OLIVEIRA DE PANELAS

Oliveira Francisco de Melo, mais conhecido como Oliveira de Panelas, é um dos mais talentosos repentistas do maravilhoso mundo da poesia cantada. Oliveira traz no nome artístico a cidade pernambucana que o viu nascer, e ser reconhecido no mundo. Ele já cantou para presidentes de países estrangeiros, a exemplo de Mário Soares e Fidel Castro, para presidentes brasileiros, além de várias personalidades do mundo artístico, político e social.

É um profissional do repente que tem a competência de utilizar os versos de forma didática para apresentar os principais gêneros, a origem e a atuação da cantoria do Nordeste. Ele divulga desde o início de sua carreira profissional a valorização do cordel como símbolo de resistência e arte da cultura popular nordestina.

Uma boa referência da capacidade poética desse ícone do repente são estas criativas glosas:

Mote:

Nunca Transforme em Vermelho
O Sinal Verde da Vida

É louvável quem respeita
Os sinais de advertência
Se a esquerda é preferência
Nunca passe pra direita.
A estrada não foi feita
Pra ser pista de corrida
Ao cruzar a avenida
Mire-se bem neste espelho
Nunca transforme em vermelho
O sinal verde da vida.

Repare bem o motor,
Viaje com confiança,
O cinto de segurança
Coloque pra onde for,
Examine o extintor,
Se a carga está vencida,
Não se torne um homicida
Por causa deste aparelho
Nunca transforme em vermelho
O sinal verde da vida.

Não dirija embriagado,
Evite a fatalidade,
Não corra em velocidade,
Nunca viaje drogado,
Se caso estiver cansado,
Tente achar uma dormida,
Evite numa batida
Ferir mão, braço e joelho.
Nunca transforme em vermelho
O sinal verde da vida.

No congestionamento,
Nunca perca a esportiva,
Dirija na defensiva,
Fique atento ao movimento,
Cuidado com o cruzamento
Olhe a faixa proibida,
É grande quem não liquida
Sequer a vida de um coelho
Nunca transforme em vermelho
O sinal verde da vida.

Prossiga a viagem em paz,
Seja feliz no retorno,
Jamais tente com suborno
Comprar os policiais,
Pois um suborno não faz
A vida restituída
Depois da vida perdida
É tarde, não há conselho.
Nunca transforme em vermelho
O sinal verde da vida.

6 comentários

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    • Vitorino em 4 de junho de 2018 às 10:10
    • Responder

    Oliveira de Panelas é um poeta que utiliza em seus versos o senso humorístico, a métrica tradicional e os diversos gêneros do repente. Entre tantas de suas poesias interessantes, lembro-me das seguintes: “Frei Damião de Bozzano no coração do povo,”“O Encontro de Tancredo com Tiradentes no Céu,” “Debate de Lampião com São Pedro”.

    • Aristeu Bezerra em 4 de junho de 2018 às 10:47
    • Responder

    É muito gratificante receber um comentário de quem gosta do repente. Você citou o bom humor como uma das característica de Oliveira de Panelas, então aproveito este espaço democrático do Jornal da Besta fubana para compartilhar uma sextilha desse grande poeta e repentista:

    “Todo político que vence
    Leva uma vida risonha
    Quase todos são dotados
    De uma coragem medonha
    Mas tem que ter duas coisas:
    Coragem e pouca vergonha.”

    Saudações fraternas,

    Aristeu

    • Aristeu Bezerra em 4 de junho de 2018 às 10:49
    • Responder

    ERRATA:

    “Todo político que vence
    Leva uma vida risonha
    Quase todos são dotados
    De uma coragem medonha
    Mas tem que ter duas coisas:
    Dinheiro e pouca vergonha.”

    • violante pimentel em 4 de junho de 2018 às 12:29
    • Responder

    Parabéns pela excelente postagem, prezado Aristeu Bezerra! Fiquei encantada com a biografia do magnífico repentista Oliveira de Panelas, dono de um talento privilegiado. A Cultura Nordestina deve muito a esse grande poeta.
    Gostei imensamente do Mote e das glosas, altamente inteligentes e educativas.

    Um grande abraço, da sua fiel leitora,

    Violante Pimentel Natal (RN)
    .

    • Aristeu Bezerra em 4 de junho de 2018 às 13:34
    • Responder

    Violante,

    Muito obrigado por seu valioso comentário. A Cultura Nordestina se fortaleceu muito com o talento de Oliveira de Panelas. Ele é dono de uma voz forte e afinada que lhe valeu o apelido de ” O Pavarotti dos Sertões”. Oliveira de Panelas é considerado um renovador da cantoria devido aos temas modernos abordados e pela técnica usada na arte de fazer versos. Aproveito a oportunidade para compartilhar um poema desse ícone do repente com a nobre amiga:

    A BELEZA

    “A beleza é dos seres mais sagrados!
    Da mãe dócil, que ama e amamenta,
    Do amigo pastor que apascenta
    Seu rebanho nos campos perfumados,
    Nos amantes fiéis apaixonados
    Onde pulsa do espírito, ao coração,
    Fascinante, inaudível vibração,
    Ritmando a orquestra sideral
    Silhueta de estética angelical,
    Tem seu corpo abstrato, a perfeição.

    Na mais alta e profunda incandescência
    Onde o cósmico segredo se revela,
    Há quem veja a beleza inda mais bela
    Quando a luz faz na onda a convergência,
    Nos sutil despertar da inocência
    No nascer majestoso de uma flor,
    No bailar invisível do olor
    Recebendo da brisa a baforada,
    A mais linda beleza é encontrada
    No cristal da pureza do amor.

    No amor, na verdade e na pureza,
    Na grandeza do bem que se oferece,
    No espírito das leis da máxima prece
    Onde a fé é o símbolo da grandeza,
    A essência da alma da beleza
    Vem do fruto do Reino Universal,
    Nunca o tempo verá o seu final
    Desta filha das forças portentosas,
    Sinfonia das leis harmoniosas
    Da perpétua Invenção Celestial.”

    Saudações fraternas,

    Aristeu

    • violante Pimentel em 4 de junho de 2018 às 23:37
    • Responder

    Obrigada, prezado Aristeu, por compartilhar comigo esse belo poema, do grande ícone do Repente, Oliveira de Panelas! Viva a Cultura Nordestina!
    Um grande abraço!

    Violante

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