17 junho 2018 CHARGES

DODÔ

17 junho 2018 DEU NO JORNAL

2ª TURMA DO STF VAI SOLTAR LULA DURANTE A COPA?

17 junho 2018 CHARGES

PATER

ANOS DE PROTESTOS

O ano de 2013 foi parada dura para o brasileiro que teve de enfrentar manifestações de todo tipo. Mais precisamente no mês de junho, pipocaram manifestações em 388 cidades, comandados pelos manifestantes de 22 capitais que conseguiram juntar mais de um milhão de pessoas, concentradas num único objetivo. Lutar de todas as formas possíveis pelo direito do cidadão.

Para mostrar indignação geral contra os desacertos, o pau cantou. Incentivada pelas redes sociais, a sociedade, ousada, foi às ruas protestando contra diversos temas. Reajuste nas passagens de ônibus, corrupção política, precariedade do serviço público.

A marcha exigiu a redução de R$ 0,20 na passagem de ônibus, condenou a violência policial, quando na Rua da Consolação, área central da capital de São Paulo, os policiais investiram contra a massa, deixando 150 pessoas feridas, condenou a representação política, que permanece desatenta, criticou o inaceitável serviço de transporte público, sem perspectivas de melhora. Como o metrô paulista não presta bom serviço, o povo, na época, invadiu os trilhos. Parou os comboios, cortou a circulação de trens, passou a caminhar nas linhas.

A tensão aumentou quando os manifestantes decidiram invadir o Congresso e o Palácio da Alvorada e depredar o Palácio do Itamaraty. Foi cacete. O caldo engrossou. O povo enfureceu. Os políticos fecharam o bico, se recolheram aos seus aposentos. Abandonando as bases na surdina.

Na pauta de objeção dos militantes no protesto constava também a desaprovação contra os gastos com as obras para a Copa do Mundo e das Olimpíadas de 2014 que desviou verbas da saúde, educação e segurança para as monstrengas e desaprovadas construções.

O interessante é que 80% da população aprovou a manifestação de 2013. O movimento, na ocasião, chegou a ser comparado ao da classe estudantil, que em 1992, pintou a cara e saiu às ruas para pleitear o impeachment do presidente Collor.

A nova geração, conhecida como os “caras-pintadas”, com o rosto pintado nas cores verde e amarelo, saiu às ruas para denunciar a corrupção, que estava insuportável, protestar contra a medidas impopulares adotadas por Collor que congelou a dívida pública e o confisco da poupança. Medidas aprovadas com o intuito de barrar a hiperinflação que entre 1989 e 1990 chegou ao impressionante patamar de 4.853%.

A marcha dos caras-pintadas foi ferrenha, brava. Durou 2 anos de passeatas, tumultos e vandalismo. Começou no final de 1989 com o objetivo de conquistar passe livre nos transportes e meia entrada nos cinemas e varou anos.

As manifestações tiveram um final feliz. Em setembro de 1992, a Câmara aprovou o impeachment do presidente. Decisão que foi acolhida pelo Senado em dezembro. No entanto, temendo o pior, e para não perder os direitos políticos, Collor se antecipou. Apresentou carta de renúncia ao cargo. Entretanto, depois de dezesseis horas de sessão no Senado, Collor saiu, considerado como inabilitado para o exercício de função pública pelo prazo de oito anos.

Infelizmente, decorrido cinco anos dos protestos de 2013, pouca coisa, muito pouca mesmo melhorou no país na questão de qualidade de vida do brasileiro. O serviço público permanece burocrático. Imprestável. O processo eleitoral quase não sofreu alteração. A taxa de renovação nas Câmaras de Vereadores, nas Assembleias Legislativas e no Congresso Federal é insignificante. Muitos políticos se eternizam, estendo o mandato para os familiares.

No campo econômico/social poucas alterações também aconteceram. No geral, a sociedade continua desigual. Os ricos, enricaram mais. A única vantagem reservada para a maioria da população, é a abertura para a classe menos favorecido ter acesso a determinados tipos de serviços, antes restritos às classes mais altas.

A política não se desgruda do mito centenário e, embora passe a página, o cenário não muda. Sustenta os mesmos problemas. Desemprego, corrupção, saúde, violência, educação desqualificada, custo de vida alto, drogas mandando no pedaço, até de dentro dos presídios, incêndio de ônibus, quebra-quebra de caixas eletrônicos e de carros fortes, desconfiança na política, alta carga tributária, baixo salário mínimo, gastos públicos em excesso, overdose de mordomias, fragilidade econômica, decadência da renda familiar, submissão ao petróleo, dependência do modal transporte rodoviário, carência de moradia e saneamento, inercia de governos, além de intensos sinais de pobreza fome e miséria.

