UM GALÊGO E UM NEGÃO: DOIS GRANDES AMIGOS

O surpreendente empate da arrogante Argentina frente a modesta Islândia – com direito a Messi perdendo penalti -, me fez lembrar de uma coisa.

É o seguinte:

No ano de 1986 participei de um programa internacional de escritores, nos Zistados Zunidos (IWP – International Writing Program),  a convite do governo de lá e promovido pela Universidade de Iowa, um estado do meio-oeste.

Éramos um grupo de mais de 30 pessoas e havia gente de todos os continentes.

Foram quatro meses de debates, viagens, conferências, leituras, escritas e, principalmente e sobretudo, muita farra e muita fudelança.

Durante este tempo, senti a temperatura variar de um calor arretado para um frio abaixo de zero.

Palmarense matuto e abestado, foi lá que vi neve pela primeira vez na vida.

Eu dividia um apartamento no campus universitário com o islandês Gudbergur Bergsson, escritor e tradutor que conversava comigo falando em espanhol e eu respondendo em português.

Um diálogo fluente e sem qualquer tropeço.

Entre as suas traduções do espanhol para a língua islandesa estão os clássicos Dom Quixote e Cem Anos de Solidão.

O cabra conhece a fundo literatura, livros e autores brasileiros. Traduziu Guimarães Rosa para o islandês.

Hoje em dia, aos 85 anos, continua ativo e produzindo.

Deve estar vibrando com a brilhante atuação da seleção do seu país frente a Argentina no jogo de ontem.

Clique aqui e veja a ficha dele no Wikipédia.

Este Editor e o escritor islandês Gudbergur Bergsson

* * *

Já a derrota de 2×0 da Nigéria para a Croácia, me trouxe à memória o querido amigo Femi Osofisan, um nigeriano bem humorado, conversador, risonho, sacana e que se mijava-se de tanto rir com as anedotas e causos banânicos que eu costuma contar durante nossas farras.

Nasceu no mesmo ano em que eu nasci e vai fazer 72 anos no mês que vem.

Um estoque de cachaça que levei do Brasil na minha bagagem, em doses acomodadas numa pequena embalagem de plástico, ele tomou quase todo!

Uma vez eu falei que não poderia tirar fotos com ele pra não sujar a minha reputação de brancão brasileiro aparecendo ao lado de pretão africano. Femi chega relinchou de tanto se rir-se.

O negão tem um currículo da porra e é doutorado pela Sorbonne de Paris.

Um palmarense escroto ao lado de um nigeriano sacana

Clique aqui e veja o prontuário dele no Wikipédia.

Quem conseguir entender o peculiaríssimo sotaque do inglês nigeriano, clique na imagem abaixo para ouvir uma fala recente de Femi, em 2015. Um entrevista em Berlim.

Saudades de você, seu negão arretado!

1 comentário

    • Marcos André M. Cavalcanti em 18 de junho de 2018 às 00:42
    • Responder

    Berto, se você ainda não fez vai aqui a sugestão:
    Publique um livro narrando su saga e estadia nos EUA. É uma rica história e experiência pra ser contada por completo, e não apenas alguns fatos.

    Seria um verdadeiro brinde à comunidade fubãnica.

    Fica a sugestão e o aguardo da manifestação dos leitores.

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