1 maio 2018 CHARGES

NICOLIELO

PENINHA – TUPI PAULISTA-SP

José de Oliveira Ramos, parabéns pelos 75 anos.

Neste dia, importante de sua vida, te ofereço como um presente, esta bela interpretação de Edith Piaff para a música “Non, Je Ne Regrette Rien”.

Que você tenha muitos mais anos pela frente e que continue a abrilhantar o JBF com suas crônicas.

Parabéns mais uma vez e um abraço fraterno do

Peninha

1 maio 2018 CHARGES

M. JACOBSEN

CARLOS ZITELLI – ARARAQUARA-SP

Prezado Berto, bom dia!

Quero comunicar ao prezado mestre Berto e seus leitores, que o resultado da minha indignação publicada por esse jornal anteriormente, graças ao que é justo e honestos, os políticos (vereadores) da Câmara Municipal de Araraquara, onde são DEZOITO que nada acrescentam a nossa cidade a não ser despesas, tomaram uma boa ferrada conforme mostro abaixo.

Obrigado mais uma vezes por sua ajuda.

Que essa Gazeta Escrota como você diz, fique sempre ao lado dos indefesos.

Vindo em Araraquara estou à sua disposição.

Um forte abraço.

R. Nosso estimado leitor está se referindo a uma postagem publicada no JBF em novembro passado sobre o assunto citado por ele na Câmara de Vereadores de Araraquara-SP

Fico feliz pelo fato de que o JBF tenha ajudado a contribui com este bom desfecho.

Disponha sempre deste espaço.

E vamos à matéria que você nos mandou

* * *

Segunda instância derruba condenação e absolve jornalista

José Carlos Magdalena havia sido condenado a três meses de prisão em regime semiaberto após processo movido pela Câmara de Araraquara

José Carlos Magdalena

O jornalista José Carlos Magdalena, apresentador do Jornal da Morada, das rádios Morada AM/FM, e do programa Painel Paulista, da TV Cultura Paulista, foi absolvido por unanimidade do processo movido pelos 18 vereadores da Câmara Municipal de Araraquara.

Em novembro do ano passado, Magdalena havia sido condenado a pagar cerca de R$ 421 mil – correspondente a 15 salários mínimos por dia pelo prazo de 30 dias – e três meses de prisão em regime semiaberto após decisão da juíza de Direito Josiane Patrícia Cabrini, da 3ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo – Comarca de Araraquara.

A defesa recorreu e, em julgamento em segunda instância, realizado na tarde desta terça-feira (24), a condenação foi derrubada. O voto levou em consideração a liberdade de expressão e de imprensa e a crise política que afeta o país, momento em que a atuação da imprensa se faz mais do que necessário.

O jornalista está em viagem de férias e vai se pronunciar sobre a decisão no Jornal da Morada dessa quarta-feira (25), a partir das 7 horas, na Radio Morada AM/Fm.

O programa também pode ser assistido pela internet pelo Portal Morada ou pelo facebook

José Carlos Magdalena havia sido condenado a três meses de prisão em regime semiaberto após processo movido pela Câmara Municipal de Araraquara-SP.

1 maio 2018 CHARGES

SPONHOLZ

Dura a vida de aposentado. Aliás deveríamos ter descontos substanciais em livrarias e farmácias.

AS PROVAS

Um amigo perguntou: – Cadê as provas?
E eu, então, lhe respondi: – Meu caro amigo,
Fique certo que elas não estão comigo.
Tenho aqui só uns sonetos e umas trovas.

E, acredito, não estão também contigo,
Nesse assunto, eu e tu somos incautos.
Se há provas, elas devem estar nos autos,
Com quem deve decidir crime e castigo.

Para isso há os juízes, afinal,
Dedicados a aplicar a lei penal.
Em qualquer democracia é desse jeito.

Se negarmos tal mister aos tribunais,
Por temermos que eles sejam parciais,
Quem irá dizer o Justo e o Direito?

