28 junho 2018 CHARGES



MÁRIO ALBERTO

28 junho 2018 AUGUSTO NUNES

MARCO AURÉLIO MUDOU-SE PARA O PAÍS DO FAZ DE CONTA

Em maio de 2006, ao assumir a presidência do Tribunal Superior Eleitoral, Marco Aurélio Mello transformou o discurso de posse numa alentadora mensagem ao Brasil que presta. Perplexo com a roubalheira do Mensalão, indignado com a desfaçatez dos envolvidos no escândalo, o ministro do Supremo Tribunal Federal fez uma corajosa declaração de guerra ao que qualificou de “país do faz de conta”.

Confira alguns trechos do pronunciamento:

Infelizmente, vivenciamos tempos muito estranhos, em que se tornou lugar-comum falar dos descalabros que, envolvendo a vida pública, infiltraram na população brasileira – composta, na maior parte, de gente ordeira e honesta – um misto de revolta, desprezo e até mesmo repugnância. São tantas e tão deslavadas as mentiras, tão grosseiras as justificativas, tão grande a falta de escrúpulos que já não se pode cogitar somente de uma crise de valores, senão de um fosso moral e ético que parece dividir o País em dois segmentos estanques – o da corrupção, seduzido pelo projeto de alcançar o poder de uma forma ilimitada e duradoura, e o da grande massa comandada que, apesar do mau exemplo, esforça-se para sobreviver e progredir.

Não passa dia sem depararmos com manchete de escândalos. Tornou-se quase banal a notícia de indiciamento de autoridades dos diversos escalões não só por um crime, mas por vários, incluindo o de formação de quadrilha. A rotina de desfaçatez e indignidade parece não ter limites, levando os já conformados cidadãos brasileiros a uma apatia cada vez mais surpreendente, como se tudo fosse muito natural e devesse ser assim mesmo; como se todos os homens públicos, nas mais diferentes épocas, fossem e tivessem sido igualmente desonestos, numa mistura indistinta de escárnio e afronta, e o erro passado justificasse os erros presentes.

Perplexos, percebemos, na simples comparação entre o discurso oficial e as notícias jornalísticas, que o Brasil se tornou um país do faz-de-conta. Faz de conta que não se produziu o maior dos escândalos nacionais, que os culpados nada sabiam – o que lhes daria uma carta de alforria prévia para continuar agindo como se nada de mal houvessem feito. Faz de conta que não foram usadas as mais descaradas falcatruas para desviar milhões de reais, num prejuízo irreversível em país de tantos miseráveis. Faz de conta que tais tipos de abusos não continuam se reproduzindo à plena luz, num desafio cínico à supremacia da lei, cuja observação é tão necessária em momentos conturbados.

Em Medicina, “crise” traduz o momento que define a evolução da doença para a cura ou para a morte. Que saiamos dessa com invencíveis anticorpos contra a corrupção, principalmente a dos valores morais, sem a qual nenhuma outra subsiste. Nesse processo de convalescença e cicatrização, é inescusável apontar o papel do Judiciário, que não pode se furtar de assumir a parcela de responsabilidade nessa avalancha de delitos que sacode o País.

Quem ousará discordar que a crença na impunidade é que fermenta o ímpeto transgressor, a ostensiva arrogância na hora de burlar todos os ordenamentos, inclusive os legais? Quem negará que a já lendária morosidade processual acentua a ganância daqueles que consideram não ter a lei braços para alcançar os autoproclamados donos do poder? Quem sobriamente apostará na punição exemplar dos responsáveis pela sordidez que enlameou gabinetes privados e administrativos, transformando-os em balcões de tenebrosas negociações?

Se aqueles que deveriam buscar o aperfeiçoamento dos mecanismos preferem ocultar-se por trás de negociatas, que o façam sem a falsa proteção do mandato. A República não suporta mais tanto desvio de conduta. Ao reverso do abatimento e da inércia, é hora de conclamar o povo, principalmente os mais jovens, a se manifestar pela cura, não pela doença, não pela podridão do vale-tudo, que corrói, com a acidez do cinismo, a perspectiva de um futuro embasado em valores como retidão, dignidade, grandeza de caráter, amor à causa pública, firmeza de propósitos no empenho incondicional ao progresso efetivo, e não meramente marqueteiro, do País.

