VÃO BOTAR A MÃE NO MEIO

Acha que há candidatos demais à Presidência? Pois o número se reduziu muito, falando-se apenas dos mais conhecidos; e, do jeito que a coisa vai, sobra pouca gente. Os motivos são variados, mas há um predominante: já estão batendo nos candidatos abaixo da cintura. E vão botar a mãe no meio.

Michel Temer, embora presidente, chefe de um grande partido e dono da máquina oficial, desistiu. É difícil se eleger com tantas denúncias e inquéritos (e com aliados presos). Joaquim Barbosa parou: aos 64 anos, cobrando mais de R$ 200 mil por parecer, com tempo para viajar, sua vida pioraria tendo de falar da casa de Miami (comprada legalmente, mas e daí?), e de uma briga conjugal já resolvida, mas que sempre volta à tona.

Lula está preso e não pode ser candidato, faça as firulas que fizer. Plano B? Haddad está na delação da empreiteira UTC, que afirma ter-lhe passado R$ 2,6 milhões em propinas extraídas da Petrobras. Jaques Wagner? É investigado num caso de R$ 82 milhões de propinas da Odebrecht e OAS.

Alckmin patina (isso antes dos inquéritos). O PSB, possível aliado, está sob investigação em seu maior reduto, Pernambuco. É coisa séria: Armando Monteiro, que há anos se preparava para o Governo, desistiu (como o candidato do partido à Presidência, Joaquim Barbosa). O PMDB poderia dar tempo de TV a Alckmin, mas 70% dos diretórios o rejeitam.

Campanha é para quem tem casca dura. E não teme ficar em evidência.

Meninos…

Quem acha que o regime militar era melhor não viveu o regime ou só se lembra de que, naquele tempo, era quase 50 anos mais jovem. O regime militar foi imaginado inicialmente por seus formuladores civis, entre eles o grande Júlio de Mesquita Filho, notável intelectual, como um período relativamente curto, seis meses, em que o país seria passado a limpo, após o qual haveria eleições livres, nas quais a corrupção não influiria. Foi aí que se descobriu que quem toma o poder não mais quer devolvê-lo. E para que varrer a corrupção se ela facilita a vida de quem está no poder? Essas reformas tão caras de votar, hoje, seriam fáceis na época. Não foram feitas.

…eu vi

E algo que se comentou durante muito tempo foi comprovado, não por brasileiros: pela CIA, em documento de 1974 liberado há dois anos. Ali se confirma um trecho dos ótimos livros de Elio Gaspari sobre o regime militar, a frase de Ernesto Geisel ao general Dale Coutinho: “Ó Coutinho, esse troço de matar é uma barbaridade, mas acho que tem que ser.”

Segundo o documento da CIA, enviado ao secretário de Estado Henry Kissinger, num encontro de 30 de março de 1974, Geisel, Figueiredo (chefe do SNI, serviço de informações do regime), Milton Tavares de Souza e Confúcio Danton de Paula Avelino (ambos generais, Tavares chefe do CIE, Centro de Informações do Exército, Avelino que o sucederia), conversaram sobre assassínios cometidos por ordem do Governo. Geisel deu ordem para continuar a matar, desde que cada vítima fosse aprovada por Figueiredo.

Há quem defenda a volta da ditadura. Mas ditadura boa não existe.

Verdade e mentiras

O general Hamilton Mourão, futuro presidente do Clube Militar, quer saber por que o documento surgiu justo agora. Simples: porque em 2015, dezembro, acabou o prazo de sigilo. Pergunta também “a quem interessa manchar a reputação das Forças Armadas”. A ninguém – a menos que, por interesses outros, tentem responsabilizar os militares de hoje pelos crimes da ditadura que acabou há 43 anos. Absurdo; outra época, outros tempos.

