DESCRENÇA CONSOLIDADA

A eleição está chegando e, talvez, seja esta a mais fraca em termos de mobilização. Até mesmo os candidatos aos cargos executivos não entusiasmam os eleitores por todo o Brasil. Percebe-se que, exceção aos que detém currículo de serviços prestados e fora do alcance da justiça, não há, por parte dos eleitores, apego aos velhos mandatários na política. Estes, que anos após anos estão sempre sendo eleitos, mas que nada de proveitoso realizam objetivando o bem-estar da população. Muitos se tornaram meros intermediadores de verbas do poder executivo. Alguns até hoje mal sabem da função do cargo que ocupam, fato relevante no Congresso Nacional. O período populista, que passamos nos últimos anos, desfigurou a atividade política e a transformou em um grande mercado de negociatas, dependentes do Poder central. Foi deixada de lado a finalidade do trabalho legislativo e de realização administrativa do governo. O que se viu e se vê até os dias de hoje, são imensos problemas em todos os setores da vida do brasileiro, todos oriundos da falta de uma atuação mais eficaz e construtiva dos políticos detentores de mandato. Estamos sem educação, sem saúde, sem infraestrutura, sem segurança e por aí vai. É inadmissível em um País desta envergadura dispor apenas de 13% de suas estradas com pavimentação, por exemplo.

Várias eleições para prefeito foram realizadas, há pouco, inclusive para o cargo de governador do Tocantins. O comportamento dos eleitores, nessas eleições extemporâneas, foi uma prévia do que nos espera em outubro. O desalento patente é cada vez maior. Para o governo do Tocantins, o voto negado, composto dos nulos, em branco e abstenções, chegou a casa dos 49%. Para a Prefeitura de Teresópolis, o voto negado atingiu 56,6%. E assim foi em todos municípios onde aconteceram eleições em razão da cassação dos prefeitos “eleitos” em 2016. É uma clara e inquestionável rejeição do eleitor brasileiro com as condições em que se encontra a vida política no Brasil. São 513 deputados federais, mas na verdade menos de ¼ comandam as matérias e decisões da Câmara Federal e estes, geralmente, obedecem ou acompanham as deliberações colocadas pelos chamados líderes de bancadas. Boa parte deles dão outra finalidade à sua participação no Congresso Nacional. O mesmo acontece com o Senado Federal. O jogo de interesses é grande e ao pisar nos tapetes do Congresso, a postura e propostas assumidas em campanha começam a fazer parte do arquivo morto do gabinete. O “toma lá dá cá” será o mantra do mandato, é o instrumento do pensamento da sobrevivência.

O eleitor vem demonstrando um excepcional comportamento político nos últimos anos, está sendo muito observador com os acontecimentos na esfera de governo, seja federal, estaduais e municipais. Entenda-se por governo a composição legislativo e executivo. Desde os primeiros acordes do ocaso do governo Dillma, a população emite patente rejeição. É um visível sinal de sua insatisfação diante do desmantelamento do Estado brasileiro pela total incapacidade e incompetência administrativa do petismo. Havia, como se provou, uma nitidez da população pelos malfeitos e a gigantesca corrupção comandada pelo presidiário. Essa observação e o pensar do povo foram configurados nas eleições municipais de 2016, com a esmagadora derrota do petismo. Em 2014 os sinais já apareciam e com todo apoio do governo e da liderança do Lulla, elegeram apenas cinco dos governadores – Bahia, Ceará, Piauí, Acre e Minas Gerais, sem mencionar a mágica surrupiadora das urnas da Smartimatic, produzidas na Venezuela.

O povo descobriu que interesses mais profundos e necessários à sua vida, são apenas meros detalhes na vida política dos candidatos. Percebeu que tão logo se dá a posse, a porteira das suas necessidades é trancada e lá ficam por anos. A população entendeu que a sua condição de vida só vai melhorar quando existir um governo, legislativo e executivo, realmente interessado no crescimento do Brasil porque é esse crescimento que dará condições de empregos e renda, de melhoria na sua qualidade de vida, na educação, na saúde, na segurança e muitas outras. Não existem partidos, todos são subjugados pelos seus comandantes. Um exemplo atual é a situação do PSDB com Geraldo Alckmin, por enquanto na porta de entrada da justiça, é um bom administrador, mas sem condições eleitorais de vencer e, mesmo assim, não abre para candidatura do João Dória Jr, queiram ou não, uma promessa. Não existe no Alckmin a grandeza em reconhecer isso. Personalismo é um motivo que leva o povo a ter descrença na política.

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