11 junho 2018 CHARGES

DUKE

DEUS SALVE O CANÁRIO-BELGA 

Quando menino, encantava-me um canário-belga que pousava em minha janela, cantando alegre e belamente. Em sua homenagem resolvi torcer pela Bélgica nessa Copa que está chegando. Será minha modesta vingança em nome dos que se deitam no chão de hospitais da rede pública à espera de um atendimento que, muitas vezes, não acontecem: a morte chega antes. Será meu insignificante protesto contra a educação do País e o transporte público degradante a que o povo está submetido. Será o meu desagravo àqueles que passaram da extrema miséria ao desemprego e à pobreza enorme graças a alguns contos de réis oferecidos para calar a boca destes. Será o meu não-conformismo aos imensos ‘elefantes -brancos’ construídos às custas do povo que paga o maior imposto de todo o mundo. Será o meu Basta! ao roubo, à corrupção, aos malfeitos dos que se elegem e aos que habitam o entorno do nosso mundo político, não me interessando a coloração partidária de suas ‘ideologias’. E tem mais: se a Bélgica não conseguir ir adiante, estarei, de azul e branco, torcendo pela Argentina. Ou pela Espanha, por Portugal ou Uruguai. Quem sabe, a França? Nada de Pátria de chuteiras: a Pátria está descalça e o caminho é pedregoso.

11 junho 2018 CHARGES

JEAN GALVÃO

OZI DOS PALMARES – SÃO PAULO-SP

Boa noite, conterrâneo Berto!!

Saúde e paz.

Gravei há alguns anos. 

Deu-me muitas saudades de minha infância em nossa Palmares, que ainda sinto o cheiro que ficou grudado nas paredes do tempo.

Meu abraço fraterno.

R. Meu querido conterrâneo dos Palmares, é ótimo ver você por aqui!!!

Ozi é um talentoso artista, cantor, músico e compositor, parceiro de grandes nomes da música brasileira e que já se apresentou ao lado de gente como o saudoso Dominguinhos.

É parceiro do talentoso compositor Xico Bizerra, colunista fubânico.

Este áudio que ele gravou e me mandou agora, é a leitura da crônica “Nós, os Meninos dos Palmares“, que está na abertura do meu livro “A Prisão de São Benedito”.

Um livro que já chegou à 5ª edição (esgotada) e cuja 6ª edição está sendo providenciada pelas Edições Bagaço.

É o meu besta seller!

Ozi gravou apenas um trecho deste texto, que é bem mais extenso do que o que está contido no áudio abaixo.

Gratíssimo pela gentileza, meu querido amigo.

Abraços e muito sucesso!

11 junho 2018 CHARGES

ADNAEL

11 junho 2018 CHARGES

PATER

AS COISAS MUDAM

No primeiro ano do seu mandato como presidente da República Federativa de Banânia, Lapa de Ladrão, apoiado por seu consultor jurídico malandrão e ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, sancionou uma lei que se tornaria, 15 anos depois de sua publicação, uma das suas maiores dores de cabeça em seu embate contra a operação Lava Jato.

O feitiço virou contra o feiticeiro, e este levou no furico!

Mal sabia Lapa de Prisioneiro que, quinze anos depois de ser sancionada e publicada no D.O.U em 13.11.2003, a Lei 10.763/2003, com apenas quatro parágrafos, que alterou pontos do vetusto, inútil e obsceno Código Penal de 1941 sobre crime do colarinho branco endurecendo, ainda mais, a punição para o crime de corrupção, cuja pena máxima, passou de 8 anos para 12 de prisão, iria condená-lo a cagar, por 12 anos e 1 mês no boi de Curitiba, isso se o ministro do Supremo Tribunal de Favores, Gilmar Psicopata Mendes, não lhe conceder um habeas corpus ex officio.

A regra criada naquela época contribuiu para ampliar a punição imposta a Lapa de Larápio no caso do Tríplex do Guarujá pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região, que julga os casos da Lava Jato na segunda instância. A pena por corrupção e lavagem de dinheiro foi aumentada de 9 anos e 6 meses, aplicada pelo juiz Sérgio Moro, para 12 anos e 1 mês de prisão, em regime inicial merecidamente fechado!

