26 maio 2018 A PALAVRA DO EDITOR

PRA FECHAR O SÁBADO

26 maio 2018 CHARGES

SINOVALDO

26 maio 2018 JOSIAS DE SOUZA

CRISE DOS CAMINHÕES ACENTUA FALÊNCIA DE TEMER

Vão relacionadas abaixo nove evidências de que o governo de Michel Temer vive um ocaso em que, enfiado numa trincheira de fantasias, acelera o seu derretimento:

1. Michel Temer recebeu a informação de que havia gente se equipando para atravessar caminhões nas rodovias há cerca de um mês. Deu de ombros. Fez isso mesmo tendo do seu lado um especialista na matéria: o chefe da Casa Civil Eliseu Padilha. A encrenca dos caminhoneiros é velha e previsível. Coisa parecida já havia sucedido nos governos Sarney, FHC, Lula e Dilma.

2. Eliseu Padilha era ministro dos Transportes de FHC quando, em 1999, explodiu uma greve de caminhoneiros. No geral, era tudo muito parecido com o que ocorre agora: o bloqueio de estradas, o risco de desabastecimento, a suspeita de locaute (greve de patrões). FHC ameaçou acionar as Forças Armadas contra os caminhoneiros. Simultaneamente, enviou Padilha à mesa de negociações.

3. Temer e Padilha fizeram uma dobradinha na última quarta-feira. O presidente procurou os holofotes para informar aos repórteres que solicitara uma “trégua” de três dias aos caminhoneiros. O ministro levou a proposta a uma reunião com supostos representes da paralisação. Àquela altura, já faltavam alimentos, remédios e combustíveis na praça. E abundavam fantasias no Planalto. “Desde domingo estamos trabalhando neste tema para dar tranquilidade não só ao brasileiro, que não quer ver paralisado o abastecimento, mas também tentando encontrar uma solução que facilite a vida especialmente dos caminhoneiros”, disse Temer, para intranquilidade de um país submetido à iminência do caos.

4. Diumar Bueno, presidente da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), participou da reunião em que Padilha ecoou o pedido de trégua de Temer. Na saída, tachou o governo de “irresponsável”. Por quê? Avisado sobre os bloqueios há um mês, o Planalto não saíra do lugar. Trégua? Nem pensar. O negociador do governo era o mesmo de 19 anos atrás. Mas a estratégia era outra. Sob FHC, o chefe de Padilha falava em Forças Armadas, não em trégua. Ainda assim, o governo tucano teve de ceder no quarto dia de paralisação, recuando num reajuste do diesel. Para complicar, os caminhoneiros agora estão mais organizados. Comunicam-se por WhatsApp.

5. Rodrigo Maia, o presidente da Câmara, enxergou no derretimento da autoridade de Temer uma oportunidade a ser aproveitada. Enfiou no projeto de desoneração da folha salarial das empresas uma isenção do PIS e da Cofins sobre o diesel. Uma coisa compensaria a outra, disse Maia. E os caminhões voltariam a circular. O Planalto tratou a proposta de Maia como uma “pauta-bomba”, semelhante aos pavios que Eduardo Cunha costumava acender contra Dilma Rousseff. A adesão dos líderes de partidos governistas à ideia de Maia potencializou a impressão de que a base congressual de Temer está estilhaçada.

6. Carlos Marun, foi enviado por Temer à Câmara, na noite de quarta, para tentar desarmar a bomba de Rodrigo Maia. Suprema ironia: sob Dilma, Marun era general da tropa de Eduardo Cunha. Dedicava-se a acender o fósforo. Hoje, promovido a coordenador político de Temer, Marun revelou-se um fiasco na tarefa de desativador de artefatos. Avisou a Maia que a isenção do PIS-Cofins produziria um rombo fiscal de R$ 12,5 bilhões, não de R$ 3 bilhões como a Câmaera estimara. Os deputados fizeram ouvidos moucos, ativando a bomba. “Vamos corrigir no Senado”, disse Marun, acusando Maia de fazer “populismo”.

