STATUS QUO

Os velhos problemas do Brasil nos são apresentados como se novos fossem. Diariamente.

O estado das coisas não mudam o Estado. Digo, o brasileiro.

Todos se dizem inocentes antes e depois; como também proclamam culpados ontem e hoje. Sempre os mesmos nomes.

Mas nós só ouvimos os gemidos dos inocentes, de fato, esses preocupados com o porvir.

Há gente defendendo por correto exatamente o contrário do que dizia ser errado há alguns anos.

Vejo outros, irritados no passado, comemorando hoje as ações de protestos tantas vezes condenadas.

E assim seguimos nós, a cada dia um novo passo.

Com o Brasil passando vergonhosamente na TV.

Indo em busca do caos fantástico pela divisão de ideais.

De ideais. Não de ideias. Afinal, as ideias são tão poucas, sequer podem ser divididas.

Entre os grupos divididos – cada um ao seu modo – impera a necessidade de manutenção do seu próprio status quo, sob um lençol manchado pelo fanatismo exacerbado; fantasiado de luta de princípios, em suas sujeiras de noites mal explicadas, quando cobriam – ou cobrem – a pior das prostituições: a da moral.

Conveniente divisão do estado das coisas.

Porque o fanatismo é conveniente a quem está pendurado, de alguma forma se beneficiando, em qualquer braço do Estado, dos sindicatos, dos movimentos tidos por sociais, ou dos patronatos. E seja lá qual for o corpo desse braço, a corda esticada foi trançada na mais pura exploração de outrem. O nó de segurança é a mais pura falta de ética. Sobra apenas a covardia de quem luta armado e em um exército de muitos, contra poucos sem armas.

A esperança resiste entre pedras, em solo seco e infértil, cultivada por muitos com quase meio século de “boa vontade”; hoje apresentados como “Salvadores da Pátria”; quando na verdade suas pátrias estão por trás dos seus próprios umbigos, por baixo da pele da falsidade, da gordura da hipocrisia e músculos da dissimulação. Um pouco mais abaixo do coração cujo único sentimento é o desejo do poder pelo poder do status.

Os mesmos beneficiados pelo estado das coisas do Estado, há tantos anos que se perde a conta de quantos são.

8 comentários

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    • Sonia Regina em 27 de maio de 2018 às 15:11
    • Responder

    Sr. Miúdo, com esse salseiro que convivemos já faz muito tempo, dói ouvir dirigentes de todas as esferas discursando o tempo todo, sem dizer nada e principalmente, não admitindo que erraram e vão tentar acertar daqui pra frente.

    Já foi o tempo do País do: “Futebol, Cerveja e Samba”. No futebol, 7×1, a cerveja tá muito cara e sem gosto e o Samba está meio esquecido, com falta de bons compositores.

    O resto meu amigo, é conversa mole pra boi dormir.

    Gostei do seu texto.

      • Jesus. em 28 de maio de 2018 às 08:29
      • Responder

      O futebol tenta sair do Departamento Médico, a cerveja de milho amarga no bolso e o samba atual tem se tornado apenas um “Sonho Meu”.
      Obrigado por sua atenção, Sônia

    • Maurício Assuero Lima de Freitas em 27 de maio de 2018 às 15:59
    • Responder

    Como dizia Cazuza: “meus heróis morreram de overdose, meus inimigos estão no poder”

      • Jesus de Ritinha de Miúdo em 28 de maio de 2018 às 08:34
      • Responder

      Maurício, Cazuza cantou e gravou isso em 1988. Há exatos trinta anos!
      Os inimigos dele, que estavam no poder, passados todos esses anos continuam lá.
      E ainda temos gente brigando por eles.
      Em tempo: a frase citada por você é parte da música Ideologia, do álbum Ideologia, trabalho de estúdio do Cazuza. Eu o tenho em LP.

    • Ex-microempresário em 27 de maio de 2018 às 18:04
    • Responder

    O brasileiro se queixa de “problemas”, como se eles não fossem simplesmente as consequências das escolhas que fazemos.

      • jesus de Ritinha de Miúdo em 28 de maio de 2018 às 08:36
      • Responder

      Enta ano e sai ano.

    • Marcos Pontes/DF em 27 de maio de 2018 às 21:04
    • Responder

    Comentário perfeito ex-micro, nada acontece por acaso, é simplesmente o acúmulo de erros do passado.

      • Jesus de Ritinha de Miúdo em 28 de maio de 2018 às 08:37
      • Responder

      “(…) como se novos fosse.”

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