12 Janeiro 2018 FULEIRAGEM

NICOLIELO – JORNAL DE BAURU (SP)

12 Janeiro 2018 OS PINGOS NOS IS

MORTADELA NO CARTÃO

12 Janeiro 2018 FULEIRAGEM

MYRRIA – A CRÍTICA (AM)

12 Janeiro 2018 A PALAVRA DO EDITOR

UMA ENTREVISTA COMPRIDA QUE SÓ UM DIA DE FOME…

Há exatamente nove anos, em 2009, eu dei uma entrevista para a página Interpoética, que era dirigida por minha querida amiga Cida Pedrosa, grande intelectual, poeta e ativista  política pernambucana, atualmente Secretária da Mulher da Prefeitura do Recife, na administração Geraldo Júlio.

Desmantelado do jeito que sou, não salvei em meus arquivos a íntegra desta entrevista.

A página Interpoética foi desativa, saiu de ar e eu fiquei na mão…

Aline, meu braço direito na edição desta gazeta escrota e futucadora incansável da internet, descobriu a entrevista reproduzida numa página potiguar intitulada Mediocridade Plural, com esta chamada abaixo transcrita:

ECCE HOMO : LUIZ BERTO!

Uma Entrevista da Bixiga Lixa

Que alívio! Copiei e guardei a matéria nos meus arquivos.

Nesta entrevista fui arrochado e apertado por um time de pergntadores do mais alto nível e respondi sobre assuntos que iam, como diria Jessier Quirino, desde “atracação de navio até acasalamento de ratos“.

Pois bem.

Ontem foi publicada aqui no JBF uma carta do colunista fubânico José Domingos Brito na qual ele insinua a possibilidade de um modesto livro deste Editor ser transformado em filme, dizendo que “a Besta Fubana derrubando aviões com um simples peido ou extraindo cuscuz de um barranco… imagino que nem Spielberg e toda a grana de Hollywood seria capaz de tal proeza” (transformar o livro em filme).

Aí eu me lembrei que, na entrevista que dei à Interpoética, uma das perguntas foi exatamente sobre este assunto: a transformação d’O Romance da Besta Fubana num filme.

Pergunta que me foi feita pele jornalista e escritor Raimundo de Moraes.

A pergunta e a minha resposta estão lá na página Mediocridade Plural.

As fotos e imagens da publicação original não estão mais lá, se desgastaram com tempo. Mas o texto está ao pé da letra.

Quem quiser perder tempo lendo as besteiras que respondi e conhecer a entrevista na íntegra, com todas as perguntas e todas as respostas, basta clicar aqui .

12 Janeiro 2018 FULEIRAGEM

SENNA – JORNAL DA CIDADE DE BAURU (SP)

REMINISCÊNCIAS – O PASSADO SEMPRE LEMBRADO

Isaurinha Garcia (1923-1993)
* * *

01 – A saudade mata a gente – (João de Barro/Antonio Almeida) – Núbia Lafayette – 1985 A Saudade Mata A Gente
02 – Cabelos cor de prata – (Sílvio Caldas/R.Leite) – Nelson Gonçalves – 1951 Cabelos Cor De Prata
03 – O gondoleiro do amor – (Castro Alves/João Portaro) – Francisco Petrônio & Dilermando Reis – 1971 O Gondoleiro Do Amor
04 – Meu mundo caiu – (Maysa Matarazzo) – Maysa – 1958 Meu Mundo Caiu  
05 – Boneca cobiçada – (Biá/Bolinha) – Carlos Galhardo – 1958 Boneca Cobiçada
06 – Nunca – (Lupicínio Rodrigues) – Isaura Garcia – 1952 Nunca
07 – Enquanto houver saudade – (Custódio Mesquita/Mário Lago) – Orlando Silva – 1942 Enquanto Houver Saudade
08 – Eu não existo sem você – (Tom Jobim/Vinícius de Moraes) – Elizete Cardoso – 1958 Eu Não Existo Sem Você
09 – Boneca – (Benedito Lacerda/A.Cabral) – Sílvio Caldas – 1935 Boneca
10 – Lábios de mel – (Waldir Rocha) – Ângela Maria – 1955 Labios De Mel
11 – Chove lá fora – (Tito Madi) – Tito Madi – 1958 Chove La Fora
12 – Modinha – (Sérgio Bittencourt) – Taiguara – 1970 Modinha
13 – Reflorir da minha vida – (Saint-Clair Senna) – Francisco Alves – 1936 Reflorir Da Minha Vida
14 – Minha serenata – (Rutinaldo/Vicente Amar) – Vicente Celestino – 1959 Minha Serenata
15 – Molambo – (Jayme Florence/Augusto Mesquita) – Roberto Luna – 1957 Molambo
16 – Prelúdio para ninar gente grande (Menino passarinho) – (Luiz Vieira) – Luiz Vieira – 1962 Preludio Para Ninar Gente Grande

