2 junho 2018 CHARGES

NANI

2 junho 2018 A PALAVRA DO EDITOR

IDIOTIA E “GOLPE”

2 junho 2018 CHARGES

CLÁUDIO

BRASIL EM ASCENSÃO

Parente bom é parente longe, um dito popular que se encaixa no acontecimento do pedido de demissão do Presidente da Petrobras Pedro Parente. Infelizmente ele adotou a maneira petista de ser e partiu para os benefícios espúrios de favorecimento próprio como ficou constatado na reportagem da Crusoé. Eram várias as participações dele, direta ou indiretamente, em outras empresas com interesses na Petrobras. É um caso que vai rolar por muito tempo na seara judicial. Esta situação que vive o Brasil tem origem na formação da personalidade do brasileiro em que o mérito de atingir graus na escala social foi trocado do “ser”, que implica em saber, cultura, conhecimento, pelo “ter”. Este focado unicamente em boa conta bancária refletida nos bens materiais representados pelos automóveis os quais estabeleciam, e ainda estabelecem, pela marca e origem, a sua escala de valor na vida da sociedade.

Consolidou-se com isso o comportamento egocêntrico no brasileiro. Mais que isso, entranhou no nosso povo um pensamento individualista que se tornou um entrave para sair desta vertente em sua conduta. Não importam, para grande parcela da população, as mazelas que o governo venha a praticar. Interessa é ignorar o Estado e se utilizar das mais variantes formas de ludibria-lo já que ele, com seus dirigentes, é praticante contumaz de desvios de conduta na condução da sua administração. Sonegar é a meta de quase 100% da população ativa economicamente. Entende ela, que são sonegados os direitos básicos mínimos com o retorno do que lhe é “tomado” pelo mastodonte estatal. Essa roda de “assaltos” entre a população e o Estado definha cada vez mais a possibilidade de crescimento do País. Sacrifica uma gigantesca massa populacional mantendo-a na linha da pobreza e subjugando-a à uma vida cruelmente sofrida e despojada, pela limitação cultural, de qualquer possibilidade de aspiração à sua qualidade. Usurpam este povo de baixo salário com impostos altíssimos em seu consumo básico de alimentação e saúde. Isso tudo para manter o gigante monstro estatal, que nada produz, via seu circo da alegria, mordomias e permissividade com a roubalheira.

O ainda individualismo do brasileiro, elimina a possibilidade de desenvolvimento do espírito coletivo. Este faz parte da maioria dos países desenvolvidos, onde o governo trabalha pelo bem-estar da coletividade, pelo crescimento do seu povo em todas as áreas. Os impostos cobrados retornam para a população em forma de bons serviços prestados e benefícios. O Estado é mínimo e todos que trabalham no governo são dotados de sentimento coletivo, realizam seu serviço com vontade e orgulho e são valorizados pela população. No Japão, é o Imperador que se curva diante de um professor, dado o valor e reconhecimento que este representa para a Nação. No Brasil o professor apanha de alunos e fica indefeso pela inanição do comando do Estado. Isso tem origem na percepção da população de que ela não conseguirá, por mais que lute, escapar da moldura de pobreza em foi colocada pelos detentores do Poder. Mérito não valor. É esta razão que leva grande parte dela a não recusar uma oportunidade de cooptação eleitoral pelos favores dos candidatos aos cargos eletivos. É também isso que emperra o crescimento do País.

Não bastasse a falta de caráter natural de muitos candidatos, ela, população, ainda sofre o assédio e a lavagem cerebral de muitos deles com ideologias esquerdistas e outras perturbações mentais. Aliás, esta ação ideológica da esquerda, com o socialismo, é que determina o pensar coletivo voltado para o Estado, o único ente a receber apoio da coletividade. É a inversão de papel, resulta em obrigações do povo em trabalhar para o Estado e os dominadores do Poder e não deles pelo povo. Mudar isso será sofrido e demandará tempo, a não ser que aconteça uma ruptura. Estivemos bem perto disso e os movimentos políticos que acontecem desde 2014 nas eleições para as prefeituras, nos deram sinais claros de que, lentamente, caminhamos para uma mudança na vida do nosso Brasil, verde e amarelo. O último deles, dos caminhoneiros, mostra que a população está mais madura e, apesar da sua carência cultural, está aprendendo a avaliar melhor o que lhe foi imposto pelos oportunistas e ilusionistas. O governo, por sua vez, começa a colocar as barbas de molho e ver que o caminho está mudando de direção, um alerta aos que estão por vir em outubro. Eu entendo que o Brasil está em ascensão.

