BB É A CARA DO GOVERNO: RUIM, CHATO E IMPOPULAR

Jorge Oliveira

O Banco do Brasil é a cara desse governo: ruim, impopular, chato e decadente. Em nome da modernidade esqueceu o seu bem maior, o cliente. A máquina travou, o atendimento é péssimo, os funcionários vivem mal-humorados como se tivessem sido contaminados por aquela mulher antipática que aparece na televisão gritando como se fosse uma louca desvairada. Na outra ponta, os Correios, que já foram um exemplo de eficiência, vivem a sua pior fase, desacreditados e ineficientes. Receber uma correspondência em qualquer lugar do país é um drama.

Os funcionários dessas dois órgão são unânimes em afirmar que torná-los ineficientes tem o propósito de privatizá-los. Alvo de bandidos até recentemente, o BB e os Correios se transformaram em um covil de políticos inescrupulosos que encheram suas diretorias de incompetentes. Do Postalis, por exemplo, o fundo dos funcionários dos Correios, foram roubados milhões de reais. E do BB, os escândalos se sucederam na presidência de Aldemir Bendine, condenado a 11 anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro.

O banco, no entanto, saiu dos trilhos depois que o Temer nomeou o economista Paulo Caffarelli, homem ligado a Guido Mantega, de quem foi seu secretário-executivo no Ministério da Fazenda, ex-executivo da CSN. Para tornar a máquina eficiente, ele abriu o pacote de demissão de cerca de 20 mil funcionários, dos 115 mil existentes. Essa estratégia vem desde o governo FHC, quando fez o PDV e milhares de funcionários deixaram seus empregos. Nem por isso o banco virou excelência em operação e atendimento. O que se sabe é que muitos deles suicidaram-se depois que largaram o banco.

O BB – que já foi a coroa da rainha – quer se desmaterializar. Criou a Estilo que funciona como uma agência virtual, mas continua exigindo assinatura do cliente em papéis quando a transação foge dos parâmetros diários. O cuidado, no entanto, não evita que hackers invadam as contas dos correntistas para limpar seus saldos, como já aconteceu com este articulista, que viu do dia para a noite a sua conta de pessoa jurídica sendo esvaziada sem que a agência tivesse um mecanismo de defesa para evitar os saques.

A política de atendimento ao cliente hoje é a mais impessoal. Os gerentes são trocados das agências à revelia como se fossem movidos por um botão que aciona um robô e o leva para um lugar distante da sua família. O remanejamento não considera o local onde ele mora. São tratados como máquinas por um departamento de relações humanas invisível e insensível que visa apenas o lucro. Os empregados, maus remunerados, queixam-se de que o banco virou uma fábrica de doentes mentais tal o número de funcionários afetados pelo estresse diário. Além dos fechamentos das agências, das demissões em massa, o salário hoje é um dos piores do mercado.

As decisões tomadas de cima para baixo não respeitam a opinião dos empregados concursados, pois são ditadas por diretores, indiferentes aos problemas humanos e sociais, indicados pelo governo por influência de partidos políticos. O que aconteceu com as agências do BB em Portugal é um exemplo dessa má administração. Primeiro fecharam a agência de Cascais e a reação dos brasileiros que moram na cidade foi nenhuma, mesmo sendo obrigados a frequentar a sucursal de Lisboa para resolver seus problemas financeiros.

Como não houve reação, na administração de Meirelles, ministro da Fazenda, fecharam as agências do BB em Lisboa e Porto, um escândalo acobertado pela mídia que vive fartamente às custas da publicidade do banco. E o mais grave: Caffarelli autorizou que os 8 mil clientes fossem se abrigar no CTT, banco postal, que recebeu de graça todos os correntistas. Aqueles que se negaram a ir para o CTT não receberam do Banco do Brasil nenhuma assessoria de como proceder com o depósito do seu dinheiro nas agências de Lisboa e Porto, um desrespeito que vem se generalizando entre o banco e seus clientes. Caso semelhante ocorreu na Venezuela com o fechamento da representação do BB e a demissão dos 50 empregados.

No Brasil, outro desrespeito. De repente as contas dos clientes mudam de agência sem aviso prévio. Um transtorno para quem estava acostumado com a localização do seu banco próximo ao trabalho ou da sua casa. A alegação é de que alguns correntistas tinham sido promovidos a um atendimento personalizado. Como o cliente deixou de ter cara, a desconfiança então aumentou entre ele e o banco, que passou a exigir mais segurança para qualquer transação que a gerência considera atípica. Ou seja: no BB você é correntistas suspeito até prova em contrário.

Infelizmente, milhares de pessoas físicas e jurídicas não podem fechar suas contas no BB, pois existem negócios que exigem obrigatoriedade de ser transacionados no Banco do Brasil. Se fosse facultado ao cliente escolher outra agência para movimentar suas contas especiais, certamente o BB estaria em maus lençóis, pois ninguém, em sã consciência, suportaria ser maltratado por um banco que vive do dinheiro do cliente, mas é indiferente aos seus apelos de civilidade e de bom atendimento.

É como já dizia o Cazuza: “Brasil mostre a tua cara”.

