12 dezembro 2017 FULEIRAGEM

NICOLIELO – JORNAL DE BAURU (SP)

GARRANXEIRA

12 dezembro 2017 FULEIRAGEM

BAGGI – CHARGE ONLINE

12 dezembro 2017 CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ALAMIR LONGO – QUARAÍ-RS

Prezado Editor Luiz Berto,

Veja o relato de um integrante do MST detonando o referido grupo terrorista comandado pelo PT.

…”Lá não tem nada de coordenador, não tem nada de sem-terra. Tem uma quadrilha de criminoso, de pilantra! Eu tô lá e sei o que acontece no dia a dia! Se nóis não apoiá o Pimentel, nóis não ganha lote, nóis é expulso do nosso lote. Nóis fala e nóis prova”.

12 dezembro 2017 FULEIRAGEM

NANI – CHARGE ONLINE

LULA SÓ VAI ACREDITAR NA IMPRENSA QUANDO PASSAR A NOITE EM UMA CELA EM CURITIBA

Na última missa negra celebrada no Rio pela procissão dos pecadores sem chances de aprovação no Juízo Final, o chefão da seita produziu o fecho perfeito para o sermão da vigarice. Zanzando no palanque que transformou em púlpito como um animador de auditório que exagerou ao matar a sede na hora do almoço, Lula assim começou o palavrório: “Eu estou triste com o que está acontecendo. O Rio de Janeiro não merece a crise que ele está vivendo”.

Teria caído a ficha do farsante que nunca soube o que é remorso? Estaria começando o pedido de desculpas do velho comparsa de Sérgio Cabral? Errado. Lula, de novo – e como sempre – diria que não tem nada com isso. “O Rio de Janeiro não merece… não merece que governadores que governaram este Estado, que foram eleitos democraticamente pelo povo, estejam presos porque roubaram o povo brasileiro. Roubaram o dinheiro público”.

Quem não merece o quê? Perguntam-se os que ouviram a gravação. O Rio é que não merece governantes ladrões ou os governantes ladrões é que não merecem cadeia? A opção correta é a segunda, informou a continuação do palavrório. “Eu nem sei se é verdade, eu nem sei se é verdade, porque não acredito em tudo o que a imprensa fala”.

Lula não acredita, por exemplo, que foi condenado a nove anos e meio de cadeia por corrupção e lavagem de dinheiro, como informou a imprensa. Vai acreditar na imprensa quando for noticiado nas primeiras páginas que, pela primeira vez, um ex-presidente da República passou a noite no beliche de uma cela em Curitiba.