Até quando os problemas vão existir no país, só depende da consciência do cidadão. Acordar na hora do voto. Votar somente em quem mostrar honradez e honestidade.

17 junho 2018 CHARGES

LUTE

ELEONOR BACCHI – BELO HORIZONTE-MG

Meu caro editor bestânico:

Em tempos de Copa do Mundo (na Rússia!!!!) publique aí um pensamento genial de um sujeito genial.

Parabéns pelo grande sucesso da nossa escrotíssima gazeta!

Saudações mineiras.

17 junho 2018 CHARGES

SPONHOLZ

ARQUEOLOGIA BÍBLICA

O homem ruma, inexoravelmente, a cada vez mais ter que unir a ciência e religião. Um dos caminhos que segue a passos largos nesse sentido é a ciência da arqueologia.

A arqueologia funciona como um elo, cada vez mais forte, que leva muitos descrentes a reverem, se não seus conceitos, ao menos suas convicções.

Avanços foram feitos nesse campo da ciência que comprovam vários relatos contidos nas escrituras sagradas.

O rol de descobertas aqui elencadas, há muito encontra-se defasada face ao acelerado ritmo de atualização de novos achados.

A meio de tantas descobertas arqueológicas, eis as dez maiores descobertas da arqueologia bíblica, enumeradas pela importância na opinião de vários arqueólogos do mundo:

1. Os amuletos de Ketef Hinnon, contendo o mais antigo texto do Antigo Testamento (séc. VII a.C.);

2. O Papiro John Rylands, contendo o mais antigo texto do Novo Testamento (125 A.D.);

3. Os manuscritos do Mar Morto;

4. A pintura de Beni Hasan, revelando como era a cultura patriarcal 19 séculos antes de Cristo;

5. A estrela de basalto de Dã, descoberta em 1993, que provou, sem sombra de dúvidas, a existência do rei Davi;

6. O tablete 11 do épico de Gilgamés, descoberto, em 1872, por George Smith, que provou a antigüidade do relato do dilúvio;

7. O tanque de Gibeão (mencionado em 2 Samuel 2:13 e Jeremias 41:12), descoberto em 1833, por Edward Robinson;

8. O selo de Baruque, descoberto em 1975, provando a existência do secretário e confidente do profeta Jeremias;

9. O palácio de Sargão II, rei da Assíria mencionado em Isaías 20:1, descoberto em 1843, por Paul Emile Botta, de cuja existência os historiadores seculares duvidavam até essa descoberta;

10. O obelisco negro de Salmaneser. – é um artefato que o arqueólogo Henry Layard encontrou, na antiga cidade de Nínive, o assim chamado um dos mais antigos artefatos arqueológicos a se referir a um personagem bíblico: o rei hebreu Jeú. Ele viveu cerca de nove séculos antes de Cristo. Este artefato encontra-se preservado, agora, no Museu Britânico , em Londres. Um artefato semelhante é o assim chamado “Prisma de Taylor”, um prisma hexagonal de argila queimada que faz referência à batalha travada entre Senaqueribe e o rei hebreu Ezequias, no início do século VII antes de Cristo, uma batalha tão importante que foi narrada em três lugares diferentes da Bíblia: 2 Reis 19, 2 Crônicas 32 e Isaías 37:38. Este artefato também se encontra depositado no Museu Britânico.

17 junho 2018 CHARGES

ZOP

17 junho 2018 DEU NO JORNAL

AGIU DE CONFORMIDADE COM AS ANTAS DAQUI

Uma das grandes atrações da Argentina durante o empate em 1 a 1 com a Islândia estava fora de campo.

Diego Maradona, sempre ele, esteve presente no estádio e acompanhou de perto a atuação dos hermanos.

Sempre chamativo, ele foi filmado fumando um charuto.

O detalhe é que um dos avisos que aparecem com mais ostensividade nos telões da copa é o que alerta para a proibição de se fumar naquele ambiente.

* * *

Diego Idiota Maradona é admirador e amigo de Lula.

Seguindo o exemplo e o comportamento de qualquer luloso que compõe o curral de antas banânicas, o argentino não respeita lei alguma.

Quanto mais um mísero aviso.

