23 maio 2018 CHARGES

LUTE

23 maio 2018 AUGUSTO NUNES

DEMOCRACIA É ISSO AÍ

Evo Morales se une aos presidentes da Rússia, da China e do Irã e sai em defesa de Nicolás Maduro

“O povo venezuelano soberano triunfou novamente ante o golpismo e o intervencionismo do império americano. Os povos livres jamais se submeterão. Parabéns ao irmão Nicolás Maduro e ao bravo povo da Venezuela”.

Evo Morales, presidente boliviano no poder desde 2006, unindo-se a Vladimir Putin, Xi Jinping e Hassan Rouhani para parabenizar Nicolás Maduro e garantir que as eleições venezuelanas são tão livres e confiáveis quanto as da Bolívia, da Rússia, da China e do Irã.

23 maio 2018 CHARGES

ALECRIM

23 maio 2018 JOSIAS DE SOUZA

APODRECIMENTO DO PSDB

23 maio 2018 CHARGES

FRED

CONTRA A REVISÃO DA ANISTIA

A descoberta de novos documentos americanos, confirmando a responsabilidade dos ex-presidentes Geisel e Figueiredo por torturas e mortes, reacendeu o debate sobre a revisão da anistia. Começo lembrando terem sido 40, as Comissões de Verdade e Conciliação pelo mundo. Todas funcionando entre seis e 18 meses após o fim de ditaduras. Preparando a redemocratização. A nossa (41ª), criada 30 anos depois da transição, foi diferente. Seu objetivo era, sobretudo, repor a Verdade histórica.

Infelizmente, o tempo não foi suficiente para realizar todo trabalho. Dois dias antes da entrega de nosso Relatório Final (3.385 mil páginas), por exemplo, recebemos da Inglaterra a prova da eliminação de Stuart Angel. E, no dia anterior, 94% do total dos documentos que nos foram enviados pelos Estados Unidos. Em razão do cumprimento de prazos do Archives Act, só aos poucos liberados. Esse trabalho de repor a Verdade, espera-se, terá sequência no Ministério da Justiça. E deve ser uma missão coletiva, de todos e cada um de nós.

Com relação à anistia, bom lembrar que veio em dois momentos. Um primeiro, com a Lei 6.683, de 28/08/1979. Negociada entre Petrônio Portela (ministro da Justiça de Geisel) e Raimundo Faoro (Presidente da OAB Nacional). De um lado, preparando a volta de exilados como Arraes e Brizola. E protegendo condenados ou processados pela Ditadura. De outro, protegendo os militares por tudo que fizeram. Duro preço a pagar para permitir a transição. Uma lei imposta pelos militares, claramente, para se proteger. Vão-se os anéis. Mas houve outra, depois, da qual pouco se diz. A Emenda Constitucional 26, de 27/11/1985. Votada por um Congresso livre. O mesmo que elegeu Tancredo.

A reprodução do texto, tecnicamente o mesmo, se deveu a que o episódio grotesco do Riocentro ocorreu em 1981. Posteriormente à primeira Lei. Os militares exigiam que também aquele episódio fosse coberto por uma anistia. E tudo se deu no contexto de negociações feitas por Tancredo Neves, antes da posse, para garantir uma transição sem maiores traumas. Dos militares para a oposição civil – e não, como na generalidade dos países, primeiro dos militares para o estamento civil do sistema.

Agora, surgem novas evidências do comprometimento das Forças Armadas. Com a publicação de mais alguns documentos norte-americanos. Confirmando os indícios e as provas que nos levaram, na Comissão Nacional da Verdade, a indicar 380 autoridades como responsáveis por torturas, mortes e desaparecimentos forçados no Brasil. Entre eles, os presidentes Geisel e Figueiredo. Autoridades que, comprovam também os documentos de agora, ordenaram a matança do Araguaia. No curso da operação que teve o sugestivo nome de Limpeza. Limpeza de gente.

