24 junho 2018 CHARGES

LEONARDO

DUREZA

Em 2010, sem alternativas, a Grécia caiu em desgraça. Desesperado com a dívida pública que só fazia crescer, que na época ultrapassava a casa de 200 bilhões de euros, enquanto a arrecadação despencava e o risco da moratória circundava os ares gregos, o país afrouxou. Entregou os pontos. Reconheceu ter sido abatido pela crise da economia e das finanças.

Na tentativa de contornar o embaraço e aconselhado pelo FM e a União Europeia, a Grécia, cujo governo era criticado internacionalmente, adotou antipáticas medidas de austeridade para escapar da enroscada. Programou controlar os gastos públicos, excessivos, congelar o salário de servidores de empresas do governo e estudou demitir em massa a quantidade de funcionários de empresas estatais. O que acabou acontecendo.

No entanto, revoltada com as prometidas decisões a serem implementadas na ocasião, a população radicalizou contra a redução do salário, o aumento de impostos, a inflação que começava a incomodar, o corte de crédito, o fechamento de bancos durante sete dias corridos, a limitação de saques de no máximo 60 euros diários e, sobretudo, com o plano de privatização preste a vigorar. Sem perder tempo, o povo ganhou as ruas para protestar. As manifestações realizadas de modo violento, gerou conflitos entre a polícia e manifestantes, cujo resultado findou em mortes. Até parece que o brasileiro já viu este filme, algumas vezes.

Todavia, acontece que a ajuda financeira externa, os vultosos empréstimos concedidos ao governo grego só fizeram atrapalhar os planos. O impacto das fortes medidas repercutiu negativamente. Travou a economia, encolheu riquezas. A atividade produtiva recuou por causa da recessão. O PIB desmoronou, de 5% obtido em 2004 para apenas 0,14% em 2014. Os negócios enfraqueceram drasticamente em função de retração, impondo a taxa de desemprego atingir a temerosa marca de 26,5%. Deixando, enfim, mais da metade da população jovem desocupada. Curtindo estressante ociosidade.

Nos oito anos de intensa luta, a Grécia ainda sofre graves consequências. Nem as ajudas financeiras foram suficientes para vencer a dura crise. Apesar de se tornar viável, a dívida deixou marcas. A população, obrigada a cortar despesas no lazer e nas compras necessárias para levar uma vida confortável, perdeu a confiança no governo. Depois, então que a dívida pública subiu para mais de 100% do PIB, as rígidas reformas nos impostos, na aposentadoria e no salário do servidor, fez o caldo entortar mais ainda. Forçou o grego a pedir arrego.

Hoje, atribui-se a tormenta sofrida pela Grécia aos erros econômicos cometidos por diversos gestores públicos e pela maldita herança do capitalismo, que temendo calotes, sugou os recursos gregos até enquanto pode. Os governos gastavam mais do que os cofres públicos conseguiam arrecadar. O país não combateu a corrupção com punhos de ferros. Não impediu a evasão fiscal. Não evitou a economia encolher. Ao contrário, deixou tudo correr fora dos trilhos.

Adotar medidas de austeridade é fácil, basta ter a caneta na mão. Mas, recuperar a economia, na sua plena atividade é dificílimo. Cortar gastos públicos não custa nada, porém cumprir a promessa, fechar a mão é outra coisa porque o ato mexe com a vaidade e o egoísmo pessoal, cujo ato é dificultoso. Nem todos os gestores públicos tem coragem para tomar audaciosa medida. Por outro lado, é mais lucrativo aumentar impostos do que promover reformas na política, na área tributária, na previdência e no mercado de trabalho. Nesse campo o trabalho é mais duvidoso porque tira o sono das autoridades que não tem aquilo roxo. E nem peito para enverdar por temerosos caminhos.

A experiência que a Grécia sofreu com a crise de economia e finanças foi dolorosa. Além do povo enfrentar duradoura depressão, ainda teve de amargar outros graves problemas. Com a força de trabalho desempregada, as demissões em massa, as greves gerais, o tesouro saqueado, o corte de salário e nas pensões, o penhor de moradias, o grego penou demais. O esgotamento mental, o abatimento físico abateu o grego por várias gerações. Levou, inclusive, muita gente ao suicídio.