Outro parágrafo da referida lei promete causar ainda mais transtorno merecidamente justo a Lapa de Bandido: o que condiciona a progressão de regime à “devolução do produto ilícito praticado”, que Lapa de Enganador e seus asseclas roubaram da Saúde, da Educação, da Segurança e do Desenvolvimento da Nação!

Caso não reverta sua condenação ou sua prisão nos tribunais superiores, o presidiário só poderá passar ao regime semiaberto, após cumprir dois anos em regime fechado, e se já tiver pagado a indenização imposta pelo TRF-4, em R$ 13,7 milhões, com juros e correção monetária…

O veto à progressão de regime caso não sejam devolvidos os valores desviados já vem impedindo que condenados da operação passem para o semiaberto na Lava Jato.

No caso de Lapa de Canalha, o fato de ele ter sido o presidente a sancionar a lei que hoje se tornou um obstáculo em seu caso é uma “fatalidade natural e legal”, na opinião do tabacudo coordenador de pós-graduação em Direito Penal Econômico do Instituto de Direito Público de São Paulo, Fernando Debiloide Castelo Branco.

Segundo ele, “Temos um processo legislativo em que o Congresso vota, decide e o presidente da República promulga (promulga?)”, diz o especialista em tolêtes penais. “Na condição de presidente, ele seguiu esse processo legislativo outorgando a eficácia para essa legislação.” “Infelizmente, tomou no cu” – finalizou o especialista bananeiro.

Também foi Lapa de Quadrilheiro quem sancionou a Lei da Ficha Limpa, em 2010, que se tornou hoje outro entrave em sua trajetória. A legislação barra candidaturas de condenados em segunda instância, como ele, e foi aprovada no Congresso após um projeto via iniciativa popular, com mais de 1,6 milhão de assinaturas.

Ainda na área judicial, Lapa de Ladrão se fudeu ao dar assinatura final, no início de seu governo, em legislação que prevê a emissão anual de um atestado de cumprimento de pena aos presos, o que beneficia os detentos.

O certo é que Lapa de Corrupto está fudido até o cuzinho, e vem mais cuzanças por aí com a condenação do Sítio de Atibaia, com o juiz Sérgio Moro se preparando para sentenciá-lo com uma sentença pajaraca botando até o tronco no rabo dele!

Segundo o romancista Érico Veríssimo: existe um senhor que não mente nunca para quem faz merda na vida e sofre as consequências! Quem faz aqui; paga aqui: O Tempo! E o Tempo mostrou quem é Lapa de Prisioneiro: Um bandido Psicopata!

Íntegra da Lei que fudeu Lapa de Bandido, sancionada por ele. Vale salientar que a roubalheira e os saques criminosos aos cofres públicos ainda não haviam começado!…

Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos

LEI No 10.763, DE 12 DE NOVEMBRO DE 2003.

Acrescenta artigo ao Código Penal e modifica a pena cominada aos crimes de corrupção ativa e passiva.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1o O art. 33 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal, passa a vigorar acrescido do seguinte § 4o:
“Art. 33. ………………………………………………..
§ 4o O condenado por crime contra a administração pública terá a progressão de regime do cumprimento da pena condicionada à reparação do dano que causou, ou à devolução do produto do ilícito praticado, com os acréscimos legais.” (NR)

Art. 2o O art. 317 do Decreto-Lei no 2.848, de 1940 – Código Penal, passa a vigorar com a seguinte redação:
“Art. 317. ………………………………………………..
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.” (NR)

Art. 3o O art. 333 do Decreto-Lei no 2.848, de 1940 – Código Penal, passa a vigorar com a seguinte redação:
“Art. 333 ………………………………………………..
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.” (NR)

Art. 4o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 12 de novembro de 2003; 182.o da Independência e 115.o da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Márcio Thomaz Bastos
Este texto não substitui o publicado no D.O.U. de 13.11.2003.

11 junho 2018 CHARGES

NICOLIELO

11 junho 2018 A PALAVRA DO EDITOR

SÃO TANTAS EMOÇÕES

A seleção brasileira já está na Rússia para a Copa do Mundo.

Estamos a apenas alguns dias do apito inicial.

Meus dois netos mais velhos, Pedro Henrique e Augusto, viajaram pra Rússia e já estão em Moscou, prontos pra torcer pela seleção.

