1 junho 2018 CHARGES

SID

1 junho 2018 DEU NO JORNAL

TEMPOS INTERESSANTES

Cora Rónai

Tenho inveja de quem vive fora do Brasil — mas longe, bem longe mesmo. Deve ser sensacional acompanhar a história recente do país de um ponto de vista seguro, assim como nós acompanhamos, daqui, a erupção do Kilauea, no Havaí:

— Olha aquela coluna de lava!

— Nossa! Está destruindo as casas…!

— Acabou com as estradas!

— Que magnífico espetáculo da natureza!

De 2013 para cá, o Brasil vive uma sucessão de fatos espetaculares, todos de altíssima voltagem. Morando aqui, porém, fica um pouco mais difícil apreciar o privilégio de viver num momento histórico, e muito mais fácil entender o significado da velha maldição chinesa:

— Que você viva em tempos interessantes!

Deve ser muito reconfortante acompanhar o noticiário brasileiro durante uma hora por dia, e depois voltar para as notícias locais num mundo de tédio. O “Finland Today”, por exemplo, destacava nas manchetes de ontem que a bandeira nacional finlandesa fez cem anos, e que a universidade de Jyväskylä começou um programa piloto com o Kennel Club para que cachorros sirvam de companhia aos estudantes durante as aulas. Já a versão suíça do “The Local” abria com a história de um casal de aposentados que jogou a toalha após quatro anos de desentendimento com a administração do cantão: depois de gastar 27 mil francos com a pintura da casa, Willy e Marie Zysset receberam uma multa de 100 mil francos, porque as autoridades não gostaram da cor escolhida. Os dois se cansaram de discutir com burocratas e resolveram se mudar para Ngoulemakong, na República dos Camarões, onde ela tem família. No “Toronto Sun”, do Canadá, entre um mix variado de esportes, negócios e shows, fica-se sabendo que um jabuti, um lêmure e um macaco foram roubados do zoológico de Ontário.

Já não sabemos mais o que é viver com notícias que conseguimos esquecer ao virar a página. As nossas notícias nos acompanham o dia inteiro, nos assombram, se metem nas nossas conversas ao longo do dia, vão para a cama conosco. Infestam as nossas redes sociais. Estão no escritório, na praia, no almoço com os amigos, no táxi para casa, no jantar com a família. Lemos, vemos, ouvimos, falamos, discutimos — e nem por isso chegamos mais perto de entender o que está acontecendo, ou de alcançar algum consenso.

Greve dos caminhoneiros, por exemplo.

Há uma semana não se fala em outra coisa nesse país, e embora todos os brasileiros tenham subitamente virado especialistas em transporte de carga, ninguém sabe exatamente como aconteceu o que aconteceu, quem estava por trás ou não estava, quem se infiltrou ou deixou de se infiltrar.

A única coisa que ficou clara é que nunca se viu um governo mais despreparado para lidar com uma crise.

* * *

Comecei a temporada a favor dos caminhoneiros, uma das categorias mais sacrificadas de um país rico em categorias sacrificadas. É difícil não se solidarizar com pessoas que correm toda a espécie de riscos para que o país continue funcionando: gente que cumpre jornadas estafantes à base de rebite, que enfrenta estradas em péssimas condições, que não tem a menor segurança no trabalho.

Também é difícil concordar com aumentos diários de combustível — nem tanto pelos aumentos em si, que podem até ter uma sólida justificativa econômica, mas pela insegurança que traz uma maluquice dessas.

E é fácil, muito fácil, fechar com quem peita esse governo incompetente, e dá um berro na cara dozômi.

Aos 20 anos, eu teria corrido para a estrada mais próxima, com o peito em festa e o coração a gargalhar.

Infelizmente deixei de ter 20 anos há muito, muito tempo.

Ainda tenho um lado perverso que gostaria de um país em full stop só para ver no que ia dar; se eu estivesse naquele lugar bem distante lá do primeiro parágrafo, até torceria para isso. O diabo é que, com a minha idade, já não preciso pensar muito para entender que o resultado não seria uma simples freada de arrumação ou uma semaninha de desconforto, mas um caos de longo alcance.

Conservo a minha simpatia pelos caminhoneiros, a respeito de quem li no Facebook, horrorizada, as coisas mais preconceituosas, escritas por pessoas que se pretendem descoladas e progressistas; mas a minha simpatia pelo movimento acabou quando estradas foram fechadas, quando pessoas foram seriamente prejudicadas e animais entraram em sofrimento.

