3 junho 2018 CHARGES

LUSCAR

BATATA QUENTE

A fragilidade do governo, forçou Temer a incorrer em dias alguns dos erros cometidos pelos governos populistas do passado. A economia, que já andava claudicante, ficou de mal a pior e o povo que não teve participação no caso, penou demais. Pagou caro pelos desacertos dos outros, durante os 11 dias de paralisação nas rodovias que trouxeram prejuízos para vários setores.

A greve dos caminhoneiros fez o Brasil perceber que caiu mais uma vez numa sinuca de bico. Sem Rui Chapéu, já no andar de cima, para ajudar a desajustada economia escapar da embrulhada, o país se contorce. Sofreu demais. Filas quilométricas nos postos, desabastecimento, transporte público parado, caminhões estacionados no acostamento, produtos estragados, morte de um caminhoneiro a pedrada, perda de milhões de aves adultas e de filhotes por inanição, agressão covarde de bandidos em vantagem numérica a um indefeso e solitário cegonheiro.

A falta de matéria-prima acomodada nos caminhões estacionados nas estradas parou diversos setores industriais. Interrompeu a produção, principalmente na área de proteínas, produtoras de enzimas para a fabricação de detergentes, alimentos, têxteis, farmacêutico e química fina.

A paralisação desestruturou também a logística de algumas empresas, obrigando algumas, inclusive, a renegociar dívidas, além de enfraquecer o PIB, já em estágio cambaleante. Mas, o impacto da manifestação não parou aí, vai além. Causa incertezas de curto, médio e longo prazo. Mexe, sobretudo, na agropecuária, na construção civil e no ramo automotivo.

No longo prazo a desgraceira é a incerteza impelindo o investidor ficar meio atravessado com a falta de segurança no mercado. A escassez de produtos na praça deve trazer outras sérias consequências. Reajuste de preço, pressão inflacionária, comprometimento da política de juros, forçar o corte de gastos de onde não devia. Não é segredo, o corte de gasto público, subsidiando a política de preços da Petrobrás, indica que haverá redução na verba de educação e saúde.

Os gestores nem se lembraram dos deslizes cometidos pelo governo anterior que também usou o mecanismo do subsídio, indevidamente, para beneficiar empresas e congelar os combustíveis visando apenas garantir votos. Sem se preocupar com os impactos negativos a surgir posteriormente. Como de fato aconteceram nestes dois anos imediatos.

Um dos defeitos desse governo é o descumprimento de promessas. No início, Temer prometeu fazer diversas e necessárias reformas para organizar as finanças públicas em completa desarrumação. Porém, de repente esquece o prometido. Engavetou as reformas fiscal e tributária. Não esboçou iniciativa. Apesar das reformas estarem enquadradas como necessárias para ajustar essa economia em completo estágio de desajuste. A consequência do esquecimento fez a dívida líquida do setor público quase dobrar. Aumentando o azar do país em adiantado estado de desorganização.

Neste imbróglio, o governo cometeu alguns pecados. Um dos graves, foi ignorar o alerta da Associação Brasileira dos Caminhoneiros sobre possível a paralisação da categoria em decorrência da falta de medidas para compensar os reajustes do diesel que comprimiam o preço do frete. Como se achou superior aos anseios dos caminhoneiros, deixou acontecer e deu no que deu. Caos total com travamento econômico.

O cochilo da Agência Brasileira de Inteligência-ABIN que não avaliou a disposição dos motoristas a parar e introduzir sérios efeitos negativos na economia, foi outra displicência grave. Por outro lado, a lentidão governamental em reagir ao movimento, encorajou os manifestantes a robustecer o protesto a tal ponto que, em vez de usar inicialmente as polícias estaduais para conter os ânimos, a União preferiu utilizar o poderio das Forças Armadas. Numa clara demonstração de fraqueza, diante da resistente iniciativa dos grevistas.

Ora, a Petrobras é uma empresa petrolífera, obrigada a investir pesado na exploração do petróleo. Mas, em vez de investir, a estatal foi usada e abusada pela gangue de falsos diretores que implantou o pior esquema de corrupção em 60 anos de existência da empresa no campo petrolífero. A corrupção, comprovadamente, devastou um dos maiores e mais sólidos patrimônios do mundo. Causando extraordinário rombo. Jogado nas costas do povo para recuperar o arrasado acervo.

O escândalo de propinas na Petrobras começou em 2004 e se estendeu até 2014. Foram dez anos de fraudes que deixaram a petrolífera em completa turbulência. O desvio de recursos foi estimado em aproximadamente 10 bilhões de reais. O rombo, inclusive, supera o governo colonial quando mandou para Portugal navios carregados de ouro, prata e diamantes. Tendo o povo, na ocasião, apenas como mero e inativo espectador.

Contudo, arrombada, a Petrobras teve a sorte de encontrar um técnico com capacidade para reverter a terrível situação. Tirar a empresa do vermelho para colocar no seu devido lugar em curto espaço de tempo. Reerguer a instituição como uma organização altamente rentável. Isso, comprova que a Petrobrás tem de ser administrada por técnicos altamente preparados, sem ter o tino simplesmente político. Papel que cabe exclusivamente aos gestores públicos. Infelizmente, qualidade em escassez no cenário brasileiro. Dirigentes incapazes de tirar o país da lama. Resolvendo os graves problemas econômicos e sociais que acirram os ânimos. Tiram o sono do cidadão. Quebram o país.