1 maio 2018 CHARGES

CLÁUDIO

CARIDOSA CAMPANHA DE DOAÇÕES

A Procuradoria Geral da República intimou o ex-presidente Lula a devolver aos cofres públicos as quantias de 40 milhões de dólares e mais 10 milhões de reais.

É dinheiro pra cacete!

Como o honesto e impoluto Lula é um cidadão paupérrimo, o fubânico luleiro Ceguinho Teimoso já começou uma campanha para arrecadar donativos que ajudem a pagar esta dívida monstruosa.

Quem quiser colaborar, é só ir aí do lado direito do JBF, onde está escrito “Colabore com nosso blog” e fazer sua piedosa oferta através do sistema Pag Seguro.

Garanto a vocês que todo dinheiro que pingar na nossa conta será encaminhado imediatamente para o Instituto Lula.

Palavra de Editor duma gazeta escrota!

1 maio 2018 CHARGES

SINFRÔNIO

1 maio 2018 DEU NO JORNAL

POBRE MILIONÁRIO

Augusto Nunes

Frei Betto finge ignorar que Lula trocou a profissão de torneiro mecânico pela de camelô de empreiteira

“Ainda que a Justiça o condene como corrupto, no imaginário popular o fiel da balança se inclina a seu favor. Por simples razão: a Justiça brasileira é leniente com os poderosos (ainda que a Lava-Jato se esforce por reverter essa tendência) e severamente cruel com os pobres acusados de pequenos delitos”.

Frei Betto, num artigo publicado no Globo, sem explicar em qual das duas categorias Lula foi enquadrado depois de exercer o ofício de camelô de empreiteira: a dos “poderosos” ou a dos “pobres acusados de pequenos delitos.

* * *

Os idiotas eram apenas idiotas. Agora estão nos Três Poderes

Em 20 de maio de 1969, em sua coluna no Globo, Nelson Rodrigues tratou de um dos mais perturbadores fenômenos do século 20: a ascensão espantosa e fulminante do idiota.

Até então, lembrou o grande cronista, os integrantes da tribo se limitavam a babar na gravata. “O idiota era apenas idiota e como tal se comportava”, escreveu Nelson. “Julgando-se um inepto nato e hereditário, jamais se atreveu a mover uma palha ou tirar uma cadeira do lugar”.

“Nunca um idiota tentou questionar os valores da vida”, segue a procissão de verdades. “Decidiam por eles os que tinham cabeça para pensar e sabiam o que faziam”.

Para o cronista, as coisas haviam mudado dramaticamente. “Houve, por toda parte, a explosão dos idiotas”, espantou-se Nelson.

Passados quase 50 anos, o Brasil vem mostrando que o que está péssimo pode piorar. Os idiotas estão nos Três Poderes. Pelo menos dois chegaram à Presidência da República. São majoritários no Congresso. E vem ensinando no Supremo Tribunal Federal o que deve ser feito para submeter um país à permanente insegurança jurídica.

Os idiotas perderam de vez o pudor.

1 maio 2018 CHARGES

CAZO

GEOGRAFIA DAS MÚSICAS – PEGUEI UM ITA NO NORTE

Dorival Caymmi (1914-2008)

Em 1945, Dorival Caymmi narra a viagem costeira a bordo do vapor “Itapé”, quando o genial baiano migrou em 1938 para o Rio de Janeiro, então capital federal, numa bela melodia “Peguei um Ita no Norte”.

A composição tornou-se tremendo sucesso, sendo gravada por cantores e cantoras da nata da música nacional.

Desta feita, porém, não vou refenrenciar ‘apenas’ a música e as históricas e maravilhosas cidades de Belém-PA, e de São Sebastião do Rio de Janeiro-RJ.

Foco mesmo é na viagem feita por mar, que, algum dia, em nosso país, tornou-se sinônimo de modo de viajar: “vou pegar um “Ita” para Salvador; vou de “Ita” para Porto Alegre”. Explorava a navegação mercante, entre os portos nacionais.