O episódio traz de volta o debate sobre a Revisão da Lei de Anistia. Assim se diz. No singular. Das leis, se deveria dizer. Por serem duas. Enfim… Essa ideia, sobre conceder ou não anistia, nos outros países se deu logo depois da transição. Com o sentido de garantir que pudessem ir, aos poucos, se reconciliando. No Brasil, foi diferente. Bem ou mal, a transição estava já feita. Em 1964, 92% dos brasileiros de hoje nem haviam nascido. Convertendo esse problema em algo do passado. Não se conhece, presentemente, algum responsável por torturas e mortes. É possível até que haja, mas ninguém importante. Só pessoal de graduação inferior. E todos, hoje, perto dos 100 anos. Já sofrendo com artrites, escleroses ou cânceres.

Sem contar que a revisão da anistia traz problemas jurídicos severos. Muito difíceis de superar. Até porque a questão já transitou no Supremo. Por isso votei, na Comissão Nacional da Verdade, em posição divergente dos outros cinco membros. Contra a Revisão da Anistia – “pelas mesmas razões que, em 29 de abril de 2010, levaram o Supremo Tribunal Federal, no julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 153, e com fundamento em cláusulas pétreas da Constituição brasileira, a recusar, por larga maioria (sete votos a dois), essa tese” (pág. 965 do Relatório Final). Com absoluta tranquilidade de espírito, ainda penso assim. Devendo ter sequência os trabalhos na busca da Verdade. Em respeito a tantos – indicamos 435 vítimas, com suas biografias e fotos, no Relatório Final – que foram torturados, mortos ou estão desaparecidos. Em respeito a seus martírios. A suas vidas. A suas memórias. E à Democracia.

23 maio 2018 CHARGES

SPONHOLZ

ESCAMADO

23 maio 2018 CHARGES

ED CARLOS

23 maio 2018 DEU NO JORNAL

DE TRIO PRA QUARTETO

Lula, Antonio Palocci e José Dirceu foram presos, mas Guido Mantega continua solto.

Sergio Moro intimou-o agora a prestar esclarecimentos sobre uma conta mantida por ele no exterior, no banco Pictet.

O Pós-Itália é o pós-preso da ORCRIM petista.

* * *

O trio de prisioneiros petralhas, Lula-Palocci-Dirceu, precisa subir um degrau.

Precisa passar de trio pra quarteto.

Tá chegando a vez de Mantega se juntar à orquestra desarmônica corrupcional vermêio-istrelada.

Tá faltando o corrupto da fala mansa pra completar o time de presidiários encabeçado por Lula

23 maio 2018 CHARGES

AMARILDO

BRANCO – A COR DA PAZ

Bandeira com o branco da Paz

Bandeira branca, amor
Não posso mais
Pela saudade
Que me invade
Eu peço Paz.

Amigos, a quantas anda o mundo?

Por que, e para que tantos tiros, tantas balas, tantas guerras e tantas mortes?

Que resultado prático isso nos traz?

Será que já não passa da hora de tentarmos agir em prol da Paz e da vida?

Não bastam as mortes naturais, por doenças, por envelhecimento e por tantas outras causas que ceifam vidas?

A pomba branca da Paz

Se eu quiser falar com Deus,
Tenho que ficar a sós,
Tenho que apagar a luz,
Tenho que calar a voz,
Tenho que encontrar a Paz,
Tenho que folgar os nós.

Sou cético. Nas minhas limitações de raciocínio e conhecimentos, entendo que apenas a família, sem as invenções paradisíacas sazonais (entender que é “normal” dar o rabo, por exemplo) que contaminam as ações a caminho de mudanças reais, pode mudar o atual panorama. É na família que tudo começa.

Família, assim como mãe, é igual em Recife, em Curitiba, em Montreal, em Santiago, em Paris ou em qualquer uma das coréias. Ela (a família) é a célula-mater de tudo.

E, exatamente por conta desse meu convencimento, entendo que, pelo menos no Brasil, tudo começou a caminhar para esse abismo em que estamos, quando as mães aceitaram a ideia de “terem que sair de casa para ajudar na despesa da casa.” Tudo começou aí. Os filhos ficaram sem guarda, sem vigia, sem direção – e para onde estão hoje, foi uma viagem pequena e rápida.

