4 junho 2018OLIVEIRA DE PANELAS



Oliveira Francisco de Melo, mais conhecido como Oliveira de Panelas, é um dos mais talentosos repentistas do maravilhoso mundo da poesia cantada. Oliveira traz no nome artístico a cidade pernambucana que o viu nascer, e ser reconhecido no mundo. Ele já cantou para presidentes de países estrangeiros, a exemplo de Mário Soares e Fidel Castro, para presidentes brasileiros, além de várias personalidades do mundo artístico, político e social.

É um profissional do repente que tem a competência de utilizar os versos de forma didática para apresentar os principais gêneros, a origem e a atuação da cantoria do Nordeste. Ele divulga desde o início de sua carreira profissional a valorização do cordel como símbolo de resistência e arte da cultura popular nordestina.

Uma boa referência da capacidade poética desse ícone do repente são estas criativas glosas:

Mote:

Nunca Transforme em Vermelho
O Sinal Verde da Vida

É louvável quem respeita
Os sinais de advertência
Se a esquerda é preferência
Nunca passe pra direita.
A estrada não foi feita
Pra ser pista de corrida
Ao cruzar a avenida
Mire-se bem neste espelho
Nunca transforme em vermelho
O sinal verde da vida.

Repare bem o motor,
Viaje com confiança,
O cinto de segurança
Coloque pra onde for,
Examine o extintor,
Se a carga está vencida,
Não se torne um homicida
Por causa deste aparelho
Nunca transforme em vermelho
O sinal verde da vida.

Não dirija embriagado,
Evite a fatalidade,
Não corra em velocidade,
Nunca viaje drogado,
Se caso estiver cansado,
Tente achar uma dormida,
Evite numa batida
Ferir mão, braço e joelho.
Nunca transforme em vermelho
O sinal verde da vida.

No congestionamento,
Nunca perca a esportiva,
Dirija na defensiva,
Fique atento ao movimento,
Cuidado com o cruzamento
Olhe a faixa proibida,
É grande quem não liquida
Sequer a vida de um coelho
Nunca transforme em vermelho
O sinal verde da vida.

Prossiga a viagem em paz,
Seja feliz no retorno,
Jamais tente com suborno
Comprar os policiais,
Pois um suborno não faz
A vida restituída
Depois da vida perdida
É tarde, não há conselho.
Nunca transforme em vermelho
O sinal verde da vida.

6 Comentários

  1. Oliveira de Panelas é um poeta que utiliza em seus versos o senso humorístico, a métrica tradicional e os diversos gêneros do repente. Entre tantas de suas poesias interessantes, lembro-me das seguintes: “Frei Damião de Bozzano no coração do povo,”“O Encontro de Tancredo com Tiradentes no Céu,” “Debate de Lampião com São Pedro”.

  2. É muito gratificante receber um comentário de quem gosta do repente. Você citou o bom humor como uma das característica de Oliveira de Panelas, então aproveito este espaço democrático do Jornal da Besta fubana para compartilhar uma sextilha desse grande poeta e repentista:

    “Todo político que vence
    Leva uma vida risonha
    Quase todos são dotados
    De uma coragem medonha
    Mas tem que ter duas coisas:
    Coragem e pouca vergonha.”

    Saudações fraternas,

    Aristeu

  3. ERRATA:

    “Todo político que vence
    Leva uma vida risonha
    Quase todos são dotados
    De uma coragem medonha
    Mas tem que ter duas coisas:
    Dinheiro e pouca vergonha.”

  4. Parabéns pela excelente postagem, prezado Aristeu Bezerra! Fiquei encantada com a biografia do magnífico repentista Oliveira de Panelas, dono de um talento privilegiado. A Cultura Nordestina deve muito a esse grande poeta.
    Gostei imensamente do Mote e das glosas, altamente inteligentes e educativas.

    Um grande abraço, da sua fiel leitora,

    Violante Pimentel Natal (RN)
    .

  5. Violante,

    Muito obrigado por seu valioso comentário. A Cultura Nordestina se fortaleceu muito com o talento de Oliveira de Panelas. Ele é dono de uma voz forte e afinada que lhe valeu o apelido de ” O Pavarotti dos Sertões”. Oliveira de Panelas é considerado um renovador da cantoria devido aos temas modernos abordados e pela técnica usada na arte de fazer versos. Aproveito a oportunidade para compartilhar um poema desse ícone do repente com a nobre amiga:

    A BELEZA

    “A beleza é dos seres mais sagrados!
    Da mãe dócil, que ama e amamenta,
    Do amigo pastor que apascenta
    Seu rebanho nos campos perfumados,
    Nos amantes fiéis apaixonados
    Onde pulsa do espírito, ao coração,
    Fascinante, inaudível vibração,
    Ritmando a orquestra sideral
    Silhueta de estética angelical,
    Tem seu corpo abstrato, a perfeição.

    Na mais alta e profunda incandescência
    Onde o cósmico segredo se revela,
    Há quem veja a beleza inda mais bela
    Quando a luz faz na onda a convergência,
    Nos sutil despertar da inocência
    No nascer majestoso de uma flor,
    No bailar invisível do olor
    Recebendo da brisa a baforada,
    A mais linda beleza é encontrada
    No cristal da pureza do amor.

    No amor, na verdade e na pureza,
    Na grandeza do bem que se oferece,
    No espírito das leis da máxima prece
    Onde a fé é o símbolo da grandeza,
    A essência da alma da beleza
    Vem do fruto do Reino Universal,
    Nunca o tempo verá o seu final
    Desta filha das forças portentosas,
    Sinfonia das leis harmoniosas
    Da perpétua Invenção Celestial.”

    Saudações fraternas,

    Aristeu

  6. Obrigada, prezado Aristeu, por compartilhar comigo esse belo poema, do grande ícone do Repente, Oliveira de Panelas! Viva a Cultura Nordestina!
    Um grande abraço!

    Violante

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