14 Janeiro 2018 FULEIRAGEM

LUTE – HOJE EM DIA (MG)

14 Janeiro 2018 HORA DA POESIA

OS MILHÕES DE ÁUREOS LUSTRES CORUSCANTES – Manuel Maria Barbosa du Bocage

Os milhões de áureos lustres coruscantes
Que estão da azul abóbada pendendo;
O Sol e a que ilumina o trono horrendo
Dessa que amima os ávidos amantes;

As vastíssimas ondas arrogantes,
Serras de espuma contra os céus erguendo,
A leda fonte humilde o chão lambendo,
Loirejando as searas flutuantes;

O vil mosquito, a próvida formiga,
A rama chocalheira, o tronco mudo,
Tudo que há Deus a confessar me obriga.

E para crer num braço, autor de tudo,
Que recompensa os bons, que os maus castiga,
Não só da fé, mas da razão me ajudo.

14 Janeiro 2018 FULEIRAGEM

LUSCAR – CHARGE ONLINE

14 Janeiro 2018 PERCIVAL PUGGINA

CONHEÇA O PENSAMENTO DOS DEFENSORES DA IMPUNIDADE E DO DESENCARCERAMENTO

Para entender o que pensa a corrente ideológica que, em boa parte, responde pela leniência da legislação penal brasileira, pela frágil execução penal e pela explosão da criminalidade no Brasil, nada melhor do que ler o que escrevem seus adeptos. As opiniões abaixo foram colhidas das citações contidas em um único texto, da autoria do prof. Leonardo Issac Yarochewsky. O artigo completo pode ser lido clicando aqui, e tem o arrogante título “A sanha punitivista e/ou a boçalidade do discurso da impunidade”. Imaginem o resto da biblioteca…

Ricardo Genelhú, Pós-doutor em Criminologia pela Universität Hamburg:

“o discurso contra a impunidade tem servido de motivo para uma suposta restauração da ‘segurança social’ quando na verdade, serve ela mesma, per se, é de desculpa para a perseguição ao “outro”(…)

“E o ‘discurso da impunidade’, com seu ensaio neurótico promovido por pessoas com onipotência de pensamento, tem poderosamente servido muito mais para ‘justificar’, ‘ratificar’ ou ‘manter’ a exclusão dos ‘invisíveis sociais’, tragicamente culpados e, por isso, incluídos por aproximação com os ‘inimigos’ (parecença), do que para demonstrar a falibilidade seletiva e estrutural do sistema penal antes e depois que um ‘crime’ é praticado, ou enquanto se mantiver uma reserva delacional publicizante, seja porque inafetadora do cotidiano privado, seja porque indespertadora da cobiça midiática.”(1)

Leonardo Issac Yarochewsky – Advogado Criminalista e Doutor em Ciências Penais pela UFMG:

“É certo que o discurso midiático – criminologia midiática – da impunidade, contribui sobremaneira para o avanço do Estado autoritário e para a cólera do punitivismo.Atingidos pela criminologia midiática e pelo discurso da impunidade, políticos tendem a apresentar projetos de leis com viés autoritário, conservador e reacionário.” (2)

“Não se pode olvidar que a prisão continua sendo há mais de dois séculos a principal forma de punição para os “perigosos”, “vulneráveis”, “estereotipados” e “etiquetados”, enfim, para os que são criminalizados (criminalização primária e secundária) em razão de um processo de estigmatização, segundo a ideologia e o sistema dominante.” (2)

Salo de Carvalho – Advogado e professor de Direito Penal:

“o sintoma contemporâneo vontade de punir, atinge os países ocidentais e que desestabiliza o sentido substancial de democracia, propicia a emergência das macropolíticas punitivistas (populismo punitivo), dos movimentos políticos-criminais encarceradores (lei e ordem e tolerância zero) e das teorias criminológicas neoconservadoras (atuarismo, gerencialismo e funcionalismo sistêmico)”(3)

Marildo Menegat – Pós-doutor em Filosofia pela USP:

“O melhor a fazer hoje é tornar público este debate, o que significa politizá-lo, pois é o único caminho para pôr termo, quem sabe aos martírios e sacrifícios desde sempre praticados por esta espécie que, por um milagre do acaso, fez-se uma forma de vida, ainda penso, inteligente. É hora de nos entregarmos à realização da liberdade, e, para isso, o fim das prisões torna-se imperativo”. (4)

Reitero: imaginem o resto da biblioteca e suas consequências nas salas de aula dos cursos de Direito.