O escandaloso negócio da corrupção na Petrobrás realmente foi desastroso,. Havia tanta sujeira debaixo do tapete, que em pouco tempo, o valor patrimonial da empresa caiu de repente. Avaliada em 2010 no patamar de R$ 380 bilhões, no entanto, em 2015, em apenas cinco anos, a estimativa desceu para apenas R$ 101 bilhões. Num incrível e criminoso declínio que a Lava Jato em boa hora tenta recuperar os robustos desfalques, punindo a curriola, às vezes protegida por membros do Judiciário, contra a negativa da sociedade que defende a imposição da lei, como forma de proteger a Nação de ricos, mais desonestos malfeitores, agindo às escondidas, por debaixo do pano.

Não adianta discutir, a única função social da Petrobrás é manter-se lucrativa para satisfazer os interesses dos acionistas internacionais que só visam lucros, dividendos crescentes. E pra isso, a estatal deve ter condições de investir maciçamente para manter-se no páreo, internacionalmente. A empresa não tem obrigação alguma em adotar uma política de preço para agradar a população. Sua missão, por ter investidores internacionais no quadro de associados, é produzir lucros, distribuir dividendos em expansão aos investidores. Acompanhar a variação cambial e do preço do petróleo no mercado externo e repassar o resultado obtido aos consumidores. Doa a quem doer.

O Brasil tem é que de se cuidar. Deixar de ser um país corrupto, adepto do tradicional jeitinho, vítima dos famosos quebra-galhos, sem decisões progressistas, provocando enormes sulcos econômicos e sociais, sem resultados positivos.

O país tem de fazer o dever de casa. Urgentemente. Sair do marasmo herdado de governos populistas que só querem garantir o voto. Manter-se na crista da onda, através do carisma de líderes, doutores em linguagem do povão, políticos devidamente preparados para o esquema, pensando apenas em ganhar notoriedade, via decisões autoritárias e meramente assistencialistas, para segurar a popularidade. Desprezar governantes que se julgam o salvador da pátria sem se importar com as divergências plantadas entre os poderes constituídos. Políticos alimentando o egoismo e a ganância para viver eternamente mergulhado em benesses e mordomias à custa da ignorância de um povo modesto. Incapaz de reagir e cobrar sinceras medidas para melhorar de vida. Escapa do cabresto do escravizo.

Enquanto não se livrar dos eternos problemas, como desemprego, violência, criminalidade, impunidade, poluição diversas, saúde, educação, desigualdade social, habitação, saneamento, transporte público, e gestores inativos e desonestos, o Brasil permanece com a cara no chão. Sendo pisoteado pela interesseira e improdutiva classe política que só quer mamar. Enganar, enricar da noite pro dia. Conservar o povo nas filas com fins eleitoreiro, absorvido nas necessidades.

Sendo aplaudidos pela inocência de uma sofrida, mas pacífica massa. Incapaz de reagir nas urnas, desconhecendo a força que a união possui, capaz de eliminar a eternidade de estéreis mandatos. São coisas da vida.

3 junho 2018 CHARGES

NANI

SORTILÉGIO

Quando o dia se fez noite
A lua com seu clarão
Foi tingindo a escuridão
Veio o vento feito açoite
Para fazer seu pernoite
Invadiu minha janela
O desejo se revela
A cada toque do vento
Eu sem pejo me contento
No alento que a mim se atrela.

Dalinha Catunda

Quando a noite se fez dia
E o Sol raiou no horizonte
Surgindo detrás do monte
A sua luz irradia
A mais completa alegria
No canto da passarada
Ao dar início à jornada
Para a moça da janela
Que, suspirando, revela
A donzela apaixonada!

José Walter Pires

Esta colunista com José Walter Pires, ambos membros da Academia Brasileira de Literatura de Cordel; José Walter é irmão do grande artista Morais Moreira

3 junho 2018 CHARGES

SINOVALDO

BEM BRASILEIRO, BOM BRASILEIRO

Está ruim: políticos importantes merecidamente presos, outros ainda não. Governo fraco, nas mãos de congressistas que só têm força na hora de buscar vantagens pessoais.

Carlos Marun é ministro. Gleisi comanda o PT.

Está ruim, mas pior ainda é essa campanha para culpar os cidadãos pela sem-vergonhice e corrupção nos altos escalões. Coisas do tipo “ah, você é contra o desrespeito às leis mas já estacionou em lugar proibido”, “prestou um serviço e recebeu por fora”, “reclama da falta de educação dos outros mas já jogou embalagem de chocolate na rua”. Ou seja, a bandalheira dos poderosos nasce de sua falta de correção ao pegar um envelopinho a mais de açúcar na hora do cafezinho. Jogar papel de bala na rua e ordenhar as estatais é mais ou menos a mesma coisa. Seríamos malandros incorrigíveis, enquanto japoneses, suecos e coreanos cumpririam seus deveres cívicos.

Só que não. Há tempos, o notável articulista Mauro Chaves perguntou por que o brasileiro, na Suíça, não jogava maço de cigarros vazio no chão, enquanto, no Brasil, os suíços não se davam ao trabalho de procurar a lata de lixo. O motivo era simples: é que lá tem polícia. As altas multas educam o cidadão pelo bolso. O cidadão, aqui e lá, sabe o que lhe é conveniente.

