31 dezembro 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

31 dezembro 2017 FERNANDO GABEIRA

A CADA ANO SUA HISTÓRIA

Nesta época sempre tento ver as coisas com a simplicidade de Drummond: “O último dia do ano/não é o ultimo dia do tempo./Outros dias virão”. O ano de 2018 nasce numa segunda exatamente 50 anos depois de 1968. Esse aniversário não deveria ofuscar o ano que entra, mas sim ajudar a entender esse meio século. Em 68, nem tudo aconteceu da mesma forma. Na Praça de Tlatelolco, no México, mais de 200 estudantes foram assassinados. Luther King, assassinado, Robert Kennedy, assassinado.

Nem todas as lutas eram idênticas. Hoje, 68 é associado às românticas revoltas da juventude, aos sutiãs queimados e expectativas de mais liberdade sexual.

No Brasil, esses fatores só chegam mais tarde. Era basicamente uma luta estudantil contra um governo militar, embora tenham ocorrido duas greves de metalúrgicos no período, em Osasco e Contagem.

Na verdade, eles eram um subenredo. Lembro-me que, ao dissolver o congresso da UNE, em Ibiúna, a policia fez questão de exibir todas as pílulas anticoncepcionais encontradas no sítio. A intenção era sugerir promiscuidade sexual. Hoje, talvez fosse um indício apenas de precaução.

Quase nunca falo de 68 porque já me cansei do tema. No entanto, faz alguns anos que sempre me pergunto: até que ponto a mudança de comportamento foi influenciada pelos jovens? Até que ponto o instrumento realmente decisivo partiu de um salto científico com a disseminação da pilula?

O ano de 2018, apesar de começar na segunda, como 1968, enfrenta uma conjuntura bastante desafiadora. Apesar dos 50 anos de lutas por direitos civis nos EUA, a eleição de Trump representa um golpe na ilusão de um progresso linear.

As ondas migratórias, com o crescimento da extrema direita, colocam em xeque as teses do multiculturalismo que estimulou as lutas identitárias dos imigrantes.

No Brasil, a lembrança mais próxima é a de um longo período de dominação da esquerda que, além de falhar nos campos da ética e da economia, revestiu esses temas culturais de uma estreiteza partidária lamentável. Os direitos humanos foram as primeiras vítimas: são vistos hoje com desconfiança.

Em toda a parte, nos EUA, na Europa e no Brasil tornam-se mais fortes as linhas conservadoras que questionam esse possível legado de 68.

Talvez fosse um momento para refletir com a experiência da juventude. Quando se quer o mundo, você pensa apenas no seu objetivo e esquece um pouco dos outros. De repente, descobre que a maioria prefere outro caminho. É hora de dialogar. Em 68, o traço de união era lutar contra um regime ditatorial. Em 2018 é de reconstruir um país, sob muitos aspectos, arrasado.

Mas 2018 acontece 50 anos depois. As lutas continuam se desenvolvendo. As feministas queimavam sutiãs em 1968. Hoje, com a entrada maçica das mulheres na força de trabalho, elas questionam o assédio sexual nas empresas. E não só nas de Hollywood, mas também nas grandes montadoras.

De lá para cá houve a revolução digital e um processo contínuo de mudanças que nos envolvem. É nesse quadro amplo de transformações que precisamos achar um rumo.

O fator nacional de referência é a reconstrução do tecido democrático, mudanças no sistema político partidário, recuperação da economia.

Grandes debates sobre costumes, alguns fundados, outros artificiais, vão seguir acontecendo. O importante é saber em que lugar e em que ano estamos. Reconheço que mesmo nesses quesitos não há unanimidade: as pessoas vivem em tempos diferentes.

Daí a importância das eleições, como troca de ideias, uma oportunidade real de saber para que lado a maioria quer levar o Brasil.

Sempre desejo feliz 2018 lembrando que será um ano difícil.

Mas não os vejo como termos antagônicos. O ano de 1968 também foi difícil. E muitos o viveram com alegria.

Cada época com seus fantasmas. O importante para quem viveu algumas é não confundi-los. Como Drummond, de copo na mão esperar o amanhecer, sabendo que “Para ganhar um Ano-Novo/que mereça este nome,/ Você, meu caro, tem de merecê-lo/ tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,/ mas tente, experimente, consciente./ É dentro de você que o Ano Novo/ cochila e espera desde sempre.”