Espero que arranjem tempo, enquanto enfiam a pajaraca no furico das russas e das fêmeas do mundo que lá estarão, pra nos mandarem fotos do evento.

Enquanto isto não acontece, os repórteres do Departamento de Esportes do JBF fizeram esta linda foto pra presentar os leitores fubânicos:

E, em falando de futebol e da nossa seleção, recordei emocionado da Copa passada, realizada aqui em Banânia, durante o gunverno da grande estadista Dilma Roussef, mais conhecida como Vaca Peidona.

A emoção que senti foi por conta da lembrança que me veio à cabeça da carinhosa acolhida que a nossa então presid-Anta teve por parte da enorme torcida presente ao estádio.

Aquele afetuoso grito de “Hei Dilma, vai tomar no cu” encheu os ares de alegria e felicidade e eu confesso que chorei de emoção naquele dia.

Tão lindo quando estas cenas foram as acontecidas nos Jogos Pan-Americanos de 2007, realizados no Rio de Janeiro.

Naquela ocasião, o atual prisioneiro Lula, ao lado do seu discípulo Sérgio Cabral, também atualmente preso por grossa ladroagem, ouviu uma carinhosa vaia.

Uma cena histórica: o Maracanã lotado saudando respeitosamente o maior, o mais popular, o mais querido e o mais respeitado gunvernante que Banânia já teve em toda sua história. 

11 junho 2018 CHARGES

AMARILDO

11 junho 2018 JOSIAS DE SOUZA

“SE NÃO SOLTAREM LULA, CAOS SOCIAL VAI AUMENTAR”, DIZ GLEISI

Às vésperas do julgamento em que o TRF-4 confirmou a condenação de Lula no caso do tríplex no Guaruja, a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), dizia: “Para prender o Lula, vai ter de prender muita gente, mais do que isso, vai ter de matar gente.” Nesta quinta-feira, dia em que a prisão de Lula fez aniversário de dois meses, Gleisi escalou a tribuna do Senado. Dirigindo-se ao Judiciário, ela declarou: “Se não soltarem o Lula, o caos social vai aumentar. Nós não conseguiremos tirar o país da crise.”

Num instante em que o encarceramento de Lula cai na rotina – sem cadáveres nem a solidariedade das multidões – , Gleisi se autoproclamou porta-voz dos interesses do povo: “Não falo isso pelo PT. Falo isso pelo povo brasileiro. Nós não temos o direito de deixar esse povo sofrendo. Não temos o direito de olhar a situação como está e não fazer nada. Nós do PT estamos lutando muito, lutando muito para tirar o Lula da cadeia.”

Gleisi lembrou que a pré-candidatura presidencial de Lula foi lançada nesta sexta-feira. Soou como se estivesse pessimista quanto às chances de o candidato ganhar a liberdade. Mas desconsidera a hipótese de a Justiça Eleitoral barrar o projeto Lula-2018: “Nós vamos fazer campanha com ele, mesmo preso. E ele vai ganhar. Quero dizer a vocês: ele vai ganhar! […] Agora, vai ser mais bonito para o Brasil se ele estiver solto, porque ele vai ganhar, mesmo preso.”

O evento partidário que formalizou a pré-candidatura de Lula foi às 18h, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. A escolha do local não foi casual. Optou-se por Minas Gerais porque, além de ser o segundo maior colégio eleitoral do país, o Estado é governado pelo petista Fernando Pimentel. Ironicamente, Minas vive dias caóticos. E o caos mineiro não tem nada a ver com a prisão de Lula.

De dentro dos presídios, criminosos ordenaram a queima de ônibus. Incapaz de conter a banda piromaníaca das cadeias, a gestão de Pimentel ainda teve de lidar nos últimos com uma revolta da turma da farda. Na noite de quarta-feira, policiais em greve invadiram os jardins do Palácio da Liberdade, sede do governo mineiro. Sob Pimentel, o Estado foi à breca. Uma legião de servidores passou a receber salários a prazo, embora continue prestando serviços à vista. Os policiais perderam a paciência.