Quem hoje olha para Israel e outros países daquele continente, se mudar o olho e espiar para o Rio de Janeiro e algumas capitais do nordeste, vai perceber que, apenas a forma de matar é diferente. Lá, o motivo é político. Aqui, o motivo é o domínio do rendoso investimento da vendas das drogas.

A Paz transmitida pelo lobo-branco

Lobo-branco (nome científico:Canis lupus) é uma espécie de mamífero canídeo do gênero Canis. É um sobrevivente da Era do Gelo, originário do Pleistoceno Superior, cerca de 300 mil anos atrás. É o maior membro remanescente selvagem da família canidae. O sequenciamento de DNA e estudos genéticos reafirmam que o lobo é ancestral do cão doméstico (Canis lupus familiaris), contudo alguns aspectos desta afirmação têm sido questionados recentemente.” (Transcrito do Wikipédia)

Não é de bom alvitre esquecer a luta pela vida. Em alguns países os regimes políticos-administrativos são a causa maior da “guerra pela sobrevivência” travada pelo ser humano. Uns contra outros – às vezes sem conhecimento do que lhes motiva.

Olhemos para Darfur, no Sudão. Mas não deixemos que nossos olhos e nossas vontades não olhem para a Venezuela. Tão rica e ao mesmo tempo tão pobre – está virando um novo Darfur.

Aparentemente dócil o urso-branco só transmite Paz

O urso-polar (nome científico: Ursus maritimus), também conhecido como urso-branco, é uma espécie de mamífero carnívoro da família Ursidae encontrada no círculo polar Ártico. Ele é o maior carnívoro terrestre conhecido e também o maior urso, juntamente com o urso-de-kodiak, que tem aproximadamente o mesmo tamanho. Embora esteja relacionado com o urso-pardo, esta espécie evoluiu para ocupar um estreito nicho ecológico, com muitas características morfológicas adaptadas para as baixas temperaturas, para se mover sobre neve, gelo e na água, e para caçar focas, que compreende a maior porção de sua dieta.

A espécie está classificada como “vulnerável” pela União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN), com oito das dezenove subpopulações em declínio. Entre as ameaças que atingem o urso estão o desenvolvimento da região com a exploração de petróleo e gás natural, contaminação por poluentes, caça predatória e efeitos da mudança climática no habitat. Por centenas de anos, o urso-polar têm sido uma figura chave na vida cultural, espiritual e material dos povos indígenas do Ártico, aparecendo em muitas lendas e contos desses povos.” (Transcrito do Wikipédia)

A bandeira içada como primeira foto, é algo que tem que ser feito por nós. Devemos nos mirar e tirar como exemplos, os entreveros iniciais, quando, brincando, discordamos desse ou daquele conceito e dessas atitudes não tão politicamente corretas, e, com vendas grossas, permitimos que a bactéria das desavenças nos contaminem em defesas de políticos que sequer sabem da nossa existência.

A agora inimizade, cresceu como uma bola de neve. Criou ranços, e você perdeu uma amizade em defesa, muitas vezes, de um político vagabundo qualquer.

Com certeza, não foi em nada diferente desse pequeno começo, que as muitas guerras tiveram início. Tá passando da hora de conhecer o branco da bandeira.

23 maio 2018 CHARGES

RONALDO

23 maio 2018 DEU NO JORNAL

ARTILHEIRO DO IDIOTISMO

Não contente em dar seu apoio ao ditador Nicolás Maduro – participou inclusive de comícios com ele antes da mais recente fraude na Venezuela –, Diego Maradona mandou uma mensagem a Lula.

Quero enviar também o meu apoio a Lula da Silva. Enquanto todos nós temos as nossas coisas, está provado que Lula não fez nada de errado”, declarou o ex-craque nas redes sociais.

Na política, Maradona é uma imagem em negativo do que foi nos campos de futebol.