Não dá para concordar com uma greve — ou um locaute, ou o que quer que tenha sido ou ainda seja este movimento — que imponha tanto prejuízo e tormento à população; não dá para concordar com chantagem e com ameaças.

* * *

Do lado positivo, passamos a discutir, enfim, o equívoco que foi o sucateamento da malha ferroviária, e o erro que é manter um país tão dependente de uma única categoria. Se a nossa memória coletiva não se apagar assim que o abastecimento for restabelecido, o transporte de cargas entrou definitivamente na pauta nacional — de onde, aliás, nunca deveria ter saído.

* * *

Lula enchia a boca para falar da “herança maldita” de FHC, mas a verdadeira herança maldita quem recebeu foi Temer — que, para nosso azar, provou mais uma vez que não tem nem moral nem competência para lidar com um abacaxi desse tamanho.

1 junho 2018 CHARGES

NICOLIELO

MARIANA TOMBELLI – APUCARANA PR

querido Editor,

por favor repita este vídeo no nosso jornal.

quero dedicar a uma vizinha que é cega dos três olho.

e a todos os cegos deste país.

muito grata

1 junho 2018 CHARGES

TACHO

O QUE É NOSSO, O PETRÓLEO OU O PROBLEMA?

Vivemos o nosso estranho caso da Petrobrás. Uma empresa que foi assaltada ao longo dos tempos (em grande escala nos governos petistas), usada como agência de governo para fazer política, que apesar de controlar aqui no Brasil um dos setores mais lucrativos no mundo dos negócios, nunca conseguiu remunerar seus investidores como esperado. Somos todos acionistas dessa companhia, alguns diretamente com ações em seus nomes e a grande maioria indiretamente, pois o acionista controlador é o nosso Governo Brasileiro. Eleito democraticamente.

Não vou voltar ao tempo das acusações contra Shigeaki Ueki, menciono este caso, apenas para lembrar que suspeitas de tramoias na petroleira não começaram com o escândalo Petrolão. Poderíamos trocar o bordão “o petróleo é nosso” por “o problema é nosso”.

Normalmente os acionistas de uma companhia querem bons resultados e bons dividendos. No caso da Petrobrás nunca foi assim. O controlador não está interessado em lucros e dividendos, quer usar a companhia como fonte de recursos para financiar projetos políticos. Essa forma de conduzir os negócios da empresa levou nossa petroleira a ser a mais endividada desse setor em todo o mundo no ano de 2017. (fonte OMC) Só poderia acabar assim, afinal de contas a administração da Petrobrás sempre foi loteada entre os partidos políticos de acordo com os arranjos feitos sem nenhuma preocupação com o desempenho técnico e financeiro da empresa.

Maio de 2005: “O que o presidente (Lulla) me ofereceu foi a diretoria que fura poço e acha petróleo. É essa que eu quero. ” Foi assim que o brilhante deputado Severino Cavalcanti, com larga experiência no mercado do petróleo, deixou claro o critério com que estavam sendo indicados os diretores da maior empresa brasileira. A Operação Lava-Jato que mostrou toda podridão do escândalo Petrolão e as vísceras da Petrobrás, deu a dimensão dos bilhões de Reais que deixaram de virar lucros e dividendos para se transformarem em propinas e financiamento de projetos políticos.

Com a troca da Presidência da República, Michel Temer não poderia ter indicado ninguém melhor para o cargo de Presidente da Petrobrás do que Pedro Parente. Que, lamentavelmente deixa o posto atingido pelos estilhaços da greve dos caminhoneiros. Sob sua gestão a empresa recuperou valor. Em maio de 2016 quando assumiu a presidência as ações estavam cotadas por R$ 8,60. Antes de estourar a greve (16/05), os negócios com as ações atingiram R$ 27,50. Com toda crítica ao sistema de preços adotados pela Gestão Parente, avaliado erradamente (na minha opinião) como causadora do impasse entre o preço do frete e dos combustíveis, o preço da ação havia caído para R$ 19,00. Com o anuncio da demissão de parente, os preços despencaram ainda mais chegando em R$ 14,90 (01/06).

