NUVEM, NEBLINA, CHUVA

Escureço-me
e me faço bonito pra chover.
Sou nada suspenso no ar
precipitando-me até virar nuvem.
Vapores e partículas de gelo
enfeitam o céu
fazendo e desmanchando bichos no alto azul.
Elefantes, jacarés, em breve instante,
passeiam lá no alto
antes de se trasformarem em girafas e em nada.
Neblino.
O ar resfriado me faz líquido
e então gotejo e viro água.
Pinto de verde o chão
e assisto à parição de frutos doces.
O que era semente vira alimento.
Lavo sonhos e enxaguo mágoas.
Águas sou.
Tempo líquido de um quase inverno.
Sou chuva.

2 comentários

    • CÍCERO TAVARES em 31 de maio de 2018 às 17:45
    • Responder

    Mestre Xico Bizerra:

    Tarde, sim, por falta de tempo! Mas passei por aqui para dizer-lhe que tomei banho nessa água sem me resfriar! Aliás, limpei minha alma sem ensaboar.

    Lindos são seus poemas! De uma leveza que faz a gente chorar de emoção; emoção não de tristeza mais de alegria no peito pela suavidade dos versos!

    Lindos!

    Parabéns, grande poeta, letrista, músico e honesto!

    • Cardeal XICO BIZERRA em 1 de junho de 2018 às 08:03
    • Responder

    Cícero amigo, obrigado, mais uma vez. A água, quando é boa, dispensa o ensaboar. E a alma, lavada, fica mais leve, sem provocar resfriados. Banhemo-nos, todos, nas águas da Paz, na neblina da alegria, na tempestade das coisas boas. Grande abraço,

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