14 novembro 2017 FULEIRAGEM

S. SALVADOR – ESTADO DE MINAS

14 novembro 2017 MEGAPHONE DO QUINCAS


MULHERES CANTORAS E COMPOSITORAS DE PERNAMBUCO – AIRÔ BARROS

Airô Barros

Cantora, compositora, pintora e poeta, Airô Barros, aos 8 anos, já era responsável por aprender canções e ensinar para os alunos do Colégio Nossa Senhora de Lourdes, em Palmares-PE, onde foi interna por 8 anos.

Antes de completar 15 anos, já cantava em casamentos e festas comemorativas, além de recitar poemas.

Pós-graduada em Artes pela UNESP, tem vários quadros selecionados em salões de arte. Tanto a capa do livro, quanto à capa do “CD – Terra em Transe” são de sua autoria.

“A Natureza das Coisas”, de Aciolly Neto, Arranjo de Fernando Merlino, com Airô Barros

Airô nasceu em 28 de agosto de 1962, no município de Capoeiras-PE. Fez violão no Conservatório Pernambucano de Música, além de ter estudado Teoria Musical na Ordem dos Músicos do Brasil. Costuma dizer que “como violonista, é uma boa cantora”.

Aluna de canto de Sonia Campos, Cecília Valentin, Maria Alvin e Paulo Menegon. Participou dos corais de PUC, CUCA, e do Coral da FESP. Tem pós-graduação em Artes pela UNESP-SP.

Iniciou a carreira profissional, em 1985, em show na Casa da Cultura do Recife.

Depois disso começou a cantar na noite. Mas para Airô, “cantar na noite é andar para trás. Os donos de bar, de um modo geral, querem sempre levar vantagem em cima do grupo musical. Uma vergonha. Agora só me apresento em locais, quando fechamos um valor antes e combinamos que o receberemos no final da apresentação”.

“Terra em Transe”, de Gladir Cabral, com Airô Barros

Natural de Pernambuco, é uma andarilha por vocação, levando sua arte Brasil afora. Além de São Paulo, Airô tem raízes também fincadas também no Paraná.

Artista múltipla, que passa pelo canto, composição, artes plásticas e poesia, torna-se um alento, em tempos barulhentos, ter sua voz mansa, clara e madura.

“De Volta pro meu Aconchego”, de Dominguinhos e Nando Cordel, com Airô Barros

Semana que vem, tem mais…

Fontes:

Cana Musical;
Ritmo Maelodia;
Wikipedia;
Youtube;
Acervo pessoal

14 novembro 2017 FULEIRAGEM

CHICO CARUSO – O GLOBO

14 novembro 2017 PERCIVAL PUGGINA

UM SOCIALISTA NO ARMÁRIO

Pretendia contar o número de empresas, institutos e fundações estatais existentes no Brasil, considerando União, Estados e municípios. Comecei com determinação, mas desisti. Levei um susto! Quem quiser sentir a pujança do estatismo nacional vá à página da Wikipedia que tem a lista. Estamos falando de muitas centenas, senão de milhares desses entes. O Brasil é um país socialista, que muitos, sacudindo bandeiras vermelhas, se esforçam para tirar do armário. Armário cheio de esqueletos.

A União tem 148 empresas estatais! Trinta por cento, segundo editorial de O Globo do dia 19 de agosto de 2016, criadas durante os governos petistas. Anos de gritaria contra privatizações e discursos de que “Estão vendendo tudo!” me levaram, ingenuamente, a crer que de fato estivessem. Mas era berreiro na sala, para distrair, enquanto a cozinha produzia novas iguarias para o cardápio político. A mesma matéria de O Globo conta que entre o fatídico ano de 2003 e 2015, esses filhotes do amor petista pelo Estado pagaram R$ 5,5 bi em salários e totalizaram um prejuízo de R$ 8 bi. A mais engenhosa das novas estatais foi concebida no PAC 2. É a Empresa de Planejamento e Logística (EPL), que absorveria a tecnologia do trem-bala e executaria o projeto da ligação de alta velocidade entre Rio e São Paulo. A empresa, descarrilada desde sua criação em 2008, é totalmente dependente do Tesouro.