ITA – era o nome que designava a classe de navios, ou qualquer um dos navios a vapor brasileiros, pertencentes à Companhia Nacional de Navegação Costeira*. Faziam a chamada “cabotagem”, transportando cargas e passageiros de Norte a Sul do Brasil, na primeira metade do século XX.

Concepção artística do navio a vapor Itapagé, torpedeado pelo submarino alemão U-161, em 1943

Tinham nomes em tupi-guarani iniciados pela síbala ita: ita, itaberá, itagiba, itaguassu, itahité, itaimbé, itaipu, itajubá, itanajé, itapajé, itapé (o de Caymmi), itapema, itapuca, itapuhy, itapura, itaquara, itaquatiá, itaquera, itaquicé, itassucê, itatinga, itaúba etc.

*Companhia Nacional de Navegação Costeira (também conhecida como ‘Costeira’) foi uma firma de navegação, brasileira, fundada em 1882 por imigrantes portugueses.

O primeiro nome da empresa foi Lage & Irmãos. A frota inicial era composta por quatro vapores adquiridos na época da companhia Norton & Megaw.

A Costeira, com sede na cidade do Rio de Janeiro, operou entre os anos de 1891 até 1965.

“Peguei um ITA no Norte”, de Dorival Caymmi, 1945

De acordo com Laire José Giraud e a “Tribuna de Santos”, a empresa operava em comum acordo os navios identificados como Itas com o Lloyd Brasileiro em data não precisa e finalmente incorporada ao Lloyd Brasileiro em 1965.

Os paquetes (nome que precedia os de batismo do navio) servia aos seguintes portos: Manaus, Belém, São Luiz, Fortaleza, Natal, Cabedelo, Recife, Maceió, Penedo-AL, Aracaju, Salvador, Ilhéus-BA, Vitória, Rio de Janeiro, São Sebastião-SP, Florianópolis, Rio Grande-RS e Porto Alegre.

Peguei um ITA no Norte, de Caymmi, com Gal Costa, 1993

Em 1993, a tradicional Acadêmicos do Salgueiro apresentou como tema para o seu carnaval a canção homônima, num enredo desenvolvido pelo carnavalesco Mário Borrielo.

Retratava a viagem de um migrante nortista até o Rio de Janeiro. A escola fez uma apresentação memorável, considerada uma das melhores da história do concurso, conquistando seu oitavo título no carnaval carioca, encerrando um jejum de 18 anos.

O refrão ficou famoso no país inteiro, sendo até hoje cantado nos estádios de futebol:” Explode coração/ Na maior felicidade/ É lindo o meu Salgueiro/ Contagiando e sacudindo esta cidade.”

GRES Salgueiro ‘Peguei um ITA no Norte’, de Demá Chagas/ Arizão/ Bala/ Guaracy/ Celso Trindade, campeão de 1993// Samba-enredo inspirado na música original de Caymmi

Semana que vem, tem mais…

1 maio 2018 CHARGES

ESDRA

SONETO DE ALEGRIA

Para pintar o nosso amor, amiga,
prescindirei do instrumental moderno.
Que um quadro assim, de um tema assim, eterno,
fica melhor numa moldura antiga.

Vamos cantando juntos a cantiga
dos pássaros no céu. Que importa o inverno?
Fica tão longe… e é primavera. Terno
é o conchego do lar que nos abriga.

O amor é para nós um sol queimando,
um sol benigno, que, se cresta espinhos,
vai no teu ventre um fruto sazonando.

Existe o inverno?… É primavera! E vamos
inventando ternura nos caminhos
e colhendo a alegria que há nos ramos.

1 maio 2018 CHARGES

BENETT

1 maio 2018 DEU NO JORNAL

INTIMIDAÇÃO À IMPRENSA LIVRE

* * *

O DELÍRIO SEXUAL DA “FILÓSOFA” PETISTA

1 maio 2018 CHARGES

AMARILDO

HERANÇA CRIMINOSA E MALDITA

Brasileiros, orgulhai-vos dos seus mais de cinco meses de trabalho dedicados somente a pagar impostos.