Àqueles que continuam zombando diante de tão simples obviedades, é bom lembrar que não são poucos os homens públicos brasileiros sérios, cuja honra não se afasta com o tilintar de moedas, com promessas de poder ou mesmo com retaliações, e que a imensa maioria dos servidores públicos abomina a falta de princípios dos inescrupulosos que pretendem vergar o Estado ao peso de ideologias espúrias, de mirabolantes projetos de poder.

Nunca é demais frisar que, se a ordem jurídica não aceita o desconhecimento da lei como escusa até do mais humilde dos cidadãos, muito menos há de admitir a desinformação dos fatos pelos agentes públicos, a brandirem a ignorância dos acontecimentos como tábua de salvação.

O Judiciário compromete-se com redobrado desvelo na aplicação da lei. Não haverá contemporizações a pretexto de eventuais lacunas da lei, até porque, se omissa a legislação, cumpre ao magistrado interpretá-la à luz dos princípios do Direito, dos institutos de hermenêutica, atendendo aos anseios dos cidadãos, aos anseios da coletividade.

Daquele maio para cá, como vem demonstrando a Lava Jato e outras operações anticorrupção, o colossal viveiro de meliantes não parou de crescer. O ministro continua recitando que “vive tempos estranhos” (ou “muito estranhos”). Mas o Marco Aurélio modelo 2006 não existe mais. Saiu de circulação há muito tempo – e foi substituído por versões cada vez mais lastimáveis.

Todas atropelam com ferocidade os parágrafos acima reproduzidos. Nenhuma tem qualquer semelhança com o autor do histórico discurso de 2006. O Marco Aurélio-2012, por exemplo, fez o possível para evitar que os quadrilheiros do Mensalão fossem punidos pelo Supremo. No momento, o Marco Aurélio-2018 anda berrando que a prisão de Lula é “ilegal” e “inconstitucional”.

O ministro mudou de ideia, mudou de turma, mudou de lado. E mudou-se de vez para o País do Faz de Conta.

Pelo sorriso, parece achar que fez um bom negócio.

28 junho 2018 CHARGES

MARIANO

28 junho 2018 A PALAVRA DO EDITOR

UM JOGO QUE LEVANTOU O ASTRAL DA CIDADANIA

Ontem foi um dia de grande alegria.

Um dia histórico pra cidadania deste país.

O Brasil verde-amarelo botou no furico de um time onde só tinha vermelhos.

Foi ótimo!!!

28 junho 2018 CHARGES

DUKE

GATO & CACHORRO

Nem sequer era pantera
Era a verdadeira gata
Bichanidade gatesca.

Se vinha vindo, gatinha
Se ia indo, gatona
Se dormia, era bichana
Se falava, era Mimi
Se caçava, não miava
Se contente, ronronava
Pra lá pra cá desfilava
No muro de passarela
Com habilidade miau.

Pra ela, telhado de louça
De gelo puro ou cristal
E um tobogã de aventuras
Pra escorregar das alturas
E cair no meu quintal.

Ass. Pluto
puto da existência

28 junho 2018 CHARGES

PAIXÃO

28 junho 2018 A PALAVRA DO EDITOR

ENTREVISTA DE JOGADOR

Mais um vídeo que me veio a lembrança e que tirei do meu baú aqui no JBF.

Gravei no final de 2012.

Me lembrei dele por conta da copa da mundo e das entrevistas com jogadores de futebol que estão em evidência no noticiário dos últimos dias.

