O RETRATO DA CRISE

O rebu em que meteram a economia já estava anunciada, faz tempo. Pena que as autoridades não percebiam e nem desconfiavam da insatisfação do povo contra os “Poderes” que faziam vista grossas para o desenrolar dos feitos que funcionavam meio atravessadas. Mas, a sociedade, sabendo de cor e salteado a série de mazelas que destrói as estruturas produtivas nacionais, já manifestava enorme preocupação. Embora, insignificante na questão, fosse esquecido. Desconsiderado como um zé ninguém. Obrigado a engolir a vaidade política na marra.

Foi graças à corrupção, aos desgovernos, à incompetência legislativa e à falta de ações políticas para sustentar a barra na posição correta, que a economia entortou, travou. Entrou em parafuso. É difícil admitir, mas a tristeza veio à tona tão logo os caminhoneiros resolveram protestar. Fazer justa greve. As repercussões foram imediatas. Paralizou meio mundo, causando impactos negativos em vários setores produtivos. Ocasionando embaraços na indústria, comércio, nos portos, postos, escolas, faculdades, aeroportos e, principalmente, nas centrais de abastecimento.

Aliás, a greve dos caminhoneiros, rejeitando os abusivos e repetidos aumentos do diesel, diante da passividade administrativa do país, foi o estopim para bloquear estradas, melar viagens, congestionar o trânsito, reduzir a frota de ônibus no transporte de passageiros, permitir a formação de filas em diversas áreas, obrigar hospitais a cancelar cirurgias eletivas, virar o cotidiano das cidades pelo avesso. Enfim, deixar o cidadão pê da vida com a profusão de erros e desacertos que implantam anormalidade no país, de cabo a rabo. Impedindo o escoamento da produção.

Até os visíveis desentendimentos entre os poderes constituídos que, falando línguas diferentes, tornaram-se impotentes para evitar as crises, impedir a instalação do caos na economia. E lembrar que há pouco tempo ensaiava os primeiros passos de reorganização. Registrava dados animadores para confrontar com os disparates deixados pelos governos meramente neoliberais e populistas.

Dói na alma, ver a população, inocente, sofrer as consequências do desabastecimento, assistir na televisão produtores despejar milhares de litros de leite no chão em vez de aproveitar na fabricação de queijo e laticínios, tão necessários para o consumo, por falta de condições de escoamento.

O protesto, necessário, trouxe vultoso prejuízo à Nação. Face o descaso administrativo, deduz-se estar o país entregue na mão de corruptos e de incompetentes. Daí os elevados impostos, a pesada carga tributária. Aliás, na América Latina, o Brasil é o maioral na cobrança de impostos. Não tem pareia, não. Cobra pouco sobre os lucros, mas, em compensação, exagera na seguridade social. Além de cobrar extensa lista de impostos, faz de maneira incorreta. Penaliza uns, enquanto salva a pele de outros. Por sinal, a minoria, de bem com a vida.

Não é brincadeira, não. Segundo estudos, em 2014, o brasileiro reservou um terço do Produto Interno Bruto somente para pagar impostos, taxas e contribuições. Desde 2005, a incidência tributária brasileira tem beirado os 33% do PIB. Situação alta demais a incidir demasiadamente na compra de mercadorias e serviços. Penalizando a pobreza.

Consta nos registros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico-OCDE que a carga tributária brasileira é semelhante à cobradas pelos 34 países mais ricos do mundo. Quer dizer, um país moribundo metido a besta, metendo a lenha numa sociedade pobre, lascada, sem renda suficiente até para viver decentemente.

Alertam os tributaristas sobre outras anomalias que endurecem a onerosa carga tributária brasileira. A intrincada quantidade de normas confusas, o Código Tributário Nacional data de 1966, é velhor pra burro, só serve mesmo é para complicar a cobrança de impostos. Além da Federação, cada estado e cada um dos 5.564 municípios tem legislação própria de tributos. Uma diferente da outra. Então, durma-se com um trambolho desse.

De cara, na opinião de especialistas, a carga tributária do país não se renova. Mantem a mesma estrutura do passado moldada em três qualificações altamente criticadas. Obsoleto, burocrático e ineficaz. Qualidades apropriadas para desmotivar o empreendedor. Expulsar o empreendedorismo das fronteiras brasileiras.

Ora, por que, então, não se faz a tão cobrada reforma para eliminar o veneno da nociva e pesada carga tributária. Simplesmente porque faltam governos peitudos capazes de consertar os erros acumulados, desde então. As primeiras ideias para reformar a legislação tributária surgiram após a Constituição de 1988. Porém, o desinteresse, as discórdias e rivalidades políticas desencorajam os debates, preferindo engavetar os projetos a colocar o nome no fogo. No meio da população, a única fera do pedaço.

Propostas de reforma tributária, existem nas gavetas do Congresso. O que falta é disposição para limpar o país de mazelas. É muito papo furado sustentando governos fracos, Congresso de duas caras, preocupados apenas em se manter na mídia, enquanto empurra a economia para os confins da fragilidade. Deixando-a excessivamente fraca. Sem chances de dar o pulo do gato rumo ao equilíbrio.

Com o proposito de evitar o brutal impacto financeiro que a greve dos caminhoneiros, embora justa, causou no país. Colocando a corda no pescoço no povo, sem culpa no cartório e incapaz de ficar dormindo de touca. Hábito comum entre os governantes e políticos de meia tigela que tem aparecido comumente no Brasil para arruinar o já sofrido cidadão. Vítima constante da irresponsabilidade política. Mas, com certeza, o mais arrebentado nesta atual parada, sofrendo com o desabastecimento, a sinceridade e a falta de transporte para atender os compromissos.

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