É, com méritos, o camisa 10 da seleção dos perfeitos idiotas latino-americanos.

* * *

Esta frase de Maradona, “está provado que Lula não fez nada de errado“, está arretada.

Uma frase digna do fubânico luleiro Ceguinho Teimoso.

Vinda de quem veio, a frase é uma prova irrefutável de que Lula só fez mesmo coisa errada.

Eu acho que Lula merece o apoio de Maradona.

Na verdade, são duas figuras que se merecem.

Pra completar, eu estou ansioso que Pelé, outro que politicamente é o negativo do que foi no futebol, também declare apoio público ao prisioneiro petista.

Seria uma combinação excelente.

Uma parelha perfeita: a corda e a caçamba

23 maio 2018 CHARGES

CLÁUDIO

A IMPRENSA EM PERNAMBUCO

Ao contrário das demais colônias estabelecidas a partir dos fins do século XV nas Américas, o Brasil foi a última a conhecer a tipografia. O invento de Johann Gensfleish Gutenberg (1400-1468), já com a introdução dos tipos metálicos móveis (caracteres móveis já existiam em argila), conquistou praticamente toda a Europa a partir de 1454, quando da impressão de uma indulgência em Mainz, chegando a Portugal em 1489, com o Tratado de Confissom, em Chaves, produzido por um impressor ambulante.

Por razões políticas impostas por Portugal, no sentido de manter a dependência através da ignorância cultural, o Brasil só veio conhecer oficialmente a tipografia a partir de 13 de maio de 1808, quando da criação pelo então príncipe regente D. João, da Impressão Régia no Rio de Janeiro.

Ao contrário do Brasil, o mesmo não aconteceu nas demais colônias das Américas, a exemplo do México, Peru e Estados Unidos, que conheceram a tipografia em 1539, 1585 e 1638 respectivamente. Mesmo dentro do mundo colonial português, a tipografia fora difundida no Oriente, através dos padres da Companhia de Jesus, no uso de preciosas traduções de vocabulários e gramáticas nativas, bem como na propagação da fé, nos seus colégios de Salsette (1542), Goa (6.9.1556), Anakura (1591), além de Rachol, Cochim, Vaipicota, Punicale e Ambalacate.

Na China, os jesuítas portugueses começaram a imprimir em Macau (1588), seguindo-se de Cantão e Hong-Kong. “No Japão, entre 1590 e o banimento do cristianismo, em 1614, os padres produziram mais de cem obras. Suas impressoras, primeiro em Kazusa com o padre Alexandre Valignano, em seguida a partir de 1591, em Anakura, e depois em 1599 na fortaleza cristã de Nagasaki, produziram catecismos, literatura e trabalhos devotos conhecidos, tanto em português como em japonês, pelo nome de Kirishitan-ban. Seus estudos linguísticos constituem a fonte principal do nosso conhecimento do primitivo japonês moderno. Pelo menos dois tipógrafos foram japoneses convertidos, enviados a Coimbra para aprender o ofício”.

No Brasil Holandês

A primeira tentativa da introdução da tipografia no Brasil partiu não dos portugueses, mas do governo holandês do conde João Maurício de Nassau-Siegen (1637-1644) quando, em 28 de fevereiro de 1642, o Supremo Conselho do Governo do Brasil, sediado no Recife, escreveu à Assembleia dos Diretores da Companhia das Índias Ocidentais, em Amsterdam, solicitando o envio de uma tipografia, “a fim de que as ordenações e os editais emanados por Vossas Senhorias e deste governo, e os bilhetes de vendas, sendo impressos, obtenham maior consideração, e de ficarmos dispensados do trabalho fatigante de tantas cópias”. 

A resposta não tardou e, em 14 de julho do mesmo ano o Conselho dos XIX informa ter seguido da Câmara de Horn “um certo Pieter Janszoon que aqui exerceu a profissão de tipógrafo e, por ocasião de sua partida, não se mostrou avesso a ideias de aí introduzir a sua arte, mediante certas condições”. 

