PRA8 – RÁDIO CLUB DE PERNAMBUCO (1919)

Rádio Clube de Pernambuco

Com a suspensão da censura telegráfica, em janeiro de 1918, os telegrafistas amadores do Recife tiveram suas atenções despertadas no sentido da criação de um Instituto de Telegrafia sem Fio. Um esboço dos estatutos dessa sociedade é conservado pela Fonoteca da Fundação Joaquim Nabuco, no qual estão relacionados os primeiros associados com seus respectivos prefixos: Abelardo Rego Barros, ARB; George E. Gatis, GEG; João P. Lyra, QCT; Augusto Pereira, MJV; Lino M. Cerqueira, LCB; Luiz de Carvalho, LCB; Alfredo Watts, AWG.

Em seis de abril de 1919, segundo noticia a edição vespertina do Jornal do Recife, é fundado uma associação, com o objetivo de congregar amadores em radiotelegrafia, sob a denominação de Radio Club:

Consoante convocação anterior, realizou-se ontem na Escola Superior de Eletricidade, a fundação do Rádio Club, sob auspícios de uma plêiade de moços que se dedicam ao estudo da eletricidade e da Telegrafia sem fio.

Ninguém desconhece a utilidade e proveito dessa agremiação, a primeira no gênero fundada no país.
Foram tomadas diversas medidas, como sejam, designações de comissões para se entenderem com as autoridades do Estado etc.

Ao Exmo. Sr. Ministro da Viação foi endereçado um telegrama comunicando a instalação do club e solicitando a sua Excia. o seu patriótico apoio a novel associação.

Procedida a eleição para a diretoria, esta deu o seguinte resultado:

Presidente, Augusto Pereira; secretário Alexandre Braga; orador, Carlos Rios; tesoureiro, Artur Coutinho; suplentes, 1º secretário Severino Mendonça; 2º Alfredo Watt e 3º Ismar Just.

Almejamos ao Rádio Club um êxito feliz no seu desiderato.

Três meses após a criação da sociedade, já a revista Radio Amateur News, dos Estados Unidos, em seu segundo número, agosto de 1919, publica carta de Augusto Pereira comunicando a fundação do Rádio Club e solicitando ao editor cópia do texto da lei americana que permitia aos amadores usar seus aparelhos de radiotelegrafia, a fim de fundamentar a elaboração de projeto-lei, com o mesmo objetivo, a ser submetido ao Congresso Nacional.

O Rádio Club teve como primeira sede o pavilhão do Jardim Treze de Maio, segundo depreende-se do nº 193, de doze de setembro de 1919, da Imprensa Oficial, órgão do Governo do Estado de Pernambuco.

O número de associados crescia. Havia até quem, como Tito Xavier, residente em Casa Amarela, fizesse transmissões em radiodifusão, irradiando músicas a revelia das proibições da legislação de então.

A falta de uma legislação específica veio dificultar o trabalho daqueles pioneiros, alguns dos quais dedicados aos estudos da física e da meteorologia, a exemplo de Augusto Pereira e Luiz Temporal. A instalação de um simples receptor de rádio era objeto de longo processo burocrático, com requerimentos ao Chefe de Polícia, Ministro da Viação, Diretor Geral dos Telégrafos, dentre outras autoridades.

Em treze de outubro de 1923, o Diario de Pernambuco publicava em sua terceira página, a seguinte nota:

Radio Club de Pernambuco – Os srs. João Cardozo Ayres, Antônio Ramiro Costa, Augusto Pereira, Floriano Costa, Carlos Lacombe, Oscar M. [Moreira] Pinto, Carlos Lyra Filho, João Pereira de Lyra, Oscar Dubeaux Pinto, Tito Xavier e Mário Penna, reorganizadores do Rádio Club de Pernambuco, convidam a todos os interessados e amadores da utilidade radioelétrica a se reunirem no salão do Diario de Pernambuco na próxima terça-feira, 16 do corrente, às 20 horas, a fim de reformarem a instituição que terá por fim vulgarizar e defender os interesses da radio eletricidade.