Uma parelha arretada de latrinos americanos

17 junho 2018 CHARGES

CLAYTON

SAÚDE, O DIREITO DE DEVER

A Agência Nacional de Saúde Suplementar, ANS, quer que convênios e seguros-saúde aumentem no máximo em 10% seus preços. A Justiça achou muito: fixou 5,72% (contra uma inflação de 2,9%). A ANS, mas podem chamá-la de Governo, vai recorrer! Quer 10%. O cidadão é só um detalhe.

Para que serve a ANS, “a agência reguladora” dos planos de saúde? Dá para responder com números: nos últimos 14 anos, o aumento sempre foi superior à inflação. De 2000 a 2017, o plano de saúde subiu 374,1%. Deu de 7×1 na inflação, que chegou a 220%. Antes de 2000, as operadoras eram quem decidia o valor do aumento. E o cliente apanhava tanto quanto hoje: não teve vantagem nenhuma com a intervenção da agência oficial.

Resultados? Dois milhões de clientes suspenderam seus convênios ou seguros – agora, sobrecarregam o SUS. A operação dos planos de saúde é tão lucrativa que gigantes multinacionais compraram empresas nacionais do ramo. E a benevolência da ANS chegou a despertar de seu profundo sono até o Senado, que planeja uma CPI sobre as relações ANS-operadoras. Um terço dos senadores, 27, já concordou com a CPI. Será interessante descobrir por que, todos os anos, o custo tem de subir mais que a inflação.

Será a hora de descobrir para que servem as agências reguladoras. A do transporte aéreo, Anac, foi a inventora da cobrança da bagagem, “para baratear as passagens”. Alguém já usou as passagens mais baratas?

Jornalista Lula

Lula deve comentar a Copa para a TVT, do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Escreverá o comentário na prisão e o enviará ao jornalista José Trajano. “Não estou brincando, não”, diz Trajano. “Lula será comentarista da TVT. Vai escrever suas impressões, e as pomos na tela entre aspas”.

O Basta! De Neguinho

O sambista Neguinho da Beija-Flor, 68 anos, 41 de escola de samba, vai embora do Brasil: cansado da violência no Rio, cansado dos altos impostos (dos quais não vê retorno), vai no fim do ano para Braga, Portugal, cidade de origem da família da esposa. Quer que a filha mais nova, de nove anos, viva em lugar mais seguro. Neguinho é atração da escola cujo patrono é o poderoso Aniz Abrahão, homem-forte de Nilópolis. Se Neguinho sente a insegurança a ponto de ir embora, prometendo só voltar nos carnavais, imaginemos a situação a que a violência levou a Cidade Maravilhosa.

Cadê o centro?

Comecemos pela parte positiva: apesar de tudo, Geraldo Alckmin tem boas chances de chegar ao segundo turno, apesar da penúria de seus índices nas pesquisas. Com a multiplicação do número de candidatos, basta que Alckmin cresça em São Paulo, sua base eleitoral, onde foi governador por quatro vezes, para que chegue lá. No segundo turno, seu adversário deve ser um radical de esquerda ou direita, e ele deve receber o voto da maioria que é contra radicalismos. Agora, a parte ruim: Alckmin está indo mal até em São Paulo, o que o deixa em risco. Álvaro Dias come seus votos do Paraná para o Sul. Candidatos como Flávio Rocha e Josué Alencar atingem sua base. Com as intenções de voto se arrastando pelo chão, como atrair outros partidos de centro para formar a maioria? Alckmin tenta duas saídas.

A primeira: um problema

Alckmin nomeou Marconi Perillo, ex-governador de Goiás, articulador de sua candidatura. Problema: o candidato de Perillo ao Governo goiano, o vice José Elinton, tem no máximo 1/3 das intenções de voto de Ronaldo Caiado, DEM, o favorito. Perillo deixa de ser o chefe político de Goiás e se contenta em eleger-se senador. Tem processo na primeira instância da Justiça Federal, movido pela Procuradoria Geral da República, referente a delações de ex-executivos da Odebrecht, segundo as quais teria solicitado à empresa R$ 50 milhões para a campanha de 2014 (e obtido R$ 8 milhões). Alckmin não tem até agora qualquer vínculo conhecido com a Odebrecht.

A segunda: uma aposta

Alckmin quer também que o apresentador José Luiz Datena (DEM) seja candidato ao Senado, na chapa de João Dória. Datena é conhecido e tem facilidade de comunicação. Mas talvez prefira outra opção, como disse a O Estado de S. Paulo: “Se pintar a possibilidade de ser candidato à Presidência, talvez eu tente ajudar o meu País. Quero ser candidato para ajudar o povo. É mais uma decisão do partido do que minha. Depende das articulações, do resultado das pesquisas.” Alckmin quer, atraindo Datena, conseguir o apoio do DEM para ser presidente. Corre o risco de repetir o episódio de Dória: ganhar mais um adversário em disputa de seu espaço.