Em face da demora nas comunicações, o Supremo Conselho reiterou o seu pedido, em carta datada de 24 de setembro de 1642, que veio a ser respondida pelo Conselho dos XIX em 21 de maio de 1643: “De há muito que consideramos a necessidade do estabelecimento de uma tipografia no Brasil, e agora recomendamos a pessoa idônea que se informasse de algum mestre habilitado para este fim, e igualmente comunicamos essa resolução à corporação dos impressores, de sorte que esperamos ver o vosso pedido satisfeito dentro em breve”. 

O Conselho do Brasil, porém, em carta datada do Recife, 2 de abril de 1643, informa laconicamente o falecimento, após sua chegada, do impressor Pieter Jenson reiterando o pedido do envio de uma oficina de tipos e de um novo mestre impressor: “esperamos que Vossas Excelências realizem a prometida remessa de uma tipografia, a fim de nos exonerar das consideráveis despesas com as numerosas cópias das ordenações e editais em português, o que importa em muito dinheiro, porquanto os escreventes da repartição consideram este serviço como extraordinário e fora de suas atribuições regulares”. 

Clique aqui e leia este artigo completo »

23 maio 2018 CHARGES

SPONHOLZ

23 maio 2018 DEU NO JORNAL

DOIS TOLÔTES DO MESMO PINICO

Quatro anos depois de se “despedir” da política para cuidar da saúde e se dedicar à família, Roseana Sarney anunciou que disputará novamente o governo do Maranhão.

Filiada ao MDB, ela se absteve se vincular seu projeto eleitoral ao correligionário Michel Temer. Preferiu evocar Lula, preso em Curitiba desde 7 de abril.

Ao discursar num ato partidário realizado nesta segunda-feira, em São Luís, Roseana declarou:

“Quero dizer uma palavra aqui a respeito do meu amigo, do meu companheiro, de quem eu fui líder, que hoje está numa situação que eu não gostaria que ele estivesse: o Lula. Foi o nosso presidente, que muito me ajudou quando eu estive à frente do governo do Maranhão.”

* * *

Duas figuras que se merecem: Lula e Roseana.

Dois tolôtes de bosta como só mesmo na política de Banânia seria possível aparecer.

Lula merece mesmo o apoio da filha de Sarney.

E a filha de Sarney age corretamente ao usar o nome do presidiário corrupto em sua nova campanha.

Vamos rever esta parelha composta por duas figuras indecente, duas aparições sinistras da história de bandidagem deste país.

23 maio 2018 CHARGES

ZÉ DASSILVA

GASOLINA NO INCÊNDIO

Temer já sabia que ganhar as eleições seria tarefa impossível. E, com a parada dos caminhões e a alta do combustível, é bom nem falar em votos.

Não é por falta de erros que Temer está em baixa. Mas cai até quando não é sua culpa. A alta do diesel e da gasolina tem vários pais. E uma mãe.

A mãe é Dilma: ao segurar o preço dos combustíveis no país abaixo do custo do petróleo, quebrou as usinas de álcool e endividou a Petrobras. Hoje, a Petrobras vende combustíveis a preços que cobrem o custo do petróleo, do prejuízo que teve, dos juros que paga. O preço varia dia a dia, conforme a cotação do petróleo. Em 12 meses, a gasolina subiu 17,96% (a inflação esteve por volta de 2%). Aí aparece o primeiro pai da alta: o dono dos postos, Quando a Petrobras baixa o preço (e isso aconteceu algumas vezes), o posto o segura lá em cima. Concorrência entre postos? Então tá!

E vai subir mais: o dólar se valoriza e o petróleo marcha para US$ 90 o barril. É o outro pai da crise: a Venezuela já reduziu a produção à metade, por desorganização. O Irã está mais preocupado em mandar na Síria e sofre com as sanções americanas. Menos petróleo, mais preço. Há quem estime que a gasolina chegue a R$ 5,10 se câmbio e petróleo mantiverem o rumo.

