NOTAS

Enquanto o brasileiro não apagar da memória as frases prontas, bastante utilizadas nos bastidores, justamente por falta de atitudes, as mazelas permanecerão ativas, sacrificando o futuro da população. Diariamente, é comum alguém pronunciar bordão como estes: “liberou geral, anistia ampla e restrita, é proibido proibir, lei não se discute, cumpre-se, o importante é levar vantagem, sempre”. Pensando bem, é por causa da divulgação de expressões como essas que determinados políticos, inexpressivos, ganham a mídia e alguns artistas, na ânsia de ocupar manchetes para manter o nome na boca do povo, que o país vive atolado. Metido em crises, sem encontrar o Norte para a fase construtiva de paz e progresso. Quem usa de artifícios maliciosos, evidentemente, o faz com segunda intenção. Com certeza, quer aplicar na inocência do povo e raramente se manifesta em protesto, exigindo correção no manejo da economia.

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Julgando profissão, os bandidos também procuram evoluir nas ações. Para não dar murro em ponta de faca e nem perder empreitadas, os bandidos resolveram esquematizar logística para obter sucesso nas investidas. Chamadas de logística de guerra, os assaltantes de bancos, além de convocar integrantes de vários estados, utilizam também armamento pesado, como fuzis, pistolas, explosivos e grossa quantidade de munições. Com a grana obtida nos assaltos a bancos, os criminosos aplicam em outras diretrizes. Além de empregar boa parte do dinheiro roubado na sobrevivência dos integrantes das quadrilhas, o restante serve para impulsionar os negócios como o tráfico de drogas e de armas, que geralmente são locadas para os serviços e não custam barato. Além disso, com muito dinheiro no bolso, os assaltantes gostam de se mostrar. Alugam palacetes em locais privilegiados, compram carrões para exibir status social, exageram na dose até a chegada da polícia para lhes conduzir para o lugar merecido. Atrás das grades. Enquanto não encontrarem um mecanismo de proibir as explosões de bancos, sistema de ação não existente em países decentes, o brasileiro é obrigado a viver atormentado com mais esses desmandos.

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Parece que o Brasil se preocupa mais com os acidentes de trabalho. Dos mais de 607 mil acidentes do trabalho registrados no ano de 2012, pelo menos em 2016 as notificações foram menores. Apenas 495 mil casos. É lógico, não se trata apenas de o país cobrar mais segurança no trabalho, mas o desemprego, com o fechamento de vagas, o corte na fiscalização, nas diárias e nas passagens de fiscais, reduzem as informações na área. Inclusive, por conta das crises econômicas que afetam principalmente as pequenas e médias empresas, setor onde se concentram a quase totalizada dos negócios formais do Brasil, especialmente no segmento da construção civil, os acidentes de trabalho tem diminuído por falta de obras. Os campos de trabalho onde mais acontecem acidentes do trabalho são na agropecuária, no setor elétrico, na indústria de transformação e na construção civil. Como a Previdência arca com as despesas provenientes dos acidentes de trabalho, que os empregadores demoram a ressarcir à União, o país gastou mais de R$ 26 bilhões nos últimos seis anos, com o pagamento de benefícios como auxilio doença, aposentadoria por invalidez e pensão por morte.

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A decisão do Supremo Tribunal Federal em remover alguns vícios do sistema político foi mais do que justa e necessária. Veio na hora certa. Afinal, o contexto político, contaminado faz tempo, pedia profundas transformações. Atualização de leis. Agora, quem quiser disputar mandato, a partir de 2018, vai ter de apresentar ficha limpa porque o candidato que estiver enquadrado na lista da ficha suja, sobra. Vai pastar noutro lugar. Foi muito bom o STF decidir oficializar a aplicação da lei que pune o político que tiver praticado abuso de poder ou malversação de recursos. Como emplacou o ano de 2016, época em que começaram os debates, a medida deve atingir governadores, prefeitos e vereadores que tiveram contas com irregularidades desvendadas pelos Tribunais de Contas da federação. Com esta determinação da Corte maior, clareou as ideias. Doravante, quem for flagrado com indícios de improbidade administrativa e prática de imoralidade no exercício do mandato, fica inelegível por determinado prazo. Os que foram flagrados de calças curtas na boca da botija, lei neles. Rigorosamente.

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Interessante. Falam em contenção de despesas para aliviar a barra do país que anda mal das pernas. Sem recursos. Com os cofres esvaziados. Mas, as autoridades parecem desconhecer a regra do jogo, imposta pela equipe econômica, que mandou apertar o cinto. A pretexto de participar de seminários internacionais, congressos, fazer palestras, cumprir missão oficial ou participar de cursos de capacitação, governadores, magistrados, senadores e deputados se enchem de privilégios. Às vezes, esticam as viagens para fazer turismo ao final dos compromissos para recarregar as energias gastas durante os compromissos oficiais. No Tribunal de Conta da União, órgão dedicado exclusivamente a fiscalizar os gastos do governo, os ministros e servidores do órgão adoram viajar também às custas do dinheiro público. Em 2017, o TCU desembolsou com diárias e passagens de servidores a quantia de R$ 5,9 milhões na verba viagens.

1 comentário

    • Maurício Assuero em 9 de Maio de 2018 às 20:33
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    Ivan, recentemente o governo liberou R$ 4 bilhões para prefeituras; liberou R$ 15 bilhões para barrar a denúncia contra Temer. Não há seriedade neste governo corrupto.

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