7. Eunício Oliveira, o presidente do Senado, estava tão preocupado com a crise que voou na quinta-feira para o seu Ceará. Faltava querosene de aviação em Brasília. Mas Eunício, um milionário que dispõe de avião próprio, manteve o hábito de decolar de Brasília nas asas da Força Aérea Brasileira, com todas as comodidades que dinheiro público pode proporcionar. Na Capital, Eunício é um apoiador de Temer. No seu Estado, é um aliado do PT. O senador tenta a reeleição pegando carona no prestígio do presidiário Lula entre os eleitores sertanejos. Ao ser alertado para o fato de que o custo do seu alheamento poderia ser alto, Eunício retornou às pressas para Brasília. Em tempo para acompanhar os desdobramentos de uma decisiva rodada de negociações realizada no Planalto.

8. Eliseu Padilha, o negociador, coordenou a mesa em torno da qual sentaram-se os representantes do governo e hipotéticos porta-vozes dos caminhoneiros, sobre cujas boleias paira a sombra do baronato empresarial do setor de transporte de carga. Autorizados por Temer, os ministros cederam em 12 pontos. Entregaram do congelamento do diesel por 30 dias até R$ 5 bilhões em subsídios para atenuar o peso dos reajustes do combustível ao longo do ano. Redigiu-se um acordo. Mas nem todo mundo assinou. E quem subscreveu não falava pelos que estão sublevados nas estradas. Deu no que está dando.

9. Nesta sexta-feita, com as estradas ainda bloqueadas, o desabastecimento a pino, Temer voltou aos holofotes para avisar que o governo “agora terá a coragem de exercer sua autoridade em defesa do povo brasileiro.” O inquilino do Planalto trabalha com uma verdade própria. Por isso, ainda não percebeu que um presidente assessorado por um serviço de informações imprestável, sem liderança parlamentar e cercado de auxiliares que se desligaram da realidade já não tem condições de defender nem a si próprio. A autoridade presidencial derreteu faz tempo.

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CAMINHÕES LEVAM TEMER DA FANTASIA PARA O CAOS

26 maio 2018 CHARGES

PELICANO

26 maio 2018 PERCIVAL PUGGINA

ORA, PETROBRAS!

De onde a vejo, como cidadão e consumidor, a Petrobras é apenas uma empresa pública monopolista que, em perspectiva recente, adquiriu péssima reputação. Embora responda por 99% do petróleo refinado no Brasil e detenha o invulgar privilégio de fixar o preço de seu produto concorrente – o etanol –, permitiu que o governo anterior lhe criasse gravíssimos problemas financeiros e de imagem pública. Se eu tiver que escolher uma empresa para admirar e proteger, certamente ela não será monopolista, nem pública, nem vampirizada por corrupção ou corporativismo. Portanto, como cidadão brasileiro, o valor de suas ações me afeta muito menos do que a falta de combustível no posto da esquina.

E os caminhoneiros, grevistas da vez? Estão tapados de razão. Sintonizo com eles quanto aos preços dos combustíveis. Considero uma irracionalidade estarem submetidos a uma empresa monopolista que se concede o direito de alterar os preços de seus produtos dezenas de vezes por mês! Imagine uma indústria que adote a mesma prática em tempos de pequena ou nenhuma inflação. Imagine uma loja trocando diariamente, e mais de uma vez por dia, as etiquetas de preço na vitrina. Imagine isso num supermercado em tempos de preços estáveis. Loucura!

Como podem as atividades econômicas altamente dependentes dos combustíveis controlar seus próprios custos se um item tão importante oscila diariamente segundo a cotação do barril de petróleo, segundo a cotação do dólar, segundo as necessidades da Petrobras e segundo os interesses fiscais da União e das unidades da Federação? Tenho idade suficiente para afirmar que coisa igual nunca se viu. Não faltam razões, portanto, para a atitude dos caminhoneiros. Mesmo assim, sou contra o que estão fazendo. Não é a justiça da reivindicação que legitima a conduta dos manifestantes. Se aceitar que se tranquem rodovias, que se aterrorize a população com o pânico da escassez, que se leve caos à sociedade, devo admitir que as práticas delinquentes do MST se habilitem ao escrutínio da mesma lupa moral. E isso, por motivos óbvios, não posso fazer.

Uma soma algébrica de erros não produz um acerto. Agindo sobre erros antigos, não está certa a direção da Petrobras ao ver a empresa na perspectiva quase claustrofóbica em que a vê. Pedro Parente é um grande gestor, mas existe vida fora da Petrobras. Quando motoristas e transportadores usam a população e a escassez como forma de pressão, não estão a agir diferentemente de certos movimentos sociais que colocam mulheres e crianças na linha de frente de suas ações criminosas. O governo, ao tratar a Petrobras como se fosse uma prateleira de cristais, está deixando claro, para mim, que esses cristais não deveriam estar nessa prateleira.