12 Janeiro 2018 FULEIRAGEM

AMORIM – CHARGE ONLINE

GRANDES MOTES, GRANDES GLOSAS

Dedé Monteiro, um dos maiores nomes da poesia nordestina contemporânea
* * *

Dedé Monteiro glosando o mote:

A vida só tem sentido
Enquanto houver ilusão.

Entrei na maré do vício
Sem conhecer suas águas,
Tentando afogar as mágoas
Do meu cruel sacrifício.
Quis me arrepender no início,
Mas faltou disposição…
Fiquei procurando, em vão,
O que nem tinha perdido…
A vida só tem sentido
Enquanto houver ilusão.

* * *

Zé Adalberto glosando o mote:

A cultura é o manto da igualdade:
Não destrói, não exclui, nem discrimina.

A cultura é o símbolo mais perfeito
Da história das civilizações
Porque cria e preserva tradições
Com orgulho, emoção, dom e respeito
Coração maternal sem preconceito
Com escolha, etnia ou melanina
Não aceita influência nem propina
Mas aceita somar boa vontade
A cultura é o manto da igualdade:
Não destrói, não exclui, nem discrimina.

* * *

Roberta Clarissa Leite glosando o mote:

A porteira do sítio onde eu morava
Se fechou nas lembranças do passado.

São José do Egito no sertão
Um pedaço bonito da infância
As lembranças perdidas na distância
Das viagens ao sítio pés no chão
A lembrança transborda na visão
O olhar soluçante e embaçado
No ouvido o barulho som do gado
Que o chocalho pesado carregava
A porteira do sítio onde eu morava
Se fechou nas lembranças do passado.

Que saudade do pé de umbuzeiro
Guardião do meu sítio já vendido
No registro o seu nome é esquecido
Como um tronco nascido no oiteiro
Laranjeira que ainda sinto o cheiro
Que dos frutos o suco foi tirado
Resta hoje algum galho pendurado
No quintal da casinha onde eu brincava
A porteira do sítio onde eu morava
Se fechou nas lembranças do passado.

* * *

Hélio Leite glosando o mote:

Derramei o meu pranto de vaqueiro
No portal da fazenda abandonada.

Eu nasci nas quebradas do sertão,
Sobre o lombo de um potro me criei,
Com prazer minha vida dediquei
A cuidar do rebanho do patrão;
Campear sempre foi minha paixão…
Uma seca chegou inesperada,
Perdurou, acabou com a boiada,
Quase mata de sede o marmeleiro…
Derramei o meu pranto de vaqueiro
No portal da fazenda abandonada.

* * *

Otacílio Pires glosando o mote:

É ruim plantar esperança
Pra colher desilusão.

Uma profissão maldita
Vendedores de ilusão
Mentem, sempre, em profusão
Falas que a gente acredita
Haja conversa bonita
Problemas têm solução
Votamos de coração
Em gente sem confiança.
É ruim plantar esperança
Pra colher desilusão.

* * *

Edmilton Torres glosando o mote:

Não sei se estou no começo
No meio ou fim da ladeira.

Sessenta e dois percorri
Nas estradas do destino
Eu não sou mais um menino
Mas ainda não morri
Se até hoje eu resisti
Sem cansar, nessa carreira
Vou manter a dianteira
Sem queda e sem tropeço
Não sei se estou no começo
No meio ou fim da ladeira.

Deus traçou a minha meta
Sem me dar conhecimento
Só revelou o talento
Que me deu, de ser poeta
A trajetória completa
Desta vida aventureira
Meu Deus a conhece inteira
Mas ainda eu não conheço
Não sei se estou no começo
No meio ou no fim da ladeira.

Cada passo na estrada
É incerto e inseguro
Os mistérios do futuro
Dificultam a caminhada
Há sempre uma encruzilhada
Um abismo, uma barreira
Ora chuva, ora poeira
Mesmo assim não esmoreço
Não sei se estou no começo
No meio ou no fim da ladeira.

12 Janeiro 2018 FULEIRAGEM

VERONEZI – CORREIO DO POVO (SP)

ALDO – FLORIANÓPOLIS-SC

Prezado CEO da Besta

Confesso que estou estupefato com a cara de pau do Gilmar Mendes.