28 junho 2018 CHARGES

IOTTI

NOTÍCIAS DE JORNAL

Leio jornais, hoje, tentando ver além das notícias. A tragédia humana que sempre se renova. O ridículo de certas situações. O inusitado. O choro triste. O riso claro. O espanto. Às vezes, se trata mesmo de algo relevante. Mas, quase sempre, não. Em The Times, Fernando Pessoa disse algo parecido: “Sentou-se bêbado à mesa e escreveu um fundo/ Do Times, claro, inclassificável, lido,/ Supondo (coitado!) que ia ter influência no mundo…/ Santos Deus!… E talvez a tenha tido!”. Para provar essa tese, tirei férias da Copa e fui anotando alguns fatos que acabaram notícia, nos últimos dias. Quase todos, só agora percebo, sobre “a morte (que) é para os que morrem”, palavras de Rosa (Grandes Sertões…). A ver:

• Luiz Carlos Muniz Cantanhede, médico urologista, lutou anos contra um câncer. Ficou bom. E atribuiu isso a promessa que fez – de ir, a pé, até o Santuário de São José de Ribamar. Decidido a pagar tal promessa, logo começou a caminhada. Só que, na rodovia MA-204, morreu atropelado por um motorista bêbado (JC on line). Seu santo protetor pode ser forte no capítulo das doenças. Mas é fraco na proteção aos devotos caminhadores.

• Um cidadão do Recife, que vivia reclamando da Seca, decidiu ir ao interior. Para ver, com seus olhos, as chuvas que caiam no Agreste e no Sertão. Só que, para azar dele, no Km 65 da BR-101 o carro mergulhou em um rio que estava cheio por conta das últimas chuvas. Resumindo, ele morreu. Afogado. Sem registro de seu nome (D.P.). Ou do que pensou, quando as águas tomavam conta de seu corpo.

• O garçom Damião Amaral de Carvalho morreu atropelado por uma égua que fugiu, em disparada, de dentro do Jockey Club. O animal, em vez de correr pela pista de grama, decidiu fazer isso no meio da rua. Mas passa bem. E vai correr no próximo domingo (O Globo). Dentro do Jockey, espera-se.

• O cientista escocês Ian Wilmut dedicou sua vida a estudar novas terapias contra o mal de Parkinson. Tanto que criou a ovelha Dolly, clonada, no Instituto Roslin (em Edimburgo). Especialmente para esse fim. Pena que suas pesquisas não tiveram sucesso. E, agora, é ele quem está morrendo. Por conta de um raro tipo de Parkinson (Visão, de Portugal). Fazer o quê?

• Um bêbado atropelou 17 pedestres em Copacabana. Entre estes, o australiano Christopher John Gott. Que usava, no Brasil, o nome falso de Marcos Phillips. Por ser foragido da polícia de seu país. Condenado por crime de pedofilia e 17 outras acusações de agressão sexual (Folha SP). Escapou da justiça e morreu pelas mãos de um motorista encachaçado. O médico que o atendeu, no hospital, declarou que foi a justiça divina.

• A israelense Olga Babaeva reside, no aeroporto do Galeão, há mais de um ano. Os três filhos pedem que volte para Israel. A velha não quer. E a explicação que dá, para isso, é inacreditavelmente simples: “Aqui é um lugar tranquilo para ficar” (O Globo). Oscar Wilde (em Quatro Ensaios sobre Estética) escreveu: “A vida imita a arte muito mais do que a arte imita a vida”. Com toda razão. Que, ao ver aquele filme de Tom Hanks (Aeroporto), ninguém suspeitaria pudesse ocorrer algo parecido no mundo real. E logo no Brasil.

Pesando tudo, parece ter razão o amigo Millôr. Ao indicar a pouca importância do noticiário. Quando sentenciou, n’O Pasquim: “A imprensa é a única indústria que não dá a menor garantia pelos produtos que vende – posto ficar obsoletos em menos de 24 horas”. E logo viram papel de embrulhar peixes. É isso.

28 junho 2018 CHARGES

AMARILDO

TAMOS VENDO TUDO

Comentário sobre a postagem SUPREMO BANÂNICO: O MELHOR LAXANTE DO MUNDO

Jesus de Ritinha de Miúdo:

“Meu Papa, a desesperança faz morada à minha janela.