_____________________

[1] GENELHÚ, Ricardo. Do discurso da impunidade à impunização: o sistema penal do capitalismo brasileiro e a destruição da democracia. Rio de Janeiro: Revan, 2015.

[2] YAROCHEWSKY, Leonardo Issac. Artigo “A sanha punitivista e/ou a boçalidade do discurso da impunidade”.

[3] CARVALHO, Salo. O papel dos atores do sistema penal na era do punitivismo. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2010

[4] MENEGAT, Marildo. Prisões a céu aberto. In: Seminário depois do grande encarceramento. Organização Pedro Vieira Abramovay, Vera Malaguti Batista. Rio de Janeiro: Revan, 2010.

14 Janeiro 2018 FULEIRAGEM

SINOVALDO – JORNAL NH (RS)

A COMPRA DA REFORMA PODE FICAR DO TAMANHO DO ROMBO

14 Janeiro 2018 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

14 Janeiro 2018 FERNANDO GABEIRA

OS LOUCOS E O PODER

A discussão sobre a saúde mental do homem mais poderoso do mundo é algo novo para mim. Mas o tema associando loucura e política certamente apareceu em muitos momentos da História. Nos tempos mais recentes, sempre foi mais comum uma discussão sobre a saúde física. No caso de Franklin Rooosevelt, o que estava em jogo era sua mobilidade, algo aparentemente superado nos dias de hoje: a cadeira de rodas não é um obstáculo intransponível.

A questão da loucura apresenta dificuldades: como definir que uma outra pessoa é louca contra a vontade dela, sobretudo quando ocupa o cargo político mais importante do planeta?

O debate sobre a saúde mental de Trump se acentuou com o lançamento do livro “Fogo e fúria”, de Michael Wolff. Os argumentos que tenho lido não me convencem de que Trump é louco. Às vezes detêm-se em análises de gestos simples como levantar um copo de água, sem considerar que certas hesitações se devem mais à velhice do que à loucura.

A disputa com Kim Jong-un sobre quem tem o botão maior, embora infantil na boca de um presidente, expressa uma tendência à competição onipresente em inúmeras atividades humanas.

No tempo em que Stalin dominava a União Soviética, muitos opositores foram mandados para o hospício. Era algo bastante temido, sobretudo entre intelectuais. O regime comunista não só monopolizava o poder como também se sentia em condições de monopolizar a razão. Ser de oposição era sintoma de uma doença mental. Numa sociedade democrática deve haver alguns protocolos, inclusive para uso da Justiça, determinando se a pessoa cruzou ou não a fronteira da sanidade. Quando se trata de algo tão político, é evidente que se formem duas grandes correntes, cada uma desconfiando abertamente da imparcialidade científica da outra.

Não tenho condições de afirmar se Trump é louco ou não. Outro dia, em Porto Alegre, um jovem me fez uma longa e complexa pergunta, concluindo: acha que estou louco? Quem sou eu para dizer que uma pessoa está louca, respondi. Tenho dúvidas a respeito de mim mesmo. No passado, Francisco Nelson, um grande amigo do exílio, sempre me confortava: tudo bem, você está lúcido.

Chico Nelson morreu de enfarte. Desde então, dedico-me a responder sozinho e falta energia para julgar os outros.

Mesmo para quem vive num país surreal como o Brasil, é estranho ver dois líderes mundiais trocando insultos, e Trump dizendo que tem um botão maior que o do outro.

Às vezes acho que discussão sobre a saúde mental de Trump mascara outra mais delicada: até que ponto ele representa a normalidade estatística, até que ponto o que está em jogo não é a sanidade da própria sociedade americana?

Ainda assim, restaria a dúvida sobre o é que normalidade nos dias de hoje. Antigamente, em Minas, um ditado popular tentava fixar a fronteira entre loucura e lucidez: é louco mas não rasga dinheiro. Que sentido tem essa fronteira numa sociedade consumista? Até que ponto a ostentação dos bilionários não é um rasgar dinheiro com base na realidade? Muitos de nós se lembram que loucura e poder estão associados de tal forma que, num dos clichês das comédias do passado, o louco aparecia sempre dizendo que era Napoleão Bonaparte.