Um país também não escapa dessa lógica. Para ganhar um Ano Novo, terá de merecê-lo. Ainda que 2018 desapareça na névoa da história e ninguém se lembre dele ao completar meio século. Mas é o ano que temos, o tempo presente. Tão grave no Brasil que nos convida a andar devagar e, se possível, de mãos dadas.

31 dezembro 2017 FULEIRAGEM

LUSCAR – CHARGE ONLINE

FIM DE ANO… DE NOVO!

Mais um ano se vai. São ciclos, apenas isto, ciclos! O ano, a contagem de tempo, a data da passagem de um ciclo à outro. Tudo é uma questão cultural.

O ano novo poderia começar, sei lá, em 10 de outubro ou em 31 de fevereiro, se não tivéssemos convencionado o mês de fevereiro com 28 ou 29 dias. Aliás dependendo da cultura o ano novo começa em datas diferentes.

Temos o ano novo judaico, islâmico e o chinês. Claro que a cultura ocidental, por diversos fatores, impôs internacionalmente seu calendário como universal. As culturas que usam outras formas de contagem de tempo acabam valendo-se de duas formas diferentes para indicar o ano.

Vale como ano zero o ano do suposto nascimento de Jesus, o Cristo, embora tenhamos certeza que ele nasceu alguns anos antes. Calendários tem haver com cultura e religiosidade. Para os judeus a contagem de tempo é a partir da data de criação de Adão (o da Eva) e o ano de 2018 corresponderá aos anos de 5778 e 5779.

Para os islâmicos a contagem se dá a partir da Hégira (fuga de Maomé para Meca) e o ano de 2018 corresponderá aos anos de 1439 e 1440 ( o ano troca em setembro). Para nós ‘Cristãos’ é 2018º ano contado a partir do nascimento de Cristo, embora ele provavelmente tenha nascido entre 7 A.C. e 4 A.C. Ou seja, Cristo nasceu entre 7 e 4 anos antes do nascimento dele mesmo.

Como disse é uma questão de cultura e tradição. Até o calendário remete seu nome as Calendas, primeiros dias do mês em Roma, quando incidiam juros das dívidas e quando celebravam-se festas aos deuses como Juno.

Na nossa tradição estamos deixando o ano da glória de Nosso Senhor de 2017 para ingressar no ano de 2018.

O ano de 2017 foi um ano particularmente difícil para mim. Perdi meu pai, fui afetado como todos nós pela falência do Estado brasileiro, sofrendo no bolso e na vida as consequências dos desgovernos corruptos que se sucederam nos últimos 15 anos.

PT, PMDB, PSDB e quase todos os outros partidos conseguiram nos fazer desacreditar e odiar política e políticos. Nós brasileiros tivemos de lutar bravamente contra todos e sobreviver, apesar de todos os esforços de nossos governantes em nos ferrar. Vimos alguns políticos presos, vimos a cara-de-pau de deputados, senadores, juízes e minstros que cuspiram na cara de trabalhadores e do povo.

Vimos Habeas corpus infames, ladrões descarados, funcionários públicos lutando loucamente por privilégios inaceitáveis, juizes dando sentenças irretocáveis e outros despachando vergonhosas peças de injustiça.

Vimos Temer e Aécio liberados, Zé Dirceu condenado, solto e coordenando a ‘seita’. Vimos Lula mentir descaradamente, crer-se melhor que todos e ainda estar solto, apesar de tudo.

E veremos mais! Chega 2018, ano das eleições e da Copa do Mundo. Teremos de escolher nossos novos governantes. O problema é que teremos que escolher entre os velhos, podres e corruptos. Assim não há esperança que sobreviva.

O ano de 2017 foi ruim? Foi, mas sobrevivemos!

Com o passar do tempo a imagem ruim deixará de existir. É assim, passa o tempo e o ruim é esquecido, ficando as pequenas lembranças daquilo que de bom ocorreu. Quiçá possamos lembrar de 2017 como o ano da virada do Brasil.

O cardápio de 2018 é vasto, mesmo assim poderá levar-nos a uma frustração extrema. A economia está melhorando mas precisamos da reforma da previdência, só idiotas e apaniguados discordam do óbvio, a previdência social brasileira está quebrada.

O ano de 2018 começará acelerado e já em 24 de janeiro teremos a prévia do ano com o julgamento do ladrão-mor.