26 maio 2018 CHARGES

LUTE

26 maio 2018 A PALAVRA DO EDITOR

TÁ TUDO PARADO…

Para animar um sábado parado, paradão, este Editor oferece aos grevistas uma música com Sula Miranda, a musa dos caminhoneiros.

Canta, Sula!

26 maio 2018 CHARGES

SPONHOLZ

26 maio 2018 DEU NO JORNAL

A CAMINHO DO BREJO

Cora Rónai

Um país não vai para o brejo de um momento para o outro — como se viesse andando na estradinha, qual vaca, cruzasse uma cancela e, de repente, saísse do barro firme e embrenhasse pela lama. Um país vai para o brejo aos poucos, construindo a sua desgraça ponto por ponto, um tanto de corrupção aqui, um tanto de demagogia ali, safadeza e impunidade de mãos dadas. Há sinais constantes de perigo, há abundantes evidências de crime por toda a parte, mas a sociedade dá de ombros, vencida pela inércia e pela audácia dos canalhas.

Aquelas alegres viagens do então governador Sérgio Cabral, por exemplo, aquele constante ir e vir de helicópteros. Aquela paixão do Lula pelos jatinhos. Aquelas comitivas imensas da Dilma, hospedando-se em hotéis de luxo. Aquele aeroporto do Aécio, tão bem localizado. Aqueles jantares do Cunha. Aqueles planos de saúde, aqueles auxílios moradia, aqueles carros oficiais. Aquelas frotas sempre renovadas, sem que se saiba direito o que acontece com as antigas. Aqueles votos secretos. Aquelas verbas para “exercício do mandato”. Aquelas obras que não acabam nunca. Aqueles estádios da Copa. Aqueles superfaturamentos. Aquelas residências oficiais. Aquelas ajudas de custo. Aquelas aposentadorias. Aquelas vigas da perimetral. Aquelas diretorias da Petrobras.

A lista não acaba.

Um país vai para o brejo quando políticos lutam por cargos em secretarias e ministérios não porque tenham qualquer relação com a área, mas porque secretarias e ministérios têm verbas — e isso é noticiado como fato corriqueiro da vida pública.

Um país vai para o brejo quando representantes do povo deixam de ser povo assim que são eleitos, quando se criam castas intocáveis no serviço público, quando esses brâmanes acreditam que não precisam prestar contas a ninguém — e isso é aceito como normal por todo mundo.

Um país vai para o brejo quando as suas escolas e os seus hospitais públicos são igualmente ruins, e quando os seus cidadãos perdem a segurança para andar nas ruas, seja por medo de bandido, seja por medo de polícia.

Um país vai para o brejo quando não protege os seus cidadãos, não paga aos seus servidores, esfola quem tem contracheque e dá isenção fiscal a quem não precisa.

Um país vai para o brejo quando os seus poderosos têm direito a foro privilegiado.

Um país vai para o brejo quando se divide, e quando os seus habitantes passam a se odiar uns aos outros; um país vai para o brejo quando despenca nos índices de educação, mas a sua população nem repara porque está muito ocupada se ofendendo mutuamente nas redes sociais.

26 maio 2018 CHARGES

CLAYTON

SONIA REGINA – SANTOS-SP

Sr. Editor,

publica na sua Gazeta o vídeo do Kim explicando no seu entendimento a mais nova crise dos cidadãos brasileiros.

O movimento representado pelo Kim é amado por uns e rejeitado por outros.

Mas, é sempre muito bom colocar aos leitores mais uma opinião para melhor refletir sobre o assunto.

26 maio 2018 CHARGES

DUKE

26 maio 2018 JOSIAS DE SOUZA

GOVERNO PAGA RESGATE, MAS PAÍS CONTINUA REFÉM

O baronato do transporte de carga sequestrou a rotina dos brasileiros sem levar o rosto à vitrine. Terceirizou o bloqueio de estradas aos caminhoneiros autônomos. No quarto dia, com o país submetido ao caos do desabastecimento, o Planalto cedeu integralmente às exigências. Em troca, obteve um armistício mixuruca de duas semanas, que não foi subscrito por todos os sequestradores da paz social. Quer dizer: o governo de Michel Temer pagou o resgate, mas o Brasil continua refém de uma ilegalidade: o locaute (pode me chamar de greve de patrões) é proibido pela legislação brasileira.

