azul -turquesa
E o sol fulgurante tocha acesa
Flamejando sem pausa e sem escala
Quem de nós poderia apagá-la
Só o santo doutor da natureza.

* * *

Cicinho Gomes

Depois que mamãe morreu,
Aumentaram meus fracassos.
Se estou dormindo desperto
Parecendo ouvir os passos
Daquela que em muitas noites
Me deu por berço os dois braços.

* * *

Aldo Neves

A lua no céu vagueia
Como um barco que flutua
Inspirando o seresteiro
Jogando os raios na rua
Tudo que o poeta é
Só deve a Deus e a lua.

Pra lua sair bonita
Deus é quem abre a janela
E o quadro azul do espaço
A natureza pincela
Num sei quem é mais bonita
Se a noite ou se é ela.

* * *

Ademar Macedo

Deus na sua magnitude,
Fez do sertão um palácio,
Deixou escrito um prefácio
Na parede do açude;
Disse da vicissitude
Da flor e do gineceu,
De um concriz que se escondeu
Nos garranchos da jurema,
O sertão é um poema
Que a natureza escreveu.

* * *

Ismael Pereira

Depois que meu pai morreu
Minha mãe ficou sozinha
Na sua vida de pobre
Trabalhando pra vizinha
Estragado a vida dela
Pra dar conforto a minha.

* * *

Hélio Crisanto

Quando ouço o cantar da seriema
Se coçando na trave da cancela
Juriti “avoando” perto dela
Parecendo uma tela de cinema;
Uma cobra no ninho bebe a gema
A cigarra completa a melodia
Uma cabra deitada dando cria
Um cavalo deitado joga crina
Quando o sol, de manhã, rasga a cortina
O sertão se desmancha em poesia.

* * *

Bob Motta

Nem ostra, nem catuaba,
Nem caldo de tubarão,
Culhão de touro ou pirão,
Nem mesmo, uma caldeirada;
Vai levantar a “finada”,
Que vive olhando p’ro chão.
Nem pentelho de barrão,
Lhe digo, na minha verve;
Isso de nada lhe serve,
Quando se acaba o tezão.

* * *

Luiz Ferreira Lima

Acho lindo um bonito vagalume
Reluzindo sua luz na escuridão
Um luzidio e pomposo alazão
Quando trota exibindo seu negrume
Como é lindo os peixinhos em cardume
Se unindo pra escapar do predador
Não se imita o “rasante” de um condor
Nem o charme de uma bela “margarida”
Isso tudo pra mostra na nossa vida
Quanto é grande o poder do Criador!

* * *

Manuel Rabelo

Uma casa tão singela
Sem luxo e sem mordomia,
Ninguém diz que ali um dia
Morou muita gente nela
Já não tem mais na janela
Um jarro com uma flor;
E um cachorro caçador
Deitado lambendo a mão
São lembranças do sertão
Que guardo com muito amor.

3 novembro 2017 FULEIRAGEM

GABRIEL RENNER – DIÁRIO GAÚCHO

RIACHO DO GAMA

3 novembro 2017 FULEIRAGEM

AROEIRA – O DIA (RJ)

3 novembro 2017 FERNANDO GABEIRA

A MÁQUINA DO TEMPO

Que período é este em que entramos após a rejeição da segunda denúncia contra Temer? Imagino um remanso político até o fim do ano e entrada em cena da campanha de 2018.

Alguns analistas acham que os políticos se fortaleceram. Outros, que eles descobriram ser possível enfrentar com êxito a opinião pública. Esquecem que estão em confronto com a sociedade, logo, ela enfraqueceu.

O maior golpe nas expectativas positivas veio do Supremo. Há uma pressão contra o foro privilegiado. Ele foi amplificado com a decisão de submeter medidas cautelares contra parlamentares ao Congresso.

Nos três anos de Lava Jato, o Supremo manteve regularidade no seu índice de condenação dos políticos envolvidos: zero. Numa país onde algumas pessoas se colocam acima da Justiça, estamos, na verdade, sujeitos à lei da selva, isto é, à lei do mais forte.

As concessões que Temer fez para se preservar no cargo transformaram o esforço de reduzir os gastos numa tarefa de Sísifo. Os acertos da dívida das empresas com o governo ficaram mais flexíveis. Perda de arrecadação. Os políticos aliados barraram a privatização do Aeroporto de Congonhas.

