BATATA QUENTE

A fragilidade do governo, forçou Temer a incorrer em dias alguns dos erros cometidos pelos governos populistas do passado. A economia, que já andava claudicante, ficou de mal a pior e o povo que não teve participação no caso, penou demais. Pagou caro pelos desacertos dos outros, durante os 11 dias de paralisação nas rodovias que trouxeram prejuízos para vários setores.

A greve dos caminhoneiros fez o Brasil perceber que caiu mais uma vez numa sinuca de bico. Sem Rui Chapéu, já no andar de cima, para ajudar a desajustada economia escapar da embrulhada, o país se contorce. Sofreu demais. Filas quilométricas nos postos, desabastecimento, transporte público parado, caminhões estacionados no acostamento, produtos estragados, morte de um caminhoneiro a pedrada, perda de milhões de aves adultas e de filhotes por inanição, agressão covarde de bandidos em vantagem numérica a um indefeso e solitário cegonheiro.

A falta de matéria-prima acomodada nos caminhões estacionados nas estradas parou diversos setores industriais. Interrompeu a produção, principalmente na área de proteínas, produtoras de enzimas para a fabricação de detergentes, alimentos, têxteis, farmacêutico e química fina.

A paralisação desestruturou também a logística de algumas empresas, obrigando algumas, inclusive, a renegociar dívidas, além de enfraquecer o PIB, já em estágio cambaleante. Mas, o impacto da manifestação não parou aí, vai além. Causa incertezas de curto, médio e longo prazo. Mexe, sobretudo, na agropecuária, na construção civil e no ramo automotivo.

No longo prazo a desgraceira é a incerteza impelindo o investidor ficar meio atravessado com a falta de segurança no mercado. A escassez de produtos na praça deve trazer outras sérias consequências. Reajuste de preço, pressão inflacionária, comprometimento da política de juros, forçar o corte de gastos de onde não devia. Não é segredo, o corte de gasto público, subsidiando a política de preços da Petrobrás, indica que haverá redução na verba de educação e saúde.

Os gestores nem se lembraram dos deslizes cometidos pelo governo anterior que também usou o mecanismo do subsídio, indevidamente, para beneficiar empresas e congelar os combustíveis visando apenas garantir votos. Sem se preocupar com os impactos negativos a surgir posteriormente. Como de fato aconteceram nestes dois anos imediatos.

Um dos defeitos desse governo é o descumprimento de promessas. No início, Temer prometeu fazer diversas e necessárias reformas para organizar as finanças públicas em completa desarrumação. Porém, de repente esquece o prometido. Engavetou as reformas fiscal e tributária. Não esboçou iniciativa. Apesar das reformas estarem enquadradas como necessárias para ajustar essa economia em completo estágio de desajuste. A consequência do esquecimento fez a dívida líquida do setor público quase dobrar. Aumentando o azar do país em adiantado estado de desorganização.

Neste imbróglio, o governo cometeu alguns pecados. Um dos graves, foi ignorar o alerta da Associação Brasileira dos Caminhoneiros sobre possível a paralisação da categoria em decorrência da falta de medidas para compensar os reajustes do diesel que comprimiam o preço do frete. Como se achou superior aos anseios dos caminhoneiros, deixou acontecer e deu no que deu. Caos total com travamento econômico.

O cochilo da Agência Brasileira de Inteligência-ABIN que não avaliou a disposição dos motoristas a parar e introduzir sérios efeitos negativos na economia, foi outra displicência grave. Por outro lado, a lentidão governamental em reagir ao movimento, encorajou os manifestantes a robustecer o protesto a tal ponto que, em vez de usar inicialmente as polícias estaduais para conter os ânimos, a União preferiu utilizar o poderio das Forças Armadas. Numa clara demonstração de fraqueza, diante da resistente iniciativa dos grevistas.

Ora, a Petrobras é uma empresa petrolífera, obrigada a investir pesado na exploração do petróleo. Mas, em vez de investir, a estatal foi usada e abusada pela gangue de falsos diretores que implantou o pior esquema de corrupção em 60 anos de existência da empresa no campo petrolífero. A corrupção, comprovadamente, devastou um dos maiores e mais sólidos patrimônios do mundo. Causando extraordinário rombo. Jogado nas costas do povo para recuperar o arrasado acervo.

O escândalo de propinas na Petrobras começou em 2004 e se estendeu até 2014. Foram dez anos de fraudes que deixaram a petrolífera em completa turbulência. O desvio de recursos foi estimado em aproximadamente 10 bilhões de reais. O rombo, inclusive, supera o governo colonial quando mandou para Portugal navios carregados de ouro, prata e diamantes. Tendo o povo, na ocasião, apenas como mero e inativo espectador.

Contudo, arrombada, a Petrobras teve a sorte de encontrar um técnico com capacidade para reverter a terrível situação. Tirar a empresa do vermelho para colocar no seu devido lugar em curto espaço de tempo. Reerguer a instituição como uma organização altamente rentável. Isso, comprova que a Petrobrás tem de ser administrada por técnicos altamente preparados, sem ter o tino simplesmente político. Papel que cabe exclusivamente aos gestores públicos. Infelizmente, qualidade em escassez no cenário brasileiro. Dirigentes incapazes de tirar o país da lama. Resolvendo os graves problemas econômicos e sociais que acirram os ânimos. Tiram o sono do cidadão. Quebram o país.

O escandaloso negócio da corrupção na Petrobrás realmente foi desastroso,. Havia tanta sujeira debaixo do tapete, que em pouco tempo, o valor patrimonial da empresa caiu de repente. Avaliada em 2010 no patamar de R$ 380 bilhões, no entanto, em 2015, em apenas cinco anos, a estimativa desceu para apenas R$ 101 bilhões. Num incrível e criminoso declínio que a Lava Jato em boa hora tenta recuperar os robustos desfalques, punindo a curriola, às vezes protegida por membros do Judiciário, contra a negativa da sociedade que defende a imposição da lei, como forma de proteger a Nação de ricos, mais desonestos malfeitores, agindo às escondidas, por debaixo do pano.