Em quem mais devemos confiar?

Tou vendo tudo, tou vendo tudo.
Mas bico calado, faz de conta que sou mudo.

Um país lá no mundo conhecido
Pelos pés que correm atrás da bola
Mas sem craque que frequente a escola
Num exemplo fácil de ser seguido
Faz do jovem pobre e bem sofrido
Nas favelas ter sonhos infantis
Quer na bola ter nova diretriz
Nem percebe que é de areia esses castelos
Pode ser o país dos gols mais belos
Mas não é com certeza o meu país.

* * *

Nota do Editor:

Pegando carona na glosa feita pelo nossa colunista Jesus de Miúdo, aproveito para oferecer aos leitores fubânicos um vídeo com o paraibano Zé Ramalho interpretando uma música composta há muitos anos pelo meu querido amigo Orlando Tejo em parceria com Livardo Alves e Gilvan Chaves.

28 junho 2018 CHARGES

J. BOSCO

28 junho 2018 JOSIAS DE SOUZA

GLEISI INSINUA QUE FACHIN JULGA SOB “CHANTAGEM”

Entre decepcionada e indignada, a senadora Gleisi Hoffmann acusou o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo, de agir em “conluio” com o TRF-4 para cancelar o julgamento do recurso sobre a liberdade de Lula, que ocorreria nesta terça-feira. Em discurso no plenário do Senado, Gleisi chamou de “manobra” a decisão de Fachin de transferir a análise do recurso de Lula para o plenário da Suprema Corte. “Ele contou os votos na Segunda Turma, viu que o Lula ganharia, aí bota para o Pleno”, declarou. A senadora insinuou que Fachin toma suas decisões sob “chantagem”.

“Por que, ministro Fachin?”, indagou a presidente nacional do PT, dirigindo-se diretamente ao alvo de sua maledicência. “A quais pressões, a quais chantagens Vossa Excelência está submetido para agir assim? Pra que essa manipulação de levar o presidente Lula ao plenário?” Isolado na Segunda Turma, Fachin preferiu submeter o caso de Lula ao plenário de 11 ministros porque foi ali que se estabeleceu a maioria precária de 6 a 5 a favor da regra que autorizou a prisão de condenados na segunda instância.

Tomada pelas palavras, Gleisi esperava do magistrado um comportamento mais companheiro. A senadora lembrou que Fachin, indicado para o Supremo por Dilma Rousseff, é um velho conhecido dela, do petismo e dos movimentos sociais. “Eu fico me perguntando: por que o ministro Fachin?”, indagou Gleisi, antes de resumir o currículo partidário que o ministro ostentava antes de ingressar no Supremo:

“…Paranaense, que conheci das lutas populares, da defesa do MST, da defesa do Estado Democrático de Direito, que em tantas lutas guerreou ao nosso lado, que fez discursos pra Dilma. Por que esse ministro agora age dessa maneira? Basta ser do PT ele está contra. Por que, ministro Fachin?…”

O discurso de Gleisi foi dividido em duas partes. No pedaço em que não criticou Fachin, a senadora dedicou-se a celebrar as “notícias alvissareiras” produzidas pela Segunda Turma do Supremo. Entre elas a libertação do presidiário petista José Dirceu e a invalidação de provas recolhidas pela Polícia Federal numa batida realizada em seu apartamento funcional de senadora – provas que seriam utilizadas em inquérito que corre contra seu marido, o ex-ministro petista Paulo Bernardo.

Fachin foi voto vencido em todas as votações. A maioria pró-encrencados foi formada pela troica Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes.

Lewandowski tem vínculos notórios com Lula e o petismo. No dia em que o Supremo transformou em ação penal a denúncia contra os réus do mensalão, o ministro foi flagrado num restaurante dizendo ao telefone frases assim: “A imprensa acuou o Supremo. Todo mundo votou com a faca no pescoço.” Ou assim: “A tendência era amaciar para o Dirceu.” Ou pior: “Eu estava tinindo nos cascos.” Mas Gleisi não estranhou que Lewandowski tenha ajudado a amaciar a situação penal de Dirceu na sessão desta terça-feira.

