Caro Berto, Bertíssimo organizador deste espaço democrático.

O movimento dos caminhoneiros foi muito didático ao nos mostrar não só que nossos meios de transporte estão muito centrados no lombo de caminhão como também para mostrar os rumos do nosso estilo de vida superdependente deste óleo de pedra, em grande parte por determinação deste governo que encontra nisso boa parte do seu faturamento.

Caminhões zanzam para cima e para baixo muitas vezes levando produtos desnecessários, como cerveja e refrigerante por exemplo (lembrem se que este espaço é democrático e até o meu conterrâneo Goiano tem vez aqui). Brincadeira.

O fato é que nós consumimos demais combustíveis. Ficamos sabendo que um aeroporto como o de Brasília precisa de vinte carretas por dia para funcionar. Certamente boa parte delas abastece a FAB.

Tomemos o consumo diário do Brasil, cerca de 3,1 milhões de barris por dia, divida pelo nosso número de habitantes e encontrará cerca de 24 litros por pessoa por dia. Muita gente está consumindo pouco, crianças que nem dirigem, idosos, pobres. Na média, puxa vida, mais que uma lata por dia metemos fogo para cada cabeça de gente. E claro que isso tem consequências no clima, no ar, no trânsito, etecetera. Mas sem combustível não temos emprego, produção, lazer e por aí vai o que torna este tal de combustível tão “estratégico” e onde metem a mão com força no bolso da gente.

O que dá para fazer hoje era tentar consumir menos, com ferrovias e carros elétricos. Estas duas medidas reduziriam nossa dependência absurdamente. No meu entender elas não podem ser adotadas pelo governo por causa da perda de receita. É interessante para ele governo vender muito petróleo.

Com o transporte de cargas baseado em caminhões, na venda de um caminhão ele vende junto: seguro, pneus, manutenção, multas e petróleo, todos os itens com alta lucratividade em impostos. Carros elétricos ou híbridos tem embutido em seu preço, aqui em Banânia, a perda de receita com combustíveis ao longo de sua vida útil e por isso custam tão caros.

Está certo que este tal de governo precisa de receita. Mas poderia ser menos voraz deixando um bocadinho para os (des)governados.

10 Comentários

  1. Gostei dos teus cálculos Sergio; Queria saber se compensa hoje em dia fazer ferrovia sabendo que o caminhão do autonomo trabalha abaixo do custo de sua manutenção. Por mim hoje em dia o frete rodoviário é mais em conta que o ferroviário. O que levaria o governo a deletar o trem. Se tiver esse cálculo publique prá gente ver. Obrigado

  2. Sérgio não considerou que o consumo de petróleo é determinado pelo consumo de diesel, já que não se pode usar o petróleo para fazer só o que se quer. Por isso que sobra gasolina, que é vendida para outros países a preços de mercado.

    Se é para falar em redução de consumo, temos que pensar para onde vai o diesel. Caminhões, certamente. Trens também. Navios. As pick-up´s e SUV´s dos bacanas (isso sim me espanta pela aceitação bovina de mais um privilégio). E não só “coisas que andam”: milhares de fábricas usam diesel em suas caldeiras, para fabricar as mais diversas coisas.

    Se os preços fossem determinados pelas leis da economia, o consumo iria sozinho para as opções mais abundantes, e portanto mais baratas. Mas em um país onde o governo tem obsessão por controlar tudo (com o apoio da maioria do povo), ninguém mais sabe o preço real de nada, porque tudo está distorcido por subsídios, impostos seletivos, regulamentações bizarras e um monte de etc.

    Quanto a carros elétricos, é bom lembrar que já usamos termoelétricas para fechar a conta do sistema, porque só nossas hidroelétricas não dão conta. Se aumentar o consumo, a diferença virá de mais óleo, gás e até carvão, queimados nas usinas térmicas.

  3. Ex-microempresário,
    Boa tarde, comecemos pelo fato de petróleo ser finito e poluente, deveriamos usar menos. Numa relação de custo, não muito recente, que li em uma revista de transportes dizia que se estabelecermos o custo do transporte fluvial em determinado trecho como uma unidade teríamos para um trecho equivalente no ferroviário cinco unidades e no rodoviário 22. Ressalvemos as suas considerações que o caminhoneiro se mata para sobreviver com frete barato, ainda assim deve ter muita diferença. O consumo por tonelada/Km na ferrovia é de cerca de 1/3 do rodoviario.
    Eu não creio que os países que estão investindo muito nos eletricos e hibridos tenham mais facilidade que nós de produzir energia elétrica. E esqueçamos a energia elétrica produzida pelo governo, vamos fazer nossa própria energia solar, Vide Elon Musk.
    Carros elétricos ou híbridos podem provocar uma guinada tão violenta no mercado que talvez não interesse a muita gente. Um motor elétrico é quase eterno.