Alheia ao que se passa no cenário que o PT escolheu para reafirmar a hipotética candidatura do seu líder supremo, Gleisi tranquilizou os brasileiros: “…Nós reafirmamos e dizemos ao povo brasileiro, que tem sido tão firme com o presidente Lula, pesquisa após pesquisa, colocando Lula em primeiro lugar: podem confiar, nós vamos registrar Lula. Nós vamos fazer campanha do Lula. E o Lula vai trazer de novo a paz social para este país.”

Gleisi serviu ao governo de Dilma Rousseff como ministra-chefe da Casa Civil. Conheceu por dentro a administração da presidente que, adepta da economia criativa, foi a precursora do descalabro gerencial que produziu recessão e desemprego. Hoje, a despeito de um crescimento econômico que a imoralidade do governo de Michel Temer tornou débil, mais de 13 milhões de brasileiros permanecem no olho da rua.

Em seu discurso, porém, a presidente do PT excluiu Dilma, a “gerentona”, do rol de realizações do seu criador. Gleisi enalteceu o que acha que Lula fez sem mencionar o que sabe que Dilma desfez: “Vocês já conhecem o que Lula fez, vocês se lembram do governo dele, era um governo em que havia prosperidade no Brasil, em que as pessoas estavam vivendo melhor, vivendo bem, tínhamos paz social. Só Lula pode trazer isso de novo.”

Gleisi reiterou que o PT não cultiva planos alternativos. Reproduziu algo que escreveu nas redes sociais em resposta ao noticiário sobre o Plano B do PT: “Olha, gente. Aceita que dói menos. Lula vai ser o candidato.” E insinuou que falta miolos aos magistrados brasileiros. “Se o Judiciário tivesse juízo, porque está vendo o problema que nós temos no Brasil hoje – acho que o Judiciário tinha que se sensibilizar com isso, com o caos social da economia, com tudo – , se tivesse juízo, liberaria o Lula imediatamente, para fazer a disputa à Presidência da República, sem precisar constranger a gente , sem precisar fazer com que Lula tenha que batalhar da prisão a sua candidatura. Liberaria.”

A oradora se absteve de recordar que Lula poderia ter cultivado seus desejos políticos sem precisar constranger a nação com a corrupção que converteu o PT numa máquina coletora de verbas espúrias. Gleisi, aliás, é ré num inquérito da Lava Jato. Seu processo corre no Supremo. Pode ser julgado antes da eleição.

Para quem tiver interesse, veja o vídeo com o discurso de Gleisi Hoffmann.

***

EM DOIS MESES, A PRISÃO DE LULA CAIU NA ROTINA

11 junho 2018 CHARGES

LUTE

11 junho 2018 AUGUSTO NUNES

LULA CONTRA LULA

Lula jura que, se sair da prisão, driblar a Lei da Ficha Limpa, superar os índices de rejeição recorde e ganhar a eleição, fará o contrário do que fez

“Sonho ser o presidente de um país em que todos tenham direitos e ninguém tenha privilégios”.

Lula, na carta lida no lançamento de sua candidatura em Minas Gerais, jurando que se voltasse ao Planalto não faria o que fez para enriquecer com privilégios concedidos a Marcelo Odebrecht, Léo Pinheiro e Joesley Batista, fora o resto.

11 junho 2018 CHARGES

SINOVALDO

PAULO ALBERNAZ – GOIÂNIA-GO

Nobre editor Berto,

Veja nesse vídeo o grande constitucionalista Lula da Silva aparece ensinando como é que se faz o impeachment da Dilma.

Claro, conciso e preciso.

Tem um eleitor dele que vai gostar muito, o nosso estimado Ceguinho Teimoso.

Saudações goianas!

11 junho 2018 CHARGES

QUINHO

FRASES E REFLEXÕES DE CÂMARA CASCUDO

“Comer de pé é modalidade de pasto, indispensável, justo, mas não humano, não natural, não social.”

“Andei e li o possível no espaço e no tempo. Lembro conversas com os velhos que sabiam iluminar a saudade. Não há recanto sem evocar-me um episódio, um acontecimento, o perfume duma velhice. Tudo tem uma história digna de ressurreição e de uma simpatia. Velhas árvores e velhos nomes, imortais na memória.”