Que tenhamos algumas, embora poucas, boas opções para votar em 2018.

Que se prendam os corruptos, que se desmascarem todos. Que revoguem este estúpido estatuto do desarmamento. Que possamos suplantar a violência. Que nossa justiça mostre que é cega e realmente justa atingindo a todos que fizeram por merecer, sejam ex-governadores, ex-presidentes ou qualquer escroque.

Que 2018 nos traga um Brasil mais justo, onde todos são iguais perante a lei e a vida.

Feliz 2018 à todos! Esperemos um 2018 grandioso. Que seja o ano da mudança do Brasil!

31 dezembro 2017 FULEIRAGEM

ED CARLOS – CHARGE ONLINE

31 dezembro 2017 MARY ZAIDAN

ANO ESTRANHO, COM JEITO ESQUISITO

Bom para muitos, ruim para alguns, mais ou menos para outros tantos. Com diferenças aqui e ali é assim que os anos terminam. Incorporando adjetivos menos usuais, o ano de 2017 acaba entre o estranho e o esquisito.

Uma mistura bizarra de histórias inacreditáveis que nem o melhor ficcionista criaria com uma improvável recuperação econômica de um país destroçado por mais de uma década de desgoverno e corrupção deslavada. Temperada com irracionalidade e ódio, por descrença e apatia.

Por um lado, assistimos à repetição do jogo maniqueísta de esquerda versus direita, encarnado na disputa antecipada e ilegal entre o ex Lula e o deputado Jair Bolsonaro, e no bate-boca cada vez mais agressivo nas redes sociais. Por outro, presenciamos o ineditismo de um presidente da República ser denunciado por corrupção e perdoado, por duas vezes, por parlamentares facilmente aliciáveis.

A delação premiadíssima e a gravação que colocou Michel Temer nas cordas chegou a valer como perdão total aos crimes dos irmãos Batista, donos do império JBS, uma das empresas aquinhoadas com crédito generoso do BNDES nos governos Lula e Dilma. Mas as bases do acordo feito pelo então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, cujo auxiliar, Marcelo Miller, teria agido em prol da JBS, ruíram, jogando os Batista na cadeia, onde, longe dos iates, suítes de luxo e champanhe, eles verão 2018 começar.

Uma reviravolta digna dos melhores thrillers.

As denúncias e todo o esforço que Temer fez para se livrar delas atrasaram o calendário de reformas que o peemedebista queria deixar como legado. Adiou a imprescindível reforma da Previdência, que agora só será debatida depois do Carnaval e dificilmente votada em ano eleitoral, e colou nele impopularidade recorde.

Temer, escolhido por Lula para ser vice de Dilma Rousseff e acusado de golpista pelo petismo que usufruiu por anos da maioria peemedebista que ele garantia, responde por boa parte das singularidades e esquisitices do ano.

Com apenas 3% de aprovação popular conseguiu modernizar as leis trabalhistas que não se mexiam desde antes dos meados do século passado, limitar o teto de gastos e segurar drasticamente o déficit público alimentado por sua antecessora. A taxa de juros caiu para 7%, a menor desde 1986, e a inflação para menos de 3%. Em resumo: revirou um país que amargou dois anos de uma recessão brutal.

Seu governo é responsável ainda pela maior e mais profunda reforma do ensino médio, que perdia alunos e densidade ano a ano, e pela recente base curricular comum para a educação básica. Além de promover alterações importantes no Sistema Único de Saúde, a última delas, na quinta-feira, quando quebrou o gesso dos estados e municípios ao desindexar os recursos repassados pelo SUS.

Ao mesmo tempo, Temer deu guarita a gente da pior espécie. Fez vistas grossas ou protegeu comparsas enrolados com a Justiça e, a poucos dias do fim do ano, afundou-se de vez na lama ao tentar emplacar um indulto de Natal infame, libertando condenados após o cumprimento de apenas 20% da pena.

Foi impedido pela liminar da presidente da Suprema Corte, Cármen Lúcia, acolhendo a ação apresentada por Raquel Dodge, procuradora-geral indicada por ele, da qual muitos justiceiros com e sem toga suspeitavam.

A Justiça também proveu o país de estranhezas. Magistrados do Supremo abusaram de decisões monocráticas, de impropérios nas falas e incongruências. Em alguns casos, como os envolvendo foro privilegiado, prisão preventiva de parlamentares e condenação em segunda instância, criando mais dúvidas do que soluções jurídicas.