Eles serão muito úteis para saldarmos as dívidas da herança criminosa e maldita deixada pela República de Ladrões que saqueou o país por mais de 13 anos.

Como todos sabem, acabamos de receber uma fatura de R$ 1,3 bilhão, fruto do calote dado pela Venezuela e Moçambique ao governo brasileiro.

Contudo, essa dívida, na realidade, deveria ser repassada ao presidiário Lula, à traidora Dilma e à ré Gleisi Hoffmann, “chefa” nacional do PT, a fim de ser debitada na conta de seus seguidores, legítimos herdeiros de toda essa tramoia lesa-Pátria.

E, o pior de tudo é que esse R$ 1,3 bilhão que teremos que pagar às duas ditaduras caloteiras, não passa de uma mixaria diante da avalanche de logro que ainda está por cair no colo dos brasileiros, trouxas que trabalham e arcam com a maior carga tributária desse planeta azul. Dizem que o dinheiro para saldar a referida dívida sairá da pasta do Seguro-Desemprego.

E, assim, bilhões e bilhões de reais foram surrupiados do povo brasileiro, principalmente, entre 2005 a 2014. Para se ter uma ideia do tamanho da roubalheira, no período em que Guido Mantega foi presidente do BNDES, houve um aporte de 400 bilhões de reais do Tesouro Nacional para o referido banco. Foi exatamente esse o período embrionário do propinoduto, conforme afirmou Palocci em depoimento à Lava Jato.

Não satisfeitos em nos roubarem internamente, Lula e Dilma, ainda, “socializaram” nossas riquezas com governos “cumpanheros” da quadrilha espalhados por esse mundão afora.

Via BNDES – menina dos olhos da tenebrosa máquina de corrupção petista – esses dois traidores concederam mais de 3.000 empréstimos bilionários a governos estrangeiros sem nenhuma garantia de pagamento. Inclusive, a transação daqueles mais de três bilhões de reais enviados a Cuba a fundo perdido, foi considerada assunto de “segredo de Estado” pelo governo petista.

E, para completar, pasmem, chegaram ao cúmulo de arrolarem o próprio Tesouro Nacional como avalista em caso de calote dos países devedores. E, agora, as faturas começaram a chegar.

Alguém já viu um sujeito emprestar dinheiro e se oferecer como avalista a seu próprio devedor? Não é incrível?

Era uma espécie de negócio de pai para filho. Depois se descobriu que os laços criminosos eram tão fortes que se transformaram em “pacto de sangue” entre Lula e as empreiteiras, conforme declarou Palocci à Lava Jato.

Enfim, tudo foi, maquiavelicamente, bem arquitetado para abocanhar as polpudas propinas das empreiteiras destinadas a financiar o sinistro projeto petista de perpetuação no poder. Só que no meio do caminho dos criminosos havia uma Lava Jato e o gigantesco castelo de areia petista ruiu de vez.

Como o assunto em pauta é o calote da Venezuela e Moçambique, recordemos apenas duas obras que financiamos nesses países. Mas, garanto que essa pequena mostra será suficiente para causar sérios problemas estomacais até no mais sereno dos viventes.

Primeira obra citada, é a ponte de 3.156 metros sobre o rio Orinoco (Venezuela) com quatro faixas para veículos e uma para linha férrea. A obra considerada uma maravilha da engenharia atual foi construída com tecnologia e financiamento brasileiros com um custo de 1,22 bilhão de dólares. Um presentaço de Lula ao irmão Hugo Chávez.

Ponte de 3.156 metros sobre o rio Orinoco, presente de US$ 1,22 bilhão de Lula ao camarada Hugo Chávez

A segunda selecionada, é o Aeroporto Internacional de Nacala, Moçambique, também conhecido como “aeroporto fantasma” porque abriga apenas dois voos semanais.