12 dezembro 2017 FULEIRAGEM

NEWTON SILVA – CHARGE ONLINE

VIAGEM MUSICAL AO REDOR DO MUNDO

Doris Day – Abril de 1922 (95 anos)
* * *

01 – Brasil – Homem é homem – (Jocafi/A.Carlos) – Antonio Carlos e Jocafi – 1977 Brasil – Homem E Homem
02 – Grécia – Never on sunday – (M.Hadjidakis) – Melina Mercouri – 1960 Grecia – Never On Sunday
03 – Índia – Beedi – Sukhwinder Singh & Sunidhi Chauhan – 2009 India – Beedi
04 – Espanha – La Virgen de La Macarena – (Trad) – Orquestra Casino de Sevilla – 1960 Espanha – La Virgen De La Macarena
05 – Japão – Sayonara, sayonara – (Nakamura/Maki) – Kyu Sakamoto – 1968 Japao – Sayonara, Sayonara
06 – México – La cucaracha/Adelita – (DP) – Trio Los Panchos – 1960 Mexico – La Cucaracha
07 – USA – Singin` in the rain – (A.Freed/H.Brown) – Doris Day – 1962 Usa – Singin’in The Rain
08 – Cuba – Tuya más que tuya – (Bienvenido Fabian) – Célia Cruz – 1997 Cuba – Tuya Más Que Tuya
09 – França – Emporte-moi – (Barriere) – Alain Barrière – 1968 Franca – Emporte-moi
10 – Jamaica – You can get it if you really want – (J.Cliff) – Desmond Dekker – 1971 Jamaica – You Can Get It If You Really Want
11 – Paraguai – Índia – (J.Flores/O.Guerrero) – Trio Cristal – 1959 Paraguai – India – (j.flores-o.guerrero)
12 – África do Sul – Pata Pata – (Makeba/Ragovoy) – Míriam Makeba – 1967 Africa – Pata Pata
13 – Portugal – Soneto da fidelidade (V. de Moraes/M.Pacheco) – Rodrigo Costa Félix – 2007 Portugal – Soneto Da Fidelidade
14 – Itália – L`italiano – (T.Cutugno) – Toto Cutugno – 1983 Italia – L’italiano
15 – Rússia – Ochi chyornye (Dark eyes) – Russian Red Army Choir – 2008 Russia – Ochi Chyornye (dark Eyes)
16 – Argentina – Adiós, pampa mía – (Pelay/Mores/Canaro) – Francisco Canaro y su Orquestra Típica – 1945 Adiós, Pampa Mía

12 dezembro 2017 FULEIRAGEM

VERONEZI – CORREIO POPULAR (SP)

12 dezembro 2017 DEU NO JORNAL

LULA CANDIDATO? NUNCA

Marco Antonio Villa

Luiz Inácio Lula da Silva está novamente no primeiro plano da política brasileira. Mesmo condenado a nove anos e meio de prisão e sendo réu em seis ações penais – excluindo diversos inquéritos que podem ser recebidos pela Justiça -, hoje, ele é o principal ator do pleito presidencial de 2018. Representa o que há de pior na política nacional: o descompromisso com os destinos do Brasil, o oportunismo, a fala despolitizada, o caudilhismo, o trato da coisa pública como coisa privada. Resiste à ação da Justiça contando com o beneplácito da elite política, grande parte dela também envolvida com a corrupção que apresou o Estado brasileiro.

A condenação – ou condenações – de Lula e o cumprimento da pena em regime fechado não vai simbolizar somente a punição de um chefe – vá lá – partidário que exerceu por duas vezes a Presidência da República. Demonstrará mais, muito mais. Será o sinal de que ninguém está acima das leis, que qualquer mandão – local ou nacional – não poderá se abrigar sob o manto das nefastas relações políticas de Brasília. Isto pode explicar, por exemplo, a reiteração do PSDB de que pretende vencer Lula nas urnas, como se a cédula fosse superior à lei e a urna pudesse inocentar ou condenar um cidadão. Em outras palavras, a prisão do ex-presidente indica que qualquer líder político, inclusive do PSDB, poderá ser condenado e preso. Aí o espírito de corpo transcende as fronteiras partidárias: eles, os senhores do baraço e do cutelo, unem-se e rejeitam que um dos seus possa cumprir na cadeia a pena a que foi condenado. Argumentam, hipocritamente, que a Justiça foi longe de mais, que ninguém pode se sentir seguro, que o estado democrático de direito está correndo sério risco. E não faltarão juristas – regiamente pagos – para encontrar algum dispositivo na legislação que não foi devidamente respeitado e que, portanto, seria nula a ação da Justiça.

A Constituição proíbe que o presidente da República permaneça na função quando uma infração penal comum ou queixa-crime for recebida pelo Supremo Tribunal Federal (artigo 86, parágrafo 1º). Assim, como um condenado – e não réu – poderá ser candidato no pleito de outubro de 2018? E, como qualquer candidato pode chegar à Presidência da República, teremos um apenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro gerindo a coisa pública! O que dirá desta vez o STF? Qual o malabarismo que será adotado para justificar o injustificável?