O formidável e assustador conjunto das “nossas” estatais é parte ponderável dos problemas do Brasil. No entanto, o Instituto Paraná Pesquisas revelou, há três meses, que 61% dos brasileiros são contra privatizações feitas pelo setor privado. Pelo jeito, preferem as “privatizações” caseiras, as notórias apropriações, por partidos, sindicatos e líderes políticos, de tudo que for estatal. Se é para ser abusado que seja pelos de sempre. Trata-se de um vício do nosso presidencialismo. Quem governa comanda a administração e chefia o Estado, estendendo as mãos sobre o que puder alcançar em suas instituições.

É nos estofados desses grandes gabinetes, que a “privatização” do Estado proporciona os melhores orgasmos do poder. Em outras palavras: a experiência política e administrativa nos evidencia que empresas estatais realmente devotadas ao interesse público são fenômeno incomum. Como regra, resultam submetidas às conveniências privadas que descrevi acima. São nichos de usufruto e poder que pouco têm a ver com o bem nacional. Dentro desses domínios nascem as maiores reações a qualquer transferência que conduza ao desabrigo do Tesouro e às aflições do livre mercado. A ninguém entusiasma a ideia de remover o acento da poltrona e alinhá-lo à reta da competitividade.

A doutrinação socialista cumpre seu papel, ensinando que estatal é sinônimo de público, de social, e imune a interesses privados. Empresas estatais seriam como santuários de desprendimento e abnegação. Sim, claro. O Mensalão não existiu e a Lava Jato, você sabe, foi criada para impedir a alma mais honesta do Brasil de retornar à presidência.

E quando um partido sai, vem o outro para fazer a mesma coisa? – perguntará um leitor estrangeiro. Nem sempre, prezado visitante. Se o serviço for bem feito, a privatização partidária de um ente estatal pode ser anterior e se perpetuar além do governo desse partido. Quem duvida olhe para o Ministério de Educação e para as universidades públicas. Ali se educa a nação para amaldiçoar a iniciativa privada, amar o Estado, abrir o armário, e fornecer, nos ambicionados concursos públicos, respostas de acordo com o que pensa a banca.

14 novembro 2017 FULEIRAGEM

AMORIM – CHARGE ONLINE

 

MÚSICA PARA OUVIR E SONHAR

* * *

01 – Maria Bonita – (Agustin Lara) – Perez Prado & Orquestra – 1960 Maria Bonita
02 – Fascinação – (Féraudy/Marchetti) – Nicolau Sulzbeck – 1998 Fascinaçao
03 – I`l Était Une Fois…La Revolution – (E.Morricone) – Franck Pourcel & Orquestra – 1972 Il Etait Une Fois La Revolution
04 – The Bandit (Mulher rendeira) – (D.P.) – Bert Kaempfert & Orquestra – 1962 The Bandit
05 – Wigwam – (Bob Dylan) – The Magnetic Sounds – 1972 Wigwam
06 – La Violetera – (J.Padilha/E.Montesinos) – Orquestra Los Chavales de Espanha – 1960 La Violetera
07 – Sin Motivo / La Barca – (G.Ruiz/R.Cantoral) – Orquestra Românticos de Cuba – 1963 Sin Motivo
08 – Twilight Time – (Ram/Nevius/Dann) – The Three Suns – 1955 Twilight Time
09 – Love Me Like a Stranger (Nova Flor) – (Palmeira/Mario Zan) – Paul Mauriat & Orquestra – 1977 Love Me Like A Stranger
10 – Lonely – (Sebastian) – The Lovin` Spoonful – 1967 Lonely
11 – As Time Goes By – (Herman Hupfeld) – Liberace – 1962 As Time Goes By
12 – Dolannes Melodie – (P. de Senneville/O.Toussaint) – Jean-Claude Borelly – 1975 Dolannes Melodie
13 – It Had To Be You – (Kahn/Jones) – Ray Conniff Orquestra e Coral – 1958 It had to be you
14 – Look For a Star – (M.Anthony) – Billy Vaughn & Orquestra – 1961 Look For A Star
15 – Exodus Theme – (Ernest Gold) – Ferrante & Teicher – 1960 Exodus Theme
16 – Unchained Melody – (Hy Zaret/Alex North) – Floyd Cramer – 1962 Unchained Melody

14 novembro 2017 FULEIRAGEM

YKENGA – CHARGE ONLINE

14 novembro 2017 DEU NO JORNAL

UM AUMENTO MILIONÁRIO

O número de milionário no Brasil poderá chegar a 296 mil até 2022, o que representará uma alta de 81% ante os atuais 164 mil brasileiros com mais de US$ 1 milhão.