Se o capital do Estado agoniza no vaivém de cortes e concessões, o capital político de Temer, que já era modesto, foi abalado por dois acordos.

Na primeira denúncia, Temer determinou a abertura de uma reserva mineral na Amazônia. Em outra, amenizou a lei de combate ao trabalho escravo. Ambos são temas passíveis de uma discussão racional. No entanto, o acordo com os ruralistas impunha uma decisão monocrática.

Um Congresso blindado e um presidente que apenas sobrevive no cargo são um peso morto. A semana foi marcada por relatórios indicando o crescimento da violência no País. Não se fala disso. O plano de segurança de Temer não saiu do papel. O tema passa ao largo de todo o universo político. Apenas Jair Bolsonaro trata dele, o que dá a impressão de que suas propostas são as únicas para enfrentar o problema. Naturalmente, os candidatos apresentarão as suas. Mas é evidente que, se não mergulham no tema desde agora, serão menos convincentes.

Nesta ligeira calmaria na política, a vida real não dá trégua. O ministro da Justiça nos colocou, os que vivem no Rio, numa situação delicada. Ele afirma haver conluio entre o governo e o crime organizado e que os comandantes da PM estão no esquema. Segundo Torquato Jardim, nem o governador nem o secretário de Segurança controlam a polícia e isso só mudará depois das eleições de 2018. Ainda estamos em novembro.

A generalização do ministro da Justiça é incorreta. Há bons comandantes e muitos policiais que perdem a vida nas ruas.

É um remanso perigoso este. Ele certamente vai influenciar o período que lhe sucede: as eleições.

A ainda débil retomada econômica e ligeira recuperação do emprego não bastam para evitar a tensão. No front cultural já é uma incômoda realidade, conflitos em torno de temas que poderiam ser tratados racionalmente terminam em insultos.

O próprio Supremo, de quem se espera frieza e serenidade, sobretudo neste momento do País, transmite ao vivo discussões agressivas como a travada por Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso.

São fatores de instabilidade que tornam mais difícil o caminho da mudança, pois contribuem, indiretamente, para a polarização esquerda-direita, como se nos lançassem, na máquina do tempo, ao período da guerra fria. Uma intensa luta ideológica é inevitável. Mas se domina a cena morre com ela a chance de um diagnóstico mais próximo da realidade. E, consequentemente, ressalta fórmulas esgotadas como a do governo militar e a experiência lulopetista.

Para ser coerente com sua tática de negação dos seus crimes, o PT analisa que errou por não ser duro, não ter confrontado os conservadores. Daí a proposta de controlar os meios de comunicação, a ameaça de retaliar procuradores e juízes.

Bolsonaro sonha com a militarização das escolas no Brasil. Apoia-se no melhor rendimento dos colégios militares. E diz que a disciplina é a razão da boa qualidade do ensino. Talvez esteja pensando com os padrões da revolução industrial, do treinamento de trabalhadores fabris. No mundo complexo em que vivemos, a iniciativa, a criatividade são instrumentos de sobrevivência, assim como ser flexível para sobreviver diante da precarização do trabalho.

Isso não significa defender a indisciplina. Apenas afirmar que cada época demanda uma combinação de restrições e liberdades que preparem as pessoas para sobreviver nela.

Se erramos a mão, corremos o risco de formar um exército de desempregados, disciplinados, que se levantam quando entra o professor e cantam o Hino Nacional. Da mesma forma, se usarmos o método Paulo Freire, concebido para ser um instrumento de vanguarda para formar revolucionários, corremos o risco de incendiar a juventude com sonhos sepultados pela História. Esse é apenas um lance da polarização no setor mais importante para alavancar a mudança.

O colapso do sistema político-partidário não deixou pedra sobre pedra. O encastelamento, no fundo, é uma tática do tipo depois de nós, o dilúvio.

No Rio, parte da sociedade não achou o caminho para evitar o que lhe pareciam duas regressões: uma esquerda do século passado ou um mergulho na Idade Média, quando Igreja e Estado se confundiam. Houve um grande número de votos em branco, mas venceu uma das regressões.