Lula continua na ofensiva. Ataca sistematicamente o juiz Sergio Moro. Desqualifica a operação Lava-Jato. Desmoraliza a ação do Ministério Público Federal. E nada acontece. Poderia, de acordo com o Código de Processo Penal (artigo 312) ser preso, no mínimo, por colocar em risco a ordem pública. Nenhum ministro do STF saiu em defesa do juiz Moro quando vilipendiado pelo criminoso Lula. Nenhum. Na última sexta-feira, foi chamado de “um cara do mal.” Dias antes, de “surdo.” Disse que as provas foram arranjadas para garantir sua condenação. Silêncio no STF. Por quê? Estavam viajando e não tomaram conhecimento dos fatos? Tiveram medo? Encontravam-se cuidando dos rendosos negócios particulares?

A desmoralização do estado democrático de direito joga água no moinho do autoritarismo. Estimula o extremismo. Aponta que as instituições estão a serviço de criminosos como Luiz Inácio Lula da Silva. O curioso é que ele conta também com o apoio entusiástico dos partidos chamados conservadores – no sentido brasileiro, não inglês. Basta acompanhar a política na Região Nordeste. Lá o PSD, PP, PMDB, PR, PRB e PSB, entre outros, apoiam entusiasticamente os governos do PT e a possível candidatura Lula. Desejam manter seus feudos provinciais e garantir participação no governo central. Pouco importam os valores democráticos, o cumprimento da Constituição. Não estão nem aí com as instituições. Querem é participar da partilha do poder. Mas não só os coronéis nordestinos que dão as costas ao interesse nacional. E o grande capital? Este comunga da mesma forma de agir dos oligarcas: observa a cena política sempre à procura de lucros, fáceis, preferencialmente. Não tem qualquer contradição antagônica com Lula. Pelo contrário, o veem como um realizador. Os mais entusiasmados o consideram um estadista. Ele representa a ordem – e bons negócios, claro. Não custa recordar que o grande empresariado se omitiu – com raríssimas exceções – na luta pelo impeachment de Dilma Rousseff.

A prisão imediata de Lula – e não faltam razões – não conta com o apoio da elite dirigente. Temem uma comoção popular. Contudo, quando da condução coercitiva, em março de 2016, nada aconteceu. Somando os manifestantes que estavam em frente ao seu apartamento, em São Bernardo do Campo, com aqueles que encontravam-se na sede do Partido dos Trabalhadores e no Aeroporto de Congonhas, ambos em São Paulo, não havia mais que 500 pessoas, isto apesar da ampla cobertura da imprensa. Nas recentes caravanas pelo Brasil, em nenhum local houve ato que tivesse mais que cinco mil pessoas – na verdade, na maior parte deles, o número poderia ser contado em algumas centenas. Portanto, a “resistência popular” não pode ser usada como artifício para justificar a complacência ou, sendo mais direto, a covardia.

A possível homologação da candidatura Lula pela Justiça Eleitoral representará o ápice da desmoralização das instituições. A partir daí, o país poderá entrar em um caminho sem volta. O imprevisível vai tomar conta do país. E nenhuma alternativa política poderá ser descartada.

12 dezembro 2017 FULEIRAGEM

IOTTI – ZERO HORA (RS)

DOS INVERNOS NATURAIS AOS INVERNOS IDEOLÓGICOS…

BRASIL: meu ontem, brincar na “lama”; meu hoje, ver meu País na lama!

* * *

POÇA

Pingo. Pingo. Chove muito.
Pingo. Pingo. Cada gota!
Ô relâmpago! Ô trovoada!
É chegada a invernada.

Corre, corre, sai da chuva.
Pula poça. Quanta água!
Ô menino, vai pra casa,
vai tirar roupa molhada,

passar álcool na cabeça,
enxugar-se na toalha.
Quando é noite tá tossindo,
tá co’a febre danada!

Tô brincando. Tô brincando.
Eu não vou gripar é nada.
Para casa eu não vou,
vou ficar co’a meninada…

Dias de chuva, espeto tanajura.
Barquinho que quero arranco do caderno.
Água de poça, beijos de mariposa.
Ouço zoada: é o canto da cigarra.