A projeção é do banco Credit Suisse.

O relatório estima que o Brasil apresentará o segundo maior aumento no número de milionários crescimento entre 23 países analisados, perdendo apenas para a Argentina, cuja previsão é de uma alta de 127%, para 68 mil milionários.

Na sequência, estão Índia (52%) e Rússia (49%).

* * *

Banânia, Argentina, Índia e Rússia.

Uma seleção aloprada de países com um número excepcional de ricos.

E, por uma incrível coincidência, um grupo de países que tem também seleções fortíssimas de corruptos e guabirus.

Daqui a apenas 5 anos, em 2022, Banânia crescerá em 81% na quantidade de biliardários, um índice da porra.

Meu orgulho patriótico vai pras alturas!

14 novembro 2017 FULEIRAGEM

DUKE – O TEMPO (MG)

PERNAMBUCANOS ILUSTRES – LV

João Cabral de Melo Neto 1920-1999

João Cabral de Melo Neto nasceu no Recife, em 9/1/1920. Diplomata e um dos maiores poetas da língua portuguesa. Oriundo de uma aristocrática família pernambucana, é primo de Manuel Bandeira e de Gilberto Freyre. Passou toda a infância em engenhos de açúcar nas cidades de São Lourenço da Mata e Moreno. Com a mudança da família para Recife, em 1930, iniciou o curso primário no Colégio Marista.

Aos 15 anos seu talento não despontou na poesia e sim no futebol. Foi campeão juvenil pelo Santa Cruz. Trabalhou na Associação Comercial de Pernambuco e no Departamento de Estatística do Estado. O talento para a literatura viria aos 18 anos, quando começou a frequentar as tertúlias do Café Lafayette, famoso “point” de intelectuais do Recife. Lá fez bons amigos, como o pintor Vicente do Rego Monteiro, que regressara de Paris, devido a eclosão da II Guerra Mundial; o poeta e crítico Willy Lewin, dono de uma grande biblioteca literária e o poeta e engenheiro Joaquim Cardoso, que exerceram forte influência em sua carreira.     

Aos 20 anos foi morar no Rio de Janeiro, e logo se integra ao círculo de intelectuais que se reunia no consultório do médico e poeta Jorge de Lima junto com Murilo Mendes, Carlos Drummond de Andrade e outros poetas.  No ano seguinte, voltou ao Recife para participar do Congresso de Poesia, onde apresentou suas Considerações sobre o poeta dormindo. Em 1942 publicou seu primeiro livro, Pedra do Sono, com forte teor surrealista. Foi convocado para servir à  FEB-Força Expedicionária Brasileira, mas é dispensado por motivo de saúde. Em seguida foi aprovado em concurso e nomeado Assistente de Seleção do DASP-Departamento de Administração do Serviço Público. Passou a frequentar a roda de intelectuais, agora alargada no “Café Amarelinho” e “Café Vermelhinho”, no Centro do Rio e publica o segundo livro  Os três mal-amados, em 1943.

Dois anos após, seu estilo poético vai se afirmando naquilo que viria a ser sua marca registrada: uma poesia concisa e precisa, demonstrada no livro  O engenheiro numa edição custeada por seu amigo Augusto Frederico Schmidt. Necessitando de emprego, fez concurso para a carreira diplomática e foi nomeado em 1945 para trabalhar no Departamento Cultural do Itamaraty, depois no Departamento Político e, posteriormente, na comissão de Organismos Internacionais. Em fevereiro de 1946, casou-se com Stella Maria Barbosa de Oliveira e em dezembro, nasce seu primeiro filho, Rodrigo. Em 1947 foi transferido para o Consulado Geral em Barcelona, como vice-cônsul. 