Há brasileiros influentes na política americana de banda larga, na saúde canadense, no comércio libanês, na expansão das exportações chinesas. Sem complexo de vira-latas: ruins são os governantes, não os governados.

Tem de ser fraco

O executivo Pedro Parente, em dois anos, recuperou a Petrobras. Foi um processo doloroso, já que era preciso, além de gerir o presente, descobrir e pagar os rombos do passado. Houve acordos com credores e acionistas, os investimentos foram retomados, a Petrobras voltou a ser lucrativa – o que é essencial se quiser captar recursos para se desenvolver. Até Luiz Marinho, o mais petista dos petistas, candidato do PT ao Governo paulista, admitiu que Dilma tinha perdido a mão no comando da Petrobrás. Parente sofria um processo de fritura. Afinal, que é que fazia um executivo como ele num Governo que tem Eunício como expoente? Pediu demissão. Caiu ele, caíram as ações da Petrobras. O investidor cuida de seu dinheiro.

Dinheiro fujão

Depois do acordo do Governo com as empresas de transporte – que os jornais chamam de “caminhoneiros”, como se um caminhoneiro pudesse ficar nove dias sem trabalhar – começou a discussão: onde o Tesouro iria buscar recursos para cobrir todas as concessões oficiais? Houve gente que listou fontes de recursos (insuficientes, mas pelo menos sairiam das mordomias oficiais): fim dos penduricalhos que multiplicam vencimentos de funcionários e os colocam muito acima do teto constitucional; fim das viagens em jatinhos da FAB; fim do seguro-saúde ilimitado e permanente dos parlamentares; e assim por diante. Mas isso não vai dar certo. Esta coluna teve acesso a uma lista, em papel timbrado do Tribunal de Justiça do DF e Territórios, com 401 linhas contendo nomes que receberiam, cada um, R$ 437.773,00, a título de auxílio-moradia atrasado. Faça um teste de aritmética: R$ 437.773,00 x 401. E responda: como pagar essas contas?

Dívida no alto

Essas contas não são pagas: o Governo pega dinheiro emprestado para honrá-las. O que faz, na verdade, é transferir a quantia para a dívida pública, mais juros, despesas, etc. Todos os etc. que der para imaginar. Resultado: a dívida pública federal subiu 27% desde o início do Governo Temer, informa Lauro Jardim. Alcançou o estonteante total de 3 trilhões, 658 bilhões de reais. Mas Temer não é o único gastador: do último dia do Governo Fernando Henrique até hoje, Governos Lula e Dilma, a dívida pública subiu 412%.

Luz, ele quer luz

Acredite: o presidente Michel Temer diz que, durante a paralisação dos caminhões, foi iluminado por Deus. Não deve ser verdade, claro. Se Deus o tivesse iluminado, tão logo visse aquela imagem de mordomo de filme de terror apagaria a luz. Bela Lugosi, Boris Karloff, Vincent Price – nenhum dos astros de terror de Hollywood chegava aos pés de nosso presidente. E vejamos as medidas tomadas pelo Iluminado para resolver seus problemas.

Segurança no Rio

Temer determinou a intervenção de tropas federais para enfrentar os problemas de segurança do Rio. Há quem diga que não aconteceu nada, mas aconteceu, sim. Traficantes tomaram cinco estações do belo BRT, o ônibus de transporte rápido construído para os Jogos Olímpicos. E montaram quiosques para a venda de drogas ao longo do percurso.

Povo mais rico

Temer reajustou a Bolsa Família em 5,67% a partir de 1º de julho. Atenção, beneficiários: não é para sair por aí gastando feito loucos.

3 junho 2018 CHARGES

CLAYTON

MARCEL KROETZ – CURITIBA-PR

41% dos entrevistados não sabem quem governa o estado do Paraná

É o que indica a última pesquisa IBOPE encomendada pela CBN Cascavel.

Embora possa parecer não muito relevante, esse número indica o quanto a população se encontra desconectada da política, há menos de cinco meses das próximas eleições.

Se o que queremos é um Estado que atenda aos anseios da população, precisamos participar mais.

Precisamos ficar de olho nas ações dos governos, tanto estadual como federal, e, principalmente, precismos participar mais da vida partidária do partido ao qual decidimos nos filiar.

É apenas com a participação efetiva da população que a política passa a fazer sentido e aqueles que se dispuseram a representar passam a realmente representar a população.

Pré-candidato a Deputado Estadual no Paraná.
#TimeAlvaroDias #SomosTodosParaná!

Marcel Kroetz – Pré-candidato a Deputado Estadual no Paraná

Av. Candido Hartmann, 3530, Curitiba, 82-010-000

R. Insolentíssimo Sinhô:

Saiba que a Editoria do JBF está muito grata pelo fato do nobilíssimo candidato ter mandado pra cá o seu anúncio e, assim, ter ajudado a baixar mais ainda o nível desta gazeta escrota.

Publicar propaganda de candidato a deputado, estadual ou federal, era tudo que faltava neste jornal.

Quem quiser vistar a página do paranaense aspirante ao cargo de parlamentar Marcel Kroetz basta clicar aqui.

Atenção sinhores candidatos a todos os cargos, em todos os estados de Banânia, nas próximas eleições:

Usem e abusem deste espaço.