Nas palavras do negociador Eliseu Padilha, chefão da Casa Civil, o governo cedeu “tudo o que foi solicitado”. Isso inclui o tabelamento do preço do diesel por 30 dias e um subsídio para atenuar os reajustes até o final do ano. Para que a Petrobras não fique no prejuízo, o Tesouro Nacional (também conhecido como contribuinte) pagará à estatal a diferença entre o preço de mercado e o refresco servido à turma da roda presa. Coisa de R$ 5 bilhões até o final do ano, quando Temer será enviado de volta para casa. Ou para outro lugar.

Repetindo: armou-se algo muito parecido com uma versão envergonhada do controle de preços adotado sob Dilma Rousseff. A diferença é que, para não impor novos prejuízos à Petrobras, o custo do subsídio migrou do passivo da estatal para o bolso da plateia – que muita gente acredita ser a mesma coisa. Como dinheiro público não é gratuito, será necessário cortar os R$ 5 bilhões de outras áreas da administração pública. A última vez que o governo teve de fazer isso, transferiu verbas do seguro desemprego para cobrir o calote aplicado no BNDES pela Venezuela e por Moçambique.

Numa evidência de que o patronato utilizou os caminhoneiros como bonecos de ventríloquo, incluiu-se no acordo o compromisso do governo de não permitir que o Congresso reonere a folha salarial do setor. De novo: a folha das empresas transportadoras continuará isenta do pagamento de imposto. Tudo isso mais a redução de taxas e tributos que incidem sobre o diesel.

Admita-se que o governo não tinha outra alternativa senão negociar. Mas precisava fazer isso de joelhos? Não poderia ter condicionado as concessões à desinterdição prévia das rodovias? Era mesmo necessário passar a mão na cabeça do patronato que trafega no acostamento da legislação. Na manhã desta sexta-feira, ainda faltarão mantimentos na gôndola, combustível na bomba e remédios na prateleira. Mas nenhuma mercadoria é mais escassa no momento do que a autoridade presidencial.

Michel Temer tornou-se uma pequena criatura. Ninguém ignora que o personagem brigou para permanecer ao volante. Mas falta-lhe um itinerário. Consolidou-se como um ex-presidente no exercício da Presidência.

26 maio 2018 CHARGES

IOTTI

PEDRO MALTA – RIO DE JANEIRO-RJ

Berto,

Fui abastecer o carro agora e a frentista me informou que os tanques estavam vazios, não sabendo informar quando haverá reabastecimento.

Pensei bastante e decidi continuar esperando.

Acho que foi uma excelente decisão.

O que você acha?

R. Meu caro colunista fubânico, eu acho que você tomou a decisão mais acertada.

Acertadíssima!

Com uma frentista que tem uma lapa de bacurinha feito esta, polpuda e de fartos beiços bucetais, eu esperaria o tempo que fosse necessário.

Quanto mais demorado, melhor.

Eu esperaria, por exemplo, um tempo que fosse preciso pra um petista criar juízo.

26 maio 2018 CHARGES

AMARILDO

O RETRATO DA CRISE

O rebu em que meteram a economia já estava anunciada, faz tempo. Pena que as autoridades não percebiam e nem desconfiavam da insatisfação do povo contra os “Poderes” que faziam vista grossas para o desenrolar dos feitos que funcionavam meio atravessadas. Mas, a sociedade, sabendo de cor e salteado a série de mazelas que destrói as estruturas produtivas nacionais, já manifestava enorme preocupação. Embora, insignificante na questão, fosse esquecido. Desconsiderado como um zé ninguém. Obrigado a engolir a vaidade política na marra.

Foi graças à corrupção, aos desgovernos, à incompetência legislativa e à falta de ações políticas para sustentar a barra na posição correta, que a economia entortou, travou. Entrou em parafuso. É difícil admitir, mas a tristeza veio à tona tão logo os caminhoneiros resolveram protestar. Fazer justa greve. As repercussões foram imediatas. Paralizou meio mundo, causando impactos negativos em vários setores produtivos. Ocasionando embaraços na indústria, comércio, nos portos, postos, escolas, faculdades, aeroportos e, principalmente, nas centrais de abastecimento.