Melhor, no exame dos atos de Trump, é analisar um a um, não sob a ótica da saúde mental, mas de sua eficácia política.

Trump retirou os EUA do Acordo de Paris. É um cético quanto ao aquecimento global. A dúvida dele a respeito de evidências que nos parecem esmagadoras tem consequências políticas. Uma delas é abrir espaço para que China tente ocupar o vácuo deixado pelos Estados Unidos, e a França recupere um pouco de sua grandeza perdida.

Temo que seja cada vez mais difícil enquadrar lideres mundiais nos parâmetros da sanidade mental.

Na atual fase do capitalismo, o entretenimento de milhões de pessoas tornou a indústria da diversão tão importante que tendem a surgir dela os nomes mais viáveis para liderá-la.

O próprio Trump usou a indústria da diversão para ampliar sua popularidade e, agora, utiliza o Twitter como seu programa particular.

Não nego que os critérios de sanidade e loucura ainda são importantes e mobilizam milhões de profissionais dedicados a, pelo menos, atenuar o sofrimento humano.

Transplantados para a política, esses critérios talvez não tenham a mesma validade. Minha suspeita é de que na luta cotidiana para espantar o tédio, a excentricidade torne-se uma espécie de capital para os candidatos ao poder.

Trump é um sintoma de algo bem mais sério e bem mais louco do que podemos imaginar. Aceitar essa premissa é incômodo mas nos aproxima da realidade. Não foi por acaso que, depois da Segunda Guerra Mundial, os intelectuais se voltaram não para dissecar a psicologia de Hitler, mas para se investigar o que havia na sociedade alemã para tornar possível sua liderança.

São outros tempos, mas, creio, a tarefa ainda é a mesma.

14 Janeiro 2018 FULEIRAGEM

NEWTON SILVA – CHARGE ONLINE

PILÃO QUE PISA MILHO – Quarteto Vagamundo

14 Janeiro 2018 FULEIRAGEM

PATER – A TRIBUNA (ES)

CICLOS

Li em artigo recente, da autoria de colega do JBF, uma breve menção a ciclos e isto me despertou uma multidão de raciocínios que gostaria de compartilhar com meus parcos e abnegados leitores.

A primeira lembrança que me veio à mente foi o genial matemático alemão Johann Carl Friedrich Gauss. As descobertas matemáticas desse ser iluminado começaram já aos 11 anos de idade. Aos 18 anos, desenvolveu o “Método dos Mínimos Quadrados”. Gauss dividiu o mérito desta descoberta com Legendre, que publicou o método independentemente em 1806.

Para aqueles que não são acostumados com questões científicas, basta dizer o seguinte, para dizer o grau de importância deste método matemático: Toda pesquisa científica busca, basicamente, determinar a relação existente entre uma causa e um efeito. Para isso, utilizam um método desenvolvido pelo Lord inglês Francis Bacon, no século XVI. Segundo o mesmo, para conhecer alguma coisa devemos…

• Coletar informações (quantificadas) a partir de observações rigorosas;
• Reunir e organizar, sistemática e racionalmente, os dados recolhidos;
• Formular hipóteses a partir da análise dos dados recolhidos;
• Comprovar se as hipóteses são verdadeiras a partir de experimentações.

A bronca é que todas as observações e medições realizadas apresentam erros inerentes a cada um dos sistemas de medição adotados. Foi aí que entrou a genialidade de Gauss. O mesmo criou um método extremamente simples para se determinar a equação matemática que melhor representa a relação entre dois conjuntos de dados. Um conjunto, de uma variável aleatória qualquer. Outro, de uma variável que, supostamente, tem seus resultados dependentes da variável aleatória.

Não fosse suficiente a descoberta deste método fundamental para todas as pesquisas científicas de nosso tempo, o mesmo Gauss desenvolveu um outro conceito que se tornou fundamental em todos os aspectos de nossa vida: A curva de distribuição Normal de probabilidades, ou Curva de Gauss. Esta curva também foi desenvolvida a partir dos seus estudos sobre a distribuição dos erros em observações astronômicas, juntamente com o astrônomo francês Laplace. Daí a mesma também ser conhecida por Curva de Laplace. Seu conceito é tão poderoso que se espalhou por inúmeros aspectos de nossa vida quotidiana.