Toffoli foi assessor da bancada do PT na Câmara, atuou como advogado de Lula na Justiça Eleitoral, foi subordinado direto do então ministro José Dirceu na assessoria jurídica da Casa Civil da Presidência, comandou a Advocacia-Geral da União sob Lula. Mas Gleisi achou natural que Toffoli tenha aceitado relatar o recurso ajuizado pela defesa do ex-chefe Dirceu. A senadora não viu nenhuma manobra no voto em que Toffoli contornou a regra sobre prisão de condenados em segunda instância alegando que libertou Dirceu por outra razão: a plausibilidade da alegação de que houve exagero na fixação da pena de 30 anos e 9 meses de cadeia.

Para Gleisi, excetuando-se os votos contrários e o comportamento traiçoeiro de Fachin, não houve na Segunda Turma senão um retorno do Supremo à normalidade democrática. Após recordar que a mesma turma a absolveu na semana passada numa ação penal em que era acusada de corrupção e lavagem de dinheiro, Gleisi soltou fogos non plenário do Senado:

“Hoje, nós tivemos mais notícias alvissareiras do Supremo. […] Quero registrar dessa tribuna, hoje, a liberdade do companheiro José Dirceu, que também tem enfrentado um calvário na sua vida, também tem lutado contra o arbítrio do Judiciário, de processos eivados de vícios, e hoje a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal lhe fez justiça novamente, libertando-o da prisão, sem nenhuma restrição. Bem-vindo à liberdade, companheiro José Dirceu!”

Junto com o companheiro Dirceu, ganhou o meio-fio o ex-tesoureiro do PP, João Claudio Janu. Mas Gleisi se absteve de dar-lhe as boas-vindas. A trinca Toffoli-Lewandowski-Gilmar também mandou ao arquivo a ação penal contra o deputado estadual tucano Fernando Capez (PSDB-SP), acusado de participar da máfia da merenda escolar em São Paulo. Gleisi, contudo, não se animou em exaltar a luta do partidário de Geraldo Alckmin contra “o arbítrio do Judiciário.”

28 junho 2018 CHARGES

SPONHOLZ

28 junho 2018 A PALAVRA DO EDITOR

ALEGRIA E HUMOR NESTA GAZETA ESCROTA

Ontem pela manhã recebi uma curiosa mensagem.

Uma mensagem que começava com uma particularidade muito interessante: ela estava redigida no espaço destinado ao “Assunto”.

O lugar onde a mensagem deveria ter sido digitada estava em branco.

Presumo que o espírito artístico e a criatividade do remetente sejam responsáveis por esta estranha inovação.

Fotografei e reproduzo abaixo do jeito que chegou aqui.

Vejam:

Achei o máximo um cidadão que tem as letras W, Y e K no seu nome.

Que coisa chic!

E mais: um cidadão cujo sobrenome começa com KU.

A filósofa petista Marcia Tiburi, especialista em furico e conferencista renomada sobre o tuma KU, iria adorar ter nos seus arquivos a certidão de nascimento deste senhor.

Quiterinha, minha saudosa e querida mãe, deve ter ficado tão curiosa quanto eu pra saber que danado significa a expressão “filho de donzela de tabuleiro“.

Vôte!

Curioso, mostrei a mensagem pra Aline e perguntei onde porra é que elava esta “passando as noites“, conforme sugestão do nosso gentil leitor.

E ela me respondeu perguntando se eu tava ficando demente e dizendo: “Passo as noites ao teu lado, ouvindo teu ronco”.

E completou dizendo:

– E este idiota deste KU deve passar a noite coçando os chifres enquanto a mulher dele faz visita íntima com Lula na cadeia.

Pelo tom com que o Sr. KU usou a palavra “nordestino“, seguida de um sonoro “fdp“, percebi logo que era xingamento.

Seu nordestino fdp!!!

E, em consequência, deduzi que ele é natural de outra região deste país tão  cheio de recantos, de tantos sotaques e de tantas expressões. 