Aliás, a greve dos caminhoneiros, rejeitando os abusivos e repetidos aumentos do diesel, diante da passividade administrativa do país, foi o estopim para bloquear estradas, melar viagens, congestionar o trânsito, reduzir a frota de ônibus no transporte de passageiros, permitir a formação de filas em diversas áreas, obrigar hospitais a cancelar cirurgias eletivas, virar o cotidiano das cidades pelo avesso. Enfim, deixar o cidadão pê da vida com a profusão de erros e desacertos que implantam anormalidade no país, de cabo a rabo. Impedindo o escoamento da produção.

Até os visíveis desentendimentos entre os poderes constituídos que, falando línguas diferentes, tornaram-se impotentes para evitar as crises, impedir a instalação do caos na economia. E lembrar que há pouco tempo ensaiava os primeiros passos de reorganização. Registrava dados animadores para confrontar com os disparates deixados pelos governos meramente neoliberais e populistas.

Dói na alma, ver a população, inocente, sofrer as consequências do desabastecimento, assistir na televisão produtores despejar milhares de litros de leite no chão em vez de aproveitar na fabricação de queijo e laticínios, tão necessários para o consumo, por falta de condições de escoamento.

O protesto, necessário, trouxe vultoso prejuízo à Nação. Face o descaso administrativo, deduz-se estar o país entregue na mão de corruptos e de incompetentes. Daí os elevados impostos, a pesada carga tributária. Aliás, na América Latina, o Brasil é o maioral na cobrança de impostos. Não tem pareia, não. Cobra pouco sobre os lucros, mas, em compensação, exagera na seguridade social. Além de cobrar extensa lista de impostos, faz de maneira incorreta. Penaliza uns, enquanto salva a pele de outros. Por sinal, a minoria, de bem com a vida.

Não é brincadeira, não. Segundo estudos, em 2014, o brasileiro reservou um terço do Produto Interno Bruto somente para pagar impostos, taxas e contribuições. Desde 2005, a incidência tributária brasileira tem beirado os 33% do PIB. Situação alta demais a incidir demasiadamente na compra de mercadorias e serviços. Penalizando a pobreza.

Consta nos registros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico-OCDE que a carga tributária brasileira é semelhante à cobradas pelos 34 países mais ricos do mundo. Quer dizer, um país moribundo metido a besta, metendo a lenha numa sociedade pobre, lascada, sem renda suficiente até para viver decentemente.

Alertam os tributaristas sobre outras anomalias que endurecem a onerosa carga tributária brasileira. A intrincada quantidade de normas confusas, o Código Tributário Nacional data de 1966, é velhor pra burro, só serve mesmo é para complicar a cobrança de impostos. Além da Federação, cada estado e cada um dos 5.564 municípios tem legislação própria de tributos. Uma diferente da outra. Então, durma-se com um trambolho desse.

De cara, na opinião de especialistas, a carga tributária do país não se renova. Mantem a mesma estrutura do passado moldada em três qualificações altamente criticadas. Obsoleto, burocrático e ineficaz. Qualidades apropriadas para desmotivar o empreendedor. Expulsar o empreendedorismo das fronteiras brasileiras.

Ora, por que, então, não se faz a tão cobrada reforma para eliminar o veneno da nociva e pesada carga tributária. Simplesmente porque faltam governos peitudos capazes de consertar os erros acumulados, desde então. As primeiras ideias para reformar a legislação tributária surgiram após a Constituição de 1988. Porém, o desinteresse, as discórdias e rivalidades políticas desencorajam os debates, preferindo engavetar os projetos a colocar o nome no fogo. No meio da população, a única fera do pedaço.

Propostas de reforma tributária, existem nas gavetas do Congresso. O que falta é disposição para limpar o país de mazelas. É muito papo furado sustentando governos fracos, Congresso de duas caras, preocupados apenas em se manter na mídia, enquanto empurra a economia para os confins da fragilidade. Deixando-a excessivamente fraca. Sem chances de dar o pulo do gato rumo ao equilíbrio.

Com o proposito de evitar o brutal impacto financeiro que a greve dos caminhoneiros, embora justa, causou no país. Colocando a corda no pescoço no povo, sem culpa no cartório e incapaz de ficar dormindo de touca. Hábito comum entre os governantes e políticos de meia tigela que tem aparecido comumente no Brasil para arruinar o já sofrido cidadão. Vítima constante da irresponsabilidade política. Mas, com certeza, o mais arrebentado nesta atual parada, sofrendo com o desabastecimento, a sinceridade e a falta de transporte para atender os compromissos.