2 junho 2018 CHARGES

SINOVALDO

SONETO DOS LÁBIOS

Finos, firmes, sensuais, no entanto plenos
de espiritualidades misteriosas,
desenham-se os teus lábios como rosas
nas rosas do teu rosto almo e sereno.

Violetas ou rubis, conforme coras
ou descoras na sucessão dos dias,
são teus lábios, nas horas de alegria,
róseos, rubros, rorados — como auroras.

Se tu falas, — são zéfiros tremendo.
Se tu cantas, — enfloram-se de alados,
doces bandos de pássaros nascendo.

Vermelho céu de estrelas pequeninas…
Se os beijo, amor, são como um céu fechado
— que um sorriso, de súbito, ilumina!

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SPONHOLZ

PAULO FALCOSKI – PARANAGUÁ-PR

Caro editor fubânico Luiz Berto,

quero saber qual é a sua opinião sobre o pedido de demissão do Pedro Parente da direção da Petrobras.

Como leitor fiel e viciado, gostaria de tomar conhecimento do seu pensamento sobre o assunto.

Desculpe a impertinência.

Abraços.

R. Caro leitor, é muito fácil tomar conhecimento da realidade e da verdade dos fatos neste nosso país e firmar uma posição coerente sobre os mesmos.

Sobre qualquer tema.

Desde azeitamento do eixo do sol e batimento de punheta, passando por escovação de pica de burro e pedidos de demissão, até chegar em encangamento de grilos e atracação de navios.

Qualquer assunto mesmo.

É muito simples: basta você procurar saber o que pensam os debilóides zisquerdistas banânicos sobre o tema.

Só isto. Apenas isto. Nada mais que isto.

Se eles pensam uma coisa, pode ter certeza que o caminho certo é outro bem diferente.

Simples assim.

De modo que, pra saber se foi bom ou ruim, se foi ótimo ou péssimo negócio pra Banânia o pedido de demissão do Dr. Parente, é só procurar se informar sobre o que acham do assuntos os descerebrados vermêios.

Se tiver paciência e coragem, veja apenas duas coisas:

– um vídeo gravado pelo deputado cumunista do PC do B Orlando Silva, que foi ministro dos dois desastres: Lula e Dilma (argh!) e

– um nota cagatória fedentinosa assinada pela Comissão Executiva Nacional do PT, aquele covil que é de propriedade do presidiário Lula.

Pra ver o vídeo de Orlando, clique aqui.

Já pra ler o tsunâmi de bosta derramado pela direção do bando que usa a sigla partidária PT,  clique aqui

Nos dois casos, sobretudo no segundo, a nota da quadrilha, tenha por perto um pinico: a ânsia de vômito vai ser grande.

Acredite.

O fato é que Parente pediu demissão.

Já o ex-presidente nomeado para a Petrobras pelo PT, o Ademir Bendine (que também presidiu o Banco do Brasil), não pediu demissão: ele pediu mesmo foi pra não ser algemado quando a polícia chegou à sua porta pra prendê-lo por grossa corrupção e fantástica roubalheira.

Pra encerrar, aqui vai uma última sugestão:

Veja uma matéria sobre o pedido de demissão de Parente que saiu na “grande mídia golpista” ontem.

Os números apresentados na reportagem, bem como o perfil do demissionário, são bem interessantes.

Clique aqui e confira o que acabei de dizer.

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PAIXÃO

A CARTOMANTE COLOMBIANA (*)

Em outubro de 2005, estive nos Estados Unidos por razões profissionais. Terminados os trabalhos, adiei a viagem de retorno ao Brasil e passei uma semana em Miami. Depois quinze dias de trabalho, em ritmo intenso, queria passar uns dias descansando.

Aproveitei a ocasião para visitar um amigo – a quem chamarei aqui de Ricardo – que há anos morava naquela cidade da Flórida.

Conhecendo Miami como se houvesse vivido ali desde a infância, Ricardo levou-me para visitar muitos lugares e encontrar gente nova. Um dos lugares visitados foi um restaurante cubano, onde almoçamos certa vez. Como de costume, havia ali vários amigos dele, que nos receberam calorosamente.

Todos no lugar falavam espanhol. Despertou-me especial atenção uma colombiana, chamada Vera, que aparentava uns sessenta anos de idade e vestia roupas de cores aberrantes. Na cabeça, usava uma espécie de lenço vermelho, que prendia apenas parcialmente seus cabelos, dando-lhe a aparência de algumas ciganas de filmes e novelas.