O serviço de inteligência do JBF, realizando mais uma de suas fuxiquentas investigações, descobriu  que o Técnico Previdenciário aposentado Wanderley Kusma de Faria, residente na cidade de São Paulo, é um ativo militante petralha,  que gasta seu tempo de ociosidade frequentado páginas internéticas como peruador-comentarista, despejando uma chuva de comentários-coices. O dia todo e todos os dias.

Cuida-se aqui de um fiel roxo-vermêio da Igreja Lulaica.

São dezenas, centenas, milhares de comentários bombardeados ininterruptamente através da internet.

Ele entra em todas as páginas e em todas elas dá pitacos.

Agora, pra nossa grande alegria, o Sr. KU descobriu o JBF e veio excretar aqui as obras-primas que digita  furiosamente no seu computador.

Francamente, vai aumentar em muitos graus o clima de humorismo e hilaridade reinante neste nosso ambiente de alto meretrício.

Seja bem vindo, estimado KU.

Fique à vontade.

A casa é sua.

Dê as ordens.

Publicaremos tudo que você excretar pelos dedos.

Quem quiser se divertir, digite “Wanderley Kusma de Faria” no Google e busque pelos comentários deste gentil militante petêlho nas mais diversas páginas internéticas.

São muitas, muitas e muitas mesmo.

Façam a pesquisa que eu garanto a vocês: vai ser divertido.

De minha parte eu gostaria de registrar, com muita alegria e felicidade, que ter sido xingado pelo Sr. KU foi uma alegria enorme.

Ganhei minha semana.

Chega se mijei-me de tanto se rir-se-me de satisfação.

Brigadão, estimado KU.

Apareça sempre.

E, pra fechar a postagem, nós daqui do nordeste presenteamos o Sr. KU com um vídeo onde aparecem três conterrâneos nossos, Luiz Gonzaga, Sivuca e Dominguinhos, acompanhados do fluminense Oswaldinho do Acordeon, tocando um forró arretado pra uma platéia composta de dançarinos daí da Terra da Garoa.

28 junho 2018 CHARGES

DUKE

28 junho 2018 PERCIVAL PUGGINA

TROCO UMA CENTENA DE CORRUPTOS

Faríamos bom negócio se trocássemos cem corruptos por um STF novo. Com um Supremo formado por juristas de alto nível, juízes de verdade, conscientes de seus deveres e responsabilidades, ficaríamos livre desse flagelo que mantém a nação em sobressalto. E os corruptos acertariam suas contas com a sociedade porque é isso que acontece quando as instituições funcionam.

Não estou sendo sarcástico. É incalculável o montante dos prejuízos que esse STF vem causando à política, à moral do povo, à credibilidade das instituições, à segurança jurídica e à estabilidade necessária ao funcionamento regular da economia.

Não há adjetivo polido para a conduta do ministro Dias Toffoli na sessão de anteontem (26/06) da Segunda Turma do STF. A finalidade da sessão era abrir as portas da liberdade a um grupo de condenados da Lava Jato com culpa confirmada pelo TRF-4. No lote, para disfarçar, o ex-chefe José Dirceu. A ideia do trio Toffoli, Lewandowski e Gilmar era romper o entendimento colegiado da corte sobre a possibilidade de prisão após condenação em segunda instância.

Sabem todos os ministros, sabem os advogados dos presos, sabem os condenados, sabe o Brasil que prisão após o trânsito em julgado de sentença condenatória é sinônimo de liberdade eterna para quem roubou muito. E um tanto mais breve para quem roubou pouco. É uma liberdade alugada com dinheiro das vítimas. É, também, outro nome que se pode atribuir à impunidade, benefício mais importante para o criminoso do que o produto de sua atividade.