“A biblioteca é a minha Babilônia. E nela todos os volumes me interessam. Cada livro que leio – ou releio – me fascina. Mas a leitura é um hábito. Só a repetição traz o costume, o prazer.”

“Meu pai dizia que a rede fazia parte da família. A rede colabora no movimento dos sonhos.”

“Faço questão de ser tratado por esse vocábulo que tanto amei: professor. Os jornais, na melhor ou pior das intenções, me chamam de folclorista. Folclorista é a puta que os pariu. Eu sou um professor. Até hoje minha casa é cheia de rapazes me perguntando, me consultando.”

“Foi apresentado a um figurão da diplomacia, no Itamaraty.
– Luís da Câmara Cascudo, Câmara Cascudo… parece que já ouvi falar no seu nome.
– O senhor é muito mais feliz do que eu. Estou absolutamente certo de que nunca
ouvi falar no seu.”

“Termino com saudades meu trabalho, libertador das erosões destínicas e demais cortesãos da velhice.”

“O que eu acho que define o homem brasileiro, é a rapidez da sua adaptação. É a sua miscigenação mental. O pau-de-arara, quatro anos depois, em São Paulo, é tão paulista como o caipira de Santos ou de Piracicaba. No Amazonas ninguém pode diferenciar o cearense de um local. Assim, vejo a adaptação do brasileiro em toda parte: em Portugal, na Espanha, na França, só é diferente a pele e a pronúncia, mas os hábitos, as interjeições, o andar, são impecáveis. É o que eu acho. É um perigo, porque essa descaracterização brasileira não muda e não toca a perenidade medular do seu temperamento. Em certos momentos ele é o brasileiro legítimo.”

“Sendo sempre o homem que emigra, o mestiço está sempre em forma para irradiar, com sua volubilidade verbal, tudo quanto pensa e crê.”

“Fecha esta máquina fotográfica, meliante. Há 70 anos que sou perseguido por tua espécie. Agora, repórter eu já fui. Lembro-me que, quando íamos entrevistar, nossa liberdade era grande. Se o homem não dizia nada, a gente inventava. Em 1915, meu pai possuía um jornal. Nele comecei como repórter.”

“Comparar é sempre mais cômodo porque estabelece a referência e com ela a compreensão.”

“É o cinema em casa, o mundo em casa. É o tapete mágico de Aladim, em que você viaja sem sair do lugar. Tem função deturpadora, e não orientadora ou elevadora. Mas para os velhos surdos, meio cegos e jumentos como eu, aos 83 anos, é a vida. Para quem não chega à janela, não lê jornais como eu, a televisão é minha vida, a minha viagem.”

“Pescado é profissional do mutismo; deve ficar silencioso dentro da selvagem musicalidade do mar.”

“Quando eu viajar, mais cedo ou mais tarde, a Universidade vai acabar comprando dos meus herdeiros a minha biblioteca. Ninguém é tão burro para dispensar livros tão incríveis.”

“Domingo, 21 de abril, 39.º aniversário do meu casamento. Ao despertar, a noiva de 1929 desaparecera. Fora assistir à missa na capela do Hospital. De regresso, beijos, abraços, congratulações. Dália declara não estar arrependida e me confesso capaz de reincidência com a mesma vítima.”

“Quem não tiver debaixo dos pés da alma, a areia de sua terra, não resiste aos atritos da sua viagem na vida, acaba incolor, inodoro e insípido, parecido com todos.”

“O sexo pode ser adiado, transferido, sublimado noutras atividades absorventes e compensadoras. O estômago, não. É dominador, imperioso, inadiável. Por isso os alemães dizem que o sexo é fêmea e o estômago é macho.”

“Cultura popular é a que vivemos. É a cultura tradicional e milenar que nós aprendemos na convivência doméstica. A outra é a que estudamos nas escolas, na universidade e nas culturas convencionais pragmáticas da vida. Cultura popular é aquela que até certo ponto nós nascemos sabendo. Qualquer um de nós é mestre, que sabe contos, mitos, lendas, versos, superstições, que sabe fazer caretas, apertar mão, bater palmas e tudo quando caracteriza a cultura anônima e coletiva.”