Ciclo de Vida das Organizações e Ciclo de Vida dos Produtos

Passamos a ver a distribuição de probabilidades em forma de sino nos mais variados ciclos com os quais nos defrontamos, assim como nos mais variados aspectos do nosso quotidiano: Desde o ciclo de vida das organizações e o ciclo de vida dos produtos, até os ciclos naturais através dos quais passamos ao longo de nossas vidas. Desde o ciclo de nascimento e morte dos seres, até o ciclo das estações do ano, das fases da lua e das marés, juntamente com o ciclo menstrual das mulheres. Isso sem falar nas cadeias cíclicas do DNA, algoritmo divino que controla todas as manifestações de vida em nosso planeta.

Assim, não é de se estranhar que o economista russo Kondratiev tenha visualizado a existência de ciclos econômicos como sendo inerentes ao capitalismo. Este jovem teve a infelicidade de ir contra as ideias predominantes no grupo ao redor de Stalin, durante a industrialização soviética e a comunização forçada da agricultura. Só por causa dessa “gracinha”, foi destituido do comando do Comitê de Análises de Conjuntura Econômica do governo soviético. Posteriormente, foi preso em 1930 e fuzilado em 1938. Tudo simplesmente por discordar de Stalin. É dura a vida de quem discorda daqueles que estão no poder.

O ciclo encontrado por Kondratiev tem um período de duração aproximado de 40 a 60 anos, após o que retorna ao ponto inicial. Apresenta duas fases distintas: uma fase ascendente (fase A) e uma fase descendente (fase B). Essas flutuações de longo prazo seriam características da economia capitalista. O primeiro a perceber a correlação existente entre os ciclos econômicos do Brasil e as Ondas Longas de Kondratiev foi Ignácio Rangel. Em suas palavras:

“O relacionamento que faço das vicissitudes de nossa história nacional com as ondas longas, cuja simples existência não é aceita mansamente, faz-me sentir-se um pouco como Heinrich Schliemann quando resolveu levar a sério a Ilíada, na busca da localização exata de Troia, valorizando, assim, um documento que muitos consideravam uma tessitura de mitos.”

Se considerarmos verdadeira a associação dos movimentos ascendentes e descendentes de nossa economia com os movimentos econômicos mundiais, dada nossa característica de economia periférica, ficariam assim grandemente esvaziadas as alegações dos tiranetes de plantão com relação a suas realizações econômicas. O máximo que lhes poderíamos imputar seria a agravação das fases descendentes, dada a incúria com que trataram as finanças públicas na depressão, bem como o mérito de não terem atrapalhado demasiadamente durante as fases de prosperidade, o que já é uma grande coisa. O terrível disto tudo é que, enquanto no mundo civilizado, os ciclos de Kondratiev redundam em uma espiral de crescimento e desenvolvimento; no caso brasileiro, ficamos qual cachorro, perseguindo o próprio rabo, condenados e ansiando por um “Eterno Retorno”, tal qual Nietzche preconizou na Gaia Ciência, de modo a fugirmos da espiral descendente de frustração e desespero que nos ameaça.

14 Janeiro 2018 FULEIRAGEM

DUKE – O TEMPO (MG)

14 Janeiro 2018 JOSELITO MÜLLER

BOLSONARO PODE SER PRESO POR CANIBALISMO

BRASÍLIA – Após revelar que gastava parte do auxílio moradia para comer gente, o deputado Jair Bolsonaro foi incluído no polo passivo de uma ação penal que poderá levá-lo à prisão.

A denúncia, apresentada pela Procuradora Geral da República, Raquel Sheherazade Dodge afirma que o deputado, “ao confessar que comia gente, admitiu ter cometido canibalismo, o que é crime segundo o Código Penal brasileiro”.

A prática de canibalismo é proibida no Brasil desde o ano de 2002, quando foi incluído na legislação penal a previsão de pena de 12 a 30 anos para tal prática.

O canibalismo atualmente só é permitido quando for recomendado por nutricionistas ou cometido por razões religiosas.