À medida que a conversa avançava, percebi que ela frequentemente se referia a um certo Pablo, como sendo alguém conhecido das outras pessoas que estavam ali. Narrava fatos pitorescos envolvendo o tal Pablo, e todos riam.

Tentando compreender melhor o que se passava, perguntei:

– Con su permiso, señora, ¿quién es Pablo?

Ao ouvir minha pergunta, Vera deu uma sonora gargalhada. Mas não respondeu. Simplesmente lançou um olhar para meu amigo Ricardo e fez um movimento com a cabeça, como se o autorizasse a me responder. Ele entendeu o sinal e me disse, sorrindo, mas baixando a voz:

– A Vera é cartomante do Pablo Escobar. Cartomante só, não. É uma espécie de conselheira, guia espiritual, essas coisas …

– Cartomante de quem? – perguntei. Não por não haver entendido o que Ricardo me dissera em claro português, mas por achar que havia ali alguma espécie de brincadeira.

– Do Pablo Escobar. O colombiano.

– Então, ela foi cartomante dele, não? Porque, se o cliente dela for o Pablo Escobar que estou pensando, já morreu há uns dez anos.

Foi a vez de Ricardo olhar para Vera, como a lhe pedir autorização para seguir na explicação até o final.

Antecipei-me, porém, ao diálogo mímico dos dois e perguntei diretamente a ela, em espanhol:

– ¿Entonces usted fue cartomante de Pablo Escobar?

– En español, se habla “usted fue” o “yo fui” para hechos pasados – respondeu ela falando lentamente. – En el presente decimos: “usted es” o… “yo soy”!

– Sí, claro! Pero Pablo Escobar ha muerto desde hace más de 10 años…

Nova gargalhada de Vera. E continuou falando, agora, em um espanhol rápido e misturado a sorrisos, que, pelo que entendi, significava o seguinte:

– Não morreu nada! Armou toda aquela história de ter sido morto. Depois, se escondeu aqui, em Miami. Tudo combinado com o governo dos Estados Unidos. Fez parte do acordo para ele se entregar.

A essa altura, tive certeza de que ela realmente estava brincando comigo. O Pablo de quem falava era certamente algum amigo íntimo, a quem ela acrescentava o sobrenome Escobar, apenas como uma “broma”. Sorri e fiz um ar de quem havia acreditado no que acabara de ouvir, dando o caso por resolvido.

A partir daí, a conversa prosseguiu até nos despedirmos, sem mais nada digno de relato.

Ocorreu, porém, que, na noite daquele mesmo dia, Ricardo me levou a conhecer uma movimentada boate de Miami. O lugar estava lotado, com muita gente ocupando toda a calçada e parte da rua. A bilheteria já estava fechada e os seguranças, atentos para não permitirem a entrada de mais ninguém.

Falei para Ricardo que não havia problema. Que poderíamos ir embora e voltar no dia seguinte, mais cedo. Mas ele respondeu apenas:

– Espera, aí. Deixa eu ligar pra Vera, que ela dá um jeito.

Ligou, disse algumas palavras em espanhol que não entendi e deu uma gargalhada. Depois, desligou e falou para mim:

– Pronto. Resolvido!

Minutos depois, dois homens enormes, vestindo paletó, gravata e camisa pretos, saíram da boate e vieram em nossa direção. Dirigiram-se ao Ricardo e falaram com ele, em inglês, parecendo-me que pediam uma confirmação de que ele era mesmo quem procuravam. Em seguida, pediram-nos que os acompanhassem e conduziram-nos para a entrada da boate.

Lá dentro, Vera nos aguardava com um sorriso e um abraço. Estava em uma área restrita do lugar. Uma espécie de camarote, guardado por vários seguranças, semelhantes aos que nos foram buscar lá fora.

Acomodei-me por ali e fiquei observando o movimento. A todo o momento passavam garçons com bandejas repletas de latas de cerveja e drinks coloridos. Sem saber que tipo de bebida os tais drinks continham, preferi a segurança da cerveja.

Algum tempo depois, o fornecimento de cerveja foi suspenso, chegando a mim a informação de que, em toda a Flórida, a venda de bebidas alcoólicas era proibida de zero hora ao meio dia do domingo (nunca tentei confirmar isso).

A partir daí, o lugar começou a esvaziar-se lentamente. Vera já tinha ido embora bem antes. Ricardo sinalizou para irmos também. Pedi a um dos garçons que me orientasse sobre como fazer o pagamento das cervejas que havia consumido, mas ele me respondeu que eu não precisaria pagar nada. Falando em inglês, disse algo que me pareceu significar:

– Não precisa pagar nada. Todos aqui são convidados do Chefe!