Em paralelo a função diplomática, passou a editar  numa pequena tipografia artesanal alguns livros de poetas brasileiros e espanhóis. Nessa prensa manual imprime Psicologia da composição. Nos dois anos seguintes ganhou mais dois filhos: Inês e Luiz. Tornou-se amigo de Miró e escreveu um ensaio sobre o pintor, publicado em sua tipografia. Em 1950, foi transferido para o Consulado Geral, em Londres, e publica O cão sem plumas. Dois anos depois retorna ao Brasil para responder ao inquérito, onde é acusado de subversão. O PCB-Partido Comunista estava na ilegalidade e ele foi acusado de criar uma “célula” no MRE-Ministério das Relações Exteriores, junto com mais quatro diplomatas. Foram afastados do Itamaraty em 20/3/1953, mas retornaram em 1954 após recorrerem ao STF-Supremo Tribunal Federal.

Em 1954 recebeu o Prêmio José de Anchieta do IV Centenário de São Paulo, com o livro O Rio, escrito no ano anterior. Em seguida volta a residir no Recife, onde é recebido em sessão solene pela Câmara Municipal. No mesmo ano a Editora Orfeu lançou seus Poemas Reunidos.. Por esta época já integrava a plêiade dos poetas brasileiros, com a publicação do livro Duas águas, publicado pela José Olympio Editora em 1956. O livro reúne seus livros anteriores e os inéditos: Paisagens com figuras, Uma faca só lâmina e Morte e vida Severina, “um auto de natal” solicitado pela dramaturga Maria Clara Machado, do teatro “O Tablado”. Ela achou o auto muito triste e não encenou. Mais tarde, Roberto Freire, diretor do TUCA-Teatro de Universidade Católica(SP), pediu para Chico Buarque de Holanda  musicar o texto. A peça foi encenada em diversas cidades brasileiras e correu o mundo, tornando-se sua obra mais conhecida. Representou o Brasil no Festival de Nancy, onde ganhou o prêmio de Melhor Autor Vivo do Festival. Posteriormente a peça foi transposta para disco (LP), cinema e série especial de TV.

Pouco depois foi removido, de novo, para Barcelona na condição de cônsul adjunto e com a missão de fazer pesquisas históricas no Arquivo das Índias de Sevilha, onde passa a residir. É o lugar onde se deu melhor, devido as semelhanças com o Recife. Em 1958 foi removido para o Consulado Geral em Marselha, na França. Recebeu o prêmio de melhor autor no Festival de Teatro do Estudante, no Recife. Em 1960, seu livro Quaderna foi publicado em Lisboa, quando ocorreu nova remoção. Agora para Madrid, como secretário da Embaixada. A vida de diplomata é compartilhada com o lançamento de livros. Em Madrid foi publicado Dois parlamentos.   

Em 1961, foi nomeado chefe de gabinete do ministro da Agricultura, Romero Cabral da Costa, e passa a residir em Brasília. Com o fim do governo Jânio Quadros, poucos meses depois, é removido outra vez para a embaixada em Madri. A Editora do Autor, de Rubem Braga e Fernando Sabino, publica Terceira feira, livro que reúne Quaderna, Dois parlamentos, ainda inéditos no Brasil, e um novo livro: Serial. Com a mudança do consulado brasileiro de Cádiz para Sevilha,  mudou-se para essa cidade, onde reside pela segunda vez. Continuando seu vai-e-vem pelo mundo, em 1964 é removido como conselheiro para a Delegação do Brasil junto às Nações Unidas, em Genebra. Nesse ano nasce seu quinto filho, João.

Em seguida publicou A educação pela pedra, pelo qual recebeu três prêmios “Jabuti”, da Câmara Brasileira do Livro; “Luisa Cláudio de Souza”, do Pen Club e o prêmio do Instituto Nacional do Livro. Em 1967 foi promovido a cônsul geral, vindo a ocupar o Consulado em Barcelona. No ano seguinte publica suas Poesias completas e é eleito para a ABL-Academia Brasileira de Letras. Uma nova transferência se deu em 1969 para a embaixada de Assunção, como ministro conselheiro. No mesmo ano Tornou-se membro da Hispania Society of América. e recebeu a comenda da As mudanças são uma constante em sua vida diplomática. Em 1970, foi nomeado embaixador em Dacar, Senegal, cargo exercido cumulativamente com o de embaixador da Mauritânia, no Mali e na Giné-Conakry.

