KRISTINA REIS – RIO DE JANEIRO-RJ

Boa noite!!!

Oia eu aqui de novo

Berto, sabendo da sua popularidade no nordeste do Brasil, ouso pedir um favor a você e a legião de seus admiradores e leitores.

Ganhei há algum tempo, quando visitei o nordeste, de um comerciante local, um folheto com poesias de PATATIVA DO ASSARÉ (de cuja obra era uma total ignorante)

Nesse folheto, tinham duas poesias que me encantaram;

Em uma delas, ele narrava o fato dele ter sido preso por falar mal do Prefeito e fez um contaste entre ele estar preso por cantar e o passarinho do carcereiro, preso para cantar.

Noutra, ele comparava o fato de estar internado num hospital por causa da diabetes e do quarto ter a visão do Pão de Açucar, aqui no Rio de Janeiro.

Durante uma mudança o folheto, que estava emoldurado, foi extraviado e como não sei os títulos das poesias não consigo encontrar nem no Google e nem numa Feira Nordestina que existe aqui no Rio de Janeiro

Caso possam me ajudar, fico desde já agradecida.

Beijos a todos

R. Cara leitora, fiquei ancho que só a peste quando você falou sobre a minhapopularidade no nordeste do Brasil”.

Danô-se!!!

Eu pensei que eu era conhecido somente em Palmares.

Veja só: este departamento que cuida de poesia popular, e que cuida também do genial Patativa do Assaré, é comandando por Pedro Malta, um fubânico dedicado e pioneiro que assina no JBF a coluna Repentes, Motes e Glosas, publicada toda sexta-feira.

Aqui no meu estoque, tenho nada menos que 274 mensagens enviadas por Pedro Malta só com poesias de Patativa!

Só isto. Apenas isto. Nada mais que isto.

Dei uma rápida pesquisada e não encontrei nenhuma delas que fale sobre “prefeito”.

Mas tem um soneto que fala de um certo vice-prefeito.

E sobre passarinho, encontrei um poema que Patativa fez pro neto dele.

Ambos estão abaixo reproduzidos.

Vamos aguardar pra ver se o Malta, ou mesmo algum leitor desta gazeta escrota, consiga atender ao seu pedido.

Disponha sempre deste espaço.

Abraço pra todos os fubânicos daí do Rio de Janeiro.

* * *

COUSA ESTRANHA

Esta noite, já quase madrugada,
No silêncio melhor de toda gente,
Despertei do meu sono inocente
Pelo doido ladrar da cachorrada.

E fiquei a dizer: não devo nada,
Criminoso não sou, vivo contente.
Quem me vem perturbar, tão insolente,
O repouso feliz desta morada?

Me fugiram os pulsos, pois sou fraco
E lembrei-me de gato, de cassaco
E raposa, mexendo no poleiro.

Porém logo notei estranha coisa:
Nem cassaco, nem gato, nem raposa.
Era um vice-prefeito em meu terreiro.

* * *

MEU PASSARINHO
(ao meu neto Expedito)

Eu andando no mato achei um ninho
Bem fofinho e macio, que beleza!
Quando olhei para dentro, que surpresa!
Tinha um lindo e mimoso passarinho.

Era lindo e mimoso de encantar,
Não podia voar porque as penas
Inda estavam pequenas, bem pequenas,
Não podia seu corpo transportar.

Eu correndo ia lá toda manhã
Para ver o bichinho encantador
O retrato fiel do puro amor
No seu ninho feliz feito de lã.

Mas um dia fui lá com todo orvalho,
Era cedo e fazia muito frio,
Vi o ninho sem nada, bem vazio
E o maroto bem juntinho sobre um galho.

Do seu ninho o maroto estava fora
E quando um jeito de pegá-lo fiz,
Saiu ele a voar como quem diz:
Meu adeus, Expedito, eu vou me embora.

5 comentários

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    • Ronaldo em 8 de junho de 2018 às 08:49
    • Responder

    Creio que a admiradora fala sobre este poema de PATATIVA DO ASSARÉ (tem que ser maiúsculo mesmo):

    Nesta vida atroz e dura
    Tudo pode acontecer,
    Muito breve há de se ver
    Prefeito sem prefeitura.
    Vejo que alguém me censura
    E não fica satisfeito,
    Porém eu ando sem jeito,
    Sem esperança e sem fé
    Por ver no meu “Assaré”
    Prefeitura sem prefeito.

    Por não ter literatura
    Nunca pude discernir
    Se poderá existir
    Prefeito sem prefeitura.
    Porém mesmo sem leitura,
    Sem nenhum curso ter feito,
    Eu conheço do direito
    E sem lição de ninguém
    Descobri onde é que tem
    Prefeitura sem prefeito.