Vejam quanto dinheiro nosso jogado fora, nesse impactante vídeo em que uma repórter, nostalgicamente, passeia com uma câmera pelo moderno aeroporto e mostra “in loco” uma obra faraônica construída pela Odebrecht e financiada pelo BNDES, completamente inútil e deserta. Um desperdício monumental de 200 milhões de dólares.

Um autêntico crime contra a nacionalidade brasileira que não pode ficar impune.

1 maio 2018 CHARGES

PATER

UM FERIADO ALEGRE PRA TODOS VOCÊS!

Mais que desejar um feliz feriado, vou tornar alegre e hilário este dia de hoje pra todos vocês.

Vou transcrever um comentário feito pelo fubânico Goiano Braga Horta em sua última coluna:

“Lula não só foi um grande presidente, que reduziu a pobreza, a fome e a mortalidade infantil no nosso País, diminuiu drasticamente o desemprego e promoveu o desenvolvimento nacional, tornando-nos respeitáveis entre as seis maiores economias do mundo, como é inocente das acusações de corrupção, uma vez que, tendo um passado correto, livre de acusações de desvios de tal natureza, nenhuma prova de que tenha agido em favor de quem quer que seja em contratos da Petrobras foi produzida.”

Viram?

É ou não é divertido?

Quem quiser aumentar o Ibope da coluna e também o Ibope desta gazeta escrota, vá lá e leia mais outros comentários do nosso estimado colaborador.

Leiam todos. Garanto a vocês que vale a pena!

Um alegre e feliz 1º de maio pra toda comunidade fubânica!

1 maio 2018 CHARGES

JORGE BRAGA

LUCIDEZ AOS 75

Cheguei. Caminho difícil, repleto de obstáculos, mas cheguei. Não tenho um mínimo de dúvida, que, se cheguei, foi graças ao bom e generoso Deus, que tudo sabe, tudo pode, e tudo quer de bom para todos nós.

Não fosse Ele, não sei não, visse!…

Lembro que, em 31 de março de 1964 eu tinha “apenas” 21 anos. Foram outros tantos 21 anos de percalços, enfrentamento e vida muito difícil.

Mas, quem anda com Deus, não teme distância nem as “pedras no caminho”.

Terceiro filho de Dona Jordina Gurgel Ramos, e do Senhor Alfredo de Oliveira Ramos, nascido em 30 de abril de 1943, em Pacajus/CE, com passagem pelo Grupo Municipal São Gerardo no tempo que nem se sonhava em Ônibus Escolar e/ou Merenda Escolar, mas onde se cantava o Hino Nacional Brasileiro todos os dias antes do início das aulas; e depois, por mais 7 anos no Liceu do Ceará, onde se fazia provas mensais e ao final de cada semestre – escrita e oral; depois, duas universidades.

Foi ali, no Liceu do Ceará, há mais de 50 anos atrás, que aprendi a compreender os dias de hoje – onde o jovem não tem compromisso sequer consigo próprio, desconhece e desrespeita a família, e, com certeza, será “tragado” pelo redemoinho do futuro.

Cheguei aos 75 anos, sem fazer nada de que me envergonhe, ou aos familiares. Nunca. Faria tudo de novo, inclusive o envolvimento político/ideológico de 64/65/66.

Cinco filhos. Duas cariocas e três maranhenses. Só eu sei como, e por que saí de Fortaleza para o Rio de Janeiro. Não foi fácil – e, infelizmente, há quem cobre postura diferente da que tive. Prefiro que seja assim. O que enfrentei para cumprir o meu papel, levarei comigo quando voltar ao pó que, tenho ciência, não está tão distante. Melhor assim – mas, nem por um segundinho deixarei de acreditar em Deus, que tudo viu, tudo vê e tudo compreenderá.

Além do Pai Divino, não poderia omitir o apoio de quem me ajudou a chegar até aqui, hoje. Não tenho posses materiais para “pagar”, mas tenho respeito e consideração.