Grande alvoroço está no galinheiro.
Haja galinha trepada no poleiro.
Mas que algazarra faz essa passarada!
Quanta rãzinha desce na enxurrada!

-Menina limpa, fique à distância.
Depois reclama se levar banho de lama.
Sai dessa árvore, vai pra lugar seguro,
que de soslaio pode cair um raio!

Faz medo não barulho de trovão.
Quanta lembrança! Invernos de criança:
invernos sujos, brincar na lama;
invernos limpos de dias lindos!

* * *

ATENÇÃO!

Não são os tolos que querem
“mudar o mundo”,
são os cheios de intenção…

Aconselha-se sempre ficar
atento, verificar amiúde,
olhar de perto, checar a direção,
o outro rumo que se quer dar:
Do que se trata?

Nem sempre o novo é bom!

Entenda: não é porque
a correnteza me arrasta,
que eu devo me deixar
levar, conduzir…

A água que lava,
também pode trazer a lama!

Há situações, há casos,
em que é preciso discernir,
e saber dizer não!

Então, é-nos exigido resistir,
lutar contra;
sob risco de sermos tragados,
e sob pena de sermos
subjugados!

12 dezembro 2017 FULEIRAGEM

MIGUEL – JORNAL DO COMMERCIO (PE)

12 dezembro 2017 MEGAPHONE DO QUINCAS


MULHERES CANTORAS E COMPOSITORAS DE PERNAMBUCO – NERIZE PAIVA

Nerize Paiva

A mesma dificuldade que o colega Luciano Hortêncio encontrou ao pesquisar uma biografia fechado ou mesmo textos soltos para falar e retratar Nerize Paiva, eu sinto agora ao concluir esta série que faço sobre “Cantoras e Compositoras de Pernambuco”.
Vou aqui beliscando textos, informações, dados e acervos destes colegas, o Luciano, o Bruno Negromonte, o Nirez, Abílio Neto, Samuel Machado Filho e assim por diante.

Eu Quero é me Virar, frevo-canção de Alvim

A única vantagem que tenho sobre os desconhecedores por completo de Nerize é que a ouvi inúmeras vezes no rádio e fui a shows de auditório, acompanhando minha mãe, Dagô.

Também esperava o momento de levantar as saias – danadinha – e gostava muito de ouvi-la cantar.

Os apresentadores a anunciavam como “A bomba atômica do Nordeste”. Viveu 82 anos (1932-2014). Sua morte, em 2014 foi assim sentida por Luciano Hortêncio “Nerize Paiva festejou esse Natal no céu. Foi chamada pelo menino Jesus, em 24 de dezembro. Havia sofrido muito, tanto de dores físicas, quanto pelo ostracismo a que foi relegada. A cantora pernambucana não fugiu à regra aplicada no Brasil, de se esquecer o artista tão logo deixe de atuar.

Paulo da Portela dizia: ‘O meu nome já caiu no esquecimento. O meu nome não interessa a mais ninguém’.

Como não havia praticamente nada na internet sobre Nerize – continuou Luciano -consegui fotos, fonogramas, informações e dados gerais com os amigos citados acima”.

Aruê, Aruá, de Catulo da Paixão Cearense, com Nerize Paiva

Com apenas 1,60 de altura, quando subia no palco da Rádio Jornal do Commercio levava o público, principalmente os homens – à loucura. O “Furacão do auditórios reinava entre as décadas de 1950 e 1970, época de ouro do rádio pernambucano.

Com a chegada da televisão, os castings das rádios tiveram uma baixa e aí começou o ocaso de Nerize Paiva. Quando sua mãe faleceu, Nerize foi morar no Rio de Janeiro e lá conheceu um gaúcho, descendente de alemão, o sargento da Marinha Gercy Rutz.

Foi amor à primeira vista. Em março de 1991, se casaram, em Manaus e foram morar no Recife, com Rutz até onde deu.