    Ainda que alguém me diga
    Que viu um mudo falando
    E um elefante dançando
    No lombo de uma formiga
    Não me causará intriga,
    Escutarei com respeito,
    Não mentiu esse sujeito,
    Muito mais barbaridade
    É haver numa cidade
    Prefeitura sem prefeito.

    Não vou teimar com quem diz
    Que viu ferro dar azeite,
    Um avestruz dando leite
    E pedra criar raiz
    E um rio fora do leito,
    Um aleijão sem defeito,
    Um morto declarar guerra,
    Porque vejo em minha terra
    Prefeitura sem prefeito.

    • Ronaldo em 8 de junho de 2018 às 08:51
    • Responder

    Ou então deste:

    Patativa descontente,
    Nessa gaiola cativa,
    Embora bem diferente,
    Eu também sou patativa.

    Linda avezinha pequena,
    Temos o mesmo desgosto,
    Sofremos a mesma pena,
    Embora em sentido oposto.

    Meu sofrer e teu penar
    Clamam a divina lei.
    Tu, presa para cantar,
    Eu, preso porque cantei

    • Ronaldo em 8 de junho de 2018 às 08:56
    • Responder

    E sobre o poema com o Pão de Açucar pode ser este:

    “Este Rio de Janeiro
    É uma terra encantada
    Até pelo estrangeiro
    É terra bem visitada
    Mas dentro destes encantos
    Eu vejo uma coisa errada.

    O Rio a gente admira
    Ninguém pode reprovar,
    Porém eu sou um matuto
    Que sei tudo observar
    E aqui vejo uma mentira
    Que eu não posso perdoar.

    Por exemplo, o Pão de Açúcar
    Que bastante encanta a mim,
    Nunca houve neste mundo
    Quem fizesse um pão assim
    E se ele fosse de açúcar
    Já tinha levado fim.

    Descobri isto no suco
    Que esta enfermeira me trouxe,
    Vejo que a grande fartura
    Do pão de açúcar acabou-se,
    Tanto açúcar neste pão
    E eu tomo suco sem doce?”

    • CÍCERO TAVARES em 8 de junho de 2018 às 11:04
    • Responder

    KRISTINA REIS:

    Creio que o RONALDO acertou ao mencionar os geniais poemas do GRANDE PATATIVA DO ASSARÉ que você, infelizmente, perdeu por terem se estragado na poluição provocada pelo homem.

    Leia pausadamente essa obra-prima sublime que o GRANDE PATATIVA DO ASSARÉ declamou ao vivo e em cores nos Studio da SoomZUm do produtor musical e visionário EMANOEL GURGEL, quando estava colocando voz numa música de sua autoria:

    O poeta Patativa do Assaré, assim define a relação do homem com a terra num trecho do poema “A terra é nossa”:

    Deus fez a grande natura

    Com tudo quanto ela tem,

    Mas não passou escritura

    Da terra para ninguém.

    Se a terra foi Deus quem fez

    Se é obra da criação

    Deve cada camponês

    Ter uma faixa de chão

    Faz pena ver sobre a terra

    O sangue humano correr

    O grande provoca guerra

    Para o pequeno morrer.

    Vive o mundo sempre em guerra

    Ambicioso e sanhudo

    Tudo brigando por terra

    E a terra comendo tudo.

    • KRISTINA em 15 de junho de 2018 às 12:41
    • Responder

    Só pude ver as respostas hoje. Estou atarefada com provas na faculdade e o preparo da viagem de férias. Infelizmente, nenhum desses poemas enviados referem-se aos que eu procuro. Mas, em compensação, ganhei novos lindos poemas do PATATIVA DO ASSARÉ ( com maiúsculas , concordo )
    São encantadores!!!
    Tenho conversado com parentes e amigos, a maioria com nível superior ( alguns poucos nordestinos) e nada sabiam sobre o PATATIVA…
    Animada, com essa descoberta proporcionada pelos que deixaram o nosso redator na situação confessa de ” ancho que só a peste quando você falou sobre a minha “popularidade no nordeste do Brasil” passei a distribuir aos amigos e parentes as poesias que tenho encontrado nas minhas buscas.
    Fiz amizade com um senhor de 78 anos na Feira Nordestina que existe aqui no RJ e ele prometeu achar os meus poemas. Estou esperançosa!!!
    Em agradecimento pela atenção do nosso editor e dos seus colaboradores, permito=me enviar o link da feira dos nordestinos aqui no RJ, para quando aqui vierem a visitem.
    http://novafeiradesaocristovao.com.br/
    Abraços e beijos para todos

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