Em sua defesa, Bolsonaro alega que a reportagem na qual teria proferido tal afirmação “sonegou de propósito uma vírgula. Eu disse: ‘eu usava o dinheiro para comer, gente’ e eles tiraram a vírgula só de sacanagem, esses fake news”.

Em apoio a Bolsonaro, o tucano José Serra declarou que “comer gente não é crime. Eu mesmo já comi muita gente”.

Veja abaixo um vídeo de Serra que atesta a assertiva acima:

14 Janeiro 2018 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

14 Janeiro 2018 A PALAVRA DO EDITOR

DARIA UM EXCELENTE COLUNISTA FUBÂNICO

O candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro deu uma entrevista ao jornal Folha de S.Paulo.

Destaco uma pergunta e a respectiva resposta:

– O senhor utilizou, em algum momento, o dinheiro que recebia de auxílio-moradia para pagar esse apartamento?

– Como eu estava solteiro naquela época, esse dinheiro de auxílio moradia eu usava pra comer gente.

Gostei. Gostei mesmo desta resposta.

Uma resposta literalmente do caralho! 

Apreciei demais o coice que Bolsonaro deu em quem perguntou. E apreciei, mais ainda, o fato de ter ele declarado publicamente ser chegado numa bacurinha.

Comer priquitos é uma atividade altamente salutar. E boa saúde é um item indispensável para um supremo mandatário de qualquer nação.

Como já é do conhecimento de todos nós, fuder tabacos e fuder o povo são características marcantes dos homens públicos deste país.

A resposta de Bolsonaro é uma postura compatível com um candidato a presidente da República Federativa de Banânia.

Pelo deboche da resposta, o deputado-tenente bem que poderia ser colunista desta gazeta escrota.

Acabei de mandar uma mensagem pra ele fazendo o convite. Espero que ele aceite.

Aliás, o leitor fubânico que quiser reforçar o convite pode escrever diretamente para Sua Insolência através do e-mail .

Ou fazer contato pelo telefone (61) 3215-5482.

PS: Não custa nada lembrar que, por inúmeras vezes, também já fiz convites a alguns expoentes petistas – como o Deputado Paulo Pimenta -, pra escreverem aqui nesta gazeta escrota. Até agora não mereci a gentileza de uma resposta, positiva ou negativa. Lembro, também, que Jandira Grelão Feghali foi colunista fubânica por algum tempo. Mas parou de enviar novos textos de uma hora pra outra.

14 Janeiro 2018 FULEIRAGEM

CLÁUDIO – AGORA SÃO PAULO

14 Janeiro 2018 DEU NO JORNAL

SOMOS TODOS CATHERINE DENEUVE!

Rodrigo Constantino

A atriz francesa Catherine Deneuve despertou a fúria das feministas ao assinar, com outras cem mulheres, uma carta se manifestando contra o que chamam de “denuncismo” de assédios sexuais. O manifesto, publicado no jornal francês “Le Monde”, afirma que homens devem ser “livres para abordar” mulheres. E não devem?

Claro, é preciso definir o que se entende por “abordar” nessa frase. Mas por óbvio: é preciso definir o que se entende por assédio também, algo que as feministas não têm se esforçado muito para fazer, pois no fundo querem que tudo seja considerado assédio.

As feministas radicais da terceira geração são as novas tias carolas puritanas, que fomentam uma inquisição contra os “impuros”. No fundo, essa histeria trai seu ódio pelos homens, pelo sexo, pela liberdade. Desnecessário dizer que nem tudo começou assim: a revolta contra os verdadeiros abusos sexuais e o anseio de proteger as mulheres são perfeitamente legítimos.

Mas o pêndulo, aqui como alhures, extrapolou, saiu pela tangente. Quando as feministas começam a repetir que uma em cada cinco mulheres foram estupradas nas universidades, ou que qualquer “cantada” ou “assobio” já é sinônimo de predador sexual, fica claro que a coisa saiu do controle.

Quando alguém como Oprah Winfrey faz um discurso em que todo homem deve se sentir culpado só por existir, sendo que ela foi amiga de anos de Harvey Weinstein, esse sim alguém que abusava de fato das mulheres, é porque a causa está tomada pela hipocrisia.

