BREVE REFLEXÃO SOBRE A FINITUDE DA VIDA

A maioria das pessoas tem medo da morte. A vida é feita de ciclos. Devemos ter uma postura lúcida pelo caminho já percorrido, entretanto só conhecemos a morte através da realidade alheia. Na verdade, a certeza da morte valoriza a vida. É justamente porque vamos morrer que devemos fazer da vida uma experiência com sentido, registrando uma marca e também deixando o mundo melhor do que encontramos. Para isso é necessário amadurecer e viver cada ciclo da vida com consciência.

Refletir para onde vamos após a morte ou como nos sentimos quando percebemos a sua proximidade expõe uma questão, entre outras: por que o sobressalto em conhecer a realidade da finitude quando sabemos o tempo todo que vamos morrer um dia? Provavelmente porque a certeza da data é que nos causa pânico. A incerteza de quando vamos morrer é a vida normal que temos entre o nascimento e a morte.

A morte é uma realidade. Quem sabe a melhor forma de lidar com ela é a pessoa que aceita sua existência, celebra a vida e tem compaixão por seus semelhantes. A sabedoria ensina que devemos aprender a viver e conviver, admitindo a condição do que é finito com a perspectiva de uma futura existência.

O poeta popular e repentista Antônio Marinho do Nascimento (1887-1940) fez uma sextilha, durante uma visita a um cemitério, que trata de maneira racional o fim de uma existência:

“Deus salve os antepassados,
Que já foram como nós;
Foi aqui que nossos pais
Pisaram nossos avós;
Nós pisamos nossos pais,
Nossos filhos pisam nós.”

9 comentários

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    • Vitorino em 25 de junho de 2018 às 09:50
    • Responder

    O artigo aborda a morte com uma perspectiva lógica, e tem a coragem de encarar um assunto desagradável. Morrer é algo que nem quem vai, nem quem fica estão preparados para compreender. Uma hora estamos entre todos, outra hora estamos distante para sempre de todos. Não há rico, pobre, inteligente, famoso, influente, político, empresário, trabalhador, mendigo, ninguém consegue escapar desse encontro. Mais cedo ou mais tarde ela virá nos encontrar. É preciso ter uma noção precisa do valor da vida para não temer a morte.

      • Aristeu Bezerra em 25 de junho de 2018 às 13:15
      • Responder

      Vitorino,

      É gratificante receber um comentário com argumentos que reforçam a minha breve reflexão sobre a morte. Gostei demais da conta da frase:”Uma hora estamos entre todos, outra hora estamos distante para sempre de todos”. A vida passa muito rapidamente e podemos partir de uma hora para outra. Ninguém sabe o que nos espera no dia de amanhã. Quantas pessoas sofrem um infarto de forma fulminante? Muitas. Elas se encantam sem conhecimento, pois foram surpreendidas pela “indesejada das gentes”. O importante é viver bem e aproveitar o máximo possível dessa existência.

      Saudações fraternas,

      Aristeu

    • Carmen em 25 de junho de 2018 às 11:34
    • Responder

    Aristeu,
    Para entender o que é a morte,é fundamental considerar ,que nós seres encarnados, somos antes de tudo, espíritos. Também é preciso ter em mente que espíritos são seres imortais,com tragétorias que vão além deste planeta.Estar encarnados na Terra é apenas uma das muitas etapas que nós,como espíritos temos que viver.
    Sendo assim,a passagem,ou o desencarne ou o momento da morte,são uma volta para casa.
    Depois de cumprida sua missão, o espirito se liberta do corpo físico e, então é chegada a hora de se desligar da matéria e voltar ao que os espíritos chamam de vida eterna.
    Sabemos que a morte do corpo físico é apenas mais uma etapa.
    Grata pela oportunidade.
    Carmen.