Luís da Câmara Cascudo (1898 – 1986) foi historiador, antropólogo, advogado, professor universitário, jornalista e, principalmente, folclorista brasileiro. Era apaixonado pelas tradições populares, superstições, literatura oral e História do Brasil. Ele passou toda sua vida em Natal e dedicou-se ao estudo da cultura brasileira. Foi professor da Faculdade de Direito de Natal, hoje Curso de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) , cujo o Instituto de Antropologia leva seu nome. O conjunto de sua obra é considerável em quantidade e qualidade: ele escreveu 31 livros e 9 plaquetas sobre o folclore brasileiro, em um total de 8.533 páginas, o que o coloca entre os intelectuais brasileiros que mais produziram. É também notável que tenha obtido reconhecimento nacional e internacional publicando e vivendo distante dos centro s Rio e São Paulo.

11 junho 2018 CHARGES

CLAYTON

ENSAIO SOBRE NADA

Será que hoje, do jeito que está o Brasil e o mundo, podemos falar sobre alguma coisa?, ou é melhor não falar nada?

Não sei, ando tão descrente que penso em ficar com a segunda hipótese.

O nada tem suas vantagens, pois falar alguma coisa… ou sobre tudo, tem muitos problemas.

Se falamos alguma coisa sofremos críticas, cria-se um conflito. Se não falarmos nada, todos concordam, ou não. Mas dá na mesma. Discordar de nada ou concordar é a mesma coisa.

Aí vão dizer que você não tem opinião, mas hoje, ter opinião muitas vezes não significa nada.

Me inspirei porque estou numa festa de adolescentes, escuto as conversas – não participo -, mas os admiro imensamente, pois elas versam sobre nada. Não vejo ninguém preocupado, não vejo ninguém falar sobre política, enfim, sobre o mundo. Aliás, nem sobre o futuro, nada.

No futuro, só pensa quem tem opinião, e quem tem, talvez não viva bem. Até porque, sempre vai ter quem tenha opinião contrária.

Talvez Raul Seixas tenha razão, talvez seja mesmo melhor ser uma metamorfose ambulante do que ter a velha opinião formada sobre tudo. Você vive melhor.

O ignorante vive mais, não se estressa. Ah!, mas ele não muda o mundo. Mudar pra quê? A cada mudança vemos tudo piorar. Parece piegas, mas não é verdade? Vocês conhecem alguém que diga que desde que nasceu o mundo melhorou? Talvez eu esteja sendo pessimista, mas não conheço.

Melhorou tecnologicamente…, mas e moralmente?… Em cem anos tivemos a explosão da tecnologia, o mundo melhorou? Sinceramente, acho que não e cito um exemplo. Redes sociais. Hoje não conversamos mais, vemos até casais em restaurantes e bares, cada um na companhia do seu celular. Conversa?, nenhuma. Ou melhor, ninguém falando nada. Fora a propagação de mentiras que todos saem compartilhando sem saber de onde vieram, quem escreveu. Não interessa checar, dá preguiça. Melhor não fazer nada.

Como vemos, nada é sempre melhor.

Comecei a dar opinião – que vício! – …, melhor parar, alguém vai contrariar.

Chega!, cansei, não escrevo mais nada. Comecei a parecer político que fala muito sem dizer nada – perdoem a repetição do nada. Parecem adolescentes.

Isso tudo é uma crítica?, um desabafo?…, quem sabe?

Não, não é nada.

11 junho 2018 CHARGES

DUKE

11 junho 2018 A PALAVRA DO EDITOR

UM AMIGO TALENTOSO

Beto do Bandolim é um grande músico e compositor, um sujeito talentoso muito requisitado e conhecido aqui no Recife, com vários discos gravados.

Um grande amigo que todos os anos, junto com o seu grupo de choro, participa da reunião de fubânicos realizada aqui na minha casa, no mês de dezembro.

Estamos sempre em contato pelo zap e, com muita frequência, ele me presenteia com vídeos onde aparece executando músicas de todos os gêneros, sempre de excelente qualidade.

Esta semana ele me enviou um vídeo onde interpreta uma composição de autoria do porto-riquenho  Benito de Jesús, um bolero intitulado Nuestro Juramento.

Aí eu me lembrei que tem um interpretação desta música com o saudoso cantor equatoriano Julio Jaramillo, pela qual tenho uma predileção muito especial.

