Tem quem ache estranho, singular, ou apenas fora de órbita. Engraçado, não pedimos opinião alheia, ainda assim passamos pelos olhos e pensamentos dos outros como se precisássemos de orientação, conselho ou aprovação.

Pode falar, não ligo. Eu tô em outra. Isso que acha sobre qualquer comportamento meu que lhe chama a curiosidade, é apenas meu, não compartilho com você. Mas, sem problemas, a tranquilidade de viver tira-me o peso de sua presença sem solicitação.

Gosto dela assim, meio louca meio sã. Séria e inegavelmente eufórica. Totalmente responsável e sabiamente ‘carpe diem’. Adora o calor e sente um prazer enorme em curtir as brisas mais geladas da madrugada. Totalmente tímida e publicamente acessível. Pinta as unhas de preto e usa rosa nos brincos. Não gosta de bagunçar os cabelos, mas abre o teto do carro toda vez que pegamos a estrada. É uma doçura de menina e a força madura de mulher vivida. Tem gente que chama isso tudo de dificuldade, eu mesmo chamo de vive-la. Sim, vive-la como é, com o doce e o amargo de sua personalidade instigante.

Essa complexidade toda é tão simples quando a levamos para o campo do sentimento… é brisa leve, e que me leve para a mais gostosa sensação! E o mais engraçado de tudo não está aqui dentro – somos apaixonadamente sérios, mas lá fora – onde as bocas distintas têm mil palavras a serem ditas – contrárias a nós – mas continuam inaudíveis. Quero acreditar que é porque somos, e ponto.

Os relacionamentos são idealizados num nível, muitas vezes, inatingível. Sinto muito por vocês porque eu sinto muito ela! Estão por aí, a observar, e ela aqui seguindo sua vida plena e eu plenamente vivendo com ela. Acho que isso até é um incômodo. Como disse, fico tranquilo pois olho-me no espelho e reconheço o que vejo, só me distraio com a imagem dela, linda, ao meu lado, distraidamente suportando qualquer que seja o reflexo que nos apareça.

Somos todos complicados, cada um com sua vírgula. A dela é apenas para dar continuidade em minha história. E assim, dando outro significado no que chamamos de ‘nós’. A beleza do que vivemos não está apenas no amor que nos transborda internamente, mas, no que esperamos um do outro dentro da limitação de cada um.

A maior diferença aqui, além do meu ‘não ligo para tudo o que pensam’ é que não somos iludidos por qualquer modelo de relacionamento dito exemplar. Eu só disse ‘oi’ e ela respondeu ‘vamos?’. Como negar? Foi simples; nosso café é black e o pão de queijo é diário. E tudo isso colore os dias, mesmo as segundas-feiras. Eu acho ela chata e ela me acha engraçado, não combina?

Andamos de mãos dadas, como qualquer um. Mas quaisquer andam de almas abraçadas? Eu acho nela o que não está em mim mesmo. Ela é pontual e não acho nem meu relógio. Totalmente organizada e eu gosto da bagunça. Lembra de cada data importante e eu nem sei que dia é hoje. Mas, não é pra ser assim? Completar o que nos falta, aprender com quem sabe o que nos é difícil fazer? Enfim, o somos, radiantes e confiantes. Difícil sempre, mas o abraço dela é tão gostoso…

2 Comentários

  1. SHEILA LIZ – FLOR DE LIS:

    Ouvir da boca da cantora Joelma mais ou menos essa frase:

    Nada mais me importa nele, mas os sentimentos idos e vividos continuam me alimentando de recordações inesquecíveis como se fora uma bateria!

    O bom mesmo é não deixar o coração ficar magoado! Você não acha?

  2. É, eu penso que a mágoa já é a solidificação dos sentimentos ruins… Como já lhe disse, acho que temos que sentir, experienciar todos, mas, prendê-los em nós e preencher um espaço que deve ser rotativo, principalmente quando trata-se de sentimentos negativos.

    Alguns ficam mesmo, fazem morada, e com eles trazem novos, e outros, e aí sim a rotatividade acontece. O amor por exemplo, há tantos que o acompanham…

    Neste texto não entendi como você, agora relendo entendo a conclusão a que chegou. Interessante, via como alguém que conhece tão bem o parceiro, vê seus defeitos, sente e vivencia-os e ainda assim permanece.

    Bom tê-lo aqui!

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