Se fosse um político tipo Maluf ou Lula, ainda vá, está na massa do sangue.

Mas um Ministro do STF?

É constrangedor…

Em termos de chacotas, piadas, musiquinhas, etc. , ele está pau a pau com a Dilma.

Nunca vi um ministro do STF ser tão achincalhado.

Nem mesmo um falastrão, tipo Marco Aurélio, despeja tanta baboseira em público com a mesma cara de pau.

Abraços fubânicos

R. “CEO da Besta”.

Porra!!!

Eu já fui esculhambado de tudo quanto é nome aqui nesta gazeta escrota, mas de “CEO da Besta” é a primeira vez.

Num vou nem dizer que fiquei ancho porque tô desconfiado que “CEO” é coisa que não presta…

Vou pesquisar no Google, o atual Pai dos Burros e tirar a dúvida.

Quanto ao ministro Gilmar Boca-de-Buceta, você acertou em cheio: até o falastrão Marco Aurélio, o cara de sonso mais sonolento do Judiciário, se sente constrangido de fazer parte do mesmo sodalício que Gilmar.

Boca-de-Buceta e João Plenário: duas figuras autenticamente banânicas

Mas, o fato é o seguinte: para um país que já teve Collor e Lula na Presidência da República, ter um Gilmar no órgão máximo do Poder Judiciário é perfeitamente possível.

Um coisa normal neste país descoberto por Cabral (êpa!)

Isto é Banânia em estado puro.

Quanto ao achincalhamento a que vem sendo submetido Boca-de-Buceta – coisa que ele mesmo cavou e procurou com seus ridículos pronunciamentos e suas amostradas atitudes -, a avacalhação chegou às marchinhas de Carnaval.

Vamos aguardar o final de semana com uma música bem atual!

12 Janeiro 2018 FULEIRAGEM

ALECRIM – CHARGE ONLINE

EM DERROTA

Nas vagas da sidérea correnteza,
nau solitária, vai vogando a Terra
com seu carregamento de tristeza,
Adernada navega, mas não erra;

vai firme entre os escolhos, e indefesa.
No comando, invisível mão se aferra
ao invisível leme, na devesa
extrema da galáxia. Oculta guerra

dizima os nautas. – Alma ao mar! Ao nada! –
Na derrota sem bússola ou sextante
rumo a encoberto porto de chegada,

entre o incerto oscilar de invisos mastros,
nada entende o confuso tripulante.
E espera, ansioso, a salvação dos astros.

12 Janeiro 2018 FULEIRAGEM

S. SALVADOR – ESTADO DE MINAS

12 Janeiro 2018 FERNANDO GABEIRA

A COMPULSÃO DE PEDALAR

O Brasil tem dois fatos marcados para o início de 2018. Um, com direta repercussão na política, o julgamento de Lula, em 24 de janeiro; e o outro, com impacto na economia, a votação da reforma da Previdência, marcada para 19 de fevereiro.

Em agosto de 2018 o impeachment de Dilma Rousseff completa dois anos, e existe ainda uma discussão aberta sobre se valeu a pena, se foi melhor para o Brasil.

Formalmente, Dilma foi derrubada por causa das pedaladas fiscais, por ter gastado mais do que permitia a lei. Nas comissões e no plenário do Congresso oradores se sucediam para condenar essa prática. Parte do governo de Dilma, o PMDB se voltou contra ela e apoiou o impeachment. Estavam todos horrorizados com as pedaladas fiscais.

Agora, o segundo aniversário do impeachment vem aí e o governo falou em aprovar, antes dele, uma lei que lhe permita pedalar sem ser punido legalmente. Ao que parece, não queria nem pedalar, mas passar da bicicleta comum para uma elétrica, destas que se movem sem o esforço das pernas. Em termos de nossas tradições, nas quais certas leis pegam e outras não, o governo Temer pretendia inovar. Não se trata mais de afirmar que a lei não pegou, e sim de uma lei que tira férias, como, por exemplo, o horário de verão: só vale em certa época do ano. Não há dúvida de que isso desmoralizaria a tese central do impeachment.