26 maio 2018 CHARGES

ADNAEL

26 maio 2018 DEU NO JORNAL

PALOCCI AFUNDA O PT

Na primeira vez em que ficou frente a frente com o juiz Sergio Moro, em abril de 2017, o ex-ministro e ex-todo-poderoso do PT Antônio Palocci já completava sete meses na cadeia. Foi quando resolveu dar o primeiro passo em busca de um acordo de delação premiada. Ao final de seu interrogatório como réu da Lava Jato, Palocci mandou um recado: “Eu tenho informações para mais de um ano de Lava Jato e entrego tudo: operações realizadas, nomes, endereços”. Desde então, Palocci foi condenado a 12 anos de prisão, denunciado mais três vezes pelo Ministério Público Federal e teve sucessivos pedidos de habeas corpus negados pela Justiça. Agora, Palocci já está preso há 20 meses.

A perspectiva de não sair tão cedo da cadeia levou-o ao desespero: emagreceu dez quilos e mergulhou em depressão profunda. Por isso, resolveu escancarar seu explosivo baú de confidências à Polícia Federal. ISTOÉ apurou que a delação contém elementos suficientes para dinamitar o PT, partido que ele ajudou a fundar. Suas revelações, feitas em longos depoimentos à PF em abril, envolvem principalmente os ex-presidentes Lula e Dilma, a quem acusa de práticas de corrupção estratosféricas. “A delação de Palocci destrói o PT”, diz um delegado da PF que participou das oitivas do ex-ministro. O roteiro está concluído e deve servir de base, nas próximas semanas, para novas condenações dos protagonistas do esquema. Como coordenador das campanhas que elegeram Lula e Dilma, Palocci detalhou à PF como eles usaram e abusaram de recursos das empreiteiras, desviados da Petrobras, para financiar as milionárias campanhas eleitorais e também utilizar o dinheiro sujo para o enriquecimento pessoal. E tudo armado dentro do gabinete presidencial no Palácio do Planalto.

A rota da propina

No depoimento, Palocci indicou a rota da propina, não se limitando a revelar como funcionava o esquema de corrupção. Ele citou valores, as empresas que pagavam as propinas e explicou como o dinheiro chegava às mãos dos petistas. Detalhadamente. Forneceu até o nome do motorista que fazia o transporte do dinheiro e as senhas que Lula usava na hora de se referir ao pagamento da propina. Como não dirigia seu próprio carro, Palocci mandava seu motorista particular levar os valores. Na delação, o ex-ministro apresentou datas, horários e locais onde o dinheiro era entregue. Um pacote chegou a ser deixado na sede do Instituto Lula em São Paulo por “Brani” ou Branislav Kontic, assessor direto do ex-ministro, num final de semana, fora do horário do expediente. No total, o ex-presidente, segundo Palocci, recebeu mais de R$ 10 milhões em dinheiro vivo das mãos de Brani. No apagar das luzes de 2010, quando Lula estava na iminência de deixar o Palácio do Planalto, o assessor transportou várias remessas de dinheiro vivo ao petista, em quantias que somavam R$ 50 mil cada pacote. Lula demonstrava discrição. Às vezes, mandava deixar o malote num local previamente combinado. Em outras ocasiões, escalava Paulo Okamotto para o serviço sujo.

As necessidades de lula

Esse dinheiro, de acordo com o depoimento de Palocci, servia para o ex-presidente custear suas próprias despesas. Todos os valores milionários estavam “depositados” na conta “Amigo”, mantida no departamento de propinas da Odebrecht. A conta chegou a ter R$ 40 milhões para atender as necessidades do ex-presidente. Os valores só podiam ser movimentados com autorização de Palocci, o “italiano”. O dinheiro era uma contrapartida à facilitação das operações da Odebrecht no governo Dilma, com quem Marcelo não tinha boa relação. Na delação, Palocci conta que, entre o final de 2013 e início de 2014, sacou da conta “Amigo” R$ 4 milhões para cobrir um rombo nas contas do Instituto Lula. Dessa vez, o ex-presidente designou Okamotto para cumprir a tarefa. Não teria sido a primeira nem a última. As expressões “resolve com o Okamotto” ou “o Okamotto vai lhe procurar” eram a senha para o recebimento da propina.“O Paulo Okamotto (presidente do instituto) me disse que tinha um buraco nas contas e me pediu ajuda para resolver”, explicou Palocci. Okamotto falava em nome de Lula. Autorizado por ele. Sempre.

