RAIO X DA SOLUÇÃO OU DO PROBLEMA?

Para solucionar algumas crises passadas, PSDB e PT quando não subsidiavam o objeto daquela peleja, acabavam criando cargos comissionados. Era a prática do “cala a boca. Volta para casa”.

O que não fica muito longe da intenção atual do governo do MDB através de Temer; aliás repetindo um modo de solução adotado por Sarney, do velho PMDB (velho pelo passar dos anos. Afinal, as caras ainda são as mesmas no novo MDB. As mesmas!), e copiado por seus sucessores de PSDB e PT.

No Brasil temos seiscentos mil (!) cargos comissionados. Nos EUA, com uma população cinquenta por cento maior, pois bem, lá existe algo em torno de sete mil.

Há pouco li algo desesperador escrito em julho de dois mil e dezesseis: Um “relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) revelou a administração pública federal – incluindo Executivo, Legislativo e Judiciário federais – gastando hoje R$ 3,47 bilhões por mês com funcionários em cargos de confiança e comissionados. O valor representa 35% de toda a folha de pagamento do funcionalismo público na esfera federal, que é de R$ 9,6 bilhões mensais”.

O quadro continua o mesmo.

Para sustentar essa turminha, cria-se ou aumenta-se impostos.

A luta por um Estado mínimo é colocada à margem pela maioria da mídia, sensacionalizando e minimizando tudo, como se as ações de protestos fossem exclusividade de uma classe se defendendo absurdamente. Ainda demoniza os insatisfeitos.

Por outro lado, a boa maioria rebatendo essa mídia, acusando-a por exemplo de vendida, se perde em seu discurso por pertencer justamente aos quadros comissionados de alguma estatal, município, unidade federativa ou federal de fato. A maioria, eu disse. Não todos.

Essa “boa maioria” luta por menos impostos, preços mais justos, mais empregos, bem-estar social, e esquece do aparelhamento do Estado sendo o maior empecilho para esses fins.

Menos políticos, menos assessores, menores salários marajás no setor público, menos aspones, menos cargos comissionados, menos auxílios…

Afinal, como em todas as crises anteriores, desde 1986, para a solução desse momento ora visto e parando o Brasil, nenhum cargo será extinto, nenhuma estatal deficitária será negociada ou se cortará os soldos da sua diretoria apadrinhada, nenhum salário acima do teto (os marajás do poder público) será diminuído, nenhum auxílio deixará de ser pago, nenhuma super-aposentadoria será reavaliada… Enfim, nenhum privilégio de qualquer natureza cairá. Seja de cartão corporativo, carro, de moradia, de paletó, passagens, estadias, etc.

O governo novamente tenta resolver a crise com mais subsídios, e outra vez a conta cairá em nosso colo.

Os três poderes continuarão no ápice das despesas do Estado. Neles não pode haver mudança alguma, porque o loteamento do Estado em troca de apoio não pode ser revisto por quem faz a lei para dela se beneficiar. São os mesmos que, por suas ações e colocações tantas vezes jogadas para a arquibancada, no fundo acham melhor o Estado deixando de investir em Educação, em Saúde e em Segurança. Porém, mexer em seus privilégios nem pensar!

Se o governo não corta na carne do Estado, continuará cortando na carne da nação.

E nós continuaremos chorando e sangrando, nos dividindo de acordo com o que mais lemos ou ouvimos.

Ou seja, com o sentimento forte naquilo mais alimentado por nossa atenção.

5 comentários

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  1. Querendo ou não , estamos em um circo onde os palhaços pagam ingressos exorbitantes para ficarem na platéia.

      • Jesus de Ritinha de Miúdo em 29 de maio de 2018 às 16:05
      • Responder

      Excelente metáfora.

    • Ex-microempresário em 29 de maio de 2018 às 12:51
    • Responder

    Um ex-colega de trabalho meu dizia sempre: Quando um brasileiro lê uma notícia como essa dos setecentos mil cargos comissionados, exclama “que absurdo!”, mas o que ele está pensando é “preciso arrumar uma boquinha dessas para mim.”

      • Jesus de Ritinha de Miúdo em 29 de maio de 2018 às 16:04
      • Responder

      Ei, ex-micro, também sou um ex-micro/sofredor/empresário. Tive setenta e seis funcionários no auge da minha produção de confecções.
      No meu caso sou ex-micro, não por opção, mas assumo a minha incapacidade administrativa, somada a um cenário mundial com a China entregando aqui no Brasil o mesmo produto 60% mais barato que o meu. Dois motivos – entre tantos – me proporcionando uma quebrada bem traumática até hoje.
      Depois que quebrei, já sendo um trintão e tome força, fui parar nos bancos de uma Universidade Federal (a UFRN), cursei Administração na única intenção de entender o porquê daquela quebrada. Saí quatro anos e meio mais tarde, com novos conceitos, ideias e ideais; com um TCC falando sobre “ética nos negócios e nos corredores das empresas públicas” recebendo um dez de nota.
      Porém, a ideia mais forte em minha mente, divergindo das outras quarenta e três se formando comigo, era a de não ser um funcionário público. Aliás, nos debates em sala eu sempre argumentava da pobreza de um país investindo em jovens universitários, cujos sonhos comuns eram a aprovação em um concurso público. Triste realidade a nossa, em nada mudada nesses dez anos passados da minha formatura. O jovem continua estudando e se dedicando para ser um funcionário público.
      O que quero lhe dizer é que, por pura convicção, estou totalmente fora desse dizer do seu ex-colega de trabalho.
      Hoje sou CLT de uma conceituada indústria de alimentos, sem qualquer vontade de ter boquinha no bolo do Estado. Embora oportunidades já não tenham batido à porta.

      PS.: Todo o meu respeito ao funcionalismo público. Não o denigro em absolutamente nada. Pelo contrário, é salutar que o tenhamos.
      Só acredito que nenhum Estado pode empregar tanto, da forma como emprega o nosso.

        • Ex-microempresário em 29 de maio de 2018 às 17:37
        • Responder

        Jesus, desculpe-me se dei a impressão de que penso que todos são assim. Me refiro à maioria, infelizmente. Claro que há exceções.

        Mas como vc mesmo disse, em qualquer sala de universidade, a grande maioria quer mesmo é virar funcionário público. E mesmo que proclame suas melhores e mais puras intenções, nenhum deles vai reclamar quando descobrir que pode trabalhar muito pouco e continuar ganhando a mesma coisa. De novo, há exceções.

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