    • Ola, Sérgio. Claro que o petróleo é finito e poluente, mas não acho que a humanidade vai se livrar dele assim tão fácil. Concordamos nas idéias, mas minha visão da realidade a curto prazo é mais pessimista que a sua.

      Hidrovias? São ótimas, mas nem sempre o rio vai na direção que a carga tem que ir. Será que daria certo mandarmos a soja do Mato Grosso para o Rio da Prata? O minério de Minas Gerais pelo São Francisco, cada vez mais seco? (na verdade, a maior parte do minério já vai por trem para o Espírito Santo). E o parque industrial brasileiro, concentrado no sul/sudeste, vai mandar para o norte/nordeste como?

      Ferrovias? São ótimas para quem tem. Quem não tem, como o Brasil, tem que ter dinheiro e competência para construir. Nós não temos nem um nem outro.

      Note, não estou discordando das suas opiniões. Estão certas, na teoria. Mas acho que, na prática, é como ficar sonhando em ter o Messi, o Cristiano Ronaldo e o Guardiola no meu time: simplesmente não vai acontecer.

      Antes de querer ter ferrovia, o Brasil precisa ter governo. O que temos hoje é algo que não faz nada e não deixa ninguém fazer. Carro elétrico com energia solar, ótimo. Aqui? teria que ter cinco alvarás, três licenças e oito autorizações só para pensar em colocar uns painéis fotovoltaicos no telhado. Painéis que só podem ser importados por quem tiver mais dez autorizações e quinze licenças, sem esquecer o selinho do Inmetro. E os carros precisam satisfazer o lobby da indústria, que não existe só aqui, tanto que em outros países conseguiram gordos subsídios para vender carros eletricos. Chegarão aqui, mas só quando a conjuntura for favorável. Mas por algum tempo, qualquer acréscimo significativo na oferta de energia elétrica virá de termoelétricas, até termos mais energia eólica (se o governo deixar).

  4. Outro esclarecimento:
    Tem onze pessoas abstêmias desconhecidas aí, ou melhor, dez, porque tem um conhecido, o Berto.
    Digo isso porque estou bebendo os litros dos outros, porque eu bebo nove por mês!

  5. Li em algum lugar que o custo da construção de uma ferrovia é de cinco milhões de reais por quilômetro e que o de construção de uma rodovia é de um milhão e meio por quilômetro, mas que o transporte ferroviário é seis vezes mais barato.
    Curiosidade: O maior trem do mundo é brasileiro, começou a circular em 18 de julho de 2008, com 330 vagões, cerca de 3.500 metros de extensão e capacidade para transportar 40 mil toneladas,(Estrada de Ferro Carajás (EFC), operada pela Vale nos estados do Maranhão e Pará). Dá para imaginar quantos caminhões podem ser substituídos por um único comboio ferroviário. Consta, ainda, que as locomotivas são muito menos `poluentes que os caminhões, mesmo comparando as movidas a diesel. Já as elétricas têm uma poluição mínima.
    Nos governos petistas houve uma retomada da construção de ferrovias.

    • Aqui no Brasil a obra, seja ferrovia ou rodovia, leva o dobro do tempo previsto e custa três ou quatro vezes mais que o orçamento inicial, isso quando termina.

      A ferrovia norte-sul, idéia do presidente Sarney, está em obras até hoje, já consumiu bilhões e não tem nenhuma previsão de término.

  6. Caro Ex-microempresário,
    Aqui discutimos a realidade do governo que não usa a menor lógica no feitio de leis, na condução do país e nem governa para o povo, Eu quis demonstrar que o petróleo é grande fonte de renda para o governo e ele não vai largar este osso por mais importante que seja por variados motivos. Eu espero ainda ter um carro híbrido ou elétrico. Luto para deixar uma pegada ecológica menor neste nosso planeta. Disse John Lennon: I know I’m a dreamer, but I’m not the only one.
    Contente de trocar ideias. Saudações fubanicas.

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