Sabe ou não?

Todos os países americanos decidiram votar em bloco em EUA, Canadá e México para a Copa de 2026. A CBF votou no Marrocos. O coronel Nunes, da CBF, votou errado ou esqueceu em quem votar? Você decide.

17 junho 2018 CHARGES

SINOVALDO

LUIZ PEIXOTO – FORTALEZA-CE

Prezado editor da melhor e mais abestalhadora gazeta do universo.

Vamos divulgar essa campanha??

R. Caro leitor, eu lamento discordar de você.

Ao invés desta campanha golpista do “Lula Deus me livre“, eu estou engajado na campanha “Lula livre“.

Já estou começando a torcer pra que o soltador de corruptos Gilmar Boca-de-Buceta, amparado por Tofinho e  Lewandowski, meta a caneta e mande libertar nosso querido presodenciável o mais cedo possível.

Tô sentido uma falta danada da caganeira oral com que Lula costumava nos brindar mais de uma dezena de vezes por dia.

Sem Lula falando merda, esta merda de jornal fica carente de assuntos bostíferos pro deleite dos seus inteligentes leitores.

17 junho 2018 CHARGES

DUKE

17 junho 2018 DEU NO JORNAL

OMISSÃO IMPERDOÁVEL DA GRANDE MÍDIA

Neymar muda o cabelo para estreia na Copa e repete 2014

Atacante aparece com cachos longos e mais loiros

Vaidoso, Neymar gosta de mudar o corte de cabelo antes de competições importantes.

Foi assim em 2014, está sendo assim este ano.

Ontem, sábado, ele apareceu com um novo visual para o último treino da seleção brasileira antes da estreia contra a Suíça hoje, domingo, em Rostov-do-Don.

* * *

Uma informação de suma importância que a grande mídia omitiu foi a nova cor dos pentelhos de Neymar.

E também qual é a tonalidade dos cabelos do cu do jogador.

Por fim, não foi publicado de que metal precioso é feito o piercing que ele mandou pendurar nos culhões.

17 junho 2018 CHARGES

IOTTI

MARUJOS DO AMOR

O título original do filme é Anchors Aweigh. Destacamos uma cena antológica que contou com a participação de William Hanna e Joseph Barbera, protagonizada por: Gene Kelly e o rato Jerry do desenho animado Tom e Jerry. Um show de talentos nos idos de 1945.

Dance With

* * *

MELO MALUCO E O TAXISTA

José Vasconcelos no programa do Jô, demonstra sua arte que ficou gravada em nossa história, recheada de grandes astros e estrelas que não podem ser esquecidos.

* * *

Dica:

A série de TV Os Monstros, foi produzida em preto e branco de setembro de 1964 a maio de 1966. Com exceção da sobrinha, a família era diferente na aparência e na forma de viver. Eram trabalhadores, pertenciam à classe média e tolerados pelos vizinhos pela forma amável que demonstravam com todos. Talvez pelo fato de não darem importância ao que pesavam deles, tinham uma vida feliz. 

Mascarada Monstruosa

17 junho 2018 CHARGES

BIRA

17 junho 2018 DEU NO JORNAL

SEMPRE NA VANGUARDA BANDITÍCIA

13 dos 35 partidos existentes precisam pagar dívidas de eleições passadas.

Os débitos chegam a quase R$ 32 milhões e incluem as dívidas de campanhas assumidas pelas legendas ao fim da eleição.

O partido mais endividado do país é o PT, com um rombo de R$ 25 milhões.

78% do valor total devido por todas as siglas.

* * *

Um recorde apreciável este do PT: detém quase 80% do total do calote dado pelos partidos de Banânia.

Não é por acaso que a notícia aí de cima começa com este horrendo número 13, a dezena da organização criminosa de propriedade do presodenciável Lula.

“13 dos 35 partidos existentes”

Putz!

Bom, o fato é que esta quadrilha está sempre em primeiro lugar quando se fala em trambicagem.

Faz sentido: PT – Partido dos Trambiqueiros.

Uma constatação capaz de deixar orgulhosa a militância idotal vermêio-istrelado.