Todavia, caso tudo ocorra dentro das previsões, a Grécia, singrado o mar revoltoso, este ano tem tudo para atravessar uma fase de estabilidade econômica. Afinal, o pior já passou. Após nove anos de completa baixa, vencido os efeitos dos destruidores ciclones, para 2018 as estimativas apontam que a economia grega deve crescer em 2018 com uma taxa de 2,8%.

O ruim é que os últimos acontecimentos gregos parecem um ato de déjá vu. O curioso é que outros povos vivenciaram, passaram por semelhantes e nebulosas atitudes no passado. De rachar o cano. Sem tirar nem por.

24 junho 2018 CHARGES

GENILDO

AVENIDA DANÇAS

Famoso na década de 60, era um salão de baile situado no final da Avenida Ipiranga, cidade de São Paulo, onde a dançarina escolhida, portava um cartão que ao final da dança, era picotado levando em conta os minutos da música registrando assim o valor a ser pago. O filme Charity, Meu Amor do autor Neil Simon com a direção de Bob Fosse e música de Cy Coleman, produzido em 1969, mostra um salão de baile decadente.

* * *

BRASIL X URSS, Copa de 1958

A internet está recheada de jogos de futebol da seleção do Brasil. Escolhi um vídeo em preto e branco. A narração é em francês, mas, os craques eram orgulho dos brasileiros. Dizem que os tempos são outros. O Planeta Terra evolui e cada cidadão decide na sua visão, o que melhorou ou piorou. Em 1958 o Brasil venceu a partida por 2X0 e ficou com a taça de Campeão.

* * *

Dica:

Patolino, criado em 1937, é daqueles desenhos animados que agradam a todas as idades. Tratamos aqui de um personagem com inúmeros defeitos de carácter, mas, tal-qual na vida real sabem utilizar seu carisma para enganar seus admiradores. A mensagem de seus criadores era de que o mau caráter ao final do desenho sempre era desmascarado. Chamo atenção para os excelentes dubladores da época.

24 junho 2018 CHARGES

VERONEZI

24 junho 2018 DEU NO JORNAL

O COVEIRO

“Italiano” nas planilhas da Odebrecht, o agora delator Antonio Palocci foi quem revelou ao juiz federal Sérgio Moro a existência de um “pacto de sangue” entre Lula e a Odebrecht para abastecer a conta corrente da corrupção de R$ 300 milhões.

Além de complicar de vez Lula, ajudando a mantê-lo preso por muitos anos, a delação deve implicar também a ex-presidente Dilma na roubalheira na Petrobras.

Palocci é testemunha e cúmplice de dez em cada dez safadezas na era PT.

Em depoimento a Moro em setembro de 2017, Palocci denunciou o pacto de corrupção entre Lula e o empreiteiro Emílio Odebrecht.

O acerto de Emilio Odebrecht com Lula rendeu um “pacote de propinas” para o petista, incluindo o terreno que seria do Instituto Lula.

Palocci também revelou encontro de Dilma com Lula e Sérgio Gabrielli, ex-Petrobras, em 2010, para acertar a continuidade da roubalheira.

* * *

A possibilidade contida na notícia aí de cima é muito alentadora: o ex-ministro da Fazenda de Lula e ex-ministro da Casa Civil de Dilma, pode sepultar Lula, Dilma, o PT e o Caralho a Quatro.

Um coveiro da porra.

O fato é que Palocci tem dado muito trabalho ultimamente pro fubânico luleiro Ceguinho Teimoso.

Chega fico com pena do nosso esforçado confrade.

Desta vez o Coveiro vai botar até no furico de Dilma, a nossa querida Vaca Peidona, o poste de Lula, a mulher à qual Ceguinho deu seu voto.

Danô-se!!!

Tu abre o olho, Italiano: num te esqueças do coitado do Celso Daniel.