Ajudem a esculhambar mais ainda este antro.

Será uma alegria enorme publicar vossas propagandas.

E se for candidato do PT, do PCdoB ou de qualquer bando das zisquerdas, a avacalhação vai ser melhor ainda!!!

3 junho 2018 CHARGES

VERONEZI

AOS TEUS OLHOS E AOS MEUS SENTIMENTOS

Penteando meus longos cabelos lisos em frente ao espelho encarava-me profundamente, perdida em meu próprio olhar. Pensamentos desconexos, aleatórios, pensaria uma pessoa se pudessem os escutar. Para mim, autora destes devaneios íntimos, eles seguem uma linha bastante lógica. Fiquei ali por longos minutos, lembrando da enorme e desnecessária discussão da noite anterior. É impressionante como perdemos o controle facilmente, como uma pequena chateação torna-se um questionamento sobre ir ou ficar.

Já imóvel ainda me olhando no espelho, deixei o pente na cama e forcei-me a secar as lágrimas que escorriam pelo rosto, a esta altura, já contavam-se muitas. Forcei-me porque não queria ainda esconder as provas de tamanha infelicidade pelo último acontecimento. Queria deixar escancarado todo meu sentimento de revolta, essas lágrimas mostram a minha insatisfação e isso tem que ficar claro!

No fim, enxugando-as, vejo que não passam apenas de sentimentos meus, meus apenas. Preocupações minhas, ninguém dá a mínima pra isso. E sinto-me ainda mais revoltada, por saber disso e ainda esperar que seja diferente. Deixei meu corpo amortecido por tanto ódio, cair sob a cama, ainda com a bagunça de uma noite mal dormida. Deitei nos lençóis quentinhos e senti-me acolhida. Chorei novamente, de desgosto, de ver minha estupidez, de sentir necessidade de mudar a situação, mas querê-la como está.

Deveria querer sair e respirar a liberdade de ser eu mesma sem ter responsabilidade na vida das outras pessoas. Seria mais fácil andar sem rumo, sem compromisso, e esquecer essas mágoas que marcam meu coração e me enchem de tanta infelicidade. Essa intensidade de sentir, inclusive essas coisas mais pesadas e tristes, dão a impressão de que sou deliberadamente depressiva. Não, não o sou. Confesso ser intensa; uma gota é um oceano dentro de mim, com certeza! Mas isso se dá nas alegrias também… acontece que as melancolias nos abatem mais do que as felicidades nos fazem sorrir pelos olhos.

Ainda deitada, já soluçando apenas, sem mais pranto a me consumir, respirei fundo, quase como se colocasse um ponto final nesta situação. Sinto outra presença no quarto, abro os olhos e ali estava ele, a me encarar, a me cobrar um comportamento diferente. Como se me desse uma lição, mais ainda, como se quisesse provar o que havia me dito noite passada: ‘és muito depressiva, há de aprender a ser diferente!’ Essas palavras ecoaram através do seu olhar feroz naquele instante.

Como explicar que a intensidade tem dois lados? Como mostrar que é a própria tristeza nos faz lembrar que a felicidade é melhor e mais gostosa de se viver? Ainda assim há de se passar por ela… A cobrança que me ele me faz é injusta e inapropriada. Ainda mais pelo seu papel em minha vida e pelo seu papel nesta confusão e drama todo.

Casada, exausta na verdade, só olhei pra ele. Olhinhos marejados novamente, com um nó na garganta, que nem ousava a desatar naquele momento, apenas acenei positivamente com a cabeça, concordando apenas com o gesto não com o sentimento. Há tanto que não sabe, ou se limita a não saber… Me deixa confusa, temos que despertar o melhor em nós, as experiências, boas ou ruins, nos fazem isso. Prefere ser apenas um pedaço de papel em branco, sem cor, sem traço algum. Que seja, que me responsabilize por qualquer que seja a obra que temos que fazem em nós, que deixa como mentora de uma vida que nem eu mesma sei guiar. Sou suficientemente responsável e capaz de nos levar, ambos, para um caminho de rosas, sem dúvidas! Deixe-me apenas curtir, um dia ou outro, a dor que os espinhos me causam por cultivá-las. Sentir este sofrimento me é essencial, faz-me renovar o espírito e buscar o que mais quero: viver plenamente feliz.

Depois de acenar-lhe com a cabeça, virou as costas e saiu do quarto, deixando a porta aberta. Olhei seu caminhar lento até o fim do corredor, apenas onde minha visão alcançava. Notei que estava mais perdido, e em dor, do que eu. Ali, senti mais forte a necessidade de nos fazer caminhar. Sequei a última lágrima a descer, levantei, prendi os cabelos já penteados e saí a te ajudar a terminar o caminho.

3 junho 2018 CHARGES

AMARILDO

O BRASIL DE ONTEM?

Chico Anysio não precisa de apresentação, era um artista completo. Não consegui saber a data do programa Fantástico que contava com a presença de Chico, sempre contando histórias do nosso dia-a-dia, com aquele humor inteligente que hoje a meu ver, está em desuso, acredito que era na década de 70/80.