Outro pai é o Governo, em todos os níveis: os vários impostos são mais de 40% do preço do litro. Resultado: o litro, para os americanos, custa menos de R$ 2; no Brasil, o custo é de R$ 4,75. E Temer paga em votos.

Temer fora

Ou não paga mais. Deixou a conta para seu ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que disputará o voto de centro com Geraldo Alckmin. Dado o carisma de ambos, pode parecer engraçada a frase seguinte: existe a possibilidade de que um deles seja eleito: basta chegar ao segundo turno, e beneficiar-se do radicalismo do adversário, seja Bolsonaro, seja o poste que Lula escolher. Alckmin, que conhece o jogo faz tempo, tem mais chances que Meirelles, cuja força é a capacidade de pagar sozinho a campanha. O MDB de Meirelles é forte, mas desde 1994 não disputa a Presidência. Se sempre se deram bem aderindo ao vitorioso, por que mudar justo agora?

Pedra no caminho

Há um grupo de parlamentares que tenta convencer Josué Alencar (cujo nome é Josué Gomes da Silva, mas resolveu se lembrar da herança política do pai, José Alencar) a sair para a Presidência, pelo centro – desde que pague sua própria campanha. O líder do grupo é o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Se der certo, Alckmin e Meirelles terão mais dificuldades.

O olímpico

Rodrigo Maia tenta também lançar Eduardo Paes para o Governo do Rio. Ele era o prefeito do Rio na época dos Jogos Olímpicos, lembra?

Perdemos todos

Um dos grandes jornalistas brasileiros, Alberto Dines, morreu ontem aos 86 anos. Dines foi repórter, editor, diretor (mandava mais no Jornal do Brasil do que o dono – e merecia), escritor, professor em Princeton, criador do Observatório da Imprensa em TV e site. Foi um dos mestres deste colunista, que escreve sobre ele para a Folha de S.Paulo (só para assinantes); e, com leitura livre, Chumbo Gordo.

Azeredo lá

O Tribunal de Justiça de Minas rejeitou os recursos do ex-governador Eduardo Azeredo, ex-presidente nacional do PSDB, e ordenou sua prisão. Azeredo foi condenado a 20 anos e 1 mês por participação no Mensalão mineiro, uma espécie de ensaio do que viria a ser o Mensalão petista, e que incluiu até a participação do publicitário Marcos Valério. Azeredo pode recorrer ao Superior Tribunal de Justiça, mas não em liberdade.

Onde está o dinheiro

A servidora Mirella Menezes Celestino pediu aposentadoria voluntária do Tribunal de Justiça da Bahia. Com a aposentadoria, a funcionária terá “proventos integrais de R$ 39.936,17”, segundo despacho do presidente do TJ baiano, desembargador Gesivaldo Brito. O salário propriamente dito (o nome oficial é “vencimento básico”) é de R$ 8.276,67. O restante, que põe seu salário acima dos pagos aos ministros do Supremo, são penduricalhos: “vantagem pessoal AFI símbolo”, R$ 17.802,72; “vantagem art. 263”, R$ 7.127,57. O desembargador determina que, na implantação dos proventos, deverá ser observado “o limite do teto constitucional – R$ 30.471,10”. Ou seja, com redução e tudo, uma economista de um Tribunal de Justiça estadual tem direito a ganhar quase tanto quanto um ministro do STF; mais de 90% dos vencimentos dos onze magistrados mais importantes do país –e, não esqueçamos, dentro da lei. Há algum risco de o país dar certo?

23 maio 2018 CHARGES

PATER

CARLOS ZITELLI – ARARAQUARA-SP

Prezado Sr. Berto, bom dia!

Acabei de efetuar um deposito simples mas de coração para essa gazeta escrota como você mesmo diz.

Foi de R$ 100,00, através do PagSeguro.

Espero que tenha humildemente ajudado.

R. Ajudou muito, caro leitor. Pode ter certeza disto.

Muito obrigado mesmo.

Como esta gazeta escrota não tem qualquer patrocínio, seja público ou privado, vocês leitores e colunistas é que me ajudam a segurar a barra e cobrir as despesas.