Na comemoração do seus aniversário de 2010, sua turma mais chegada foi até a Imbiribeira, no Recife-PE, levada por Carmem Tovar. Daquela Nerize, que era ovacionada no auditório da Jornal do Commercio não tinha quase nada – testemunha Luciano, um dos presentes.

Nerize – Foto Fernando Machado

No lugar de cantar “Sebastião, Meu Bem”, preferiu interpretar “Bom Dia, Tristeza”, Adoniran Barbosa.

Semana que vem, tem mais…..

12 dezembro 2017 FULEIRAGEM

SINFRÔNIO – DIÁRIO DO NORDESTE (CE)

12 dezembro 2017 DEU NO JORNAL

BOA NOTÍCIA

Um levantamento interno realizado pelo PT de São Paulo aponta para uma queda expressiva das candidaturas a deputado estadual e federal no Estado em 2018.

O número de filiados dispostos a disputar as eleições pelo partido é, hoje, de no máximo 99 nomes.

Em 2014, foram 174 candidatos a cargos legislativos, o que representa uma queda momentânea de 43%.

O extrato foi levantado pelo ex-deputado federal Jilmar Tatto, que nos últimos quatro anos foi secretário municipal de Transportes na gestão petista de Fernando Haddad.

O números já foram apresentados à Direção Estadual da legenda e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

* * *

Toda vez que o PT toma no furico, a banda decente do país se sente feliz.

É ótimo ver a Organização Criminosa se fudendo.

O ideal seria que esta queda de 43% em São Paulo se transformasse num desastre de 100% em todo o país.

Para candidatos a todos os cargos, a começar pela presidência da república.

12 dezembro 2017 FULEIRAGEM

LANE – CHARGE ONLINE

E TUDO ESTÁ NO SEU LUGAR MESMO?

“O deputado federal Carlos Marun (PMDB-MS), relator da CPI mista da JBS e defensor de primeira hora do presidente Michel Temer, está sendo processado por improbidade administrativa quando era presidente da Agência de Habitação Popular de Mato Grosso do Sul (Agehab). Em denúncia do Ministério Público Estadual, aceita pela Justiça, Marun é acusado, com outros 13 réus, de causar lesão ao erário em valores estimados em R$ 16,6 milhões.”

O parágrafo acima não foi escrito pelo autor deste texto, mas tem as credenciais de qualidade e veracidade do repórter Luiz Maklouf de Carvalho. E o aval, dado em 26 de setembro de 2017 pelo Estadão mais que centenário, cuja credibilidade foi amealhada mercê de suas lutas contra a escravidão, pela República, pela Constituição em 1932, contra o Estado Novo e contra a ditadura militar, que ajudou a deflagrar. Lá se vão 72 dias desde então e ela pode ser reproduzida praticamente na íntegra. A única substituição a fazer é a do cargo do parlamentar. Nestes primeiros dias da semana ele encerra o serviço que faz para o chefe Temer para desacreditar o trabalho nada defensável de Rodrigo Janot na tentativa de investigar o presidente. Sem, evidentemente, convencer ninguém de que o chefe do governo tem razão em proclamar a própria inocência na conversa que manteve com o réprobo Joesley Batista, da JBS, no porão do Palácio do Jaburu. O encontro só ocorreu por ter este berrado o codinome Rodrigo, prenome do então estafeta de confiança do presidente, que trocaria logo depois o gabinete do Palácio do Planalto pelo próprio lar no qual cumpre prisão domiciliar por haver sido filmado correndo com uma mala na qual foram encontrados R$ 35 mil a menos que os proclamados R$ 500 mil, depois também devolvidos ao dono desconhecido, que nunca surgiu para recolher a bufunfa e depositá-la num banco, sempre depois, como sói acontecer com correntistas normais, de justificar e provar a origem. Trata-se de Rodrigo Rocha Loures, deputado afastado após haver protagonizado a piada pronta: o cenário do vídeo é a Pizzaria Camelo, confirmando o ditado popular de que neste país malfeitos tendem a terminar em pizza.

