Vivemos o nosso estranho caso da Petrobrás. Uma empresa que foi assaltada ao longo dos tempos (em grande escala nos governos petistas), usada como agência de governo para fazer política, que apesar de controlar aqui no Brasil um dos setores mais lucrativos no mundo dos negócios, nunca conseguiu remunerar seus investidores como esperado. Somos todos acionistas dessa companhia, alguns diretamente com ações em seus nomes e a grande maioria indiretamente, pois o acionista controlador é o nosso Governo Brasileiro. Eleito democraticamente.

Não vou voltar ao tempo das acusações contra Shigeaki Ueki, menciono este caso, apenas para lembrar que suspeitas de tramoias na petroleira não começaram com o escândalo Petrolão. Poderíamos trocar o bordão “o petróleo é nosso” por “o problema é nosso”.

Normalmente os acionistas de uma companhia querem bons resultados e bons dividendos. No caso da Petrobrás nunca foi assim. O controlador não está interessado em lucros e dividendos, quer usar a companhia como fonte de recursos para financiar projetos políticos. Essa forma de conduzir os negócios da empresa levou nossa petroleira a ser a mais endividada desse setor em todo o mundo no ano de 2017. (fonte OMC) Só poderia acabar assim, afinal de contas a administração da Petrobrás sempre foi loteada entre os partidos políticos de acordo com os arranjos feitos sem nenhuma preocupação com o desempenho técnico e financeiro da empresa.

Maio de 2005: “O que o presidente (Lulla) me ofereceu foi a diretoria que fura poço e acha petróleo. É essa que eu quero. ” Foi assim que o brilhante deputado Severino Cavalcanti, com larga experiência no mercado do petróleo, deixou claro o critério com que estavam sendo indicados os diretores da maior empresa brasileira. A Operação Lava-Jato que mostrou toda podridão do escândalo Petrolão e as vísceras da Petrobrás, deu a dimensão dos bilhões de Reais que deixaram de virar lucros e dividendos para se transformarem em propinas e financiamento de projetos políticos.

Com a troca da Presidência da República, Michel Temer não poderia ter indicado ninguém melhor para o cargo de Presidente da Petrobrás do que Pedro Parente. Que, lamentavelmente deixa o posto atingido pelos estilhaços da greve dos caminhoneiros. Sob sua gestão a empresa recuperou valor. Em maio de 2016 quando assumiu a presidência as ações estavam cotadas por R$ 8,60. Antes de estourar a greve (16/05), os negócios com as ações atingiram R$ 27,50. Com toda crítica ao sistema de preços adotados pela Gestão Parente, avaliado erradamente (na minha opinião) como causadora do impasse entre o preço do frete e dos combustíveis, o preço da ação havia caído para R$ 19,00. Com o anuncio da demissão de parente, os preços despencaram ainda mais chegando em R$ 14,90 (01/06).

Não é só a troca do presidente da companhia que faz os investidores perderem interesse nas suas ações, mas uma possível volta ao esquema passado. Vejam o que disse Parente na sua carta de demissão: “Durante o período em que fui presidente da empresa, contei com o pleno apoio de seu Conselho. A trajetória da Petrobras nesse período foi acompanhada de perto pela imprensa, pela opinião pública, e por seus investidores e acionistas”. Parente sai porque não é transparência e lucro que sustentam os executivos da Petrobrás. É política.

Nossa realidade é que somos sócios de uma empresa que não pode prestar bons serviços, porque a prioridade não é eficiência, nem pode ser rentável porque o controlador não visa o lucro.

Que enrascada!

7 Comentários

  1. Vai explicar isso para os brasileiros que foram criados ouvindo que Marx é um gênio da economia, que leis de mercado não existem e que todos os produtos poderiam custar vinte centavos se o governo quisesse.

  2. As empresas estatais, como o são a empresa pública e a sociedade de economia mista, não tem, ao contrário das empresas privadas, o objetivo de lucro. Portanto, quem compra ações das sociedades de economia mista deve estar ciente disso e de que o Estado só está intervindo nessa área por “relevante interesse coletivo” ou por razões de segurança nacional. Desse modo, quando o investidor tiver um bom retorno deve agradecer aos céus que, mesmo sem objetivar lucro, a empresa de economia mista na qual investiu, como por exemplo a Petrobras S.A., tem apresentado pons resultados na valorização das ações, na produção de filhotes e consequentemente na distribuição de lucros. Por isso, não dá para reclamar que “em detrimento dos interesses dos acionistas” a entidade seja usada com a finalidade social.