Tanto pela voz do intérprete quanto pelo belíssimo acompanhamento.

Eu sei que este departamento de música aqui no JBF é com o Peninha.

Mas vou dar uma de inxirido e oferecer pra vocês Nuestro Juramento nas duas versões.

A de Beto do Bandolim e a de Julio Jamillo.

Aproveitem e tenham todos uma excelente semana!

11 junho 2018 CHARGES

VERONEZI

NOTAS

Neste cenário conturbado, contaminado pelas incertezas, instabilidade política e crise economica, o país ainda se debruça noutro problemão de lascar o cano. O panorama fiscal. O descontrole do governo que se endivida para pagar as despesas dos órgãos administrativos como o pagamento da folha dos servidores e de serviços de terceiros, os juros da dívida, a compra de bens de consumo, manutenção de equipamentos e liquidação das contas de luz, água e telefone. Tá errado. Segundo a Constituição Federal e a Lei de Reponsabilidade Fiscal determinam, o governo só deve se endividar, caso os recursos sejam destinados a investimentos. Porém, como vive sacolejado pelos desequilíbrios da política econômica, registrando alto índice de desemprego e expansivo déficit público, devido à queda de receita, o país não cumpre as regras fiscais. E nem pode. Tudo bem, em se tratando de país emergente, o Brasil arrecada excelente receita pública, mas, naufraga no raso, justamente por não saber gerir os gastos públicos, corte nas excessivas despesas e no endividamento, que permanece crescente, o país cochila em cima de uma bomba fiscal, prestes a explodir a qualquer momento. O corporativismo impede a aprovação das reformas, urgentes e necessárias. O desemprego reduz a receita da previdência. Por outro lado, a reforma tributária sinaliza que a situação fiscal se agrava desde o ano de 2009, quando o gasto primário começou a subir e não parou mais. Daí a necessidade de mudanças, imediata e inadiável. Durante a gestão do governo que caiu com o impeachment, recentemente, as economias reservadas para pagar os juros da dívida pública foram se esfacelando em função de duas reprováveis situações. Aumento das despesas e queda das receitas. Todos os estados brasileiros estão comprometidos com a falta de liquidez, a vinculação do orçamento com os gastos públicos e a ascendência da dívida pública. Aliás, desde 2016, quase 90% das prefeituras enfrentam condenável situação fiscal. Beirando a insolvência.

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Impressionante como a geração atual assimila o avanço tecnológico com a maior naturalidade. Parece que a juventude já nasce com o dom de interagir com a internet, os smartphones e a redes sociais, dando aquele show. Falando a mesma linguagem tecnológica, sem dar sinal de passar batido. Situação comumente vivida pelos adultos, principalmente os idosos que demonstram não entender patavina do mecanismo de manejo das máquinas com a mesma facilidade e compreensão. No passado, quando não havia celular, ipod, computador e videogame e as pessoas só dispunham da televisão em estágio atrasado, o cidadão, na volta do trabalho, procurava fazer menino, ler e conversar com os familiares, vizinhos e amigos. No entanto, atualmente, a primeira obrigação do homem é se integrar ao mundo da máquina, celular e internet para estar em dia com a tecnologia, em constante avanço porque, caso não consiga entender pelos menos o básico, sobra no dia a dia. Fica por fora da atual idade. Agora, tem um detalhe. A máquina é um auxiliar do homem. Quebra muitos galhos, porém, embora as pessoas cresçam utilizando a tecnologia, todavia, jamais o homem deve ficar dependente da máquina para avançar no trabalho e na vida. Por um simples motivo. Apesar da praticidade, a tecnologia não passa apenas de uma ferramenta para facilitar as atividades de produção e de entretenimento das pessoas.

