ARGENTINA: O TATU CARRETA E O ABORTO

Há alguns meses, um caminhão da CEEE passou pela minha rua podando galhos que interferiam com a rede de distribuição da empresa. Na árvore existente diante de minha casa havia um ninho de passarinho. Cuidadosamente, os operadores do serviço preservaram-no e o galho ficou ali, hígido com seu bercinho de gravetos, proporcionando pequeno e eloquente testemunho de defesa da vida. Tempos depois, abandonado pelos minúsculos moradores, desfeito o ninho, o caminhão voltou à rua e removeu o galho que ali ficara, alegoricamente, apontando para a abóboda celeste e para o Criador.

Na última quinta-feira (14/06), após quase 24 horas consecutivas de sessão, a Câmara dos Deputados da Argentina aprovou, por uma diferença de quatro votos, o projeto de lei que descriminaliza o aborto feito até 14 semanas de gestação. No exterior do prédio, em meio a fogueiras para aquecer a fria noite de Buenos Aires, dois grupos distintos se confrontavam na defesa de suas convicções pró-vida e pró-aborto. Após a votação, jovens feministas trocavam abraços e lágrimas de emoção. Emoção? Que espécie de emoção é essa, a festejar o genocídio de seres humanos em sua mais indefesa condição? É de um cinismo inqualificável olhar a imagem de um feto com 14 semanas, fingir não saber de que se trata e tratar como coisa que se mata. Como não reconhecer ali um ser humano, uma vida diferente da vida da mãe?

Espera-se que os senadores argentinos rejeitem o projeto, pois deles se diz serem mais conservadores. Longa vida, então, aos conservadores! A idade talvez os ajude a compreender obviedades que, na juventude, obscurecem ante o império dos impulsos pessoais e do interesse próprio. Entre tais obviedades inclui-se a consciência de que a natureza, a vida e a dignidade da pessoa humana exigem proteção legal que independe da religião de cada um. Impressiona-me, por isso, a frieza quase inumana com que o Ocidente, moralmente danificado pela cultura da morte, vem tratando dessa questão, legalizando o aborto como um “direito da mulher”, a ser executado pelo Estado “de modo seguro e gratuito”. Claro, o orgasmo é do casal e a conta, nossa.

A mesma República Argentina cuja Câmara dos Deputados legalizou o aborto até as 14 semanas da concepção (da concepção de quem, mesmo?) mantém excelentes reservas naturais, como a de Formosa para salvaguardar os tatus carretas em sua área de reprodução. Nossos vizinhos protegem, igualmente, sob o estatuto de monumentos naturais, algumas de suas espécies animais, como a taruca, a baleia-franca-austral, o huemul, o aguará guazu, e vegetais como o pinho do cerro.

Nenhum ser humano civilizado vai a um ninho de passarinho quebrar seus ovos e ninguém põe em dúvida a natureza do pequeno ser vivo que vai romper aquela casca desde dentro. No entanto, parlamentares, jornalistas militantes, feministas, globalistas financiados por George Soros e partidos de esquerda lutam para impor ao filhote do bicho homem, no ventre materno, perversidades que não admitiriam em relação a seus pets.

4 comentários

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    • Marcos José de Lucena em 16 de junho de 2018 às 12:58
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    Percival Puggina: Pra mim você é 10!

    • alberto santo andre em 16 de junho de 2018 às 17:56
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    infelizmente tendo a dscordar de voce embora tenha certas restriçoes ao aborto , principalmente se provocado pela irresponsabilidade e libertinagem que hoje assola o pais , porem e fato que e mlehor um feto morto no incio da gravides , que um assassino de pais de familia e jovens , que sao abortados de seus pais na adolescencia ou mesmo de seus filhos quando estes mais precisam , portanto eu sempre fui a favor do controle de natalidade , antes da gravides por qualquer metodo , mas entre ter um feto que se torna um assassino , como comprovam estudos nao so no brasil mas tambem no exterior , e nos estados unidos onde os estudos sao mais serios ,, portanto melhor um aborto nas primeiras semanas de vida , que um aborto de um jovem estudioso e com futuro prodigo que destroi uma familia ,, desculpe-me mas desta vez nao concordo com voce .

    • Marcos Pontes/DF em 16 de junho de 2018 às 19:49
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    Excelente artigo Puggina, estas “assassinas fetais” vibram, comemoram, o importante é gozar, se der errado, o Estado paga o meu erro. Hipócritas, vagabundas, matar um “simples” feto sem rosto, sexo, nome e indefeso, pode ser uma vitória, mas, duvido, esta data ficará marcada na ALMA desta infeliz, ela sempre lembrará: “hoje ele(ela), faria “tantos anos”, esta é a cruz que ela carregará enquanto viver, quando finalmente esta infeliz partir, estará pronta a pagar pelo seu erro perante o Senhor. Quem for adepto do aborto, por favor, procurem a doutrina de Alan Kardek (espiritismo), leiam, saibam o que representa um feto, emocione-se e depois decidam: vale a pena mata-lo?

    • Adônis Oliveira em 16 de junho de 2018 às 22:16
    • Responder

    Caro Percival,
    Cada vez mais eu sou seu fã.

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