Foguete Brasileiro

* * *

Eram tempos de pudor acentuado, onde os mestres da indústria cinematográfica de Hollywood com imaginação e inteligência, demonstram no filme “Meus Dois Carinhos”, os efeitos de uma grande noite para a viúva interpretada pela estonteante Rita Hayworth. Acrescente-se também que aquele banheiro é um verdadeiro escândalo de beleza.

Bewitched, Borhered & Bewildered

*****

Dica:

A série de TV As Aventuras de Rin Tin Tin, produzida entre 1954 e l959, foi muito apreciada na sua época. Salvo engano, foi também precursora de filmes onde os cachorros são o grande destaque. Dois são os animais domesticados com a evolução da humanidade: Cachorro e Cavalo. Os episódios eram em preto e branco e dublados, mas, encontramos alguns que posteriormente foram coloridos.

O Ninho da Águia

3 junho 2018 CHARGES

DUKE

3 junho 2018 DEU NO JORNAL

Ô POVO BESTA É ESTE DO PRIMEIRO MUNDO

O príncipe Harry e Meghan Markle devolverão £ 7 milhões – o equivalente a cerca de R$ 35 milhões – em presentes que receberam no casamento.

Seguindo o protocolo da família real, eles não podem aceitar lembranças enviadas por desconhecidos, sejam eles cidadãos comuns ou empresas.

A norma busca evitar que marcas se aproveitem da imagem de Harry e Meghan para fazer publicidade.

Uma loja de roupas de banho personalizadas enviou um biquíni e uma sunga ao casal, na esperança de que as peças fossem usadas durante a lua de mel.

O presente foi devolvido.

* * *

Hum… a princesa ganhou um biquini…

O cheiro da imperial buceta deverá valorizar imensamente a peça se esta for a leilão um dia.

Ô povinho besta mesmo é este da realeza britânica.

Ganhado não é roubado, garante Esmeraldo Boca-de-Fossa, Peruador Sociológico de Palmares.

Vejam só:

O casal vai devolver uma miudeza equivalente a 35 milhões de reais.

Com esta fortuna, aqui em Banânia, daria pra comprar 30 apartamentos triplex no Guarujá!

Confiram o preço deste tipo de imóvel num anúncio de uma imobiliária paulistana:

Se eles da realeza britânica seguissem o exemplo de Banânia, num rejeitariam nem os cambucos de botar sal que ganharam de presente.

Nem os pinicos!!!

Aqui em Banânia os homi do pudê se apoderam de tudo.

Até mesmo um bando com sigla partidária botou seu símbolo – uma istrêla-vermêia -, no gramado de um palácio oficial:

Nesta nossa esculhambada terrinha, não só os “presentes”, mas até mesmo os móveis e utensílios públicos são considerados objetos pessoais do rapinador-governante por uma lei baixada pelo proprietário do PT, o hoje presidiário Lula.

Aliás, preso exatamente por roubalheiras e saques.

É pra arrombar a tabaca de Xolinha!!!

A empresa 5 Estrelas foi promovida a 13 Estrelas depois que 11 (isto mesmo: onze!!!) dos seus caminhões transportaram a rapina que Lula fez nos palácios da Alvorada e do Planalto

3 junho 2018 CHARGES

NICOLIELO

OS BRASILEIROS VIII – ANDRÉ REBOUÇAS

André Rebouças

André Pinto Rebouças nasceu em 13/1/1838, em Cachoeira, Bahia. Engenheiro, abolicionista e inventor. Seu pai, Antonio Pereira Rebouças era advogado, deputado e conselheiro de Dom Pedro II. Ao lado de Machado de Assis, Cruz e Souza, José do Patrocínio, foi um dos representantes da pequena classe média negra em ascensão no 2º Reinado. Em 1842, a família mudou-se para o Rio de Janeiro, onde estudou em alguns colégios até ingressar no curso de engenharia da Escola Militar, junto com o irmão Antonio, em 1854. Quatro anos após, concluem o curso e em seguida são promovidos a primeiro-tenente.

Em 1861, os irmãos recebem uma bolsa de estudos e viajam à Europa para aprofundar os estudos de engenharia em ferrovias, portos e transporte marítimo, na França e na Inglaterra. De volta ao Brasil, em novembro de 1862, foram trabalhar no aperfeiçoamento dos portos e fortificações brasileiras. Em 1864 André alistou-se no Exército e foi para a Guerra do Paraguai na condição de engenheiro militar. Na ocasião desenvolveu um torpedo, que foi utilizado com sucesso durante as batalhas. Devido a problemas de saúde, teve que retornar ao Rio de Janeiro antes do fim da guerra. Foi nomeado Diretor das Docas da Alfândega em 1866 e permaneceu até 1871 trabalhando em diversos projetos para novos portos: João Pessoa, São Luís, Maranhão, Recife e Salvador. Junto com o irmão Antônio, apresentou à Corte o projeto de construção da estrada de ferro ligando Curitiba ao litoral, na cidade de Antonina. Na execução do projeto, o trajeto foi alterado para o porto de Paranaguá. Até hoje essa obra impressiona pela ousadia de sua concepção.