Atenção Palocci Boca Mole: Dedo Duro dentro do PT corre o altíssimo risco de ser evaporado misteriosamente sem a polícia conseguir descobrir nunca os mandantes e os executores (mesmo todo mundo sabendo quem são…)

24 junho 2018 CHARGES

J. BOSCO

SÃO JOÃO

FESTA DE SÃO JOÃO – Anilda Figueiredo

Quanta saudade eu sinto
do São João de antigamente
que a gente brincava muito
e dançava bem contente
era tudo engraçado
com um matutinho de lado,
era tudo diferente.

O São João de antigamente
tinha q-suco e aluá,
canjica, pamonha, paçoca,
chapéu-de-couro e fubá
pé-de-muleque e sequilho,
bolo de puba e de milho,
arroz doce e mungunzá.

E pra gente se alegrar
uma caninha brejeira,
a famosinha fubuia,
velha cana brigadeira,
uns bebiam caipirinha
esperta, porém docinha,
na derruba era ligeira.

Com a faca na bananeira
no outro dia sabia
com quem ia se casar
a gente se divertia
todo mundo se alegrava
um dançava, outro dançava
até amanhecer o dia.

Improvisava a quadria
e saía de par em par
viva a noiva! viva o noivo!
a festa vai começar!
chamava um bom sanfoneiro
e nós no mei do terreiro
dançava até se cansar.

Cuidado pra não errar
preste atenção, minha gente!
camim da roça, olha a chuva…
hoje é tudo diferente…
faria tudo de novo
pra ver, outra vez, meu povo
no São João de antigamente.

* * *

MEU VESTIDO DE SÃO JOÃO – Dalinha Catunda

Foi mexendo em meus guardados
E fazendo arrumação
Que encontrei embrulhado
Meu vestido de São João
Um vestidinho singelo.
Mas eu considero belo
E logo voltei ao sertão.

Eu sinto tanta saudade,
Das velhas festas juninas
Onde eu era bem feliz
Junto com outras meninas
Ensaiando nossas danças
Organizando as festanças
Tipicamente nordestinas.

Vestia-me de matuta,
Com meu vestido de chita
Nos cabelos duas tranças
Nas tranças laço de fita.
De palha era meu chapéu
E eu me sentia no céu,
Não conhecia desdita.

O fogo unia famílias
Fogueira era tradição
O casamento matuto
Não faltava no São João
E o bom forró que rolava
Quando a gente rebolava
Era do rei do baião.

Hoje tudo esta mudado
Veio a modernização,
Acabando com os costumes
Do nosso agreste sertão.
Acabando com a folia,
E com a nossa alegria
Enterrando a tradição.

* * *

SÃO JOÃO NA ROÇA – Luiz Gonzaga

* * *

SÃO JOÃO SÓ PRESTA NA ROÇA – Zé Bezerra

Festa tradicional
De maior empolgação
É a festa de São João
Feita na zona rural
Se reúne o pessoal
Ali ninguém se alvoroça
Todos dizem: – A festa é nossa
E a alegria é completa
Por isso, afirma o poeta
São João só presta na roça.

É um São João diferente
Dos que fazem na cidade
Tem brincadeira à vontade
Alegrando a toda gente
O sertanejo contente
Logo depois que almoça
Corta lenha fina e grossa
Bem animado e feliz
Acende a fogueira e diz
São João só presta na roça.

No santo o povo tem fé
Festejando a noite inteira
Em toda casa há fogueira
Foguetão e buscapé
Mais tarde há arrasta-pé
No pavilhão da palhoça
Sanfoneiro da mão grossa
Toca um repertório novo
Para a alegria do povo
São João só presta na roça.

Na noite, a cada minuto
A lua no alto brilha
Logo antes da quadrilha
Tem casamento matuto
O noivo se faz de bruto
A noiva se alvoroça
De cima duma carroça
A mãe da noiva gasguita
Estufando o peito grita
São João só presta na roça.