Na imagem e possibilidade mais remota e positiva, o STF é um conjunto de 11 pessoas que, segundo maiorias instáveis e seus bestuntos individuais, impõem ao país o convívio com o intolerável. Na imagem mais provável, a coisa fica muito pior. Só para lembrar: em 10 de março de 2015, o ministro que coordenou a operação no dia de ontem enviou ofício ao colega Lewandowski, que presidia o STF, manifestando interesse em ser transferido da Primeira para a Segunda Turma da Corte, ocupando a vaga aberta pela morte de Teori Zavaski. Com essa mudança, o grupo que, por mera coincidência, tinha a seu encargo os processos da Lava Jato ganhava a atual configuração.

Para quem não sabe, ou já esqueceu, quando José Dirceu era chefe da Casa Civil da Presidência da República, Dias Toffoli foi seu subchefe da área de Assuntos Jurídicos. Em junho de 2005, acusado por Roberto Jefferson de ser o mentor do mensalão, Dirceu foi obrigado a demitir-se do cargo, sendo substituído por Dilma Rousseff, a quem Toffoli, imediatamente, solicitou a própria demissão. O fato confirma a estreita ligação entre os dois. Quem disse que gratidão é sempre uma virtude?

Não é de hoje que o STF vem cuidando bem da criminalidade de jatinho. Em fevereiro de 2014, esse Supremo, com voto decisivo do recém-nomeado e gratíssimo ministro Roberto Barroso, decidiu que não houve formação de quadrilha no mensalão. Ela não só houve como jamais interrompeu suas atividades e agora tem tratamento VIP nesse STF que não nega os fatos, mas soluça com os condenados falando em “sanha punitivista”.

28 junho 2018 CHARGES

CLAYTON

QUASE HISTÓRIAS: O NÁUFRAGO

Uma ilhota cercada de idiotas e prepotentes por todos os lados. Era assim que se sentia. O que mais desejava era sair dali, rapidinho, feito pé de vento.

Mas, como? Não dispunha de papel, caneta e garrafas para lançar mensagens ao mar. Ainda que tivesse garrafas, caneta e papel, não daria certo. Como lançar às ondas, do alto de penhasco, seus rabiscos, se não podia ir até o penhasco, proibido que estava de sair da cela, exceto para tomar banho de sol três vezes por semana? Pedir ajuda a quem?

Nesses anos de reclusão, não conseguiu identificar pessoa em que pudesse confiar a guarda e o destino das garrafas que não tinha. Só lhe restava rezar por um milagre com a fé miúda de sempre. Era o que tinha.

28 junho 2018 CHARGES

SPONHOLZ

FÁTIMA MARIA CONTRERAS – MATÃO-SP

Sr. Editor,

Veja só esta foto que recebi pelo whatsapp

Está ótima.

Seria possível publicar no Jornal da Besta Fubana?

Muito obrigada.

R. Cara leitora fubânica, permita-me perguntar:

Empregado de quem?

Do PT?

De Lula?

Como diria o fubânico petista Catador de Links, isto é uma tremenda duma mentira.

Uma injustiça enorme com um ministro honesto, isento e apartidário.

Um homem que foi indicado para o supremo preenchendo todas as condições: reputação ilibada e notável saber juríco.

O fato de ter sido ele condenado por corrupção em dois processos no Amapá e ter sido reprovado em dois concursos pra juiz de primeira instância no estado de São Paulo não quer dizer absolutamente nada. 

Trata-se de um currículo digno de um indicado para o STF pelo atualmente prisioneiro Lula.

Quem quiser saber de mais detalhes sobre estes dois fatos da vida de Toffoli, condenação e reprovação em concurso, peça para Catador de Links que ele, com toda certeza, atenderá.

Esta grosseira montagem que você nos mandou, cara leitora, é mais ou menos assim como você dizer que o sítio e o triplex são propriedade de Lula: uma calúnia repugnante.

28 junho 2018 CHARGES

NANI

LAVOU-ME A VIDA…

Estava chovendo naquela noite. Não me atentei às horas, só fiquei a observar o movimento da rua pelo vidro da janela. Não recordo também se era época de tanta chuva, mas lembro que fazia dias que continuava assim, e eu recolhida em casa, sem a mínima vontade de sair. Nem para vê-lo.