Não adianta discutir, a única função social da Petrobrás é manter-se lucrativa para satisfazer os interesses dos acionistas internacionais que só visam lucros, dividendos crescentes. E pra isso, a estatal deve ter condições de investir maciçamente para manter-se no páreo, internacionalmente. A empresa não tem obrigação alguma em adotar uma política de preço para agradar a população. Sua missão, por ter investidores internacionais no quadro de associados, é produzir lucros, distribuir dividendos em expansão aos investidores. Acompanhar a variação cambial e do preço do petróleo no mercado externo e repassar o resultado obtido aos consumidores. Doa a quem doer.

O Brasil tem é que de se cuidar. Deixar de ser um país corrupto, adepto do tradicional jeitinho, vítima dos famosos quebra-galhos, sem decisões progressistas, provocando enormes sulcos econômicos e sociais, sem resultados positivos.

O país tem de fazer o dever de casa. Urgentemente. Sair do marasmo herdado de governos populistas que só querem garantir o voto. Manter-se na crista da onda, através do carisma de líderes, doutores em linguagem do povão, políticos devidamente preparados para o esquema, pensando apenas em ganhar notoriedade, via decisões autoritárias e meramente assistencialistas, para segurar a popularidade. Desprezar governantes que se julgam o salvador da pátria sem se importar com as divergências plantadas entre os poderes constituídos. Políticos alimentando o egoismo e a ganância para viver eternamente mergulhado em benesses e mordomias à custa da ignorância de um povo modesto. Incapaz de reagir e cobrar sinceras medidas para melhorar de vida. Escapa do cabresto do escravizo.

Enquanto não se livrar dos eternos problemas, como desemprego, violência, criminalidade, impunidade, poluição diversas, saúde, educação, desigualdade social, habitação, saneamento, transporte público, e gestores inativos e desonestos, o Brasil permanece com a cara no chão. Sendo pisoteado pela interesseira e improdutiva classe política que só quer mamar. Enganar, enricar da noite pro dia. Conservar o povo nas filas com fins eleitoreiro, absorvido nas necessidades.

Sendo aplaudidos pela inocência de uma sofrida, mas pacífica massa. Incapaz de reagir nas urnas, desconhecendo a força que a união possui, capaz de eliminar a eternidade de estéreis mandatos. São coisas da vida.

7 comentários

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    • alberto santo andre em 3 de junho de 2018 às 17:09
    • Responder

    como dizia rockefeller a empresa mais rentavel , e uma petroleira bem administrada , asegunda mais rentavel e uma petroleira mal administrada , mas aempresa falimentar e uma petroleira nas maos de incapazes,e populistas , ai soma-se a corrupçao , o cabida de emprego e a produtividade que chega a ser negativa , perto de uma petroleira mal administrada , e e sem comparaçao com uma petroleira bem administrada , e para exemplificar isto ,basta comparar a exxon mobil e a perobras

      • Carlos Ivan em 4 de junho de 2018 às 03:49
      • Responder

      Caro Alberto, vc disse uma verdade verdadeira.

    • Maurício Assuero em 3 de junho de 2018 às 17:48
    • Responder

    Desconfio que a impunidade é causa do resto

      • Carlos Ivan em 4 de junho de 2018 às 03:50
      • Responder

      Caro Mauricio Assuero é isso mesmo, a impunidade pesa muito na questão.

    • CÍCERO TAVARES em 3 de junho de 2018 às 20:28
    • Responder

    Meu caro colunista Carlos Ivan:

    Na coluna abaixo do jornalista Carlos Brickmann, Chumbo Gordo, ele faz um comentário de agradecimento às mensagens elogiando sua coluna de hoje, e corrobora com aquilo que venho sempre repetindo quando faço meus comentários às suas excelentes colunas: sem repressão a qualquer ato deseducado no Brasil, com MULTA, PRISÃO, REPRESSÃO… não há solução para o País!

    O nobre colunista é um dos escribas mais preocupados, juntamente com o genial Maurício Assuero, e mais críticos dessa liberalidade avacalhada porque não existem leis no Brasil, e as que existem são uma porcaria desmoralizadas pelos ministros do STF!

    Parabéns mais uma vez pela ótima explanação!

    • Carlos Ivan em 4 de junho de 2018 às 03:54
    • Responder

    Caro Cícero Tavares agradeço a dica sobre minha coluna feita pelo jornalista Carlos Brickmann e tb concordo que somente com multa, prisão e repressão pode-se consertar o Brasil.

    • C Eduardo em 4 de junho de 2018 às 12:34
    • Responder

    Paty Not Set do Alferes, 04/06/2018

    “Não adianta discutir, a única função social da Petrobrás é manter-se lucrativa para satisfazer os interesses dos acionistas internacionais que só visam lucros, dividendos crescentes”
    Com essa frase nosso amigo Ivan induz os leitores a achar que são os investidores internacionais que exigem uma política de preços competitivos para satisfazer apenas seus interesses. Não é verdade. O controlador da Petrobrás é o Governo Brasileiro, combinando participações do Tesouro com outros órgãos públicos como BNDES e Caixa Econômica (aproximadamente 40% do total de ações). Por tanto o maior beneficiário dos bons resultados da empresa não são investidores internacionais. Podemos somar a participação de diversos fundos de pensão de empresas estatais o que elevaria essa participação a mais de 50% do capital da companhia.
    Vamos dar a César apenas o que é de César.

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