18 maio 2018O RIRRI



A história do zíper, fecho éclair ou simplesmente “fecho”, começou em 1893, na Exposição Mundial de Chicago, nos EUA, onde esse objeto deslizante, para fechar e abrir roupas, foi apresentado pela primeira vez. Tratava-se de uma versão primitiva do dispositivo, com minúsculos ganchos e argolas, desenvolvida pelo engenheiro americano Whitcomb Judson. Cansado de abrir e fechar todos os dias os cordões dos seus sapatos, ele teve a ideia de criar um artefato rústico, composto de ganchos e furos, para facilitar. Porém, esse tipo de zíper não era muito eficiente: não fechava com facilidade e abria em horas impróprias.

O mecanismo atual do zíper, com o uso de dentes que se engancham, surgiu, somente, em 1912, desenvolvido por Gideon Sundback, um engenheiro elétrico sueco, que trabalhava nos Estados Unidos. No mesmo ano, a patente para um sistema semelhante foi concedida na Europa em nome de uma mulher chamada Catharina Kuhn-Moos. A indústria de confecção foi a mais beneficiada com essa invenção, que facilitou, de maneira fantástica, o abrir e fechar de roupas.

Antes do zíper, as roupas tinham fileiras intermináveis de botões.

A palavra “zíper” só surgiu em 1923. Ela foi criada por um funcionário da empresa americana B.F. Goodrich, que usou o termo para dar nome ao fecho deslizante, que acabava de ser lançado numa linha de galochas de borracha, as chamadas Zipper Boots (“Botas Zipper”).

Antigamente, no interior nordestino, os fechos de saias e vestidos eram chamados de “Rirri”. Zíper e Fecho-Eclair não eram palavras conhecidas. Toda saia ou vestido tinha um “Rirri”, costurado numa fenda lateral ou nas costas, que variava de 20 a 35 centímetros. Tinha a finalidade de facilitar o vestimento da peça, na passagem pela cabeça. O nome está ligado ao som, provocado pelo seu fechamento ou abertura, quando as duas carreiras de dentinhos de metal deslizam sobre os trilhos que o compõem.

De acordo com o costume, as barguilhas (ou braguilhas) das calças masculinas eram fechadas com botões. Somente com a moda de calças Jeans (Faroeste, Lee etc), tecido bastante pesado, os botões foram substituídos pelo Rirri.

Convém salientar que, enquanto os botões nunca causaram danos físicos ao homem, o “Rirri” lhe tem causado muitos “acidentes”. Já houve casos do homem ficar preso a ele, pela pele do membro sexual, ao abrir ou fechar a calça ou bermuda, com necessidade de procedimento cirúrgico.

A primeira participação desse utilitário, na indústria do vestuário, aconteceu durante a I Guerra Mundial, quando os uniformes dos soldados norte- americanos foram confeccionados com zíper nas calças.
Na II Guerra, foi usado em sacos de dormir, uniformes, malas e sacolas para transporte de mortos.

Na década de 50, a calça “LEE” fez, a união do z¡per com jeans, quando lançou a calça de jeans feminina.
Na década de 70, o zíper triunfou no setor do vestuário, entrando em contato com a alta costura. Também esteve a serviço do vestuário dos Hippies e dos Astronautas.

No Brasil o maior fabricante do zíper é a YKK, Yoshida Brasileira Indústria e Comércio, com sede no Japão e atuando em 44 países. Os outros fabricantes são: Linhas Correntes e Metalúrgica Ultra.
Há casos hilários, envolvendo o zíper.

Uma certa noite, um jovem casal de “sem carro”, com os hormônios fervendo, estava namorando na calçada da casa da moça. Já era tarde, a rua deserta, e o pai da jovem assobiou, dando sinal de que estava na hora de entrar. Ao ver a filha demorando, o homem foi até a calçada e flagrou o casal abraçado, debaixo de um pé de Castanhola, sem poder se apartar. O rapaz, em pânico, tentava fechar o zíper da calça, que ele mesmo abrira, e não conseguia. O pai da moça deu um escândalo com os dois e marcou a data do casamento na hora.

12 Comentários

  1. Violante,

    Parabéns pela descrição didática da história do zíper. O caso bem-humorado, envolvendo o zíper, fechou com chave de ouro o seu excelente texto. Há diversos casos de transa que terminam no pronto-socorro provocados por um zíper da calça preso na genitália. Ocorre também um incidente em que o órgão genital do homem fica preso na calça da mulher que subiu rapidamente o zíper ao serem surpreendidos pela chegada de alguém. A moça da sua ótima crônica saiu ganhando devido ao pânico do namorado, pois abreviou o casamento.

    Saudações fraternas,

    Aristeu

    • Obrigada pelo gratificante comentário, prezado Aristeu Bezerra! O anedotário brasileiro contém muitos casos envolvendo “zíper”, Também há casos de acidentes, até com meninos, em que o zíper ficou preso ao pênis, sendo preciso procedimento cirúrgico, em que um pouco da pele teve que ser cortada. Enquanto isso, as antigas barguilhas (ou braguilhas) com botões são inofensíveis.
      No caso que contei, realmente a moça teve sorte. Se não fosse o incidente do zíper, talvez nem tivesse saído o casamento. rsrs

      Um abraço e bom fim de semana!

      Violante

  2. Violante,

    Adorei a aula, e aproveitando, me lembro de cena com Capiba e um modesto colega, muito curioso, durante rápida prosa num vestiário, ele notou que o compositor usava botões na calça; isto em plenos anos 60, quando o ziper já era moda.

    – Dr. Capiba, o senhor ainda não usa ziper nas calças?

    – Gosto não, meu nêgo. Prefiro mandar fazer minhas calças no alfaiate e todas com botões. Tenho um amigo que usava esse troço nas camisas e certo dia a gravata enganchou e tiveram que cortar a gravata. Logo…

  3. Minha querida amiga Violante, você é fantástica. Escreveu um belo texto com uma matéria tão simples como o “ziper”, parabéns minha amiga, continue nos deliciando com suas histórias, às vezes cômicas, às vezes trágicas. Mas, muito bem escritas.

    Um forte abraço
    Itaerço
    Imperatriz-ma.

    • Obrigada pelo gentil comentário, querido poeta Itaerço Bezerra! Fiquei feliz com o elogio…rsrs
      Um grande abraço e um excelente fim de semana!

      Violante

  4. Obrigada pelo comentário, prezado Carlos Eduardo! O zíper demorou muito a ser aceito pelos homens, para fechar barguilha (ou braguilha). O caso de Capiba comprova isso. Nem na camisa ele queria…Quanto mais nas calças!!!rsrsrs

    Um abraço!

  5. Grande aula sobre o nosso tradicional rirri. Muito bom saber como surgiu cuja finalidade é dxcrjrnte, exceto os beliscões nos homens desajeitados kkkkk principalmente usando em
    Calças quando saem para tonar uma e precisam fazer uso do adereço. Abração amiga .

  6. Obrigada pelo comentário, amiga Disterro! Na verdade, tem acontecido casos hilários, envolvendo o uso do rirri em calças ou bermudas masculinas. Também tem ocorrido “acidentes”, precisando de procedimento cirúrgico, quando o rirri morde e não larga…kkkkk
    Beijos.

    .

  7. Obrigada pelo comentário, querida Diana! A palavra Rirri é muito antiga e ainda hoje é usada no interior nordestino.

    Ótima semana pra você também!

    Beijos.

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