26 maio 2018GENTE COMO A GENTE



Por que a realeza ainda exerce tanto fascínio mundo afora? Talvez porque exista muita gente querendo viver um conto de fadas como reis e rainhas, príncipes e princesas. Enquanto essa ilusão não se materializa, essa gente contenta-se em admirar o gozo de outros, especialmente, se quem galgar àquele mundo encantado seja uma plebeia como Meghan Markle, tão gente quanto a gente.

Há 127 anos o Brasil viu desmoronar a monarquia, mas permaneceu encruado na memória do nosso povo o vírus do regime político. Entre os brasileiros, aos que se distinguem por seus valores ou por suas ações extraordinárias não se atribuem tratamentos do tipo herói, ídolo ou expoente nacional. A pessoas lendárias, em diferentes atividades, lhes tascam, de imediato, o epíteto de Rei ou Rainha.

No futebol temos o Rei Pelé, na música o Rei Roberto Carlos e nas novelas a Rainha da Sucata. Se o empresário desejar alavancar as vendas de qualquer produto basta alia-lo à realeza: Rei dos Colchões, Rainha dos Brinquedos, et cetera e tal. Tudo para fazer pensar que gente como a gente pode desfrutar do mundo da realeza.

Das 28 monarquias existentes no mundo, a maioria delas não exerce qualquer poder de mando em países sob sistemas parlamentaristas ou presidencialistas. Os membros dessas cortes atuam como figuras decorativas dando apenas continuidade a tradições seculares, onde súditos adoram venerar seus reis.

Sim, a tradição é a força motriz desses regimes, dentre os quais se sobressai o Reino Unido da Grã-bretanha. A família real inglesa já ensaiava se aproximar de gente como a gente, desde quando o Rei Edward VIII, também imperador da Índia, abdicou do trono para casar com a americana divorciada Wallis Simpson, em 1936.

Na modernidade a princesa Diana, mais conhecida como Lady Di, antes da coroação gente como a gente, tornou-se a queridinha dos súditos. Ao ser traída pelo esposo Charles, o príncipe de Gales, com o qual teve os filhos William e Harry, rompeu com a realeza e foi viver a própria vida retornando à condição de gente como a gente.

Agora, se viva fosse, a princesa Diana veria o seu filho imitando o tio-avô Edward ao se casar com uma divorciada, ainda por cima mulata. Aplaudiria o filho quebrando tabus ao usar barba com uniforme militar e convidando um bispo americano negro para abrir a cerimônia do seu casamento, e esfregar na cara da monarquia a responsabilidade pela desgraça do comércio escravocrata nos séculos XVII a XIX.

Acontece de todos eles também serem gente como a gente, quando se trata de manias, vícios, desejos, fraquezas, maldades, egoísmos, mesquinharias e traições. A diferença está na capacidade de controlar ou bem esconder tais sentimentos degradantes de seus vassalos, gente como a gente.

No que pese a aura de quase divindade atribuída a membros da família real inglesa, nunca se ouviu falar que, no meio de gente como a gente, mesmo motivado por uma paixão arrebatadora, alguém desejasse servir de absorvente íntimo para a amada, como confidenciou Charles para Camilla num telefonema grampeado:

Charles – Quero passear ao longo do teu corpo inteiro, passar sobre você, para cima e para baixo, para dentro e para fora. Eu poderia, simplesmente, viver dentro de tuas calças ou alguma coisa assim… Seria muito mais fácil!

Camilla – Você vai virar o quê, uma calcinha? Você vai voltar na forma de uma calcinha?

Charles – Ou então de um Tampax. Queria ter essa sorte!

Vossa Alteza, poupe-nos, isso não é desejo nem sorte de gente como a gente, não!

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