Demitido do cargo por motivos políticos, embarcou de novo, em 1872, para a Europa e Estados Unidos, onde sofreu preconceito de cor: foi impedido de se hospedar em alguns hotéis, entrar em restaurantes, assistir operas em teatros etc. Reagiu ao seu modo, discreto, e anotando em seu diário, que manteve durante toda a vida. Na viagem pela Europa, se empenhou na obtenção de recursos para auxiliar Carlos Gomes, autor da ópera O Guarani. De volta ao Rio de Janeiro, passou a evitar o convívio social na Corte e intensificou a publicação de artigos na imprensa. Contratado pela Escola Politécnica, dividiu suas atividades entre lecionar e batalhar pela abolição da escravatura junto com Joaquim Nabuco e outros intelectuais. Participou da criação da Sociedade Brasileira contra a Escravidão, Sociedade Abolicionista e a Sociedade Central de Imigração.

Seu envolvimento com a abolição não é apenas intelectual. Em 1883 foi eleito tesoureiro da Confederação Abolicionista, destacando-se como financiador e orientador da campanha no Rio de Janeiro. Com visão progressista, contrapunha-se a todos os tipos de escravidão e lutava contra a “reescravização do imigrante pelos donos da terra”. Dentre os abolicionistas, foi o que mais anteviu as profundas implicações da eliminação da mão-de-obra escrava. Em suas palavras: “escravidão não está no nome e sim no fato de usufruir do trabalho de miseráveis sem pagar salário ou pagando apenas o estrito necessário para não morrer de fome… Aviltar e minimizar o salário é reescravizar”.

Defendeu a emancipação e regeneração do escravo através da aquisição da terra. A transformação da agricultura brasileira deveria se dar com uma reforma agrária contemplando os negros libertos. Seu pensamento dirigia-se ao dia seguinte, quando os escravos fossem libertos e se mantivessem tão pobres e sem direitos como sertanejos. Tais ideias foram expostas em seu livro Agricultura nacional, estudos econômicos: propaganda abolicionista e democrática. Caso suas propostas fossem adotadas, a distribuição da riqueza e o problema racial no Brasil estariam noutro patamar. Além da reforma agraria, propunha o crédito rural de modo a garantir o desenvolvimento dos pequenos proprietários sejam brancos ou negros.

Tinha grande prestigio junto a Dom Pedro II e a Princesa Isabel, dos quais desfrutava uma amizade pessoal. No último ano do império, recebeu do imperador diversos encargos e participou ativamente dos acontecimentos políticos do País. Ao participar do baile imperial, na Ilha Fiscal, em 9/11/1889, quase às vésperas da proclamação da república, foi recusado por uma dama convidada para dançar. Observando o ocorrido, D. Pedro II solicitou à Princesa Isabel para ser seu par. O fato deixou a nobreza estarrecida ao mesmo tempo em que reafirmava a simpatia da Princesa pela causa abolicionista. Pouco depois, com a instauração da República, manteve-se fiel à monarquia e seguiu junto com a família real no “Paquete Alagoas” no exílio com destino à Europa.

Viveu dois anos em Lisboa, onde atuou como correspondente do jornal “The Times”, de Londres e colaborador da “Gazeta de Portugal”. Em seguida transferiu-se para a França e passou a viver em Cannes até a morte de Dom Pedro II, em 1891. No ano seguinte, aceitou convite para trabalhar em Luanda e passou a colaborar com alguns países africanos. Em meados de 1893 foi viver em Funchal, na Ilha da Madeira, até 9/5/1898, quando foi encontrado morto no mar em frente a sua casa. As homenagens e o reconhecimento público dirigidos à ele e seu irmão Antônio tem se proliferado em diversos estados brasileiros, tais como a grande avenida em São Paulo, o túnel no Rio de Janeiro e a cidade de Rebouças, no Paraná. A mais recente ocorreu em 2015, com seu nome dado ao Navio André Rebouças.

Deixou alguns livros publicados não apenas sobre o abolicionismo: A sêcca do norte, publicado pela Editora do Povo, em 1877, hoje considerado raríssimo, e outros republicados tais como Propaganda abolicionista e democrática; Diário da Guerra do Paraguai; Reforma e utopia no contexto do segundo império, que podem ser encontrados em sebos e antiquários. Sua vida e obra têm sido expostas na bibliografia referente ao 2º Império, além de algumas biografias: O quinto século: André Rebouças e a construção do Brasil, de Maria Alice Rezende de Carvalho (Ed. Revan, 1998); André Rebouças: um engenheiro do Império, de Alexandro Dantas Trindade.(Ed. Hucitec, 2011) e Da abolição da escravatura à abolição da miséria: a vida e as ideias de André Rebouças, de Andréa Santos Pessanha (Ed. Quartet, 2005).

3 junho 2018 CHARGES

J. BOSCO

3 junho 2018 EVENTOS

É HOJE! – PARA OS FUBÂNICOS DO RECIFE – RELICÁRIOS: MEMÓRIAS DO SOM

A partitura é o relicário da música
O instrumento é o relicário do som
O músico abre o relicário e liberta os sons
Os sons preenchem o Museu, relicário da arte
Em festa, imagens sagradas e sons – sagrados
Pelos ouvidos, pelos olhos, pelo tato
Viram memória no corpo – relicário da alma. (Maria Aída Barroso)

Para aqueles que amam a música clássica, e para os que desejam conhecer um pouco desse universo, o mês de junho vai começar em grande estilo. O projeto “RELICÁRIOS: MEMÓRIAS DO SOM”, traz, a partir do domingo, dia 3, ao Museu de Arte Sacra de Pernambuco, uma série de concertos com música erudita de qualidade, de diversos gêneros e estilos, executada por intérpretes residentes em Pernambuco, finalizando em dezembro. A iniciativa é incentivada pelo FUNCULTURA, FUNDARPE e Secretaria de Cultura do Estado de Pernambuco e conta com o apoio do Departamento de Música da UFPE. Para esta primeira apresentação os ingressos serão disponibilizados gratuitamente uma hora antes de seu início.