A moça faz simpatia
Para saber com quem casa
Tem milho assado na brasa
Tem canjica quente e fria
Milho cozido em bacia
Pamonha na palha grossa
Se chover, a água empoça
Mas não para o forrozão
Para o povo do sertão
São João só presta na roça.

A festança é animada
Sem ritmo modernizado
Sem guitarra, sem teclado
Sem quadrilha estilizada
É mantida, é conservada
A pura cultura nossa
Pra que o sertanejo possa
Se orgulhar de sua festa
Em outro canto não presta
São João só presta na roça.

24 junho 2018 CHARGES

DUKE

KLEBER DE SOUZA – TERESINA-PI

Nobre editor Berto,

Uma contribuição para o melhor jornal deste país.

Dedico a todos os BBs (Babacas Banânicos).

Saudações juninas para todos os fubânicos.

24 junho 2018 CHARGES

AROEIRA

LULA, TEJE SOLTO OU TEJE PRESO?

O próximo capítulo da novela “Prisão com Lula é górpi” estava marcado para esta terça. A Segunda Turma do Supremo julgaria pedido de suspensão da condenação de Lula e sua libertação imediata. Julgaria: o mesmo ministro Édson Fachin que pedira a votação mandou suspendê-la. Motivo: o TRF-4 de Porto Alegre encaminhara o processo ao STJ, e o STF não deveria interferir no tema. Dever, não deveria, mas já tinha interferido, lançando dúvidas em todo o país.

Ou melhor, mais dúvidas. Seria julgada só a libertação ou também a proibição de se candidatar? Dúvidas havia até na defesa de Lula: o advogado Sepúlveda Pertence, em Brasília, pedira ao Supremo que, se não anulasse a sentença, transferisse Lula para prisão domiciliar; o advogado Cristiano Zanin, em São Paulo, dizia não ser aceitável que Lula continuasse preso, por considerá-lo vítima de injustiça.

Alguma previsão lógica? Se no Brasil nem o passado é previsível, imagine o futuro. Mesmo que houvesse certeza sobre a votação, não haveria sobre o seu alcance. Mesmo derrotada a tese da anulação da sentença que o condenou, alguma concessão – como prisão domiciliar – já representaria uma vitória política para Lula.

Se o pedido fosse integralmente rejeitado, sem concessões, ficaria mais claro ainda que Lula não poderia disputar eleições. Mas as turmas do STF são formadas por cinco ministros, há muitas decisões por 3×2, e na Segunda Turma estão pessoas que já foram muito ligadas a Lula ou ao PT. Isso não significa que seu pedido seria aceito – nem essa certeza existe – mas que seria possível algum tipo de atenuante da punição. Previsível é apenas a posição de Lula: continuará dizendo que é candidato, até que seu registro seja negado.

“Eu continuo sendo presodenciável!”

O adversário 1

Quem será o candidato de Lula à Presidência? Muita gente pensa que, depois da falta de gentileza de Dilma, que fez questão de se candidatar à reeleição em vez de ceder a vez a Lula, ele preferiria escolher algum nome de outro partido, que não pudesse disputar com ele o comando do PT. Pode ser; e, afinal, Jaques Wagner, fiel entre os fiéis, tem conversado muito com Ciro Gomes, o que não faria sem a aprovação de Lula. Mas as coisas são mais complexas: se Ciro ganha, passa a liderar toda a ala bolivariana da política brasileira, e Lula fica em segundo plano. O PT vai conversar com Ciro até o último instante; mas seu candidato deve ser do partido, alguém abertamente fiel a Lula e que não tenha ambições futuras. Haddad, talvez.

O adversário 2

O candidato tucano Geraldo Alckmin continua parado: não teve novos apoios, não subiu nas pesquisas, não se tornou empolgante. Mas, apesar de tudo, pode chegar ao segundo turno. E, se tiver a sorte de disputar contra radicais, pode ganhar a eleição. Meirelles, emparedado (se for apresentado como candidato do Governo, é ruim; se for apresentado como oposição, é pior), não tem onde buscar apoio e é ainda menos empolgante do que Alckmin. A tendência da maior parte do MDB – não unânime, já que haverá emedebistas dando apoio de Ciro Gomes a Bolsonaro – é aliar-se a Alckmin. O mesmo ocorre com o DEM, o PSD, e os partidos do Centrão, PR, PTB, PP, eventualmente o PRB. Isso dá voto? Não, claro; mas dá tempo de TV e ajuda no essencial trabalho de acompanhar de perto a campanha e as apurações. Urnas venezuelanas têm seus mistérios.