Alguns homens abusam de mulheres? Óbvio. Alguns homens apelam para a força bruta maior para forçar mulheres a fazer coisas que elas não gostariam? Sem dúvida. Mas daí a se criar esse clima de perseguição geral, de paranoia, de histeria, vai uma longa distância.

E uma distância que cria casos como este de Curitiba, em que uma mulher acusara falsamente potenciais estupradores. Como fica? Qual a punição justa para alguém que inventa uma denúncia tão grave como essa, que pode destruir a vida de outras pessoas?

Desde quando o Ocidente abandonou os preceitos jurídicos de ônus da prova de quem acusa, inocente até prova em contrário e benefício da dúvida? Basta agora uma palavra feminina e pronto? E as feministas não percebem o enorme perigo do que ajudaram a criar?

A abordagem do homem à mulher é uma arte, e uma que garante a sobrevivência de nossa espécie. Ela só não pode ser violenta, com agressão, intimidação ou ameaça. Mas não vamos limitar tanto assim as opções, ao menos não se desejarmos preservar a tensão sexual entre homens e mulheres, a adrenalina da “caça” (esqueçam Tinder, Match e outros aplicativos do tipo, jovens, pois nada substitui o encontro fortuito, o cara a cara, a “chegada” com o risco de “toco”), o desejo.

Quando as feministas querem abolir até um assobio, um gracejo, o galanteio, o cortejo, a “chegada”, elas dão prova de que seus críticos estão certos: o movimento feminista virou coisa de mulher ressentida, invejosa, cheia de ódio no coração. Sofreu algum abuso traumático no passado? Lamento muito, de verdade. Mas isso não te dá o direito de usar essa raiva para atacar todos os homens, e pior, para criar um ambiente de constante desconfiança mútua entre os sexos.

O mundo que as feministas estão criando, além de chato, de insuportável, é totalitário, puritano, persecutório no pior estilo Big Brother, e vai acabar matando o desejo entre homens e mulheres, que começa já na troca de olhares, na abordagem incerta, no jogo da sedução. Talvez seja isso mesmo o objetivo delas: destruir de vez o relacionamento entre homens e mulheres.

Viva Catharine Deneuve! Viva as mulheres que querem preservar o feminino e o masculino, com suas diferenças complementares! Viva aquelas que dizem não ao puritanismo feminista, a essa paranoia que confunde uma investida amorosa ou sexual com assédio ou abuso punível por lei.

PS: Reconheço que o antigo gentleman é cada vez mais raro, item escasso de luxo no mercado sexual. Mas as mulheres que reclamam deveriam perguntar se isso também não tem alguma ligação com o feminismo, que vem fazendo de tudo para transformar as mulheres em versões pioradas dos homens. Se o comportamento estimulado é a vulgaridade de Anitta, como esperar que a abordagem do macho seja a de um lorde britânico?

14 Janeiro 2018 FULEIRAGEM

SENNA – JORNAL DA CIDADE DE BAURU (SP)


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EU FIZ DO HOMEM MEU PAR

Sou do tempo que o olhar
Pedaço não arrancava
Sou do tempo que a cantada
A mulher não exasperava
Sou do tempo do coió
A gente amava que só
Aquele que paquerava.

Sou do tempo que dançar
Era bom agarradinho
Se eu quisesse ele quisesse
Dançava-se coladinho
Tinha o bolero brecado
A perna ia do outro lado
E o batom no colarinho.

Contudo para dançar
Mas sem gostar do sujeito
Para ele não encostar
Botava-se a mão no peito
Eles achavam um saco
A mulher botar macaco
Só para impor o respeito.

Sou do tempo que o homem
Podia um beijo roubar
E a mulher que era tímida
Acabava por gostar
Sou do tempo da bravata
De violão e serenata
De paixão e de luar.

Eu sou do tempo do flerte
Do bilhete e do recado
Do tal namoro escondido
Dos medos e do pecado
E da amiga alcoviteira
Que não era tão parceira
E roubava o namorado.

Sou do tempo que a mulher
Fugia para casar
Com um filho na barriga
Muitas foram ao altar
Sou prova da transgressão
Caminhei na contra mão
Mas fiz do homem meu par.

Sou do tempo que o amor
Fluía naturalmente
Se hoje a mulher tem medo
Do homem não é diferente
Foi-se a naturalidade
Em tudo se vê maldade
Eu quero um chá de nepente!


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