13 junho 2018O GALO BAITOLA



Galo “Cumpade Ozias” tinha porte invejável

Minha falecida Avó, aquele mesma tão participativa nesta coluna escrita pelo neto favorito (dela), teve duas filhas. Só essas duas. Minha mãe, Jordina; e Maria, minha tia. Só Maria. Não tinha nenhum outro nome acrescendo. Era Maria, e ponto final.

Diferente da minha avó, minha mãe (Jordina) teve 7 filhos (Cléber, Chico, Didi, Zealfredo – este que vos escreve -, Badeco, Dadi e Jorge Luís) e ainda se atreveu a adotar mais uma menina (Eugênia, há mais de 30 anos vivendo na Itália), nos tempos em que ser menina era algo bom e prazeroso.

Tia Maria também teve uma “reca”. Tinha filhos nascidos no mesmo ano. Um em janeiro e outro em dezembro. Também pudera, pois resolveu casar com uma lapa de macho que beirava os 2 metros de altura e, no povoado Queimadas, era apelidado de “Tripé”. Imaginem por quê. E ela, Tia Maria, gostava que só!

Pois, Antônio Luciano, apelidado “Tripé”, era um cabra muito trabalhador, agricultor de primeira linha, mas ignorante do mesmo nível, quando se tratava de saber das coisas da vida comum de qualquer cidadão. Picava fumo, e fazia o próprio cigarro.

“Seu Lunga” seria uma dama inglesa ao lado dele.

Tia Maria, nas conversas em rodas da própria família, desconjurava “Tripé” e afirmava que, quando o sujeito urinava, para “guardar” o elemento, tinha que dobrar em três partes. Desconjuro!

Como diz o maranhense: “zulive” (querendo dizer: Deus o livre!).

Pois, provavelmente por conta dessa particularidade exagerada, “Tripé” achava que todo animal vivente que não fosse “fêmea”, só procriaria se penetrasse a parceira. Nem valeria à pena tentar explicar para ele o que era a “cloaca”. Pra ele tinha que ter o “penduricalho” para ser macho.

Pois, num dia de domingo daqueles idos tempos, depois de assistir a Santa Missa – que ele só frequentava para fazer o “sinal da cruz” – precisou ir na casa do Compadre Tião, para buscar um frasco de banha de galinha, para dar umas pinceladas na garganta inflamada de Anunciada, uma das filhas dele com Tia Maria.

Ao ultrapassar a porteira da frente da moradia, Antônio Luciano apeou do cavalo e, antes de chamar a dona da casa, ficou observando o galo carijó, “Cumpade Ozias”, cobrir uma galinha. Observou bem, olhou atentamente, e não viu nada “penetrando”, como sempre acreditava que deveria ser o “ato sexual” de reprodução de qualquer ser vivo.

Pegou a encomenda que fora buscar, montou novamente o cavalo, e procurou o caminho que levava à casa onde morava. Ao chegar em casa, foi logo dizendo para Tia Maria:

– Maria, minha véia, eu num sabia que na casa da nossa cumade tinha um “Cumpade Ozias”!

EM TEMPO: “Cumpade Ozias”, desde que o mundo é mundo; a luz ilumina a Terra e os céus; e a água lava o que está sujo; foi o único “baitola” que apareceu naquelas paragens.

4 Comentários

  1. Maurício: coisas do nosso regionalismo. Demorei para me acostumar com o “falar” maranhense. Quando uma criança “entrega” outra para a mãe, dizendo que essa criança está querendo bater, dar pancadas nela, diz: “mãe, ele tá querendo me dá-lhe”!

  2. Saudade de seus textos Zé Ramos, já pensou, se hoje seu tio conhecesse o conterrâneo Pablo Vittar o maior “qualhira” que o Maranhão já produziu e a “viúva” da vereadora Mariele? O galinho carijó, apesar do estilo neo gay, continua fazendo novos pintinhos e as galinhas agradecem!

    • Marcos: é isso sim. E segue a vida galinácea, né não? Tem quem chame isso de “queimar rosca”, ou, no Ceará, “dar o roscofe”!

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