NOTAS

A educação no Brasil é tão desestimulante que muita gente prefere abandonar os estudos, antes de completar o ensino médio. Muitos adolescentes, de até 25 anos, motivados pelo fracasso escolar, com a falta de uma didática atraente nos estudos que leva à repetência, com prédio da escola completamente desestruturado> Outros, forçados pelas necessidades, empurrados pelas desigualdades sociais e enlaçados pela baixa renda familiar trocam a escola pelo trabalho, antes do tempo. Na Bahia, de cada de dez jovens, seis não concluem o ensino médio. No país, são milhares de adolescentes enquadrados nessa situação. Uns, incentivados pela falta de merenda, que em algumas escolas é roubada, por incrível que possa parecer, outra quantidade, mais vulnerável de jovens, prefere enveredar pelo caminho dos atos ilícitos. Drogas, roubos e assaltos. O inconcebível é perceber as autoridades mostrando-se indiferentes e incompetentes diante de tão grave circunstância.

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James Harrison é australiano, atualmente, com 81 anos. Na adolescência, quando tinha 14 anos, Harrison passou por uma cirurgia no peito que necessitou de muitas transfusões de sangue. Como recebeu a atenção de muita gente, que lhe doaram sangue, James, detentor de raro anticorpo favorável para combater doenças hemolíticas, resolveu agradecer de uma forma prática. Ser doador para as pessoas necessitadas. Tornar-se eterno doador de sangue. Passou 60 anos salvando recém-nascidos e mulheres grávidas de sérias complicações. Agora, sendo oitentão, Harrison sente-se agradecido por ter ajudado com plasma a salvar da morte milhares de crianças e grávidas que apresentavam incompatibilidade do Fator RH no sangue da mãe e do bebê.

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Olinda, cidade história de Pernambuco, padece do mesmo defeito apresentado por muitos municípios brasileiros. Calçadas quebradas, ruas e vias esburacadas, crítico sistema de drenagem, péssima iluminação, precário saneamento, carência de recursos, ausência de indústria e escassez de comércio. Por conta disso, Olinda abriga enorme pobreza que se sente desassistida por gestores que só visam beneficiar a elite. Inseguros, os frequentadores da orla reclamam da falta de policiamento na praia, principalmente nos domingos e feriados. Agora, com a inauguração do primeiro shopping na cidade, o medo na população aumenta. Aliás, vizinho ao Patheo Shopping existe um lixão na calçada de uma casa abandonada, onde os carroceiros, cientes da falta de fiscalização, despejam toneladas de entulhos que sobram das reformas de casas de moradores. Pra completar o desânimo da população, até o serviço de requalificação da faixa de praia, onde foram gastos R$ 25 milhões, durante cinco anos da administração anterior, atualmente apresenta problemas. A pista de caminhada, pessimamente construída, se desgruda do chão, formando obstáculos pra o caminhante, muretas desaparecem pela ferrugem, os equipamentos de ginástica quebram fácil, bancos sem o encosto, brinquedos de recreação infantil somem e até os quiosques da orla, quando não estão degradados, apresentam nojento aspecto para a ocupação comercial.

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As regiões central e do Norte de Portugal enfrentaram intenso período de seca. A estiagem, causou sérios reflexos ambientais. Muitos transtornos. Incêndios florestais, destruição da vegetação, morte de animais, degradação do solo, erosão e prejuízos para a economia. Fora a chuva e o vento, que desempenham papel natural, compete aos animais polinizadores, insetos, aves e mamíferos, manter a biodiversidade em ordem, garantir a produção de frutos e sementes e a renovação da mata. Dentre os polinizadores, a abelha se destaca. Para produzir mel, a abelha visita as flores com o intuito de coletar néctar. No retorno à colmeia, a abelha converte o néctar em mel. Mas, com a seca a produção de mel em Portugal caiu 80%. Para reverter o prejuízo, o governo português distribuiu toneladas de açúcar com os apicultores que transformam o produto em melaço, que é o alimento alternativo da abelha. Desta maneira, Portugal combate a fome, mantém os apicultores em atividade, recupera a produção de mel por um determinado tempo, sustenta o setor em atividade. Evitando a queda da renda na apicultura e a respetiva arrecadação nos cofres públicos. Quer dizer, usando a cabeça e determinação, muitos dos problemas públicos são eliminados. Pelo menos, temporariamente.

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Não tem coisa mais ridícula e estrambólica do que constatar a prisão de três ex-governadores e duas primeiras damas que, apesar da fama e da riqueza, vêem ou viram o sol nascer quadrado, atrás das grades. Mas, ao contrário do normal, os ilustres prisioneiros, sob a complacência de alguém, gozaram da liberdade de festejar a vida na prisão, saboreando saborosos manjares. Deliciarem-se com regalias gastronômicas, enquanto faltou dinheiro para pagar a folha de pagamento dos servidores do Rio de Janeiro, quebrado e nú de moral e correção mental. A excessão, lógico, foi ver o Legislativo, Judiciario e Executivo estadual não terem o salário atrasado, um dia sequer. Aliás, a praga se alastrou. Não existe um dia para os telejornais e a mídia não se entopirem com notícias sobre a corrupção no país. São figurões, geralmente políticos e empresários envolvidos com esquemas criminosos, peculato, abuso de poder, suspeita de cobrança e recebimento de propinas, atos de favorecimento de empresas, enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro, desvio e roubo de recursos públicos, descoberta de malas cheias de dinheiro escondidas em apartamentos. O impressionante é que, engrossando a lista de presos, atrás das grades ou em casa, usando tornozeleiras, encontra-se um ex-presidente e vários ex-ministros enjaulados por condenação jurídica. Daqui a pouco, pelo andar da carruagem, pode faltar presídio para acomodar tantos envolvidos com crimes de lesa pátria. Como não cuidaram a tempo dos casos de suborno que foram aparecendo, desde a década de 1960, os escândalos se multiplicaram até a Lava Jato entrar em cena. Devido ao descaso e omissão de vários governos, a população vive estressada com a fraqueza da economia. completamente vulnerável. Então para reverter a crítica situação, só existe um caminho. A cobrança do povo pela transparência no foco da questão. Eliminar o suborno no âmbito do setor público.

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