Tão constante como as mudanças devido a carreira diplomática, são as condecorações recebidas: Grã-Cruz da Ordem de Rio Branco (1974),  Grande Oficial da Ordem do Mérito do Senegal (1976), Grã-Cruz da Ordem do Mérito de Guararapes (1980),  Grã-Cruz da Ordem Zila Mamede (1980),  Doutor Honoris Causa das Universidades Federal do Rio Grande do Norte (1982) e Federal de Pernambuco (1986)., Medalha Carneiro Vilela (1985), Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal de Pernambuco (1986), Comenda do Mérito Aeronáutico, Grande-Oficial da Ordem Militar de Santiago da Espada de Portugal (1987), Grã-Cruz do Equador,  Medalha de Humanidades do Nordeste, Ordem Militar de Cristo de Portugal (1998) Ordem de Mérito Pernambucano, Grã-Cruz da Ordem do Mérito Judiciário e do Trabalho.

São constantes também as premiações literárias:  Prêmio Olavo Bilac da ABL-Academia Brasileira de Letras (1955), Grande Prêmio de Crítica da APCA-Associação Paulista de Críticos de Arte (1975), Prêmio Moinho Recife (1984), Prêmio da Bienal Nestlé de Literatura (1988), Prêmio Camões, outorgado pelos governos do Brasil e  Portugal (1990), Pedro Nava (1991), Casa das Américas, pelo Governo do Estado de São Paulo (1992); Neustadt International Prize for Literature, da Universidade de Oklahoma (1992), Prêmio Jabuti, da  Câmara Brasileira do Livro (1993).,  Premio Reina Sofía de Poesía Iberoamericana (1994), Prêmio Golfinho de Ouro do Estado do Rio de Janeiro, Criadores de Cultura, da Prefeitura do Recife. Vale lembrar que foi o autor brasileiro mais cotado para receber o Prêmio Nobel de Literatura

Continuando com as remoções diplomáticas, foi nomeado embaixador em Quito, Equador, em 1980 ano em que publica A escola das facas. Em 1982 vai para a cidade do Porto, em Portugal, como cônsul geral. Em 1986, com o falecimento de sua mulher, casou-se em segundas núpcias com a poetisa Marly de Oliveira. Em 1987 foi removido para o Rio de Janeiro e publicou  Crime na Calle Relator. Em Recife, no ano de 1988, lança sua antologia Poemas pernambucanos. Publica, também, o segundo volume de poesias completas: Museu de tudo e depois.

A década de 1990 inicia com a aposentadoria do diplomata e vai encontrar sua saúde e o ânimo fragilizados. Ao saber que sofria de uma doença degenerativa incurável, que faria sua visão desaparecer aos poucos, o poeta anunciou que ia parar de escrever. Já em 1990, com a finalidade de ajudá-lo a vencer os males físicos e a depressão, sua esposa passa a escrever alguns textos ditados pelo poeta. É assim que surgem mais dois livros: Primeiros poemas (1990) e Sevilha andando. O último livro publicado se deu no ano de seu falecimento – Tecendo a Manhã -, em 9/10/1999, aos 79 anos, reconhecido como um de seus melhores poemas. Neste mesmo ano é distinguido com uma “edição da plêiade”, publicada pela Editora Nova Aguilar: João Cabral de Melo Neto, Obra Completa, uma distinção dirigida à poucos autores brasileiros. Mais tarde, Carlos William Leite, editor da  conceituada revista (digital) “Bula”, realizou uma enquete entre seus leitores, pedindo para apontar seus poemas mais significativos, e publicou os 10 melhores poemas de João Cabral de Melo Neto.