      • Aristeu Bezerra em 25 de junho de 2018 às 13:30
      • Responder

      Carmen,

      Muito obrigado pela explicação da morte numa visão espiritualista. Aproveito para recordar conhecimentos que estudei há muito tempo atrás. A vida no corpo físico é vista como um aprendizado para o espírito. Quando morremos, acredita-se que vamos para um plano espiritual, levando o aprendizado dessa vida adiante. Também se crê na reencarnação e na individualidade da alma – cada alma é única e mantem suas características no plano espiritual. Assim, a existência na Terra (e em outros planetas) é o caminho dos espíritos em direção a uma alma mais evoluída, que seria a prática da bondade e da tolerância.
      Grato por sua rica colaboração que deixa o meu artigo iluminado por uma energia da melhor qualidade. Valeu, prezada leitora!

      Saudações fraternas,

      Aristeu

    • Marcos Ribeiro em 25 de junho de 2018 às 12:15
    • Responder

    Nem de longe chegarei a escrever como um poeta, contudo criando esses versinhos o que me veio na mente, meu desejo era passar uma grande história em poucas palavras.
    Muitas vezes só quem escreve é que sabe o significado.

    Da morte já não tenho medo
    Meu grande receio é a vida ruim
    Um jogo que pra ser jogado
    Eu sofro um bocado, mas vivo a rezar
    Em breve um sopro afinado
    Me sinto obriga em ter que olhar

    • Aristeu Bezerra em 25 de junho de 2018 às 13:51
    • Responder

    Marcos Ribeiro,

    Agradeço seu valioso comentário. Você tem sensibilidade poética e sabe transmitir de forma objetiva seus pensamentos e sentimentos. Conheço pela nossa longa amizade suas qualidades literárias e o ser humano fraterno quando os amigos necessitam de sua ajuda. Entendi perfeitamente os seus versos. Vou aproveitar a oportunidade para compartilhar uma estrofe do poeta Manoel Filó (1930 – 2005):

    “Quando eu parti desse abrigo
    Seguir à mansão sagrada,
    A morte está perdoada
    Do que quis fazer comigo,
    Quis que eu fosse igual ao trigo
    Que ao vendaval se esfarela,
    Mas eu vou passar por ela
    De cabeça levantada
    A morte está enganada,
    Eu vou viver depois dela.”

    Saudações fraternas,

    Aristeu

    • violante Pimentel em 25 de junho de 2018 às 19:39
    • Responder

    Parabéns pela postagem, bastante realista, prezado Aristeu. Como disse o poeta Vinícius de Moraes, a morte “é a angústia de quem vive”.
    Nem todas as pessoas aceitam essa fatal realidade. Outras, por desespero, antecipam a sua data.
    E assim caminha a humanidade, sempre se aproximando do fim.

    A sextilha do poeta popular e repentista Antônio Marinho do Nascimento (1887-1940) é inteligente e verdadeira.

    Um abraço e uma ótima semana!

    Violante Pimentel Natal (RN)

      • Aristeu Bezerra em 25 de junho de 2018 às 20:37
      • Responder

      Violante,

      Grato por seu incentivador comentário. A finitude da vida é um assunto difícil e árido de ser abordado. Na minha opinião, apenas as pessoas que amamos morrem. Só a sua morte é absoluta separação.
      O amor é mais forte do que a morte. O sofrimento que se sente é a prova de uma união que permanece, agora com uma outra forma, composta apenas de amor. E dói . Entretanto com a ajuda dos que partem acabamos por sentir que, afinal de contas, não fomos separados para sempre.
      O amor faz com que a nossa vida continue a ter sentido. A partida dos que foram antes de nós ensina-nos a viver melhor, de forma mais séria, mais profunda, de uma forma, inequivocamente, mais autêntica.
      Compartilho um poema de Fernando Pessoa com a prezada amiga:

      A MORTE CHEGA CEDO

      “A morte chega cedo,
      Pois breve é toda vida
      O instante é o arremedo
      De uma coisa perdida.

      O amor foi começado,
      O ideal não acabou,
      E quem tenha alcançado
      Não sabe o que alcançou.

      E tudo isto a morte
      Risca por não estar certo
      No caderno da sorte
      Que Deus deixou aberto. ”

      Saudações fraternas,

      Aristeu

    • violante Pimentel em 26 de junho de 2018 às 14:06
    • Responder

    Obrigada, amigo Aristeu! O poema de Fernando Pessoa é muito verdadeiro! O difícil é aceitarmos essa realidade!

    Um abraço e vida longa!

    Violante

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