A ideia da série de concertos é apresentar um conceito de “museu vivo do som”. Da mesma forma que um relicário guarda objetos sagrados, a partitura preserva em si a música de diversas épocas e estilos. Durante os concertos os músicos trazem à vida o som guardado nessas partituras escritas no passado.

Os concertos terão duração de uma hora e apresentarão peças para diferentes formações instrumentais, abrangendo as diversas famílias de instrumentos: cordas friccionadas, cordas percutidas, cordas pinçadas, sopros (madeiras e metais), voz, teclas e percussão. Todos os grupos e músicos foram selecionados por sua reconhecida atuação no meio cultural brasileiro, em trabalhos de performance, pesquisa interpretativa e/ou musicológica, sendo a maioria dos artistas professores, alunos e ex-alunos do Departamento de Música da UFPE.

O grupo Contracantos fará a abertura da série no dia 03 de junho, às 16h. Criado em 2002 pelo professor da UFPE Flávio Medeiros, o grupo vocal é um dos principais do nordeste brasileiro e vem realizando concertos pelo país e pelo exterior (França, Suíça e Estados Unidos). Para a série RELICÁRIOS: MEMÓRIAS DO SOM o Contracantos preparou especialmente o maior e o mais complexo Moteto de Bach, para 5 vozes, que permaneceu até os nossos dias, o Jesu, meine Freude. Na sequência apresentará peças de compositores do século XX e um conjunto de Spirituals. Para esta apresentação o Contracantos contará com a participação especial de Bruno Mota ao órgão e de Jardel Souza na viola da gamba.

Serviço:
Data: 03/06/2018
Local: Rua Santa Joanna D’arc, 795 – Morro de São Bento – Olinda
Horário: 16h

3 junho 2018 CHARGES

MIGUEL

UTI POSSIDETIS

Com a tomada de Constantinopla pelos Otomanos, em maio de 1453, fechou-se o comércio dos europeus com o Oriente por lá. Este processo de fechamento já vinha de longe! Desde a queda de Jerusalém em outubro de 1187, para as tropas de Saladino. Por conta desse processo, iniciou-se uma busca frenética por rotas alternativas para se buscar as imensamente lucrativas mercadorias orientais. Coisas como Sedas, porcelanas, damascos, veludos, tapetes e, muito especialmente, pimenta, anis, canela, noz moscada, cominho, açúcar, frutas exóticas, etc. Na liderança desta corrida “Tecnológica” estavam duas nações até então consideradas periféricas com relação aos reinos mais tradicionais da Europa: Espanha e Portugal.

As descobertas marítimas destas se sucediam: Em 1418, a Ilha da Madeira foi redescoberta. Falo redescoberta porque já haviam referências à sua existência por cartógrafos espanhóis. Quanto aos Açores, teriam sido descobertas por Diogo de Silves, marinheiro do Infante D. Henrique, no ano de 1427. É difícil determinar com exatidão a data do descobrimento das Canárias. As célebres “Ilhas Afortunadas”, da mitologia, teriam sido visitadas pelos Fenícios, embora estas só venham a aparecer na cartografia em 1339. É bem provável que navegadores italianos, portugueses e espanhóis as tenham conhecido antes dessa data. O fato de serem ilhas habitadas por uma população aguerrida dificultou desde cedo as tentativas de ocupação. Com relação à descoberta das Ilhas de Cabo Verde, é objeto ainda de discussão historiográfica. Admite-se que o arquipélago tenha sido alcançado em 1460, por Diogo Gomes, também a serviço do Infante D. Henrique.

Com a chegada dos Portugueses ao Cabo das Tormentas (Boa Esperança), em 1488, e com a descoberta das Antilhas, por Colombo, a serviço da Espanha, em 1492; acirra-se sobremaneira os atritos entre os reinos ibéricos pelas novas conquistas e na busca pelo caminho para as Índias. Solicitam então a arbitragem do Papa Alexandre VI e este emite a Bula “Intercoetera”, de 1493, onde o mundo fica dividido entre as duas potências. Insatisfeito com o limite demarcado pelo Papa (100 léguas a oeste de Cabo Verde), muito provavelmente por já ter conhecimento do Brasil, conhecimento este mantido debaixo de extremo sigilo, Portugal recorre e as negociações são reabertas. Estas novas negociações são realizadas em uma pequena cidade espanhola, de nome Tordesilhas, onde foi firmado um tratado em que o mundo é dividido a partir de 370 léguas a oeste de Cabo Verde, o que deixava o Brasil sob o domínio Português. É digno de nota que o principal negociador deste tratado, a maior vitória diplomática da história conseguida por um reino possuidor de informações assimétricas, tenha sido exatamente a mesma pessoa que posteriormente, já promovido a Almirante sem nunca antes ter pisado em uma nau, venha a comandar a frota que “Descobre” o Brasil e dele toma posse: Pedro Álvares Cabral. É digno de nota também que, um mês antes de Cabral nos “descobrir” (em 21 de abril de 1500), o navegador espanhol Vincente Yanez Pinzon esteja flanando no Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco, como que para conferir o tamanho do prejuízo das cortes de Castela com a concessão das 370 léguas a partir de Cabo Verde. Mantida a limitação do Tratado de Tordesilhas, o Brasil seria hoje apenas o “bico” leste da América do Sul. Em vez disso, nós praticamente triplicamos nossa dimensão territorial, sempre em detrimento de nossos “Hermanos” vizinhos. Como isso se deu?