14 novembro 2017 FULEIRAGEM

FERNANDO – JORNAL DA CIDADE DE BAURU (SP)

ASCENSÃO SOCIAL

Luislinda reconhece que foi exagero comparar um salário de R$ 33.700 a trabalho escravo

“Sou preta, pobre e da periferia e sei o que é viver longe dos grandes centros”.

Luislinda Valois, secretária dos Direitos Humanos de Michel Temer, durante a cerimônia de lançamento do Programa Emergencial de Ações Sociais para o Estado do Rio de Janeiro e Municípios, afirmando que não se considera mais escrava por receber apenas R$ 33.700 por mês, apenas pobre)

14 novembro 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

14 novembro 2017 DEU NO JORNAL

LÁ NÃO É COMO CÁ

Mais de 400 milionários e bilionários americanos assinaram uma carta direcionada ao Congresso dos Estados Unidos protestando contra a reforma tributaria de Donald Trump.

“Escrevemos com um pedido simples: não diminuam nossos impostos”, diz a carta, que solicita ainda que os deputados aumentem as taxas, ao contrário do que propõe o presidente do país.

“Apelamos para que vocês se oponham a qualquer legislação que estimule o aumento da desigualdade”, pede o documento aos congressistas americanos.

Executivos, médicos, advogados e empresários, alguns dos quais nomes famosos como o investidor George Soros, o filantropo Steven Rockefeller e Ben Cohen e Jerry Greenfield, fundadores da Ben & Jerry’s, se associam ao movimento batizado de Responsible Wealth (Riqueza Responsável, em tradução livre).

* * *

Atenção prezados leitores fubânicos: não é gozação nem invenção.

A notícia é séria. O fato é real.

Contribuintes de grosso calibre daquela nação ao norte acham pouco o que dão pros cofres públicos e querem pagar mais impostos.

É isto mesmo.

Enquanto aguardamos que os bilionários banânicos, os financiadores de campanhas políticas do PT e do PMDB, os doadores de propina deste país, tomem uma providência semelhante a esta dos bilionários dos Zistados Zunidos, vamos ilustrar esta nota com música.

Este fato merece ser comentando com alegria.

Em homenagem aos ricos contribuintes ianques que pediram a Trump para aumentar o que já pagam, vamos ouvir Stars and Stripes Forever, inspirada composição de John Philip Sousa, com a The United States Army Field Band and Soldiers’ Chorus.

14 novembro 2017 FULEIRAGEM

PATER – A TRIBUNA (ES)

PRIVATIZAÇÃO DA PETROBRAS

14 novembro 2017 FULEIRAGEM

SID – CHARGE ONLINE

14 novembro 2017 DEU NO JORNAL

UM FESTIVO VELÓRIO

Não adianta chororô: o presidente Michel Temer decidiu não incluir, nas medidas de “revisão” da reforma trabalhista, o retorno da “contribuição” obrigatória que garantia à pelegada receita anual de cerca de R$ 3,5 bilhões.

A contribuição sindical morreu, segundo um dos ministros mais influentes. 

Centrais sindicais, confederações, federações e sindicatos não eram obrigados a prestar contas de sua receita bilionária.

O Congresso aprovou lei submetendo entidades sindicais à fiscalização do Tribunal de Contas da União, mas o então presidente Lula vetou.

Há décadas o trabalhador é obrigado a dar um dia de trabalho ao “bolo” do imposto sindical. Agora, com a reforma, isso será voluntário.

O fim do dinheiro fácil que os sustentava e aos “mortadelas” levou os sindicalistas a promoverem protestos em todo o País. Serão inúteis.

* * *

Esta excelente notícia me lembrou um convite para ir a um velório.

Foi-me mandado pela leitora fubânica Lena, residente em Uberaba-MG.

Era uma Nota de Falecimento que está abaixo transcrita.

Fui ao velório cantando, dançando um frevo rasgado e feliz que só a porra.

Fazer raiva a descerebrado zisquerdóide é uma atividade que me dá um prazer da porra!