13 comentários

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    • joao bosco de lima em 24 de maio de 2018 às 09:52
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    eu discordo do jornalista, tenho conta no banco do Brasil há mais de 35 anos , mudei de cidade , mudei de estado e continuo satisfeitíssimo com o tratamento , com o atendimento e com as soluções de problemas

    • joao bosco de lima em 24 de maio de 2018 às 09:55
    • Responder

    estranho, muito estranho…é a primeira vez que faço comentário…como pode estar repetido????

    • João Francisco em 24 de maio de 2018 às 10:18
    • Responder

    Tem que privatizar tudo.

    Correio, BB, Caixa, Petrobrás, etc.

    Não aguentamos mais pagar o aparelhamento político, a roubalheira e a ineficiência.

    Se a Vale e a Embraer não fossem privatizadas era mais prejuízo par pagar.

      • Tito em 24 de maio de 2018 às 14:44
      • Responder

      Disse tudo. Privatização, já!

  1. Discordo do discordante . Fui fazer um saque de $800 e a máquina do INTERIOR da agencia engoliu o cartão que era de minha irmã ,interditada judicialmente. Dentro da agencia no desespero cai no conto dos estelionatários. Fiz B.O. , reclamei ao banco , reclamei a Banco Central, mas não recebi o dinheiro desviado,nem os dias perdidos com o fato. Tenho nojo deste banco mas por ser o procurador de minha mãe sou obrigado a usá-lo, não pedi autorização a ela para mudar nada. Uso os correios onde posso ficar de olho no cartão. Consulte o reclame aqui. não consultei mas deve haver muita reclamação lá.

    • Ex-microempresário em 24 de maio de 2018 às 13:56
    • Responder

    Nunca fui bem atendido no BB. Hoje só vou lá para pagar IPVA. Se tirar as “exclusividades” que obrigam as pessoas a usá-lo, o BB acaba em poucos meses.

    • Beni Tavares em 24 de maio de 2018 às 14:15
    • Responder

    Também discordo do discordante. O banco está sucateado, o atendimento físico não funciona como devia, está realmente, como disse o jornalista, uma bosta.
    PS: E quanto a mulher antipática, que aparece nos comerciais gritando feito uma desvairada, meu caro jornalista, não passa de uma bichona disfarçada, chata, antipática e desvairada mesmo.

    • Leo Cavinati em 24 de maio de 2018 às 14:41
    • Responder

    Ao contrário do que li acima num comentário, o BB só é bom para os funcionários. Muitas mordomias,salários acima do mercado privado,estabilidade no emprego, o que gera péssimo atendimento ao público em geral.Ora,se vc sabe que mesmo trabalhando mal,nunca sera’ demitido,os servidores prestam aquele atendimento chinfrim que sentimos na pele.No que depender de mim,pode fechar amanhã.

    • Welinton alencar em 24 de maio de 2018 às 15:32
    • Responder

    Fui correntista um.bom para de anos. Atendimento péssimo. Correntista na área rural do BASA ( Banco da Amazônia). Muito melhor, atendimento nota 10.

    • Sergio em 24 de maio de 2018 às 17:45
    • Responder

    Tenho conta apenas no BB há muitos anos e gosto muito e me considero bem atendido. Acho sim que tem problemas graves mas é lá pra cima na direção e no dono Sr. Governo Brasileiro.

    • Marcos Pontes/DF em 24 de maio de 2018 às 20:35
    • Responder

    Concordo com tudo, fui correntista obrigatório durante algum tempo, hoje passo longe, quanto a “moça desvairada e louca”, gostaria de avisa-lo: trata-se de um viado bem remunerado e agora exclusivo do banco, o jovem chama-se Paulo Gustavo a personagem chama-se D. Hermínia ele é viadísticamente casado com outro homem(?). Coisas de um Brasil moderno!

    • Flavio Feronato em 24 de maio de 2018 às 20:39
    • Responder

    É uma covardia ter um banco que vive as custas do contribuinte. Privatiza todas as estatais já!

    • Herman João Froeder Neto em 26 de maio de 2018 às 21:30
    • Responder

    Fui funcionário do BB por mais de 22 anos, desde que tomei posse(1993), só vi a entidade andar para trás, cada vez mais sobrecarregando seus funcionários, reduzindo salários e postos de trabalho, informatizando-se e maltratando cada vez mais a clientela. Vi muitos deles migrando para outros bancos, pois suas prioridades não eram atendidas. Quem afirma que o banco só é bom para os funcionários, não sabe do que está falando. Deve ser algum frustrado com a vida ou invejoso. Existem algumas mordomias sim, mas no andar de cima. Nas agências é muita cobrança e muito estresse. O mesmo se aplica à estabilidade. O BB é sociedade de economia mista e somos regido pela CLT. Não há estabilidade. Há metas a serem cumpridas. Vi vários colegas perderem suas comissões por não atingirem metas absurdas e outros perdendo seus empregos. Quanto àquela figura do comercial, além de ridícula é muito mal-educada. Não consigo entender o mau gosto da equipe de marketing do BB. Lamentável! Ridícula!

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