Era um estado de inércia, sentia-me possuída pela melancolia que a chuva traz. Bom, para mim é assim; apesar de ver a renovação que chega com ela, enxergava também tudo de ruim que ela lavava do meu ser, como se inundasse tudo e ao secar levasse embora quaisquer indícios de sujeira. Era bom afinal, mas até isso acontecer, muita coisa vinha à tona.

Deve ser isso que me hipnotizou por longos minutos ao pé da janela. Ali fiquei a lembrar do que eu gostaria que ela levasse desta vez. Sonhos desfeitos, planos desajustados, metas que não alcançaria. E, convenhamos, nem preciso dizer o motivo disso tudo estar em minha mente, bagunçando minha ordem.

Sabe o que notei prontamente quando vi aquela foto? O olhar dela era de uma pessoa realmente apaixonada. Sim, até me enxerguei nela. Sem dúvida você é uma pessoa apaixonante. Mas isso não me impressionou, como disse, era o esperado; você encanta. O que estranhei foi a sua feição, estava com olhar perdido, como se soubesse que ali não era seu devido lugar. De certa forma isso me deu uma ponta de esperança, pelo menos sabia que imoralidade daquele abraço, da dor que estaria me causando a cada beijo trocado que não em meus lábios.

Até hoje me pergunto como essa foto veio parar em minhas mãos. Costumo dizer, e isso aprendi com minha avó e mãe, que não precisamos procurar por problemas, eles nos chegam. Caem no colo, adormecem em nossas mãos, nos encontram como se pedissem resolução. Pois é, simplesmente vi, estava ali, dentro da caixinha do relógio na cabeceira da cama. E, como providência divina, apareceu-me justamente enquanto estava em viagem. Acho que para que eu digerisse, refletisse, entendesse essa nova fase. Porque é, se torna uma nova fase. Você faz a merda e eu tenho que decidir o que fazer. É injusto não?

Em discussões aleatórias em que eu tocava no assunto sempre deixava claro que a maior decepção não seria a traição em si, mas todo o teatro, a enganação, as mentiras que devem ser contadas para sustentar a infidelidade. Isso e, claro, ver seu cuidado e olhar apaixonado por outra pessoa. E isso eu não vi. Pelo contrário, estava ciente que eu o veria naquela foto; no exato momento em que a tirava sabia que eu o veria.

Acho que sentiu que eu não estava bem. Meu celular gritava em chamadas suas. Apenas o desliguei, sem compromisso, sem culpa. Há quilômetros de distância, palavras trocadas pelo celular não resolveriam nada. Fiquei a fitar a via por um tempo. O copo, já vazio, amargava mais do que entorpecia.

Fechei as janelas, cansada de ver carros indo e vindo; pessoas correndo, evitando a chuva que teimava em cair sem descanso. Despi-me e entrei na banheira, já cheia, e desta vez com os sais de banho que me deu de aniversário. Lavanda, né? Delicadamente doce. Certeiro. Você é, como já falei, encantador.

Cabeça encostada na beira da banheira, acomodei meu corpo totalmente dentro da água. Somente os pensamentos permaneceram secos, literalmente secos. Não queria nenhum tipo de interferência emotiva neste jogo. Jogo esse que eu perdi no exato momento em que encontrei a foto. É isso, é isso que queria me dizer com este olhar triste que ousou em escancarar na foto. Eu decido sim o que será de nós, mas você me conhece e sabe que não é um papel que desempenho bem. Penso que cada um cuida do seu, não podia lhe dizer como seguir com sua vida. Eu tinha é que decidir a minha.

Inebriada por tamanho embaraço por sua inteligência, por ver o quanto pode ser maquiavélico, deixei molhar meus os cabelos, mergulhei inteiramente na banheira e por ali fiquei. Com a mesma inércia de quando estava na janela, estática como no momento em que peguei a foto, sem ânimo para o que você me deu como caminho. Por ali fiquei, inundei-me com a água de lavanda, e, junto com a chuva que parou instantaneamente, levou o que eu não queria mais.


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