Para além da política e da economia, 2017 foi um ano de exacerbação moralista e de incremento ao ódio racial.

Com as eleições no Alabama, os Estados Unidos começaram a dar lições ao racista Donald Trump. Na Europa, a Alemanha, a mesma que provocou as duas grandes guerras pelo supremacismo ariano, bateu recordes mundiais de abrigo a refugiados de todos os cantos do planeta. Por aqui, não foram poucas as reações aos que tentaram criminalizar as artes e adicionar maldade à livre manifestação de ideias.

Fatos sensacionais a embalar um ano, que, embora recheado de boas notícias, será lembrado como ruim. Quando muito como estranho, esquisito.

Que venha o próximo. Feliz 2018!

31 dezembro 2017 FULEIRAGEM

CAZO – COMÉRCIO DO JAHU (SP)

2018

Meus amigos fubânicos e leitores, antes de tudo quero agradecer a todos pela paciência de terem lido as bobagens que escrevi durante o ano, e até…terem comentado.

Ano novo, muitas mensagens. Confesso que li algumas, outras li um pouco, ou nem mesmo li, mas sei que todas elas trouxeram no seu bojo apenas uma coisa, esperança.

Esperança de um ano melhor, de um mundo melhor e, principalmente de um Brasil melhor.

Entremos 2018 com a certeza de que será, talvez, o ano mais importante para o nosso Brasil, desde 1500.

Será um ano de muita responsabilidade e que terá as eleições que mais farão diferença dentre todas de que já participamos.

Votemos com consciência e, acima de tudo, votemos. O voto é muito importante e é a base da democracia. Não podemos faltar à convenção do condomínio e depois reclamarmos do síndico. Mesmo sem voto, nós o elegemos.

Viva a esperança! Feliz Ano Novo!

31 dezembro 2017 FULEIRAGEM

PATER – A TRIBUNA (ES)

31 dezembro 2017 CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

PEDRO MALTA – RIO DE JANEIRO-RJ

METAS DO NORDESTINO PARA O ANO NOVO

– Anote os seus querê e pendure num lugar que você espie todo dia.

– Mesmo que seus objetivos estejam lá prá baixa da égua, vale a pena correr atrás deles. Não se agonie e nem esmoreça. Peleje.

– Lembre que pra ficar estribado é preciso trabalhar. Não fique frescando e remanchando.

– Cuide bem dos bruguelim e dos bixim. Dê sempre mais que o sustento, pois eles lhe dão o aconchego no fim da lida.

– Não fique lesando, resmungando e batendo no quengo por besteira. Seje macho e pense positivo.

– Num se avexe, num se aperreie e nem se agonie. Num é nas carreira que se esfola um preá.

– Reflita sobre as besteiras do ano passado e jogue no mato os maus pensamentos.

– Murche as orêia, respire fundo e grite bem alto: SAAAI

Agora é só levantar a cabeça e desimbestar no rumo da venta que vai dar tudo certo em 2018, afinal de contas você é brasileiro e nordestino.
Se não é… É doidim prá ser!

Um ano novo bem arretado pra vocês tudim !!!!

Do blog Dimas Roque

31 dezembro 2017 FULEIRAGEM

AMORIM – CHARGE ONLINE

31 dezembro 2017 PERCIVAL PUGGINA

NÃO MINTAM SOBRE A MINHA GERAÇÃO

Há poucos dias fiz aniversário. Embora costume brincar sobre o tema da minha idade dizendo que tenho 73 anos, mas “de banho tomado fico como novo”, o fato é que algumas coisas mudaram na percepção que tenho da minha realidade existencial. Assim: quando eu era jovem, contemplava o futuro como um horizonte móvel. Ele se ampliava e se distanciava a cada passo dado. Agora, eu o percebo fixo. A distância entre mim e ele encurta a cada velinha soprada.

Um dos fascínios da vida, aqui de onde eu a vejo, é a possibilidade de ouvir o que os jovens falam e o que alguns dizem aos jovens. Nessa tarefa instigante de ouvir, comparar e meditar volta e meia me deparo com a afirmação de que os anos 60 e 70 produziram uma geração de jovens alienados. Milhões de brasileiros teriam sido ideologicamente castrados em virtude das restrições impostas pelos governos militares que regeram o Brasil naquele período. Opa, senhores! Estão falando da minha geração. Esse período eu vivi e as coisas não se passaram deste modo.