14 novembro 2017 FULEIRAGEM

BIRATAN – CHARGE DO BIRATAN

TORQUEMADA AQUI E AGORA

Um dos personagens favoritos de minha pré-adolescência em Campina Grande foi o bodegueiro Joca Leite. Dono de uma tarimba (box) com mercadorias variadas à venda no Mercado Municipal da Prata, bairro onde ficava o colégio estadual, onde cursei os três anos do científico, ele tinha uma ojeriza com a qual eu simpatizava muito: sua repugnância ao fumo – fosse de rolo, cigarros, cachimbos ou charutos. Sua solução para livrar-se do mau cheiro e do mau gosto dos fumantes era singular: “Se eu fosse interventor do mundo, proibiria terminantemente esse vício miserável”. Para chegar a esse degrau na vida pública, porém, o irado comerciante nunca pretendeu ser síndico de prédio, pois, afinal, morava numa casa, nem iniciou carreira política disputando uma cadeira na Câmara Municipal. Seu antitabagismo era simpático porque se assemelhava à luta de Dom Quixote de La Mancha contra os moinhos de vento.

Não sei o que é feito de meu ídolo de pré-adolescência, mas considerando nossa abissal diferença de idade (eu tinha 15 anos e ele, mais de 60 nos anos 60), é pouco provável que permaneça no mundo dos vivos. Nunca convivi muito com ele, mas sua bazófia me veio à memória ao deparar com dois episódios de pequenas arbitrariedades do cotidiano que, entretanto, fazem parte de um perigoso delírio coletivo gerado na soma de milhões de individualismos doentios de natureza intervencionista no planeta da globalização cibernética. Refiro-me à bombástica repercussão da piada de péssimo gosto do apresentador suspenso do Jornal da Globo William Waack, transformada em motivo de seu afastamento da bancada do noticiário na Vênus Platinada. E à agressão que a filósofa americana Judith Butler, professora da Universidade da Califórnia, vinda ao Brasil para fazer uma palestra sobre a questão do gênero. Contra ela agiu a direita raivosa, cevada pela cegueira ideológica da esquerda, cujas gestões públicas federais, com seus titulares devida e legitimamente eleitos pelo povo, Lula e Dilma, provocaram a maior crise moral, política e econômica da História desta República insana e cada dia mais chata.

O calvário de Waack começou quando dois negros – o operador de VT Diego Rocha Pereira, de 28 anos, e o designer gráfico Robson Cordeiro Ramos, de 29 – vazaram vídeo e áudio em seu poder. Neles o apresentador desqualificou como “coisa de preto”, em gravação de dificílima compreensão, o buzinaço estridente e insistente de um transeunte, tirando-lhe a concentração na gravação de uma “externa” em que entrevistaria ao vivo, para o telejornal, do qual era âncora e estava ancorando dos EUA, um convidado para falar da vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais, há um ano.

Ao se identificarem em entrevista à Rádio Jovem Pan, os autores da proeza contaram que passaram um ano até divulgarem, o material em rede social porque tentaram negociá-lo, mas não o lograram. Não ficou claro de que negócio se tratava. Certo é que, depois que decidiram por o vídeo e o áudio nas redes, o assunto despertou imediato interesse da rede de televisão da qual Waack é contratado e esta, dizendo-se coerente com sua postura libertária e antipreconceituosa, o afastou provisoriamente tanto do jornal do canal aberto quanto do programa semanal que tem apresentado na GloboNews, com programação exclusivamente noticiosa, ou seja, all news (tudo notícias). Argumentaram que o jornalista é racista e “ofendeu”.

É mentira. Não se pode dizer que Waack é racista só porque, numa piada infeliz e sem graça, atribuiu genericamente a um “preto” o buzinaço que atrapalhava sua entrada ao vivo na cobertura da eleição. Errar é humano, já diziam os romanos muito antigamente. E é claro que Waack errou, reconheceu o erro e pediu desculpas.

Desculpas bastam, resolvem? Isso pode ser discutível. Mas a verdade é que o deslize do profissional de comunicação foi feito em privado e, neste caso, o mínimo que se pode dizer é que ele tem, como qualquer cidadão, direito à privacidade. O delito de racismo no Brasil é grave, previsto em lei e mesmo quando a ofensa é privada será passível de punição penal se a vítima reclamar seus direitos na Justiça. Não foi o que aconteceu. Se a piada privada é racista, sua divulgação pública é que é ofensiva. Nenhum cidadão está imune a uma gravação de áudio ou vídeo num momento de intimidade e essa invasão também é passível de repulsa e condenação, tanto moral quanto penal.