Cardíaco, hipertenso (revascularizado), mas lúcido com a bênção de Deus.

1 maio 2018 CHARGES

SANTO

A CASA GRANDE DO TALHADO

A Casa Grande da Fazenda Talhado, aqui em Acary, foi escolhida para cenas do longa metragem Bacurau.

As cenas já foram rodadas e o longa será estrelado pelo premiadíssimo ator alemão Udo Kier, contracenando com a brasileira e cirandeira, atriz, cantora e compositora Lia de Itamaracá; sob a direção do já consagrado diretor Kléber Mendonça.

Do que se trata a trama não sabemos. A proprietária da fazenda, a Sra. Natércia Galvão, assinou dezenas de páginas do contrato onde a palavra sigilo encaminha os termos do mesmo.

Antes de ser restaurada para a alocação de Bacurau, eu havia visitado a fazenda e dado atenção especial à casa; aliás, diferente de toda e qualquer padrão de construção enfeitando esses sertões áridos.

Uma viagem feita na companhia de Simone, neta de Zé Braz Velho do Talhado – antigo e já falecido dono da fazenda, mais a companhia de Goretti Aprígio, essa filha de antigos moradores da fazenda.

Eu a descrevi assim em meus escritos:

O terreiro nivelado, em terra batida bem varrido, separa essa casa do armazém onde funcionavam a prensa de algodão e o vapor inglês, que no Rio Grande do Norte só faz par com mais um. No alpendre do armazém, uma calça de couro e um gibão, pendurados numa corda presa por dois pregos grossos à parede da construção, demonstram ainda haver vida vaqueira naquelas ribeiras de pé-de-serra.

Simone abriu o armazém e lá de dentro um silêncio sepulcral, quase fez doer os meus ouvidos, numa escuridão humilhante para o quê um dia já teve vida intensa. Alguns morcegos quebraram o silêncio com o barulho de suas asas batendo, e a luz invadiu o lugar através de mais duas janelas abertas, sem, porém, alegrar o ambiente. Vários silos de zinco, cada um com um numeral impresso, resistindo ao tempo e nos contando um pouco dos anos em seus numerais. A prensa de madeira, abandonada pela falta de algodão, parada no centro do armazém, pareceu chorar de desgosto pelos anos de inatividade e esquecimento. Ou seria choro de alegria por nossa visita?

Do outro lado do armazém, num compartimento distinto, o vapor inglês também parecia triste por sua atual inutilidade. “Cotton Gim C.O” está escrito nele, são letras em alto relevo. Simone e Goretti me informavam do funcionamento de tudo, de cada recanto utilizado daquela usina e transformado em esconderijo numa ou noutra brincadeira.

Por um momento fechei os olhos e criei em minha mente os sons de tudo aquilo em movimento. Devia ser sensacional.

Entre esse armazém e a casa ainda passamos pela grande cisterna, sobre a tampa da qual, à noite, a reunião dos mais jovens se fazia para as fofocas e brincadeiras. A escolinha da professora Dona Cândida…

Entramos na casa grande pela porta lateral e já no primeiro compartimento senti adentrar um lugar onde, outrora, o luxo e a riqueza certamente se fizeram presentes. Três mesas devidamente cobertas com seus encerados, alinhadas ao centro da grande sala, mais uma rica cristaleira, uma geladeira e alguns quadros pintados por alguém da família, formavam a mobília do lugar.

Uma dessas mesas, a menor delas, era a do carteado. Um armário de parede, largo e fundo, guarda os talheres pesados e as louças da casa, algumas ricas e belas porcelanas.

Abriram a primeira porta: o quarto de seu Zé Braz. Lá ainda está a cama de casal, um armário de parede com alguns objetos pessoais, um criado mudo, uma cadeira e a vara que, segundo Goretti, era utilizada para a retirada de frutas. Impressiona-me o piso todo em taco e em perfeito estado de conservação, observado pelos olhos de um ou outro quadro pendurado e evidenciando a fé religiosa dos antigos residentes.