17 junho 2018 CHARGES

ZOP

OS BRASILEIROS IX – OTTO CARPEAUX

Otto Maria Carpeaux

Otto Karpfen nasceu em Viena, Áustria, em 9/3/1900. Ensaísta, crítico literário e de artes, jornalista, doutor em filosofia, estudou matemática (em Liepzig), sociologia (em Paris), literatura (em Nápoles) e política (em Berlim), além de dedicar-se à musica. Foi um dos poucos intelectuais onde o termo “polímata” (a pessoa, que estuda ou conhece muitas ciências) se aplicou com mais precisão. Filho do judeu Max Karpfen e da católica Gisela Schmelz Karpfen, cursou o ginásio em Viena. Por sugestão dos pais, Ingressou na faculdade de direito, mas cursou apenas o 1º ano. Em seguida concluiu diversos cursos superiores nas ciências exatas, porém “nunca me aproveitei praticamente desses estudos. Mas aí aprendi algo de método e precisão de pensar, o que é vantajoso no mundo sempre um pouco vago das letras”.

Dedicou-se intensamente à literatura e ao jornalismo político, carreiras que exerceu em Viena como redator da revista “Berichte zur Kultur und Zeitgeschichte” e articulista do jornal “Neue Freie Presse”. Em 1930 casou-se com Helena Carpeaux e converteu-se ao catolicismo em 1933. Era bem relacionado em Viena e tornou-se homem de confiança de dois primeiros-ministros: Engelbert Dollfuss e Hurt Schuschnigg. Com a tomada da Áustria por Hitler, foi obrigado a seguir para o exílio, em 1938. Primeiro para Antuérpia, onde trabalhou na Gazet van Antwerpen. Com a expansão do nazismo, sente-se inseguro na Europa e embarca para o Brasil em 1939. Mudou seu sobrenome germânico Karpfen para o francês “Carpeaux” o francês Carpeaux e chegou aqui de “mala e cuia”, com a mulher, sem conhecer nada do idioma e sem conhecidos, mas com uma enorme bagagem cultural e falando diversos idiomas.

Após um ano de trabalho como imigrante em fazendas do Paraná, e com o domínio do português, partiu para São Paulo. Com dificuldades, foi sobrevivendo com a venda de alguns pertences, incluindo seus livros de arte. Em 1941 escreveu uma carta ao crítico literário Álvaro Lins oferecendo um artigo sobre Kafka, que conheceu pessoalmente na Europa. Foi quem primeiro falou de Kafka no Brasil. Recebeu como resposta um convite para trabalhar no Correio da Manhã (RJ). Assim, Inicia-se na carreira de crítico e ensaísta dos mais conceituados na literatura brasileira. No ano seguinte naturalizou-se brasileiro e publica seu primeiro livro de ensaios: Cinzas do purgatório, revelando uma inteligência e uma erudição incomum na intelectualidade local. Pouco depois foi trabalhar num lugar privilegiado para um autodidata interessado em conhecer melhor a cultura que abraçou: a Biblioteca da Faculdade Nacional de Filosofia (1942-1944). Em seguida foi dirigir a Biblioteca da Fundação Getúlio Vargas (1944-1949), onde encontra tempo para publicar sua monumental História da Literatura Ocidental (1947), uma das mais importantes obras publicadas no Brasil no séc. XX. A obra já foi lançada em diversos volumes pela Editora Cruzeiro (1959), Alhambra (1978) e Editora do Senado Federal (2008). Em seguida a Editora Leya, lançou a obra em 4 volumes e recentemente relançou-a numa caixa com 10 volumes,

Com isso, tornou-se um dos pesos pesados da intelectualidade brasileira, assumindo o cargo de redator-editor do Correio da Manhã, em 1950. No ano seguinte publicou a Pequena Bibliografia Crítica da Literatura Brasileira, reunindo em ordem cronológica mais de 170 autores nacionais. A partir daí sua produção literária é intensa e variada, publicando ensaios, artigos políticos, crítica literária, etc. Seu trabalho na imprensa e a obra que deixou publicada constituem-se numa expressiva contribuição às nossas letras, dando um novo rumo à história da literatura brasileira. O fato de ser totalmente gago, o afastou da cátedra e das cátedras e das universidades para confiná-lo aos gabinetes e redações.