Mentiras e verdades

O PSOL, depois de uma série de ataques a Israel, decidiu se defender das acusações de antissemitismo – a direção do partido sofre pressões de judeus de esquerda que fazem parte do partido e não são ouvidos no tema. O presidente nacional do PSOL, Juliano Medeiros, diz que chamar Israel de Estado genocida (e não se manifestar sobre os anos de mortandade na Síria) não é expressão de antissemitismo. Guilherme Boulos, candidato do PSOL à Presidência, diz que antissemitismo é inadmissível, assim como a islamofobia. Ambos, Boulos e Medeiros, dizem defender as resoluções da ONU que Israel rejeita (embora não se manifestem sobre a resolução da ONU que criou Israel e é rejeitada pelo Irã e boa parte dos Estados árabes).

Falam a verdade? Dois membros importantes do PSOL desmentem a direção: o deputado federal Jean Wyllys escreve Jean Wyllys – CHEGA DE ANTISSEMITISMO NA ESQUERDA — clique para ler

E Bruno Bimbi, integrante da Executiva do PSOL-Rio, jornalista, professor universitário e ativista gay (como Wyllys, aliás) escreve, sobre as declarações antissemitas do partido, “Não em nosso nome” .

5 comentários

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    • Jorge C. Silva em 13 de Maio de 2018 às 09:46
    • Responder

    Carlos Brickmann, como sempre excelente. Aceite meu abraço agradecido.

    • Arael Costa em 13 de Maio de 2018 às 09:55
    • Responder

    Infelizmente só tem olhos para um lado do caminho.
    Para ser jornalista correto, deveria, também, mostrar os absurdos cometidos por integrantes dos ditos movimentos populares, que acostumados a tanto, passaram esse legado a seus sucessores, que não tiveram escrúpulos em seguir avante nessa prática, como bem mostra o ‘justiçamento’ de Celso Daniel e diversas testemunhas.

    1. Caro Arael, em primeiro lugar não aceito essa denominação “movimentos populares”. São agrupamentos fora da lei, dirigidos por gente que de popular não tem nada, que por algum motivo os governos permitem que causem imenso prejuízo à produção agrícola e às populações urbanas. Mas no momento não se discute esse tipo de movimento: o que se discute é a pregação de um golpe para repor o país no paraíso perdido do regime militar. É preciso mostrar que não houve paraiso nenhum, que as ideias economicas dos militares eram extremamente semelhantes às de Dilma (campeões nacionais, hospital público para empresas ineficientes, proteção de mercado) e tão erradas quanto as dela. Quem quiser defender ditadura que o faça, mas sem fingir que ditadura não era ditadura.

    • ue o digam. Abração todos. em 13 de Maio de 2018 às 21:48
    • Responder

    Gostaria de saber, não só eu, como a CIA teve acesso a essa conversa. Lembro-me que na invasão do Iraque, a Cia disse que o governo iraquiano tinha bombas de hidrogênio e um arsenal de dar inveja a grandes potências. Lembram disso? Os coitados não tinham armamento nem para se defenderem das forças terrestres. Perderam a guerra sem disparar um tiro sequer.
    A esquerda sempre foi contra a CIA e dizia que tudo que eles falavam era mentira; agora a CIA só fala a verdade. Vocês leram o documento? Verifique se tem os carimbos.
    Quanto a prejudicar as Forças Armadas, eles estão desesperados por causa do grande número de militares que estão se candidatando com probabilidade de saírem vitoriosos. As redes sociais que o digam.

    • Alvaro em 14 de Maio de 2018 às 21:34
    • Responder

    Que bacana! O PSOL (Partido Só dos Otários Liberticidas) tem 2 militontos assumidamente gays, Jean Willys e Bruno Bambi. Até aí, tudo dentro dos conformes do politicamente correto que, por enquanto, está na moda. Mas sugiro que os dois, exatamente por não terem nada de útil a falar ou fazer em prol da sociedade brasileira, formem uma dupla gaypira para animar os comícios das eleições de outubro, pois desse tipo de anti-música o povão até gosta. Para firmar uma marca forte, acho que que Jean deve mudar seu sobrenome para Bambi e que Bruno deve manter o seu, fazendo a dupla Bambi&Bimbi. Talvez agrade mais ao distinto público Bimbi&Bambi. De qualquer sorte, prevejo algum sucesso para a parelha como cantadores, o que já seria um grande lucro para duas completas nulidades na atividade política.

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