CONDUTA ESPÍRITA

Na livraria da Casa dos Humildes, Recife – PE, encontrei um livro que bem poderia ser debatido nas reuniões primeiras dos que estão se iniciando, que nem eu, na caminhada de Trabalhador da Casa, preparando-se para ações evangelizadoras recheadas de muita solidariedade e ação fraternal.

O livro intitula-se Conduta Espírita, Waldo Vieira, 36ª. edição, Brasília, FEB, 2015, 118 p., com um prefácio de Emmanuel, psicografado por Chico Xavier, em 17 de janeiro de 1960, onde Emmanuel diz que “ler este livro equivale a ouvir um companheiro fiel ao bom senso. E se o bom sendo ajuda a discernir, quem aprende a discernir sabe sempre como fazer.”

Para os ainda não antenados, segundo o Google, Waldo Vieira foi grande parceiro de Chico Xavier, tendo escrito ao lado dele obras de grande importância para a doutrina Espírita. Nasceu em Monte Carmelo – MG em 1932. Aos 4 anos já era alfabetizado e desde muito cedo teve experiências consideradas paranormais. Para lidar com isso seus pais recorreram a Doutrina Espírita, que o ajudaram a perceber a superdotação.

Irmã de Waldo Vieira, Ruth Rocha Siqueira, nos relata que ele era muito ativo e que em todas as brincadeiras ou estudos que ele realizava ainda criança era o mais disposto. Gostava de saber sempre mais, estudava e se dedicava além do necessário para a idade dele. Criatividade também era uma de suas características marcantes. E mais: também seu sobrinho, Jarbas Paranhos, nos relata que sua bisavó gostava de tocar violão para eles dois. E a ação daquela senhora, sem que ela notasse, fazia com que espíritos de um cemitério próximo viessem todos para a reunião escutar a música. Waldo Vieira, ainda com 5 anos na época, conseguia enxergar todos esses espíritos desencarnados. Até que um dia ele não deixou a senhora tocar mais e explicou para ela o porque que ela não devia tocar tais músicas.

Waldo viveu em Uberaba dos 13 aos 26 anos, onde dedicou-se a psicografia e aos estudos dos fenômenos extra sensoriais. Esse estudo feito na adolescência serviu de base para a Projeciologia que estuda a experiência da consciência fora do corpo e outros fenômenos parapsíquicos.

Fundou Waldo muitas instituições na sua fase de estudante, ainda na Faculdade de Odontologia, depois na Faculdade de Medicina, posteriormente instituindo uma série de instituições médicas, clínicas e hospitais. Em 1966, Waldo se muda para o Rio de Janeiro onde se dedica integralmente à sua pesquisa. E em 1986, lança o primeiro tratado da Projeciologia, panorama das experiências da consciência fora do corpo humano. Levou em torno de 19 anos para escrever essa obra, e foram mais de 5 mil volumes entregues gratuitamente para estudiosos do Espiritismo.

Com seu tratado primeiro, fundou o Instituto Internacional de Projeciologia e Conscienciologia (IIPC), uma instituição de Educação e Pesquisa Científica, pacifista, laica, universalista, sem fins de lucro, não doutrinária, independente, que se destaca pela excelência em cursos e publicações técnico-científicas sobre as ciências Projeciologia e Conscienciologia. De acordo com os relatos, Waldo sempre foi um trabalhador incansável, defendendo sempre o pensamento livre, ético e responsável, destacando-se nele a coerência, a criatividade e a dedicação exaustiva.

Na madrugada do dia 26 de junho de 2015 enquanto se recuperava de uma cirurgia, ele sofreu um acidente vascular cerebral considerado irreversível, vindo a desencarnar, aos 83 anos, em 2 de julho de 2015.

Todas as suas instituições continuam funcionando até o momento presente. Honrando uma vida de muita caridade, talento e dedicação.

Para os jovens, Waldo em seu livro, recomenda “moderar as manifestações de excessivo entusiasmo, exercitando-se na ponderação quanto às lutas de cada dia, sem, contudo, deixar-se intoxicar pelas circunspecção sistemática ou pela sombra do pessimismo. O culto da temperança afasta o desequilíbrio. E recomendava: “A imprudência constrói o desajuste, o desajuste cria o extremismo e o extremismo gera a perturbação”.

Aos médiuns, advertia: “Quem se propõe avançar no bem, deve olvidar toda causa de perturbação”. E sempre ressaltava a palavra do apóstolo Paulo: “A manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil”. E alertava: “No rastro do orgulho, segue a ruína”.

No cotidiano público, Waldo ensinava sempre: “Cumprimentar com serenidade e alegria as pessoas que convivem conosco, inspirando-lhes confiança”. E mais: “Abolir o divertimento impiedoso com os mutilados, com os enfermos mentais, com os mendigos e com os animais que nos surjam à frente”.

Para aqueles que ainda discriminam o trabalho, não contemporizava: “Em nenhuma ocasião desprezar as ocupações de qualquer natureza, desde que nobres e úteis, conquanto humildes e anônimas.”

Num ano eleitoral como o atual, a recomendação de Waldo cai como uma luva: “Cumprir deveres de cidadão e eleitor, escolhendo o candidato aos postos eletivos, segundo os ditames da própria consciência, sem, contudo, enlear-se nas malhas do fanatismo de grei”. E mais: “Impedir palestras e discussões de ordem política nas sedes das instituições doutrinárias, não olvidando que o serviço de evangelização é tarefa essencial”.

O livro é oportuno demais, posto que não contemporiza: “Renunciar sempre às comemorações que traduzam excessos de qualquer ordem, preferindo a alegria da ajuda fraterna aos irmãos menos felizes.”

O livro retempera e reanima, favorecendo um caminhar evangelizador mais consistente, de mais fraternidade e menos cavilações, de um Brasil para todos os brasileiros.

1 comentário

  1. Texto preciso e oportuno, o mundo precisa de pessoas “iluminadas” como Waldo Vieira, que DEUS Pai, se apiede de nós, pobres mortais e pecadores e nos envie novos Waldos! É o que precisamos.

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