Os líderes

Há ainda Bolsonaro. Líder nas pesquisas, em ascensão, falta-lhe a base partidária. Seu tempo de TV é minúsculo. Pode chegar ao segundo turno (como Ciro também pode), mas precisará demonstrar sua força eleitoral. Por enquanto, vai bem; quando a campanha começar, como fica, sem TV?

Marina é empolgante, pessoalmente, mas não tem base. Como um cometa, aparece de quatro em quatro anos, brilha e some. Falta-lhe o trabalho de base, a ser realizado no intervalo das eleições. E Ciro vai bem, mas não resiste à tentação de ofender pessoas e grupos, até que se perca.

Os alicerces

Quem começa a trabalhar as bases, não para essas eleições, mas para o futuro, são dois grupos: o Partido Novo (que tem candidato, João Amoedo, mas cuja força virá da proposta de um governo baseado no mérito, e não só em acordos políticos); e o RenovaBR, que busca formar líderes políticos para o futuro, independentemente de sua ideologia. O RenovaBR dá cursos de seis meses, mais ajuda de custo, a 133 bolsistas que se comprometam com combate à corrupção, sustentabilidade e gestão fiscal responsável.

O RenovaBR foi criado pelo empresário Eduardo Mufarej (Tarpon Investimentos), com apoio de Nizan Guanaes, Armínio Fraga, Luciano Huck e outros. É trabalho bem montado: utiliza uma plataforma Canvas, da Instructure, já testada por sólidas instituições de ensino, num ambiente virtual de aprendizado que abrange todo o país. Os dois projetos podem funcionar – o que seria ótimo para o Brasil, num futuro não muito distante.

Como dizia o poeta

O PT pensa em Dilma para o Governo de Minas, em vez de Pimentel. Como disse Drummond, “quer ir para Minas, Minas não há mais”.

24 junho 2018 CHARGES

SPONHOLZ

24 junho 2018 DEU NO JORNAL

O MUNDO ESTÁ PERDIDO ! ! !

As mulheres da Arábia Saudita podem dirigir a partir deste domingo (24).

Até então, o governo local não permitia que elas conduzissem carros.

Durante décadas, os conservadores se apoiaram em interpretações rigoristas do islã para justificar a proibição de dirigir, alguns alegando inclusive que as mulheres não eram inteligentes o suficiente para se colocarem atrás do volante.

Apesar da liberação, muitas mulheres temem continuar sendo alvo dos conservadores, neste país onde os homens mantém o status de “tutores”.

Efetivamente, as sauditas devem sair com véu e continuam sujeitas a restrições importantes: não podem viajar, estudar ou trabalhar sem autorização de seus maridos ou dos homens da sua família.

* * *

Um tremendo dum retrocesso.

Um grande atraso.

Não se pode dar asas pras mulheres de modo algum.

A mulher foi criada a partir de uma costela do homem com uma finalidade bem específica: ficar sempre debaixo do suvaco dele, sob o seu domínio físico e mental.

“Seu desejo será para o seu marido, e ele a dominará”.

E pronto.

Mulher dirigindo, além de um risco enorme para a segurança do trânsito, é uma liberalidade absurda e sem cabimento.

Mulheres tem que ficar sempre igual às submissas da Arábia, obedecendo às ordens dos seus machos e cumprindo fielmente suas obrigações de fêmeas.

Dirigir carro nem pensar!

No máximo, mulher só pode ficar feito esta na foto abaixo: espiando o carro sem chegar perto.

Automóvel é invenção de um homem – o alemão Karl Benz -, que é fabricado em linhas de montagem onde só trabalham homens, em grandes multinacionais dirigidas exclusivamente por homens.