Um grande abraço para todos os fubânicos dessa bela Araraquara.

23 maio 2018 CHARGES

IOTTI

O DESEJO DE MARINA

Conto Erótico, Quase Pornográfico

Marina lia o seu livro, como fazia diariamente, de segunda a sexta-feira, durante a meia hora que durava sua viagem no metrô de casa ao trabalho.

Colocava em dia, com essa leitura, as necessidades de alimentar-se e atualizar-se para as aulas de Literatura que dava na faculdade desde que, há oito ou nove anos, conseguira passar na seleção em primeiro lugar e obter o cargo.

Sempre estudiosa, quase não tinha tempo para as coisas mundanas e o que restava, entre as atividades de classe, as preparações da próxima aula, e as correções de testes e provas, era dedicado ao lar. Todos sabem que mulheres que trabalham fora têm o expediente dobrado.

Casada há onze anos, pouco passava dos trinta e tinha uma vida pacata e feliz, sem maiores preocupações do que conseguir transmitir aos alunos conhecimentos sólidos e duráveis, que pudessem ser úteis na vida profissional de cada um, e dedicar-se ao marido.

Distraída, como sempre estava com a leitura, não pôde compreender por que chamou-lhe a atenção o jovem que acabava de entrar no vagão em uma das paradas do trem.

Não conseguiu desviar os olhos do rapaz que, ao sentar-se, percebeu-se olhado e timidamente desviou o olhar dos olhos e das pernas de Marina.

Outro dia se passou. Novamente Marina lia, quando o jovem entrou e sentou-se no único lugar, bem a sua frente. Nesses dois dias os vagões iam relativamente vazios, pois então o horário de Marina só começava no terceiro período da manhã. E lá foram os dois, frente a frente, até à descida do jovem, uma estação antes de Marina.

Havia algo de constrangedor nessa situação. Ambos queriam olhar-se, mas evitavam o encontro dos olhares, embaraçados com a estranha atração que os dominava.

Quarta-feira, primeiro horário, Marina já pegou o trem cheio, o livro na mão sem poder abri-lo direito.

Desta vez, ninguém lhe ofereceu o lugar. Abriu o livro em pé mesmo, uma mão segurando a argola de apoio, a outra tentando manter o livro aberto, que dificuldade. O vagão enchendo, o livro espremido, teve de fechá-lo. Foi sendo apertada, empurrada e, quando viu, estava colada nas costas daquele jovem! Sentiu o calor do seu corpo, suas nádegas entrando pelo espaço entre suas coxas, sensação igual a quando dançava colada roçando o púbis no membro duro do seu par. O jovem percebeu-se espremido, a bunda apertada em algo macio, olhou para trás e seus olhares se encontraram, os rostos quase se encostando, e em vez da vergonha deram lugar ao prazer dos corpos juntos, extasiados. Marina deixou-se levar. Não estava tão apertado assim, mas ela encostou-se o mais que pôde e começou a sentir-se molhar. Fechou os olhos e o balanço do trem levou-a a esfregar-se eroticamente na bunda do seu inesperado parceiro. Começou a gozar, sentia-se quase desfalecer, teve medo de cair, a cabeça nas nuvens. Veio-lhe um orgasmo delicioso, demorado, molhando-lhe abundantemente a calcinha. O vagão começou a esvaziar, a estação do rapaz chegou, as portas se abriram, ele encaminhou-se para a saída lançando um olhar de surpresa, incredulidade, ou paixão, para Marina, que o viu sair com a pasta escondendo a calça molhada de esperma. O rapaz também gozara.

Voltando à casa, Marina encontrou o marido a sua espera, com a refeição à mesa. Quis sentir alguma culpa, mas não conseguiu. Nunca havia lhe acontecido algo assim antes. Jamais tivera interesse ou desejo por outros homens. Agora, impulsivamente se entregara a um prazer inusitado, diferente, em uma aventura no metrô. Enquanto comiam, sentiu um súbito desejo, exacerbado, pelo marido. Há muito não lhe vinha tanto tesão, tanta urgência de fazer amor.