Apontou para um homem ao fundo daquele espaço VIP e disse:

– Look there! He’s The Boss!

Em seguida, talvez por ter percebido meu sotaque e minha aparência latina, completou:

– Un gran hombre. El Patrón! – e afastou-se.

Como o tal “Patrón” estava cercado por muita gente, não consegui ver seu rosto. Reparei bem que era o único usando roupas de cor clara, provavelmente branca, nada mais que isso. Em meio àquele aglomerado de pessoas, a aproximação, para colher mais detalhes, era difícil. A iluminação também não ajudava.

Fomos embora e nunca perguntei nada a Ricardo sobre aquela noite, mas até hoje me pergunto se aquele homem da boate, chamado “The Boss” ou “El Patrón”, tinha alguma relação com a nossa conversa do almoço.

Alguns dias depois, retornei ao Brasil.

(*) Esta é uma obra de ficção. Tanto as datas como os nomes verdadeiros de pessoas e lugares foram incluídos para dar mais apelo dramático ao conto.

2 junho 2018 CHARGES

VERONEZI

2 junho 2018 EVENTOS

PARA OS FUBÂNICOS DE BRASÍLIA – ACADEMIA ANDRÉ BARCELLOS

Academia de Dança André Barcellos.

O grande ponto de encontro em Brasília.

Todos os ritmos, todas as danças, todas as músicas

Temos alunos dos 8 aos 80!

Endereço:

SGAS 904 – Clube da ASCEB

Telefone: 9-8363-0361

2 junho 2018 CHARGES

LUTE

SÊNECA E A BREVIDADE DA VIDA

Lúcio Anneo Sêneca (4 a.C.- 65 d.C.) foi filósofo, dramaturgo e escritor, considerado um dos expoentes intelectuais no início da Era Cristã. Nascido em Córdoba, Espanha, ainda jovem radicou-se em Roma onde recebeu educação refinada.

Foi conselheiro nas cortes dos imperadores Calígula, Cláudio e Nero. Esse último, um de seus pupilos, tornou-se, no futuro, seu carrasco ao forçá-lo ao suicídio.

A morte de Sêneca, de Rubens

O pensamento de Sêneca enfatiza medidas práticas que ensinam como enfrentar os problemas da vida e como encarar sem temor a certeza da morte. Na sua obra Sobre a brevidade da vida, Sêneca tenta nos orientar para a possibilidade de atingir a tranquilidade da alma e os meios de fazê-lo.

Neste texto destaquei alguns dos ensinamentos do filósofo ainda atuais e inspiradores, mesmo transcorridos mais de dois milênios de concebidos.

• Pequena é a parte da vida que vivemos, pois todo o restante não é vida, mas somente tempo.

• Nenhum homem sábio deixará de se espantar com a cegueira do espírito humano. São econômicos na preservação de seu patrimônio, mas desperdiçam o tempo, a única coisa que justificaria a avareza.

• Que tolice dos mortais a de adiar para o quinquagésimo e sexagésimo anos as sábias decisões e, a partir daí, onde poucos chegaram, mostrar desejo de começar a viver?

• Não julgues que alguém viveu muito por causa de suas rugas e cabelos brancos: ele não viveu muito, apenas existiu por muito tempo.

• Ninguém valoriza o tempo, faz-se uso dele muito largamente como se fosse gratuito. Uma vez lançada, a vida segue o seu curso e não o reverterá nem o interromperá, não o elevará, não te avisará de sua velocidade, transcorrerá silenciosamente.

• …assim é o caminho da vida, incessante e muito rápido, que, dormindo ou acordados, fazemos com um mesmo passo e que, aos ocupados, não é evidente, exceto quando chegam ao fim.

• A vida se divide em três períodos: aquilo que foi, o que é e o que será. O que fazemos é breve, o que faremos dúbio, o que fizemos, certo. Na verdade, o destino perdeu o controle sobre o passado, ninguém pode querer recuperá-lo.

• Muito breve e agitada é a vida daqueles que esquecem o passado, negligenciam o presente e temem o futuro. Quando chegam ao fim, os coitados entendem, muito tarde, que estiveram ocupados fazendo nada.

• A vida abandonou a alguns logo na sua primeira fase, antes de conseguirem atingir o máximo de sua ambição; a outros, após terem cometido diversas desonestidades e galgado a mais elevada posição, vem-lhes à mente a amarga convicção de ter trabalhado tanto por uma vã inscrição num túmulo.
Sêneca, certamente, não deixou apenas o seu nome numa lápide.