Não creio que o Brasil caia na mesma armadilha: de um lado, a nostalgia do governo militar; de outro, a estrada para a Venezuela. Mas é preciso levar em conta que o sistema político apodrecido nos empurra para isso.

O período é favorável para refletir sobre alternativas. Uma corrente mais colada nos fatos pode até perder. Mas é uma chama que não pode se apagar. Um dia, escaparemos da máquina do tempo.

3 novembro 2017 FULEIRAGEM

SID – CHARGE ONLINE

A CASA E O BOTÃO

Matilde, 23 anos, vitalidade de 16 e juízo de um pinto com um dia de nascido, era alta, bonita, exuberante, seios e quadris avantajados. Depois de passar dois anos no Rio de Janeiro, voltou para Natal muito traquejada. Leviana e coquete, todo namorado que arranjava, só queria mesmo se aproveitar dos seus dotes físicos.

Estava no auge, a marchinha de carnaval que dizia:

“Ei, como é que é? É pra casar, ou pra que é?”
Matilde só arranjava namorados do tipo “pra que é”.

Conheceu Joanildo, contador, 23 anos, noivo da sua amiga Soninha. Na mesma hora, lançou sobre o rapaz um olhar “pidão”, e a atração foi mútua. Surgiu entre os dois uma paixão violenta. Nas “entrelinhas” do dia, Joanildo investiu em telefonemas e galanteios, marcando encontros para “bater papo” com a amiga de sua noiva. Como grande caçador que era, sua intenção era apenas levar a rês ao “matadouro”. Afinal, era noivo de Soninha e a data do casamento estava próxima.

Entretanto, conseguido o seu intento, Joanildo sentiu-se perdidamente apaixonado por Matilde, sendo por ela correspondido. Sem que a noiva suspeitasse, passaram a se encontrar diariamente, e os encontros eram cada vez mais quentes. A paixão entre os dois se tornou-se avassaladora e já não dava para controlar.

Joanildo e Soninha estavam noivos há mais de um ano e já de casamento marcado. A casa onde iriam residir já estava mobiliada. Diariamente, Soninha ia até lá, levando coisas do enxoval para guardar. Às vezes, a amiga Matilde a acompanhava e a ajudava a guardar peças do enxoval, na cômoda e no guarda-roupa. Sem escrúpulos, Matilde dava risadas, vendo a pureza de Soninha, preocupada com a noite de núpcias, que estava próxima.

O noivo passou a viver um dilema. Chegara à conclusão de que o amor de sua vida era Matilde. Entretanto, não tinha coragem de acabar o noivado com Soninha. Estava envolvido com os sogros, que lhe confiaram a mão de sua filha. A festa já estava organizada, convites distribuídos e a casa onde iriam morar estava pronta para recebê-los.

Na hora em que Joanildo trocava juras de amor com Matilde, confessava que não sabia o que fazer para acabar o noivado com Soninha. Seria uma grande desfeita, dar um fora na noiva, quase na porta da Igreja e sem motivo aparente.

Todos da família de Soninha acreditavam que ela e Joanildo eram perdidamente apaixonados. A virgem cheia de candura, inocente como um anjo, não imaginava a falsidade da “amiga”.

Soninha tinha o firme propósito de se conservar virgem, até a noite de núpcias. Essa lição de castidade temporária, havia recebido da avó paterna, Dona Luíza, que procurava lhe transmitir preceitos do “tempo do ronca.” Segundo ela, a virgindade, era um atributo moral que deveria ser levado até o leito conjugal. Soninha não admitia qualquer investida do noivo, antes do casamento.

À medida que a data do enlace de Joanildo e Soninha se aproximava, aumentava o envolvimento do noivo com Matilde. Ele entrou em “parafuso”. A paixão desenfreada e uma atração física, que nunca sentira por Soninha, deram-lhe coragem de tomar uma decisão brusca e inesperada. Os dois se sentiam como se fossem “a casa e o botão”. Não podiam mais recuar.

Na véspera do casamento com Soninha, Joanildo e Matilde fugiram. Foram viver seu grande amor bem longe de Natal.

Foi um escândalo.