Todos sabemos, também, que a esperança do movimento popular era deter o processo de corrupção. Mesmo aí os resultados só podem ser creditados à Operação Lava Jato, porque o governo Temer não só fazia parte do esquema de corrupção anterior, como é muito mais audacioso que o PT, como mostra aquele maroto decreto de indulto no final do ano. Na verdade, são táticas diferentes. O PT faz coisas erradas e tenta convencer de que você é que está equivocado, tem uma visão conservadora, aristocrática – enfim, há um arsenal de adjetivos a serem usados em cada ocasião. O governo Temer usa a tática do se colar, colou. Sem debates, assinou um decreto abrindo uma área da Amazônia à mineração. Ouviu o barulho e concluiu: não colou. No caso da portaria que atenuava as punições ao trabalho escravo, da mesma forma, ouviu o barulho e concluiu: não colou. Vamos fazer algo mais severo ainda porque as eleições vêm aí. O indulto de Natal morreu no STF, por uma decisão de Cármen Lúcia. Duvido que sobreviva ao plenário, embora já imagine quem possa votar a favor. E, finalmente, as próprias pedaladas “dentro da lei” parecem não ter colado também.

O único saldo do governo Temer foi ter conseguido deter o processo de degradação da economia, propiciar uma discreta retomada do crescimento. Somado à reforma da Previdência, ainda que modesta, ganhará fôlego para ir até o fim, um pouco pela inutilidade de, simultaneamente, derrubar um governo e eleger outro em 2018.

Voltando ao calendário, suponho que a decisão do caso Lula este mês e a possível reforma da Previdência definam um cenário relativamente favorável ao debate sobre a reconstrução, implícito na campanha eleitoral.

Não abstraio a existência de protestos, caso a condenação de Lula seja confirmada. Mas o êxito máximo de um movimento desse tipo seria manter Lula em liberdade, apesar da condenação em segunda instância. Dar umas férias a essa determinação legal do STF.

A sentença de Sérgio Moro não será anulada. A tese de que houve uma perseguição judicial é difícil de se expandir para fora do petismo, pois foram vários anos de trabalho de investigação, toneladas de documentos, perícias, provas testemunhais.

Tudo isso aconteceu numa atmosfera democrática, com Congresso aberto, imprensa e, sobretudo, transparência. Aliás, o processo de investigações foi acusado mais por mostrar do que ocultar, como naquele diálogo entre Dilma e Lula em que Bessias levaria um documento de posse para proteger Lula da prisão.

A esquerda decide lançar todas as suas fichas na salvação do líder num momento em que a maioria está preocupada com a salvação do País. Essa energia concentrada em salvar Lula deixa de lado algumas questões vitais que ela teria de encarar num processo eleitoral.

Será difícil de afirmar que a corrupção é algo apenas do governo Temer, que conseguiu se equilibrar porque era o sócio menor no esquema descoberto pela Lava Jato. Será difícil de explicar como acabou com a pobreza e surgiram 52 milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza apenas neste curto mandato de Temer. É como se 52 milhões de pessoas estivessem escondidas nos pântanos, nas selvas, favelas e sertões e tivessem aparecido apenas quando ouviram os gritos de “tchau, querida”.

De qualquer forma, mesmo distante do tema da reconstrução, a esquerda é importante fator subjetivo no cenário eleitoral. Ela afirma que as eleições sem Lula são uma fraude, em outras palavras, que a decisão do TRF-4, caso confirme a sentença, não vale. Na verdade, ela pede uma espécie de corredor em que alguns mecanismos legais sejam suspensos, para que ele possa prosseguir na salvação dos pobres, mandando-os de novo para a galáxia onde se escondiam antes do impeachment. Se a decisão do TRF-4 confirmar a de Moro, então seriam necessárias não só as férias da determinação de prender em segunda instância. Seria preciso, também, um congelamento da Lei da Ficha Limpa. Não afirmo que isso é impossível. Apenas muito improvável, uma espécie de distração dos problemas reais do País.

Na Venezuela, foi possível, por exemplo, colonizar a Justiça e corromper os militares com cargos e vantagens. Cada pessoa perdeu em média 5 kg nestes anos de Maduro. Os venezuelanos estão sumindo corporalmente, assim como os pobres sumiram nas estatísticas do PT.

É difícil elaborar os fracassos, partir para outra. Requer capacidade de dúvida, suspensão da fé religiosa em certos projetos políticos. Por enquanto, as esperanças do governo Temer e as do PT são de pedalar, driblando as lei da responsabilidade fiscal e as decisões da Justiça. No fundo, não eram só uma coligação, mas uma equipe de ciclistas.

12 Janeiro 2018 FULEIRAGEM

MYRRIA – A CRÍTICA (AM)

 

12 Janeiro 2018 DEU NO JORNAL

BABAQUICE HEREDITÁRIA

Tarso Genro, em entrevista à Rádio Gaúcha, disse que o “sistema judicial brasileiro” estará em julgamento, no próximo dia 24, no TRF-4.