Concluída a tarefa inglória, o ex-presidente da Agehab de Mato Grosso do Sul dedicar-se-á à outra, talvez mais árdua: articular o eufemismo dos eufemismos, de preferência pronunciado entre mesóclises e apodos, a dita base do governo. Sua missão será garantir os três quintos – 308 dos 513 votos de deputados federais e 47 dos 81 senadores – para aprovar a reforma da Previdência. Ou seja, lá o que for que esta tenha virado depois de devidamente pasteurizada por providências atenuadoras patrocinadas pelo relator Arthur Maia, sob a vigilância do chefe-mor e a débil aprovação de Henrique Meirelles.

O réu por improbidade administrativa vai realizar o sonho de consumo dos colegas que pertencem ao soit-disant Centrão, que, em troca de sua fidelidade canina, farão tudo o que o mestre desejar para minorar no que for possível o enorme sacrifício a ser feito pelo contribuinte para bancar mais uma vez, com a ajuda do alarido da esquerda que perde, mas não desanima, o déficit previdenciário nas contas públicas. Ele comandará o ambicionado gabinete onde se articulam as relações ditas institucionais (nem sempre confessáveis, ainda que se tornem públicas) do Poder Executivo com o Legislativo. Quando a chefia da Casa Civil era ocupada no primeiro governo Lula pelo comissário José Dirceu, o encarregado da tarefa era Valdomiro Diniz, flagrado em vídeo achacando o bicheiro goiano Carlinhos Cachoeira. Este foi condenado. E Dirceu também, embora goze no momento do privilégio de sambar de tornozeleira na mansão em que se diverte com a mulher e a filha enquanto cumpre pena por furto qualificado. Valdomiro perdeu o poder, o cargo e a fama, mas desliza sorrateiramente pelo anonimato nas quadras de Brasília.

Tendo o cargo recebido nome pomposo e poder real, assumiu-o no governo Temer o amigo do peito do chefe Geddel Vieira Lima. Filho do ex-deputado Afrísio e irmão do deputado Lúcio, o listado como “Carainho” no propinoduto da Odebrecht era chamado de suíno nos bancos da escola de que saiu qualificado de in-su-por-tá-vel por pelo menos um colega célebre, o poeta Renato Russo, aquele do Legião Urbana. Geddel meteu-se em palpos de aranha. Na Secretaria de Governo e amigo do “home”, chamou na chincha o ministro da Cultura, Marcelo Calero, para forçar a liberação pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) de certo edifício de luxo que ultrapassava gabaritos e tinha contabilidade pouco ortodoxa na Bahia de Todos os Santos, alguns nem tanto. Calero perdeu o emprego, mas logo Geddel se enredou na própria teia e também dançou. Na cela chorou como um bebê inconformado e foi premiado pela loteria dos habeas corpus do Supremo Tribunal Federal (STF). Mas logo perderia a liberdade porque a Polícia Federal (PF) atribuiu ao clã Vieira Lima a propriedade de um apartamento que serviu de depósito para R$ 51 milhões em cédulas. Foi preso de novo e as investigações incriminaram a mãe, dona Marluce, e o mano deputado, levando o relator do caso no STF, o ministro Luiz Edson Fachin, a interditar a obra do edifício que, antes de ser construído, derrubou dois ministros. Que obra, hein?

No gabinete do Planalto o amigo-em-chefe instalou outro baiano, o tucano Antônio Imbassahy, formado nas hostes do dr. Antônio Carlos Magalhães e atualmente sob a égide do tucanato de fina plumagem. O chefe de todos recebeu a sugestão de aliados leais do tal Centrão de trocá-lo por alguém mais confiável e correligionário, o deputado de primeiro mandato Carlos Marun, para tornar viável o que até agora parece no mínimo incerto: aprovar a emenda constitucional da reforma da Previdência. O tucano ficou furioso, disse que dali não saía, dali ninguém o tirava e Aécio Neves foi a palácio exigir tratamento digno para os seus. Imbassahy foi, então, mantido até sexta, 8, véspera da convenção do PSDB, na qual o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, foi feito presidente nacional do partido e seu presumível candidato à Presidência da República em 2018. Mas há quem diga que quem ainda mandava e desmandava era o presidiário, não o ministro.