Não é só a troca do presidente da companhia que faz os investidores perderem interesse nas suas ações, mas uma possível volta ao esquema passado. Vejam o que disse Parente na sua carta de demissão: “Durante o período em que fui presidente da empresa, contei com o pleno apoio de seu Conselho. A trajetória da Petrobras nesse período foi acompanhada de perto pela imprensa, pela opinião pública, e por seus investidores e acionistas”. Parente sai porque não é transparência e lucro que sustentam os executivos da Petrobrás. É política.

Nossa realidade é que somos sócios de uma empresa que não pode prestar bons serviços, porque a prioridade não é eficiência, nem pode ser rentável porque o controlador não visa o lucro.

Que enrascada!

1 junho 2018 CHARGES

THIAGO LUCAS

DOIS MOTES BEM GLOSADOS

Poetas repentistas Jomaci Dantas e Zé Carlos do Pajeú glosando o mote

“A velhice sorriu acompanhando
o enterro da minha mocidade”.

* * *

O genial poeta cantador Zé Vicente da Paraíba (1922-2008)

Zé Vicente da Paraíba, pai do colunista fubânico Wellington Vicente, glosando o mote

“Fiz do choro das cordas viola
O maior ganha-pão da minha vida”

Fiz o que desejava em minha infância:
Correr prado de um ponto a outro ponto;
Lá chegando cansado e meio tonto,
Boca aberta, tremendo e tendo ânsia.
Sem pensar ser por causa da distância,
Sem usar nem metragem, nem medida,
Muitas horas esquecia da comida
E trocava a merenda pela bola,
Fiz do choro das cordas da viola
O maior ganha-pão da minha vida.

Fiz cachimbo de barro e matricó,
Conhecido também por “pai de fogo”,
Onde havia castanha, havia um jogo,
Que eu era o atleta do bozó,
O porreta no fojo e no quixó,
Só não era viciado na bebida,
Mas já tinha a ideia evoluída
Fabricando o alçapão e a gaiola
Fiz do choro das cordas da viola
O maior ganha-pão da minha vida.

Fiz um plano de vida pra viver
Com amor, com o riso e a saudade,
Como Deus é amor e é Trindade
Sabe e pode sustar o meu sofrer,
Muitas vezes cantando sem poder
Nem tocar na viola sustenida,
Agradeço à Maria Concebida,
Solitário na minha casinhola
Fiz do choro das cordas da viola
O maior ganha-pão da minha vida.

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1 junho 2018 CHARGES

DUKE

1 junho 2018 PERCIVAL PUGGINA

SEQUESTRADOS

Nos dias 25 e 26 deste mês percorri 600 km de rodovias no Rio Grande do Sul. Cruzei por dezenas de barreiras montadas pelos caminhoneiros. Nunca tive problema para seguir em frente. Então, pergunto: a quem estavam destinadas as chicanes pelas quais passei livremente? Pois é. Aos milhares, elas foram montadas em todas as estradas do país com o intuito de impedir a passagem dos veículos de carga. Ponto.

Esta simples constatação mostra que o colossal movimento dos caminhoneiros, que botou o Brasil no acostamento, não era expressão de uma homogênea e plenipotente vontade, como foi entendido pela população. Quantos caminhoneiros teriam aderido à greve se lhes fosse dado o direito de ir e vir? Quantos estacionaram com receio de possíveis represálias aos veículos, às suas cargas e a si mesmos? Em quase tudo na vida há o que se vê e o que não se vê.

A imensa maioria da sociedade, longe do acostamento, viu homogeneidade e obstinação da categoria numa situação em que a intimidação de uns convivia com a prudência de outros. Os caminhões que agora trafegam com combustível são acompanhados de escolta militar para dar segurança a um transporte que, sem proteção, não ocorreria ou ocorreria sob inaceitável risco.

As demandas dos caminhoneiros são compatíveis com uma situação plena de equívocos. A frota cresceu excessivamente; a prolongada sequência de recessão e lento crescimento da atividade econômica reduziu a demanda por frete, os custos com diesel subiram demais e o rendimento de seu trabalho secou. Merecem, hoje e sempre, nosso inteiro respeito esses bons brasileiros. São empreendedores. Com coragem, sacrifícios e dívidas adquiriram seu veículo e ganham a vida na insegurança das estradas, trabalhando árdua e honestamente.