Bem ao contrário. Nós, os jovens daquelas duas décadas, éramos politizados dos sapatos às abundantes melenas. Ou se lutava pelo comunismo ou se era contra o comunismo. Os muitos centros de representação de alunos eram disputados palmo a palmo. Alienados, nós? A alienação sequer era tolerada na minha geração! Havia passeata por qualquer coisa, em protesto por tudo e por nada. Surgiu, inclusive, uma figura estapafúrdia – a greve de apoio, a greve a favor. É sim senhor. Os estudantes brasileiros dos anos 70 entravam em greve por motivos que iam da Guerra do Vietnã à solidariedade às reivindicações de trabalhadores. Havia movimentos políticos organizados e eles polarizavam as disputas pelo comando da representação estudantil. O Colégio Júlio de Castilhos foi uma usina onde se forjaram importantes lideranças do Rio Grande do Sul. As assembleias estudantis e os concursos de declamação e de retórica preparavam a moçada para as artes e manhas do debate político. Na universidade, posteriormente, ampliava-se o vigor das atuações. O que hoje seria impensável – uma corrida de jovens às bancas para comprar jornal -, era o que acontecia a cada edição semanal de O Pasquim, jornal de oposição ao regime, que passava de mão em mão até ficar imprestável.

Agora, leitor, compare o que descrevi acima com o que observa na atenção dos jovens de hoje às muitas pautas da política. Hum? E olhe que não estou falando de participação. Estou falando apenas de atenção, tentativa de compreensão. Nada! As disputas pelo comando dos diretórios e centros acadêmicos, numa demonstração de absoluto desinteresse, mobilizam parcela ínfima dos alunos. Claro que há exceções nesse cenário de robotização. Mas o contraste que proporcionam permite ver o quanto é extensa a alienação política da nossa juventude num período em que as franquias democráticas estão disponíveis à vitalidade da dimensão cívica dos indivíduos.

Em meio às intoleráveis dificuldades impostas à liberdade de expressão nos anos 60 e 70, a juventude daquela época viveu um engajamento que hoje não se observa em quaisquer faixas etárias. Nada representa melhor a apatia política da juventude brasileira na Era Lula do que os fones de ouvido.

 

31 dezembro 2017 FULEIRAGEM

CHICO CARUSO – O GLOBO

31 dezembro 2017 A PALAVRA DO EDITOR

UM ÓTIMO ENCONTRO NO ÚLTIMO DIA DO ANO

Hoje pela manhã, como em todos os domingos, saímos eu e Aline pra tomar o café da manhã na rua.

Na Padaria Pan Jovem, a nossa predileta, que fica numa das esquinas da linda Praça da Jaqueira, um dos recantos mais acolhedores desta amada Recife.

E tivemos uma excelente surpresa: lá estava um grande amigo nosso, o Josildo Sá, um cabra malassombrado que mora na nossa estima e na nossa admiração.

Josildo é um dos maiores artistas da atualidade, uma cantor que interpreta magnificamente um gênero de música bem conhecido aqui na Nação Nordestina, o Samba de Latada. Um ritmo feito na medida pro sujeito relar o bucho com muito entusiasmo e se esfregar a noite toda na parceira, no aconchego de uma sala de reboco.

Josildo Sá, pernambucano de Tacaratu, é um cabra que abrilhanta a cultura da nossa querida terrinha.

Hoje à noite, na festa da virada organizada pela Prefeitura do Recife, na Praia do Pina, ele vai ser uma das atrações do grande evento.

Quando me viu, Josildo me abraçou e foi logo dizendo:

– Berto, eu num morro e nem tenho inveja de quem morre!

Eu também, Josildo, eu também. Num tenho a menor inveja de quem morre.

E neste ano que começa amanhã, aí é que vamos viver com muita intensidade mesmo!!!

Bom, estou fazendo este registro apenas como um pretexto. Uma desculpa para ouvirmos boa música neste domingo ensolarado.

No vídeo abaixo – gravado no programa de Rolando Boldrin -, Josildo interpreta um Samba de Latada intitulado Quixabinha, acompanhado do grande clarinetista brasileiro Paulo Moura. Uma música que ele compôs em parceria com o poeta Anchieta Dali,

Um ano novo nordestinamente arretado e muito sucesso, seu cabra doido!