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Dois assuntos inquietam os investidores. Recrudescem as incertezas na economia. A crise política, sem fim, e o engavetamento das reformas estruturais. Tão necessárias para tranquilizar o mercado. É justamente a indefinição sobre o rumo a tomar que desestimula o investidor. Enquanto a tecnologia avança no mundo, enriquecendo os empresários que fazem parte do seu contexto, duplicando o patrimônio deles muitos mais do que os exploradores do petróleo e banqueiros, os bancos centrais do mundo adotam novo esquema de crescimento. Incentivam a injeção de dinheiro na economia, de modo a puxar o consumo, a produção, o emprego e a renda para o alto. Despreocupado com a tese de que o crescimento provoca inflação. Todavia, com medo do amanhã, os investdores preferem se manter na defensiva com base nos seguintes dados. A falta de investimentos em infraestrutura faz o país perder competitividade. A carência de planejamento adia os problemas. Não resolve as pendências. A servidão da política econômica aos anseios da política partidária só causa prejuízos à economia. Perturba a máquina pública que fica incapacitada de equacionar os pepinos na saúde, educação e transportes. Finalmente, os escândalos que se eternizam e a impunidade faz a sociedade perder a confiança no governo.

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A cada ano surge novidade na praça. Aparece coisa nova, na tecnologia, na moda, transporte, gastronomia e consumo. Antes limitado a determinados grupos, atualmente cresce a quantidade de pessoas que deixou de comer carne. Essa gente adotou o vegetarianismo como opção alimentar. Segundo estatísticas, de 2012 em diante o mercado de vegetarianos cresce no mundo. A quantidade de pessoas que deixa de comer carne, expande. Passou de 8 para 12%, entre os adultos de 18 a 75 anos. Uns, alteram o hábito por recomendação médica. Outros mudam de gosto em função de rejeitar a matança de animais, discordar do abate de bichos apenas para encher a pança das pessoas. Por este motivo cresceu o consumo de vegetais, surgiram novos veganos que desaprovam a matança de animais para agradar a satisfação do homem. Quem anda vibrando com o novo costume do brasileiro são os restaurantes especializados e a Sociedade Vegetariana Brasileira. Na Ásia, a dieta do vegetariano é bem difundida. Aceita por algumas razões na visão de especialistas. Caso a humanidade fosse unanimemente carnívora, com certeza faltaria terra, água e insumos para alimentar bilhões de bocas famintas. No entanto, não comer carne conserva a saúde e a beleza, leva à longevidade, melhora a qualidade de vida porque o estômago se livra das toxinas constantes na carne vermelha. Todavia, para ser vegetariano, antes, o candidato tem de aprender a técnica de reequilibrar a dieta para não comprometer a saúde. De repente, pode se tornar obeso pela ingestão de maior quantidade de carboidratos.

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Não adianta espernear. O traficante de drogas e de armas, tido como mandão e durão, domina as comunidades e os morros. Lá, inimigo não entra, morre. Como verdadeiro líder e consagrado como chefe do crime organizado, o traficante, ousado, usa e abusa das favelas. Baixa normas para os moradores, dita regras para os transeuntes, baixa leis, coordena a distribuição de botijão de gás, de água e a cesta básica. Com isso, esfacela famílias, espalha terror, fecha comércio e colégios. Causa instabilidade social. Com a autoridade de um poderoso mandante, da droga e da violência, o traficante, além de garantir o direito e ir e vir, mantem a propriedade na favela a seu critério, sabendo administrar conflitos e o roubo de cargas. Confere a intrusão da polícia, castiga, quem se meter a besta, até com a morte se possível. Como o Estado se tornou fichinha, o mercador de drogas assume o posto de rei do pedaço. Manda e desmanda, cria raízes nas famílias, veste a sociedade com camisa de força, cortando o poder de reação. O domínio do traficante nas comunidades carentes começou por volta da década de 80. Omisso, o Estado cedeu. O embusteiro impediu de a Polícia subir o morro, proibiu o helicóptero levantar voo para combater o tráfico, que se tornou cabo eleitoral. Até os policiais que moravam na área dominada teve de se submeter às ordens do traficante. Começou organizando facções criminosas, passou a amotinar militares, moradores de casebres na área, conquistou funcionários públicos. Aliando tudo com o poderio financeiro e repressivo, o traficante de repente virou o rei do morro. Atualmente, está difícil o Estado combater em pé de igualdade o embromador. Por uma simples razão. O traficante possui armas de grosso calibre. Armamento pesado. Por isso, desafia a Polícia, autoridades e o Estado que demonstram não ser páreo na parada. Afinal, como não dorme no ponto, o traficante anda devidamente preparado para o revide.

11 junho 2018 CHARGES

SPONHOLZ


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