É impossível deixar de ver, no entanto, os três sequestros que aconteceram nestes dias, alguns dos quais ainda em curso. Refiro-me ao sequestro inicial das cargas que estavam sendo transportadas. Refiro-me ao sequestro do direito de ir e vir das pessoas e, com isso, para milhões de brasileiros, o sequestro da possibilidade de trabalhar, produzir e se sustentar. Refiro-me ao último sequestrado destes dias, o próprio movimento dos caminhoneiros, dominado por correntes políticas contraditórias, interessadas em gerar uma situação de anomia e caos.

Como conservador, creio na mudança, na reforma, na prudência. Descreio das revoluções, das rupturas, e de que se encontre no agravamento do caos a saída para o caos.

1 junho 2018 CHARGES

NANI

AQUARELA SERTANEJA

Onde eu moro – (Edward De Marchi) – Liu e Léu – 1966
Manto estrelado – (Dino Franco / Tenente Wanderley) – Dino Franco e Mouraí – 1984
Encantos da natureza – (Tião Carreiro / Luiz de Castro) – Tião Carreiro e Pardinho – 1968
Natureza – (Dino Franco) – Abel e Caim – 1969
O Rio – (César Augusto / Mário Marcos) – Chitãozinho e Xororó – 1989
Berço de Deus – (José Rico / Dino Franco) – Milionário e José Rico – 1979
Brasil caboclo – (Tonico / Walter Amaral) – Tonico e Tinoco – 1968
Alvorecer no sertão – (W.Cavalcante) – Cascatinha e Inhana – 1962
Jardim da Natureza – (Luiz de Castro) – Lourenço e Lourival – 1990
Cheiro de Relva – (Dino Franco / José Fortuna) – Dino Franco e Mouraí – 1983

1 junho 2018 CHARGES

CLÁUDIO

1 junho 2018 CHARGES

IOTTI

1 junho 2018 DEU NO JORNAL

EM BANÂNIA O CRIME COMPENSA E RENDE JUROS POLPUDOS

Denunciado em outubro de 2015, no âmbito da Lava Jato, por receber R$ 33,7 milhões em propina, o deputado Nelson Meurer (PP-PR) foi condenado a devolver apenas R$ 5 milhões à Petrobras.

O valor, além de irrisório perto do montante surrupiado, é menor que o rendimento da poupança entre a denúncia e a condenação.

Noves fora, Meurer fica com a propina, usa o rendimento para fazer a devolução e ainda sobra

A propina de R$ 33,7 milhões aplicada na poupança, investimento aliás desaconselhado por economistas, renderia R$ 6,6 milhões ao deputado.

O deputado recebeu 99 pagamentos mensais, desde 2006, no valor de R$ 300 mil, além de R$ 4 milhões em espécie na campanha de 2014.

Meurer é o primeiro político condenado no STF no âmbito da Lava Jato, mas há outros nove réus e mais 20 denúncias aguardando julgamento.

A condenação de Meurer por unanimidade na Segunda Turma do STF, a mais “boazinha”, é má notícia para parte dos acusados na Lava Jato.

* * *

Este corrupto banânico, o Nelson Meurer, foi eleito pelo estado do Paraná.

O mesmo que elegeu também Gleisi Amante Hoffmann.

Por uma destas contradições do destino, o estado que produziu um gigante como Sérgio Moro também jogou no mundo estes dois tolôtes de bosta que exalam uma fedentina da porra.

Um corrupto do PP e uma corrupta do PT: uma simples troca de letra que não consegue ocultar o fato de que são ambos ratos canalhas do mesmo jeito

Pelo que me consta, me corrijam se estiver errado, o próximo furico adonde o STF vai enfiar a pajaraca será no de Gleisi, gerente do cabaré que é de propriedade do Lula.

Espera-se que sem pena e sem vaselina.

Por uma medida de humanidade, depois de ser condenada, acho que Gleisi deveria ser trancafiada na mesma cela de Lula.

A chifreira faria as vezes de “Menino do MEP” (que segundo Ceguinho Teimoso nunca existiu…) e mataria os desejos do seu patrão.

Seria uma medida de ressocialização fudetória bem nos moldes banânicos.