Você merece.

31 dezembro 2017 FULEIRAGEM

ANTONIO LUCENA – BLOG DO NOBLAT


Mundo Cordel
AINDA QUE NÃO SEJA POR BONDADE

Familia reunida. Comemorações de fim de ano. O patriarca da família, sentado em sua cadeia de balanço, ouvia o discurso do filho mais velho:

– Quero registrar, neste momento, a importância do nosso pai para toda a nossa família, como exemplo de homem bom que ele é. Ao longo de nossas vidas, pudemos constatar o carinho e a atenção que ele sempre dedicou aos filhos, e, mais recentemente, aos netos. Tambem se vê sua bondade quando ele é abordado por um pedinte na rua. Mais que uma pequena quantia em dinheiro, tem sempre uma palavra de apoio. “Boa sorte”. “Vá com Deus”. Não é apenas a esmola material, mas a consolação espiritual. Isso é ser bom. E até nas coisas triviais do dia a dia. Na convivência com os vizinhos. Desde o espontâneo e respeitoso cumprimento – “Bom dia, senhor Fulano, senhora Cicrana” – ao respeito pelo espaço comum do condomínio. Eis um homem que não se permite segurar o elevador para esperar por algum de nós que se atrasa; que separa o lixo orgânico do seco; que não admite em sua casa ruídos fora do horário. Um homem bom, que guarda profundo respeito pelas normas legais que regem nossas condutas. Desde as regras de trânsito à declaração do imposto de renda, sua conduta é impecável. Isso também é ser bom!

A essa altura do discurso, o patriarca ergueu a mão direita, sinalizando que desejava um aparte. O filho concordou com um “Pois não, meu pai. A palavra é sua”.

E, do lugar onde estava sentado, o velho homem falou, com sua voz pausada, mas ainda forte o suficiente para ser bem compreendido por todos:

– Meu filho querido, estou muito honrado com as suas palavras, mas gostaria de fazer uma pequena correção de rumo no seu discurso. É que você me atribui algo que não tenho. As ações que você relaciona à minha pessoa são todas verdadeiras – que isso fique bem claro – mas ao apontar a bondade como causa dessas ações, penso que você se equivoca. É até natural que você veja bondade nos meus atos, mas de bondade não se trata. Talvez seja mesmo por egoísmo que assim tenho me comportado. Porque, ao me dedicar à educação dos meus filhos, ao lhes dar atenção e carinho, tudo o que eu queria era ter uma velhice tranquila, como de fato tenho, sem ver meus filhos envolvidos em situações que me tirassem o sossego. Quando trato bem a um pedinte, nada mais faço que tentar plantar nele alguma esperança, evitando que se revolte contra os que têm uma melhor condição de vida, como nós. Se procuro cumprir as normas legais e sociais, é apenas por acreditar que foram as normas de convivência que permitiram aos seres humanos, sendo um dos mais frágeis animais do planeta, reinar sobre todos os outros. Portanto, filho, tenho feito algumas coisas boas, é verdade, mas nada do que tenho feito de bom foi por bondade. Muito obrigado.

O filho agradeceu o aparte e retomou a palavra:

– O aparte que nosso pai generosamente nos concedeu reforça o que eu acabava de falar. E mostra que, além das características que eu já havia destacado, ele é detentor também de uma enorme modéstia. Mas, como ele me pediu para corrigir o rumo do discurso, e não lhe imputar bondade, eu, como filho obediente, acato a determinação do nosso patriarca, para dizer a todos aqui presentes, inclusive a mim, que esse é um exemplo de vida a ser seguido. E, assim, ainda que não seja por bondade, façamos o bem. Ainda que não seja por bondade, sejamos dedicados aos nossos filhos e leais aos nossos amigos. Cumpramos as normas legais e defendamos o respeito à ética. Que possamos ser verdadeiros, jogar limpo, lutar pelos nossos objetivos sem trapacear. Aliás, que respeitemos os nossos adversários. Ao final de cada disputa, mostremos que foi uma honra enfrentá-los, seja na vitória, seja na derrota. Sigamos, em suma, o caminho do bem, ainda que não seja por bondade. Assim agindo, estaremos certamente construindo um mundo melhor. Ainda que não seja por bondade. Imbuído desse pensamento, desejo a todos um ano novo repleto de alegrias e realizações. Confesso que, a esta altura, já não sei se manifesto esses bons votos por desejar o bem de vocês ou o meu próprio. Mas o faço com muita sinceridade e espero que cada um aqui faça o mesmo. Ainda que não seja por bondade. Muito obrigado.