E a mulher que me chamar de machista vai levar um tabefe no pé do ouvido!

24 junho 2018 CHARGES

DUM

AS BRASILEIRAS IV – EUFRÁSIA TEIXEIRA LEITE

Eufrásia Teixeira Leite nasceu em Vassouras, RJ, em 1850. Investidora financeira, filantropa e feminista quando nem se cogitava o surgimento dessa palavra. Filha caçula de Joaquim José Teixeira e Ana Esméria Correia e Castro, neta paterna do Barão de Itambé, neta materna do Barão de Campo Belo, sobrinha do Barão de Vassouras e sobrinha-neta do Barão de Aiuroca. Estudou na escola de moças de Madame Grivet, em Vassouras e, além do ensino básico, aprendeu boas maneiras, falar o francês e a tocar piano. Digna representante da aristocracia brasileira do Segundo Império.

Com a morte dos pais, em 1872, ela e sua irmã passaram a administrar a herança, uma fortuna de 767:937$876 réis (767 contos, novecentos e trinta e sete mil, oitocentos e setenta e seis réis). Na época equivalia a 5% das exportações brasileiras e dava para comprar 1.850 quilos de ouro. No ano seguinte, com a morte da avó, a baronesa de Campo Belo, foram acrescidos mais 106:848$886 (106 contos, oitocentos e quarenta e oito mil e oitocentos e oitenta e seis réis) na forma de títulos e escravos, que logo foram vendidos. Era grande amiga da Princesa Isabel e não queria saber de escravos em suas propriedades. A irmã faleceu em 1899 e ela teve que administrar o patrimônio sozinha.

Antes disso, a cultura do café em Vassouras entrou em crise, devido ao esgotamento do solo, mas os bens das irmãs não se restringiam as fazendas de café. As irmãs possuíam apólices de títulos da dívida pública, ações do Banco do Brasil, depósitos bancários, títulos de crédito de pessoas, uma casa no Rio de Janeiro e uma grande propriedade urbana em Vassouras, atualmente conhecida como Chácara da Hera. Jovens e solteiras, venderam as ações, os títulos e a casa do Rio de Janeiro, cobraram créditos, alforriaram os escravos, fecharam a casa da chácara, deixando dois empregados incumbidos de sua conservação, e partiram, em 1873, para residir em Paris.

Na viagem, conheceu no navio o diplomata Joaquim Nabuco e iniciaram um namoro que durou 14 anos. Não progrediu devido, talvez, ao fato dele não aceitar a total independência de uma mulher numa época excessivamente patriarcal. Mas ela deixou marcas indeléveis em seu coração. Uma de suas frases, que deixou à posteridade: “O coração após certo momento da vida é qual palimpsesto; nada se pode escrever nele sem primeiro raspar o texto da época anterior” certamente refere-se àquele namoro. Foi a história de um grande amor, tendo a maior parte passada na Europa e nas cartas trocadas. Conta-se que as cartas que recebeu dele foram enterradas junto com ela em seu túmulo. Já as que ela enviou, estão guardadas no Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, no Recife. Dois anos após a última carta, em 1889, ele se casou com Evelina Torres Soares Ribeiro. Ela jamais se casou.

Em Paris, instalou-se num “hotel particulier”, próximo ao Arco do Triunfo e passou a conviver com elite social parisiense, integrando o círculo das amizades próximas a Princesa Isabel. Herdou o espírito empresarial da família e era dotada de um apurado talento na área financeira. Em pouco tempo multiplicou seu capital no mercado financeiro. Comprou ações das empresas que produziam as novas tecnologias da segunda Revolução Industrial, como indústrias extrativistas e de transformação, companhias ferroviárias, bancos etc. Dizem que foi a primeira mulher a entrar na Bolsa de Valores de Paris. No Brasil comprou ações do Banco do Brasil, Banco do Comércio e Indústria de São Paulo, Banco Mercantil do Rio de Janeiro, Companhia América Fabril, Companhia de Fiação e Tecidos Aliança, Companhia Tecelagem de Seda Ítalo-Brasileira, Companhia Antártica Paulista, Viação Fluminense, Companhia Docas de Santos e das primeiras companhias ferroviárias que se instalavam aqui. Entre 1874 e 1928 veio somente duas vezes ao Brasil