    • Goianovski, eu concordaria plenamente contigo se não fosse um pequeno detalhe: a corrupção. De fato, uma estatal não tem que dar lucros, mas não quer dizer que seja pasto de corruptos do PT, MDB e PP (partidos majoritários na corrupção 0 minbto, o PCdoB bem que tentoi mas só conseguiu o ministério do esporte).

      O problema, Goianovski, é colocar ações na bolsa. Na década de 70, quando a Eletrobrás era só uma estatal, as usinas eram construidas com recursos da Eletrobrás, da Companhia que operaria a Usina e do Banco Mundial (1/3 para cada). E o Banco exigia que os dois outros apresentassem cartas de fiança bancária para conceder o empréstimo.

      Daí o Brasil foi evoluindo, se modernizando, se informatizando, se globalizando e chegamos ao ponto em que está, adicionalmente com as portas escancaradas à corrupção. E está com uma dívida bilionária…

      êpa, êpa, Goianovski, não falei mal só do PT, para você ver… A merda começou há tempos e o PT só jogou a pá de cal. Petobrás, Eletrobrás, Nuclebrás…

  3. Caro Goiano:
    Com a minha idade de 70 anos, que acho que você não tem, quero dizer pra você que trabalhei , SOMENTE, 35 anos no setor elétrico. No tempo que trabalhei no setor elétrico tive a oportunidade de fazer estágios, no EUA e muito mais no Canadá nas empresas estatais “Ontário Hydro e Hydro Quebec”, nessas duas empresas passei por mais de dois meses em cada uma. No ano passado, em junho de 2017 estive lá visitando os amigos que fiz em Toronto e Montreal nas empresas citadas. Elas são estatais e como naquela época que estive lá, davam e dão lucro para os respectivos Estados, ou seja, de Ontário e Quebec. Empresas completamente enxutas e com objetivos empresariais de ESTADO. Sabe o que é isto? Cada uma na sua província do país CANADÁ. Lá os executivos que comandam as empresas tem a responsabilidade de conduzirem as empresas com lucros para o estado e para os cidadãos (administração empresarial) , que na realidade são os donos das estatais. Tal e qual no Brasil, que somos donos de uma parte da Eletrobras, Petrobrás e por aí vai… Pois é, entre no site dessas empresas, hoje, e veja como elas são poderosas, hoje, e estatais, exportando energia elétrica para os EUA e dando lucro para o povo canadense. A grande diferença com o Brasil é que aqui as empresas são “governamentais”. Aqui as empresas, e não é de agora, mas que depois de 2003 piorou, os donos não são o ESTADO, mas sim os políticos, os sindicatos, as confederações, os “coronéis” e outros mais. Por falar em coronéis, A ELETROBRAS, já foi de propriedade do Antonio Carlos Magalhães, do Sarney, do Lobão e outros antes deles. Pelo menos , agora, tem na presidência, um presidente, que não é parente, mas administra, como o Parente que esteve na Petrobrás. Eu sofri isto na pele em 1986. O Brasil, a curto prazo, digo nos próximos trinta anos não tem jeito. A esquerda que já foi boa, existiu mais ou menos até´os anos 70 . Hoje, a esquerda é retrógrada e ultrapassada . O Brasil precisa reciclar a esquerda, como também a tal e dita direita. Na realidade, o Brasil está de costa para o mundo. Só como exemplo a esquerda que governa Portugal, com todos os problemas, dá de dez a zero na nossa.

  4. Está passando da hora de os brasileiros repensarem se é vantagem para nós, o monopólio exercido pela PTbrás nos hidrocarbonetos ou se chegou (quiças passou) a hora de privatizar a empresa, como já ocorreu coma Vale. O governo é um péssimo administrador de empresas porque não busca no mercado (procurando profissionais competentes) e sim nos partidos políticos, sem qualquer critério, os encarregados de gerir suas empresas. O resultado é esse que estamos vendo. E o pior, sem solução à vista. No popular: estamos f… e mal remunerados! PQP!!!

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