Adoro futebol. Vivi muito tempo da minha vida bem próximo ao estádio do Maracanã, no tempo que ele era o maior do mundo e ainda desfilavam no seu gramado os maiores jogadores do Brasil e do planeta. Assisti Pelé, Rivelino, Tostão, Gerson, Paulo César, Ademir da Guia, Edu (irmão do Zico), o próprio Zico, Nelinho, Dinamite, Reinaldo, entre outros. Infelizmente só vi o final da carreira do Garrincha que mesmo perto da aposentadoria ainda era um debochado, com e sem a bola nos pés, fazendo os seus marcadores de “joão”.

O futebol mudou e hoje é um esporte muito mais competitivo do que espetacular, mas continua atraindo multidões e emocionando as plateias pelo mundo afora. Infelizmente aqui no nosso Brasil o esporte bretão não acompanhou a evolução ocorrida na Europa e outros centros. A desorganização dos clubes, federações e da CBF não permite planejar competições que consigam motivar o público a voltar a frequentar os estádios. A violência nas grandes cidades também é um complicador para termos grandes plateias nas arquibancadas. Futebol sem torcida é tão sem graça como dançar com a irmã.

Lá vem mais uma Copa do Mundo. A torcida brasileira não parece empolgada como em tempos passados. A realização do torneio anterior (2014) aqui no Brasil frustrou muita gente. A organização padrão FIFA não permitiu que nosso povo usasse sua criatividade para inventar seus balangandãs verde e amarelo. Não saboreamos a Copa, ela não pareceu um produto made in Brasil. Tudo tinha que ser no padrão FIFA com selo de qualidade. Os agrupamentos em lugares públicos, como existe num ponto clássico aqui do Rio de Janeiro, o Alzirão, onde os moradores da Rua Alzira Brandão e adjacências se reúnem para assistir os jogos de todas as Copas, precisaram se adaptar à organização da Copa 2014 e seus patrocinadores. Resultado: Ficou sem graça. Tentaram fazer uma festa europeia num país tropical. Quem se divertiu foram os alemães. Perdemos o campeonato e a empolgação.

Se por um lado, nossos clubes e federações não conseguem desenvolver um programa capaz de atrair público, patrocinadores e receitas para organizarmos campeonatos capazes de reter por aqui os grandes jogadores brasileiros e até mesmo trazer astros internacionais para termos um espetáculo técnico ao nível da nossa tradição, por outro, o excesso de regras impostas pela FIFA para promover sua Copa, não motiva nem encanta como a “bagunça organizada” que tínhamos até 35 anos atrás. Aproximadamente.

Podemos comprar, via internet, o bilhete para assistir um jogo na Europa. Imprimimos o ticket em casa e entramos nos campos europeus sem problema. Mas, aqui não é possível. Para assistir um jogo no Maracanã é preciso enfrentar filas e empurrões. Mesmo que compre via internet, é necessário trocar o bilhete na hora da entrada. Hoje é uma vitória colocar 40.000 pessoas nos estádios. Até o início da década de 80, os grandes jogos colocavam 100.000 espectadores no Maracanã. Sem computadores, sem smartphones, GPS, era possível decidir no dia se queria ou não ir no campo e comprar o bilhete na hora. Hoje é uma operação terrível. É preciso comprar com antecedência e sofrer na entrada, porque são longas filas, catracas antipáticas e apesar do sofrimento não existe conforto ou segurança dentro dos campos.

Minha conclusão é que o futebol no Brasil precisa se organizar a moda brasileira. Nem tanto para ficar sem graça como a FIFA faz, mas o suficiente para viabilizar torneios bem planejados e facilitar a vida de quem gosta de ver o espetáculo no campo. Tudo na medida certa.

1 Comentário

  1. Caro xará,

    Você nos ofereceu um artigo bem traçado, focando detalhes que poucos percebem embora sintam.
    Por aqui no Recife, fui do tempo das “mangueiras cativas” do campo do Santa Cruz, quando não tinha arquibancadas, e nós, molecotes ainda, trepávamos nas árvores do Arruda para assistir aos jogos do alto, ou nos deslocávamos para o campo de Bebinho Salgado, lá em Casa Forte, para assistir gente de primeira linha , como os Rosa Borges, darem seus chutes.
    Venho de um tempo em que a gente tinha tempo de se ligar nos jogadores e no time, porque não se trocava tantos atletas em tão pouco tempo como hoje. E dava para a gente decorar os times e amar os jogadores.
    Lembro-me do time do Náutico em 1952:
    Zeca, Cidinho e Célio; Ivanildo , Zico e Zé Leão; Idimar, Wilson, Alcidezio, Genival e Zeca II. Gravei a equipe porque passamos mais de cinco anos com os mesmos jogadores.
    Depois, o goleiro Manuelzinho sobrou no Sport, após 15 anos, e o Náutico avacalhou o time contratando-o. Foi um desastre emocional para a torcida.
    Era o tempo do início do profissionalismo.
    Hoje, só saudades.
    E quando a gente começa a gostar de um jogador, se entusiasmar com as jogadas dele, eis que o miserável se vai para jogar em times do exterior, para ganhar suas fortunas.
    Que futebol é esse?…

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