Sêneca, certamente, não deixou apenas o seu nome numa lápide.

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SPONHOLZ

2 junho 2018 DEU NO JORNAL

PARENTE PERIGOSO

J.R. Guzzo

Todas as vezes que ouvir falar em “recurso estratégico”, ponha a mão no bolso e segure a carteira: alguém, com certeza, está querendo roubar você. Pode ser gente do governo — tanto faz que seja da situação ou da oposição. Podem ser sindicatos e CUTs. Podem ser, certamente, empreiteiros de obras públicas loucos para construir refinarias, “complexos industriais” e “plantas” disto ou daquilo. Podem ser todos os economistas do “campo progressista”, sem exceção. Podem ser intelectuais, professores de universidade, artistas de novela. Existe à vista alguma coisa que possa ter um valor qualquer? Então, dizem todos os nomeados acima, é “estratégico”. Se é estratégico ninguém pode mexer: a coisa tem de ser “do Estado”, ou do governo. Como tanto o “Estado” quanto o “governo” são uma ideia e não um ser humano, a exemplo do ex-presidente Lula, isso quer dizer, obrigatoriamente, que gente de muita carne e muito osso vai mandar nela. Também obrigatoriamente, essa gente vai criar empresas imensas para cuidar da riqueza da “população”, lotar cada uma delas com funcionários amigos e roubar o pobre do “recurso estratégico” até não sobrar um único osso.

A esquerda nacional, historicamente, é a mãe desnaturada dos gêmeos “bem estratégico” e “empresa estatal”, mas os beneficiários materiais de sua doutrina não são apenas os esquerdistas. Como acontece com tanta frequência na aplicação das ideias “progressistas”, entra na festa todo o tipo de safado que a elite brasileira tem a oferecer — com o tempo, na verdade, vai se descobrindo que é justamente esse bonde do capitalismo terceiro-mundista, tão selvagem quanto a selva no inferno de Dante, quem mais ganha dinheiro com a história de que “o Brasil tem de defender as suas riquezas da cobiça internacional” etc, etc,. Vale qualquer coisa, aí. Está na cara que temos de estatizar tudo o que passar pela frente, do trióxido de molibdênio à cachaça 51, pregam os arquiduques do “Brasil forte” — assim fica tudo só para nós. Simples demais? Pode ser simples, mas não é demais: é apenas a verdade estabelecida pela observação dos fatos, diante da roubalheira que chegou ao ponto de fissão nuclear a partir dos governos Lula-Dilma e que tanta gente está hoje desesperada para colocar de novo em operação.

Em nenhum espaço da vida brasileira a ação dos saqueadores se mostra tão desesperada quanto no petróleo e na Petrobras. Trata-se, possivelmente, da área em que o brasileiro é roubado há mais tempo — espantosamente, desde 1953. Depois da implosão do PT, a Petrobras tem passado com excelentes resultados por um processo de reconstrução. O governo Michel Temer desistiu de encher a empresa de políticos-bandidos, o que deixa absolutamente transtornados os presidentes do Senado, da Câmara e as gangues do Congresso, e permitiu que um executivo de talento, Pedro Parente, tocasse a máquina como ela deve ser tocada. Deu certo. Parente salvou a estatal da falência e criou ali uma cultura de competência, responsabilidade e resultados. É claro que os políticos, de Lula ao extremo anti-Lula, querem matar esse Parente.

O pano de fundo da greve dos caminhoneiros, que tanto barulho levantou, é a guerra entre a liberdade econômica e as forças que querem continuar controlando o petróleo e os combustíveis no Brasil. Na superfície é uma disputa por preços, eliminação de impostos dementes e questões financeiras imediatas — por sinal esses caminhoneiros, onde Lula e a esquerda são detestados, mostraram uma capacidade de juntar gente e mostrar força infinitamente maiores que a “mobilização social” em favor do “Lula Livre”. (A multidão que iria cercar a prisão “até Lula ser solto” nunca passou de 500 pessoas, e hoje está reduzida a nada. Virou uma palhaçada de artistas que agora usam Lula para promover seus shows.) Para além da greve, porém, está a discussão verdadeira: o fim da Petrobras e similares, o estabelecimento da livre concorrência e a construção de um Brasil com chances de progredir.

2 junho 2018 CHARGES

AMARILDO

ALTEMAR DUTRA

Altemar Dutra, o Eterno Seresteiro, interpreta de Martinha e César Augusto, “Pouco a Pouco“.


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