Outra porta, outro quarto: “das moças”, diz Simone. Uma penteadeira bem baixa, um banquinho, uma cama e um camiseiro. Dali uma porta dando para outro quarto, o dos grandes baús. Mais quadros de santos, mais armários de paredes.

Na grande sala da frente quadros de familiares antigos, um lustre pendurado “já em tempos modernos”, segundo Simone. Duas poesias falando de casas também enfeitavam as paredes. Uma mesa com um couro de preguiça, espichado sobre ela, era outro atrativo.

Outra porta, mais um quarto. “Dos rapazes!”, alguém gritou. Nesse não pudemos entrar, a linha central está escorada com madeira.

Outra porta se abre: A Biblioteca! Ali percebi a riqueza do dono da casa. Não apenas no aspecto financeiro, mas principalmente pelo lado intelectual de seu Zé Braz. Livros e mais livros. Muitos! Da obra completa de Monteiro Lobato, passando por Alexandre Dumas até Dale Carnegie, fui me impressionando com aquele acervo.

Depois foi subir pela escada de madeira, em caracol, e lá de cima ter uma noção na organização da fazenda em seus currais e vários outros sentidos.

Uma outra escada, também essa de madeira nos levou ao terceiro piso.

O espaço aqui será curto para falar das cozinhas, dos banheiros e das outras dependências também visitadas e minuciosamente exploradas.

Dos buracos nas paredes, distribuídos para todas as direções e por onde um cano de arma de fogo poderia ser introduzido para a defesa num eventual ataque. Armas que repousavam tranquilas no passado, sob os fundos falsos dos armários de parede.

Também ali fechei os olhos e me dei ao luxo de, num outro devaneio, ouvir os sons daquela residência. Mas o que me perturbou na volta para casa, olhos fechados, vento entrando pelo vidro aberto do carro para bater forte em meu rosto, foi a poesia que li ali, escrita por Augusto Severo Neto, cujo título é

BALADA DAQUELA CASA:

Era uma casa sozinha,
sem gritos, sem gargalhadas,
sem vozes dentro das salas,
sem louças batendo em louças,
sem passos pelas escadas.

Havia um cheiro abafado,
um cheiro assim borolento,
talvez por falta de vento,
talvez por falta de luz.
As janelas quando abertas
gritavam tintas quebradas
e as portas estavam coladas
mais ainda que as janelas,
que para abrir uma delas
fiquei com as mãos machucadas,
cheias de manchas azuis.

Mas a porta foi aberta
e uma janela também.
O vento entrou por elas,
eu entrei atrás do vento,
olhei por todos os lados,
procurei quartos e salas.
A casa estava deserta,
lá não havia ninguém.

O vento que entrou comigo,
decerto um vento menino,
brincou com um jornal antigo,
folheou velhas revistas
atiradas nas cadeiras,
soprou poeira dos móveis,
fez redemoinhos no chão.

Talvez que por milagre
o relógio trabalhava
e o seu batido se ouvia
por toda parte da casa.
A moldura de silêncio
que circundava as pancadas
uniformes, compassadas,
despertou-me um pergunta:
Como nós aquela casa
não teria um coração?

Não sei, porém eu sentia
que qualquer coisa pulsava
qualquer coisa acompanhava
o sangue nas minhas veias.
Perguntei-me o que seria?
junto de mim não há nada,
a casa estava fechada,
os lustres cheios de teias,
os móveis empoeirados,
há muito não vem ninguém.
E esse algo pulsando?
Talvez eu estivesse certo,
quando, há pouco, pensava
que os batidos que escutava
nasciam do coração
que essa velha casa tem.

Era uma casa sozinha,
sem gritos, sem gargalhadas,
sem vozes dentro das salas,
sem louças batendo em louças,
sem passos pelas escadas.


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