“Botei tramela no peito
Pra saudade não entrar
Ela encontrou uma brecha
E achou de se acomodar
Quero expulsar a posseira
Porém já vi que é besteira
Pois ela teima em ficar.”

Dalinha Catunda

“Já faz três dias que eu
Não durmo e nem sinto fome
A lágrima secou nos olhos
A saudade me consome
Sinto o teu cheiro num jarro
Na fumaço do cigarro
Vejo as letras do teu nome.”

Hélio Crisanto

“Não há saudade maior
Do que um amor ausente
Dilacera nosso peito
Deixa o coração doente
A saudade é tão ingrata
Que se a gente não mata
Ela vem e mata a gente.”

Tiago Monteiro

“Essa saudade não bate,
Chega derrubando a porta
Dá-lhe no meu pé de ouvido
Minha autoestima entorta
E depois sai feito bala
Deixando no chão da sala
Uma alma quase morta!”

Jessé Costa

“Tudo que a saudade faz
É provando ser ingrata
Quando ela dá um alívio
Na mesma hora maltrata
Se Jesus não der um jeito
A saudade é quem me mata.”

Vicente Preto (1911 – 1976)

6 Comentários

  1. Parabéns pela rica postagem, prezado Aristeu Bezerra!
    Os versos sobre a saudade, coletados dos excelentes poetas Dalinha Catunda, Hélio Crisanto, Tiago Monteiro, Jessé Costa e Vicente Preto são todos lindíssimos! Viva a cultura popular!

    Um abraço e uma ótima semana!

    Violante Pimentel Natal (RN)

    • Violante,

      Grato por seu comentário. Há uma saudade muito dolorosa: saudade da filha pela mãe. Li, recentemente, um poema de Elisa Lucinda que gostei demais da conta, então compartilho com a nobre amiga:

      INCOMPREENSÃO DOS MISTÉRIOS

      “Saudades de minha mãe.
      Sua morte faz um ano e um fato
      Essa coisa fez
      eu brigar pela primeira vez
      com a natureza das coisas:
      que desperdício, que descuido
      que burrice de Deus!
      Não de ela perder a vida
      mas a vida de perdê-la.
      Olho pra ela e seu retrato.
      Nesse dia, Deus deu uma saidinha
      e o vice era fraco.”

      Saudações fraternas,

      Aristeu

  2. Realmente os versos sobre a saudade, são pérolas. Falar tão bonito de uma coisa tão triste, só esses inigualáveis poetas aqui do JBF. Parabéns ao Aristeu Bezerra, por garimpar essas pérolas, parabéns aos autores, por produzir tão belos versos, parabéns ao editor, por destinar um espaço para a publicação… Essa BESTA, tão besta está cada vez produzindo coisa mais sabida.

    Itaerço
    Imperatriz-ma

    • Francisco Itaerço,

      Muito obrigado por suas generosas palavras. Concordo que a saudade é um tema triste, entretanto está sempre presente na inspiração dos poetas populares e repentistas. Aproveito a oportunidade para compartilhar uma sextilha de Antônio Pereira (1891 – 1982) com o amigo:

      “Saudade é um parafuso
      Que na rosca quando cai
      Só entra se for torcendo
      Porque batendo não vai
      E quando enferruja dentro
      Nem distorcendo num sai.”

      Saudações fraternas,

      Aristeu

  3. Goiano,

    Grato por seu comentário bem-humorado e poético. Aproveito a oportunidade para compartilhar uma sextilha do poeta Antônio Pereira (1891 – 1982):

    “Saudade é a borboleta,
    Que não conhece a idade.
    Voando, vai lá, vem cá,
    Misteriosa, à vontade.
    Soltando pêlo das asas,
    Cegando a humanidade.”

    Saudações fraternas,

    Aristeu

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