Retornou definitivamente, aos 78 anos, e passou a viver reclusa na Chácara da Hera. Sua reclusão ficou acentuada quando comprou a chácara do Dr. Calvet, ao lado da sua, apenas para manter-se longe dos vizinhos. Viveu seus últimos anos no Rio de Janeiro, num apartamento em Copacabana, cercada de empregados fiéis, excêntrica e solitária, onde faleceu em 1930. Sem descendentes nem ascendentes, seu primeiro testamento legava toda a fortuna para o Instituto das Missionárias do Sagrado Coração de Jesus, que mantinha diversos estabelecimentos escolares no Brasil, e Santa Casa de Misericórdia de Vassouras. Um segundo testamento, feito às vésperas de sua morte, legou praticamente toda sua fortuna para obras de caridade, a serem realizadas por instituições da cidade de Vassouras.

Após uma grande disputa judicial movida pela família alegando uma suposta insanidade física e mental, o processo seguiu até 1937, quando um decreto presidencial – determinando que seriam herdeiros apenas os parentes colaterais até segundo grau – impediu parte dos herdeiros deserdados de terem acesso àquela fortuna. Em agosto do mesmo ano, os herdeiros deserdados tentaram reabrir o processo judicial de impugnação do testamento, o que veio a causar um tumulto na cidade. A população de Vassouras revoltou-se, fechou o comércio, cercou o fórum durante as audiências e ameaçou os advogados. O juiz chamou a polícia, mas o delegado disse que os policiais tinham saído da cidade. Os advogados tiveram que fugir pelos fundos do fórum. Assim, os principais beneficiários da herança foram a Santa Casa de Misericórdia de Vassouras e o Instituto das Missionárias do Sagrado Coração entre outras instituições. Valores menores foram legados para a Fundação Osvaldo Cruz, alguns primos e empregados domésticos. Dinheiro em espécie foi destinado aos pobres e mendigos da cidade.

O testamento tem várias exigências que vieram prejudicar sua finalidade, devido a fatos posteriores imprevisíveis. Todos os bens foram legados sob cláusulas de inalienabilidade e da insubrogabilidade que deviam protegê-los. Os valores obtidos com as vendas das ações foram aplicados em apólices do Tesouro Nacional, cujos juros deveriam financiar as instituições criadas. Entretanto, a hiperinflação brasileira destruiu o valor original das apólices do Tesouro. Como resultado, a Santa Casa e o Hospital Eufrásia Teixeira Leite passaram e ainda passam por séria crise financeira. Uma das cláusulas do testamento estabelece “conservar a Chácara da Hera com tudo que nela existisse no mesmo estado de conservação, não podendo ocupar ou permitir que fosse ocupada por outros”.

Devido a esta cláusula, a residência foi preservada, tornando-se hoje o “Museu Casa da Hera”, considerado o melhor exemplo preservado de habitação urbana de famílias ricas do vale do Paraíba do Sul no século XIX. O museu encontra-se aberto ao público e constitui-se num dos principais pontos turísticos da cidade. Em 2010 a história dessa mulher foi contada na forma de um romance escrito por Claudia Lage; Mundos de Eufrásia, publicado pela Record. Ainda não li o romance, mas creio que sua vida se encontra entre aquelas onde a realidade supera a ficção. Mais tarde, Ana Maria Machado publicou seu décimo romance enfocando o relacionamento de Eufrásia com Joaquim Nabuco: Um mapa todo seu (2015). Assim, fica constatado que a vida da “Dama dos diamantes negros” não cabe numa simples biografia.

24 junho 2018 CHARGES

AMARILDO

SPANISH EYES

O trio, Mollee, Nick & Ray, executam a música “Spanish Eyes” em instrumentos como o cajón (caixão), ukelele (guitarra) e steel drum (tambor de aço).


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