Quando terminou com a cozinha, subiu para o quarto. O marido a esperava, deitado, de pijama, de pau duro à mostra sob o fino pano da calça. Veio-lhe um súbito desejo de chupar-lhe o pau. Nunca havia feito isso, mas puxou-lhe o pijama pelas pernas e chupou-lhe o pênis carinhosamente, lentamente, sentindo-o pulsar em sua boca, até que o orgasmo jorrou abundantemente em sua boca. Pensava que teria nojo, mas não teve. Foi ao banheiro, demorou-se no banho e quando voltou o marido já estava pronto novamente e ela fervia de desejo. Treparam apaixonadamente, na posição papai e mamãe, e gozaram juntos com tal intensidade que ambos se surpreenderam. Quando terminaram, beijaram-se e o marido lhe disse: – Obrigado, querida! E dormiram um sono profundo.

No dia seguinte, no outro e no outro, Marina não viu o rapaz. Ela entrava ansiosa, se conseguia lugar sentava-se, abria o livro mas não conseguia ler. Viajava com o livro aberto, depositado no colo, o olhar distraído entre pernas e bundas dos passageiros em pé.

Segunda-feira, o vagão vazio, o rapaz entrou, não havia lugar vago, ele ficou em pé, perto da porta. Marina teve um ímpeto, quando a porta se abriu ela levantou-se, pegou-o pela mão e o conduziu pelo corredor. Sem se falarem, subiram a escada rolante, saíram na avenida e ela o levou ao hotel do outro lado da rua. Pediu um quarto, subiram, ela tirou-lhe a roupa e chupou-lhe o pau com sofreguidão. Passaram todo o dia trepando e gemendo. Ela notou que o jovem era inexperiente, conduziu-lhe a cabeça para entre suas pernas e ensinou-o a chupá-la. O rapaz, tonto com o cheiro delicioso e pouco familiar da vagina, beijava, lambia e chupava com gosto o clitóris, os lábios, a buceta inteira. Ela o trazia para cima e o punha para mamar-lhe os belos seios e depois se beijavam como se quisessem engolir-se um ao outro. Marina não sentiu necessidade de mais alternativas que não fossem chupar e ser chupada e depois gozarem quantas vezes fosse possível, trepando com gosto e paixão na posição tradicional, ele por cima, entre suas pernas.

Assim foi por horas e horas. Ao fim da tarde, quando o rapaz adormeceu, Marina vestiu-se e foi embora. Passou na portaria, pagou e pediu que não o incomodassem. Foi para a faculdade apenas para justificar sua falta e voltou para casa. Exausta, preparou a refeição, o marido chegaria hoje um pouco mais tarde, e dormiu no sofá, vendo televisão.

O marido chegou, comeram e fizeram amor no sofá. Algo se havia reacendido na paixão entre os dois, o antigo tesão voltou e voltaram a amar-se quase todos os dias.

Marina não viu mais o jovem, mas não teve mais ansiedade nem vontade de encontrá-lo. Quando fizeram amor não se disseram uma palavra, não se sabiam os nomes, nem endereços, nem telefones, nem idades, nada. Eram dois completos desconhecidos mergulhados em uma única e estonteante aventura sexual.

Ele, no dia seguinte, foi para Madri, com uma bolsa de estudos, onde se apaixonou por uma colega do curso, com a qual veio a se casar, fazendo-a muito feliz com o que aprendera com a mulher do metrô e com o que, a partir, dali, sua sensibilidade e intuição o levaram a descobrir: novas formas de prazer.

Sua mulher surpreende-se todos os dias com um marido que não se apressa, mas se demora em lhe dar satisfação, com massagens por todo o corpo, beijos, carícias e muitas preliminares que fazem o prazer de uma mulher ser completo. E o de um homem também.

Marina e o jovem nunca mais se encontraram. Sua ligação permanecerá como uma distante e suave lembrança.


© 2007 - 2018 Jornal da Besta Fubana | Uma gazeta da bixiga lixa