Carlos Marun não é um anônimo. Ele se destacou como feroz defensor de Eduardo Cunha quando o ex-presidente da Câmara dos Deputados e também ex-deputado, ainda filiado ao PMDB, seu amigo e protetor, entrou na alça de mira das operações de combate à corrupção. Organizou uma festa de aniversário do “Caranguejo” da Odebrecht com uísque e bolo de chantilly. Foi o único colega a discursar em defesa do mestre e um dos dez minguados votos que ele teve no plenário contra a cassação do mandato. Visitou o padrinho na cadeia, cobrando a passagem do contribuinte. Flagrado em pleno delito bajulando o amigo dileto, devolveu o dinheiro da passagem. E, quando isso aconteceu, já era o homem de confiança do chefe geral. Nessa condição, cantou Tudo está no seu lugar, sucesso de Benito de Paula, a cuja letra original ele acrescentou que a oposição nunca vai ganhar.

Agora, Sua Excelência assume a Secretaria de Governo com a dura responsabilidade de aprovar a reforma. Não vai ser fácil. Qualquer jejuno em matemática, caso do autor destas linhas, é capaz de prever que o Centrão tem força para derrotar qualquer emenda constitucional e, por isso, condição de chantagear. Mas, ao contrário do que os governistas esperam, faltam-lhe votos para aprovar, mesmo por pequena margem. A respeito da acusação, cuja notícia abriu este texto, tudo o que ele teve a dizer a Maklouf foi publicado no segundo parágrafo da reportagem, para sua defesa: “Estou me defendendo, e tenho certeza de que o processo resultará na minha absolvição”. Omitiu, é claro, as evidências que policiais, promotores e juiz possam ter a seu favor, como ele acredita e profetiza piamente.

Resta ainda saber até que ponto ele atenderá à expectativa de convencer 457 parlamentares a se deixarem seduzir por seu estilo truculento, que o colunista da Folha Bernardo de Mello Franco definiu como de “um pitbull no palácio”. Só aí se saberá se, enfim, de fato “tudo está no seu lugar”. Ou nem tudo?

12 dezembro 2017 FULEIRAGEM

S. SALVADOR – ESTADO DE MINAS

12 dezembro 2017 CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JACOB FORTES – BRASÍLIA-DF

O GATO RUDE QUE CUIDA DISTO USA

Nos dias atuais já não se ligam importância às sapientes expressões proverbiais reverenciadas pelos povos que viveram em tempos distantes. É o caso da expressão “o gato rude que cuida disto usa”.

Desprezo, patente ou velado, pode encerrar um desejo inconfesso. O gato que finge pouco caso em relação ao passarinho no galho pretende, no fundo, transformá-lo numa refeição. Cuspo de desdém pode não ser o que parece ser, mas uma isca para esconder o anzol. Exasperar-se contra uma causa pode, na verdade, exprimir um ardil para propósitos ocultos. Exemplos frisantes disso povoam os anais da política brasileira.

Mas pode acontecer em sentido contrário: “boca de mel, coração de fel”. O Discurso de um político em favor da causa dos pobres pode esconder uma arteirice. Malefício ou benefício melhor mesmo é ficar atento porque “nem tudo que parece é, porém tudo é se assim lhe parece”. Ademais, “não se deve fiar em elogio de amigo nem em desdém de inimigo”. Afinal. “confiar desconfiando é atitude salutar da prudência humana”


© 2007 Besta Fubana | Uma gazeta da bixiga lixa