31 dezembro 2017 FULEIRAGEM

LUSCAR – CHARGE ONLINE

GENTE HUMILDE

Glosas deste colunista e mote de Zé Bezerra

Uma casa de taipa campesina
Onde mora um casal de agricultores
Vale mais que a casa dos doutores
Onde a grana é quem dita e quem ensina
De que vale quintal, deck e piscina
Se não tem os amigos mais atentos
Pra que casas, chalés, apartamentos
Para quem vive preso ou tá fugindo
Um casebre, onde vê-se alguém sorrindo
Vale mais que um palácio de lamentos

A imprensa publica nos jornais
Os escândalos por causa de propina
Os políticos são aves de rapina
E os do povo são presas principais
Mas a vida dos grandes marginais
Se destroi em poucos depoimentos
Delatores tão vís e tão nojentos
Que até quando juram estão mentindo
Um casebre, onde vê-se alguém sorrindo
Vale mais que um palácio de lamentos

Sem ter paz de que vale ter dinheiro
Sem sossego o que vale ter riqueza
De que vale mil títulos de nobreza
Se é preciso negar seu paradeiro
De que vale ter pompa de banqueiro
Se não podes mostrar seus documentos
Por constar numa lista de dententos
Com a honra aos poucos se implodindo
Um casebre onde vê-se alguém sorrindo
Vale mais que um palácio de lamentos.

Tanto faz ser no mato ou na favela
Tanto faz ser no campo ou na cidade
Pois um lar para ter felicidade
Não precisa vitrais nem aquerela
Basta ter enfeitando a passarela
O sorriso da esposa e dos rebentos
Um diálogo sem males e tormentos
E o pouco que tem se dividindo
Um casebre onde vê-se alguém sorrindo
Vale mais que um palácio de lamentos.

31 dezembro 2017 FULEIRAGEM

VERONEZI – CORREIO POPULAR (SP)

31 dezembro 2017 JOSIAS DE SOUZA

LULA EXIBE MÚSCULOS: “MAIS FORTE DO QUE NUNCA!”

A debilidade penal de Lula contrasta com seu vigor físico. Septuagenário, o pajé do PT decidiu demonstrar na vitrine da internet que exercita outros músculos além da língua. A 26 dias do julgamento que pode torná-lo ficha-suja e até presidiário, o personagem exibiu o bíceps numa mensagem de otimismo para sua plateia no Facebook. “Não desista de suas metas e planos para o ano que vem”, diz o texto.

Alheia à evidência de que a Lava Jato virou uma espécie de criptonita de Lula, a assessoria do candidato eterno do petismo continua vendendo-o como superhomem. “Lula já venceu um câncer, e hoje se exercita toda manhã com disciplina e foco”, alardeia a mensagem. “O resultado é que sua saúde está cada dia melhor. Lula está mais forte do que nunca.”

Os apologistas de Lula ofereceram aos internautas uma receita de êxito: “O principal ingrediente do sucesso é a persistência. Cair, levantar, continuar, até vencer. Todos os vencedores têm em comum um histórico de luta. Todos.”

Nas suas ”caravanas”, eufemismo para campanha eleitoral fora de época, Lula gosta de repetir que se sente como um “garotão” nos sapatos de um ancião de 72 anos. “Faço duas horas de ginástica por dia. Levanto às cinco da manhã. Estou quase ficando bombado. Faço 7 km todo dia, além da musculação”, ele se vangloria, antes de se autodefinir como “um velhinho com tesão por esse país.”

É uma pena que o ex-presidente petista não demonstre a mesma vitalidade na produção de explicações capazes de desmontar as evidências de que parte dos seus confortos foram bancados com verbas de má origem. Mas não há de ser nada. Na melhor das hipóteses, Lula voltará a ter acesso à academia de ginástica do Alvorada. Na pior das hipóteses, sempre poderá exercitar-se no pátio do presídio, durante o banho de Sol. O importante é não perder a “disciplina” e o “foco”.

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NA LARGADA, SUCESSÃO É UM MUSEU DE NOVIDADES


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