Além desses valores, o ex-ministro revelou que Lula fechou com o patriarca da empreiteira, Emílio Odebrecht, um “pacote de propinas” no valor de R$ 300 milhões para que o ex-presidente e Dilma utilizassem sempre que fosse preciso. O dinheiro foi usado nas campanhas petistas, sobretudo na de 2014. Os recursos eram usados ainda para pagar palestras fictícias de Lula. Sua empresa de palestras, a LILS, recebeu pelo menos R$ 30 milhões de empreiteiras a título de conferências não realizadas.

Somente durante a criação da Sete Brasil, em 2010, foram desviados R$ 153 milhões, dos quais 50% foram para atender Lula. O esquema foi discutido dentro do Palácio do Planalto, no gabinete presidencial, de acordo com a delação de Palocci. A Sete Brasil foi constituída para produzir sondas de exploração de petróleo para a Petrobras, com a participação da Odebrecht, OAS e UTC. Somente seis sondas da Sete Brasil custariam US$ 4,8 bilhões, com o pagamento de 1% dos contratos em propinas, inclusive para o bolso de Lula, identificado nessa operação como “sapo barbudo” por Pedro Barusco, ex-gerente da Petrobras e dirigente da Sete Brasil. Já tornada pública, a chamada operação Kadafi foi confirmada por Palocci, segundo apurou ISTOÉ. O ex-ministro ratificou que o líder líbio Muamar Kadafi, morto em 2011, enviou ilegalmente R$ 1 milhão para a campanha de Lula em 2002.

A ex-presidente Dilma mereceu um capítulo especial na memória infalível de Palocci. Depois de Lula, a ex-presidente deposta foi a mais implicada na delação. O ex-ministro confessou ter participado de um esquema que escoou R$ 50 milhões da Braskem (empresa do grupo Odebrecht), no processo de renegociação de dívidas com a União. A propina foi acertada em 2009, num negócio envolvendo o então presidente Lula e o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, nos gabinetes palacianos. O dinheiro foi usado na campanha que elegeu Dilma em 2010. Palocci disse que o acerto foi detalhado num encontro, com a presença de Dilma, no qual Lula teria falado abertamente sobre a arrecadação de valores ilícitos para a campanha da sua sucessora. Dilma não impunha resistência. Agia naturalmente. Dava aval aos ilícitos. Lula também pediu propinas do pré-sal para campanha de Dilma, segundo Palocci “Ele (Lula) disse: ‘o Palocci está aqui, Gabrielli, porque ele vai lhe acompanhar nesse projeto, porque ele vai ter total sucesso e para que garanta que uma parcela desses projetos financie a campanha da Dilma’.

Outro “projeto” fora montado para irrigar propina para a atual presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PT), segundo a delação de Palocci. De acordo com o ex-ministro, o PT havia recebido R$ 50 milhões para ajudar na anulação das provas da Operação Castelo de Areia no Superior Tribunal de Justiça. O dinheiro foi repassado ao partido pela empreiteira Camargo Corrêa, a principal encrencada na operação. Parte da propina foi destinada à campanha da senadora Gleisi.

Além da delação, para obter a redução de pena e deixar a cadeia, Palocci se compromete a devolver pelo menos R$ 50 milhões dos R$ 81 milhões que sua empresa, a Projeto, teria recebido irregularmente entre 2007 e 2015. Nesse período, a empresa faturou mais de R$ 200 milhões junto a 47 clientes. A delação foi acertada com os delegados da PF sem qualquer participação do Ministério Público Federal, o que provocou uma crise entre as instituições. O MPF considerou os relatos de Palocci insuficientes. A PF, contudo, considerou que a delação estava estruturada em fatos consistentes, com provas substanciais e caminhos percorridos pelo dinheiro da propina.

Relaxantes

Agora, o destino de Palocci está nas mãos do desembargador Gebran Neto, que está prestes a dizer se homologa ou não a delação. Antes de tomar uma decisão, o desembargador submeteu o acordo ao MPF de Porto Alegre, sob a coordenação da procuradora Maria Emília Corrêa Dick. O prazo para o MPF emitir seu parecer terminou na quinta-feira 24. A perspectiva de liberdade fez Palocci melhorar o humor. Foi autorizado pelos agentes da PF a manter um pequeno jardim numa das floreiras perto de sua cela, onde há sol e chuva. Lá, o ex-ministro cultiva plantas como lavanda e alecrim, essências que exalam um aroma agradável e possuem substâncias relaxantes. É o que muita gente do PT vai precisar ingerir, depois que a delação de Palocci vir à tona.