Em 1968, anunciou o fim da carreira literária e promete dedicar o resto de seus dias à luta política, fazendo oposição ao regime militar instaurado em 1964. Por essa época trabalhou ao lado de Antônio Houaiss, como coeditor da Grande Enciclopédia Delta-Larousse. Além da extensa produção de ensaios sobre literatura, publicou livros sobre música, história da arte e política. Faleceu em 3/2/1978 vitimado por um infarto. Seu livro Uma nova história da música, lançado em 1958, passou por diversas reedições até 2001, quando teve o título mudado para O livro de ouro da música: da Idade Médica ao século XX, lançado pela Ediouro. Em 2000 a Editora Topbooks iniciou a publicação dos Ensaios Reunidos de Otto Maria Carpeaux, organizados pelo filósofo Olavo de Carvalho, em 10 volumes. Teve oito publicações póstumas, sendo a última, O canto do violino e outros ensaios, publicada pela Ed. Danúbio em 2016. No ano seguinte, o Senado Federal lançou em versão digital para download gratuito, alguns volumes da História da Literatura Ocidental.

Como se vê, Carpeaux continua vivo entre nós compartilhando seu arsenal de conhecimentos na literatura, na música, na política, na vida. Segundo o crítico Antônio Cândido, ele era uma espécie de “herói civilizador”, que se instala no país e contribui de forma decisiva para a atualização do meio literário e a formação de novas gerações da crítica literária. Alfredo Bosi, um de seus discípulos, chegou a reconhecer em breve ensaio sua dívida com o mestre. Sua melhor e mais completa biografia foi publicada por Mauro Souza Ventura: De Karpfen a Carpeaux: formação política e interpretação Literária na obra do crítico austríaco-Brasileiro, lançada pela Topbooks em 2002.

17 junho 2018 CHARGES

AROEIRA

17 junho 2018 A PALAVRA DO EDITOR

UM GALÊGO E UM NEGÃO: DOIS GRANDES AMIGOS

O surpreendente empate da arrogante Argentina frente a modesta Islândia – com direito a Messi perdendo penalti -, me fez lembrar de uma coisa.

É o seguinte:

No ano de 1986 participei de um programa internacional de escritores, nos Zistados Zunidos (IWP – International Writing Program),  a convite do governo de lá e promovido pela Universidade de Iowa, um estado do meio-oeste.

Éramos um grupo de mais de 30 pessoas e havia gente de todos os continentes.

Foram quatro meses de debates, viagens, conferências, leituras, escritas e, principalmente e sobretudo, muita farra e muita fudelança.

Durante este tempo, senti a temperatura variar de um calor arretado para um frio abaixo de zero.

Palmarense matuto e abestado, foi lá que vi neve pela primeira vez na vida.

Eu dividia um apartamento no campus universitário com o islandês Gudbergur Bergsson, escritor e tradutor que conversava comigo falando em espanhol e eu respondendo em português.

Um diálogo fluente e sem qualquer tropeço.

Entre as suas traduções do espanhol para a língua islandesa estão os clássicos Dom Quixote e Cem Anos de Solidão.

O cabra conhece a fundo literatura, livros e autores brasileiros. Traduziu Guimarães Rosa para o islandês.

Hoje em dia, aos 85 anos, continua ativo e produzindo.

Deve estar vibrando com a brilhante atuação da seleção do seu país frente a Argentina no jogo de ontem.

Clique aqui e veja a ficha dele no Wikipédia.

Este Editor e o escritor islandês Gudbergur Bergsson

* * *

Já a derrota de 2×0 da Nigéria para a Croácia, me trouxe à memória o querido amigo Femi Osofisan, um nigeriano bem humorado, conversador, risonho, sacana e que se mijava-se de tanto rir com as anedotas e causos banânicos que eu costuma contar durante nossas farras.

Nasceu no mesmo ano em que eu nasci e vai fazer 72 anos no mês que vem.

Um estoque de cachaça que levei do Brasil na minha bagagem, em doses acomodadas numa pequena embalagem de plástico, ele tomou quase todo!

Uma vez eu falei que não poderia tirar fotos com ele pra não sujar a minha reputação de brancão brasileiro aparecendo ao lado de pretão africano. Femi chega relinchou de tanto se rir-se.

O negão tem um currículo da porra e é doutorado pela Sorbonne de Paris.

Um palmarense escroto ao lado de um nigeriano sacana

Clique aqui e veja o prontuário dele no Wikipédia.

Quem conseguir entender o peculiaríssimo sotaque do inglês nigeriano, clique na imagem abaixo para ouvir uma fala recente de Femi, em 2015. Um entrevista em Berlim.

Saudades de você, seu negão arretado!


© 2007 - 2018 Jornal da Besta Fubana | Uma gazeta da bixiga lixa