Principalmente em função do arrojo de nossos pais fundadores ao penetrar os sertões, sem que nenhuma preocupação com limites traçados na distante Europa tolhesse seus movimentos. Primeiramente, durante a união ibérica, de 1580 a 1640, éramos uma só colônia dos espanhóis. Assim, não havia porque reclamar. Depois, ao libertar-se Portugal da Espanha, já estavam os brasileiros estabelecidos em inúmeros territórios muito além do meridiano de Tordesilhas. Era uma questão estratégica da Coroa Portuguesa mantê-los. Foi assim que, quando Espanha e Portugal rediscutiram as fronteiras entre seus domínios, no ano de 1750, através do Tratado de Madrid, o Brasil já incorporava praticamente metade da América do Sul.

Apesar de Tomás da Silva Teles (Visconde de Vila Nova de Cerveira) ter representado Portugal, Alexandre de Gusmão, brasileiro de Santos, foi o redator deste Tratado e o idealizador da aplicação do conceito uti possidetis. Utti possidetis, é um princípio, hoje amplamente adotado no Direito Internacional, com origem no Direito Romano. Segundo o mesmo, os que de fato ocupam um território possuem direito sobre este. A expressão advém da frase uti possidetis, ita possideatis. Significa: “quem possui de fato, deve possuir de direito”. Com trabalhos apresentados à Corte espanhola, Gusmão comprovou que as usurpações luso-espanholas em relação à linha de Tordesilhas eram mútuas, com as portuguesas na América (parte da Amazônia e do Centro-oeste) sendo compensadas pelas da Espanha na Ásia (Filipinas, Ilhas Marianas e Molucas). Foi assim que meio continente foi assegurado a Portugal pela atividade de Alexandre de Gusmão.

Em 1746, quando começaram as negociações diplomáticas a respeito do Tratado, Alexandre de Gusmão já possuía os mapas mais precisos da América do Sul, que encomendara aos melhores geógrafos do Reino. Era um dos trunfos com que contava para a luta diplomática que duraria quatro anos. O tratado foi admirável em vários aspectos. Determinou que sempre haveria paz entre as colônias americanas, mesmo quando as metrópoles estivessem em guerra. Abandonou as decisões tomadas arbitrariamente nas cortes europeias por uma visão mais racional das fronteiras, marcadas pelos acidentes naturais do terreno e pela posse efetiva da terra. O princípio romano de uti possidetis deixou de se referir à posse de direito, determinada por tratados entre potências hegemônicas e imperialistas, como até então tinha sido compreendido, para se fundamentar na posse de fato e na ocupação do território: as terras habitadas por portugueses eram portuguesas.

A utilização que tem sido dada a este princípio tem sido brutalmente distorcida. Visa somente permitir que partes beligerantes reivindiquem a legitimação da posse e da propriedade de territórios tomados durante a guerra, tal como ocorreu no caso da anexação da Alsácia-Lorena, pelo Império Alemão, em 1871. Tivesse sido aplicado na definição das fronteiras de todas as ex-colônias africanas e asiáticas, teríamos presenciado muito menos guerras de extermínio entre diferentes etnias e religiões. Atualmente, serve apenas para dar laivos de legalidade à “Ultima Ratio Regus” (Último argumento dos Reis): Os canhões.

O fato da Assembléia Geral da ONU ter se arvorado o direito de ceder aos judeus terras ocupadas milenarmente pelo povo palestino foi uma terrível regressão aos tratados colonialistas formalizando pretensões hegemônicas sobre territórios de terceiros. Quem nos garante que a próxima decisão, nesta mesma linha, não seja para internacionalizar a Amazônia, ou cedê-la de volta à “Nação” Yanomami?

Neste aspecto, a “Nação” judaica não tem se diferenciado em nada das tropas alemães de Hitler, quando estas invadiam os países vizinhos em busca do tão ansiado “Lebensraum” (Espaço Vital). Depois, quando terminavam a tarefa de expulsar todos os nativos, ou até mesmo exterminá-los, não necessitariam nem apelar ao princípio do Uti Possidetis pois seriam a Raça Dominante (Herrenvolk). Isto é EXATAMENTE o que deverá ocorrer na Palestina, caso o processo atualmente em andamento não seja estancado a tempo. O máximo que os sionistas concederão ao mundo civilizado será o argumento de um Uti Possidetis distorcido em sua natureza, apenas de modo a acalmar a consciência dos inúmeros inocentes, bem intencionados e mal informados,que lhes foram úteis para a concretização de seus planos.

3 junho 2018 CHARGES

CLAYTON

PAULINHO NOGUEIRA & TOQUINHO

Em vídeo de 1974 Paulinho Nogueira e Toquinho executam o choro “Odeon” de Ernesto Nazareth.


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