Se Lula for condenado, está instaurado no Brasil a abertura da consolidação dos métodos de exceção nos processos penais. À medida que você abre a besta-fera do estado de exceção não se sabe onde isso vai parar. E é com todo mundo: vai acontecer com ex-presidente, com qualquer cidadão.

* * *

Um petêlho irracional deste porte, tinha que ser mesmo pai de Luciana Babacuda Genro.

Além do piramidal tolôte que cagou pela boca, Tasso Idiota Genro ofendeu profundamente a Besta Fera ao usar indevidamente o nome dela.

Que ela, a Besta Fera, venha lá das profundas pra enfiar sua grossa pajaraca no furico deste descerebrado vermêio-istrelado.

E, enquanto isto não acontece, vamos botar Polodoro pra rinchar em homenagem aos dois: o pai e a filha.

Vamos rogar uma praga bem patriótica: que esta lapa de bimba do nosso estimado jegue arrebente as 13 pregas desta parelha sem futuro.

Rincha, Polodoro!

12 Janeiro 2018 FULEIRAGEM

AMORIM – CHARGE ONLINE

12 Janeiro 2018 DEU NO JORNAL

CIRCO MARAMBAIA

J.R. Guzzo

O falecido deputado baiano Fernando Santana, um comunista dos tempos em que havia comunistas de carne e osso no Brasil, costumava divertir os colegas da Câmara com uma brincadeira sobre a Bahia. “Pense num absurdo, qualquer absurdo que te passar pela cabeça”, dizia ele. “Na Bahia há precedente”. Santana foi cassado, exilado durante quinze anos, reeleito após o fim do regime militar e hoje descansa em paz. Mas as coisas estão ficando de tal jeito neste país, hoje em dia, que ele poderia dizer algo equivalente em relação à dobradinha “Governo Temer-Poder Judiciário Brasileiro”. Imagine, no caso da atuação de ambos, um disparate realmente grande, tamanho XXXX-L – e pode ter certeza de que já aconteceu, está acontecendo ou vai acontecer a qualquer momento. A história da deputada Cristiane Brasil, nomeada pelo presidente da República para o cargo de ministra do Trabalho, está aí para mostrar que na política brasileira atual não existem limites para a palhaçada.

Há de tudo, neste picadeiro de circo. O presidente Temer fica com o Ministério do Trabalho vago e nomeia, após devida consideração, um novo ministro. O ex-presidente José Sarney veta a nomeação, o convite é anulado e o cargo continua sem titular. Numa segunda tentativa, o presidente nomeia uma deputada federal, mas um grupo de advogados do Rio de Janeiro não concorda e entra com uma ação na justiça para barrar a posse – a nova ministra do Trabalho tinha sido condenada, no passado, em duas causas na justiça trabalhista. Um juiz de Niterói manda suspender a posse. A coisa toda vai então para os altos tribunais da República. Descobre-se, nesse meio tempo, que o suplente da deputada, prestes a sentar na sua cadeira na Câmara, é um indivíduo condenado a 12 anos de cadeia por estupro – além disso, é irmão do ex-governador Anthony Garotinho, um ex- presidiário que está no momento em liberdade por ter tido a sorte de cair com o ministro Gilmar Mendes em seu último entrevero judicial. Já o irmão-suplente ficou uns tempos preso, mas graças às maravilhas do nosso Direito de Defesa, está não apenas solto; é também um quase-deputado.

O melhor de tudo é a fundamentação filosófica e jurídica, digamos assim, da decisão contra a ministra nomeada – segundo o juiz, ela não pode ser ministra do Trabalho em nome do princípio da “moralidade pública”. Aí também já é avacalhação. Se moralidade estivesse valendo alguma coisa neste país, quanta gente teria de deixar nos próximos cinco minutos os cargos públicos que ocupa – incluindo no Poder Judiciário? Eis aí mais uma das grandes páginas da nossa história: conseguiram montar um episódio em que estão todos do lado ruim. Escolha o seu preferido – o presidente Temer, o ex-presidente Sarney, a deputada que foi condenada em ações trabalhistas e deveria ter pedido um cargo que não fosse o de ministra do Trabalho, seu suplente, o irmão do suplente, o juiz de Niterói, os advogados do Rio e quem mais tiver tido algum contato com este pacote de refugo tóxico.

Estamos em pleno circo marambaia.

12 Janeiro 2018 FULEIRAGEM

NANI – CHARGE ONLINE

DESENREDO – Maria Eugênia


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