Em sua edição de dezoito de outubro do mesmo ano de 1923, o Diario de Pernambuco noticia o fato:

Atendendo ao desenvolvimento que há tomado a radiotelegrafia e a radiotelefonia, em todo mundo, o Rádio Club de Pernambuco, organizado em 1919, procurou, para dar maior elasticidade a sua ação, reorganizar-se com elementos que possam levá-lo a bom termo.

Assim foi largamente publicado pela imprensa um convite às pessoas a quem possa interessar o assunto, para uma reunião, ontem, às 20 horas, no salão nobre do Diario de Pernambuco.

Presente grandes números de cavalheiros de conceito do nosso meio social foi, pelo sr. Augusto Pereira – um dos principais fundadores do Rádio Club na sua primeira fase – aberta a sessão, com ligeiro discurso, após o qual convidou o sr. Oscar [Moreira] Pinto, propagandista de radioeletricidade, para presidir os trabalhos.

Após a reunião, de que foi lavrada a ata abaixo transcrita, e que recebeu animador número de assinaturas das pessoas presentes, foi feita, com pleno êxito, uma demonstração prática com um aparelho receptor de radiotelefonia, através da qual, pôde o auditório ouvir um discurso de saudação aos reinstaladores do Rádio Club, diversos números de cantos irradiados por um aparelho transmissor posto na Rua da Aurora e sinais radiotelegráficos de estações que, na ocasião, se comunicavam com Olinda.

Tudo faz crer que, da ação do rádio Club, advirá uma época de desenvolvimento para Pernambuco, da maravilhosa invenção de Marconi.

Eis a ata da reinstalação:

“Às 20 horas do dia dezessete de outubro de mil novecentos e vinte e três, presentes os abaixo assinados, sócios reorganizadores da Rádio Club de Pernambuco, foi aberta a sessão pelo sr. Augusto Pereira que convidou o sr. Oscar [Moreira] Pinto para presidir e o Mário Lacombe para secretário. Assumidas a presidência e a secretaria, usou da palavra o sr. Oscar Pinto demonstrando o alto valor patriótico político-social do Rádio Club de Pernambuco como instituição para incentivar a vulgarização da magna utilidade; após curta preleção apresentou à consideração da Assembleia a seguinte chapa para constituir a comissão – diretoria que será encarregada de confeccionar a reforma dos estatutos e tomar as demais deliberações.

Dr. Carlos Lyra, filho, João Cardozo Ayres, filho, Oscar Pinto, Fernando Pedrosa, Augusto Pereira, Floriano Costa, dr. Jáder de Andrade, Carlos Lacombe, Antônio Costa, George Gattis, Raymond Gatis, Thomaz Comber, Manoel Roberto da Costa, Tito Xavier, Amadeu Coimbra.

Posta em votação foi sem discussão aclamada a referida comissão-diretora. Em seguida foi feita uma audição radiotelegráfica irradiada pelo Rádio Club de Pernambuco na estação da Rua da Aurora.

Foi encerrada sessão às 21 horas e 10 minutos. Recife, 17 de outubro de 1923.

Assinaram ata as seguintes pessoas que foram presentes a reunião:

Augusto [Joaquim] Pereira, Oscar [Moreira] Pinto, C G Lacombe, Carlos Lyra, filho, J. Cardozo Ayres, filho, pelo dr. Domingos de Medeiros, Augusto Pereira por A.B. Tigre, Augusto Pereira: Luiz Carneiro de Souza: Georges Charpentier. Stanley C. Millen, M. Roberto da Costa, Felipe Xavier de Albuquerque, R.G. Gatis , Mário Jovino da Fonseca: W.G. Gatis, José Ernesto Campos, Odilon Amintas de C. Barros, A. Matos Simões, Clion Coutinho , Eduardo Guimarães, José de Sá Carneiro: Tito de Araújo Firmo Xavier, Lino Martinho Cerqueira, Luiz Novaes: Mário A. Burle: Ângelo Miguel O. de Souza, Nestor Vieira Silva, Eloy R. Roxo, José G. de Almeida, Anselmo R. Costa, Oscar Dubeaux Pinto; Octávio Moraes, Edgard d’Amorim, Luiz C. Lacerda de Almeida, Luiz Temporal, A. O. Coimbra, João Tavares, Luiz Carneiro de Souza, João Alves Pereira de Lyra; Jn. II Edwards; Antônio Ramiro Costa; Mário melo; Fileno de Miranda, Oscar Berardo, Ulpiano Ventura; José dos Anjos (representando o deputado Jáder de Andrade) – Foi designado para representar o Rádio Club no Rio de Janeiro o sr. Carlos Lacombe.

O jornalista Renato Phaelante da Câmara, no seu livro Fragmentos da História da Rádio Clube de Pernambuco (Recife 1995), conta com riqueza de detalhes a saga da S Q A C dos primeiros passos, da P R A P dos anos vinte, da P.R.A. 8 da segunda metade dos anos trinta, da Rádio Club de Pernambuco de todos esses anos. Nas suas páginas estão a desfilar os verdadeiros construtores da radiofonia nacional, como Augusto Pereira, João Cardozo Ayres filho, Tito Xavier, Oscar Moreira Pinto, Otto Schiler, Mário Melo, Fernando Pio dos Santos, Abílio Leôncio de Castro, Amélia Brandão Nery, Mário Libânio Alves da Silva (o autor da prece da Ave Maria, que vai ao ar todas as seis horas da noite), Antônio Maria Araújo de Moraes, Dantas de Mesquita, José Renato, José Edson, Sebastião Stanislau, Ziul Matos, Alcides Teixeira, José Joaquim Uchoa, Generino Tavares Maciel, Fernando Castelão Pereira, Ary Santa Cruz, Célio Tavares (Cléo), Itamar Pereira, Laudeonor Pereira, João Batista, Luiz Maranhão, Severino Barbosa, Clóvis Neves, José Queiroga, Luiz Bandeira, Sivuca, Felipe Caparrós, Martins do Pandeiro, Luiz de França (O Repórter da Semana), Claudionor Germano da Hora, as irmãs Maria, Alaíde e Salomé Parísio, as Três Marias, as irmãs Lady e Linda Ferreira, Creuza de Barros e Creuza Cunha, Aldemar Paiva, Ernani Dantas, Paulo Molin, Manezinho Araújo, Raimundo Santos, Chico Anísio, Coronel Ludugero, José Santa Cruz, Hélio Pinto, César Brasil, Jota Austregésilo, Glauce Bandeira, Mercedes del Prado, Carmen Tovar, Dirce Nazareth Rattes (Rosa Maria), Juracéa Castelar, Mêves Gama, Valdemar de Oliveira, Maria Celeste, Neide Maria, Orlando Dias, Clóvis Paiva, Emanuel Silva, Felinho, Zumba, Levino Ferreira, Pitiu, Furrete, Gegna, Sebastião Revoredo, Milton Rodrigues, Lourival Oliveira, Venâncio e Corumba, Abelardo Barbosa (Chacrinha), Aldo Parisot, Antônio Paurílio, Dantas de Mesquita, Inaldo Vilarim, Martins da Sanfona, Torres Filho ……. a relação parece não ter mais fim, mas um nome não poderia faltar… ele que foi tudo no Rádio Club de Pernambuco: Nélson Heráclito Alves Ferreira.

Eles que fizeram a história da radiodifusão em terras pernambucanas.

1 comentário

    • Philippe Gusmão em 30 de maio de 2018 às 13:41
    • Responder

    Maravilhosa reportagem, meu caro Leonardo.

    Mais um motivo do imenso orgulho de sermos pernambucanos !

    Parabéns pela justíssima o oportuna homenagem, nesses tempos de hiperconvergência midiática !

    Forte abraço.

    Philippe

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