GEOGRAFIA DAS MÚSICAS – EDU LOBO-CORDÃO DA SAIDEIRA

Cordão da Saideira: a lembrança do bonde de Olinda-PE

Nasci na rua Jose de Alencar, na Boa Vista, cidade do Recife. Na época, meus pais moravam na Yputinga, Norte do município.

Era uma época de mudanças, de progresso econômico e social para a família. Fomos residir no Umuarama – bairro popular de Olinda – e depois Boa Viagem, na rua dos Navegantes, outro padrão, status.

O super bairro ainda se desenhava, em 1966. Foi nessa época que Edu Lobo lançou “No Cordão da Saideira”.

Com 12 anos, comecei a descobrir as melhores peculiaridades e atrações turísticas de nossa Capital metropolitana – Recife/Olinda, que sempre tiveram diferenças históricas irreversíveis, mas nunca deixaram ser irmãs siamesas.

No Cordão da Saideira – Coral Madeira de Lei – part. esp. Naná Vasconcelos

Aquele bonde a que se referia Edu, eu tomava de vez em quando. Pongava o bonde com meu pai, o que me trazia imensa alegria.

Depois, encaixei a letra em todas as referências que vivia e já conhecia: “agulha frita, munguzá, cravo e canela. Cheiro de lança no lar. Me lembro tanto que é tão grande a saudade, que até parece verdade que o tempo ainda pode voltar….”

Sempre tive a sensação de que Edu fosse pernambucano. Sua fase de Corrida de Jangadas, Candeias, Casa Forte me induzia a pensar assim.

Edu Lobo & Metropole Orkest – No Cordão Da Saideira

Cantor, compositor, arranjador e instrumentista, Edu Lobo, nasceu no Rio de Janeiro em agosto de 1943 (74 anos).

Filho do jornalista e compositor pernambucano Fernando Lobo (Chuvas de Verão), era a cara do pai e passava todas as férias esscolares entre o Recife e Olinda, com seus familiares.

Reconhecido e admirado em todo o mundo, Edu Lobo era chamado jocosa e respeitosamente por Tom Jobim de “neto de Heitor Villa-Lobos”.

Fernando, Bena e Edu Lobo

Ah, curiosidade: Edu Lobo criou “Cordão da Saideira”, no gelado frio de Paris, no Inverno de 1966…

Semana que vem, tem mais

3 comentários

  1. Quincas,

    É incrível nossa memória afetiva!
    Compor “Cordão da Saideira” no frio de Paris, é pra poucos, muito poucos.
    Delicioso é também a memória afetiva do nosso cronista, aliás descrita de maneira a também nos levar pongar no bonde, com Joaquim pai.
    Excelente!
    Que venham mais……

    • ALEXANDRE NEVES SALAZAR em 5 de junho de 2018 às 22:10
    • Responder

    Que bom a tua volta, Quincas!!!
    Teu espaço é insubstituível. Aprendo muito com tuas matérias. Abraços.

    • Joaquim Quincas em 18 de junho de 2018 às 14:22
    • Responder

    Andei capengando na distribuição, amigo Alexandre.

    Que bom tê-lo aqui semanalmente…

    Há leitores que nos impelem a escrever

    Gratíssimo

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