3 novembro 2017 FULEIRAGEM

TACHO – JORNAL NH (RS)

3 novembro 2017 JOSIAS DE SOUZA

RIO: CRIME ORGANIZADO X ESTADO ESCULHAMBADO

3 novembro 2017 FULEIRAGEM

CAZO – COMÉRCIO DO JAHU (SP)

DESAFIO

É bela, bela… Muito bela mesmo!
Mas eis que faz na face um tal jeitinho…
Que mais parece um lindo “torresminho”,
Naquele gesto desprendido a esmo!

E todos dizem: Puxa… Que “torresmo”!
Como ela ri, como ela faz beicinho!
E, desdenhosa, passa de mansinho,
Naquele gesto desprendido a esmo.

Desde as abelhas no coral das flores
Ao soluçar das pétalas de rosa
Ela consegue enlouquecer de amores.

Espero, pois, que arranje qualquer jeito
Para, com a luz de todos os doutores,
Emudecer-me as ilusões do peito!

3 novembro 2017 FULEIRAGEM

NICOLIELO – JORNAL DE BAURU (SP)

3 novembro 2017 DEU NO JORNAL

IGUALDADE

Brasil caiu para a 90ª posição em ranking do Fórum Econômico Mundial que analisa a igualdade entre homens e mulheres em 144 países.

* * *

A igualdade total entre homem e mulher só será possível no dia em que fêmea levar dedada no furico pra examinar a próstata e macho ficar grávido.

Enquanto isto não acontecer, o resto é tertúlia flácida para adormecer bovino.

3 novembro 2017 FULEIRAGEM

CLAYTON – O POVO (CE)

A VAQUINHA DO LULA ACABOU NO BREJO

3 novembro 2017 FULEIRAGEM

SINOVALDO – JORNAL NH (RS)

PARAÍSO HAWAIANO

* * *

01 – Hawaii Wedding Song – Al Caiola & Orquestra – 1965 Hawaii Wedding Song
02 – Aloha – Santo & Johnny – 1961 Aloha
03 – Beyond the Reef – The Diamond Head Beachcombers – 1959 Beyond The Reef
04 – The Girl from Hawaii – The Waikikis – 1966 The Girl From Hawaii
05 – Sweet Leilani – Nelson Riddle & Orquestra – 1957 Sweet Leilani
06 – Goodnight Aloha – Al Caiola & Orquestra – 1965 Goodnight Aloha
07 – Blue Hawaii – Lawrence Welk & Orquestra – 1964 Blue Hawaii
08 – Hawaiian Paradise – George Bruns & The Hawaiian Strings – 1969 Hawaiian Paradise
09 – Moon of Manakoora – Tommy Morgan & Warren Barker & Orquestra – 1958 Moon Of Manakoora
10 – Adventures In Paradise – Santo & Johnny – 1961 Adventures In Paradise
11 – I Will Remember You – The Diamond Head Beachcombers – 1959 I Will Remember You
12 – My Isle of Golden Dreams – Al Caiola & Orquestra – 1965 My Isle Of Golden Dreams
13 – Bali Ha`i – Nelson Riddle & Orquestra – 1957 Bali Ha’i
14 – True Love – The Waikikis – 1966 True Love
15 – June In January – Leo Addeo & Orquestra – 1962 June In January
16 – Paradise Isle – George Bruns & The Hawaiian Strings – 1969 Paradise Isle

3 novembro 2017 FULEIRAGEM

DORINHO – CHARGE ONLINE

3 novembro 2017 A PALAVRA DO EDITOR

CENAS DOMÉSTICAS (25)

1) Semana passada pedi ao João que fizesse uma montagem pra ser usada numa postagem.

Ele domina um programa que permite fazer misérias com fotos, imagens, ilustrações.

João fez o que eu pedi e me encaminhou junto com uma mensagem.

Esta mensagem que está abaixo transcrita:

Ficou ótima sua montagem, meu filho!

Eu e os leitores achamos excelente.

Você é um artista montador arretado!

* * *

2) Eu estava vendo televisão, deitado na cama, e João chegou, me pegando de surpresa:

– Eu acho que tu não ama eu mais do que eu amo tu.

Mata o veio, seu safado.

Mata!

* * *

3) E esta aconteceu quarta-feira passada, quando João se preparava para ir pro colégio.

Ao tentar escovar os dentes, ele encontrou uma formiga dentro da tampa do tubo de pasta.

Mostrou pra mãe e concluiu:

– Esta formiga tá parecendo um agente infiltrado.


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