ODE AO AMOR

É difícil falar de amor sem parecer piegas. Ainda assim, resolvi entoar este cântico, mesmo correndo o risco de enveredar por um caminho ridicularmente sentimental. Que seja!

Afinal, o que é o amor e como defini-lo? Viajemos no tempo. O termo tem origem no latim amor, e guarda o mesmo significado de agora: afeição, carinho, afeto. Entretanto, definir amor é tão difícil quanto complexo, pois ele se apresenta sob diferentes formas e significados variados.

O amor pode estar num abraço, num olhar, num beijo prolongado. Ele se propaga, naturalmente, entre um homem e uma mulher, porém pode acontecer entre dois homens ou entre duas mulheres. Quando ele é verdadeiro ultrapassa barreiras sociais, raciais e econômicas.

O amor pode ser fraternal, incondicional, próprio, entre amigos e amor ao trabalho. Dizem que o amor é cego, e que é uma bela jornada. Afirmam, também, que ninguém consegue viver sem tal sentimento, que pode até durar para sempre – não se trata aqui do amor espiritual ao Deus de cada um.

Alguns filósofos, da antiguidade, assim definiram o amor:

Sófocles – Uma palavra nos liberta de todo peso e da dor da vida: essa palavra é amor.

Platão – Ao toque do amor todas as pessoas se tornam poetas.

Aristóteles – O amor é formado por uma única alma habitando em dois corpos.

E o que dizer do amor platônico? Aquele que você sabe que nunca vai ter, mas que é bom assim mesmo. O beijo é a mais significativa expressão de amor que o ser humano conhece. No beijo também se esconde a manifestação do que chamamos paixão. Esperem! Amor e paixão não representam o mesmo sentimento?

A psicologia define a paixão como a atração pela idealização que fazemos do próximo, e não, necessariamente, pela pessoa como verdadeiramente é. Nas pessoas apaixonadas, as características de atração são as físicas. Ao contrário do amor, onde enxergamos muito além das aparências alcançando o interior das pessoas.

Estudos sobre o comportamento humano afiançam que a paixão pode durar semanas ou de um a dois anos. Após esse período ou finda o relacionamento, ou se inicia uma verdadeira história de amor.

O amor é o combustível para o romantismo e inspiração para a poesia. Daí textos e músicas que falam de amor, tocar tão fundo em almas sensíveis.

Poucos poetas cantaram tão bem o amor, e com tanta intensidade e profundidade, como o cronista e poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade. Uma das amostras é o pequeno retalho a seguir, extraído de uma de suas obras, O Amor:

Quando encontrar alguém e esse alguém fizer o seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção, pode ser a pessoa mais importante da sua vida.

Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, mas poucas amam ou encontram um amor verdadeiro ou, às vezes encontram, e por não prestarem atenção nesses sinais, deixam o amor passar sem deixa-lo acontecer verdadeiramente…

Evite que as loucuras do dia a dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: o amor.

6 comentários

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    • Maurício Assuero em 19 de maio de 2018 às 20:08
    • Responder

    Como disse Camões: o amor é um fogo que arde sem doer, é ferida que dói e não se sente, é um contentamento descontente….

      • José Narcelio em 20 de maio de 2018 às 10:40
      • Responder

      Muito bem lembrado, Assuero! Camões, também exaltou o amor com intensida. Obrigado, pela observação inteligente.

    • Goiano em 19 de maio de 2018 às 21:21
    • Responder

    Falar de amor pode ser uma viadagem, mas é lindo.
    Gostei de ler.

      • José Narcelio em 20 de maio de 2018 às 10:44
      • Responder

      Na minha adolescência eu não teria coragem de escrever o texto, pois seria indubitavelmente estigmatizado com a alcunha de “bailola”. Forte abraço.

    • Sonia Regina em 20 de maio de 2018 às 10:29
    • Responder

    Sr. Jose, falar de amor jamais, será piegas. Se estiverem certos aqueles que dizem que as palavras repetidas muitas vezes calam em nossa memória, falar de coisas boas é colaborar com a Paz nos corações agitados.

    De acordo com seu texto ao definir amor e paixão e sabemos que ambos fazem parte de nossas vidas, mas, também percebe-se com o passar do tempo que somente um deles perdura, o AMOR.

    Parabéns pelo texto.

    • José Narcelio em 20 de maio de 2018 às 10:48
    • Responder

    Obrigado pela observação, Sonia Regina. Escrevi essa crônica com o objetivo principal, de atingir pessoas sensíveis como você.

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