Há, ainda, nesse caso, outro aspecto, o político. Os divulgadores do vídeo e do áudio privados não se identificaram como militantes políticos, mas apenas como negros atingidos pelo racismo do acusado. Mas não se pode deixar de lembrar, nesta ocasião, que o maior líder da esquerda brasileira, Luiz Inácio da Silva, é pródigo em piadas contra mulheres (“grelo duro” é apenas a mais grosseira), homossexuais (“Pelotas exporta viados”) e machistas. Feministas e militantes homossexuais de esquerda nunca cobraram dele desculpas. Isso, contudo, importa menos, de vez que Waack, personagem do caso, se desculpou.

Mas Waack não está sendo crucificado por ser racista. Não conheço – e até agora não apareceu nenhum registro – manifestações do apresentador afastado do Jornal da Globo de grosserias do gênero em seus textos, suas intervenções nos debates do programa Painel, que apresentava, ou em palestras e outros eventos públicos de que tenha participado.

Quanto a esse particular, Pitigrilli tornou famosa sua afirmação de que “toda pessoa tem seus cinco minutos diários de imbecilidade. A diferença entre as pessoas brilhantes e as demais é que, em seus minutos de imbecilidade, os brilhantes ficam quietos.” No caso de Waacl, ele teve alguns segundos de imbecilidade e sua crucificação nu em praça pública por militantes da intolerância, nestes tempos de fogueiras da inquisição na internet, é tirânica, absurda, injusta e cruel. Acontece que Waack não está sendo exposto e maltratado por ser racista, mas por ser um jornalista independente. E também por seu talento. Os medíocres organizados e que formam quadrilhas de detratores nas redes sociais não perdoam um profissional brilhante, independente, que exerce aquela frase famosa de Millor Fernandes, segundo quem livre pensar é só pensar. Reputo Waack como o jornalista mais competente de nossa geração e um correspondente de guerra comparável ao mitológico Joel Silveira.

Na condição de jornalista independente, sem ter procuração para defender o profissional, homenageio os colegas José Roberto Guzzo, Augusto Nunes e Reinaldo Azevedo, que tiveram a coragem de vir a público denunciar esses novos Torquemadas, fascistinhas de esquerda e de direita que não toleram a convivência pacífica e não perdoam os erros alheios por menores e menos relevantes que sejam, embora sejam muito condescentes com a cafajestice de seus ídolos particulares. O palpite infeliz do apresentador só foi levado ao público pela atitude clandestina, covarde e oportunista de seus detratores.

Torquemada também inspirou o lamentável episódio protagonizado pela autora do livro Problemas do Gênero – Feminismo e Subversão da Identidade, publicado em 1990, mas que não a tornou propriamente conhecida no Brasil. Eu mesmo nunca tinha ouvido falar nela. Ao contrário de muitos que protestaram contra a queima de um boneco de bruxa com o rosto da filósofa na frente do Sesc Pompeia, onde ela fez sua palestra, apesar dos protestos. Teria muito a reclamar se a palestra tivesse sido cancelada por causa do ódio sem motivo que ela despertou. A queima da boneca de bruxa não a feriu, da mesma forma que seus livros, suas aulas e sua militância no movimento gay (e mesmo na ideologia de gênero) não prejudicaram ninguém. Somente impulsos fascistoides e psicopatológicos e manifestações de loucura ideológica podem explicar, embora nunca justifiquem, a atitude absurda de uma manifestante que tentou agredi-la e deu um tapa numa mulher que se prontificou a protegê-la no Aeroporto de Congonhas, quando ela já havia embarcado no avião.

Essa queima de bruxas pode ser tão inofensiva como as fogueiras de Judas na brincadeira de Sábado de Aleluia. Desde que não venham acompanhadas de agressões físicas nem de interferências indesejáveis na carreira de um profissional que só pode ser acusado de não ser uma vaquinha de presépio dos Torquemadas de sempre, aqui e agora.


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