1 junho 2018 CHARGES

SPONHOLZ

A FESTA DE PAFINHA

Ninguém sabia seu nome, que dirá sobrenome. Os amigos conheciam como Pafinha, apelido carinhoso. Moça bonita de pele clara, cabelos escuros escorridos, olhos vivos, meio estrábicos, harmonizavam com a boca rosada permanentemente num debochado sorriso. Pafinha tinha a beleza da juventude e a graça de quem é feliz.

Corpo miúdo, curvas nítidas, cintura fina e seios abundantes faziam dessa menina uma mulher atraente. A bunda bem torneada era desejo e fantasia de muitos homens.

Todos amavam aquela jovem com ar de moleca sapeca. Vivia a vida como se fosse acabar amanhã. Pafinha trabalhava na Boate Tabariz, era a rapariga predileta do mais famoso proxeneta da noite de Maceió, o popular Mossoró.

Nativa de Pariconha, sertão das Alagoas, sua família passava fome com a seca. Aos 14 anos havia conhecido apenas miséria e pobreza. Um cabo de polícia a estuprou, prometeu aos pais amigação, uma casa na capital. Deixou-a na zona das putas em Jaraguá.

Tornar-se prostituta foi uma grande transformação. Cursou a Universidade da Vida. Era a mais querida do cabaré, conhecia e tratava os frequentadores da boate pelo nome. Podia ser senador, deputado, coronel ou capitão. Era o xodó de Jaraguá.

Ela tinha um namorado, apaixonou-se por um jovem deputado, menino novo que fez uma bela carreira política. Quando o deputado aparecia, se ela estivesse acompanhada, depois de atender o cliente, corria para os braços de seu amor.

Naquela época havia um bingo aos domingos, fonte de recurso para construção do estádio Trapichão, os prêmios eram carros e caminhões. Mossoró levava suas meninas para marcar o bingo. Pafinha teve sorte, ganhou um carro IMPALA. Um conhecido senhor negociava prêmios de bingos, comprou o carro na hora. Dinheiro que Pafinha jamais pensou possuir.

Naquela noite ela iniciou uma festa no bairro boêmio de Jaraguá. Todos queriam abraçá-la ou pedir dinheiro emprestado. A festa durou oito noites. Pafinha não tinha noção de economia, seu coração solidário e generoso emprestou e deu muito dinheiro. Deu festa no Verde, no Duque e no Sovaco do Urubu, a ZBM, Zona do Baixo Meretrício, frequentada por estivadores, pescadores, catraieiros, os pobres amigos de copo e de cruz.

Uma semana de alegria e diversão durou a festa de Pafinha. Só acabou quando ela percebeu que não tinha mais um centavo do dinheiro do bingo. Ficou pobre de novo.

Quando assisti ao filme dinamarquês, A Festa de Babete, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro lembrei-me da Festa da Pafinha, histórias semelhantes. A vida imitando a arte.

Nós, jovens moradores da praia da Avenida da Paz, depois do futebol e de um bom mergulho, caminhávamos sobre a areia molhada até uma birosca em frente ao Primeiro Trapiche em Jaraguá para entornar uma boa cachacinha com caju.

Nossas companhias eram os embarcadiços, pescadores, desocupados, desempregados. As raparigas de Jaraguá, mergulhavam se refrescando, lavando-se da noitada anterior.

Pafinha sempre presente ajudava a comer o delicioso tira-gosto de panã ou arabaiana contando casos da noite no cabaré. Seu Rodolfo, velho pescador, contava historias sobre peixes enormes, sobre a mãe d’água, sereias, afogamentos, botos salvando vidas empurrando os afogados até a praia.

Pafinha aprendeu a nadar, boiava e mergulhava se purificando na água do mar até o pôr-do-sol alaranjar o céu, depois das seis da tarde era hora de trabalho no Cabaré. A sertaneja dizia estar no Oceano seu destino.

A história da Pafinha ainda hoje é contada nas biroscas de Jaraguá. Tornou-se lenda, contam que ela desapareceu num banho de mar, deixou-se levar pela correnteza, Yemanjá veio buscá-la, transformou-a em um boto que vagueia vigilante no mar, salvando os afogados.

Há muito tempo não acontece afogamento no mar da Avenida da Paz. Um boto nas águas perto do cais mergulha vigilante, empurrando para praia os banhistas desavisados ou crianças mais afoitas. Depois volta junto ao cardume, brincando alegre com seus pareias.