As malas de diamantes de Cabral

PF rastreia dinheiro desviado por Sérgio Cabral e encontra indícios de que a propina foi usada para comprar a preciosa pedra, depositada hoje num banco em Nova York. Palocci sabia de esquema.

PEDRA SOBRE PEDRA – Palocci teria conhecimento das malas preciosas de Cabral e pode contar tudo ao MP

Ao contrário dos corruptos convencionais, acostumados a guardar propina em mala de dinheiro, o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral criou um esquema ainda mais sofisticado para camuflar o dinheiro sujo da corrupção. Como os árabes, Cabral cultivava o hábito de usar os bilionários recursos desviados para adquirir malas e malas de diamantes. A Polícia Federal suspeita que as maletas contendo as pedras preciosas estejam depositadas numa instituição financeira norte-americana dentro de um cofre. Eram recorrentes as viagens de Cabral para Nova York a bordo de dois jatinhos: um de propriedade de Eike Batista e outro cujo dono era Andre Esteves, do BTG. Há indícios de que o dinheiro para compra de diamantes teria sido transportado pelas duas aeronaves. Quando pousava em Nova York acompanhado de sua entourage, Cabral invariavelmente se hospedava no luxuoso St. Regis localizado na 55th street. Segundo apurou ISTOÉ, o ex-ministro Antonio Palocci era um dos que tinham conhecimento do esquema. E poderá esclarecê-lo caso haja interesse por parte do Ministério Público e da PF.

Como se sabe, cerca de 90% dos diamantes nos Estados Unidos entram por Nova York. A capital norte-americana dos diamantes, que abriga em Manhattan o Diamond District, entre a quinta e a sexta avenida, só perde em importância para Antuérpia, na Bélgica, onde são comercializados 80% dos diamantes brutos e 50% dos lapidados no mundo. O bairro cresceu em importância quando os nazistas alemães invadiram a Holanda e a Bélgica, forçando milhares de judeus ortodoxos a seguirem pelo caminho dos negócios de diamantes, no intuito de fugir de Antuérpia e Amsterdã e se estabelecer em Nova York.

A maioria deles permaneceu após a Segunda Guerra Mundial, e continuam a ser uma influência dominante. Com a investigação, que pode contar com a contribuição de Palocci, a PF espera encaixar a última peça do quebra-cabeças do bilionário esquema de Cabral: para onde ele mandou a maior parte da propina que amealhou. A cada avanço na apuração, a PF reforça a convicção de que o dinheiro lapidado por Cabral acabou convertido em reluzentes diamantes.

Transcrito da revista IstoÉ

26 maio 2018 CHARGES

JORGE BRAGA

SONETO DO CORPO

Teu corpo de menina
é vela ao vento e é o vento,
astro e seu firmamento,
e a noite e a luz divina.

Arquitetura fina
de luz, e brisa, e graça:
matéria tão escassa,
que tanta alma ilumina!

Ânfora em que sem jaça
a luz à luz se enlaça
num mesmo e ardente nume.

Pureza e transparência:
a urna e sua essência
serem ambas perfume!

26 maio 2018 CHARGES

RICO

LUIZ PEIXOTO – FORTALEZA-CE

Caro editor da melhor e mais escrota gazeta do mundo.

Será possível postar essa pequena lembrancinha aos desmemoriado??

Grato

R. Não!!!

Esta eu não acredito!!!

Quer dizer, então, que o nosso estimado confrade fubânico Ceguinho Teimoso, devoto do Deus Lula, votou no Temer???!!!

É isto mesmo???

Foram os petistas que elegeram Michel?

Estou bestificado e estupefato.

Me tire uma dúvida, caro leitor:

E quem foi o golpista que deu ordem pra que Temer fosse vice de Dilma na chapa do PT?

E mais: que deu ordem pra Dilma fazer discursos de campanha elogiando Temer?

Hein?

Esta é uma dúvida cruel que martela o meu juízo.

Teria sido a CIA, os capitalistas istranjeiros ou as zelites reacionárias banânicas da direita???

Hein???

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26 maio 2018 CHARGES

THIAGO LUCAS


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