À noite, nos bares do mercado e na zona da boemia, marinheiros, pescadores, contam histórias de salvamentos milagrosos. Atribuem esses milagres à Santa Pafinha, protetora das putas, dos boêmios, dos cachaceiros, dos bêbados e afogados de Jaraguá.

ESSA HISTÓRIA E MAIS OUTRAS SOBRE A CIDADE DE MACEIÓ, SERÃO CONTADAS POR CARLITO LIMA E CANTADAS POR ANDRÉA LAÍS DIA 9 DE JUNHO NO TEATRO DO CINE PAJUÇARA ÀS 20 HORAS. IMPERDÍVEL. INFORMAÇÕES: (82) 9.9318.0843.

1 junho 2018 CHARGES

AROEIRA

1 junho 2018 DEU NO JORNAL

SONHANDO ACORDADO

Dois leões, dois tigres e um jaguar foram recapturados após escaparem de um zoológico em Lünebach, no oeste da Alemanha, nesta sexta-feira (1º).

Policiais, bombeiros e veterinários recorreram a drones para localizar os felinos.

Mais cedo, as autoridades chegaram a pedir que os moradores permanecessem em suas casas.

* * *

Quando vi esta notícia hoje de manhã eu fiquei só aqui pensando…

Um zoológico na Praça dos Três Poderes. 

E uma fuga de animais ferozes na hora de uma solenidade ao ar livre, num palanque, com gente do Executivo, do Legislativo e do Judiciário.

Temer, Renan, Gilmar, Aécio, Lewandowski, Gleisi…

Suspiros, suspiros, suspiros…

1 junho 2018 CHARGES

PIRES

A GREVE DOS CAMINHONEIROS E ADJACÊNCIAS

Um dos bons costumes que a gente aprende na academia é mostrar fatos com provas. Digo isso para justificar algumas coisas que ouvi ou li esta semana com esse movimento grevista de caminhoneiros aprovado, segundo o Datafolha, por 87% dos entrevistados. Começo dizendo que Alexandre Garcia foi taxado de imbecil e outros adjetivos porque fez uma referência a politica de crédito do BNDES para financiar caminhões. A tabela 1 mostra a quantidade de caminhões no Brasil no período entre 2000 e 2017, sempre no mês de dezembro de cada ano.

No período observado, a quantidade de caminhões cresceu 96,05%, representando um crescimento médio de 4,04% ao ano. Em 2009 o BNDES emprestou R$ 14,136 bilhões em operações de transporte de carga, número que representa 895% do valor emprestado em 2000. Desde então, os financiamentos passaram a cair em função da crise.

Não tem como reconhecer que houve, sim, aumento na quantidade de veículos em função dos recursos do BNDES. O BNDES está aí para favorecer a economia nacional, não porto de em Cuba ou ponte na Venezuela. A queda da economia mundial cai é acompanhada pelo Brasil como consequência das medidas econômicas, equivocadas, adotadas pelo governo tanto de Lula quanto de Dilma (este responsável por toda desgraça que se seguiu. Os números mostram isso). Naturalmente, o excesso de oferta de frete fez o preço do serviço cair e com o aumento do combustível os caminhoneiros perceberam que iria acontecer com eles a mesma coisa que aconteceu com os taxistas no governo Collor quando obtiveram linha de crédito através de CDC – Crédito Direto ao Consumidor e tiveram que trabalhar quase 24 horas por dia para pagar a prestação do financiamento. Sinais da insatisfação foram dados em duas ocasiões em 2015 quando Dilma era presidente e Temer, vice.

No governo do PT o Brasil também importava combustível. No entanto, o governo preferiu manter o preço doméstico inferior ao preço internacional. Isso fez com que Petrobras, aliado a obrigatoriedade de reconhecer o impacto da corrupção nos seus balanços, perdesse valor de mercado. Vale lembrar que em janeiro de 2015, Graça Foster admitiu que as perdas, com a corrupção, seriam maiores a medida que fosse aparecendo mais contratos, mais envolvidos. Não custa lembrar que a Petrobras tinha um valor de mercado de R$ 510 bilhões em 2008 e que quando os escândalos se tornaram públicos ele perdeu quase 85% do seu valor tendo suas ações negociadas por menos de R$ 5,00.

Diante de tudo isso o senador Humberto Costa falando sobre a Petrobras disse “A Petrobras é uma vaca sagrada dos investidores internacionais e bilionários brasileiros”. Ele não comentou o fato de a Petrobras sustentar partidos políticos, inclusive o dele, com contratos superfaturados, refinarias compradas por um preço e vendida por outro menor, como Pasadena, ou mesmo uma refinaria com a Abreu e Lima que deveria custar US$ 2,4 bilhões e já custou US$ 17,8 bilhões, para ficar, depois de 8 anos, 79% pronta.

Então, em 2016 chega Pedro Parente com a missão de moralizar e resgatar o valor de mercado da empresa. Parente, fez o papel de um profissional sério, visto que a empresa recuperou parte do seu valor, suas ações estão sendo negociadas a R$ 25,00, indicado uma variação de 400% em relação aos R$ 5,00 do passado. A política de preço adotada foi correta, o que tem de errado a política econômica do governo.

Mais do que claro que o aumento dos preços de combustível, principalmente o óleo diesel, impactaria na economia. Mas que o que esse governo medíocre poderia fazer se a principal preocupação do presidente é liberar recursos para os canalhas não permitirem que ele seja investigado? A proposta de Temer é ridícula diante da necessidade econômica. Temos um déficit que não tem a menor perspectiva de ser coberto. No bojo das discussões o governo se compromete a subsidiar a Petrobras com R$ 5 bilhões. Vai tirar de onde? Do nosso bolso.

O que soa mais estranho é que parte dos funcionários da estatal se comporta na base do “quanto melhor, pior”. Em abril de 2017 funcionários da Petrobras fizeram um protesto contra o juiz Sérgio Moro que foi lá para devolver, isso mesmo: devolver, R$ 654 milhões recuperados da corrupção. Deveria ser aplaudido, mas foi vaiado. Alguém consegue entender isso?

Do ponto de vista de gestão, de visão de mercado, de atuação profissional, Pedro Parente agiu de acordo com as convicções. Tanto é assim que no primeiro trimestre desse ano, a Petrobras teve R$ 7 bilhões de lucro, após 4 anos consecutivos de prejuízos. Seus acionistas receberam R$ 656 milhões em dividendos. Foi para isso que ele foi chamado. Ele estava no lugar certo. Que está no lugar errado é Michel Temer. Envolvido em corrupção até a alma e incapaz de apresentar uma política econômica que tire o Brasil do desemprego.

1 junho 2018 CHARGES

J. BOSCO

ANDRÉ ROMEU MICELI – NOVA VENEZA- SC

Sêo Berto,

Ontem você falou sobre o sítio que não é de Lula num post muito interessante.

Um post com a foto do corruptor e do corrupto bebendo juntos.

Pois eu recebi pelo WhatsApp esta advertência que tem a ver com a propriedade que não pertence ao ex-presidente condenado em todos as instâncias:

Um grande abraço pra todos os fubânicos.

O JBF é minha leitura diária obrigatória.

Muito obrigado pela existência desta gazeta escrota.

R. Caro Leitor, esta sua mensagem é uma provocação para o fubânico luleiro Comentador Furioso-Tsunâmico.

Quando se fala do prisioneiro Lula – caso único de ex-presidente banânico enjaulado -, Comentador Furioso fica mais exaltado ainda e o tsunami de comentários emputiferados congestiona as rodovias internas desta gazeta escrota. 

Esta semana ele deu expediente durante as 24 horas do dia defendendo o indefensável, explicando o inexplicável e justificando o injustificável. Como é de seu costume.

Um lindo caso de ócio criativo a favor do que não presta e em defesa da bandidagem legal e constitucionalmente sentenciada a cagar de coca no boi da prisão!!!

 Dê um descanso pro Comentador Furioso, caro leitor.

Deixe que ele aproveite um pouco o feriadão.

Se não fosse tão ginecófobo quando se trata de fêmeas petralhas (ele defende única e exclusivamente o macho Lula), Comentador Furioso bem que poderia aproveitar o final de semana para ler os pronunciamentos da grande estadista Gleisi, pérolas deliciosas de política e sociologia.

Apesar dos excelentes momentos de hilaridade e de humor que ele nos proporciona, peço que tenha caridade e deixe Comentador Furioso descansar neste final de semana.

Agradeço antecipadamente.

1 junho 2018 CHARGES

NICOLIELO


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